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Curso promove harmonização de entendimento sobre legislações

Auditores fiscais agropecuários e técnicos de agroindústrias dos diversos polos produtores do país estiveram no evento

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Divulgação/ABPA

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e o Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (DIPOA/MAPA), realizou ao longo desta semana um treinamento especial com técnicos das agroindústrias produtoras e exportadoras de aves e de suínos. O evento aconteceu em São Paulo, SP.

Ao todo, cem participantes, entre auditores fiscais agropecuários e técnicos de agroindústrias dos diversos polos produtores do país estiveram no evento, que teve como objetivo esclarecer questões e construir a harmonização de entendimentos sobre a inspeção nos abatedouros.

Entre os pontos abordados no evento, estiveram reflexões sobre sistema do treinamento em inspeção ante e post mortem de aves e suínos, ações e procedimentos de verificação oficial dos controles em estabelecimentos produtores de carne aves e de suínos, entre outros.

“Houve uma introdução ao sistema de treinamento na inspeção ante e post mortem de aves e suínos, com o objetivo de construir um perfeito entendimento sobre as legislações pelo setor privado, harmonizando e estabelecendo os padrões que se refletem na segurança do alimento ao consumidor.  Nesse sentido, buscamos reforçar a confiabilidade e a transparência de todos os entes da cadeia produtiva, sejam públicos ou privados, que são primordiais para a obtenção de um produto seguro e confiável ao consumidor”, ressaltou o presidente da ABPA, Francisco Turra.

Fonte: Assessoria

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“Acordo Mercosul-UE não pode tirar a capacidade do produtor brasileiro de abastecer mercados”, afirma Lupion

Presidente da FPA critica protecionismo europeu e cobra salvaguardas e contramedidas no texto. Relator Marcos Pereira afirma que vai trabalhar para proteger o agro durante tramitação na Câmara.

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Foto: Divulgação

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) se reuniu, na terça-feira (24), para tratar do acordo entre Mercosul e União Europeia e recebeu o deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP), relator do tema na Câmara dos Deputados. O parlamentar afirmou que levará pessoalmente as preocupações do agro e trabalhará para que o setor produtivo não seja prejudicado.

Mais cedo, a Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul (Parlasul) aprovou o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. Se o tratado avançar nas etapas de ratificação, poderá compor um dos maiores acordos comerciais já firmados pelo Brasil. Apesar de reconhecer o potencial de abertura de mercados, a FPA reforçou que a votação precisa caminhar junto da definição de mecanismos efetivos de defesa comercial, para garantir equilíbrio e previsibilidade ao produtor brasileiro.

De acordo com o presidente da FPA, Pedro Lupion (Republicanos-PR), a escolha de Pereira como relator é positiva porque o deputado conhece as dificuldades do setor e tem histórico de diálogo com diferentes segmentos. “Ele sabe que a gente conversa com diversos segmentos da sociedade, por mais que nossa luta envolva o agro brasileiro. Do lado de lá há um parlamento com perfil protecionista e posições claras contra os nossos produtos. Confiamos que o trabalho será positivo para todos os lados, mas acima de tudo para o Brasil. O acordo Mercosul-UE não pode tirar a capacidade do produtor brasileiro de dominar mercados”, frisou Lupion.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS), uma das articuladoras do tema em anos anteriores, ressaltou que não é contra o acordo, mas defendeu cautela. Para a vice-presidente da FPA no Senado, os europeus têm receio da competitividade brasileira e isso se reflete em salvaguardas que, com gatilhos considerados baixos, podem suspender benefícios tarifários e afetar exportações de cadeias relevantes.

Tereza sugeriu, inclusive, que o Congresso avalie o calendário de votação em conjunto com outros instrumentos comerciais em discussão, como o acordo Mercosul-EFTA, assinado em setembro de 2025, que prevê eliminação de tarifas em quase 99% das exportações brasileiras para o bloco e abrange bens, serviços, investimentos e compras governamentais. “O acordo com a União Europeia é estreito e tudo deve ser bem calculado. Eles fizeram salvaguardas com a régua muito baixa e alguns setores vão sofrer do jeito que está. Eu aconselharia o governo, e eu torço pelo Brasil, a acalmar e votar todos os acordos de uma vez só”, ressaltou.

Pereira avaliou que o acordo é muito importante e tende a trazer incremento à economia, mas reconheceu a necessidade de proteger o setor produtivo. Ele afirmou que tratará diretamente da construção de contramedidas e regras internas para resguardar os produtores brasileiros e dar segurança ao processo. “É saudável que a gente avance e passe essa fase para resolver outros problemas. Estamos na frente mais poderosa do Congresso, por isso o agro é poderoso, e afirmo que cuidarei para que o setor não seja prejudicado. Tanto eu quanto o partido que faço parte estaremos comprometidos com o produtor rural”, declarou.

A expectativa é que a proposta avance para deliberação no Plenário da Câmara ainda nesta semana.

Fonte: Assessoria FPA
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Agro brasileiro registra mais de 39 mil ataques cibernéticos em 2025

Levantamento aponta média superior a 3,2 mil tentativas por mês e identifica avanço de sondagens estratégicas antes de ataques como ransomware, ampliando o risco de paralisação de sistemas no campo.

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Foto: Shutterstock

Nesta quarta-feira (25) é celebrado o Dia do Agronegócio, setor que corresponde a cerca de 25% do PIB nacional. No entanto, a pujança do campo atrai um efeito colateral perigoso: o interesse crescente de grupos cibercriminosos. De acordo com o levantamento feito pela ISH Tecnologia, o setor encerrou 2025 com um total de 39.034 mil ataques cibernéticos registrados, mantendo uma média alarmante de mais de 3,2 mil tentativas de invasão por mês.

O relatório revela que os criminosos não estão apenas tentando entrar nos sistemas, mas realizando um trabalho meticuloso de inteligência. Observou-se uma concentração relevante de alertas nas fases iniciais do que a cibersegurança chama de Cyber Kill Chain, o roteiro percorrido pelo hacker desde o primeiro contato até a execução do roubo. Esse cenário evidencia uma intensa atividade de reconhecimento e tentativas de exploração, onde o atacante estuda as defesas do produtor antes de desferir o golpe final.

Cerco nas fronteiras digitais do campo

Diretor de Inteligência de Ameaças da ISH Tecnologia, Hugo Santos: “Investimento em monitoramento de rede 24×7 e a conscientização dos colaboradores sobre esses estágios iniciais de sondagem são hoje elementos tão fundamentais”- Foto: Divulgação

Eventos relacionados a ataques de negação de serviço (DDoS) na borda dos sistemas e a execução de scripts suspeitos indicam esforços consistentes de sondagem. De acordo com o diretor de Inteligência de Ameaças da ISH Tecnologia, Hugo Santos, os criminosos estão testando as fechaduras digitais do agronegócio de forma persistente. “Após essas tentativas iniciais, surgem indícios de evolução para etapas de execução e descoberta, com comportamentos associados ao mapeamento das redes internas e geração de alertas de alta severidade diretamente nos computadores e dispositivos de campo”, pontua.

Santos explica que o agronegócio brasileiro se tornou uma indústria de dados a céu aberto, onde um ataque de ransomware não apenas bloqueia computadores, mas pode paralisar sistemas de irrigação inteligentes ou descalibrar sensores de plantio. “A estratégia dos invasores hoje foca na progressão silenciosa. Ao detectar o ataque ainda nos estágios iniciais de sondagem, o produtor evita que o criminoso chegue à fase de criptografia de dados ou sequestro de maquinário, o que geraria prejuízos medidos em toneladas de grãos perdidos por hora de inatividade”, alerta Santos.

Urgência da detecção precoce

Essa vulnerabilidade é acentuada pelo desafio da última milha. Embora muitos produtores invistam pesado em biotecnologia, a maturidade digital em segurança ainda é desigual. O panorama de 2026 indica a necessidade urgente de fortalecer controles preventivos e mecanismos de detecção precoce.

Santos reforça que garantir a segurança digital no campo deixou de ser um custo de TI e passou a ser uma estratégia de sobrevivência logística.  “Investimento em monitoramento de rede 24×7 e a conscientização dos colaboradores sobre esses estágios iniciais de sondagem são hoje elementos tão fundamentais para a estabilidade do trabalho quanto o próprio seguro da safra”, enaltece.

Fonte: Assessoria ISH Tecnologia
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O custo bilionário da política tarifária de Trump

Decisão da Suprema Corte dos EUA desmonta a estratégia de tributação por decreto, abre passivo estimado em US$ 175 bilhões ao Tesouro e reprecifica risco fiscal, juros e fluxos globais de capital.

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A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de invalidar grande parte das tarifas impostas pelo presidente Donald Trump com base no Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês) não apenas encerra um ciclo de protecionismo por decreto. Ela reabre uma fatura estimada em US$ 175 bilhões e desloca o debate do comércio para o coração do sistema fiscal e monetário americano.

Economista PhD em Finanças, Roberto Simioni: “A Corte removeu um risco de cauda relevante para a economia global, mas abriu um novo capítulo sobre os limites institucionais do protecionismo nos Estados Unidos” – Foto: Arquivo pessoal

No caso Learning Resources, Inc. vs. Trump, a Corte distinguiu o poder de regular o comércio do poder de tributar importações, reafirmando que tarifas são, em essência, impostos cuja competência é do Congresso. Para o economista PhD em Finanças, Roberto Simioni, trata-se de um divisor de águas institucional. “A decisão desarticula a tributação por decreto e restabelece a fronteira constitucional entre Executivo e Legislativo. Isso reduz o prêmio de risco institucional que vinha sendo precificado nos mercados”, salienta.

A leitura imediata do mercado foi positiva. Bolsas reagiram em alta, especialmente em setores cíclicos como varejo, tecnologia e indústria. Empresas que vinham operando com margens comprimidas pelas tarifas tendem a capturar ganhos extraordinários com a devolução dos valores pagos. “Para companhias do S&P 500, esse reembolso funciona como um fluxo de caixa não operacional massivo. Isso pode impulsionar recompras de ações e dividendos”, diz Simioni.

Do ponto de vista distributivo, porém, o efeito é assimétrico. Muitas empresas já haviam repassado os custos tarifários ao consumidor ao longo de 2025. Com a reversão judicial, parte relevante do benefício deve permanecer nos balanços corporativos. “O efeito deflacionário para o consumidor tende a ser marginal e defasado, sobretudo em mercados oligopolizados, onde há rigidez de preços para baixo”, observa o economista.

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Reembolso

O impacto mais delicado emerge no front fiscal. A devolução estimada de até US$ 175 bilhões aos importadores cria um passivo contingente imediato para o Tesouro americano. O modo como esses recursos serão financiados é central para o comportamento das taxas de juros.

Segundo Simioni, a drenagem da Treasury General Account (TGA) para honrar os reembolsos pode injetar reservas no sistema bancário. “Se houver redução do saldo da TGA, aumenta-se a liquidez bancária, o que pode pressionar as taxas de overnight e testar o corredor de juros do Federal Reserve em um ambiente de política monetária restritiva”, ressalta.

Alternativamente, se o Tesouro optar por emitir títulos de curto prazo, haverá realocação de liquidez do setor privado para os importadores.

Reação do mercado

No mercado de dívida, a reação foi mais cautelosa. Os rendimentos dos Treasuries de 10 anos avançaram para a faixa de 4,10% a 4,25%, enquanto os papéis de 30 anos se aproximaram de 4,75%, refletindo a incorporação de risco fiscal adicional e incertezas sobre a recomposição de receitas. “Não é uma transação meramente contábil. É um choque de liquidez com implicações monetárias complexas”, resume Simioni.

No plano real da economia, a decisão elimina uma barreira relevante ao crescimento. Estudos apontavam que as tarifas reduziam o PIB

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americano em até 0,35% ao ano e elevavam preços em 1,3%, com custo estimado de US$ 1,8 mil por família. A retirada das tarifas tende a aliviar pressões inflacionárias e pode abrir espaço para cortes de 0,25 ponto percentual na taxa básica em duas ou três reuniões do Fed este ano, caso a desaceleração do PCE se confirme.

Ainda assim, a reversão não é isenta de efeitos colaterais. Investimentos realizados sob a proteção tarifária, sobretudo em substituição de importações, podem se tornar menos competitivos. “O empresário tolera risco, mas não tolera imprevisibilidade. E a mudança abrupta de regime pode transformar ativos recém-instaurados em capacidade ociosa”, afirma Simioni.

Ofensiva de Trump

A reação inicial da administração Trump foi sinalizar a utilização da Seção 122 do Trade Act de 1974 como alternativa legal. Mas esse instrumento impõe limites mais rígidos: tarifas de até 15% e duração máxima de 150 dias, salvo prorrogação pelo Congresso. “A Seção 122 estabelece um teto ao protecionismo. Ela reduz a distorção alocativa global e impede a consolidação de indústrias dependentes de proteção proibitiva”, avalia.

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Caso Brasil 

Para o Brasil, os canais de transmissão são predominantemente positivos no curto prazo. A retirada de barreiras discricionárias melhora termos de troca e favorece o fluxo de capitais para mercados emergentes. “Com menor incerteza global e possível enfraquecimento do dólar, o Brasil, que oferece juros reais elevados, tende a se beneficiar via câmbio e bolsa”, afirma Simioni.

Setores como siderurgia e manufaturados de maior valor agregado ganham competitividade relativa com a redução das tarifas globais. Além disso, a limitação do uso do IEEPA como instrumento de sanção comercial reduz o risco de medidas arbitrárias que afetem exportadores brasileiros, inclusive no setor de óleo e gás.

Há, contudo, nuances estratégicas. A normalização das relações comerciais entre EUA e China pode reduzir o prêmio obtido por commodities brasileiras em momentos de tensão bilateral. “Quando há guerra tarifária, o Brasil se beneficia de desvios de comércio, especialmente na agroindústria. Uma estabilização institucional pode diminuir esse prêmio”, pondera.

Balanço geral 

No balanço, a decisão da Suprema Corte encerra um ciclo de volatilidade induzida por discricionariedade executiva e recoloca o comércio americano sob um arcabouço mais previsível. Mas o custo da transição – fiscal, monetário e político – ainda está em formação. “A Corte removeu um risco de cauda relevante para a economia global, mas abriu um novo capítulo sobre os limites institucionais do protecionismo nos Estados Unidos”, sintetiza Simioni.

Fonte: O Presente Rural
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