Peixes Desafios sanitários
Curso de sanidade reúne líderes da tilapicultura latino-americana na AQUISHOW 2025
Com formato inédito, evento integrou práticas de campo e conhecimento técnico-científico em uma abordagem integrada da gestão sanitária na tilapicultura reunindo mais de 250 profissionais do setor

Um dos grandes destaques da edição itinerante da AQUISHOW Brasil 2025 foi o curso de sanidade na tilapicultura, promovido em parceria com a Aquivet Saúde Aquática. Realizado na cidade de Uberlândia-MG, o evento reuniu os principais representantes da aquicultura brasileira e latino-americana, reforçando o papel estratégico da sanidade para o desenvolvimento sustentável do setor.
Nesta edição, os desafios sanitários dominaram os debates setoriais, e o curso ganhou um espaço exclusivo na programação oficial da feira. A proposta foi aprofundar essa temática fundamental, alinhando práticas de campo com conhecimento técnico-científico e integrando diferentes elos da cadeia produtiva.
Em sua primeira edição, o curso recebeu mais de 250 profissionais das principais empresas produtoras de tilápia do Brasil e de países como Honduras, Colômbia e Chile — este último representado por especialistas atuantes na salmonicultura. O público contou ainda com a presença das principais empresas do setor Aqua, com participação expressiva de suas equipes técnicas, comerciais, de pesquisa e desenvolvimento, além de clientes estratégicos.
- Prof. Dr Henrique Figueiredo, Laboratório AQUAVET/UFMG. Foto: Quintal Digital
Com uma abordagem prática e voltada à realidade de campo, o curso proporcionou um ambiente de discussão de alto nível, promovendo interações únicas entre o setor produtivo e a academia. Conduzido pelos médicos veterinários Santiago Benites de Pádua (Aquivet Saúde Aquática) e prof. Henrique Figueiredo (AQUAVET/UFMG), o formato destacou-se pela complementariedade de experiências e visões, enriquecendo os debates com conhecimento aplicado e visão crítica.
“O curso permitiu demonstrar ao setor que a gestão sanitária vai muito além do diagnóstico e do tratamento específico das doenças. Ela deve ser construída por meio de uma abordagem ampla, com uma visão integrada dos sistemas de criação, qualidade ambiental, aspectos nutricionais, além de ambiência e bem-estar animal”, ressaltou Santiago Benites de Pádua.
- Santiago Benites de Pádua, Aquivet Saúde Aquática. Foto: Quintal Digital
“O curso de sanidade na tilapicultura foi um dos principais destaques desta edição da AQUISHOW Brasil, pois fortalecemos as discussões técnicas sobre uma temática essencial para a competitividade e o crescimento sustentável do nosso setor”, afirmou Marilsa Patrício Fernandes, presidente da AQUISHOW Brasil.
Com ampla adesão e engajamento técnico, o curso consolidou-se como um marco na construção e disseminação de estratégias sanitárias inovadoras, voltadas ao fortalecimento da tilapicultura na América Latina. A partir desta edição, o curso de sanidade na tilapicultura passa a integrar oficialmente a programação anual da AQUISHOW Brasil, consolidando-se como um evento fixo na grade da feira e referência em atualização técnica para o setor.

Peixes
Piscicultura brasileira supera um milhão de toneladas e consolida década de crescimento recorde
Setor avança 58,6% em 10 anos, produção de tilápia dispara 148,2% e país reforça protagonismo nas Américas.

A Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) lançou, nesta terça-feira (24), a 10ª edição do Anuário Brasileiro da Piscicultura 2026, que consolida o setor como um dos mais dinâmicos do agronegócio nacional. A publicação revela que, nos últimos 10 anos, a atividade brasileira cresceu 58,6% e, em 2025, atingiu pela primeira vez a marca histórica de um milhão de toneladas produzidas. No mesmo período, a produção de tilápia avançou expressivos 148,2%, reforçando o protagonismo da espécie no país.

Presidente da Peixe BR, Francisco Medeiros: “Este resultado demonstra a força e a maturidade da piscicultura brasileira” – Foto: Divulgação/Peixe BR
Principal referência estatística da cadeia produtiva de peixes de cultivo, o Anuário 2026 apresenta dados inéditos e atualizados sobre produção nacional e por estado, consumo, mercado, tendências e perspectivas estratégicas para os próximos anos.
A edição comemorativa também reúne os principais acontecimentos de 2025 e análises sobre o cenário atual. “O resultado apresentado nesta 10ª edição demonstra a força e a maturidade da piscicultura brasileira. Mesmo diante de um ano desafiador, superamos a marca de 1 milhão de toneladas e consolidamos uma década de crescimento consistente. A piscicultura deixou de ser uma promessa para se tornar protagonista nas Américas, com ganhos expressivos em produtividade, tecnologia e competitividade”, compartilha o presidente da Peixe BR, Francisco Medeiros.
No evento em Brasília (DF), estiveram presentes o presidente do conselho de administração

Foto: Divulgação/Peixe BR
da Peixe BR, Mauro Nakata; o vice-presidente da Peixe BR, Juliano Kubitza; o diretor do Departamento de Águas da União, substituto do ministro de estado da Pesca e Aquicultura, Felipe Bodens; o deputado federal – presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados, Luiz Nishimori e o chefe-geral da Embrapa Pesca e Aquicultura, Roberto Flores.
Para acessar o Anuário 2026, acesse www.peixebr.com.br/anuario-2026 e baixe gratuitamente a publicação.
Sobre a Peixe BR
A Peixe BR é uma associação que possui 12 anos de atuação no mercado de piscicultura, com forte representatividade no setor. Uma de suas missões é melhorar a competitividade do segmento e do ambiente regulatório da atividade no Brasil, promovendo o desenvolvimento da cadeia produtiva de forma sustentável e transparente.
Peixes
Governo gaúcho libera R$ 2 milhões para agroindustrialização do pescado na aquicultura familiar
Edital do Desenvolve RS Rural aprova 34 projetos e prevê recursos de até R$ 100 mil para iniciativas coletivas e R$ 50 mil para propostas individuais via Feaper.

O Governo do Rio Grande do Sul homologou o resultado final do Edital nº 04/2026 do programa Desenvolve RS Rural – Fomento Produtivo à Aquicultura Familiar – Apoio à Agroindustrialização do Pescado. A lista, divulgada na segunda-feira (23) pela Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), contempla 34 projetos aprovados com recursos disponíveis e outros 21 na condição de suplentes.
A iniciativa é operacionalizada pelo Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento dos Pequenos Estabelecimentos Rurais (Feaper) e prevê aporte total de até R$ 2 milhões. O objetivo é financiar a implantação, ampliação e modernização de agroindústrias voltadas ao processamento de pescado no Estado.
Segundo a SDR, o resultado já considera a análise de recursos administrativos e encerra o processo seletivo conduzido conforme o Edital nº 07 e o Processo nº 25/3100-0003502-8.
A partir da próxima semana, os beneficiários deverão procurar os escritórios regionais da Emater-RS para elaboração dos projetos técnicos de financiamento. A secretaria também informou que enviará orientações detalhadas por e-mail aos contemplados.
Limites por projeto
O programa permite a apresentação de propostas individuais ou coletivas. Para associações e cooperativas, o limite é de até R$ 100 mil por projeto. Já para iniciativas individuais, o teto é de R$ 50 mil.
A proposta é estruturar a base produtiva da aquicultura familiar, ampliando a capacidade de beneficiamento e agregação de valor ao pescado, etapa considerada estratégica para elevar renda e acessar novos mercados.
O secretário de Desenvolvimento Rural, Gustavo Paim, afirmou que o foco do programa é consolidar cadeias produtivas regionais. “Ao investirmos na agroindustrialização do pescado, agregamos valor à produção, ampliamos a renda das famílias e estimulamos o desenvolvimento regional. Esse programa demonstra o compromisso do Governo do Estado com a inclusão produtiva, a sustentabilidade e a permanência das famílias no meio rural”, declarou.
O Desenvolve RS Rural é coordenado pelo Departamento de Desenvolvimento Agrário, Pesqueiro, Aquícola, Indígena e Quilombola (Ddapa) da SDR. A secretaria destaca que a destinação específica de recursos para a agroindustrialização do pescado ocorre de forma inédita no Estado, criando condições para que famílias produtoras avancem além da produção primária.
Estrutura de financiamento
O Feaper, responsável pela operação financeira, é executado pela SDR em parceria com a Emater-RS e o Badesul. O fundo financia tanto investimentos quanto custeio, com bônus de adimplência que pode chegar a 80%, conforme regras estabelecidas em decreto.
A expectativa do governo é que o programa fortaleça a aquicultura familiar como vetor de desenvolvimento regional, ampliando competitividade, formalização e geração de renda no meio rural gaúcho.
Peixes
Por que o bem-estar do salmão deve entrar na agenda do varejo brasileiro
Cartilha lançada pela ONG Alianima destaca impactos éticos, ambientais e reputacionais da produção e comercialização de salmão, uma das espécies de peixe mais populares no consumo do país.

O bem-estar animal tem ganhado espaço nas discussões sobre sustentabilidade e responsabilidade corporativa no setor de alimentos, mas, quando o assunto é peixes, especialmente o salmão, o tema ainda avança de forma tímida no Brasil. Consumido amplamente no país, sobretudo em pratos populares da culinária japonesa, o salmão é integralmente importado, principalmente do Chile (segundo maior produtor mundial), e está inserido em uma cadeia global de produção que enfrenta questionamentos técnicos relacionados ao manejo, sanidade, abate, impactos ambientais e uso de antimicrobianos.

Foto: Divulgação/Freepik
É nesse contexto que a Alianima, organização de proteção animal sem fins lucrativos, que trabalha em estreita colaboração com líderes da indústria alimentícia, lança a cartilha ilustrada Como avaliar e melhorar o bem-estar de salmões?. O material tem como objetivo mostrar a importância de incorporar critérios de bem-estar animal na cadeia de produção e comercialização do salmão, conectando o tema ao desempenho produtivo e responsabilidade corporativa. “O bem-estar do salmão não é apenas uma questão ética. Ele está diretamente relacionado à sanidade dos animais, à qualidade do produto final, e à gestão de riscos ao longo da cadeia. O varejo tem um papel estratégico nesse processo, mesmo quando falamos de uma proteína importada”, afirma a bióloga, PhD em Aquicultura, especialista em peixes da Alianima, Caroline Maia.
Embora o Brasil não seja produtor de salmão, o país é um mercado muito relevante para a espécie e já conta com produtos certificados em bem-estar animal disponíveis no varejo. Para a Alianima, isso significa que as empresas brasileiras podem e devem exercer influência positiva sobre essa cadeia, exigindo de seus fornecedores padrões de bem-estar animal alinhados às melhores práticas internacionais. “O varejo é um elo decisivo entre a produção e o consumidor. Ao incorporar critérios de bem-estar animal em suas políticas de compra, as empresas contribuem para cadeias mais responsáveis e fortalecem sua reputação em um mercado cada vez mais atento à origem dos alimentos”, destaca.
Um dos queridinhos dos brasileiros
O salmão consolidou-se como um dos pescados favoritos e muito consumido pelas famílias brasileiras em contextos

Foto: Gaspar Zaldo/Pexels
urbanos, especialmente nos últimos dez anos. Apesar de não ser nativo do país, já superou espécies tradicionais, como a sardinha, em termos de preferência do consumidor.
A relevância do salmão no padrão de consumo dos brasileiros ajuda a explicar por que questões sobre o bem-estar desta espécie começam a ganhar peso nas discussões sobre responsabilidade corporativa e sustentabilidade no varejo alimentar. Dessa forma, a cartilha recém-lançada reúne evidências técnico-científicas que mostram como condições inadequadas de criação, como superlotação, manejo estressante e baixa qualidade da água, aumentam o estresse e a vulnerabilidade dos salmões a doenças e parasitas.
Em sistemas intensivos de produção, práticas como superlotação e manejo inadequado aumentam a incidência de doenças, o que pode levar ao uso excessivo de antimicrobianos. Esse cenário acende um alerta não apenas para o bem-estar animal, mas também para os riscos ambientais e à saúde pública. “Nos sistemas conhecidos como tanques-rede, por exemplo, o excesso de ração e os dejetos dos peixes podem se dispersar no ambiente natural, causando problemas como a eutrofização da água, o que pode contribuir para a desertificação do leito do oceano nos locais de maior concentração”, alerta.

Foto: Divulgação
Além disso, o uso de substâncias químicas para o controle de parasitas, como o piolho-do-mar, reforça a necessidade de maior transparência e monitoramento na cadeia. “Peixes submetidos a estresse crônico tendem a adoecer mais. Isso não apenas compromete o bem-estar desses animais, como também pode gerar perdas econômicas, bem como riscos associados ao uso intensivo de antibióticos, um tema cada vez mais sensível para empresas e consumidores”, explica.
A cartilha aborda outros pontos críticos como densidade de estocagem, manejo, transporte e abate, etapas que impactam o bem-estar e o desempenho produtivo. Como resposta, apresenta soluções práticas que ajudam a melhorar indicadores como crescimento e conversão alimentar, servindo de apoio técnico para empresas e tomadores de decisão. “Quando a equipe que trabalha diretamente com o manejo dos salmões está bem treinada, problemas de bem-estar podem ser detectados rapidamente. No caso do salmão do Atlântico, listamos uma série de indicadores importantes sobre seu estado de bem-estar que podem e devem ser monitorados em sua produção”, ressalta a especialista.





