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Culturas de cobertura aumentam saúde do solo, sequestro de carbono e produtividade agrícola no Cerrado
É o que mostra uma pesquisa que vem sendo realizada em dois importantes centros de produção de soja no país: Rio Verde (GO) e Rondonópolis (MT).

Diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas, a diversificação de cultivos através da consorciação de culturas agrícolas com plantas de cobertura, como gramíneas e leguminosas, tem se mostrado uma estratégia promissora para reduzir as emissões de gases de efeito estufa associadas à monocultura. Essa prática não só contribui para a sustentabilidade do sistema agrícola, mas também promove a saúde do solo e aumenta a resiliência das plantações.
É o que mostra uma pesquisa da engenheira agrônoma Victória Santos Souza, doutoranda em Solos e Nutrição de Plantas na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), sob a coordenação do professor Maurício Roberto Cherubin.
Realizada no âmbito do programa Solução Baseada na Natureza (NBS – Nature Based Solution) do Centro de Pesquisa e Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI – Research Centre for Greenhouse Gas Innovation), a pesquisa está sendo conduzida em duas áreas experimentais localizadas em importantes centros de produção de soja: Rio Verde (GO), há seis anos, e Rondonópolis (MT), há 10 anos.
Ambas em áreas de Cerrado – bioma que concentra 48% da área plantada de soja no país. “O foco da pesquisa é investigar os sistemas de produção da soja com diferentes culturas de cobertura e seus efeitos no balanço de carbono e produtividade agrícola, algo essencial para entendermos como as práticas agrícolas influenciam na saúde do solo”, explica a pesquisadora.
Na lista de nome das plantas de cobertura estudadas, aparecem alguns conhecidos do sojicultor, como a crotalária (Crotalaria spectabilis), leguminosa de ciclo anual; braquiária ruziziensis (Urochloa ruziziensis), gramínea com grande produção de biomassa de parte aérea e raízes; o milheto (Pennisetum glaucum), gramínea de crescimento rápido; e o feijão guandu (Cajanus cajan), uma espécie de leguminosa.
Em todos os casos – e alguns experimentos foram feitos misturando algumas espécies como também ocorre normalmente no campo – buscou-se, por meio de métodos científicos de medição bem consolidados, quantificar a biomassa, a produção, a distribuição de carbono no solo e as emissões de gases de efeito estufa no longo prazo.
Desempenho superior
Entre as espécies pesquisadas, a combinação de braquiária com crotalária e milheto aumentou o estoque de carbono em cerca de 19%, a saúde do solo em 13% e a produtividade da soja em 11%, quando comparada com os sistemas de manejo soja-milho ou soja-pousio. Essa combinação teve o melhor desempenho, destacando a importância da diversidade vegetal no sistema de produção da soja. “Essa diversidade contribuiu significativamente para o aumento da matéria orgânica no solo. Esse acúmulo de matéria orgânica confere maior resiliência ao sistema em comparação aos modelos convencionais, como os de soja-milho ou soja-pousio. A diversidade de plantas também proporciona maior sequestro de carbono e matéria orgânica no solo, o que é essencial para mitigar as emissões de gases de efeito estufa”, explica a pesquisadora.

A braquiária, segundo ela, produziu uma grande quantidade de biomassa, em média 9 toneladas por hectare, o que é essencial para a saúde do solo, pois confere proteção contra temperaturas extremas, ajuda na retenção de água, entre outros benefícios. “Verificamos que índices mais elevados de saúde do solo, em geral, podem reduzir em até 26% a variabilidade da produtividade da soja, ou seja, deixam os sistemas de produção mais estáveis, eficientes e sustentáveis e, logo, ambientalmente corretos”, complementa.
Segundo a pesquisadora, o estudo trará uma avaliação importante para o cálculo do balanço de carbono de sistemas agrícolas e para a definição de opções de manejo de soja mais promissoras para a mitigação das alterações climáticas.
Reduzir as emissões no Cerrado é uma demanda urgente, visto que este bioma contribui significativamente nas emissões brasileiras, e o Mato Grosso é o líder em emissões (SEEG, 2022). Assim, e sistemas agrícolas mais diversificados como estes testados nos estudos em Goiás e Mato Grosso, são alterativas muito promissoras para o Brasil. Em estudo recentemente publicado pelo grupo, verificou-se que essas práticas têm enorme potencial em escala nacional. Agora, o grupo de pesquisa está buscando refinar as informações do balanço de carbono a partir da quantificação a nível de talhão.

Notícias Oscar da água
Sanepar é finalista da categoria Campeões do ODS 6 no Global Water Awards
Indicação da Companhia se deve ao programa que conecta a implementação de sistemas de esgotamento sanitário sustentáveis à proteção de reservatórios e à segurança energética, em parceria com a Itaipu Binacional e o Itaipu Parquetec. Vencedores serão revelados em 19 de maio, em Madri, durante um dos principais eventos do setor.

A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) é uma das finalistas da categoria Campeões do ODS 6 do Global Water Awards, premiação promovida pela Global Water Intelligence (GWI) e pela Global Water Leaders Group (GWLG). Os vencedores serão escolhidos pelos assinantes da GWI e a revelação acontecerá em 19 de maio, em Madri, na Espanha, durante o Global Water Summit 2026, um dos principais eventos do setor.

Foto: Maurilio Cheli/Sanepar
A Sanepar foi indicada pelo programa que conecta a implementação de sistemas de esgotamento sanitário sustentáveis à proteção de reservatórios e à segurança energética. Com alto retorno socioambiental, a iniciativa fortalece a universalização, a perenidade dos serviços de saneamento e a segurança operacional na geração de energia.
A categoria Campeões do ODS 6 reconhece iniciativas, empresas e governos que avançam na implementação do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 6 da ONU, que visa assegurar a disponibilidade e a gestão sustentável da água e saneamento para todas as pessoas até 2030.
Com investimentos superiores a R$ 184 milhões, e em parceria com a Itaipu Binacional e o Itaipu Parquetec, foram construídos e aprimorados sistemas de coleta e tratamento de esgoto em seis municípios próximos ao Lago de Itaipu.
Os empreendimentos contaram com a expansão de 230 km de redes de esgoto e redução, por ano, de mais de 3.000 toneladas de DBO (parâmetro que indica poluição das águas) e mais de 300 toneladas de carga de nutrientes na bacia do Paraná 3, beneficiando cerca de 100 mil pessoas e gerando mais de 3.000 empregos diretos, indiretos e induzidos.
A proteção da qualidade da água do reservatório de Itaipu ainda salvaguarda diretamente a produção de 10% da energia total do Brasil e 88%

Foto: Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional
da energia total do Paraguai. Cada real investido na iniciativa gera um retorno estimado de mais de quatro reais em resultados socioambientais para a bacia, conforme estudo específico baseado em condições regionais.
O diretor-presidente da Sanepar, Wilson Bley; o diretor de Inovação e Novos Negócios da Sanepar, Anatalicio Risden Junior, e o especialista em Pesquisa e Inovação, Gustavo Possetti, representarão a Companhia na solenidade de revelação dos escolhidos. A Sanepar já foi premiada na mesma categoria em 2024.
Bley também participará do encontro dos 300 Water Leaders, iniciativa do GWLG focada em garantir o acesso a serviços de água para 300 milhões de pessoas até 2030, e ministrará a palestra “Saneamento 5.0: hype ou sobrevivência das concessionárias?”.
Inovar para universalizar

Foto: Divulgação/Itaipu Binacional
A Companhia busca as melhores práticas do mundo e tem atuado com instituições de referência para impulsionar o Sanepar 5.0, programa que reforça o compromisso com a inovação, a eficiência e a sustentabilidade para garantir e aprimorar o serviço de saneamento. “Esta indicação reconhece os resultados do esforço de toda a Companhia para internalizar o conceito de inovação digital e sustentável na nossa infraestrutura, operação e gestão. Focamos em acelerar a transformação digital e fortalecer a inteligência hídrica no Paraná para alcançarmos a universalização do saneamento nos municípios que atendemos”, destaca Bley.
Para Risden, a Sanepar é uma empresa inovadora e a busca por parcerias estratégicas e iniciativas no que diz respeito ao meio ambiente é uma ação disruptiva. “A parceria profícua com a Itaipu Binacional e o Itaipu Parquetec, e a busca por alternativas adaptadas ao contexto regional como as soluções baseadas na natureza demonstram que a Sanepar está no caminho correto. Nunca esquecemos da inovação ou da inovabilidade, que une a sustentabilidade e a inovação”, afirma.
Carlos Carboni, diretor de Coordenação da Itaipu, afirma que a parceria com a Sanepar reflete a filosofia de trabalho da binacional, de atuar em rede e por meio de parcerias para amplificar o resultado dos projetos. “A água é matéria-prima para a geração de energia e para os usos múltiplos do reservatório. Para assegurar esse recurso no longo prazo, é essencial que cuidemos dos usos da água e do solo no território e isso passa pelo saneamento”, afirma.
Gustavo Possetti ressalta que o projeto é uma referência na busca por universalização dos serviços de saneamento ambiental, com benefícios

Foto: Edino Krug/Itaipu Binacional
socioambientais e para a saúde pública. Além dos ganhos operacionais tanto para a Sanepar quanto para a Itaipu Binacional. “Esse projeto é um exemplo e muito nos orgulha participar dele, não apenas pelos ganhos e pela geração de valor para a sociedade, mas principalmente ao sabermos que a comunhão de esforços faz com que, de fato, os resultados sejam apresentados respeitando as melhores práticas da ciência, da tecnologia e da engenharia”, acrescenta.
Finalistas ODS 6
Além da Sanepar, outras quatro empresas concorrem ao prêmio:
- Aguas Nuevas, do Chile: implementou um programa estratégico de redução de perdas de água.
- Bangalore Water Supply and Sewerage Board, da Índia: expandiu o acesso à água segura para 1,7 milhão de pessoas, com forte impacto social e urbano.
- Indah Water Konsortium, da Malásia: implementou soluções com energia solar em 16 ETEs, ampliando a sustentabilidade do sistema nacional de esgotamento sanitário.
- Sanasa, do Brasil: desenvolveu iniciativa inovadora de redução de perdas com financiamento da Microsoft baseado em créditos de água.

Foto: Divulgação/Sanepar
Global Water Intelligence
A GWI é a principal empresa de inteligência de mercado, análise de dados e eventos do setor internacional de água, sendo considerada uma fonte confiável para auxiliar a tomada de decisões estratégicas por empresas, governos e investidores no setor de água e saneamento.
É responsável pela organização do Global Water Summit, evento de entrega da premiação Global Water Awards, que reconhece projetos e iniciativas inovadoras de destaque mundial.
Global Water Leaders Group
O GWLG é um grupo internacional de elite formado por CEOs de empresas de saneamento e demais líderes do setor, com foco em inovação e desempenho para superar desafios globais da água, aprimorar a gestão de recursos e ampliar o acesso ao saneamento básico.
Notícias Na Grande São Paulo
Diferença entre carcaças bovina e suína atinge R$ 14,26 por quilo
Com carne suína a R$ 10,06/kg após queda de 2,8% e bovina a R$ 24,32/kg com alta de 2,6%, relação é a maior desde abril de 2022 em termos reais.

O movimento oposto dos preços das carnes suína e bovina em março ampliou a competitividade da carcaça suína frente à bovina ao maior nível desde abril de 2022, em termos reais corrigidos pelo IPCA em fevereiro. Levantamentos do Cepea mostram que a carcaça especial suína no atacado da Grande São Paulo teve média de R$ 10,06 por quilo em março, recuo de 2,8% em relação a fevereiro.
Segundo o Cepea, a desvalorização esteve ligada à baixa liquidez tanto no mercado do animal vivo quanto no da carne, reflexo do período da Quaresma, encerrado no início de abril.
No sentido oposto, a carne bovina registrou alta. Ainda conforme o Centro de Pesquisas, a valorização esteve associada à oferta restrita de animais prontos para abate e à demanda internacional aquecida pela proteína brasileira. A carcaça casada bovina negociada na Grande São Paulo apresentou média de R$ 24,32 por quilo em março, avanço de 2,6% frente a fevereiro.
Com esses movimentos, o diferencial entre as carcaças bovina e suína alcançou R$ 14,26 por quilo em março, elevação de 6,8% sobre fevereiro. Trata-se da maior diferença em quatro anos. Em abril de 2022, essa relação havia sido de R$ 14,66 por quilo, também em termos reais.
Notícias
Incerteza externa, petróleo volátil e frete caro reduzem liquidez no mercado de milho
Vendedores se afastam do spot, Indicador em Campinas volta a se sustentar e queda externa do cereal acompanha recuo do petróleo.

O mercado brasileiro de milho registrou baixa liquidez na última semana. Segundo pesquisadores do Cepea, o ambiente externo incerto, a volatilidade do petróleo e o encarecimento dos fretes no país levaram vendedores a se afastarem do mercado spot. Com isso, as negociações envolvendo o cereal foram limitadas e os preços apresentaram apenas pequenas variações.

Foto: Shutterstock
Em Campinas (SP), o Indicador Esalq/BM&FBovespa, que havia recuado na semana anterior, voltou a se sustentar ao longo da semana passada, refletindo a menor disposição de venda por parte dos ofertantes.
No campo, as condições climáticas favoreceram o avanço da colheita do milho de primeira safra nas principais regiões produtoras e também a semeadura da segunda temporada, indicando ritmo adequado nas atividades agrícolas.
No mercado externo, por outro lado, as cotações do milho recuaram. Conforme o Cepea, especulações sobre um possível encerramento do conflito militar no Irã pressionaram os preços do petróleo e, por consequência, os do milho, especialmente na última quarta-feira (1º).



