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Cruzamento industrial pode render R$ 1,5 mil a mais por matriz

Alexandre Zadra, zootecnista e especialista em cruzamento industrial, decifra um pouco mais do mundo bovino, indicando ao homem do campo caminhos que ele pode encontrar para ter o rebanho ideal para sua fazenda

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Manter o rebanho puro? Fazer cruzamento industrial? Com raças taurinas ou europeias? Calma! Alexandre Zadra, zootecnista e especialista em cruzamento industrial, decifra um pouco mais do mundo bovino, indicando ao homem do campo caminhos que ele pode encontrar para ter o rebanho ideal para sua fazenda. Ele fez as contas. Em um rebanho com mil matrizes na pecuária de corte, o incremento na renda é de quase R$ 150 mil por ano, ou R$ 1,5 mil por matriz. A reportagem é exclusiva do jornal O Presente Rural. Boa leitura.

O Presente Rural (OP Rural) – Explique um pouco sobre raças taurinas e europeias?

Alexandre Zadra (AZ) – As raças bovinas foram classificadas em "com cupim" e "sem cupim". Todas as raças sem cupim são Bos taurus. Todas as raças que evoluíram nas regiões de clima temperado, tais como Angus e Simental, são Bos taurus. As raças Crioulas das Américas, tais como o Caracu e o Romosinuano, e muitas das raças da África Ocidental, tais como o N'Dama e o Muturu, são também raças taurinas.

Há dois grupos de raça com cupim, aquelas com o cupim torácico (o Zebu ou raças Bos Indicus) e aquelas com o cupim cérvico-torácico. As raças zebuínas incluem o Boran (Zebu africano), Brahman (composto de raças Zebuínas Indianas) e o Nelore. Elas têm um cromossomo "Y" tipicamente indiano. As raças de cupim cérvico-torácico incluem as raças africanas Sanga, tais como o Africânder e o Tuli, e raças compostas que foram recentemente sintetizadas através de cruzas entre raças indianas e taurinas (raças indu-taurinas ou tauríndicus) tais como Brangus e Simbrah.

Em geral, as raças Sanga que se originaram ao sul do rio Zambezi (tais como o Africânder e o Tuli) são classificadas como Bos taurus. Elas têm um cromossomo "Y" tipicamente Bos taurus. A maioria das raças Sanga do norte do rio Zambezi são misturas das raças taurinas africanas originais e Zebus indianos que foram trazidos para a África nos últimos 2000 a 3000 anos.

Elas podem ter um cromossomo "Y" tanto de origem taurina como indiana. Todas as raças têm em comum um ancestral Bos, o Bos Primogenius. As divergências entre os tipos taurinos e indianos começaram aproximadamente há 1,5 milhão de anos, enquanto a diferenciação entre as raças europeias e as taurinas africanas parecem ter começado há 10.000-20.000 anos atrás.

As divergências entre as raças do oeste africano e as raças taurinas do leste africano devem também ter ocorrido há vários milhares de anos atrás. Por outro lado, as raças europeias estão separadas por centenas de anos. Bem como as raças indianas entre si. As raças crioulas estiveram separadas das raças europeias por pelo menos centenas de anos. Os dois principais grupos de raças europeias usadas para produção comercial de carne são aqueles britânicos (ex.: Angus e Shorthorn), e aquelas da Europa Continental (ex.: Charolês e Simental). Fora da África, as raças Zebu usadas para produção comercial de carne são de origem indiana (ex.: Brahman e Nelore). 

OP Rural – O que é cruzamento industrial e quando é indicado?

AZ – O cruzamento entre indivíduos de raças diferentes, onde o touro é de raça definida, buscando aumentar a eficiência na produção de carne.

A razão principal para se fazer o cruzamento orientado entre raças é aumentar a lucratividade (renda líquida), através do aumento da produtividade (eficiência de produção). Nenhuma raça é perfeita. Cada uma tem seus pontos fortes e fracos. O animal produto do cruzamento deverá combinar o elevado potencial de produção da raça de clima temperado com a adaptação da raça tropical.

Escolhendo-se as raças apropriadas para o cruzamento, o potencial de produção e a adaptação tropical dos animais cruzados podem ser combinados ao seu ambiente – quanto mais complementares forem as raças, maior é a produtividade, e, consequentemente, maior a lucratividade. O cruzamento entre raças ou heterozigose busca gerar heterose, ou vigor híbrido, para um grupo de características comercialmente importantes, particularmente de reprodução e sobrevivência. A heterozigose dá um ganho gratuito adicional que permite que a produtividade dos cruzados exceda a produtividade de ambas as raças-base.

Tanto no corte quanto no leite buscamos com o cruzamento entre raças aliar a alta produção das raças europeias com a rusticidade e adaptabilidade ao clima das raças zebuínas e adaptadas.

OP Rural – Quando é interessante manter raças puras?

AZ – Quando se busca ganho genético através da seleção dos melhores indivíduos dentro de cada raça. 

OP Rural – Quais os benefícios do cruzamento industrial?

AZ – Complementaridade – A combinação das qualidades desejáveis das raças parentais permite a obtenção de uma progênie superior. Ou seja, quanto mais as raças utilizadas se complementarem nas características produtivas, melhor será o resultado dos produtos do cruzamento. O exemplo mais claro disso é combinar características de adaptabilidade, ou seja, aproveitaremos a resistência e fertilidade das vacas zebu, e o ganho de peso, precocidade sexual e de acabamento das raças taurinas europeias. Lembre-se, portanto: estude cuidadosamente as características produtivas de cada raça antes de tomar qualquer decisão.

Flexibilidade – No cruzamento, podemos facilmente redirecionar nosso sistema de produção, oferecendo o produto exigido pelo mercado. Exemplo. Se o mercado compra carcaças acima de 270 kg, o produtor obterá isso fazendo cruzamento com raças europeias de grande porte.

Heterose –  É a superioridade média dos produtos de cruzamento em relação à média dos pais. A heterose será maior quanto maior for a distância evolutiva entre as raças em questão, ou seja, quanto tempo atrás elas se distanciaram no processo de seleção natural e seleção induzida pelo homem.

Os efeitos da heterose são maiores nas características de baixa herdabilidade, ou seja, nas características muito influenciadas pelo meio ambiente e, por consequência, as que menos respondem ao processo de seleção. São elas: fertilidade e sobrevivência.

O período de separação mais longo ocorreu entre as raças Zebuínas e Taurinas. Por isso, a heterose é maior em cruzamentos taurus x indicus. Entretanto, em ambientes de estresse tropical, a heterose se expressa inteiramente quando o animal cruzado for totalmente adaptado ao ambiente tropical. Para maximizar os benefícios do cruzamento, a sequência em que as diferentes raças são cruzadas deve ser tal que não apenas a heterose é maximizada, mas a adaptação também é mantida. Tão importante quanto a heterose para maximizar a produtividade, são os atributos das raças para determinar as características do cruzamento.

OP Rural – Quais os desafios para raças europeias e zebuínas?

AZ – O clima tropical é o maior desafio para as raças europeias e a alta produtividade é o maior desafio para as raças zebuínas.

OP Rural – Quais os principais índices zootécnicos que precisam ser levados em consideração na hora de escolher uma raça para reprodução?

AZ – Ganho em peso, características de carcaça, precocidade de acabamento, eficiência alimentar, habilidade materna, precocidade sexual.

OP Rural – Existe um touro certo para cada vaca?

AZ – Sabemos que a diferença existente entre indivíduos dentro da mesma raça é maior que a diferença entre raças, portanto, sabemos que devemos escolher com muito critério os indivíduos usados no cruzamento ou para uso no gado puro. Falamos em acasalamento individual somente nos casos de gado puro. Podemos então considerar que existe um indivíduo para cada vaca nesse caso.

OP Rural – Como encontrar a vaca ideal pensando nos índices reprodutivos?

AZ – A vaca ideal é adaptada ao clima de sua região, deve parir com no máximo 24 meses de idade, devendo produzir um bezerro por ano que pese pelo menos 45% do peso dela.

OP Rural – Como encontrar o touro ideal pensando nesses índices?

AZ – O touro ideal tem valor genético (DEP – Diferença Esperada na Progênie) positivo para as características produtivas escolhidas.

OP Rural – Quanto o investimento em genética custa e quanto pode contribuir para o resultado financeiro da fazenda?

Vamos considerar um rebanho com 1000 matrizes

  • Nº de Matrizes – 1.000 Zebuínas
  • Produção de 400 machos/ano
  • Custo mensal do animal adulto no pasto (Aluguel de pasto + vacinas + sal + M.O.) – R$ 35,00
  • Bovinos consomem em média 2 meses de pasto para ganhar 1 @ de peso.
  • Zebu – abate aos 34 meses com peso ideal de 16,5@.
  • Produto de cruzamento – abate aos 28 meses com peso ideal de 18@.

A partir desses dados, temos:

  • O Produto de Cruzamento pesa 1,5 @ a mais que o Zebu ao abate, saindo 8 meses antes.
  • Para o Produto de Cruzamento ganhar 1,5@ extra, consome o equivalente a 3 meses a mais de pasto.
  • Haverá então 5 meses de vantagem para o produto de cruzamento.

Conclusão com os machos

  • – R$ 35,00/custo mensal x 5 meses de economia – R$ 175,00 de economia/boi de cruzamento x 400 bois = R$ 70.000,00 + lucro de 1,5@ de diferença peso ao abate/boi x R$ 130,00 (Preço da @) x 400 bois = R$ 78.000,00

Total – R$ 148.000,00 de lucro para cada 1000 matrizes em reprodução sem contar o lucro da ½ sangue.

OP Rural – Quais são os parâmetros considerados ideais na reprodução?

AZ – Oitenta porcento de bezerros desmamados, 2% de mortalidade, peso a desmama de 240 kg para machos, peso e idade ao abate de 500 kg aos 24 meses, prenhes das fêmeas aos 14 meses de idade. 

OP Rural – Quais são os parâmetros médios do Brasil?

AZ – Bezerros desmamados (50%), mortalidade (5%), peso a desmama (170 kg para machos), peso e idade ao abate (500 kg aos 36 meses), prenhes das fêmeas aos 26 meses de idade.

OP Rural – Como melhorar a reprodução usando a genética?

AZ – Fazendo cruzamento entre raças, pois com a heterose melhoramos muito a taxa de fertilidade e precocidade sexual das fêmeas.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Bovinos / Grãos / Máquinas Saúde Animal

Escolha adequada dos equipamentos de vacinação para eficiência de cada manejo

A precisão e a certeza de que os processos são bem feitos são cada vez mais necessários

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Divulgação/Agrozootec

 Artigo escrito por Giana Hirose, médica veterinária e gerente nacional de vendas da Agrozootec

Na pecuária de corte ou de leite, as práticas de vacinação e vermifugação são rotinas básicas de saúde animal na fazenda que demandam atualização de processos e equipamentos. A precisão e a certeza de que os processos são bem feitos são cada vez mais necessários. Sem os equipamentos apropriados, corre-se o risco de uma subdosagem e falha na expectativa do protocolo que está sendo trabalhado, o que pode interferir em uma reposta imunológica ou reprodutiva. Por outro lado, com a superdosagem, há risco de se criar uma resistência ao medicamento, impacto ambiental e desperdício de recursos.

Portanto, a palavra de ordem é precisão e, atualmente, existem muitos equipamentos acessíveis para isso. A turma precisa deixar de usar uma única seringa para todas aplicações de vacinas, vermífugos, complexos vitamínicos, antibióticos e hormônios (IATF) e por aí vai. É preciso lembrar que cada medicamento tem dosagem e densidade diferente de acordo com o veículo utilizado no produto.

Após a mudança do volume da dose de vacina de Febre Aftosa de 5ml para 2ml, isso ficou mais evidente. Antes, um equipamento com defeito ou refluxo, que gerasse uma perda de 0,5 ml impactava em 10% da dose. Agora, ao usar o equipamento com problema, a perda vai representar um quarto da dose. Por isso, o pecuarista precisa estar muito atento aos processos e aos produtos disponíveis.

Apesar de estarem acostumados com a vacinadora de 50 ml, o mercado tem disponível, equipamentos com capacidade de 30 ml, 25 ml e outras de 5 ml e 2 ml com fluxo contínuo, ou seja, com frasco acoplado diretamente na seringa ou com o frasco ligado a ela por uma mangueira, o que é muito usado em suínos.

Mas, por qual motivo deveria mudar o equipamento? Pela precisão e eficiência. Principalmente, nessa, com a mangueira, há a melhor conservação do produto, já que o frasco pode ficar na caixa e é mantido refrigerado pelo maior tempo.

Em regiões muito quentes isso é essencial, além disso, a vacinadora tem conquistado os vaqueiros pela agilidade de aplicação e percepção na mão de que “a missão foi cumprida”. Antes, com a vacinadora de 50 ml perdem a percepção do gatilho, pois ele ficou mais curto. E, vem a dúvida: será que a dose foi completa? Com a mudança no tipo de equipamento, evita-se o problema. Isso vale para a vacinação, como também para a vermifugação.

Nos protocolos para IATF muitos usam a seringas descartáveis de 1ml, 3ml e 5ml, porém, há também equipamentos muito precisos de excelente qualidade usados para a vacinação de aves e peixes, para doses pequenas e, que podem ser alternativa na utilização de hormônios nos protocolos. Com a busca incessante pela redução de custo do ciclo pecuário, mais uma vez, a palavra de ordem é a precisão.

Por fim, além da escolha da seringa adequada, é necessário que o produtor tenha reparos e equipamentos de reserva. Principalmente na época em que o manejo é mais intenso, não há como parar uma vacinação, para buscar um reparo na cidade. Essas são emergências que atrapalham todo o processo.

Atenção às boas práticas

Diante disso, cada produtor deve analisar suas prioridades de gestão, realidade de clima e das instalações e treinamento da equipe. O pecuarista eficiente já tem a certeza de que precisa do equipamento certo para cada atividade e tirou da cabeça que se usa a mesma seringa para tudo.

Feita a escolha, para se ter bons resultados também é preciso investir na capacitação constante da equipe. Antes de qualquer manejo é importante repassar as etapas em uma reunião no próprio curral e explicar a finalidade de cada uma delas.

Atualmente, fala-se da importância de que as aplicações sejam feitas no tronco de contenção, para certeza da aplicação e também segurança da equipe. Essa é uma regra que cada vez mais avança pelas fazendas, demanda conscientização constante de todos. Mesmo em grandes rebanhos, quando se fala em sanidade, a atenção individual é essencial para o melhor resultado.

Outro ponto importante é a conscientização para separar e organizar todo material antes de iniciar os procedimentos, trocar de agulha a cada 10 animais, independente da seringa que irá utilizar.

Após o manejo, todos os equipamentos devem ser higienizados e desinfectados, principalmente as seringas e agulhas, pois quando sujas, são ótimos veículos de contaminações e formação de abcessos nos animais. Já existem fazendas que, ao fim do dia, passam todo o material em autoclave para, realmente, evitar qualquer contaminação.

Com todas essas medidas simples e positivas, o resultado é bom para o produtor e para a cadeia como um todo, pois há a garantia sanitária e produtiva, assim o produtor terá um bom ganho de peso da carcaça (gado de corte) e melhor qualidade e produtividade de leite (gado de leite). Esteja atento aos processos e as ferramentas ideais para cada etapa.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Pecuária

Bem-estar e aditivos à base de levedura: aliados na produção e qualidade do leite

Combinação de nutrição e saúde adequada do rúmen com fortalecimento do sistema imunológico proporcionam melhores condições de saúde e bem-estar

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Liliana Borges e Melina Bonato, P&D da ICC Brazil

Nas últimas décadas a pecuária leiteira tem passado por grandes transformações que do campo à industrialização, que envolvem melhorias na nutrição, saúde e bem-estar animal, qualidade e agregação de valor ao produto final. De acordo com a FAO, a produção global de leite em 2019 atingiu 852 milhões de toneladas, um aumento de 1,4% em relação a 2018, resultado principal de produções da Índia, Paquistão, Brasil, União Europeia, Federação Russa e EUA.

Estas transformações são decorrentes do aumento da demanda pelos consumidores que têm o leite e seus derivados como produtos essenciais de consumo e estão sempre em busca por alimentos de qualidade e mais atentos aos processos utilizados na produção animal.

O bem estar do rebanho leiteiro e desempenho estão conectados, pois sabe-se que vacas em boas condições de bem estar produzem mais, apresentam menores problemas de saúde e melhores índices reprodutivos. Desta forma, os produtores de leite modernos se esforçam para seguir as melhores práticas de gerenciamento que beneficiam a produtividade.

No entanto, no campo encontramos inúmeros desafios que levam os animais a terem picos de estresse que podem prejudicar a produção e qualidade do leite. Estes desafios podem variar entre bruscas alterações climáticas e deficiências em manejo, nutrição e condições sanitárias que levam os animais a terem picos de estresse e se tornarem mais suscetíveis às contaminações. Assim sendo, é de suma importância que vacas leiteiras estejam com seu sistema imune fortificado para que consigam responder com eficiência às intempéries impostos pela produção intensiva no dia a dia.

Neste contexto, além de pensarmos em melhorar a imunidade devemos pensar sobre a nutrição e a saúde do rúmen, considerando que o rúmen com uma flora bem nutrida e saudável proporciona maiores taxas de produtividade associadas à melhor saúde animal.

O uso de ingredientes funcionais que proporcionam melhoria da saúde do animal e ganhos no desempenho tendem a se tornar itens essenciais na dieta do gado leiteiro. As leveduras são amplamente utilizadas na nutrição de ruminantes demonstrando diversos benefícios já comprovados. A levedura Saccharomyces cerevisiae autolizada é composta por metabólitos solúveis, vitaminas, peptídeos de cadeia curta e aminoácidos livres. Contém ainda grande concentração de β-glucanas, MOS (mananoligossacarídeos) e carboidratos funcionais da parede celular.

O efeito dos metabólitos solúveis se dá diretamente no rúmen, onde é observado uma menor presença de lactato, menor queda do pH ruminal, maior presença de nitrogênio microbiano e maior digestibilidade de FDN. Já as β-glucanas além de terem um efeito imunomodulador sobre o sistema imune inato, através do estímulo da produção de citocinas pró-inflamatórias que desencadeiam um aumento na produção e atividade das células fagocíticas; também são capazes de adsorver micotoxinas. As β-D-glucanas da parede das leveduras são capazes de se ligar às diversas micotoxinas, enquanto que as α-D-mananas inibem a atividade tóxica das micotoxinas, provavelmente por interagir com os radicais destes compostos.

Somado a estes benefícios acrescenta-se o efeito de aglutinação das bactérias patogênicas (com fímbrias) pelo MOS, conferindo uma melhor integridade das vilosidades intestinais, ou seja, a permeabilidade intestinal é reduzida favorecendo uma barreira protetora contra bactérias e micotoxinas para a corrente sanguínea.

Diversos estudos demonstraram que a levedura autolizada pode aumentar a produção de leite em +2 kg/vaca/dia (estudos em laboratório e estudos em campo (Tabela 1), bem como a qualidade do leite (gordura e proteína), reduzir a CCS (Tabela 2) e a incidência de doenças, e também a contaminação por micotoxinas no leite.

 

Estudo

Estudo conduzido na Universidade de São Paulo, campus Pirassununga, vacas leiteiras foram desafiadas com AFB1 com o objetivo de avaliar o efeito de diferentes aditivos à base de levedura sobre a excreção de AFM1 no leite. A aflatoxina foi administrada oralmente através de 2 cápsulas contendo120 μg AFB1 cada, imediatamente após a ordenha da manhã e da tarde (totalizando 480 μg AFB1 por dia), durante 6 dias consecutivos (iniciando no dia 1 do experimento). Os aditivos foram administrados em 20 g/cabeça/dia, por 7 dias consecutivos, iniciando no dia 4 do experimento. O resultados mostraram que a levedura autolizada foi superior aos demais produtos ao reduzir os níveis de porcentagem de transferência de AFM1 para o leite (Figura 1).

Qualidade do produto

Para o atual cenário do mercado de laticínios, melhorar a quantidade da produção de leite deve estar associado à qualidade do produto e estes por sua vez estão relacionados com o bem-estar animal. A combinação de uma nutrição e saúde adequada do rúmen com o fortalecimento do sistema imunológico do animal proporcionam melhores condições de saúde e bem-estar animal. O resultado é evidenciado pela maior produção e qualidade diária de leite, além de reduzir as preocupações com a presença de resíduos no leite, um fator importante para conquistar um mercado consumidor cada vez mais exigente.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Saúde Animal

Homeopatia x antibióticos no controle da mastite de vacas em lactação: mitos e verdades

Homeopatia no caso da mastite também é uma ferramenta importante no controle da resistência aos medicamentos convencionais

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por César Alberto Coutinho, médico veterinário e diretor técnico da Hpharm Homeopatia Veterinária; e doutora Denize da Rosa Fraga, médica Veterinária, doutora em Zootecnia, docente da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – Unijui

Na pecuária leiteira a mastite é considerada uma doença que causa grandes prejuízos econômicos, reduzindo em quantidade e qualidade o leite. Esta doença é caracterizada por inflamação da glândula mamária. Pode acontecer na forma clínica causando alteração de coloração e aparecimento de grumos no leite ou pode passar desapercebida, quando ocorre na forma subclínica, causando apenas o aumento no número de Contagem de Células Somáticas (CCS) do leite.

Dentre os tratamentos hoje disponíveis para controle da mastite temos a utilização de antibióticos, que atuam combatendo diretamente o agente causador da doença. Temos também a opção de utilizar medicamentos homeopáticos, os quais agem aumentando as defesas do animal contra os agentes causadores da doença.

Mas será que a homeopatia pode curar ou prevenir a mastite bovina? Bem, a homeopatia é um tratamento utilizado há séculos em homens e animais. Em relação a aplicação na sanidade animal, sabe-se que a homeopatia é composta por substâncias extraídas da natureza, proveniente do reino mineral, vegetal ou animal, que podem ser utilizadas na cura de doenças ou prevenção.

Ou seja, homeopatia cura! E previne também! Tudo depende de dois fatores muito importantes, a escolha de um produto que tenha similaridade com os agentes que estão causando doença no rebanho e da dose que vamos utilizar, se utilizar uma dose alta, há possibilidade de cura, se utilizarmos uma dose baixa, temos o efeito da prevenção.

A homeopatia no caso da mastite também é uma ferramenta importante no controle da resistência aos medicamentos convencionais, atuando assim de forma simbiótica com outros tratamentos convencionais.

Desta forma um trabalho foi desenvolvido pela Unijuí com o objetivo de avaliar o efeito da utilização do tratamento homeopático preventivo na ocorrência de mastites em vacas leiteiras.

Os animais foram divididos em dois lotes onde um recebeu a suplementação homeopática (n=25) e outro não recebeu (n=25), sendo divididos equitativamente por perfil da lactação, produção e CCS. O período experimental foi de 8 semanas. Os animais permaneceram em sistema de pastejo suplementadas em canzil com silagem de milho e concentrado. O produto homeopático era misturado à alimentação dos animais em canzil, duas vezes ao dia, na dose de 10g/dia. Durante a ordenha foi avaliada a produção individual das matrizes em lactação pela manhã e tarde, com auxílio de medidores eletrônicos de volume de leite acoplados a ordenha, uma vez por semana. Amostras de leite individuais das vacas foram coletadas diretamente dos medidores de produção acoplados a ordenha, sendo amostrada 60% de manhã e 40% do tubo à tarde (50mL) para análise da composição do leite para gordura (%), proteína (%), nitrogênio ureico (mg/dL) e contagem de células somáticas (células/mL). Sendo essas amostras identificadas e encaminhadas a laboratório oficial, uma vez por semana. No início e ao final do experimento uma amostra de leite das vacas em lactação foi coletada para análise de cultura e antibiograma, no Laboratório de Microbiologia da Unijuí, seguindo critérios de higienização dos tetos após a retirada dos três primeiros jatos.

Resultados

Na Tabela 01 estão demonstrados os resultados de média para produção e composição do leite. Verificou-se que ocorreu um aumento de meio litro na produção de leite por dia, sem interferência direta na composição do leite para gordura e proteína. Os animais mantiveram médias similares de nitrogênio ureico para os grupos controle e tratado. Estes resultados demonstram que não ocorreu interferência da dieta, visto que o nível de ureia no leite mantiveram-se iguais entre os grupos avaliados. Ocorreu redução na Contagem de Células Somáticas do leite equivalente a 39% no grupo tratado no grupo tratado com homeopatia.

Na Tabela 02 esta demonstrada a redução significativa (P<0.01718) na contagem de células somáticas do leite comparando os dados de médias iniciais e finais, verificou-se uma diferença entorno de 11% em redução na CCS quando comparado os valores médios do grupo tratado em relação ao controle.

Sensibilidade dos animais

Na figura 01 está demonstrada a sensibilidade dos animais do grupo tratado e controle conforme o antibiótico testado. Estes dados evidenciam que o grupo que recebeu tratamento homeopático apresentou maior sensibilidade aos antibióticos testados ao final do experimento.

Considerações finais

Conclui-se que a utilização do produto homeopático reduziu a contagem de células somáticas de vacas tratadas bem como melhorou o perfil para sensibilidade de antibióticos, demonstrando efeito imunológico na defesa dos animais para mastite, demonstrando que é verdade e não mito o auxílio que este tipo de tratamento pode trazer para controle e cura da mastite em vacas leiteiras. Deve-se estimular os estudos nesta área, para esclarecer cada vez mais os efeitos que o uso da homeopatia traz aos rebanhos.

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Fonte: O Presente Rural
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