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Cruzamento industrial pode render R$ 1,5 mil a mais por matriz

Alexandre Zadra, zootecnista e especialista em cruzamento industrial, decifra um pouco mais do mundo bovino, indicando ao homem do campo caminhos que ele pode encontrar para ter o rebanho ideal para sua fazenda

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Manter o rebanho puro? Fazer cruzamento industrial? Com raças taurinas ou europeias? Calma! Alexandre Zadra, zootecnista e especialista em cruzamento industrial, decifra um pouco mais do mundo bovino, indicando ao homem do campo caminhos que ele pode encontrar para ter o rebanho ideal para sua fazenda. Ele fez as contas. Em um rebanho com mil matrizes na pecuária de corte, o incremento na renda é de quase R$ 150 mil por ano, ou R$ 1,5 mil por matriz. A reportagem é exclusiva do jornal O Presente Rural. Boa leitura.

O Presente Rural (OP Rural) – Explique um pouco sobre raças taurinas e europeias?

Alexandre Zadra (AZ) – As raças bovinas foram classificadas em "com cupim" e "sem cupim". Todas as raças sem cupim são Bos taurus. Todas as raças que evoluíram nas regiões de clima temperado, tais como Angus e Simental, são Bos taurus. As raças Crioulas das Américas, tais como o Caracu e o Romosinuano, e muitas das raças da África Ocidental, tais como o N'Dama e o Muturu, são também raças taurinas.

Há dois grupos de raça com cupim, aquelas com o cupim torácico (o Zebu ou raças Bos Indicus) e aquelas com o cupim cérvico-torácico. As raças zebuínas incluem o Boran (Zebu africano), Brahman (composto de raças Zebuínas Indianas) e o Nelore. Elas têm um cromossomo "Y" tipicamente indiano. As raças de cupim cérvico-torácico incluem as raças africanas Sanga, tais como o Africânder e o Tuli, e raças compostas que foram recentemente sintetizadas através de cruzas entre raças indianas e taurinas (raças indu-taurinas ou tauríndicus) tais como Brangus e Simbrah.

Em geral, as raças Sanga que se originaram ao sul do rio Zambezi (tais como o Africânder e o Tuli) são classificadas como Bos taurus. Elas têm um cromossomo "Y" tipicamente Bos taurus. A maioria das raças Sanga do norte do rio Zambezi são misturas das raças taurinas africanas originais e Zebus indianos que foram trazidos para a África nos últimos 2000 a 3000 anos.

Elas podem ter um cromossomo "Y" tanto de origem taurina como indiana. Todas as raças têm em comum um ancestral Bos, o Bos Primogenius. As divergências entre os tipos taurinos e indianos começaram aproximadamente há 1,5 milhão de anos, enquanto a diferenciação entre as raças europeias e as taurinas africanas parecem ter começado há 10.000-20.000 anos atrás.

As divergências entre as raças do oeste africano e as raças taurinas do leste africano devem também ter ocorrido há vários milhares de anos atrás. Por outro lado, as raças europeias estão separadas por centenas de anos. Bem como as raças indianas entre si. As raças crioulas estiveram separadas das raças europeias por pelo menos centenas de anos. Os dois principais grupos de raças europeias usadas para produção comercial de carne são aqueles britânicos (ex.: Angus e Shorthorn), e aquelas da Europa Continental (ex.: Charolês e Simental). Fora da África, as raças Zebu usadas para produção comercial de carne são de origem indiana (ex.: Brahman e Nelore). 

OP Rural – O que é cruzamento industrial e quando é indicado?

AZ – O cruzamento entre indivíduos de raças diferentes, onde o touro é de raça definida, buscando aumentar a eficiência na produção de carne.

A razão principal para se fazer o cruzamento orientado entre raças é aumentar a lucratividade (renda líquida), através do aumento da produtividade (eficiência de produção). Nenhuma raça é perfeita. Cada uma tem seus pontos fortes e fracos. O animal produto do cruzamento deverá combinar o elevado potencial de produção da raça de clima temperado com a adaptação da raça tropical.

Escolhendo-se as raças apropriadas para o cruzamento, o potencial de produção e a adaptação tropical dos animais cruzados podem ser combinados ao seu ambiente – quanto mais complementares forem as raças, maior é a produtividade, e, consequentemente, maior a lucratividade. O cruzamento entre raças ou heterozigose busca gerar heterose, ou vigor híbrido, para um grupo de características comercialmente importantes, particularmente de reprodução e sobrevivência. A heterozigose dá um ganho gratuito adicional que permite que a produtividade dos cruzados exceda a produtividade de ambas as raças-base.

Tanto no corte quanto no leite buscamos com o cruzamento entre raças aliar a alta produção das raças europeias com a rusticidade e adaptabilidade ao clima das raças zebuínas e adaptadas.

OP Rural – Quando é interessante manter raças puras?

AZ – Quando se busca ganho genético através da seleção dos melhores indivíduos dentro de cada raça. 

OP Rural – Quais os benefícios do cruzamento industrial?

AZ – Complementaridade – A combinação das qualidades desejáveis das raças parentais permite a obtenção de uma progênie superior. Ou seja, quanto mais as raças utilizadas se complementarem nas características produtivas, melhor será o resultado dos produtos do cruzamento. O exemplo mais claro disso é combinar características de adaptabilidade, ou seja, aproveitaremos a resistência e fertilidade das vacas zebu, e o ganho de peso, precocidade sexual e de acabamento das raças taurinas europeias. Lembre-se, portanto: estude cuidadosamente as características produtivas de cada raça antes de tomar qualquer decisão.

Flexibilidade – No cruzamento, podemos facilmente redirecionar nosso sistema de produção, oferecendo o produto exigido pelo mercado. Exemplo. Se o mercado compra carcaças acima de 270 kg, o produtor obterá isso fazendo cruzamento com raças europeias de grande porte.

Heterose –  É a superioridade média dos produtos de cruzamento em relação à média dos pais. A heterose será maior quanto maior for a distância evolutiva entre as raças em questão, ou seja, quanto tempo atrás elas se distanciaram no processo de seleção natural e seleção induzida pelo homem.

Os efeitos da heterose são maiores nas características de baixa herdabilidade, ou seja, nas características muito influenciadas pelo meio ambiente e, por consequência, as que menos respondem ao processo de seleção. São elas: fertilidade e sobrevivência.

O período de separação mais longo ocorreu entre as raças Zebuínas e Taurinas. Por isso, a heterose é maior em cruzamentos taurus x indicus. Entretanto, em ambientes de estresse tropical, a heterose se expressa inteiramente quando o animal cruzado for totalmente adaptado ao ambiente tropical. Para maximizar os benefícios do cruzamento, a sequência em que as diferentes raças são cruzadas deve ser tal que não apenas a heterose é maximizada, mas a adaptação também é mantida. Tão importante quanto a heterose para maximizar a produtividade, são os atributos das raças para determinar as características do cruzamento.

OP Rural – Quais os desafios para raças europeias e zebuínas?

AZ – O clima tropical é o maior desafio para as raças europeias e a alta produtividade é o maior desafio para as raças zebuínas.

OP Rural – Quais os principais índices zootécnicos que precisam ser levados em consideração na hora de escolher uma raça para reprodução?

AZ – Ganho em peso, características de carcaça, precocidade de acabamento, eficiência alimentar, habilidade materna, precocidade sexual.

OP Rural – Existe um touro certo para cada vaca?

AZ – Sabemos que a diferença existente entre indivíduos dentro da mesma raça é maior que a diferença entre raças, portanto, sabemos que devemos escolher com muito critério os indivíduos usados no cruzamento ou para uso no gado puro. Falamos em acasalamento individual somente nos casos de gado puro. Podemos então considerar que existe um indivíduo para cada vaca nesse caso.

OP Rural – Como encontrar a vaca ideal pensando nos índices reprodutivos?

AZ – A vaca ideal é adaptada ao clima de sua região, deve parir com no máximo 24 meses de idade, devendo produzir um bezerro por ano que pese pelo menos 45% do peso dela.

OP Rural – Como encontrar o touro ideal pensando nesses índices?

AZ – O touro ideal tem valor genético (DEP – Diferença Esperada na Progênie) positivo para as características produtivas escolhidas.

OP Rural – Quanto o investimento em genética custa e quanto pode contribuir para o resultado financeiro da fazenda?

Vamos considerar um rebanho com 1000 matrizes

  • Nº de Matrizes – 1.000 Zebuínas
  • Produção de 400 machos/ano
  • Custo mensal do animal adulto no pasto (Aluguel de pasto + vacinas + sal + M.O.) – R$ 35,00
  • Bovinos consomem em média 2 meses de pasto para ganhar 1 @ de peso.
  • Zebu – abate aos 34 meses com peso ideal de 16,5@.
  • Produto de cruzamento – abate aos 28 meses com peso ideal de 18@.

A partir desses dados, temos:

  • O Produto de Cruzamento pesa 1,5 @ a mais que o Zebu ao abate, saindo 8 meses antes.
  • Para o Produto de Cruzamento ganhar 1,5@ extra, consome o equivalente a 3 meses a mais de pasto.
  • Haverá então 5 meses de vantagem para o produto de cruzamento.

Conclusão com os machos

  • – R$ 35,00/custo mensal x 5 meses de economia – R$ 175,00 de economia/boi de cruzamento x 400 bois = R$ 70.000,00 + lucro de 1,5@ de diferença peso ao abate/boi x R$ 130,00 (Preço da @) x 400 bois = R$ 78.000,00

Total – R$ 148.000,00 de lucro para cada 1000 matrizes em reprodução sem contar o lucro da ½ sangue.

OP Rural – Quais são os parâmetros considerados ideais na reprodução?

AZ – Oitenta porcento de bezerros desmamados, 2% de mortalidade, peso a desmama de 240 kg para machos, peso e idade ao abate de 500 kg aos 24 meses, prenhes das fêmeas aos 14 meses de idade. 

OP Rural – Quais são os parâmetros médios do Brasil?

AZ – Bezerros desmamados (50%), mortalidade (5%), peso a desmama (170 kg para machos), peso e idade ao abate (500 kg aos 36 meses), prenhes das fêmeas aos 26 meses de idade.

OP Rural – Como melhorar a reprodução usando a genética?

AZ – Fazendo cruzamento entre raças, pois com a heterose melhoramos muito a taxa de fertilidade e precocidade sexual das fêmeas.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Boi gordo enfrenta semanas de instabilidade e pressão nas cotações

Recuo de até R$ 13/@ reflete um mercado mais sensível antes do período de maior consumo.

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Foto: Ana Maio

A possibilidade de novas medidas protecionistas da China voltou a gerar incerteza no mercado pecuário brasileiro. O país asiático, principal destino da carne bovina do Brasil, estaria avaliando restringir a entrada do produto, mas não há qualquer confirmação oficial até o momento. Mesmo assim, os rumores foram suficientes para pressionar os contratos futuros do boi nas últimas semanas.

As especulações ganharam força no início de novembro, indicando que Pequim poderia retomar o movimento iniciado em 2024, quando alegou excesso de oferta interna para reduzir as importações. A decisão, que inicialmente seria tomada em agosto de 2025, foi adiada para novembro, ampliando a cautela dos agentes e intensificando a queda na curva futura: em duas semanas, os contratos recuaram entre R$ 10 e R$ 13 por arroba.

Foto: Gisele Rosso

Com a China respondendo por cerca de 50% das exportações brasileiras de carne bovina, qualquer redução nos embarques tende a impactar diretamente os preços do boi gordo, especialmente em um momento de forte ritmo de produção.

Apesar da tensão, o cenário de curto prazo permanece positivo. A demanda doméstica, reforçada pela sazonalidade do fim de ano, e o recente alívio nas barreiras impostas pelos Estados Unidos ajudam a sustentar as cotações. Caso os abates não avancem mais de 10% em novembro e dezembro, a disponibilidade interna deve ficar abaixo da registrada em outubro, movimento que favorece a recuperação dos preços da carne nos próximos 30 dias.

Para 2026, as projeções seguem otimistas para a pecuária brasileira. A expectativa é de menor oferta de animais terminados, custos de produção mais competitivos e demanda externa firme, em um contexto de queda da produção e das exportações de concorrentes, especialmente dos Estados Unidos. A principal atenção fica por conta do preço da reposição, que subiu de forma expressiva e exige valores mais ajustados na venda do boi gordo para assegurar a rentabilidade na terminação.

Fonte: O Presente Rural com informações Consultoria Agro Itaú BBA Agro
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Novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável busca impulsionar produção de leite no Noroeste de Minas Gerais

Assistência técnica, pesquisa aplicada e melhorias genéticas a 150 propriedades familiares, com foco em produtividade, sustentabilidade e fortalecimento da cadeia leiteira no Noroeste mineiro até 2028.

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Foto: Carlos Eduardo Santos

O fortalecimento e a ampliação da produção de leite de produtores de Paracatu (MG), de forma sustentável, eficiente e de qualidade, ganharam impulso com o início do novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável, desenvolvido em parceria entre a Embrapa Cerrados e a Cooperativa Agropecuária do Vale do Paracatu (Coopervap).

O projeto é desenvolvido no âmbito do Programa Mais Leite Saudável (PMLS) do MAPA desde 2020. O Programa Mais Leite Saudável é um incentivo fiscal que permite a laticínios e cooperativas obter até 50% de desconto (crédito presumido) no valor de PIS/Pasep e COFINS relativo à comercialização do leite cru utilizado como insumo, desde que desenvolvam projetos que fortaleçam e qualifiquem a cadeia produtiva por meio de ações diretas junto aos produtores.

O treinamento dos técnicos recém-selecionados foi realizado no fim de outubro, e as primeiras visitas às propriedades ocorreram no início de novembro. Essa é a terceira fase do projeto, que conta com o acompanhamento do pesquisador José Humberto Xavier e do analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrados, Carlos Eduardo Santos.

O projeto articula as dimensões de assistência técnica e pesquisa e atuará nessa etapa com uma rede de 150 propriedades rurais familiares, que receberão acompanhamento de três veterinários e dois agrônomos, seguindo o modelo implantado em 2020. A equipe da Embrapa atua na capacitação técnica e metodológica dos técnicos e na condução de testes de validação participativa de tecnologias promissoras junto aos agricultores da rede.

A nova etapa, prevista para ser concluída em 2028, busca desenvolver alternativas para novos sistemas de cultivo com foco na agricultura de conservação, oferecer apoio técnico ao melhoramento genético dos animais de reposição com o uso de inseminação artificial e ampliar o alcance dos resultados já obtidos, beneficiando mais agricultores familiares e contribuindo para o desenvolvimento regional.

Segundo o pesquisador da Embrapa Cerrados, José Humberto Xavier, os sistemas de cultivo desenvolvidos até agora melhoraram o desempenho das lavouras destinadas à alimentação do rebanho, mas ainda são necessários ajustes para reduzir a perda de qualidade do solo causada pelo preparo convencional e pela elevada extração de nutrientes advinda da colheita da silagem, além de evitar problemas de compactação quando o solo está úmido. Ele destaca também os desafios de aumentar a produtividade e reduzir a penosidade do trabalho com mecanização adequada.

O analista Carlos Eduardo Santos ressaltou a importância de melhorar o padrão genético do rebanho. “A reposição das matrizes é, tradicionalmente, feita pela compra de animais de outros rebanhos. Isso gera riscos produtivos e sanitários, além de custos elevados. Por isso, a Coopervap pretende implementar um programa próprio de reposição, formulado com base nas experiências dos técnicos e produtores ao longo da parceria”, afirmou.

Fonte: Assessoria Embrapa Cerrados
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Curso gratuito da Embrapa ensina manejo correto de resíduos na pecuária leiteira

Capacitação on-line orienta produtores a adequar propriedades à legislação ambiental e transformar dejetos em insumo seguro e sustentável.

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Foto: Julio Palhares

Como fazer corretamente o manejo dos dejetos da propriedade leiteira e adequá-la à legislação e à segurança dos humanos, animais e meio ambiente? Agora, técnicos e produtores têm à disposição um curso on-line, disponível pela plataforma de capacitações a distância da Embrapa, o E-Campo, para aprender como realizar essa gestão. A capacitação “Manejo de resíduos na propriedade leiteira” é gratuita e deve ocupar uma carga horária de aproximadamente 24 horas do participante.

O treinamento fecha o ciclo de uma série de outros cursos relacionados ao manejo ambiental da atividade leiteira: conceitos básicos em manejo ambiental da propriedade leiteira e manejo hídrico da propriedade leiteira, também disponíveis na plataforma E-Campo.

De acordo com o pesquisador responsável, Julio Palhares, identificou-se uma carência de conhecimento sobre como manejar os resíduos da atividade leiteira para adequar a propriedade frente às determinações das agências ambientais. “O correto manejo é importante para dar qualidade de vida aos que vivem na propriedade e no seu entorno, bem como para garantir a qualidade ambiental da atividade e o uso dos resíduos como fertilizante”, explica Palhares.

A promoção do curso ainda contribui para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), como as metas 2 e 12. A 2 refere-se à promoção da agricultura sustentável de produção de alimentos e prevê práticas agropecuárias resilientes, manutenção dos ecossistemas, fortalecimento da capacidade de adaptação às mudanças climáticas, etc. O ODS 12 diz respeito ao consumo e produção responsáveis, principalmente no que diz respeito à gestão sustentável.

O treinamento tem oferta contínua, ou seja, o inscrito terá acesso por tempo indeterminado.

Fonte: Assessoria Embrapa Pecuária Sudeste
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