Conectado com

Notícias

Crotalária reduz infestações da lagarta-do-cartucho no milho

A Crotalaria juncea é bastante utilizada no sistema de rotação de culturas no Brasil, sendo uma leguminosa que se destaca pela capacidade de fixação de nitrogênio e pela alta produção de massa verde

Publicado em

em

Escolher corretamente qual planta de cobertura usar no sistema de plantio direto traz impactos sobre a presença maior ou não da lagarta-do-cartucho nas culturas subsequentes. Uma pesquisa que vem sendo realizada pela Embrapa Milho e Sorgo (MG), em conjunto com as universidades federais de Lavras (UFLA) e de São João del-Rei (UFSJ), revela que a Crotalaria juncea é uma das plantas mais apropriadas para a cobertura do solo antes do cultivo das culturas comerciais para se prevenir infestações dessa praga, sobretudo quando comparada a outras plantas de cobertura largamente utilizadas no País para a formação de palha: girassol, as braquiárias decumbens e ruziziensis, milheto, aveia, o tremoço-branco, nabo forrageiro e o próprio milho. Os resultados foram publicados no Bioscience Journal, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Crotalaria juncea é bastante utilizada no sistema de rotação de culturas no Brasil, sendo uma leguminosa que se destaca pela capacidade de fixação de nitrogênio e pela alta produção de massa verde. Os resultados dos experimentos conduzidos tanto em laboratórios quanto em casa de vegetação da Embrapa Milho e Sorgo mostram que essa planta foi a que menos favoreceu a multiplicação e o estabelecimento da lagarta-do-cartucho no milho. A praga, quando alimentada com folhas da leguminosa, acumulou menos biomassa (adquirindo menor peso) e apresentou as menores taxas de sobrevivência. "Quanto menor o desenvolvimento, menor é a capacidade de multiplicação da lagarta", aponta a pesquisadora do Núcleo de Fitossanidade e Armazenamento da Embrapa Milho e Sorgo Simone Martins Mendes, uma das coordenadoras da pesquisa.

Esses dois fatores observados merecem destaque, na visão da pesquisadora, já que pragas polífagas como a lagarta-do-cartucho têm se tornado importantes em sistemas tropicais de cultivo por se aproveitarem das chamadas "pontes verdes", em que a composição vegetal permite a ocorrência de plantas hospedeiras de forma ininterrupta. "Plantas que favorecem uma menor sobrevivência das lagartas devem ser preferidas em condições de alta infestação da praga, como é o caso da crotalária, em que a sobrevivência foi de apenas 7% em condições de casa de vegetação. Ao contrário, o produtor deve ter atenção especial quando utiliza a braquiária como planta de cobertura, pois essa planta favorece a sobrevivência dessa espécie de praga", afirma Simone Mendes. (veja a figura 1 abaixo)

Figura 1 – Sobrevivência da lagarta-do-cartucho em diferentes plantas de cobertura, utilizadas para formação de palhada em plantio direto, em condições de casa de vegetação. Barras seguidas de mesma cor não diferem entre si (Scott & Knott).

A equipe de pesquisa analisou vários parâmetros biológicos da lagarta-do-cartucho nas plantas de cobertura relacionadas e sumarizou todas essas variáveis em um índice, chamado de Índice de Adaptação (IA), que deve ser relativizado em comparação ao milho, por ser a principal planta hospedeira dessa praga. "Observamos que algumas plantas chegam a ser mais propícias que o milho para o desenvolvimento do inseto, como é o caso da braquiária. Já a crotalária se destaca novamente por apresentar um pior índice de adaptação para essa espécie de lagarta", comenta a pesquisadora.

 

Índice Relativo de adaptação da lagarta-do-cartucho em diferentes plantas de coertura, utilizadas para formação de palhada em plantio direto, em condições de casa de vegetação.

Outro aspecto ainda foi analisado: a severidade dos danos causados pela lagarta-do-cartucho nas folhas utilizadas em sua dieta em todos os estágios de desenvolvimento. A aveia foi a cultura preferida pela lagarta na sua alimentação, com mais danos observados a cada avaliação, tendo suas plantas completamente destruídas após 21 dias. "Por outro lado, a crotalária mostrou-se como a planta menos suscetível em relação a danos, com um padrão de folhas perfuradas em todas as avaliações, o que pode ser explicado pelo baixo índice de sobrevivência do inseto nesse hospedeiro", explica Simone Mendes. "A crotalária se destacou como a planta que menos favoreceu a multiplicação e o estabelecimento da lagarta-do-cartucho", conclui.

 

Crotalária evitaria efeitos da chamada ‘ponte verde'

Atualmente, pesquisadores têm concentrado seus esforços para investigar se a crotalária possui em sua composição alguma substância que tenha ação repelente em relação a alguns insetos. "A lagarta-do-cartucho é uma praga de difícil controle. Existem populações desse inseto que já ‘quebraram' a resistência a algumas tecnologias transgênicas e a moléculas de certos inseticidas", lembra a pesquisadora Simone Mendes. "A própria arquitetura e a densidade de folhas da leguminosa, que não constitui a formação de cartuchos, como o milho, não condiz com um ambiente propício para o desenvolvimento da lagarta. Associadas a essa característica, a maior umidade e a presença de menores temperaturas onde há plantas de crotalária favorecem a presença de parasitoides e predadores da lagarta", continua.

O papel da leguminosa em programas de Manejo Integrado de Pragas já é reconhecido pela comunidade científica e pelos produtores. A crotalária atua como "abrigo" para espécies de insetos que atuam como agentes de controle biológico, característica observada em plantios diversificados, nos quais não há predominância de apenas uma cultura. Nesse sentido, um trabalho apresentado durante o XXXI Congresso Nacional de Milho e Sorgo, realizado em setembro de 2016, em Bento Gonçalves (RS), analisou a presença de insetos em milho consorciado com a crotalária em diversos arranjos. Os resultados mostram que, realmente, a leguminosa exerce influência sobre a presença de inimigos naturais, como a tesourinha, predador da lagarta-do-cartucho.

A tesourinha é um dos agentes de controle biológico mais eficazes na supressão de pragas na cultura do milho, já que é predador de ovos e lagartas em estágio inicial de desenvolvimento. Os pesquisadores descobriram que a presença de outra espécie de crotalária, – a Crotalaria spectabilis, mais rasteira que a C. juncea – em plantio intercalado com o milho, influenciou na quantidade de tesourinhas encontradas. O experimento foi conduzido na Embrapa Milho e Sorgo em cinco diferentes arranjos espaciais compostos por milho consorciado com sorgo e crotalária, sendo essas duas últimas culturas semeadas 30 dias antes do plantio do milho. Com isso, quando o milho germinou, as plantas consorciadas já estavam previamente estabelecidas, influenciando na presença de insetos benéficos nos diferentes tratamentos.

"Os resultados revelam que o arranjo espacial da crotalária na parcela influenciou diretamente na quantidade de tesourinhas encontradas nas plantas de milho, com aumento de 83% na presença desse predador", afirma o pesquisador Paulo Eduardo de Aquino Ribeiro, da área de Manejo, Conservação e Uso da Flora da Embrapa Milho e Sorgo. Segundo ele, a presença da crotalária nas entrelinhas do milho pode ter proporcionado condições favoráveis à permanência do predador da lagarta na lavoura, seja pela criação de um microclima adequado ao seu estabelecimento (com abrigo, umidade e temperatura), seja pela atração por compostos orgânicos, ou até mesmo pela presença de outros organismos na crotalária que também servem de alimento para as tesourinhas.

Trabalhos anteriores realizados pela equipe do Núcleo de Fitossanidade da Embrapa Milho e Sorgo demonstraram que a presença de tesourinhas em até 70% das plantas é suficiente para manter a população da lagarta-do-cartucho sob controle. Entretanto, normalmente há um descompasso entre a ocorrência de tesourinhas na lavoura do milho (geralmente tardia) e o pico da lagarta-do-cartucho (uma praga inicial). O efeito obtido pela Crotalaria spectabilis nesse experimento, continua o pesquisador Paulo Ribeiro, foi de antecipar a presença da tesourinha na lavoura, de forma que ela pudesse atuar sobre as pragas iniciais, quando o milho está mais vulnerável às pragas.

"O próximo passo é usar os dados da colheita para avaliar o efeito desse consórcio com o plantio antecipado, sobre a produtividade do milho, que pode ser afetada pela competição entre a crotalária já estabelecida na entrelinha e o milho nos primeiros estádios", conclui. Além das tesourinhas, a equipe identificou outros predadores da lagarta-do-cartucho, como joaninhas. "A presença das joaninhas nas lavouras é um indício de que o controle biológico natural está atuando", reforça o pesquisador Ivan Cruz, também da Embrapa Milho e Sorgo, da área de Controle Biológico.

 

Nitrogênio da crotalária enriquece agroecossistemas

De ciclo vegetativo anual, a crotalária apresenta crescimento inicial muito rápido, uma das vantagens do seu uso no controle de plantas infestantes ou quando se deseja cobrir rapidamente uma área. A espécie Crotalaria juncea produz em média 30 toneladas por hectare por ano de massa verde, sendo que a planta chega a fixar, em um ano, entre 150 e 165 quilos por hectare de nitrogênio. "Ela disponibiliza ainda uma média de 41 quilos por hectare de fósforo e 217 quilos por hectare de potássio", revela o pesquisador Walter Matrangolo, da área de Agroecologia da Embrapa Milho e Sorgo. "A capacidade que a crotalária tem de fornecer elevados teores de nitrogênio e outros nutrientes enriquece os agroecossistemas. Isso é fundamental para a ampliação da biodiversidade de qualquer sistema produtivo, e que as leguminosas realizam em decorrência da relação simbiótica entre elas e as bactérias fixadoras de nitrogênio, que ocorre em suas raízes, dentro dos nódulos", explica.

Em relação à "atração" exercida pela crotalária sobre insetos benéficos, Matrangolo explica que o nitrogênio e outros nutrientes são a base para a formação do pólen, néctar e de outros compostos nutritivos produzidos pelas plantas e que alimentarão esses agentes de controle biológico. "É que muitos desses insetos dependem dos compostos para a sua maturação sexual. Assim como a fêmea do pernilongo precisa de sangue – e dos nutrientes nele contido – para que seus óvulos sejam viáveis, muitas vespas parasitoides da lagarta-do-cartucho dependem da presença de flores nas áreas produtivas para que possam realizar o parasitismo em hospedeiros próximos", mostra o pesquisador.

Segundo ele, insetos predadores da lagarta-do-cartucho, como a joaninha e a tesourinha, não se alimentam exclusivamente de insetos. "Em geral, eles fazem uso de compostos liberados pelas plantas para obterem elementos nutritivos que não encontram nos tecidos de suas presas. Como em seres humanos, os açúcares contidos no néctar são importantes para fornecerem energia de uso imediato aos insetos", comenta. E Matrangolo reforça a importância dos plantios diversificados, que concentram uma maior diversidade de insetos benéficos. "Caso uma área não disponha de flores (um dos motivos pelo qual os monocultivos reduzem a biodiversidade), o parasitoide migrará para outros locais em busca de alimento, seja néctar, pólen ou outro composto. Isso é determinante para sua sobrevivência e para sua maturação sexual", conclui.

Fonte: Embrapa

Continue Lendo

Colunistas

Setor de fertilizantes ganha regras claras e maior segurança jurídica

Decreto nº 12.858 moderniza fiscalização, define sanções e amplia protagonismo das empresas no controle de qualidade, fortalecendo competitividade e transparência.

Publicado em

em

Foto: Divulgação/Arquivo OPR

A recente publicação do Decreto nº 12.858, de 2026, representa um passo relevante no processo de modernização do arcabouço regulatório que rege o setor de fertilizantes no Brasil. Para compreender a real dimensão dessa medida, é necessário contextualizar a evolução normativa que levou à sua edição, bem como seus efeitos práticos para a indústria, para o poder público e para toda a cadeia produtiva do agronegócio.

Historicamente, a regulamentação dos fertilizantes no país tem como base a Lei nº 6.894, de 1980. Trata-se de uma legislação importante para a consolidação do setor, mas que, ao longo das décadas, passou a demandar ajustes diante das transformações tecnológicas, produtivas e institucionais vivenciadas pela agricultura brasileira. Em 2004, o Decreto nº 4.954 foi publicado com o objetivo de regulamentar essa lei, estabelecendo parâmetros mais detalhados sobre registro, fiscalização e controle de qualidade dos produtos.

Foto: Claudio Neves

Esse cenário começou a se modificar de forma mais profunda com a promulgação da Lei nº 14.515, de 2022, conhecida como Lei do Autocontrole. Diferentemente das normas anteriores, voltadas a segmentos específicos, essa legislação introduziu um novo modelo de fiscalização aplicável a diversos setores supervisionados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária. Ao todo, 18 segmentos passaram a compartilhar uma mesma base conceitual relacionada à gestão da qualidade, à rastreabilidade e à responsabilidade dos agentes econômicos.

A adoção desse novo paradigma trouxe ganhos relevantes em termos de modernização regulatória e alinhamento institucional. No entanto, também gerou um período de transição marcado por insegurança jurídica, uma vez que o sistema normativo vigente para fertilizantes, estruturado com base em regras anteriores, passou a apresentar incompatibilidades em relação à nova lógica de fiscalização e controle.

Nesse contexto, o Decreto nº 12.858 surge como instrumento essencial de harmonização normativa. Trata-se de uma medida complementar a ajustes já iniciados por decretos anteriores, como o nº 12.522, que tratou sobretudo de aspectos procedimentais. A nova norma avança ao atualizar dispositivos relacionados a infrações, sanções e penalidades, além de adequar conceitos e terminologias ao modelo estabelecido pela Lei do Autocontrole.

Do ponto de vista prático, não se trata de uma ruptura com as exigências já conhecidas pelo setor. A indústria de fertilizantes historicamente opera sob rigorosos padrões de qualidade, com sistemas estruturados de controle e monitoramento de processos. Assim, a principal contribuição do novo decreto está na consolidação de um ambiente regulatório mais coerente e previsível, capaz de conferir maior segurança jurídica às empresas e de fortalecer a atuação fiscalizatória do Estado.

Foto: Claudio Neves

Outro aspecto relevante é que a norma estabelece bases mais claras para a implementação efetiva do autocontrole, conceito que pressupõe maior protagonismo das empresas na garantia da conformidade de seus produtos e processos. Esse modelo, já adotado em outras áreas, tende a estimular ganhos de eficiência, transparência e competitividade, ao mesmo tempo em que mantém o papel estratégico da fiscalização pública.

É importante destacar, entretanto, que a publicação do decreto não encerra o processo de aperfeiçoamento regulatório. Muitos dispositivos dependem de detalhamento por meio de portarias e instruções normativas do próprio Ministério da Agricultura. A etapa que se inicia agora envolve análise técnica aprofundada e diálogo institucional entre governo e setor produtivo, com o objetivo de assegurar que a aplicação das novas regras ocorra de forma harmônica e consistente.

A expectativa é de que eventuais ajustes sejam conduzidos de maneira gradual e estruturada, preservando as boas práticas já consolidadas no segmento. Afinal, mesmo antes da Lei do Autocontrole, o setor de fertilizantes já apresentava elevados níveis de exigência em relação à qualidade dos produtos e à conformidade regulatória, o que facilita a adaptação ao novo modelo.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR

Sob uma perspectiva mais ampla, a adequação normativa promovida pelo Decreto nº 12.858 deve ser interpretada como parte de um processo evolutivo de longo prazo. Desde a publicação da Lei do Autocontrole, em 2022, o setor aguardava instrumentos regulatórios capazes de traduzir seus princípios em regras operacionais claras. A medida agora adotada representa, portanto, um avanço institucional aguardado, que contribui para a modernização do ambiente regulatório e para o fortalecimento da confiança entre indústria, governo e sociedade.

Ao proporcionar mais segurança jurídica e alinhamento entre diferentes instrumentos legais, o novo decreto cria condições mais favoráveis para o desenvolvimento sustentável do setor de fertilizantes. Em um contexto de crescente demanda por produtividade agrícola, inovação tecnológica e responsabilidade ambiental, a solidez do marco regulatório torna-se elemento estratégico para garantir competitividade e estabilidade às cadeias produtivas.

O desafio que se coloca daqui em diante é dar continuidade a esse processo de aperfeiçoamento, com foco na construção de normas complementares que assegurem clareza operacional e efetividade na fiscalização. Trata-se de uma agenda que exige cooperação técnica, visão sistêmica e compromisso institucional, fundamentos indispensáveis para consolidar um ambiente regulatório moderno, seguro e alinhado às necessidades da agricultura brasileira contemporânea.

Fonte: Artigo escrito por Irani Gomide Filho, coordenador de Assuntos Regulatórios da Abisolo.
Continue Lendo

Notícias

Tecnoshow cria Pavilhão de Tecnologia para levar sensores, apps e startups ao campo

Espaço reúne soluções próprias da cooperativa, hubs de inovação e empresas com tecnologias embarcadas, enquanto plots e dinâmicas mostram pesquisas agrícolas e pecuárias na prática.

Publicado em

em

Fotos: Divulgação/Tecnoshow

Alinhado ao conceito de “O Agro Conecta”, a Tecnoshow Comigo lança na edição deste ano, que acontece entre segunda (06) e sexta-feira (10), o Pavilhão de Tecnologia, um espaço dedicado a integrar as soluções da cooperativa, de empresas parceiras e de hubs de inovação, promovendo a conexão entre tecnologia, produtores e o campo. Entre os destaques, estará a presença do Hub Goiás – Rio Verde, que atua no fomento ao ecossistema de inovação e no apoio a startups com soluções para o agronegócio.

Segundo o gerente de Geração e Difusão de Tecnologia na Cooperativa Comigo, Eduardo Hara, o pavilhão é uma iniciativa pioneira, mas que já estava no planejamento da organização da feira há alguns anos. “Resolvemos materializar essa ideia criando um ambiente que conecta diferentes iniciativas e agentes de inovação, reunindo hubs e empresas ligadas a tecnologias embarcadas em maquinários agrícolas, que podem ser acopladas a tratores e plantadeiras para apoiar etapas como plantio, colheita e semeadura”, detalha.

Entre as inovações desenvolvidas pela cooperativa que os visitantes do pavilhão conhecerão estão o DRIS (Sistema Integrado de Diagnose e Recomendação) Comigo, lançado na edição passada do evento, voltado à análise foliar e recomendação personalizada de adubação.

Outro destaque é o Super-PEC, um sistema de gestão pecuária integrado voltado a produtores rurais de gado de corte e leite, que permite controlar dados zootécnicos e financeiros na palma da mão, funcionando também offline. Já o aplicativo Comigo Cooperados reúne, em um único ambiente digital, informações como cotações de grãos, romaneios, saldo de insumos e extratos financeiros. “Além disso, teremos telas que mostram como a automação conecta as diferentes etapas das indústrias da Comigo, incluindo o sistema de manutenção preventiva, no qual sensores instalados nos maquinários enviam alertas à equipe técnica sobre a necessidade de intervenções, antecipando soluções e evitando falhas nos equipamentos”, complementa Hara.

Sobre as empresas presentes no pavilhão, o gerente comenta que deverão apresentar novidades voltadas à tecnologia, como sensores que podem ser acoplados a colheitadeiras, plantadeiras e pulverizadores, entre outros maquinários agrícolas, capazes de gerar e transmitir dados em tempo real, conectando operação e tomada de decisão no campo.

O Hub Goiás – Rio Verde também levará startups e negócios inovadores de diferentes regiões do país, ampliando a diversidade de soluções tecnológicas apresentadas ao público. A iniciativa prevê a participação rotativa de startups ao longo dos dias de feira, fortalecendo o ambiente de conexão entre empreendedores, produtores e empresas do setor. “Esse pavilhão é uma ‘semente’ que estamos plantando agora e que deve crescer nos próximos anos, fortalecendo a conexão entre inovação, produtores e o futuro do agro. Queremos estimular essa cultura no setor, atraindo principalmente o público mais jovem, que já tem forte afinidade com tecnologia”, observa Hara.

Agricultura e pecuária

Outro ponto de atração da Tecnoshow Comigo são os plots agrícolas, espaços onde são apresentadas as novidades e soluções do agronegócio do Centro Tecnológico Comigo (CTC) e de empresas e multinacionais expositoras. Assim como no ano passado, os plots da cooperativa estão divididos em agrícola e pecuário.

De acordo com Hara, no plot agrícola da Comigo, além da presença de todo o time de pesquisa de agricultura da Comigo, composto por cinco profissionais, serão apresentados, por meio de representações em miniatura, alguns dos principais experimentos realizados no CTC. “Teremos experimentos de fertilidade do solo, nutrição de plantas, entomologia, fitopatologia e controle de plantas daninhas. Além disso, vamos apresentar o serviço de agricultura de precisão que a Comigo presta aos cooperados”, enumera.

Outro destaque do plot será uma dinâmica agendada para mostrar alguns trabalhos que o produtor pode fazer no campo para identificar fraudes em fertilizantes. Outra novidade é a presença da equipe do Laboratório da Indústria.

Na parte da pecuária, estarão presentes dois pesquisadores, das áreas de nutrição animal e de pastagens, apresentando os trabalhos realizados, além da área de nutrição animal da cooperativa, com as rações, sementes e soluções de pastagem da Comigo.

Sobre os plots das empresas e multinacionais participantes, Hara observa que a feira também é palco para o lançamento de novas variedades de sementes de soja, híbridos de milho e sorgo, além de soluções em defensivos agrícolas, como fungicidas, inseticidas e herbicidas, apresentadas pelas principais empresas do setor.

Dinâmicas de pecuária

Além dos plots, o visitante poderá conhecer durante a Tecnoshow as dinâmicas de pecuária, com programação que mostra na prática as novidades do setor. De acordo com o coordenador de Pecuária da Tecnoshow, José Vanderlei Burim Galdeano, a programação será realizada nas tendas localizadas na pista de grama e conta com palestras, workshops e oficinas, assim como demonstrações em animais.

Para os criadores, os temas abordados nas palestras incluem o panorama da pecuária em ano de eleições; a revolução da ultrassonografia; e o impacto dos aditivos alimentares na produtividade dos animais. Na quinta-feira (09), a programação será toda dedicada à pecuária leiteira, com palestras sobre os mais variados assuntos relacionados ao setor.

Uma novidade deste ano, segundo Galdeano, será uma demonstração promovida pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) chamada Receitas do Campo, onde serão produzidos alguns alimentos como farinhas, paçoca de carne, entre outros, ao vivo, simultaneamente com as palestras. “Da parte da Comigo está tudo pronto para mostrarmos nossas novidades aos visitantes. Dividimos o espaço em agricultura e pecuária para atender melhor os diferentes públicos de cooperados”, relata Hara.

Fonte: Assessoria Tecnoshow
Continue Lendo

Notícias

Déficit de 111,6 milhões de toneladas expõe gargalo da armazenagem no Brasil

País projeta safra de 342,7 milhões de toneladas, mas dispõe de 231,1 milhões de toneladas em capacidade estática. Diferença já influencia crédito rural, garantias bancárias e decisões de comercialização nas fazendas.

Publicado em

em

Foto: José Fernando Ogura

O Brasil colhe mais grãos do que consegue armazenar. Dados da Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam que a capacidade estática de armazenagem no país é de 231,1 milhões de toneladas, enquanto a projeção de safra para este ano alcança 342,7 milhões de toneladas. O volume disponível para estocagem fica abaixo do parâmetro de equilíbrio adotado pela Companhia Nacional de Abastecimento, baseado em recomendações da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

Fernando Caprioli, que atua em empresa do segmento de armazenagem: “O grão é uma garantia bancária e perdas por falta de estrutura podem gerar prejuízos econômicos relevantes” – Foto: Divulgação

Para Fernando Caprioli, que atua em empresa do segmento de armazenagem, o descompasso é estrutural. “O volume de capacidade é muito inferior ao total colhido e abaixo do parâmetro de equilíbrio utilizado pela Conab”, afirma.

Ele ressalta que a ampliação da capacidade de armazenagem é determinante para manter a qualidade da produção agrícola e reduzir perdas. “O silo se tornou um ativo financeiro. O grão é uma garantia bancária e perdas por falta de estrutura podem gerar prejuízos econômicos relevantes, especialmente para o produtor que precisa comercializar rapidamente a colheita. É necessário suprir a demanda de armazenagem com rigor técnico”, enfatiza.

Bancarização do agronegócio
Na prática, a chamada bancarização do agronegócio transformou o silo em um dos principais aliados do produtor na hora de negociar juros e prazos. Instituições financeiras, Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) e emissores de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) estão trocando as garantias tradicionais por uma avaliação técnica rigorosa da infraestrutura de pós-colheita. Se o projeto é certificado e possui monitoramento de qualidade, o risco operacional cai, facilitando o acesso ao mercado de capitais.

De acordo com Caprioli, esse novo cenário impacta diretamente o custo da operação e a viabilidade do negócio no

Foto: Nathiely Sposito Becaria

longo prazo. “Quando o banco enxerga que o controle técnico dentro da fazenda é consistente e auditável, a confiança no ativo aumenta. Isso se traduz em menos burocracia e em condições de crédito significativamente mais favoráveis, transformando o rigor técnico em um lastro real para o financiamento”, explica.

Conforme o profissional , investir em tecnologia de ponta para o armazenamento é uma das formas mais estratégicas de garantir fôlego para crescer. “Ao assegurar a integridade do grão, o produtor não apenas protege sua safra, mas fortalece sua posição perante financiadores e seguradoras. A armazenagem, portanto, deixou de ser apenas um custo logístico para se tornar um componente central da gestão financeira do produtor”, ressalta.

Fonte: Assessoria AGI Brasil
Continue Lendo

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.