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Crotalária reduz infestações da lagarta-do-cartucho no milho
A Crotalaria juncea é bastante utilizada no sistema de rotação de culturas no Brasil, sendo uma leguminosa que se destaca pela capacidade de fixação de nitrogênio e pela alta produção de massa verde
Escolher corretamente qual planta de cobertura usar no sistema de plantio direto traz impactos sobre a presença maior ou não da lagarta-do-cartucho nas culturas subsequentes. Uma pesquisa que vem sendo realizada pela Embrapa Milho e Sorgo (MG), em conjunto com as universidades federais de Lavras (UFLA) e de São João del-Rei (UFSJ), revela que a Crotalaria juncea é uma das plantas mais apropriadas para a cobertura do solo antes do cultivo das culturas comerciais para se prevenir infestações dessa praga, sobretudo quando comparada a outras plantas de cobertura largamente utilizadas no País para a formação de palha: girassol, as braquiárias decumbens e ruziziensis, milheto, aveia, o tremoço-branco, nabo forrageiro e o próprio milho. Os resultados foram publicados no Bioscience Journal, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).
A Crotalaria juncea é bastante utilizada no sistema de rotação de culturas no Brasil, sendo uma leguminosa que se destaca pela capacidade de fixação de nitrogênio e pela alta produção de massa verde. Os resultados dos experimentos conduzidos tanto em laboratórios quanto em casa de vegetação da Embrapa Milho e Sorgo mostram que essa planta foi a que menos favoreceu a multiplicação e o estabelecimento da lagarta-do-cartucho no milho. A praga, quando alimentada com folhas da leguminosa, acumulou menos biomassa (adquirindo menor peso) e apresentou as menores taxas de sobrevivência. "Quanto menor o desenvolvimento, menor é a capacidade de multiplicação da lagarta", aponta a pesquisadora do Núcleo de Fitossanidade e Armazenamento da Embrapa Milho e Sorgo Simone Martins Mendes, uma das coordenadoras da pesquisa.
Esses dois fatores observados merecem destaque, na visão da pesquisadora, já que pragas polífagas como a lagarta-do-cartucho têm se tornado importantes em sistemas tropicais de cultivo por se aproveitarem das chamadas "pontes verdes", em que a composição vegetal permite a ocorrência de plantas hospedeiras de forma ininterrupta. "Plantas que favorecem uma menor sobrevivência das lagartas devem ser preferidas em condições de alta infestação da praga, como é o caso da crotalária, em que a sobrevivência foi de apenas 7% em condições de casa de vegetação. Ao contrário, o produtor deve ter atenção especial quando utiliza a braquiária como planta de cobertura, pois essa planta favorece a sobrevivência dessa espécie de praga", afirma Simone Mendes. (veja a figura 1 abaixo)

Figura 1 – Sobrevivência da lagarta-do-cartucho em diferentes plantas de cobertura, utilizadas para formação de palhada em plantio direto, em condições de casa de vegetação. Barras seguidas de mesma cor não diferem entre si (Scott & Knott).
A equipe de pesquisa analisou vários parâmetros biológicos da lagarta-do-cartucho nas plantas de cobertura relacionadas e sumarizou todas essas variáveis em um índice, chamado de Índice de Adaptação (IA), que deve ser relativizado em comparação ao milho, por ser a principal planta hospedeira dessa praga. "Observamos que algumas plantas chegam a ser mais propícias que o milho para o desenvolvimento do inseto, como é o caso da braquiária. Já a crotalária se destaca novamente por apresentar um pior índice de adaptação para essa espécie de lagarta", comenta a pesquisadora.

Índice Relativo de adaptação da lagarta-do-cartucho em diferentes plantas de coertura, utilizadas para formação de palhada em plantio direto, em condições de casa de vegetação.
Outro aspecto ainda foi analisado: a severidade dos danos causados pela lagarta-do-cartucho nas folhas utilizadas em sua dieta em todos os estágios de desenvolvimento. A aveia foi a cultura preferida pela lagarta na sua alimentação, com mais danos observados a cada avaliação, tendo suas plantas completamente destruídas após 21 dias. "Por outro lado, a crotalária mostrou-se como a planta menos suscetível em relação a danos, com um padrão de folhas perfuradas em todas as avaliações, o que pode ser explicado pelo baixo índice de sobrevivência do inseto nesse hospedeiro", explica Simone Mendes. "A crotalária se destacou como a planta que menos favoreceu a multiplicação e o estabelecimento da lagarta-do-cartucho", conclui.
Crotalária evitaria efeitos da chamada ‘ponte verde'
Atualmente, pesquisadores têm concentrado seus esforços para investigar se a crotalária possui em sua composição alguma substância que tenha ação repelente em relação a alguns insetos. "A lagarta-do-cartucho é uma praga de difícil controle. Existem populações desse inseto que já ‘quebraram' a resistência a algumas tecnologias transgênicas e a moléculas de certos inseticidas", lembra a pesquisadora Simone Mendes. "A própria arquitetura e a densidade de folhas da leguminosa, que não constitui a formação de cartuchos, como o milho, não condiz com um ambiente propício para o desenvolvimento da lagarta. Associadas a essa característica, a maior umidade e a presença de menores temperaturas onde há plantas de crotalária favorecem a presença de parasitoides e predadores da lagarta", continua.
O papel da leguminosa em programas de Manejo Integrado de Pragas já é reconhecido pela comunidade científica e pelos produtores. A crotalária atua como "abrigo" para espécies de insetos que atuam como agentes de controle biológico, característica observada em plantios diversificados, nos quais não há predominância de apenas uma cultura. Nesse sentido, um trabalho apresentado durante o XXXI Congresso Nacional de Milho e Sorgo, realizado em setembro de 2016, em Bento Gonçalves (RS), analisou a presença de insetos em milho consorciado com a crotalária em diversos arranjos. Os resultados mostram que, realmente, a leguminosa exerce influência sobre a presença de inimigos naturais, como a tesourinha, predador da lagarta-do-cartucho.
A tesourinha é um dos agentes de controle biológico mais eficazes na supressão de pragas na cultura do milho, já que é predador de ovos e lagartas em estágio inicial de desenvolvimento. Os pesquisadores descobriram que a presença de outra espécie de crotalária, – a Crotalaria spectabilis, mais rasteira que a C. juncea – em plantio intercalado com o milho, influenciou na quantidade de tesourinhas encontradas. O experimento foi conduzido na Embrapa Milho e Sorgo em cinco diferentes arranjos espaciais compostos por milho consorciado com sorgo e crotalária, sendo essas duas últimas culturas semeadas 30 dias antes do plantio do milho. Com isso, quando o milho germinou, as plantas consorciadas já estavam previamente estabelecidas, influenciando na presença de insetos benéficos nos diferentes tratamentos.
"Os resultados revelam que o arranjo espacial da crotalária na parcela influenciou diretamente na quantidade de tesourinhas encontradas nas plantas de milho, com aumento de 83% na presença desse predador", afirma o pesquisador Paulo Eduardo de Aquino Ribeiro, da área de Manejo, Conservação e Uso da Flora da Embrapa Milho e Sorgo. Segundo ele, a presença da crotalária nas entrelinhas do milho pode ter proporcionado condições favoráveis à permanência do predador da lagarta na lavoura, seja pela criação de um microclima adequado ao seu estabelecimento (com abrigo, umidade e temperatura), seja pela atração por compostos orgânicos, ou até mesmo pela presença de outros organismos na crotalária que também servem de alimento para as tesourinhas.
Trabalhos anteriores realizados pela equipe do Núcleo de Fitossanidade da Embrapa Milho e Sorgo demonstraram que a presença de tesourinhas em até 70% das plantas é suficiente para manter a população da lagarta-do-cartucho sob controle. Entretanto, normalmente há um descompasso entre a ocorrência de tesourinhas na lavoura do milho (geralmente tardia) e o pico da lagarta-do-cartucho (uma praga inicial). O efeito obtido pela Crotalaria spectabilis nesse experimento, continua o pesquisador Paulo Ribeiro, foi de antecipar a presença da tesourinha na lavoura, de forma que ela pudesse atuar sobre as pragas iniciais, quando o milho está mais vulnerável às pragas.
"O próximo passo é usar os dados da colheita para avaliar o efeito desse consórcio com o plantio antecipado, sobre a produtividade do milho, que pode ser afetada pela competição entre a crotalária já estabelecida na entrelinha e o milho nos primeiros estádios", conclui. Além das tesourinhas, a equipe identificou outros predadores da lagarta-do-cartucho, como joaninhas. "A presença das joaninhas nas lavouras é um indício de que o controle biológico natural está atuando", reforça o pesquisador Ivan Cruz, também da Embrapa Milho e Sorgo, da área de Controle Biológico.
Nitrogênio da crotalária enriquece agroecossistemas
De ciclo vegetativo anual, a crotalária apresenta crescimento inicial muito rápido, uma das vantagens do seu uso no controle de plantas infestantes ou quando se deseja cobrir rapidamente uma área. A espécie Crotalaria juncea produz em média 30 toneladas por hectare por ano de massa verde, sendo que a planta chega a fixar, em um ano, entre 150 e 165 quilos por hectare de nitrogênio. "Ela disponibiliza ainda uma média de 41 quilos por hectare de fósforo e 217 quilos por hectare de potássio", revela o pesquisador Walter Matrangolo, da área de Agroecologia da Embrapa Milho e Sorgo. "A capacidade que a crotalária tem de fornecer elevados teores de nitrogênio e outros nutrientes enriquece os agroecossistemas. Isso é fundamental para a ampliação da biodiversidade de qualquer sistema produtivo, e que as leguminosas realizam em decorrência da relação simbiótica entre elas e as bactérias fixadoras de nitrogênio, que ocorre em suas raízes, dentro dos nódulos", explica.
Em relação à "atração" exercida pela crotalária sobre insetos benéficos, Matrangolo explica que o nitrogênio e outros nutrientes são a base para a formação do pólen, néctar e de outros compostos nutritivos produzidos pelas plantas e que alimentarão esses agentes de controle biológico. "É que muitos desses insetos dependem dos compostos para a sua maturação sexual. Assim como a fêmea do pernilongo precisa de sangue – e dos nutrientes nele contido – para que seus óvulos sejam viáveis, muitas vespas parasitoides da lagarta-do-cartucho dependem da presença de flores nas áreas produtivas para que possam realizar o parasitismo em hospedeiros próximos", mostra o pesquisador.
Segundo ele, insetos predadores da lagarta-do-cartucho, como a joaninha e a tesourinha, não se alimentam exclusivamente de insetos. "Em geral, eles fazem uso de compostos liberados pelas plantas para obterem elementos nutritivos que não encontram nos tecidos de suas presas. Como em seres humanos, os açúcares contidos no néctar são importantes para fornecerem energia de uso imediato aos insetos", comenta. E Matrangolo reforça a importância dos plantios diversificados, que concentram uma maior diversidade de insetos benéficos. "Caso uma área não disponha de flores (um dos motivos pelo qual os monocultivos reduzem a biodiversidade), o parasitoide migrará para outros locais em busca de alimento, seja néctar, pólen ou outro composto. Isso é determinante para sua sobrevivência e para sua maturação sexual", conclui.
Fonte: Embrapa

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Safra de soja do Brasil sobe para 184,7 milhões de toneladas com produtividade recorde na Bahia
Aumento de 6,7% em relação à temporada anterior reflete ganhos em produtividade e área plantada. Mato Grosso mantém liderança na produção, enquanto Rio Grande do Sul sofre com estiagem.

A estimativa da safra brasileira de soja para 2025/26 foi elevada para 184,7 milhões de toneladas, um crescimento de 6,7% em relação ao ciclo anterior e de 0,9% sobre a última revisão, após a consolidação dos dados finais da etapa soja do Rally da Safra, segundo a Agroconsult. O novo número reflete ajustes tanto na produtividade quanto na área plantada, reforçando o cenário de mais uma grande safra no país.
A revisão ocorre após a conclusão dos dois principais levantamentos: o de campo, realizado pelas equipes do Rally da Safra, e o de área plantada, com base em imagens de satélite da ferramenta Cropdata. Com aproximadamente 1.700 lavouras avaliadas em 14 estados e mais de 60 mil quilômetros percorridos desde janeiro, a produtividade nacional foi ajustada de 62,5 para 62,7 sacas por hectare.

Pelo lado da área, a leitura indica 49,1 milhões de hectares plantados com soja, um acréscimo de quase 300 mil hectares em relação à projeção inicial do Rally. Com isso, o ajuste total da safra 2025/26 em relação à estimativa anterior chega a 1,6 milhão de toneladas e, comparando com a temporada anterior, ultrapassa 11,5 milhões de toneladas: 30% desse crescimento ocorre em razão do aumento de área e 70% por ganhos de produtividade.
“Chegamos a um momento decisivo para a definição da safra de soja. É quando consolidamos os dados de campo coletados em todas as regiões do país, respeitando o calendário de colheita de cada área, e os integramos às informações de área plantada, obtidas com o suporte de tecnologias avançadas de processamento de imagens. Esse cruzamento de informações amplia de forma significativa a precisão das estimativas e reforça a confiabilidade dos números da produção nacional”, afirma André Debastiani, coordenador geral do Rally da Safra.
Entre os destaques positivos da safra estão Mato Grosso e Bahia. Com a colheita finalizada, Mato Grosso deve produzir 51,3 milhões de toneladas, mantendo a produtividade em 66 sacas por hectare, estável em relação ao relatório anterior e pouco acima da estimativa inicial do Rally, que era de 65 sacas. “No início do Rally, as lavouras precoces do Mato Grosso já indicavam alto potencial produtivo. Em fevereiro, o excesso de chuvas trouxe preocupação com a qualidade e o peso dos grãos. Ainda assim, os dados finais mostram que o estado sustentou uma produtividade elevada, apoiada pelo maior número de grãos por hectare e bom peso dos grãos”, explica Debastiani.
Na Bahia, com 61% da safra colhida, os dados de campo confirmam uma das maiores revisões positivas da temporada. A produtividade estimada, que era de 66 sacas por hectare em janeiro, subiu para 68 em fevereiro e agora é estimada em 70,3 sacas por hectare, a maior do país. A produção estadual deve alcançar 9,7 milhões de toneladas.

Já o Rio Grande do Sul é o destaque negativo. Com apenas 11% da área colhida – ritmo inferior à média das últimas cinco safras -, o estado sofreu com a estiagem ao longo do ciclo. A estimativa de produtividade em janeiro, que era de 52 sacas por hectare, caiu para 47 sacas em fevereiro e foi ajustada para 48,3 sacas na rodada final. “Apesar da melhora da percepção de potencial do estado, após rodarmos o estado no final de março, a produção ainda deve ficar ligeiramente abaixo das 20 milhões de toneladas”, aponta Debastiani.
Entre os demais estados, houve algumas reduções de estimativas no terço final da colheita, em função de desafios climáticos pontuais. No Mato Grosso do Sul, o início da safra registrou implantação satisfatória, mas a irregularidade climática foi constante ao longo do desenvolvimento. A redução das chuvas e as altas temperaturas aceleraram a colheita, em meio à preocupação com a janela da segunda safra, e a produtividade foi revisada de 62,5 para 60 sacas por hectare.
Em Goiás, a safra se desenvolveu de forma satisfatória, mas a colheita trouxe peso de grãos e qualidade abaixo das expectativas. A produtividade foi reduzida de 67 para 66,2 sacas por hectares no estado.

No Paraná, a irregularidade das chuvas e as altas temperaturas afetaram principalmente as últimas áreas semeadas, em fevereiro e março, reduzindo o peso de grãos. A estimativa saiu de 67 para 66,1 sacas por hectare.
Já outros estados apresentaram revisões positivas. Em Minas Gerais, a combinação de fatores como a semeadura que, apesar dos atrasos, ocorreu de forma segura, sem necessidade de replantios, aliada ao bom nível de investimento nas lavouras e aos volumes adequados de chuva ao longo do desenvolvimento da cultura, resultou em uma produtividade recorde no estado de 68 sacas por hectare.
No Mapitopa, Maranhão e Piauí apresentaram bom peso de grãos em praticamente todas as regiões, o que elevou a produtividade no Maranhão para 64,2 sacas, e no Piauí, agora com 65 sacas por hectare. Já no Tocantins e Pará, as médias devem se manter próximas a 60 sacas por hectare.
Segunda safra de milho
Encerrada a etapa soja, o Rally volta agora seu foco para a segunda safra de milho, que se desenvolve sob maior nível de risco climático em alguns estados. Entre 10 de maio e 15 de junho, as equipes técnicas estarão em campo para avaliar lavouras nos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Paraná. A área estimada pela Agroconsult é de 18,5 milhões de hectares, crescimento de 2,5 % em relação ao ciclo anterior.
A produtividade média é estimada ainda dentro da linha de tendência – em 103,1 sacas por hectare – com produção total de 114,5 milhões de toneladas, o que corresponderia a uma queda de 7,6% frente à safra passada. “O que vai definir o potencial produtivo é o comportamento do clima em abril. Apesar das chuvas de março e dos bons níveis de umidade no solo, os modelos climáticos divergem”, afirma Debastiani, ressaltando: “Enquanto o modelo europeu indica chuvas mais consistentes, o americano projeta volumes abaixo da média, o que mantém o nível de incerteza elevado”.
Segundo ele, lavouras de estados como Goiás dependem de chuvas em abril e na primeira quinzena de maio, enquanto, no Mato Grosso, a necessidade de precipitações se concentra ao longo de abril para garantir o desenvolvimento adequado das lavouras.
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Servidores da defesa agropecuária em regiões de fronteira passam a receber adicional
Medida reconhece condições de trabalho em áreas estratégicas e fortalece fiscalização agropecuária no país.

Servidores que atuam na linha de frente da defesa agropecuária em regiões de fronteira passam a contar com um importante avanço em sua valorização profissional. A Lei nº 15.367/2026, publicada na última terça-feira (31), estende o pagamento do adicional de fronteira aos integrantes do Plano de carreira dos Cargos de atividades Técnicas e Auxiliares de Fiscalização Federal Agropecuária (PCTAF), conforme previsto no artigo 37 da norma.
A medida fortalece diretamente a atuação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em áreas estratégicas, onde equipes desempenham atividades essenciais de vigilância agropecuária internacional, fiscalização e controle sanitário nas zonas de fronteira. A iniciativa também reconhece as condições específicas de trabalho enfrentadas por servidores que atuam nessas unidades, responsáveis por prevenir a entrada de pragas e doenças, garantindo a proteção da agropecuária brasileira e a segurança dos alimentos.
A ampliação do adicional contribui ainda para a fixação de servidores em localidades de difícil acesso, reforçando a presença institucional do Estado em pontos sensíveis para o controle sanitário e o comércio internacional.
Para o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, a medida representa um reconhecimento concreto do trabalho desempenhado pelos servidores. “A extensão do adicional de fronteira é uma conquista importante para os servidores que atuam em regiões estratégicas do país. Essa é uma medida que fortalece a defesa agropecuária e valoriza quem está na linha de frente”, afirmou.
Segundo o presidente da Associação Nacional dos Técnicos de Fiscalização Federal Agropecuária (Anteffa), José Bezerra, a medida

Foto: Divulgação/Mapa
representa uma conquista histórica para a categoria. “Essa é uma pauta pela qual lutamos há cerca de 14 anos. Éramos os únicos profissionais com atividades nas regiões de fronteira sem receber o adicional, enquanto outras carreiras já eram contempladas”, explicou. “Esse reconhecimento é justo, necessário e fortalece ainda mais a atuação nessas regiões”, completou.
Reestruturação e valorização no serviço público
Além da ampliação do adicional de fronteira, a legislação traz um conjunto amplo de medidas voltadas à valorização dos servidores públicos federais.
Entre os principais pontos estão a instituição do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC), os reajustes remuneratórios em diversas carreiras, a criação de novos cargos e estruturas no Executivo Federal e a atualização de gratificações e incentivos funcionais.
A norma também incorpora medidas de modernização administrativa, como a possibilidade de realização de perícias médicas por telemedicina e ajustes nas regras de contratação temporária.
Notícias Em Barcelona, na Espanha
Brasil promove produtos do agronegócio na feira Alimentaria
Pavilhão brasileiro destacou açaí, café, cachaça e alimentos processados, atraindo interesse de visitantes internacionais e ampliando perspectivas comerciais na União Europeia.

O Brasil participou pela primeira vez da Alimentaria, uma das principais feiras internacionais de alimentos, bebidas e gastronomia, realizada na última semana em Barcelona, na Espanha. A participação marcou a estreia do país no evento e fez parte da estratégia de promoção internacional de produtos do agronegócio brasileiro.

Foto: Divulgação/Mapa
Coordenada pela Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (Abimapi), a ação apresentou produtos como açaí, café, cachaça, molhos e alimentos termoprocessados elaborados a partir de matérias-primas nacionais.
O Pavilhão Brasil registrou grande fluxo de visitantes durante os quatro dias da feira, refletindo o interesse internacional pela diversidade de produtos do agro brasileiro e abrindo novas oportunidades de negócios e expansão comercial.
A presença na Alimentaria integra o calendário de ações internacionais do setor, que busca aproximar empresas de

Foto: Joan Roca
canais de distribuição, fortalecer a imagem dos produtos brasileiros no exterior e identificar novos mercados. A participação ocorre em momento de maior aproximação comercial entre Mercosul e União Europeia, com expectativas de ampliar oportunidades para exportações. Em 2025, a UE foi o segundo maior destino das vendas do agronegócio brasileiro, com US$ 25,2 bilhões, 8,6% acima de 2024.
A Alimentaria reúne empresas, compradores e representantes da cadeia de distribuição de diversos países. Em 2026, o evento contou com cerca de 110 mil visitantes e mais de 3.300 expositores.
