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Avicultura Condenação no abate

Critérios de condenação: a visão na Europa, Brasil e Estados Unidos

Especialistas dos três continentes falam sobre os critérios de condenação em seus respectivos países

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Arquivo/OP Rural

Como legislam e manejam a produção avícola nos Estados Unidos, Brasil e União Europeia? Já deferentes métodos, com diferentes resultados. Para comparar os sistemas, o Simpósio Brasil Sul de Avicultura, realizado em abril, reuniu especialistas dos três continentes. O evento foi realizado em abril em Chapecó, SC. Compare e tire suas conclusões.

A visão europeia para os critérios de condenação em abatedouros de aves foi o tema do especialista internacional doutor Philip Paul Hammond. Atualmente, a Europa é considerada um dos mercados mais exigentes quando o assunto é produção de alimentos. Conforme Hammond, na União Europeia, a segurança alimentar é regida pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos. No entanto, cada estado membro tem uma agência responsável própria para implementação das regras diretivas do bloco no bem-estar das aves e a saúde pública da população humana.

No Reino Unido, a agência governamental Food Standards Agency (FSA) realiza, através de fornecedores privados, assistentes de inspeção post mortem – veterinários oficiais que devem estar presentes em todas as plantas durante o abate e processamento.

“O bem-estar animal está no topo da pirâmide de diretrizes da UE com relação à produção e ao abate de aves”, salienta Hammond. Todo o monitoramento é dividido em três etapas: mortalidade, inspeção post mortem e comunicação dos resultados.

Um dos focos do programa é reduzir a superpopulação das criações, estabelecendo uma densidade animal máxima, além de especificar outros requisitos com relação à iluminação, cama, alimentação e ventilação. Veterinários oficiais visitam periodicamente as criações para verificar se há violações dos critérios de bem-estar. “Além disso, os frangos abatidos de cada criador são cruzados e a observância das regras verificada. Registros pós-mortem com relação a dermatites de contato, parasitismos e doenças sistêmicas também podem indicar que o criador não seguiu as regras de bem-estar”, informa o palestrante.

Hammond lembra que a legislação europeia visa assegurar que a carne não contenha anormalidades, alterações fisiopatológicas ou outra contaminação. Por isso, é papel dos veterinários oficiais assegurar que todos os animais que entram em uma planta de processamento estejam de acordo com as regras, através de informações de todo o processo de criação, inspeção ante mortem, bem-estar animal monitorado, inspeção post mortem, amostragem em laboratório especialmente com relação à Salmonella. “Antes de entrar na linha de processamento, cada carga de aves é avaliada. A inspeção também ocorre na linha de abate. Toda carga gera um relatório de condição dos frangos e integra o sistema interno conhecido como Innova”.

Esses relatórios fornecerão dados dos níveis médios de produção de aves em todo Reino Unido, permitindo a comparação trimestral. “O aumento de qualquer indicador levará a uma investigação pela equipe veterinária”.

Na apresentação, Hammond também discorreu sobre as orientações para as lesões encontradas nos frangos abatidos. Lesões generalizadas resultam na rejeição total da carcaça. “Estas lesões podem ter sido geradas por vários fatores. No entanto, o estresse enfrentado pelos frangos durante o transporte é uma das maiores causas de problemas”, exemplifica. Neste sentido, uma série de ações podem aliviar os efeitos negativos desta etapa do processo. Como a densidade de animais, transporte em horários mais frios do dia, proteção à luz direta do sol e ventiladores para aumento do fluxo do ar. “As lesões geralmente são causadas por estresse, no processo de recolha na fazenda, durante o transporte ou condições de estabulação e clima”.

Lesões macroscópicas variam entre 4% e 9,5% em sistemas intensivos de criação. “Qualquer animal rejeitado nos critérios jamais poderá seguir para consumo”. Esses critérios envolvem: aves que chegam mortas ao abatedouro; debilitadas; lesões articulares e artrites; dermatites e celulites; problemas respiratórios; hepatites, entre outros. Os dados atuais do Reino Unido mostram que a prevalência média de lesões micro identificadas nas carcaças varia de 14,5% – 18,1%.

Considerações gerais sobre os critérios europeus de condenação

“Bem-estar e saúde pública são fundamentais na avicultura; embora os fatores de bem-estar estejam relacionados ao processo produtivo na fazenda e no transporte, é no frigorífico que resultados de bem-estar podem ser medidos objetividade; os critérios de condenação variam entre os países com o objetivo de garantir a qualidade e a segurança da carne consumida pelo público; diferenças nos critérios existem devido à legislações diferentes baseadas na interpretação local da ciência e política, risco à segurança alimentar, conformidade e treinamento, custo de produção e disposição de condenação, esquemas de garantia, bem como o mercado para os produtos; fatores legais, políticos, de percepção do consumidor e desafios locais de doenças influenciam nos níveis de condenação, seja de carcaça total ou parcial; o objetivo é garantir o controle ideal de doenças, a biossegurança e o gerenciamento, e bem-estar, bem como ótimas técnicas produtivas, através do controle do processo, manutenção e investimento em novas tecnologias”.

A visão brasileira

Elci Dickel apresentou a visão brasileira com relação aos critérios de condenação em abatedouros de aves. Dickel é médico veterinário, professor doutor da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da Universidade Passo Fundo, RS. Possui vínculos de pesquisa com grupos consolidados da UFRGS e Embrapa Suínos e Aves – Concórdia, SC. É também auditor fiscal federal agropecuário (aposentado) do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Conforme Dickel, a inspeção de produtos de origem animal no Brasil é de responsabilidade do Mapa, através da Secretaria de Defesa Agropecuária, do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal- Dipoa. Com a tecnificação da avicultura no país, o Mapa, editou a Portaria Nº210 de novembro 1998, que trata do Regulamento Técnico da Inspeção Tecnológica e Higiênico, Sanitária de Carne de Aves.

O organograma do Dipoa contempla auditorias nacionais, estaduais e regionais. Nos estabelecimentos, a equipe do SIF é coordenada pelos auditores federais agropecuários, agentes de Inspeção e auxiliares de Inspeção pertencentes às empresas, treinados e coordenados pelo SIF local. A IN 20 de 2016 contempla o controle e monitoramento da Salmonella spp. O Decreto 9.013 de 2017 dispõe sobre o regulamento da inspeção industrial e sanitária de produtos de origem animal (Riispoa). O setor é regido ainda pelo Programa Nacional de Sanidade Avícola (PNSA) instituído em 1994, pelo Programa Nacional de Controles de Resíduos Biológicos (PNCRB) e pelo Programa de Redução de Patógenos.

A inspeção avalia a qualidade higiênico-sanitária dos produtos de origem animal. “Os fiscais verificam se o produto atende aos requisitos mínimos de qualidade para o consumo. Os produtos aprovados recebem um selo de aprovação”, informa Dickel. Além da inspeção nos frigoríficos, o processo produtivo das aves é acompanhado pela equipe técnica dos estabelecimentos, em todas as etapas da criação. “Estes profissionais emitem certificados para cada lote, os quais são verificados pelo SIF local, por ocasião da inspeção ante mortem”, explica Dickel.

A inspeção brasileira, explica Dickel, se dá nas seguintes etapas: manejo pré-abate, inspeção ante mortem, inspeção post mortem, verificação dos programas de autocontrole e certificação sanitária. “A inspeção visa garantir que os produtos de origem animal e seus derivados estejam de acordo com os conceitos de segurança alimentar, atendam as exigências sanitárias e padrões físico-químicos nacionais e internacionais”, esclarece.

Dickel salienta ainda a importância do bem-estar animal em todo o processo produtivo. “Bem-estar animal não é só uma filosofia, acaba por repercutir na carcaça. Portanto, temos que ter em mente que o grande benefício do bem-estar animal é na qualidade das carnes”. Outro ponto relevante, destaca, é a qualificação dos profissionais envolvidos na produção e inspeção. “O veterinário deve estudar a fisiologia das aves, especialmente no Brasil, onde tem quatro estações bem definidas. Precisamos de equipes treinadas para trabalhar com aves, pois se trata de uma matéria-prima que exige cuidados especiais”.

Números

Dados do Mapa referente ao abate de aves em 2018 foram discutidos por Dickel durante a palestra. Os abates estaduais e municipais não estão contemplados na análise. Das 5,7 bilhões de cabeças de aves abatidas no ano passado, 507 milhões apresentaram alguma alteração: – 57,1% tecnopatias, defeitos de criação ou de processamento – a maior parte por processamento. É um número expressivo, mas nem todas são condenadas; 22% são processos inflamatórios; 20% defeitos fisiológicos – 91% dos processos fisiológicos são as miopatias.

Diante destes números, Dickel avalia que os desafios do setor são gigantes. Conforme ele, entre as tecnopatias, 61% são contaminação de carcaça; 29% contusões e fraturas. “Precisamos alinhar procedimentos. Embora as apanhas das aves sejam realizadas por equipes, os números mostram que falta qualificação para tal. Penso que a inspeção brasileira precisa refletir e aprimorar alguns aspectos”, salienta.

Para Dickel, observar os padrões de qualidade e as recomendações legais é fundamental para obter uma carcaça de qualidade. “Temos que utilizar critérios e padrões uniformes, isso é essencial”. Ele também reclama a falta de agilidade. “Precisa-se mudar as regras conforme a ciência evolui, utilizar ferramentas e novas tecnologias”.

Resumo das necessidades do setor, conforme Elci Dickel: educação continuada (reciclagem) para a equipe de fiscalização; preenchimento de vagas com técnicos concursados; treinar os funcionários envolvidos com a gestão de qualidade; técnicos com conhecimento dos processos industriais; incorporação de novas tecnologias para melhorar a inspeção; padronização nacional de nomenclatura e destinos para as carcaças e vísceras com alterações; treinar os funcionários e incorporar o uso de sistemas de inteligência artificial afim de evitar desperdício; atualizar os dados nacionais e mais acessíveis; maior controle sanitário-oficial na criação dos animais para abate e industrialização. “Temos a responsabilidade de fornecer frangos de qualidade para qualquer parte do planeta que consuma nossa carne”, sustenta.

A visão estadunidense

O norte americano Mike Casto falou sobre a visão americana para os critérios de condenação no abate de aves. Casto é especialista em abatedouro e integra o Suporte Técnico Mundial da Cobb-Vantress.

A Salmonella é um patógeno que contamina a carne durante o abate e o processamento. Nas pessoas, pode provocar diarreia, dor abdominal e febre. Durante o abate e o processamento dos frangos, a presença de Salmonella spp. nos intestinos, pele e penas resulta em contaminação da carne e seus subprodutos. A Comissão Internacional para Especificações Microbiológicas em Alimentos define como pontos críticos gerais de controle (PCC) para o abate de frangos o escaldamento, a lavagem após a depenagem, a lavagem após a evisceração e o pré-resfriamento.

Mike Casto informa que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) vem trabalhando na modernização de seu sistema de inspeção de aves ao longo de duas décadas – um sistema que foi originalmente desenvolvido na década de 1950. O Serviço de Inspeção e Segurança Alimentar do USDA (FSIS) relatou em 1997 que estudos da Academia Nacional de Ciências, do General Accounting Office e do USDA “estabeleceram a necessidade de mudanças fundamentais no programa de inspeção de carnes e aves do USDA”.

Tolerância zero

Um programa piloto foi implementado em 1997 em 20 plantas de frango, chamado Projeto de Modelos de Inspeção Baseado em HACCP, ou HIMP. O objetivo do HIMP era testar um sistema alternativo de inspeção de segurança alimentar que buscava diminuir a contaminação por patógenos. Segundo Casto, ao longo dessas duas décadas tem sido estudado, debatido e revisado visando a modernização da inspeção de frango, melhorar a segurança alimentar e proteger os trabalhadores.

Conforme Casto, neste controle mais rígido iniciado na década de 1990, o USDA determinou tolerância zero para contaminação por Salmonella e outros patógenos nas carcaças de frango. “O que parecia simples acabou revelando-se um gigantesco desafio, devida às dificuldades técnicas de adaptação ao novo sistema. Muitas plantas não estavam preparadas para tal”, afirma. Tanto o setor produtivo quanto a indústria precisaram desenvolver tecnologias para atender ao programa governamental. “Foi preciso garantir que nenhuma carcaça enviada ao resfriamento tivesse qualquer material fecal visível, uma tentativa de minimizar ao máximo a probabilidade de contaminação por Salmonella”, recorda.

Logo percebeu-se que o problema era maior do que o esperado e o sistema de processamento e limpeza não dava conta de atender aos padrões, afirma Casto. Se qualquer material fecal fosse encontrado em uma carcaça, a linha de processamento devia ser imediatamente interrompida. Medidas corretivas e preventivas eram tomadas antes que a linha de processamento fosse reiniciada. Isso, segundo Casto, significava avaliar cada peça dos equipamentos para determinar a causa da falha o que, naturalmente, gerava um alto custo produtivo.

Solução

No entanto, a solução para o problema da contaminação não estava estritamente na indústria, mas começava nas fazendas. Estudos indicaram que retirar a ração dos frangos ainda no galpão – respeitando uma janela de 8 a 12 horas antes da chegada à linha de abate, diminui as chances de contaminação. Os frangos continuavam bebendo água para promover a digestão e o descarte adequado do conteúdo intestinal, até a recolha das aves e envio ao abatedouro.

“Os intestinos vazios representam uma diminuição considerável da contaminação nas linhas de abate”, afirma Casto. A partir desta constatação, a cadeia norte-americana de produção de aves desenvolveu um programa que garante a retirada do trato naturalmente, ainda na fazenda. Já na indústria, simula-se as condições da fazenda, mantendo os frangos o mais confortável possível até limpar totalmente o trato intestinal. A permanência mínima nesse espaço é de duas horas.

Na linha de abate, outras medidas foram observadas, como a velocidade de fluxo das aves adequado e temperatura de escaldagem não muito alta. “Neste momento, cuidado aos detalhes e uniformidade das aves abatidas é fundamental”, resume Casto. Ele comenta que foi preciso mudar ainda o processo de lavagem das aves. “A indústria de engenharia logo aprendeu maneiras criativas de construir sistemas de lavagem de gabinete, alguns com escovas, que usavam vários estilos de bicos de alta pressão. Ângulos ajustáveis para o fluxo direcional atingem áreas difíceis de alcançar”, exemplifica.

O resultado foi que, na maioria das plantas norte-americanas, houve uma redução significativa em todos os fatores de contaminação desde o início do programa tolerância zero. “Os ajustes de manejo, fluxo de abate e equipamentos fizeram uma diferença significativa no objetivo de reduzir ao máximo a contaminação por patógenos”, sintetiza.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de junho/julho de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Mercado

“Novos” concorrentes da avicultura brasileira tomam crescimento do mercado para si

Segundo especialista, novos mercados estão surgindo e o Brasil precisa competir com esses “novos jogadores”

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Arquivo/OP Rural

O mercado é dinâmico. Ele está sempre em constante mudança e evolução. Por conta disso, é preciso que o setor pecuário esteja atento a estas mudanças e ao que está acontecendo em todo o cenário mundial. Isso porque o mercado muda a partir do que os consumidores pensam a respeito de determinados produtos. Na avicultura, a situação não é diferente e as empresas devem estar atenta a estas mudanças e se aproveitar de cada situação para continuar competitiva. Com mais gente no mundo e pessoas com mais renda, há maior demanda de carnes, um espaço que pode ser ocupado por Brasil ou outros jogadores, como Turquia, Ucrânia e Tailândia.

O consultor doutor Antônio Mário Penz Júnior citou algumas das mudanças que estão acontecendo no cenário mundial atualmente e como elas estão afetando diretamente o consumo e a avicultura em geral. O profissional esteve em Marechal Cândido Rondon, PR, durante o Seminário Anual de Produtores de Aves, realizado pela Cooperativa Copagril, falando sobre o assunto.

Segundo ele, é preciso que o produtor entenda o cenário mundial para saber como lidar com as mudanças que estão acontecendo. Ele explica que atualmente a geração Y, também conhecida como os Millennials, que são as pessoas entre 18 e 34 anos, são quem estão dominando o mundo. “Dados dos Estados Unidos de 2015 mostram que 23% da população norte-americana é formada por millennials. Lá, quase 70% da população ativa atualmente faz parte dessa juventude que não compra carro, que mudou muita coisa, mas que tem poder aquisitivo. É uma sociedade nova que precisamos entender”, afirma.

Apesar disso, Penz diz ser necessário olhar para o outro lado do mundo, que ainda é diferente. “A população da Índia deverá ultrapassar a da China nos próximos anos. Daí vocês acham que o senhor indiano está preocupado com as mesmas coisas que os jovens norte-americanos? Não! Nós, como brasileiros, vamos alimentar os millennials, mas também temos que entender que existe esse povo que precisa se alimentar também”, conta. Ele acrescenta que atualmente no mundo existem quase 1,4 bilhão de pessoas, e mesmo existindo quase seis milhões de vegetarianos, o restante ainda consome aproximadamente dois quilos per capita/ano de carne de frango. “Eles vão comer, porque muitos estão saindo do meio rural para ir para o urbano, deixando de ser produtores para ser consumidores”, explica.

As mudanças no mundo ao longo dos anos foram grandes, afirma Penz. Ele informa que o consumo na África tem aumentado. “Então, os africanos, mesmo com todas as dificuldades financeiras, são grandes consumidores de carne. O consumo de carne é absolutamente impressionante. Eles, assim como em outros países, são aqueles que os millennials não se dão conta de que uma em cada 10 pessoas não tem acesso a comida suficiente”, mostra. O consultor afirma que a África é um local em que não somente a população, como também o consumo irá crescer. “E nessa hora nós estaremos prontos para atendê-los”, diz.

Novo mundo, novas tendências

De acordo com Penz, é importante que o produtor se de conta de algumas “loucuradas” que estão surgindo no mundo. Ele cita algumas, como por exemplo a famosa campanha do Beatle Paul McCartney que em 2009 criou a “Segunda sem carne”. “Isso é basicamente em que todas as segundas-feiras não se come carne. E o que é mais surpreendente é que em alguns locais, como em Porto Alegre, por exemplo, existem pessoas que querem implantar esse projeto em escolas”, comenta.

Outros exemplos citados pelo consultor foi a Nestlé, que é uma grande produtora de alimentos a base de leite, lançou uma linha vegana de hambúrgueres; a JBS também lançou um hambúrguer vegano e a Mantiqueira apresentou um ovo vegano. “É um mundo louco que estamos vivendo, mas que precisamos entender que a população precisa de comida”, diz.

Carne de frango é sustentável

Penz comenta que não está preocupado quanto ao consumo de carne de frango no mundo. Isso, porque os países em desenvolvimento, segundo ele, comerão o dobro de carne. “Porque sabemos que quanto maiores os recursos financeiros, a primeira coisa que acontece é aumentar o consumo de alimentos, principalmente de carne”, afirma. Além disso, o frango tem uma vantagem que outras proteínas não têm: não há restrição religiosa. “O suíno, por exemplo, tem, mas o frango não. Não tem nenhuma restrição que diga que não pode comer carne de frango”, comenta.

Outro detalhe citado por ele é o quanto a avicultura é, muitas vezes, mais sustentável que outras cadeias produtivas. “Várias instituições de pesquisa mostram que para se produzir um quilo de frango são gastos quatro mil litros de água. Esse cálculo vem desde a produção do milho, o gasto com caminhão, eles somam tudo. Então, cada vez que você come um quilo de frango, quatro mil litros de água foram gastos. Mas, se formos comparar, no bovino esse número sobre para 17 mil”, mostra. Então, de acordo com Penz, visto por este ângulo o frango consome pouca água. “Isso também pode ser visto, por exemplo na emissão de CO². O frango gasta muito menos. Então, sob o ponto de vista de preservação do meio ambiente, nós temos condições de dizer que somos pró meio-ambiente. Não podemos ser taxados de destruidores do ambiente, porque não somos”, diz.

Mercado é dinâmico

Quanto ao Brasil, diversas mudanças ocorreram ao longo dos anos, segundo Penz. “A produção da carne brasileira vinha bem até 2011, 2012, depois não aumentou mais. O consumo, a mesma coisa, vinha crescendo até 2011 e depois estagnou”, informa. “Por que parou? Porque até mesmo os mais favorecidos ficaram sem dinheiro”, explica.

O consultor informa que o mercado é dinâmico e é preciso que o Brasil esteja atento a isso. “A Europa briga tanto conosco porque no ano passado eles aumentaram em 6% as exportações. Isso é 1/3 da nossa, por isso eles estão tão desesperados”, diz. Porém, apesar disso, é preciso que o Brasil fique atento porque outros mercados estão surgindo. “A Tailândia aumentou as exportações em 8%, a Turquia em 15% e a Ucrânia aumentou 21%. Ou seja, há novos jogadores nesse mercado”, afirma.

Penz reitera a necessidade de o Brasil estar mais atento quanto a estes novos mercados pelo fato deles estarem de olho nos atuais mercados que são do Brasil. “Por isso, ou matamos a salmonella ou ela nos mata. Eu vou mostrar um caso: a doença da vaca louca aconteceu em 2003 nos Estados Unidos. A doença foi detectada em um animal, não em um milhão; em um. Por conta disso, as exportações de carne bovina deles caíram em mais de um milhão de toneladas. Um animal gerou um milhão de toneladas em prejuízos de exportação. Que, aliás, nunca mais voltou, porque quando os norte-americanos perderam esse espaço, quem ocupou foi o Brasil”, conta.

Outro exemplo citado foi quanto aos casos de Influenza Aviária, também nos EUA. “Os norte-americanos perderam 2% da exportação mundial. Quem pegou? O Brasil. Mas, em 2016 tivemos todos os problemas da Operação Carne Fraca, com salmonella e o que aconteceu? Estes novos jogadores que citei ocuparam esse mercado deixado aberto por nós. Por isso é preciso que nós, avicultores, tenhamos responsabilidade e cuidemos melhor da nossa biosseguridade, que é o nosso maior bem”, aponta.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de setembro/outubro de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Saúde Animal

Ação lenta do butirato melhora desempenho de aves jovens e estressadas

Escolha da forma química é muito importante, pois determina o local de liberação e concentração do produto

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito pelo departamento Técnico da Impextraco

As principais características de um intestino saudável são definidas por uma microbiota bem equilibrada, uma imunidade ótima e uma boa função de barreira com perfeita digestão e absorção. O ácido butírico é um ácido graxo de cadeia curta produzido por várias bactérias benéficas presentes no intestino, como por exemplo Clostridial cluster IV e XIVa, ou pode ser adicionado exogenamente à dieta. O uso terapêutico de antibióticos pode alterar a funcionalidade do microbioma e reduzir seriamente a produção de butirato endógeno, dando a oportunidade para que aditivos à base de butirato restaurem o desempenho zootécnico. Na maioria dos casos, o butirato é adicionado na forma de um sal revestido ou na sua forma esterificada.

A escolha da forma química é muito importante, pois determina o local de liberação e concentração do produto. Nos últimos anos, o butirato de cálcio revestido ganhou mais participação de mercado devido à alta concentração e baixa solubilidade (visando todo o trato gastrointestinal). Com o aumento da pressão para reduzir o uso de antibióticos, o butirato, que aumenta a saúde intestinal através dos modos de ação descritos em seguida, está se tornando mais uma vez um tema relevante. No entanto, novas pesquisas têm demonstrado que o local de sua liberação desempenha um papel fundamental na intensidade da resposta do animal, afetando, entre outros fatores, o gradiente de oxigênio e o tempo de retenção da digestão.

Impacto sobre a Salmonella

A adição de ácido butírico ou butirato à ração estimulará a flora benéfica, inibindo os patogênicos, com ação específica contra a Salmonella. Para ser invasiva, as bactérias precisam se aderir às células epiteliais e induzir uma absorção bacteriana. Estas duas ações são reguladas por genes específicos que estão agrupados no genoma da bactéria e localizados na Ilha de Patogenicidade de Salmonella-1 (IPS-1). O butirato tem a capacidade única de infra-regulação do IPS-1, tornando impossível a fixação e invasão da parede intestinal. Como resultado, a Salmonella não será capaz de colonizar o intestino e invadir o organismo, diminuindo a sua transmissão entre as aves do lote.

Barreira intestinal

O ácido butírico desempenha um papel fundamental na manutenção da barreira intestinal: o revestimento epitelial, bem como as junções celulares, a união entre as células epiteliais são promovidas. O crescimento das vilosidades é estimulado por uma ação de duas vias do ácido butírico: a proliferação e diferenciação celular são estimuladas, enquanto que a morte natural das células no topo da vilosidade, também conhecida como apoptose, é inibida. Além disso, o ácido butírico é o combustível metabólico de eleição dos colonócitos. Um revestimento intestinal ideal é a barreira perfeita contra patógenos e toxinas.

Digestão e absorção de nutrientes

A digestão e absorção eficiente de nutrientes é a chave para um ótimo desempenho. A etapa final da digestão de carboidratos e proteínas ocorre bem sobre enterócitos do intestino delgado. As enzimas responsáveis por esse estágio terminal da digestão se ligam à membrana plasmática dos enterócitos, composta de numerosas microvilosidades que se estendem da célula e constituem a “borda estriada”. Portanto, as enzimas incorporadas nessas microvilosidades são denominadas enzimas de borda estriada. Como o butirato estimula o crescimento das vilosidades, essa borda estriada será expandida e a atividade enzimática será aumentada. Além disso, a superfície de absorção será aumentada e os nutrientes serão absorvidos eficientemente.

Imunidade

O butirato tem a capacidade de direcionar o sistema imunológico para um estado de proteção não exacerbado. Sabe-se que o butirato estimula a imunidade específica (adquirida) e impede uma reação excessiva da imunidade inata.  A reação inflamatória em excesso, o que acarreta o consumo adicional de energia e nutrientes, será reduzida, enquanto que a imunidade adquirida, que implica na resposta específica a agentes invasores e à vacinação, será estimulada.

Papel do butirato no gradiente de oxigênio no cólon

Nas células animais, incluindo os colonócitos, a energia é preferencialmente gerada pela respiração celular aeróbica. O oxigênio é transportado para as células epiteliais do intestino pelo sangue para atender a essa demanda. Em contraste com outros tipos de células, os colonócitos utilizam o butirato como principal fonte de energia, enquanto que para a maioria das demais células, utiliza-se a glicose. Durante um processo chamado de β-oxidação, tanto o oxigênio quanto o butirato são consumidos pelos colonócitos para produzir ATP (adenina trifosfato), forma bioativa que fornece energia para processos celulares metabólicos. A natureza se adaptou muito bem a isso, tanto a microflora, produzindo butirato, quanto o animal, consumindo o butirato, co-evoluiu para estabelecer esse metabolismo benéfico nos colonócitos.

Liberação

À medida que a natureza nos conduz ao caminho, aditivos para ração baseados em uma fonte altamente concentrada de butirato de cálcio revestido, podem melhorar consideravelmente a saúde intestinal. A liberação lenta e a entrega precisa de butirato no cólon resultam no efeito desejável de fornecer a energia necessária para os colonócitos e criar um ambiente anaeróbico favorável para promover a microflora produtora de butirato e suprimir a microflora patogênica.

Uma das principais funcionalidades do butirato de cálcio revestido tem como alvo o cólon e sua microflora, fornecendo butirato extra no lúmen do intestino. O modo de ação baseia-se em estimular a β-oxidação de butirato e oxigênio nos colonócitos, criando gradiente de butirato e gradiente de oxigênio. Consequentemente, o extravazamento de oxigênio dos enterócitos para o lúmen do intestino é evitado e, assim, o crescimento de microrganismos patogênicos aeróbicos é evitado. Uma vez no cólon, o oxigênio que entra no trato intestinal através da ração já é consumido pela microflora no intestino delgado. Como resultado, esse ambiente anaeróbio criado no lúmen do intestino estimula bactérias anaeróbicas produtoras de butirato a produzir mais butirato, aumentando esse ciclo positivo de alta concentração de butirato e baixa concentração de oxigênio no lúmen. Ao mesmo tempo, as condições anaeróbicas agem de forma supressiva no desenvolvimento de patógenos, criando um habitat para bactérias benéficas, como bactérias ácido-láticas. Por sua vez, as bactérias ácido-láticas têm a capacidade de produzir compostos antibacterianos eficazes contra patógenos, aumentando ainda mais sua presença benéfica neste biótopo.

Mais vulneráveis

Especialmente em animais jovens ou estressados, estimular um intestino saudável é um desafio. Primeiramente, microrganismos presentes no ambiente entram no animal através da ração  e da água. Apenas uma microflora endógena robusta pode superar o crescimento excessivo de patógenos indesejados que entram por via oral. Além disso, animais jovens em pleno desenvolvimento intestinal têm uma alta necessidade energética e, ao mesmo tempo, estão apenas começando a estabelecer uma microflora produtora de butirato. A adição de uma fonte de butirato exógeno pode auxiliar na construção e restauração do equilíbrio entre a produção de butirato e consumo de oxigênio, quebrando assim o ciclo negativo de liberação de oxigênio no lúmen e desequilíbrio da microflora.

Papel do butirato no aumento do tempo de retenção do trato intestinal

Em um estudo recente em frangos de corte, o aumento da concentração de butirato no trato intestinal resultou em um aumento significativo no tempo de retenção do trato total e uma melhora numérica na digestibilidade de aminoácidos. Com base nesses resultados, há uma relação entre o aumento do butirato sobre o colon e a digestibilidade de aminoácidos.

Conclusão

Uma fonte de butirato revestido de alta qualidade é uma ferramenta valiosa para melhorar o desempenho de animais jovens e estressados, dando suporte para o desenvolvimento do intestino e, assim, melhorando a digestão e absorção de nutrientes. Graças à tecnologia de liberação lenta, a suplementação de butirato de cálcio estimula a microflora e os enterócitos em direção à homeostase intestinal. Isso resulta em uma melhor digestibilidade, melhor desempenho e animais mais saudáveis.

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Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Ambiente

Reduzir o estresse na produção avícola: e se o “Better-Being” fosse a solução?

Nível de estresse sentido pelo animal torna-se então o fator que limita a expressão do seu desempenho

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Artigo escrito pela equipe técnica da Phodé

A melhoria da produção avícola passa em grande parte pela gestão dos parâmetros ambientais da produção: alimentação, meio ambiente, sanidade, etc. Queremos um maior rendimento por parte dos animais, porém muitas vezes o consideramos pouco quando analisamos suas relações com o ambiente em que vive. Ao criar condições propícias à produtividade, criamos ao contrário fatores de estresse para o animal. O nível de estresse sentido pelo animal torna-se então o fator que limita a expressão do seu desempenho.

O estresse de alta densidade na produção de animais e a redução de desempenho individual

As altas densidades de produção sempre levam a uma redução do consumo de alimento, acarretando uma redução dos indicadores de crescimento. Esta ação é amplamente compensada pelo ganho de produtividade por galpão ocasionado pelo excesso de densidade. Entretanto, quando se aumenta a densidade de produção, o desempenho individual dos animais diminui. Este modo de manejo de produção é observado em todas as situações independente do nível dos equipamentos da propriedade. Mesmo nos galpões com baixo nível de equipamentos e com densidade de produção mais baixa, devemos ter cuidado pois a densidade real ainda é alta, devido a falta de equipamentos e particularmente quando os animais estão passando por estresse térmico. Na situação de estresse térmico, a densidade é ainda menos tolerada pelos animais e o desempenho baixa rapidamente.

O que é a termogênese alimentar?

Os nutricionistas consideram que a diminuição do consumo de alimentos em situação de estresse térmico é uma adaptação metabólica assim, os animais reduzem a produção de calor ligada ao consumo de alimentos (termogênese alimentar). Devido a adaptação metabólica é difícil propor estratégias para aumentar a ingestão energética, a qual poderia causar à morte do animal por hipertermia. Uma outra abordagem consiste em considerar os efeitos do estresse térmico, como mais uma forma de estresse, o qual proporciona um aumento do cortisol induzindo uma diminuição do apetite e uma baixa adaptação dos animais. Assim, reduzir a percepção deste estresse permitiria aos animais exteriorizar um comportamento natural e adaptado a esta situação, ou seja, beber água. Estando mais hidratados e com capacidade de eliminar o calor produzido pela ingestão de alimentos, os animais comem mais regularmente. Resolver este problema nutricional através de uma solução de adaptação comportamental simples permite controlar o nível de estresse ligado à densidade na produção

O custo econômico do estresse

A redução do desempenho devido ao estresse representa um custo considerável. A título de ilustração, globalmente falando a redução do crescimento devido à alta densidade de produção, representa em média 50g de peso vivo, ou seja, em 1 milhão de frangos, uma perda de 50 mil euros. Em situação de estresse térmico, a quantidade das perdas ultrapassa 200 mil euros por 1 milhão de animais. Geralmente considera-se que 1/3 destas perdas são devido à mortalidade e 2/3 às reduções do desempenho de crescimento.

Da mesma forma, a produção de ovos também é particularmente afetada pela densidade e pela transferência dos animais. Neste caso as perdas podem ultrapassar facilmente 150 mil euros a cada 1 milhão de poedeiras. De maneira semelhante, 1/3 da perda esta relacionado a mortalidade, enquanto 2/3 às reduções do desempenho na postura.

O conceito do “Better-Being” e seu enfoque holístico

O conceito do “Better-Being” na produção animal foi desenvolvido a fim de reduzir as consequências do estresse na produção moderna. Ao colocar o animal no centro da sua abordagem, se propõe uma solução inovadora que permite que o animal use ao máximo o ambiente que lhe é oferecido em um estado de “Better-Being”, ou seja, diminuindo a percepção dos fatores estressantes. Trabalhos de pesquisas fundamentam que moléculas olfativas desencadeiam efeitos na redução da percepção do estresse. O modo de ação neuro-sensorial destas moléculas, foi testado e validado por pesquisadores ao redor do mundo. Elas atuam no cérebro modulando a percepção do estresse, estimulando o circuito da recompensa e favorecendo assim os comportamentos mais adaptados ao estresse percebido pelo animal.

Com o objetivo de reduzir o estresse psicossocial, após avaliação as moléculas neuro-sensoriais apresentam ótimo desempenho frente a situações de estresse típicas da produção intensiva, tais como: estresse térmico, estresse de densidade, estresse de manejo e estresse na separação de lotes.

O uso de moléculas neuro-sensoriais para animais em situação de estresse térmico e de densidade

A universidade de La Molina (Peru) realizou um estudo comparativo de 3 grupos de animais:

  • um grupo controle de animais criados em baixa densidade (10/m²)
  • um grupo criado em alta densidade (12/m²)
  • um grupo criado em alta densidade (12/m²) tratado com moléculas neuro-sensoriais (250 ppm na ração).

O simples aumento de 2 frangos/m² aumenta significativamente os indicadores de estresse.

A observação de indicadores comportamentais nos permite analisar a adaptação do animal ao seu ambiente e o seu bem-estar nas condições de produção.

No caso das aves, o teste de imobilidade tônica (Galup, 1974) é uma referência.

O nível de cortisol é o indicador metabólico do nível de estresse do animal.

Os indicadores aumentam à partir da 4a semana de produção, onde o estresse de densidade começa a ser sentido por causa do tamanho dos animais.

Obviamente, o consumo alimentar é reduzido e como consequência causa uma diminuição do peso individual bem como o índice de consumo.

O uso de moléculas neuro-sensoriais permite bloquear a percepção do estresse, onde os indicadores do estresse permanecem semelhantes aos do grupo de baixa densidade. O consumo é significativamente melhorado bem como o crescimento e o índice de consumo.

Graças a esta solução neuro-sensorial, os animais se adaptam melhor ao ambiente. Sabendo-se que o estresse está presente em todas as fases de produção, desde a chegada até o dia da retirada, é fácil imaginar que a sua aplicação de maneira contínua permite um aumento significativo na produção, bem como uma grande redução na mortalidade causada por brigas ou até mesmo pelos diversos fatores de estresse (vacinação, retirada, transporte…).

O uso de moléculas neuro-sensoriais sustenta o bom desempenho na produção animal mais exigentes, através da consideração do “Better-Being” individual de cada animal.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de setembro/outubro de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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