Conectado com

Suínos

Crise de mão de obra nas granjas: falta gente ou estamos perdendo gente?

Da contratação de estrangeiros ao desenvolvimento dos líderes operacionais, o setor talvez precise olhar com mais atenção para a experiência que as pessoas vivem depois que entram na granja.

Publicado em

em

Fotos: ChatGPT Image

A falta de mão de obra se tornou um dos assuntos mais frequentes da Suinocultura. Basta reunir produtores, gerentes ou encarregados para que, em poucos minutos, a conversa chegue ao mesmo ponto: está cada vez mais difícil encontrar pessoas para trabalhar nas granjas.

“Hoje ninguém quer trabalhar” costuma ser a frase que aparece logo em seguida. E ela não surge por acaso. As vagas demoram mais para ser preenchidas, os processos seletivos ficaram mais difíceis e muitas equipes trabalham constantemente abaixo do número ideal de pessoas.

Mas existe uma reflexão que merece espaço nessa discussão. Quando um funcionário entra na granja, ele normalmente chega porque existe algum motivo para estar ali. Pode ser a necessidade de sustentar a família, a oportunidade de aprender uma profissão, a proximidade de casa ou simplesmente a expectativa de construir uma fase melhor da vida.

Alguns já chegam imaginando uma passagem curta. Outros acreditam que podem permanecer por muitos anos. O que chama atenção é que uma parte dessas pessoas muda de ideia ao longo do caminho.

Depois de anos realizando diagnósticos de engajamento, treinamentos e programas de desenvolvimento de liderança em granjas de diferentes regiões do país, ouvi inúmeras histórias de profissionais que chegaram dispostos a ficar. Em algum momento da trajetória deles, porém, algo aconteceu. E a pergunta que mais me interessa não é porque essas pessoas entraram. Mas porque decidiram sair.

Lembro de uma granja em que o gerente estava genuinamente frustrado com a dificuldade de manter os funcionários novos. A explicação parecia simples: que as pessoas não queriam mais trabalhar, e que fugiam de serviço pesado, principalmente aquelas que nunca haviam trabalhado em granja, que hoje é a grande maioria.

Quando começamos a ouvir a equipe, surgiram outros elementos da história. Um funcionário recebia uma orientação pela manhã e outra diferente à tarde, dependendo de quem estivesse conduzindo o turno. Falta de suporte e treinamento suficiente para dar segurança a quem estava começando. Mudanças de atividade ou até de setor aconteciam sem explicação. Algumas dúvidas simples demoravam dias para serem esclarecidas.

Artigo escrito por Leandro Trindade é médico-veterinário, técnico agrícola, educador profissional rural, especialista em liderança e comunicação e criador do Método BPL® – Boas Práticas de Liderança em Granjas.

Nenhuma dessas situações parecia grave quando observada isoladamente. O problema é que elas não aconteciam isoladamente. Eram pequenas experiências que se repetiam semana após semana e, aos poucos, desgastavam quem havia chegado motivado.

Em outra granja, conversei com um supervisor extremamente dedicado. Ele acompanhava indicadores, era hábil em resolver os problemas operacionais, organizava manejos e mantinha a rotina funcionando. Ainda assim, percebia que havia algo faltando. Com o tempo, descobriu que praticamente não sobrava espaço para estar próximo da equipe.

Quando conseguiu reorganizar parte da rotina e dedicar mais atenção às pessoas, a comunicação melhorou, os problemas passaram a ser vistos com mais antecedência e o ambiente de trabalho ficou mais previsível.

Não houve nenhuma solução extraordinária. Apenas uma percepção de que gerir pessoas também precisava fazer parte da agenda.

Histórias como essas apontam para uma realidade que o setor talvez precise discutir com mais profundidade. Grande parte dos encarregados e supervisores chegou à liderança porque domina tecnicamente o trabalho ou porque era quem tinha mais tempo de serviço. São profissionais experientes, conhecem os processos, resolvem problemas e ajudam a sustentar os resultados da produção. E isso faz todo sentido.

O desafio é que liderar pessoas exige habilidades que raramente fizeram parte da formação desses profissionais. Escutar de verdade, orientar com clareza, receber bem quem está chegando, conduzir conversas difíceis, lidar com conflitos e alinhar expectativas são tarefas muito diferentes de executar um manejo ou acompanhar um indicador. São competências que precisam ser aprendidas e desenvolvidas.

Quando esse preparo não existe, muitos líderes acabam enfrentando situações para as quais nunca foram treinados. E não parece razoável cobrar de alguém exatamente aquilo que ninguém se preocupou em ensinar.

Nos últimos anos, muitas granjas passaram a contar cada vez mais com trabalhadores estrangeiros para manter suas equipes. Essa tem sido uma alternativa importante para reduzir os impactos da escassez de mão de obra e permitir que muitas operações continuem funcionando.

Mas existe uma observação importante. Os mesmos fatores que frequentemente levam trabalhadores brasileiros a desistirem também costumam afetar os estrangeiros depois de algum tempo. Em muitas situações, eles trocam de granja, migram para outros setores da economia ou seguem caminhos diferentes daqueles imaginados quando chegaram. Isso acontece porque a nacionalidade muda, mas as necessidades humanas continuam muito parecidas.

Quem chega de outro país também precisa entender com clareza suas atribuições, receber orientação adequada, sentir respeito, construir relações de confiança e enxergar perspectivas para seguir em frente.

Por isso, a contratação de estrangeiros ajuda a aliviar um problema imediato de disponibilidade de pessoas, mas dificilmente resolve sozinha as causas que levam alguém a permanecer ou sair de uma empresa.

Não faz muito tempo, durante um encontro que promovi com gestores de granjas de diferentes estados brasileiros, um assunto apareceu repetidamente. Independentemente da região, do tamanho da equipe ou do sistema de produção, a preocupação era muito parecida: como formar equipes mais estáveis.

Foi interessante perceber que as respostas raramente passavam apenas por salário ou bonificação. A conversa acabava chegando em temas como comunicação, clareza, confiança, treinamento, integração e relacionamento entre líderes e equipes.

Isso não significa ignorar a crise de mão de obra. Ela existe e continuará sendo um dos grandes desafios da suinocultura. Mas talvez uma parte importante da solução esteja justamente naquilo que continua sob nosso controle.

Não temos como decidir quantas pessoas estarão disponíveis no mercado de trabalho amanhã. Temos, porém, influência sobre a experiência que elas encontram depois que entram na granja.

Por isso, uma das perguntas mais estratégicas para o setor talvez não seja apenas como contratar mais gente. Mas entender o que faz alguém que pretendia ficar, decidir ir embora.

Responder essa pergunta exige olhar para além do mercado e voltar a atenção também para dentro das próprias granjas, para a forma como integramos, desenvolvemos e lideramos as pessoas.

Quem já precisou reconstruir uma equipe várias vezes sabe do que estou falando. Não se perde apenas uma pessoa. Perde-se também parte da experiência que ela acumulou, dos atalhos que aprendeu, das relações que construiu e da estabilidade que ajudava a manter.

Depois de ouvir gestores, encarregados e colaboradores de granjas durante muitos anos, uma conclusão vem à tona com frequência: as pessoas entram por motivos diferentes, mas a decisão de permanecer quase sempre passa pela experiência que encontram no dia a dia.

Leandro Trindade será palestrante do Congresso de Suinocultores do O Presente Rural/Frimesa no próximo dia 09 de junho.

Fonte: Artigo escrito por Leandro Trindade é médico-veterinário, técnico agrícola, educador profissional rural, especialista em liderança e comunicação e criador do Método BPL® – Boas Práticas de Liderança em Granjas.

Suínos

Rentabilidade da suinocultura preocupa produtores de Mato Grosso

Apesar do avanço da produção e das exportações brasileiras, preços em queda e margens apertadas desafiam o setor no Estado.

Publicado em

em

Foto: Divulgação/Acrismat

Apesar do crescimento da produção e dos recordes nas exportações brasileiras de carne suína, a rentabilidade dos produtores de Mato Grosso vive um dos momentos mais delicados dos últimos anos. A combinação entre preços em queda, custos de produção ainda elevados e dificuldades para ampliar o consumo interno foi um dos principais temas debatidos durante o 5º Simpósio da Suinocultura de Mato Grosso, realizado pela Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat).

Durante o evento, o superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), Cleiton Gauer,

Superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), Cleiton Gauer: “Mesmo com uma leve redução nos custos, principalmente do milho, esse alívio não chegou de forma suficiente ao produtor” – Foto: Divulgação/Acrismat

apresentou um panorama atualizado da cadeia produtiva e destacou que o Estado segue ampliando seu rebanho e sua produção. Entretanto, esse crescimento não tem se refletido na renda do produtor.

Segundo ele, após a virada do ano, os preços pagos pelo quilo do suíno apresentaram forte retração, reduzindo significativamente a margem da atividade. “Mesmo com uma leve redução nos custos, principalmente do milho, esse alívio não chegou de forma suficiente ao produtor. Hoje estamos observando alguns dos menores resultados econômicos da série histórica da suinocultura em Mato Grosso”, afirmou.

Gauer explicou que a situação é ainda mais preocupante para produtores que possuem financiamentos e investimentos em andamento, já que a redução da rentabilidade compromete a capacidade de cumprir esses compromissos. Outro ponto destacado foi o comportamento das exportações.

Embora o Brasil registre embarques recordes de carne suína, esse desempenho ainda não é suficiente para equilibrar

Pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Franco Muller Martins: “O setor enfrenta hoje preços reduzidos em relação aos custos de produção” – Foto: Divulgação/Acrismat

o mercado interno. “Quando analisamos Mato Grosso, apenas cerca de 15% da produção é destinada à exportação. Ou seja, a maior parte permanece no mercado interno, o que limita o impacto positivo das vendas externas sobre os preços recebidos pelos produtores”, explicou.

Gestão eficiente será decisiva

O pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Franco Muller Martins, reforçou que o cenário exige dos produtores uma gestão ainda mais eficiente das granjas. Durante sua palestra sobre custos de produção e perspectivas para 2027, ele apresentou a metodologia utilizada pela Embrapa para calcular os custos de produção em seis estados brasileiros, entre eles Mato Grosso, disponibilizando informações que servem de referência para produtores.

Segundo o pesquisador, embora o Brasil viva um excelente momento nas exportações, esse avanço não foi suficiente para garantir margens satisfatórias aos produtores. “O setor enfrenta hoje preços reduzidos em relação aos custos de produção. Isso exige que o produtor olhe cada vez mais para dentro da propriedade, buscando eficiência, redução de desperdícios e melhoria da gestão”, destacou.

Presidente da Acrismat, Frederico Tannure Filho: “A suinocultura vive um momento de grande evolução tecnológica, mas também de margens cada vez mais apertadas” – Foto: Divulgação/Acrismat

Para Martins, além do trabalho realizado dentro das granjas, será fundamental que toda a cadeia continue investindo em ações de estímulo ao consumo da carne suína. “A ampliação da demanda é um caminho importante para que, no médio prazo, o setor consiga recuperar melhores níveis de rentabilidade”, afirmou.

Além da economia, o pesquisador também abordou a importância da biosseguridade como fator estratégico para manter a competitividade da suinocultura brasileira, tema que também ganhou destaque durante o simpósio.

Para o presidente da Acrismat, Frederico Tannure Filho, a discussão sobre custos de produção, mercado e rentabilidade tornou-se indispensável diante do atual cenário da atividade. “A suinocultura vive um momento de grande evolução tecnológica, mas também de margens cada vez mais apertadas. Por isso, a Acrismat fez questão de reunir especialistas que apresentassem um diagnóstico econômico do setor e apontassem caminhos para que o produtor possa tomar decisões mais seguras. Conhecimento é uma ferramenta essencial para manter a atividade competitiva”, afirmou.

Segundo ele, um dos principais objetivos do 5º Simpósio da Suinocultura de Mato Grosso foi aproximar os produtores das informações técnicas e econômicas que impactam diretamente a rentabilidade das granjas, fortalecendo o setor para enfrentar os desafios dos próximos anos.

Fonte: Assessoria Acrismat
Continue Lendo

Suínos

Da creche à sustentabilidade, 6º Encontro Técnico Abraves-SP apresenta estratégias para aumentar eficiência das granjas

Evento em Pirassununga (SP) vai discutir manejo de leitões leves, sanidade, nutrição e sistemas de produção para apoiar decisões técnicas na suinocultura.

Publicado em

em

Foto: Divulgação

Melhorar a produtividade sem comprometer a sanidade do rebanho exige decisões técnicas em todas as etapas da produção. Manejo de leitões, nutrição, biosseguridade e gestão dos sistemas de criação estão entre os fatores que determinam o desempenho das granjas e influenciam diretamente os custos e os resultados da atividade.

Diante desse cenário, a atualização técnica tornou-se uma ferramenta cada vez mais importante para médicos-veterinários, zootecnistas, consultores e produtores, que precisam incorporar novos conhecimentos à rotina das granjas.

Esses temas estarão em debate no 6º Encontro Técnico Abraves-SP, que será realizado em 09 de setembro, no campus da Universidade de São Paulo (USP), reunindo profissionais da cadeia suinícola para discutir soluções aplicáveis aos sistemas de produção.

Entre os destaques da programação está a palestra do médico-veterinário Vinícius Cantarelli, que abordará estratégias de manejo de leitões leves na fase de creche, uma etapa decisiva para o desempenho dos animais ao longo do ciclo produtivo.

O médico-veterinário Caio Abércio da Silva discutirá a sustentabilidade dos sistemas de produção, apresentando abordagens voltadas à eficiência técnica, econômica e ambiental da suinocultura.

Promovido pela regional paulista da Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos (ABRAVES), o encontro busca aproximar pesquisa científica e prática de campo, oferecendo aos participantes ferramentas para aprimorar a tomada de decisão nas granjas.

A programação completa e as inscrições estão disponíveis aqui.

Fonte: Assessoria ABRAVES
Continue Lendo

Suínos

Redução das granjas de reprodutores acende alerta para a genética suína

Artigo destaca a queda no número de GRSCs e defende medidas para preservar a base genética da suinocultura brasileira.

Publicado em

em

Foto: Jonathan Campos/AEN

Ao nos referirmos às Granjas de Reprodutores Suínos no Brasil, as chamadas GRSCs, há que se ressaltar, de pronto, o fundamento histórico e a relevância dessas granjas à atividade suinícola nacional, assim como sua relação direta com a organização da classe dos produtores de suínos do Brasil, haja vista que elas deram origem à Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), fundada por um grupo de 48 produtores em 13 de novembro de 1955 no município gaúcho de Estrela, dando-se assim início a um significativo e intenso trabalho de melhoramento do rebanho de suínos no Brasil. E a criação da ABCS tornou possível organizar o registro genealógico e os programas de melhoramento genético no país, em se tratando de suinocultura comercial. É possível afirmar que as GRSCs são os verdadeiros centros de seleção genética, controle de origem e de avaliação do desempenho dos animais.

De fato, foram o pilar da transformação da suinocultura brasileira, ajudando a tornar o Brasil uma potência global na produção de carne suína, ocupando hoje o 4° lugar na produção mundial de suínos, pelo fato de as GRSCs garantirem a autossuficiência genética nacional, impulsionarem a adoção da inseminação artificial e elevarem a sanidade e a produtividade brasileira a padrões internacionais. De tal forma que essas granjas tiveram e ainda têm um papel fundamental no desenvolvimento da suinocultura brasileira moderna, dentro de uma cadeia altamente tecnificada e competitiva.

Não há como não se observar esse aspecto histórico da importância das granjas de produção de reprodutores suídeos, desde a criação da ABCS e de suas associações afiliadas estaduais, para a sustentação da atividade suinícola do Brasil nos últimos 70 anos, período em que o consumo interno de produtos derivados de suínos dobrou, passando de uma média nacional de 10kg para 20 kg, per capta, justamente a partir do uso de reprodutores dessas granjas. Aliás, em 2025, a média foi de 20,2 kg/habitante/ano (segundo a ABCS), consolidando um crescimento de cerca de 35% na última década.

Redução drástica das GRSCs no Brasil

Artigo escrito por Cesar da Luz é especialista em agribusiness, consultor da Associação Paranaense de Suinocultores e pesquisador da cadeia suinícola nacional. E-mail: [email protected].

Mesmo diante de todo esse contexto histórico, levantamento feito com base na literatura brasileira e com dados obtidos junto ao Relatório de 2025 do Registro Genealógico de Suínos da Associação Brasileira de Criadores de Suínos, ABCS, indica que houve uma redução muito significativa no número dos criadores de suínos da raça Landrace, com afixo registrado pelo produtor na entidade que representa o sistema suinícola brasileiro. Afixo é o nome oficial dado ao criatório, ou granja, certificada na ABCS.

Para se ter uma ideia da grande redução no número desse tipo de granjas e da grande erosão da variabilidade genética de suínos no Brasil, enquanto na década de 1970 o número de afixos registrados na ABCS era de 271, no ano passado, esse número caiu drasticamente para apenas 34. Portanto, atualmente, essas granjas representam apenas 12,5% do total existentes na década de 1970, em um ambiente em que as fontes de material genético das principais raças comerciais de suínos, como Landrace, Large White, Duroc e Pietrain, já são bastante escassas.

O fato é que o número de Registros Genealógicos vem reduzindo substancialmente desde a década de 1970 para a década de 1990 e para o período posteriormente aos anos 2000, enquanto o número de afixos de Empresas Integradoras e de Empresas de Genética vem crescendo sua participação no mercado de reprodutores Landrace, no Brasil.

Raça Landrace

No caso específico da raça Landrace, ela é uma das mais importantes para a evolução da atividade suinícola brasileira moderna, principalmente pela sua elevada capacidade reprodutiva e pelo excelente desempenho materno. Originária da Dinamarca, a raça foi introduzida no Brasil para contribuir no melhoramento genético dos rebanhos comerciais e se tornou fundamental nos sistemas intensivos de produção de carne suína.

A participação da raça Landrace foi decisiva para a modernização da suinocultura brasileira, especialmente a partir da intensificação da atividade nas regiões Sul, nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul,0 Sudeste, nos estados de São Paulo e Minas Gerais, sendo que as GRSCs passaram a utilizar amplamente a genética Landrace em programas de seleção, contribuindo para a disseminação de animais superiores e para o controle sanitário dos plantéis.

É importante destacar, ainda, que a raça Landrace é uma das principais raças de suínos utilizada na produção de suínos no Brasil, compondo 50% do genótipo na maioria das fêmeas F1 utilizadas na produção comercial de suínos, o que muito bem representa o que está ocorrendo com os Registros Genealógicos de Suínos no país, algo que requer muita atenção, especialmente dos órgãos governamentais, especialmente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

Ressalte-se, ainda, que as Granjas Independentes de Produção de Reprodutores, no caso da raça Landrace, elas são fundamentais também para a produção do mercado livre de suínos no país, composto por granjas de pequeno e médio porte que não pertencem aos sistemas integrados e cooperados. São tais granjas independentes que abastecem grande parcela do mercado interno nacional com produtos derivados de suínos, mas que estão reduzindo ano após ano, colocando o Brasil na dependência de reprodutores de Empresas de Genética que atuam no país, mas cujos Núcleos Genéticos Primários se encontram no exterior, o que implica no aumento do volume de “royalties” enviados para fora do Brasil.

Portanto, as GRSCs continuarão sendo extremamente importantes para suprir o mercado interno de reprodutores suínos, bem como fundamentais para o resgate e manutenção das raças nacionais de suínos e mesmo para a manutenção das raças importadas que já estão adaptadas para uso comum na suinocultura brasileira. Sem dúvida, as granjas de reprodutores foram a base do avanço genético, sanitário e tecnológico da suinocultura nacional, sem as quais o setor dificilmente teria alcançado os níveis atuais de eficiência, qualidade e competitividade internacional que se encontram hoje.

Olhando para esse histórico e para a importância das Granjas de Reprodutores de Suínos para a suinocultura brasileira, vê-se, inclusive, a própria necessidade de que uma fonte pública proporcione recursos, inclusive a fundo perdido, para a implementação das novas medidas exigidas pelo MAPA, integrantes da Portaria DAS/MAPA nº 1.358/2025, permitindo que as GRSCs consigam continuar cumprindo seu papel no contexto da suinocultura e como salvaguardas do banco genético nacional.

Fonte: Artigo escrito por Cesar da Luz é especialista em agribusiness, consultor da Associação Paranaense de Suinocultores e pesquisador da cadeia suinícola nacional. E-mail: [email protected].
Continue Lendo
Editora O Presente 35 anos

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.