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Criatório Gir e Guzerá Villefort seleciona plantel de doadoras e reprodutores para a comercialização de animais A2A2
O criador Vírgílio Villefort antecipa uma tendência mundial voltada à produção de leite saudável e natural que não causa alergia em humanos
O Criatório Villefort selecionou seu plantel para iniciar a produção de leite A2A2 e derivados. É o primeiro criatório no Brasil a realizar, em grande escala, o mapeamento genético da proteína beta-caseína A2, optando por manter em seu rebanho exclusivamente animais A2A2. Virgílio Villefort acredita no potencial desse mercado, porque a população está preocupada com saudabilidade e as pesquisas indicam crescimento forte de produtos especiais e diferenciados no Brasil e no mundo.
Já foram analisadas 6.997 cabeças de gado Puro de Origem (PO) das raças Gir Leiteiro, Guzerá, ambas de origem indiana, incluindo animais das raças Girolando e Guzolando, criados em fazendas localizadas em Morada Nova de Minas e Jaíba, todas em Minas Gerais. Ao inovar em sua produção, o criador antecipa uma tendência mundial. “Em alguns países como Austrália e Nova Zelândia, empresas já investem fortemente nesse mercado de leite A2A2. Eu acredito que em torno de 25 anos toda a população mundial já esteja consumindo o leite A2A2”, defende. No criatório Villefort já são produzidos 2000 litros/dia de leite A2A2 e a expectativa do criador é que até 2019 a produção ultrapasse 8.000 litros/dia.
Mapeamento Genético
A Genotipagem de beta-caseína é um teste que determina, com alta precisão, os alelos da beta-caseína A1 e A2 – proteínas encontradas no leite de vaca. Assim, é possível fazer a separação dos animais que poderão produzir o leite A2A2, ou seja: que contém apenas a proteína beta-caseína A2.
De acordo com a bióloga Cássia Pimenta, do laboratório Gene Genealógica, que conduziu os testes do Criatório Villefort, algumas pesquisas afirmam que originalmente todos os bovinos produziam leite que apresentava apenas a proteína A2, mas por volta de 5 a 10 mil anos atrás, uma mutação genética ocorreu nas vacas do norte da Europa e a proteína A1 começou a aparecer no leite. Essa teoria também é defendida pelo cientista Keith Woodford, autor do livro Devil in theMilk (Diabo no leite), primeira publicação internacional sobre o tema.
A bióloga explica ainda que hoje os bovinos podem apresentar três tipos de genótipos: o A1A1, o A1A2 e o A2A2. As vacas com genótipo A1A1 produzirão apenas leite com beta-caseína A1, e as vacas com genótipo A1A2 vão produzir leite com os dois tipos de proteína. Já os animais com genótipo A2A2 produzirão leite somente com beta-caseína A2.
Os touros reprodutores também possuem essas variações de genótipo, que são transferidos para os seus descendentes. Com o mapeamento, o criatório pode selecionar e priorizar a reprodução apenas com animais A2A2, garantindo descendências sem variação. O mapeamento realizado pelo Criatório Villefort também tem como objetivo selecionar reprodutores e doadoras com genótipos A2A2 para abastecer o mercado nacional, promovendo em outros criatórios brasileiros o melhoramento genético da qualidade do leite e consequentemente a valorização dos rebanhos.
Entenda o processo de digestibilidade do leite A1A1 e A2A2
Em pesquisas preliminares, as proteínas do leite A1 e A2 mostraram ter um comportamento distinto durante o processo de digestão. O médico e pesquisador da Universidade de Montes Claros, João Felício, explica que há estudos que associam o uso do leite A2A2 a menos processos de intolerância e alergia ao leite da vaca, entretanto, ainda há a necessidade de estudos conclusivos.
O médico alerta que a alergia à proteína do leite de vaca não deve ser confundida com a intolerância a Lactose, porque são quadros bem diferentes. “A intolerância a Lactose ocorre pela deficiência no organismo da enzima Lactase. Já as manifestações da alergia à proteína do leite estão associadas a um peptídeo derivado da proteína chamado beta-casomorfina -7 (BCM-7)”, explica.
Há mais de dois anos, o criador Virgílio Villefort vem realizando testes com o leite A2A2 e derivados. Voluntários, inclusive crianças, que sofrem da alergia a proteína do leite consumiram os produtos e relataram não apresentar os sintomas alérgicos. Virgílio percebeu que várias pessoas que tem alergia da proteína do leite A1A1 ou A1A2 confundem e acham que tem alergia a Lactose. Virgílio diz que não é uma novidade e somente está fazendo um trabalho de volta ao passado. “Fui criado na roça tirando e tomando leite de vaca Zebu e não existia naquela época pessoas que passavam mal com Lactose do leite. Portanto, acredito que esta mutação genética ou “contaminação” não existia no passado na minha região, pois só tinham vacas Zebuínas”, esclarece.
Outra vantagem relacionada ao leite A2A2 é seu alto teor de gordura e proteína, resultando em maior rendimento nos processos industriais, o que faz dele um produto muito valorizado no mercado.
Fonte: Ass. de Imprensa

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Mudanças climáticas interferem no desempenho dos suínos, exigindo novas soluções nutricionais, aponta pesquisador da UFMG
O assunto faz parte do livro Nutrição e Estratégias de Produção para as Matrizes Suínas de Hoje, lançado pela Novus

O aumento das temperaturas médias e a intensificação das ondas de calor já estão entre os maiores desafios da suinocultura mundial. De acordo com o professor e pesquisador Bruno Silva, especialista em bioclimatologia animal e nutrição de suínos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o ambiente térmico é hoje o principal fator limitante da produção, impactando bem-estar, saúde e desempenho dos animais.
Sensíveis ao calor por possuírem glândulas sudoríparas pouco desenvolvidas, os suínos sofrem quando expostos a temperaturas acima da zona de conforto térmico, que varia entre 16°C e 21°C para matrizes e de 26°C a 34°C para leitões. Conforme a fase de vida, os animais rapidamente apresentam queda de desempenho e maior vulnerabilidade fisiológica. “O estresse térmico reduz o consumo de alimentos, compromete a integridade intestinal e altera o metabolismo, afetando produtividade e eficiência”, explica especialista da UFMG.
O problema tem escala global. Nos Estados Unidos, as perdas relacionadas ao estresse por calor alcançaram US$ 400 milhões em 2024. No Brasil, onde altas temperaturas são constantes, os prejuízos podem ter atingido de R$ 2 bilhões a R$ 3 bilhões no mesmo período. “Além das mudanças climáticas, as fêmeas modernas se tornaram mais produtivas, geram mais calor metabólico e se tornaram mais sensíveis às variações térmicas”, destaca Silva.
Segundo o pesquisador, esse desafio exige ajustes nutricionais para reduzir o efeito termogênico da dieta, como diminuição da proteína bruta associada a aditivos e nutrientes específicos que ajudem a manter a homeostase metabólica e a integridade intestinal.
Bruno Silva é um dos colaboradores do livro técnico Nutrição e Estratégias de Produção para as Matrizes Suínas de Hoje, lançado pela Novus, líder global em nutrição animal inteligente. “A Novus é uma empresa global com forte influência no desenvolvimento de tecnologias nutricionais para suínos. A elaboração desse livro representa um marco na atualização e difusão do conhecimento gerado pelos principais grupos de pesquisa do mundo dedicados a estudar as fêmeas suínas modernas. Sem dúvida, é um livro que deve estar na mesa de cabeceira de todo nutricionista de suínos. Contribuir para sua elaboração foi uma grande honra para mim e uma grande oportunidade para compartilhar um pouco dos trabalhos desenvolvidos na nossa universidade nessa área”, afirma o professor da UFMG.
Para baixar o livro gratuitamente no site da NOVUS, acesse clicando aqui.
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Eficiência produtiva e gestão estratégica ganham centralidade na suinocultura
Desempenho da suinocultura contemporânea depende menos de fatores isolados e mais da capacidade de adaptação às mudanças do mercado.

A suinocultura brasileira enfrenta um cenário econômico complexo, marcado pela volatilidade dos preços dos grãos, aumento dos custos de produção e margens mais restritas.
Nesse contexto, a rentabilidade da atividade tem sido cada vez mais associada à capacidade de integrar decisões técnicas e financeiras de forma estruturada.
Ajustes pontuais, como mudanças em dietas ou negociações de curto prazo com fornecedores, tendem a ter efeito limitado quando não estão inseridos em uma estratégia mais ampla de gestão. A análise detalhada de custos, margens e retorno sobre o investimento passa a ser um elemento central para a sustentabilidade dos sistemas produtivos.
Para Giovani Frederico, consultor técnico comercial na Agroceres Multimix, o desafio atual exige uma abordagem mais profissional da atividade. “O suinocultor precisa integrar as áreas técnica e financeira da produção. A busca por eficiência produtiva não pode estar dissociada de uma análise consistente de custos, indicadores e resultados”, afirma.
Segundo ele, o desempenho da suinocultura contemporânea depende menos de fatores isolados e mais da capacidade de adaptação às mudanças do mercado, da incorporação de tecnologias e do uso de dados como base para a tomada de decisão.
“A rentabilidade deixa de ser apenas consequência do desempenho técnico e passa a ser resultado direto de uma gestão estratégica”, completa.
Um artigo completo, que aprofunda essa análise sobre eficiência e rentabilidade na suinocultura, está disponível no agBlog, da Agroceres Multimix.
Acesse já clicando aqui.
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Robô com inteligência artificial revoluciona alimentação de suínos no Show Rural Coopavel
Equipamento desenvolvido pela Roboagro será demonstrado no evento, em fevereiro, e promete reduzir custos, otimizar o manejo e ampliar o bem-estar animal nas granjas.

Parece não existir limites para o alcance e a abrangência da Inteligência Artificial. Máquinas e equipamentos cada vez mais sofisticados chegam ao campo com a missão de melhorar desempenho, reduzir o fardo de trabalho dos produtores e otimizar resultados. É o que acontece com a fabricação de um robô alimentador de suínos, que estará em demonstração no pavilhão da pecuária do Show Rural Coopavel, de 09 a 13 de fevereiro.
Um protótipo desse robô, desenvolvido pela Roboagro, indústria gaúcha de Caxias do Sul, vai mostrar o uso da IA na alimentação de plantéis. “Essa tecnologia foi criada há alguns anos, mas a atualização é constante, inclusive com a instalação de câmeras e sensores que, por exemplo, medem a temperatura dos animais e do ambiente e também estimam o peso de cada exemplar”, observa o médico veterinário da área de Fomento da Coopavel, Gustavo Bernart. Todo controle do equipamento acontece por aplicativo, permitindo ao criador programar os horários de servir a ração e as quantidades certas.
Já há criadores integrados à Coopavel e na região de abrangência da cooperativa que utilizam esse equipamento e os resultados são muito bons. Outro ponto importante é destacado pelo gerente do Frigorífico de Suínos, Mauro Turchatto, que é a redução da carga de trabalho sobre os produtores rurais. “Como o robô devidamente programado faz parte da operação, eles então têm mais tempo disponível para gerir o negócio e pensar estratégias para elevar os rendimentos da propriedade”.
Benefícios
Segundo técnicos da Roboagro, a tecnologia empregada no robô alimentador de suínos contribui também com a redução de perda de ração, otimização de tempo de trabalho, garante ganhos e melhorias na conversão alimentar e proporciona maior bem-estar aos animais. A empresa já firmou várias parcerias, como com a Embrapa Suínos e Aves, e robôs têm sido instalados em inúmeras regiões do Brasil em países da América Latina.
