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Criador do Mato Grosso alcança 70% de taxa de desmama em bioma Pantanal
Apesar dos bons resultados alcançados, Domingos Hata ainda não se dá por satisfeito e tem como meta chegar a 80% de taxa de desmama.

O criador de bezerros, Domingos Hata, vem se destacando por alcançar taxas de desmama de 70% em sua propriedade, localizada em Santo Antônio do Leverger (MT), no bioma Pantanal. Segundo dados da Embrapa, os índices médios de desmama no Pantanal são geralmente menores que 60%, devido à irregularidade das águas e baixa fertilidade do solo, que geram desafios relacionados à nutrição dos animais.
“Aqui no Pantanal, quando eu cheguei, o rendimento de cria era sempre muito baixo”, explica Hata. “Então, fomos em busca de bezerros com precocidade, o que exigiu investimentos, para além da genética, em nutrição”, completa.
Há mais de 30 anos, o produtor investe em genética com Certificado Especial de Identificação e Produção (CEIP), que é um certificado emitido para machos e fêmeas que possuem capacidade comprovada de aumentar a produtividade dos rebanhos brasileiros.
Localizada às margens do Rio Cuiabá, a Fazenda Tamandaré abrigou por muito tempo uma usina de açúcar. Entre as espécies nativas de forrageiras que compõem a propriedade estão a Brachiaria, Brachiaria humidícola, Panicum, entre outras espécies nativas.
Investir em uma capineira de Pennisetum purpureum, da variedade Capiaçu, foi uma das importantes decisões tomadas pelo pecuarista. Hoje, ele produz silagem numa área de 30 hectares, com um corte em janeiro e outro em maio.
A capacidade produtiva de silagem na propriedade é de 100 toneladas por hectare/ano, o que resulta em três mil toneladas de silagem. A produção é suficiente para suplementar até três mil animais numa eventual seca.
“Isso dá uma segurança muito grande, porque ele tem vacas de primeira cria e outras parindo cedo”, explica Eduardo Catuta, que é gerente regional de Bovinos de Corte da Agroceres Multimix. “E com essa estrutura nutricional, ele garante que as vacas não percam condição corporal, corrigindo a proteína dessa silagem com suplemento e fazendo dois tratos diários”, completa.
A silagem produzida pelo pecuarista também aporta a produção de bezerros no período da seca. Com isso, o pecuarista consegue produzir bezerros com ganho de peso diário entre 800g e 1kg e vender animais de qualidade durante o ano inteiro.
“O Sr. Domingos tem como clientes, os pecuaristas de mais alto nível tecnológico na recria e engorda”, salienta Eduardo Catuta. “Isso é possível graças à qualidade genética e da nutrição oferecida aos animais”, completa.
Apesar dos bons resultados alcançados, Domingos Hata ainda não se dá por satisfeito e tem como meta chegar a 80% de taxa de desmama. Isso, respeitando o bioma Pantanal, investindo numa produção tecnificada e promovendo uma verdadeira transformação cultural na região.

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Associação Brasileira de Angus define agenda estratégica de eventos para 2026
Exposições nacionais em Vacaria, Esteio e Pelotas ampliam a visibilidade das raças Angus e Ultrablack e preparam criadores para compromissos internacionais.

A Associação Brasileira de Angus terá um calendário repleto de importantes atividades em 2026. Ao todo, serão mais de 10 eventos, organizados ou com apoio e participação da entidade. Entre eles, três exposições nacionais, estratégicas para atingir objetivos técnicos, comerciais e institucionais, fomentando e dando mais visibilidade à raça.
Entre os destaques do calendário, no primeiro semestre, está a Exposição Nacional de Buçal Angus e Ultrablack, que será realizada entre os dias 15 e 19 de abril, em Vacaria, no nordeste do Rio Grande do Sul. Já no segundo semestre, durante a Expointer, que ocorre de 29 de agosto a 6 de setembro, em Esteio, haverá a Exposição Nacional de Terneiros, com o objetivo de fomentar e divulgar a criação de animais jovens. E de 5 a 12 de outubro, ocorrerá, ainda, a Exposição Nacional de Curral, em Pelotas, na zona sul do Estado.
O presidente da Associação Brasileira de Angus, José Paulo Cairoli, explica que a decisão de realizar as nacionais em locais diferentes é estratégica para a entidade. Vacaria, por exemplo, sedia um núcleo relativamente novo e que tem uma proximidade importante com Santa Catarina. Pelotas, por sua vez, terá este ano a 100ª edição da sua Expofeira, além de estar em uma região com um bom número de animais de curral. As nacionais, segundo ele, também servem como preparação para o Secretariado Mundial da Raça Angus, que começa em maio de 2027.
“Estamos valorizando cada vez mais as exposições, porque entendemos que elas são uma das formas de divulgar as raças Angus e Ultrablack. As nacionais têm um papel estratégico no nosso calendário porque são promovidas diretamente pela Associação e têm como principal objetivo congregar o maior número possível de criadores, de diferentes estados e regiões, além de reunir um volume expressivo de animais”, destaca Cairoli.
Além das exposições nacionais, o ano terá outros eventos importantes, como a Expoutono, em Uruguaiana (RS), a Fenagen, em Pelotas, a Expovac, em Vacaria, entre outros.
Confira o calendário da Angus em 2026
- Expocampos 2026 – 26 a 29 de março, em Campos Novos (SC)
- Exposição Nacional de Buçal Angus e Ultrablack – 15 a 19 de abril, em Vacaria (RS)
- Exposição de Maringá – 7 a 17 de maio, em Maringá (PR)
- 24ª Expoutono de Uruguaiana – 18 a 24 de maio, em Uruguaiana (RS)
- Fenagen – 1º a 4 de julho, em Pelotas (RS)
- 49ª Expointer e Exposição Nacional de Terneiros – 29 de agosto a 6 de setembro, em Esteio (RS)
- 114ª Expofeira de Bagé – 25 e 26 de setembro, em Bagé (RS)
- Exposição Nacional Curral Angus e Ultrablack – 5 a 12 de outubro, em Pelotas (RS)
- Expolages – 7 a 12 de outubro, em Lages (SC)
- 93ª Expofeira de Dom Pedrito – 10 a 18 de outubro, em Dom Pedrito (RS)
- 95ª Expofeira Santa Vitória do Palmar – 13 a 18 de outubro, Santa Vitória do Palmar (RS)
- Expovac – 14 a 18 de outubro, Vacaria (RS)
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Projeto piloto no Rio Grande do Sul antecipa nova fase da rastreabilidade bovina no Brasil
PNIB reúne produtores e frigoríficos, antecipa ajustes do chamado Sisbov 2.0 e prepara o setor para exigências do mercado internacional.

O Rio Grande do Sul deu passos concretos na implantação da rastreabilidade individual de bovinos, considerada estratégica para a manutenção da competitividade da carne brasileira no mercado internacional. O estado avança como laboratório do Programa Nacional de Identificação Individual de Bovinos (PNIB), com projeto piloto em andamento, aporte de recursos para aquisição de insumos e envolvimento direto de produtores, frigoríficos e do serviço veterinário oficial.
A iniciativa, conduzida em parceria entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul (Seapi) e o Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa), tem como foco preparar o setor produtivo para a transição do atual modelo de rastreabilidade em lote para a identificação individual dos animais, etapa considerada irreversível para o Brasil, maior exportador mundial de carne bovina.
Segundo o secretário de Defesa Agropecuária do Mapa, Carlos Goulart, a adoção da identificação individual não é mais um diferencial competitivo, mas uma condição mínima para o país se manter na liderança global. “O esforço que nos trouxe até o topo não será o mesmo que vai nos manter lá. Chegar à liderança é diferente de se manter na liderança”, afirmou. Para ele, a rastreabilidade individual coloca o Brasil em igualdade de condições com grandes players do mercado, como Austrália, Estados Unidos, Canadá, Argentina e Uruguai.
O projeto piloto gaúcho já envolve dezenas de propriedades e inclui o rebanho da Embrapa Pecuária Sul. O Fundesa tem aportado recursos para a compra de brincos, extratores e outros materiais, além de apoiar a execução operacional do sistema. A expectativa é que a experiência do estado ajude a antecipar desafios técnicos, operacionais e regulatórios que devem surgir em outras regiões do país.
De acordo com o diretor do Departamento de Saúde Animal do Mapa, Marcelo Mota, o cronograma nacional prevê que, até o final de 2027, a base tecnológica do PNIB esteja pronta para uso em todo o território brasileiro. A implantação completa do sistema está prevista para ocorrer de forma gradual até 2033.
Durante os encontros com produtores e frigoríficos, foram esclarecidas dúvidas sobre a migração do atual Sisbov para o novo modelo de identificação individual, informalmente chamado de “Sisbov 2.0”. O processo exigirá revisão de normas existentes e criação de novas regras, para acomodar a realidade operacional do setor e garantir segurança jurídica e sanitária.
Para o governo gaúcho, o objetivo é construir um modelo compatível com a diversidade produtiva do estado, que reúne grande número de pequenos produtores, além de intensa movimentação de animais em exposições, feiras e remates. “Temos total interesse em desenvolver um formato que dialogue com a realidade do produtor gaúcho e que possa servir de referência nacional”, afirmou o secretário adjunto da Seapi, Márcio Madalena.
Ao final das discussões, o presidente do Fundesa, Rogério Kerber, destacou que o avanço do PNIB no estado é resultado de diálogo e cooperação entre setor público e iniciativa privada. “A tarefa é complexa e exige cuidado, dedicação e alinhamento. O mais importante é que esse processo foi iniciado de forma transparente e conjunta, o que aumenta as chances de sucesso”, salientou.
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Mato Grosso responde por 23,1% das exportações de carne bovina do Brasil ao exterior
Foram exportadas cerca de 978,4 mil toneladas da proteína em 2025, destinadas a 92 países, consolidando o estado como principal player nacional no comércio internacional do setor.

Mato Grosso foi o estado com maior participação nas exportações brasileiras de carne bovina em 2025, respondendo por 23,1% de todo o volume embarcado pelo país. Ao longo do ano, foram exportadas cerca de 978,4 mil toneladas da proteína, destinadas a 92 países, consolidando o estado como principal player nacional no comércio internacional do setor.
Na comparação entre os estados, Mato Grosso ocupa a liderança do ranking de exportações. Em seguida aparecem São Paulo, com 833,8 mil toneladas exportadas, Goiás, com 508,1 mil toneladas, Mato Grosso do Sul, com 450,1 mil toneladas, e Minas Gerais, que fecha a lista dos cinco maiores exportadores, com 324,6 mil toneladas vendidas ao mercado externo.
Para o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, os números refletem uma mudança estrutural na pecuária estadual.

Foto: Shutterstock
“Mato Grosso avançou muito em eficiência produtiva, sanidade e organização da cadeia. Temos investido também na participação em feiras e eventos internacionais para divulgar a carne mato-grossense e que o estado está preparado para atender os mercados mais exigentes tanto em quantidade quanto em qualidade”, avalia.
O desempenho foi impulsionado por um ano considerado histórico para a pecuária mato-grossense. Em 2025, o estado registrou o abate de 7,4 milhões de cabeças de gado, alcançando uma receita aproximada de US$ 4 bilhões com as exportações de carne bovina. O preço médio da tonelada ficou em torno de US$ 5,4 mil, refletindo a valorização do produto em mercados estratégicos.
Houve também mudanças no perfil dos principais destinos da carne produzida em Mato Grosso. A China manteve a liderança como maior compradora, concentrando 54,8% das importações. Na sequência aparecem a Rússia, com 6%, o Chile, com 4,85%, e os Estados Unidos, que responderam por 4,1% das compras da proteína mato-grossense ao longo do ano.
“Embora a China continue sendo o principal destino, o crescimento de outros mercados mostra que Mato Grosso tem conseguido acessar países com diferentes exigências sanitárias e comerciais. Isso reduz riscos e amplia as oportunidades de valorização da carne mato-grossense no cenário global”, afirma o diretor de Projetos do Imac.
Os mercados que pagaram os valores mais elevados pela carne bovina de Mato Grosso foram a União Europeia, com média de US$ 6.022,79 por tonelada, e o Oriente Médio, com US$ 4.250,79. Já a China, apesar de ser o principal destino em volume, registrou preço médio de US$ 4.145,84 por tonelada, abaixo do praticado em mercados mais exigentes em termos de padrão sanitário e certificações.



