Suínos Piscicultura brasileira
Criação e processamento de tilápia gera mais de três mil postos de trabalho em cidade paulista
Líder em produção no Estado paulista, a unidade instalada na Represa Jaguara abriga atualmente cerca de dez milhões de peixes no sistema de cultivo em tanques-rede, sendo considerado o maior projeto em atividade na América Latina.

Com recursos hídricos em abundância, clima favorável, disponibilidade de mão de obra, crescente demanda do mercado interno e conquistando cada vez mais espaço no exterior, a piscicultura brasileira borbulha em oportunidades, alavancando a produção de peixes de cultivo em todas as regiões do Brasil, com a tilápia assumindo o protagonismo ao representar mais de 65% do total produzido em território nacional.

Gerente de operações da Fider Pescados, Juliano Kubitza: “O cenário de custos da pandemia trouxe desafios importantes de serem superados antes de se pensar em crescimento” – Fotos: Divulgação/Fider
Com uma produção de 81.640 toneladas no último ano, o Estado de São Paulo ocupa a vice-liderança nacional na produção de peixes, resultado de investimentos de médios e grandes produtores na verticalização da atividade, o que contribui para o crescimento do setor de processamento. A exemplo da Fider Pescados, do grupo multinacional MCassab, que há 13 anos instalou seu projeto de criação e processamento de tilápia em Rifaina, SP, gerando mais de 500 empregos diretos e outros 2,5 mil indiretos. “A empresa injeta R$ 15 milhões por ano em receita na economia local através dos salários e recolhe anualmente R$ 30 milhões em impostos, contribuindo para os necessários investimentos em saúde, educação, infraestrutura, segurança e demais serviços essenciais para o desenvolvimento regional”, expõe o gerente de operações da Fider Pescados, Juliano Kubitza.
Líder em produção no Estado paulista, a unidade instalada na Represa Jaguara abriga atualmente cerca de dez milhões de peixes no sistema de cultivo em tanques-rede, sendo considerado o maior projeto em atividade na América Latina. De acordo com Kubitza, o processo de produção compreende cinco etapas: genética, reprodução, alevinagem, recria e engorda. “Nos últimos anos passamos por um importante período de maturação de nossos processos produtivos, que seguem se consolidando em busca de se tornar cada vez mais eficientes”, ressaltou.
Para a produção de juvenis, a Fider possui produtores integrados, enquanto o processo de engorda é próprio. Por mês são produzidas 800 toneladas de peixes e nos próximos anos projeta-se dobrar essa produção. “Dispomos de autorização do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para produzir 19.200 mil toneladas por ano na Represa de Jaguara”, comenta Kubitza.
Entre as cinco maiores processadoras de tilápia do Brasil, atende todo o território nacional e exporta para os Estados Unidos, Canadá, Taiwan, Venezuela, Bangladesh, Sri Lanka e Indonésia. “Além de linha própria, produzimos para importantes marcas”, menciona Kubitza.
O profissional ressalta que as medidas sanitárias estão presentes em todas as etapas da tilapicultura, desde os ovos até o produto final. “Por isso as perdas são próximas a zero, porque monitoramos todos os processos através de programas de autocontrole e do plano de Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (HACCP), tanto na criação quanto no frigorífico”, orgulha-se Kubitza.
Preocupação ambiental
Conforme o gerente de operações, a qualidade da água recebe atenção especial pelos profissionais que atuam na Fider, uma vez que é item vital para o sucesso da produção de tilápia. Periodicamente são realizadas análises da água pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), com o resultado destas amostras sendo submetido à Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), conforme exigências da lei. “Além disso, a própria Cetesb faz a coleta d’água regularmente para realizar seus próprios testes de qualidade. No entanto já realizamos o monitoramento da água na Represa de Jaguara desde o início de nossas atividades, em 2009, através de uma empresa terceirizada, comprovando que a qualidade da água não é afetada pela produção de tilápia”, salienta Kubitza.
A área de produção de tilápia da Fider Pescados recebeu sólidos investimentos em infraestrutura, que incluíram atenção à preservação do meio ambiente. A Área de Preservação Permanente (APP) original foi ampliada em 6 mil m2 com o plantio de 15 mil árvores nativas. “Esse cuidado representa um importante ganho para a fauna local, com atração de diferentes espécies, inclusive em extinção, para reprodução e área de descanso”, relata o gestor.
Para atestar as boas práticas adotadas, o gerente de operações diz ainda que a empresa possui a certificação BAP (Boas Práticas de Aquicultura), um dos mais completos e rígidos atestados internacionais de qualidade, que garante a sustentabilidade dos produtos e possibilita, inclusive, a exportação de produtos de tilápia, como para os Estados Unidos, país que possui a legislação de segurança alimentar mais rígida do mundo.
Conforme Kubitza, em agosto a Fider recebeu a certificação do Conselho de Manejo de Aquicultura (ASC da sigla em inglês), concedido às fazendas de peixes de cultivo que são ambiental e socialmente responsáveis. “A certificação ASC é um reconhecimento ao trabalho desenvolvido pela empresa desde sua origem nas esferas social, ambiental e de governança. Já tínhamos a certificação de boas práticas e agora com a ASC nos abre importantes portas em mercados internacionais altamente exigentes, muitos dos quais requerem essa certificação para entrada”, evidencia.
Os negócios com a certificação ASC são reconhecidos por minimizar os impactos no ecossistema local de várias maneiras, como o desenvolvimento e a implementação de avaliação de impacto ambiental, proteção da bacia hidrográfica receptora, entre outros.
Complexo industrial
Além do frigorífico com capacidade para abater até três mil toneladas mensais, o complexo industrial da Fider Pescados conta uma das mais modernas fábricas de óleos e farinhas do Brasil. Inaugurada no final de 2020, a unidade industrial recebeu investimento de R$ 15 milhões e tem capacidade instalada para produção de 500 toneladas de óleos e de farinhas. “Todos os processos são automatizados, desde a recepção de matérias-primas à embalagem, com a administração centralizada na sala de controle, sendo necessários apenas quatro funcionários por turno”, declara Kubitza.
Segundo o gerente de operações, a instalação da fábrica de insumos equacionou o aproveitamento de resíduos da tilápia processada no frigorífico, passando a aproveitar 100% da tilápia. “Todos os resíduos não aproveitados no processamento de tilápia são direcionados para um reservatório, onde são prensados e seguem diretamente para a fábrica de óleos e farinhas. Após processos internos, tornam-se ingredientes de alta qualidade, prontos para serem utilizados na cadeia da produção animal”, explica Kubitza.
Expansão
Para os próximos cinco anos, Kubitza diz que a empresa projeta expandir a piscicultura com a exploração em outros reservatórios. “Mas ainda está em estudo essa expansão, porque sua execução depende da obtenção de resultados, por isso temos sempre os pés no chão. O cenário de custos da pandemia trouxe desafios importantes de serem superados antes de se pensar em crescimento”, pondera o gerente de operações, ampliando: “Fizemos parte de um grupo quase centenário, que tem por cultura trabalhar com os pés no chão, trabalho duro e crescimento consistente. Não há ambição em sermos os maiores, mas sempre buscamos ser os melhores naquilo que fazemos, é isso que está em nosso DNA”.
Segundo o profissional, o momento atual da produção de tilápia no país tem aberto caminho para projetar o Brasil como um dos maiores players da espécie no mundo, no entanto, o desenvolvimento do setor não acontece de forma acelerada em razão dos elevados para manutenção da atividade. “O produtor precisa ser resiliente. Os custos são elevados e o preço de venda não compensa toda a elevação de custos que ocorreu com a pandemia e a guerra na Ucrânia, mas, apesar disso, acreditamos num momento melhor”, pontua.
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Suínos
Excesso de oferta derruba preço do suíno abaixo de R$ 5/kg no Brasil
Aumento da produção elevou os abates em 6,5% em 13 meses e adicionou 379 mil toneladas de carne ao mercado. Mesmo com exportações 8,5% maiores no primeiro semestre, produtores enfrentam forte queda de rentabilidade.

O primeiro semestre de 2026 encerrou com um movimento que contrariou as expectativas de parte da cadeia produtiva de suínos. Mesmo com o avanço das exportações brasileiras de carne suína e a manutenção da competitividade do produto no mercado internacional, o crescimento da produção doméstica ampliou a disponibilidade interna em um ritmo superior à capacidade de absorção do mercado, pressionando as cotações e reduzindo as margens dos produtores.

Foto: Divulgação
A análise da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) aponta que a combinação entre expansão do plantel, ganhos de produtividade e aumento dos volumes abatidos alterou o equilíbrio de oferta e demanda observado no início de 2025. O maior número de animais disponíveis para abate elevou a oferta de carne no mercado interno, enquanto o consumo doméstico não acompanhou a mesma velocidade de crescimento.
O resultado foi uma reversão rápida do cenário positivo registrado anteriormente. Nos primeiros meses de 2026, os preços pagos ao produtor e os valores das carcaças iniciaram uma trajetória de queda que marcou um dos ciclos de maior pressão sobre a rentabilidade da suinocultura na história recente.
Em algumas regiões produtoras, o preço recebido pelo suíno vivo recuou para patamares inferiores a R$ 5 por quilo,

Foto: Shutterstock
valor considerado insuficiente para cobrir os custos de produção em diversas propriedades (Gráficos 1 e 2). A queda atingiu principalmente produtores independentes, mais expostos às oscilações de mercado e sem contratos de fornecimento que ofereçam maior previsibilidade de receita.
Segundo a ABCS, o movimento evidencia o impacto de um descompasso entre a capacidade produtiva instalada e a demanda efetiva pelo produto. Embora o desempenho das exportações tenha contribuído para retirar parte da oferta do mercado interno, o crescimento da produção foi mais intenso, mantendo a pressão sobre os preços ao longo do semestre.

Gráfico 1 – Evolução mensal do indicador do suíno vivo (R$/kg) em Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, de janeiro a junho de 2026. Fonte: Cepea/Esalq.

Gráfico 2 – Evolução mensal do Indicador Cepea/Esalq da carcaça suína especial (R$/kg) em São Paulo (SP), nos últimos 12 meses, até 20 de julho de 2026. Fonte: Cepea/Esalq.
Exportações avançam 8,5% no semestre
Nem o desempenho recorde das exportações brasileiras de carne suína in natura foi suficiente para sustentar os preços pagos ao produtor (Tabela 1). Entre janeiro e junho de 2026, os embarques somaram 683,8 mil toneladas, alta de 8,5% em relação ao mesmo período de 2025.
O crescimento foi impulsionado principalmente pelos embarques de março (+28,2%), abril (+9,7%) e janeiro (+13,8%). Apenas junho registrou retração, com queda de 5,4% frente ao mesmo mês do ano anterior.
Apesar do aumento das exportações, o mercado interno permaneceu pressionado pelo excesso de oferta, resultando em uma queda acentuada nas cotações do suíno vivo ao longo do primeiro semestre. O desempenho das vendas externas, embora robusto, não foi suficiente para absorver o volume disponível e equilibrar os preços pagos aos produtores.

Tabela 1 – Volume mensal de carne suína in natura exportada pelo Brasil (toneladas), de 2021 a junho de 2026, e variação (%) do primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025. Fonte: Elaborado por Iuri P. Machado com dados da Secex.
Produção cresce acima do consumo
Embora os dados oficiais de abate estejam consolidados apenas até o primeiro trimestre de 2026, eles já evidenciam uma trajetória consistente de expansão da produção e da oferta de carne suína no mercado interno (Tabela 2). Entre março de 2025 e março de 2026, o volume de abates aumentou durante 13 meses consecutivos na comparação com os mesmos meses do ano anterior, acumulando um acréscimo de 379 mil toneladas de carcaças (+6,51%).

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Em número de animais, isso representa aproximadamente 3,24 milhões de suínos abatidos a mais (+5,13%), volume equivalente à incorporação de pouco mais de 100 mil matrizes ao plantel tecnificado nacional, atualmente estimado em cerca de 2,2 milhões de fêmeas.
No mesmo período, as exportações brasileiras de carne suína in natura também registraram crescimento (Tabela 2), com aumento de 164,3 mil toneladas (+12,61%). Apesar do desempenho recorde dos embarques, esse avanço não foi suficiente para absorver toda a produção adicional.
Como resultado, a disponibilidade de carne suína no mercado interno aumentou em aproximadamente 215 mil toneladas (+4,76%) ao longo desses 13 meses, o equivalente a um acréscimo superior a 900 gramas por habitante ao ano no consumo aparente.
A diferença entre o crescimento da produção e a capacidade de absorção pelos mercados interno e externo ajuda a explicar a forte pressão sobre os preços observada no primeiro semestre de 2026. Os dados indicam que o aumento da oferta superou a expansão da demanda, resultando em um cenário de excedente de produto no mercado doméstico e pressionando a rentabilidade da suinocultura.

Tabela 2 – Abate mensal de suínos (cabeças e toneladas de carcaça), exportações brasileiras de carne suína in natura e disponibilidade interna (toneladas), de janeiro de 2025 a março de 2026, com variação em relação ao mesmo mês do ano anterior. O período destacado em laranja (março de 2025 a março de 2026) corresponde aos 13 meses consecutivos de crescimento do volume abatido (em toneladas). Fonte: Elaborado por Iuri Machado com dados do IBGE e da Secex.
Queda dos preços internos impulsiona exportação
Os dados preliminares do Serviço de Inspeção Federal (SIF), ainda sujeitos à consolidação, indicam uma desaceleração no ritmo de crescimento dos abates nos dois últimos meses em comparação com igual período de 2025. O mesmo movimento é observado nas exportações, sinalizando que a expansão da produção pode perder intensidade no segundo semestre.
Embora essa tendência aponte para uma estabilização da oferta, a disponibilidade de carne suína no mercado interno

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deverá permanecer significativamente acima da registrada no início de 2025, período em que o equilíbrio entre oferta e demanda sustentava preços mais elevados ao produtor.
Outro aspecto relevante observado em 2026 é a forte vantagem econômica das exportações em relação às vendas no mercado doméstico (Tabela 3). A comparação entre o preço da carcaça suína especial em São Paulo (SP) e o valor médio da carne suína in natura exportada, convertido para reais, mostra que o diferencial de preços atingiu níveis historicamente elevados. Em junho, esse spread alcançou quase 50%, enquanto a média acumulada do ano chegou a 32%, muito acima dos pouco mais de 12% registrados em 2025.

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O cenário atual é ainda mais expressivo quando comparado ao ciclo de forte expansão das exportações entre 2019 e 2021. Mesmo naquele período, impulsionado principalmente pela demanda asiática, o diferencial médio entre os preços do mercado externo e do mercado interno não ultrapassou 30% ao ano.
Em 2026, a combinação entre a valorização da carne suína no mercado internacional e a forte queda das cotações domésticas ampliou a competitividade das exportações, tornando o mercado externo significativamente mais rentável para as indústrias habilitadas a exportar. A elevada paridade evidencia que, diante dos baixos preços da carcaça no mercado interno, a exportação passou a representar uma alternativa ainda mais atrativa para absorver parte da produção nacional.

Tabela 3 – Volume exportado (toneladas) e preço médio da carne suína brasileira in natura (US$/kg e R$/kg), por mês, em 2025 e 2026, além da média anual de 2023 e 2024, comparados ao preço da carcaça suína especial em São Paulo (SP), referência Cepea/Esalq. O spread corresponde ao diferencial percentual entre o valor da carne exportada e o preço da carcaça no mercado interno, em favor das exportações. Fonte: Elaborado por Iuri Machado com dados da Secex e do Cepea/Esalq.
Milho reage após meses de queda nas cotações
O avanço da colheita da segunda safra de milho, que se aproxima de 50% da área cultivada, confirma uma oferta elevada do cereal no Brasil, suficiente para atender à demanda interna e às exportações previstas. Em condições normais, esse aumento da disponibilidade tende a exercer pressão sobre os preços.
No entanto, após vários meses de desvalorização, as cotações do milho passaram a apresentar reação nas últimas semanas (Gráfico 3). Entre os fatores que contribuíram para esse movimento está a revisão das estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que reduziu em quase 9% a projeção para a safra norte-americana que começa a ser colhida a partir de setembro. A perspectiva de menor oferta no principal exportador mundial deu sustentação aos preços internacionais e influenciou o mercado brasileiro, mesmo em um cenário de ampla disponibilidade do cereal no país.

Gráfico 3 – Evolução do preço diário do milho (R$/saca de 60 kg) em Campinas (SP), nos últimos 30 dias úteis, até 20 de julho de 2026. Fonte: Cepea
Queda do suíno amplia prejuízo nas granjas
Levantamento da Embrapa mostra que os custos de produção permaneceram relativamente estáveis em junho nos três estados da Região Sul. No entanto, a queda do preço do suíno vivo para abaixo de R$ 5,00/kg, conforme o Indicador Cepea/Esalq, ampliou o resultado negativo da atividade no último mês.
Como consequência, o primeiro semestre de 2026 foi marcado por margens financeiras praticamente nulas para os produtores de suínos (Tabela 4).

Tabela 4 – Custos totais de produção (ciclo completo em sistema independente), preço de venda do suíno vivo e margem estimada (lucro ou prejuízo), por mês, nos três estados da Região Sul, de janeiro a junho de 2026 (R$/kg de suíno vivo). A tabela também apresenta a média do primeiro semestre de 2026 e as médias anuais de 2024 e 2025. Fonte: Elaborado por Iuri Machado com dados da Embrapa (custos de produção) e do Cepea/Esalq (preço do suíno vivo).
Mercado busca reequilíbrio após excesso de oferta
Os indicadores preliminares apontam que o mercado de suínos pode estar entrando em uma nova fase após um primeiro semestre marcado pelo excesso de oferta e pela forte deterioração das margens dos produtores. Dados ainda não consolidados do Serviço de Inspeção Federal (SIF) indicam desaceleração no ritmo de crescimento dos abates nos últimos meses, movimento que, se confirmado, tende a reduzir a pressão da oferta sobre o mercado ao longo do segundo semestre.

Presidente da ABCS, Marcelo Lopes: “Pela dimensão do crescimento do abate observado desde o ano passado, isso se deve ao aumento do plantel de matrizes, acompanhado de ganhos de produtividade que não foram previstos pelo setor” – Foto: Divulgação/ABCS
Essa desaceleração ocorre depois de um período de expansão contínua da produção. Entre março de 2025 e março de 2026, o abate de suínos cresceu durante 13 meses consecutivos na comparação anual, ampliando significativamente a disponibilidade de carne no mercado doméstico. Embora esse ritmo esteja perdendo força, a oferta permanece em um patamar superior ao registrado no início de 2025, quando a relação entre oferta e demanda sustentava preços mais remuneradores ao produtor.
Na avaliação do presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes, a crise atual tem origem principalmente na expansão da produção. “Pela dimensão do crescimento do abate observado desde o ano passado, isso se deve ao aumento do plantel de matrizes, acompanhado de ganhos de produtividade que não foram previstos pelo setor. Diferentemente de crises recentes, esta é uma crise de oferta, e não de custos”, afirma.
Segundo Lopes, os fundamentos de demanda permanecem favoráveis. As exportações seguem em níveis elevados e

Foto: José Fernando Ogura
apresentam rentabilidade superior às vendas no mercado doméstico, enquanto a carne suína continua competitiva frente às demais proteínas de origem animal. Ainda assim, esses fatores não foram suficientes para absorver o aumento da produção observado nos últimos meses.
A expectativa é de que a recuperação do mercado ocorra de forma gradual, à medida que o crescimento da oferta perca intensidade e o consumo avance com a sazonalidade típica do fim do ano. Nesse cenário, a recomposição dos preços dependerá da velocidade com que o mercado conseguirá reduzir o excedente acumulado no primeiro semestre, reaproximando oferta e demanda.
Suínos
Vendas de carne suína crescem em 94% das redes varejistas durante SNCS
Campanha nacional ampliou o volume comercializado em 88% das redes participantes, com expansão da proteína em novos mercados e aumento de até 25% no faturamento em algumas operações.

A 14ª edição da Semana Nacional da Carne Suína (SNCS) terminou com resultados positivos para a comercialização da proteína no varejo brasileiro. Promovida pela Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), a campanha registrou crescimento em volume de vendas ou faturamento em 94% das redes participantes, mesmo em um período marcado pela deflação dos alimentos e por um consumidor mais cauteloso nas compras.

Foto: Divulgação/ABCS
Segundo o balanço da entidade, 88% dos supermercados ampliaram o volume comercializado durante a campanha e, em 76% das redes, esse crescimento foi superior a 10%. Em alguns casos, o faturamento com a categoria aumentou até 25%.
Para a ABCS, os resultados indicam que a estratégia adotada vai além das ações promocionais. A entidade atribui o desempenho à combinação entre capacitação das equipes do varejo, comunicação nos pontos de venda e iniciativas voltadas à valorização da categoria junto ao consumidor. “O maior resultado não é o crescimento registrado pelas redes participantes, mas a formação de novos consumidores e o fortalecimento de um mercado que beneficia toda a cadeia produtiva”, afirma o presidente da ABCS, Marcelo Lopes.
Expansão para novas regiões
A edição de 2026 também marcou a ampliação da campanha para novos mercados. O Nordeste foi um dos destaques

Foto: Divulgação/ABCS
do projeto, impulsionado pela entrada do Grupo Mateus, maior rede varejista da região, que participou pela primeira vez da iniciativa.
De acordo com a ABCS, a rede registrou crescimento de 11% no volume de vendas de carne suína durante a campanha, resultado apontado pela entidade como um indicativo do potencial de expansão da categoria em regiões onde o consumo ainda tem espaço para crescer.
Entre os maiores desempenhos individuais, a rede Avenida alcançou aumento de 39,8% no volume comercializado. Já o Carrefour Brasil, participante da campanha pelo oitavo ano consecutivo, registrou crescimento de 29% nas vendas em volume. Segundo a ABCS, o avanço foi impulsionado principalmente pelos cortes resfriados, indicando maior presença dos produtos in natura nas compras dos consumidores.
Além do desempenho comercial, a entidade destaca que os relatos das redes participantes apontam ganhos que permaneceram após o encerramento da campanha. Entre eles estão a ampliação do mix de produtos, maior competitividade dos cortes suínos, evolução da comunicação nos pontos de venda, ações digitais e capacitação das equipes de loja.

Presidente da ABCS, Marcelo Lopes: “Mesmo diante de um ambiente de deflação, conseguimos ampliar a presença da carne suína na jornada de compra, criar novas ocasiões de consumo e fortalecer uma estratégia baseada em educação, informação e construção de valor” – Foto: Divulgação/ABCS
Na avaliação de Marcelo Lopes, a campanha tem acompanhado as mudanças no comportamento do consumidor. “A inovação não está apenas em criar novas campanhas, mas em compreender como o consumidor evolui. Mesmo diante de um ambiente de deflação, conseguimos ampliar a presença da carne suína na jornada de compra, criar novas ocasiões de consumo e fortalecer uma estratégia baseada em educação, informação e construção de valor”, afirma.
De campanha promocional a estratégia de categoria
Ao completar 14 edições, a Semana Nacional da Carne Suína consolidou-se como uma ação permanente de desenvolvimento da categoria no varejo, segundo a ABCS. A entidade avalia que o trabalho contínuo de capacitação, produção de conteúdo e aproximação com consumidores tem contribuído para ampliar a presença da carne suína nas gôndolas e estimular sua incorporação ao consumo cotidiano.
Os resultados da edição de 2026 reforçam essa estratégia ao indicar que, além do aumento nas vendas durante o período da campanha, houve fortalecimento da categoria dentro das redes varejistas, com potencial para manter o crescimento da participação da carne suína após o encerramento das ações promocionais.
Suínos
Dia do Suinocultor celebra protagonismo de quem impulsiona setor de R$ 63,1 bilhões
Com 5,6 milhões de toneladas produzidas e US$ 3,6 bilhões em exportações, cadeia reforça a importância dos produtores para a competitividade da proteína animal brasileira.

Celebrado nesta sexta-feira (24), o Dia Nacional do Suinocultor destaca o protagonismo dos produtores que, diariamente, sustentam a evolução de uma das cadeias mais competitivas do agronegócio brasileiro.
Em 2025, a produção brasileira de carne suína alcançou 5,592 milhões de toneladas, consolidando o país como o quarto maior produtor mundial. O Valor Bruto da Produção (VBP) do setor chegou a R$ 63,1 bilhões, movimentando economias regionais, gerando renda e impulsionando uma ampla cadeia formada por produtores de grãos, empresas de genética, nutrição e saúde animal, transportadores, cooperativas, agroindústrias e outros segmentos.

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A presença internacional também ganhou força. No ano passado, o Brasil exportou 1,510 milhão de toneladas de carne suína para 94 países, gerando receita cambial de US$ 3,6 bilhões. Com esse desempenho, o país manteve-se como o terceiro maior exportador mundial. Do total produzido, 27,01% foi destinado ao mercado externo.
Ao mesmo tempo, o mercado brasileiro permaneceu como o principal destino da produção nacional. O consumo per capita atingiu 19,1 quilos por habitante em 2025, refletindo a crescente presença da carne suína na mesa dos brasileiros e a ampliação da variedade de cortes e produtos disponíveis no varejo e na alimentação fora do lar.
Para a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), esses resultados começam dentro das propriedades rurais. São os suinocultores que transformam avanços em genética, nutrição, manejo, sanidade, biosseguridade, bem-estar animal e sustentabilidade em ganhos efetivos de produtividade, qualidade e segurança dos alimentos. “Cada tonelada

Presidente da ABPA, Ricardo Santin: “Cada tonelada produzida, cada mercado conquistado e cada avanço alcançado pela suinocultura brasileira começa com o trabalho do produtor” – Foto: Mario Castello
produzida, cada mercado conquistado e cada avanço alcançado pela suinocultura brasileira começa com o trabalho do produtor. É dentro das granjas que os compromissos do setor com a sanidade, a eficiência, a qualidade e a sustentabilidade se transformam em prática. O suinocultor é o grande protagonista de uma cadeia que gera desenvolvimento para o Brasil e ajuda a garantir segurança alimentar para consumidores brasileiros e de dezenas de países”, destaca Ricardo Santin, presidente da ABPA.
Presentes em diferentes modelos de produção, sejam integrados, cooperados ou independentes, os suinocultores também desempenham papel decisivo na geração de oportunidades no interior do país. A atividade fortalece municípios, mantém renda nas comunidades e estimula investimentos em tecnologia, infraestrutura e qualificação profissional. “A competitividade da suinocultura brasileira não foi construída por acaso. Ela é resultado da capacidade de adaptação, do investimento e da dedicação de milhares de produtores. Celebrar o Dia do Suinocultor é reconhecer quem está na base de um setor que movimenta bilhões, abastece o mercado interno e leva a qualidade da proteína animal brasileira para o mundo”, conclui Santin.




