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Criação de bezerros no Acre avança com pastagens de qualidade, mas esbarra na baixa adoção de tecnologias

Estudo da Embrapa revela perfil majoritariamente familiar das propriedades, boas condições de pasto e gargalos como superpastejo, falta de assistência técnica e barreiras ao melhoramento genético.

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O estudo revelou que 75,4% das propriedades apresentam pastagem com boa qualidade.

Diagnóstico realizado pela Embrapa Acre, em fazendas de cria do estado, revelou que 82% dos produtores são de base familiar e 71% praticam a criação de bezerros com baixa adoção de tecnologias. A ausência de infraestrutura adequada nessas propriedades está entre os principais fatores que dificultam a modernização dos sistemas de produção.

Entre as potencialidades da atividade, o estudo revelou que 75,4% das propriedades apresentam pastagem com boa qualidade, resultado do investimento em reforma de pastagens com adoção de gramíneas adaptadas à região. O uso dessas tecnologias contribui para garantir pastagens produtivas e duradouras, reduzem custos com novas reformas e evitam a abertura de novas áreas.

Principal atividade econômica do Acre

Principal atividade econômica do Acre, a pecuária de corte responde por 60% do valor bruto da produção agropecuária do estado e a criação de bezerros é a base para obtenção de animais com características desejáveis para a produção de carne de qualidade. A pecuária de cria gera trabalho e renda para mais de 10 mil produtores rurais do estado, que fornecem bezerros desmamados para propriedades de recria e engorda do Acre e outras localidades das regiões Norte, Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. Para conhecer as potencialidades e fragilidades dessa atividade, pesquisadores da Embrapa percorreram 246 fazendas de cria, em 12 municípios acreanos.

Foto: Carlos Maurício Andrade

O diagnóstico traça um retrato da pecuária de cria no Acre, apontando pontos positivos, os gargalos que impedem a adoção de tecnologias e as demandas por políticas públicas na atividade. Os resultados confirmam o potencial da criação de bezerros no Acre e revelam carências típicas da pequena produção. O Coordenador do estudo, o pesquisador Carlos Mauricio Andrade, pondera que no desafio de modernizar a pecuária de cria, o primeiro passo é conhecer a realidade da atividade e o perfil dos produtores e das propriedades. Esse conhecimento é fundamental para identificar onde está a atividade e aonde é possível chegar.

“Identificamos demandas tecnológicas que requerem ações de transferência de tecnologias, investimentos em pesquisas estratégicas para o desenvolvimento de novas soluções tecnológicas e políticas públicas para apoiar os criadores e desenvolver esse segmento econômico no estado”, relata. “Como a pecuária bovina é uma atividade com todos os elos totalmente integrados, qualquer intervenção na pecuária de cria gera impactos em toda a cadeia”, frisa o cientista.

Faltam informações sobre as tecnologias disponíveis

O diagnóstico confirmou que a pecuária de cria é menos desenvolvida que os outros elos da cadeia pecuária, embora existam tecnologias disponíveis e de baixo custo para a atividade. A carência tecnológica está relacionada principalmente ao tamanho da fazenda, que define o perfil econômico da propriedade, grau de escolaridade dos produtores e falta de informações para os criadores sobre as tecnologias já disponibilizadas pela pesquisa.

Entre as tecnologias pouco difundidas na pecuária de cria está o consórcio de gramíneas com leguminosas. O amendoim forrageiro, principal leguminosa recomendada para consorciação, lançado pela pesquisa há mais de duas décadas, está presente em apenas 6% das fazendas de cria, apesar do grande potencial da planta para intensificar a produtividade das pastagens.

Foto: Judson Valentim (capim Xaraés consorciado com amendoim forrageiro)

O estudo também mostrou que os protocolos de controle das principais plantas daninhas das pastagens, recomendados pela pesquisa, não estão bem difundidos entre os produtores. Outra tecnologia ainda pouco conhecida é o plantio direto de forrageiras a lanço, pensado principalmente para pequenos produtores, por possibilitar a reforma de pastagens sem uso de tratores e com menor impacto ambiental. A técnica já é utilizada por grandes e médios pecuaristas, mas é pouco adotada por pequenos produtores, o que indica a necessidade de investimento em ações para a transferência dessa tecnologia.

Internet está presente em 71% das fazendas

O estudo revelou que 71% dos produtores têm acesso à internet por meio de smartfones e resolvem boa parte de suas demandas sem precisar se deslocar até a cidade. Esse canal de comunicação pode dar suporte às ações para disseminação de informações sobre as tecnologias disponíveis para modernizar a atividade.

Para o professor da Universidade Estadual do Vale do Acaraú (UVA), Vitor Macedo, que também participou do estudo, como a internet é uma realidade inclusive entre pequenos produtores é importante estimular a criação de redes locais de troca de conhecimento. Segundo ele, isso facilitaria a interação entre produtores mais tecnificados, iniciantes e técnicos da extensão rural, em canais de divulgação, via aplicativos de comunicação e redes sociais.

“Outro ponto crucial é focar no compartilhamento de “tecnologias de entrada”, que exigem baixo investimento e têm efeito direto na produtividade, como a organização de calendário reprodutivo para a estação de monta, técnicas de identificação e separação das categorias de rebanho, vermifugação estratégica e práticas de manejo de pastagem”, destaca.

Pastagens com baixa degradação

O Acre possui, atualmente, o menor índice de degradação de pastagens entre os estados da região Norte, além de contar com pastos bem diversificados. Essa constatação é muito relevante, considerando os impactos da Síndrome da Morte do Braquiarão (SMB), doença que, a partir do final da década de 1990, causou a degradação de milhares de hectares de pastagens no estado.

Foto: Shutterstock

De acordo com o estudo, apenas 24,6% das pastagens das fazendas de cria investigadas necessitam de renovação e em 73% dessas propriedades os produtores investem na diversificação de pastagens com plantio de pelo menos três tipos de gramíneas. Além disso, utilizam gramíneas adaptadas ao clima e solos da região, recomendadas pela Embrapa.

A Brachiaria brizantha, cultivar Xaraés (também conhecida como MG5), lançada pela empresa em 2003, é o capim mais plantado, devido à alta resistência ao encharcamento do solo, problema típico da região amazônica. “Os pecuaristas do Acre aprenderam a diversificar as suas pastagens e sabem reconhecer quando um pasto precisa de reforma, utilizando critérios recomendados pela pesquisa para identificar sintomas de degradação. A presença de falhas no pasto, a ocorrência de plantas daninhas, o aumento da população do capim-nativo e a ocorrência de sintomas típicos da SMB são os critérios mais utilizados, explica Andrade, que também enfatiza que esses resultados confirmam que o esforço da pesquisa científica para desenvolver e recomendar tecnologias de pastagem para a pecuária acreana tem gerado impactos positivos na atividade”, avalia.

Mais capacitação no campo

A pesquisa também revelou que a taxa de lotação média utilizada pelas fazendas de cria, de 2,49 cabeças por hectare, é 27,7% maior do que a média do estado. Isso indica que pelo menos um terço das fazendas apresentam excesso de gado, prática que ocasiona superpastejo e compromete o desempenho dos animais, a persistência do pasto e a geração de renda na propriedade.

Andrade explica que o superpastejo é um dos principais fatores de degradação de pastagem no Brasil. O problema, recorrente em muitas fazendas de cria no Acre, em especial naquelas de pequeno porte, gera impactos negativos tanto na nutrição do rebanho quanto na qualidade das pastagens. “Esse cenário evidencia a necessidade de mais capacitação para ampliar os conhecimentos dos produtores sobre como calcular a taxa de lotação e utilizar adequadamente essa informação na gestão das pastagens da propriedade, prática que pode reduzir ainda mais os níveis de degradação existentes”, reforça.

Foto: Licia Rubinstein

De acordo com o pesquisador Judson Valentim, o problema da superlotação de pastos também é consequência da limitação de áreas de terra e da percepção dos produtores, do gado como “poupança”. “A estratégia é aumentar o rebanho para depois vender uma parte e comprar novas áreas, principalmente para melhorar a escala de produção e permitir que os filhos permaneçam com suas famílias nas proximidades. Por outro lado, falta assistência técnica e acesso a crédito rural, principais vetores para a adoção de tecnologias para recuperar pastagens degradadas e melhorar a produtividade e lucratividade na pecuária de cria”, destaca.

Necessidade de políticas públicas

Os resultados do diagnóstico vão direcionar novas pesquisas e serão subsídio para a formulação de políticas públicas com foco na modernização dos sistemas pecuários de cria, para aumento da eficiência produtiva e sustentabilidade. Por ser uma atividade de base familiar, o perfil econômico dos criadores e o tamanho da propriedade influenciam de forma determinante os investimentos na adoção de tecnologias.

“Constatamos que as fazendas de médio e grande porte investiram muito na reforma de pastagens nos últimos 20 anos. Entretanto, pequenos criadores, com até cem cabeças de gado, têm dificuldade de realizar esse investimento. Uma das soluções tecnológicas que podem contribuir para mudar esse cenário é o plantio direto de forrageiras a lanço, técnica que dispensa a mecanização do solo, fator que encarece o processo de reforma da pastagem, e ajuda a conservar a fertilidade, e a estrutura desse recurso natural. Há uma clara demanda por políticas públicas com foco no aumento da adoção dessa tecnologia na pecuária de cria do Acre”, enfatiza Andrade.

Outro ponto que, de acordo com o diagnóstico, necessita de melhoria é a genética dos bezerros produzidos. Embora o padrão genético do rebanho acreano seja relativamente bom, o Acre precisa investir em melhoramento genético, especialmente para exportar bezerros. Em função da produção em pequena escala, muitos produtores têm dificuldade de comprar touros com alto padrão genético. “Cerca de 80% dos criadores utilizam touros de “ponta de boiada” como reprodutores, ou seja, animais de mérito genético desconhecido. Esses produtores não têm nenhuma garantia que esses animais vão gerar bons filhos e isso compromete a qualidade genética do rebanho”, explica Andrade.

Foto: Divulgação/ANPC

Entre as estratégias apontadas pelo estudo, para vencer as limitações para a adoção de tecnologias para o melhoramento genético do rebanho bovino na pecuária de cria, está o programa Progenética, iniciativa da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), que atua em parceria com o Banco do Brasil, no apoio a criadores, por meio de financiamento para aquisição de touros melhorados. Essa política pública existe em outras regiões e o governo do Acre pode incentivar a sua expansão para o estado.

Para Valentim, as soluções para os gargalos tecnológicos apontados na pecuária de cria passam, necessariamente, pela ampliação do acesso dos produtores à assistência técnica continuada e de qualidade e à linhas de crédito rural do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf). “Além disso, é crucial a ampliação das ações da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), visando apoiar a criação de cooperativas e associações como mecanismo para realização de compras coletivas de insumos agropecuários e para a comercialização conjunta de bezerros”, destaca.

Modernização deve ser gradual

Vitor Macedo defende que o processo de consolidação da pecuária de cria como atividade comercial sustentável no Acre passa por um conjunto de ações integradas, envolvendo principalmente políticas públicas e capacitação. Iniciativas como priorizar o ensino médio técnico rural e oferecer capacitações continuadas em manejo, gestão e empreendedorismo para jovens e filhos de produtores podem ser eficazes nesse processo. “Também é primordial destinar investimentos públicos para manutenção de estradas e ramais, para reduzir custos logísticos e conectar os produtores aos mercados, além de facilitar o acesso a linhas de crédito com carência e juros subsidiados voltadas, principalmente, para pequenas propriedades, em conjunto com serviços técnicos de acompanhamento gerenciais especializados”, ressalta.

Ainda de acordo com Macedo, a modernização dessa atividade produtiva precisa ser gradual e adaptada à realidade socioeconômica dos pequenos produtores familiares. “Modernizar, nesse caso, não significa adoção imediata de tecnologias sofisticadas, mas promover a elevação progressiva do padrão tecnológico das fazendas de cria, com foco na viabilidade prática e econômica para os produtores”.

Fonte: Assessoria Embrapa Acre

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Segunda etapa do Acrimat em Ação percorre polos da pecuária no Mato Grosso

Iniciativa da Associação dos Criadores de Mato Grosso começou por Paranatinga e já passou por Canarana e Ribeirão Cascalheira, levando capacitação sobre gestão e liderança no campo.

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Foto: Shutterstock

A segunda etapa do Acrimat em Ação, iniciativa da Associação dos Criadores de Mato Grosso, começou no dia 19 de fevereiro e já mobilizou pecuaristas, técnicos e lideranças em três municípios do interior de Mato Grosso. A nova rota tem como foco continuar o trabalho que consolidou a primeira etapa como um dos principais eventos de itinerantes da pecuária de corte no estado, levando conhecimento prático diretamente às regiões produtoras e fortalecendo o diálogo com quem vive o dia a dia de campo.

O município de Paranatinga foi o primeiro a receber a programação da segunda rota, com palestra realizada no dia 19 de fevereiro no Clube Denise. O palestrante Ricardo Arantes conduziu a discussão sobre temas centrais para a pecuária contemporânea: liderança, gestão de pessoas e organização da fazenda, aspectos considerados decisivos para o sucesso da atividade rural.

Foto: Acrimat

“A presença do Acrimat em Ação em Paranatinga reforça o nosso compromisso de estar ao lado do produtor, ouvindo de perto as demandas e levando informação que realmente transforma a rotina da fazenda. A pecuária moderna exige gestão, liderança e visão estratégica, e é isso que buscamos fortalecer em cada encontro. Ver a participação ativa dos pecuaristas da região mostra que estamos no caminho certo”, destacou Márcia Tomazini, diretora regional da Acrimat em Paranatinga.

Produtores, técnicos e estudantes acompanharam as orientações que buscam mostrar que a produção eficiente vai além da quantidade de animais, passa por uma gestão estratégica de equipes e processos que garanta produtividade, sustentabilidade econômica e continuidade familiar no campo.

Canarana segue com debate técnico e troca de experiências

No dia seguinte, a programação seguiu em Canarana, outro polo produtivo importante do estado. Assim como nas demais etapas desta segunda rota, o encontro reuniu a cadeia produtiva local para atualização técnica com foco na realidade dos pecuaristas da região.

Completando 89 anos, a pioneira na região de Gaúcha do norte, Gilda Maria Dias Jacintho, esteve na palestra em Canarana e enfatizou a importância da busca por conhecimento. “Antigamente era muito difícil encontrar conhecimento na pecuária, hoje ter um palestrante como esse, trazendo um conteúdo rico, é um privilégio para os jovens produtores.” Finaliza.

No dia 21 de fevereiro, a programação chegou a Ribeirão Cascalheira, seguindo o cronograma da segunda etapa, que contempla oito polos produtivos estratégicos. Ali, produtores e participantes tiveram a chance de debater desafios e oportunidades da pecuária local, além de trocarem experiências com técnicos e representantes da entidade. “Participar do Acrimat em Ação aqui em Ribeirão Cascalheira a foi uma oportunidade de atualizar a forma como conduzimos a propriedade. Às vezes a gente foca muito na produção e acaba deixando a gestão de pessoas em segundo plano”, destacou João Carlos Ferreira o gerente de fazenda em Ribeirão Cascalheira.

Ao longo desta segunda rota, que passa ainda por outras cidades como Vila Rica, Água Boa, Barra do Garças e finaliza em Rondonópolis, o Acrimat em Ação segue com o compromisso de levar conteúdo técnico direto ao produtor, fortalecer a representatividade da atividade no estado e fomentar a profissionalização da gestão nas propriedades rurais.

Fonte: Assessoria Acrimat
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Pesquisa da Embrapa aponta solução para reduzir mamada cruzada em bezerros

Estudo mostra que bebedouros com bico artificial diminuem comportamento indesejado sem comprometer consumo de água ou desempenho zootécnico.

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Fotos: Gisele Rosso

O uso de bebedouros acoplados com bico artificial é uma alternativa para reduzir o comportamento de sucção cruzada em bezerros leiteiros criados em grupo, a pasto ou em confinamento. A constatação resulta de pesquisa desenvolvida na Embrapa Pecuária Sudeste (SP), com o objetivo de buscar estratégias para melhorar o bem-estar dos animais, uma vez que alguns comportamentos, como a mamada cruzada, comprometem o seu desenvolvimento saudável.

O estudo, em parceria com a Universidade Estadual Paulista (Unesp – Botucatu), foi publicado na revista internacional Applied Animal Behaviour Science em 2025. Foram comparados os comportamentos de animais da raça Jersolanda (resultante do cruzamento de Holandês com Jersey) ao usarem bebedouros com bicos e bebedouros tradicionais.

Apesar dos ganhos para o bem-estar, os produtores frequentemente hesitam em adotar o modelo de criação de animais em grupo porque ele favorece a mamada cruzada. Essa prática se define pelo ato de bezerros sugarem-se uns aos outros, o que pode levar a lesões e a problemas de saúde e interfere no desempenho produtivo (veja detalhes no quadro abaixo). Para a pesquisadora da Embrapa Teresa Alves, o que os leva a esse comportamento é a falta de estímulos de sucção adequados.

“Práticas como a separação do filho da vaca e a alimentação com leite restrita a determinados momentos limitam o comportamento natural do bezerro mamar em sua mãe e aumentam a regularidade da sucção cruzada. Assim, o acesso a um bico artificial nos bebedouros, para a oferta de água, é uma prática interessante, pois reduz a mamada cruzada e permite aos animais satisfazer seu instinto natural de sugar, ao longo do dia”, explica a pesquisadora.

Para Matheus Deniz, professor do Departamento de Produção Animal e Medicina Veterinária Preventiva da Unesp, em sistemas a pasto, um ambiente mais natural e enriquecido, essa estratégia é ainda mais relevante, pois aproxima o animal da experiência que teria junto com a mãe. “No estudo, observamos que os bezerros utilizaram o bebedouro com bico inclusive durante a noite. Ao proporcionarmos oportunidades para que satisfaçam o instinto de sucção, além de reduzirmos práticas indesejáveis como a mamada cruzada, promovemos melhores níveis de bem-estar sem comprometer o desempenho zootécnico dos bezerros”, observa.

Alves complementa que a interação social melhora o desenvolvimento e o crescimento dos bezerros, ao mesmo tempo que fortalece a capacidade de lidar com mudanças de ambiente e situações de estresse, comuns na fase de desmame. “Quando optamos por um sistema coletivo de criação de bezerros, estamos pensando em criá-los dentro da estrutura para a qual ele foi desenvolvido. Os bovinos são animais gregários, vivem em comunidade. Quando estão em conjunto, aprendem e se socializam”, afirma.

Nos experimentos, foi observado que os filhotes que utilizaram os baldes abertos para ingestão de água direcionaram a sucção cruzada para o umbigo de outro animal com frequência duas vezes maior do que os bezerros no outro tratamento. A mamada cruzada direcionada ao escroto ou à base do úbere foi observada apenas nesses bezerros que tomavam água dos baldes.

Outra vantagem observada na pesquisa e no dia a dia da fazenda foi a facilidade de manejo quando os animais estão em grupos. Os bezerros são mais dóceis e a lida é facilitada. Dessa forma, o tempo gasto para tratar um grupo de animais é o mesmo que se gastaria tratando-os individualmente, otimizando a força de trabalho.

Resultados

A frequência de sucção cruzada foi de cinco vezes ao dia nos grupos que utilizaram bebedouros com bico. Já a periodicidade dessa prática onde o bebedouro era aberto foi de cerca de nove vezes ao dia. Em relação à duração desses eventos, não houve diferença. O comportamento foi observado geralmente após a amamentação com leite.

As visitas ao bebedouro também foram similares. Contudo, os animais dos tratamentos com bico permaneceram mais tempo no local. Ao usar o bico, o filhote bebe devagar, passando mais tempo no bebedouro. “O bico obriga o bezerro a fazer mais força para ingerir a água, estimulando a salivação, a saciedade e a vontade de mamar”, explica Alves.

O consumo de água não foi significativamente diferente. Os animais que estavam nos grupos com bebedouros com bico beberam cinco litros de água à noite e quatro durante o dia. Os que ficaram com os baldes abertos, 5,5 litros à noite e cinco litros no período diurno. Apesar do método de disponibilização de água não ter influenciado o consumo significativamente, os bezerros que utilizaram os bebedouros com bico beberam mais água à noite. Os pesquisadores acreditam que esses animais tenham ajustado seu comportamento de beber para satisfazer suas necessidades naturais de sucção, possivelmente como uma resposta compensatória aos horários fixos da alimentação com leite.

O estudo demonstrou, ainda, que não houve efeito do método de fornecimento de água na ingestão de leite, nem na frequência de visitas ao cocho de ração ou na duração da ingestão de ração. O crescimento dos bezerros não foi afetado, indicando que o bebedouro com bico atendeu às necessidades de ingestão de água e suportou o crescimento esperado.

Os resultados destacam que fornecer acesso à água por meio de bicos apoia a necessidade de sucção ao longo do dia sem levar a uma ingestão excessiva que possa impactar negativamente o crescimento.

Fonte: Assessoria Embrapa Pecuária Sudeste
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MBRF atinge 100% de rastreabilidade da cadeia de bovinos no Brasil

Companhia se torna pioneira global ao implementar sistema completo de monitoramento socioambiental, garantindo que fornecedores diretos e indiretos não atuem em áreas de desmatamento ou uso de trabalho irregular.

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Foto: MBRF

A MBRF, uma das maiores companhias de alimentos do mundo, anuncia o cumprimento do compromisso público de atingir 100% a rastreabilidade territorial da cadeia de bovinos, considerando fornecedores diretos e indiretos, em todos os biomas brasileiros com originação de animais. Com esse marco, a MBRF se torna pioneira global no setor de proteína animal ao implementar um sistema completo, contínuo e verificável de monitoramento socioambiental de toda a cadeia de fornecimento.

Pioneira na adoção de processos estruturados e tecnologias de rastreamento e geomonitoramento via satélite no setor de proteína animal, a companhia monitora seus fornecedores diretos desde 2010. Com o avanço para o monitoramento integral dos indiretos, a MBRF passa a obter a rastreabilidade completa da cadeia, possibilitando que a matéria-prima utilizada em sua produção não tenha origem em áreas com desmatamento, trabalho análogo à escravidão ou infantil, áreas embargadas, unidades de conservação ou terras indígenas e quilombolas, reforçando seu modelo de produção responsável e alinhado às exigências socioambientais.

“Somos a única companhia do setor a assumir publicamente esse compromisso, com metas claras e prazos definidos, o que nos permite atender às expectativas de mercados altamente exigentes e reforçar a confiança de clientes e investidores. Esse importante avanço comprova que é possível produzir alimentos de forma sustentável, conciliando eficiência produtiva, conservação ambiental, redução de emissões e responsabilidade social”, afirma Paulo Pianez, diretor de sustentabilidade e relações institucionais da MBRF.

O compromisso de rastreabilidade foi anunciado originalmente durante a COP26, em Glasgow (Escócia), com prazos diferenciados por bioma: Amazônia até 2025 e Cerrado até 2030. Durante a COP28, em Dubai (Emirados Árabes Unidos), a MBRF antecipou voluntariamente a meta para 2025. O trabalho teve início com um amplo mapeamento territorial, que identificou e classificou áreas por níveis de risco socioambiental, orientando estratégias de a implementação das ações de monitoramento e engajamento com produtores ao longo da cadeia.

Verde+

O avanço na rastreabilidade da cadeia de bovinos integra um esforço mais amplo da MBRF no campo da sustentabilidade, estruturado no Programa Verde+, que é baseado nos princípios de produção-conservação-inclusão. A iniciativa se apoia em três pilares: a adoção de tecnologias de monitoramento e rastreabilidade, a oferta de assistência técnica aos produtores e o desenvolvimento de mecanismos financeiros que incentivem práticas sustentáveis no campo.

A companhia conta com um sistema de geomonitoramento via satélite em operação 24 horas por dia, sete dias por semana. Atualmente, a MBRF monitora cerca de 25 milhões de hectares, área equivalente ao território do estado de São Paulo ou do Reino Unido.

Os critérios socioambientais obrigatórios para a habilitação e a manutenção de fornecedores incluem a verificação de embargos ambientais (Ibama, ICMBio e Sema), sobreposição com áreas legalmente protegidas, áreas de desmatamento, listas do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) relacionadas ao trabalho análogo à escravidão, além de sobreposição com territórios indígenas e quilombolas. Além dos critérios tradicionais de conformidade, a MBRF incorpora também aspectos relacionados a biodiversidade, como indicadores voltados à compreensão e à prevenção de impactos adversos, incluindo o estresse hídrico. Fornecedores associados a qualquer não conformidade são automaticamente bloqueados para novas aquisições de animais no sistema da companhia até os devidos esclarecimentos e regularizações.

Grãos

Além da cadeia de bovinos, a MBRF monitora integralmente a cadeia de fornecimento de grão. A meta de garantir 100% de rastreabilidade dos fornecedores diretos e indiretos em todos os biomas brasileiros foi anunciada na COP26, em Glasgow (Escócia), e atingida com antecedência: os fornecedores diretos foram monitorados integralmente em 2023, e a meta para os fornecedores indiretos foi cumprida em dezembro de 2024.

Estratégia de sustentabilidade

A MBRF, por meio de sua plataforma de sustentabilidade, atua para conciliar produtividade com a preservação dos recursos naturais e da biodiversidade. A companhia adota práticas que protegem os biomas onde atua, promovem o bem-estar animal e respeitam os direitos humanos ao longo de toda a cadeia de valor.

As iniciativas incluem o uso eficiente de água e energia, o melhor aproveitamento dos alimentos, a redução das emissões de gases de efeito estufa e a gestão responsável da cadeia de fornecimento, com foco no controle de origem, no combate ao desmatamento e na promoção da inclusão social. Essa abordagem reforça o compromisso da MBRF com uma produção de alimentos sustentável, transparente e alinhada às expectativas da sociedade, dos mercados e dos investidores.

Fonte: Assessoria MBRF
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