Peixes
Crescimento da tilapicultura no Brasil esbarra em altos custos de produção e concorrência externa
Avanço da atividade é impulsionado pelo aumento do consumo interno e das exportações, mas margens apertadas e importações competitivas desafiam a rentabilidade dos produtores.

Com produção crescente, consumo interno em expansão e forte presença no mercado internacional, a tilápia desponta como uma atividade cada vez mais promissora no Brasil. Apesar do crescimento, os produtores enfrentam desafios significativos relacionados a custos de produção, flutuações de preços, margens de rentabilidade e concorrência externa.
O cenário atual mostra que a alimentação dos peixes continua sendo o principal componente do custo de produção, representando cerca de 75% do total, podendo variar conforme a região e o modelo de produção (tanque-rede ou tanque escavado). A aquisição de alevinos e juvenis ocupa em média 12%, enquanto mão de obra, manutenção, despesas administrativas e combustível completam o restante.

Mestre em Economia Aplicada, doutor em Administração de Empresas, professor da Esalq/USP e pesquisador do Cepea, Thiago Bernardino de Carvalho: “Mesmo uma redução modesta no custo da alimentação pode fazer diferença na rentabilidade do produtor, principalmente em regiões com maior eficiência produtiva” – Foto: Arquivo pessoal
Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), pequenas variações no preço da ração têm impacto direto sobre a margem dos produtores. No primeiro semestre de 2025, por exemplo, o preço da ração apresentou leve queda de 2,9%, passando de R$ 2,78/kg para R$ 2,70/kg em relação ao mesmo período de 2024. “Mesmo uma redução modesta no custo da alimentação pode fazer diferença na rentabilidade do produtor, principalmente em regiões com maior eficiência produtiva”, explica Thiago Bernardino de Carvalho, mestre em Economia Aplicada, doutor em Administração de Empresas, professor da Esalq/USP e pesquisador do Cepea.
Apesar da pressão sobre os preços, a atividade ainda mantém margem positiva. A margem bruta média, calculada em R$/kg comercializado nas propriedades monitoradas pelo Cepea, sofreu retração de 45,5%, passando de R$ 2,82 para R$ 1,54 no período analisado. Carvalho destaca que essa queda é explicada principalmente pela desvalorização do preço da tilápia na origem. “Em algumas regiões, entretanto, os produtores têm obtido resultados ligeiramente melhores, como no Oeste do Paraná, onde predomina a produção em tanque escavado, que apresenta custos de produção relativamente menores”, expõe o pesquisador.
Consumo interno
O brasileiro consumiu 2,84 kg de peixe per capita em 2023, contra 1,47 kg há uma década, segundo dados da Peixe BR. O desempenho do setor no comércio exterior também é relevante, com aumento de 49% em volume e 52% em faturamento com as exportações de peixes brasileiros em relação ao mesmo período do ano anterior, com a tilápia respondendo por 95% do total exportado. “Esse resultado reforça sua posição como principal espécie cultivada e comercializada internacionalmente pelo Brasil”, enaltece Carvalho, acrescentando: “A demanda vem crescendo em paralelo à oferta, mas nem sempre há equilíbrio entre essas duas forças, o que gera oscilações de preços ao longo do ano”, comenta o especialista.
Custos de produção
A competitividade do produtor está diretamente ligada ao preço dos insumos. De acordo com Carvalho, a alimentação, que domina os custos, tem se beneficiado da queda nos preços do milho e do farelo de soja, reflexo da maior oferta desses insumos utilizados na formulação da ração. “Essa redução contribui para diminuir o custo de produção e, consequentemente, fortalecer a posição do produtor brasileiro frente ao mercado internacional”, ressalta o mestre em Economia Aplicada.
Desafios e oportunidades
Olhando para o futuro, Carvalho avalia que os custos com ração devem continuar em queda ao longo do segundo semestre de 2025, enquanto os preços dos alevinos tendem a subir. “O alojamento apresentou leve crescimento no primeiro semestre, porém abaixo do esperado, o que pode resultar em oferta ligeiramente menor no final de 2025 e início de 2026”, aponta.

Entretanto, o setor enfrenta alguns riscos que podem pressionar os preços e impactar a lucratividade, entre os quais estão a entrada de tilápia de menor qualidade e preços mais competitivos de outros países, como o Vietnã, além da taxação das importações pelos Estados Unidos, até então principal parceiro comercial do Brasil na tilápia.
Por outro lado, Carvalho destaca oportunidades promissoras para o setor, que incluem controle rigoroso dos custos de produção, a expansão para novos mercados internacionais e a diversificação do mix de cortes comercializados, fatores que podem ampliar a margem de lucro e fortalecer a competitividade nacional da atividade.
Embora relativamente recente, a cadeia produtiva da tilápia vem conquistando espaço ao lado de setores já consolidados, como carne bovina, ovos, suínos e frango. Para Carvalho, a expertise do Brasil coloca a tilápia em posição estratégica para se tornar um destaque entre as proteínas animais, tanto no cenário nacional quanto no mercado mundial.
IFC Brasil
Para debater esses números e perspectivas, Carvalho integra o grupo de palestrantes do International Fish Congress & Fish Expo Brasil (IFC Brasil), que acontece entre os dias 02 e 04 de setembro, no Maestra Grand Convention Center Recanto das Cataratas Thermas & Resort, em Foz do Iguaçu (PR). Sua apresentação, intitulada “Produção de tilápia em números: custos de produção, rentabilidade dos cultivos e previsões para o próximo período”, deve reunir produtores, técnicos e investidores para discutir estratégias de eficiência, competitividade e crescimento sustentável do setor.
O acesso é gratuito e a edição pode ser lida na íntegra on-line clicando aqui. Boa leitura!

Peixes
Governo passa a exigir nota fiscal como comprovação de origem do pescado
Nova portaria dos ministérios da Pesca e da Agricultura reforça rastreabilidade na cadeia, substitui norma de 2014 e cria mecanismo para regularização de embarcações no RGP.

Os Ministérios da Pesca e Aquicultura (MPA) e da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicaram, na última sexta-feira (10), a Portaria Interministerial nº 54, que estabelece a Nota Fiscal como documento oficial de comprovação de origem do pescado proveniente da pesca e da aquicultura.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
A nova norma revoga a Instrução Normativa Interministerial MPA/Mapa nº 4/2014, e atualiza os mecanismos de controle, com o objetivo de fortalecer a rastreabilidade ao longo de toda a cadeia produtiva.
A medida busca conferir maior segurança jurídica e previsibilidade às atividades do setor, ao alinhar os procedimentos de comprovação de origem às práticas atuais da pesca e da aquicultura no país. A adoção da Nota Fiscal como documento oficial contribui para ampliar a transparência das operações comerciais, aprimorar os mecanismos de fiscalização e valorizar o pescado brasileiro.
A portaria é resultado de um processo de construção conjunta entre o MPA e o Mapa, com base em discussões técnicas e diálogo com o setor produtivo. Participaram das tratativas representantes da Câmara Setorial da Produção e da Indústria de Pescados, além de auditores fiscais do Mapa. A iniciativa buscou garantir que a regulamentação atenda às necessidades operacionais do setor e seja aplicada de forma eficiente e uniforme em todo o território nacional.
Entre as novidades, a norma institui o anexo “Autodeclaração de Solicitação de Atualização de Dados junto ao MPA”. O instrumento visa resguardar o interessado

Foto: Divulgação
que já protocolou pedido de atualização cadastral de embarcação no Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP), mas que ainda aguarda análise administrativa.
A autodeclaração permitirá que o proprietário comprove sua regularidade durante esse período, evitando prejuízos à atividade produtiva e conferindo maior previsibilidade ao processo. De acordo com os ministérios, a medida está alinhada à modernização administrativa, à inovação regulatória e à garantia de direitos dos usuários dos sistemas públicos.
Com a nova regulamentação, a Nota Fiscal passa a ocupar papel central na comprovação de origem do pescado, reforçando o compromisso do governo federal com a modernização da gestão pesqueira e aquícola e com o desenvolvimento sustentável do setor.
Peixes
Tilápia mantém estabilidade de preços nas principais regiões produtoras
Cotações ao produtor variaram até 0,23% na última semana. Oeste do Paraná registra maior alta e segue com menor valor por quilo.

Os preços da tilápia permaneceram praticamente estáveis nas principais regiões produtoras do país na semana de 6 a 10 de abril, com variações discretas tanto de alta quanto de baixa, conforme levantamento do Cepea.

Foto: Shutterstock
No Oeste do Paraná, principal polo produtivo nacional, o valor pago ao produtor independente atingiu R$ 8,94 por quilo, com leve alta de 0,23% na comparação semanal, a maior variação positiva entre as regiões monitoradas. Apesar do avanço, a região segue registrando o menor preço médio entre os mercados acompanhados.
No Norte do Paraná, a cotação ficou em R$ 10,45/kg, sem variação na semana, indicando estabilidade nas negociações. Já na região dos Grandes Lagos, que abrange o noroeste de São Paulo e áreas próximas à divisa com Mato Grosso do Sul, o preço médio foi de R$ 10,04/kg, com leve alta de 0,16%.
Em Minas Gerais, os movimentos foram de ajuste negativo. Em Morada Nova de Minas, referência na produção aquícola do estado, o valor recuou 0,05%, para R$ 9,82/kg. No Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, a queda foi de 0,06%, com o preço médio em R$ 10,22/kg.
Os dados consideram o preço à vista pago ao produtor independente e indicam um mercado de baixa volatilidade no curto prazo, com oscilações pontuais entre as regiões.
Peixes
Câmara derruba mudanças do Senado e mantém novas regras do seguro-defeso
Texto que segue para sanção prevê cadastro mais rígido, pagamento em até 60 dias após regularização e R$ 7,9 bilhões reservados para o benefício em 2026.

A Câmara dos Deputados rejeitou na última quinta-feira (09) as alterações feitas pelo Senado Federal na Medida Provisória 1323/25, que define novas regras para o pagamento do seguro-defeso. Com a decisão, permanece o texto aprovado pelos deputados na última terça-feira (07). A proposta segue agora para sanção presidencial.

Foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil
O seguro-defeso é pago a pescadores artesanais durante o período de proibição da pesca para reprodução dos peixes. As mudanças têm como foco o endurecimento dos critérios de controle e identificação dos beneficiários.
A medida estabelece que:
- parcelas pendentes poderão ser quitadas em 2026, desde que o pescador cumpra os requisitos;
- haverá direito ao recebimento de anos anteriores, caso o pedido tenha sido feito dentro do prazo legal;
- o pagamento ocorrerá em até 60 dias após a regularização cadastral;
- passam a valer novas exigências de cadastro e identificação.
Para 2026, a previsão orçamentária do benefício, desconsiderando valores atrasados, é de R$ 7,9 bilhões.
Na véspera, os senadores haviam aprovado mudanças que incluíam a exigência de comprovação de contribuição ao INSS por ao menos seis meses no período de um ano, a criação de limite de renda para acesso ao benefício e a retirada do pagamento retroativo referente a 2025.
Todas essas alterações foram rejeitadas pelos deputados.



