Avicultura
Crescimento da avicultura brasileira é condicionado por logística, pressão sanitária e tensões geopolíticas
Setor amplia produção e exportações, mas enfrenta impactos de conflitos internacionais, custos logísticos e necessidade crescente de biosseguridade nas granjas.

O Brasil mantém liderança global na exportação de carne de frango e cresce a produção de ovos, posicionando a avicultura como um dos pilares da segurança alimentar e da geração de renda no agronegócio. Ao mesmo tempo, o setor opera sob pressão de riscos sanitários, instabilidade geopolítica e desafios logísticos que exigem planejamento e resposta rápida.

Presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin: “A nossa pegada de carbono é menor do que a de vários concorrentes. Precisamos mostrar isso com dados e enfrentar narrativas que distorcem a realidade” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural
O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, destacou que o Brasil reúne condições estruturais para ampliar a produção de proteína animal em escala. A combinação de disponibilidade de milho e soja, clima favorável e sistema produtivo integrado permite ganhos rápidos de volume. “O Brasil é o único país que consegue ampliar sua produção em pouco tempo. Isso é resultado de tecnologia, organização de cadeia e capacidade produtiva”, afirmou.
Na avicultura, o Brasil responde por 37% das exportações globais de carne de frango, com produção superior a 5 bilhões de aves por ano e abate diário próximo de 25 milhões de cabeças. No segmento de ovos, a produção deve atingir 66,5 bilhões de unidades em 2026. O consumo interno acompanha esse movimento e pode chegar a 307 ovos por habitante ao ano.
Além do volume, Santin destacou o peso econômico da atividade. A produção de ovos movimenta cerca de R$ 30 bilhões por ano e tem forte capilaridade regional, com liderança de São Paulo (28%), seguido por Minas Gerais (12%), Espírito Santo (8,48%), Pernambuco (7%) e Rio Grande do Sul (5%).
Volatilidade internacional

Apesar do desempenho, o ambiente externo impõe incertezas. Conflitos no Oriente Médio, especialmente na região do Mar Vermelho, impactaram rotas marítimas e afetaram aproximadamente 25% das exportações brasileiras de carne de frango e ovos. Embora parte das rotas esteja sendo restabelecida, o aumento de custos e a instabilidade persistem. “A instabilidade global interfere diretamente no comércio e exige planejamento. A produção avícola não se ajusta de um dia para o outro, exige tomada de decisões com muita antecedência”, enfatizou Santin.
Esse fator reforça a necessidade de previsibilidade em toda a cadeia, desde o alojamento de aves até a logística de exportação, uma vez que o ciclo produtivo e os investimentos são definidos com planejamento prévio.
Biosseguridade como eixo central

No campo sanitário, a manutenção do status livre de Influenza aviária em plantéis comerciais é considerada determinante para a continuidade das exportações. Santin ressaltou que o avanço da doença em países vizinhos e a presença do vírus em aves silvestres no Brasil elevam o nível de alerta. “A biosseguridade é o nosso seguro. Não é opcional, é obrigatória em todas as granjas”, ressaltou.
O dirigente também rebateu interpretações equivocadas sobre riscos ao consumidor. “Não há transmissão por carne processada ou cozida. O vírus não resiste aos processos industriais e térmicos. Muitas barreiras são desproporcionais e acabam afetando a segurança alimentar de populações mais vulneráveis”, disse, citando como exemplo restrições impostas por alguns países importadores que resultaram em aumento de preços locais e redução do acesso à proteína.
Mercados, sustentabilidade e estratégia
Diante desse cenário, a diversificação de mercados é tratada como prioridade. O Brasil busca abrir novos destinos para produtos avícolas, incluindo negociações com países asiáticos e ampliação de acordos comerciais.

Santin também abordou a pressão internacional sobre critérios ambientais. Segundo ele, a produção brasileira apresenta indicadores competitivos de sustentabilidade. “A nossa pegada de carbono é menor do que a de vários concorrentes. Precisamos mostrar isso com dados e enfrentar narrativas que distorcem a realidade”, afirmou.
No campo produtivo, o foco permanece em ganhos de eficiência por meio de genética, nutrição e bem-estar animal, além do reforço na imunidade dos plantéis.
Para o dirigente, o avanço da avicultura brasileira dependerá da combinação entre disciplina sanitária, ampliação de mercados e capacidade de adaptação a um ambiente global mais volátil. “O mundo precisa de alimentos. O Brasil tem condições de produzir, mas precisa continuar organizado, atento aos riscos e preparado para responder rapidamente”, salientou.

Avicultura
Sanidade, inovação e gestão estão entre os destaques da nova edição de Avicultura
Publicação reúne reportagens sobre o avanço da avicultura nordestina, sucessão familiar, biosseguridade, saúde animal e os principais temas que movimentam o setor.

A nova edição do jornal Avicultura, de O Presente Rural, reúne reportagens sobre os principais desafios, oportunidades e transformações da cadeia avícola brasileira. A publicação destaca, na reportagem de capa, o avanço da avicultura nordestina, que vem ampliando sua escala de produção e fortalecendo sua participação no setor.

Foto: Shutterstock
A edição também traz uma cobertura sobre o Alimenta 2027, evento que levará a Cascavel um congresso e uma feira voltados à proteína animal, reforçando o município como um dos principais polos do agronegócio brasileiro.
Outro tema em destaque é o alerta para a laringotraqueíte, enfermidade que também preocupa a avicultura de corte e exige atenção dos produtores quanto às medidas de prevenção e biosseguridade.

Foto: Shutterstock
A sucessão familiar no campo também ganha espaço nas páginas do jornal. A reportagem “O filho não saiu do campo, foi afastado da gestão” aborda os desafios enfrentados pelas famílias rurais na preparação das novas gerações para assumir a administração das propriedades.
A publicação ainda apresenta um panorama da indústria de saúde animal, que movimenta quase R$ 2 bilhões com a avicultura, evidenciando a importância do segmento para a sanidade e a produtividade das granjas.
Entre as reportagens especiais, a edição conta a trajetória de uma professora

Foto: Shutterstock
que contribuiu para a formação de profissionais e para o desenvolvimento de uma das maiores potências avícolas do país. Também traz uma análise sobre uma das etapas mais importantes da cadeia produtiva: o abate de aves, abordando os desafios relacionados à velocidade da linha, à qualidade da carcaça e à segurança do processo.
Além das reportagens, a nova edição reúne artigos técnicos assinados por especialistas, com conteúdos voltados ao manejo, sanidade, nutrição, bem-estar animal, tecnologia e inovação, além de apresentar novidades das principais empresas que atuam no setor avícola.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura No Noroeste do Estado
Rio Grande do Sul confirma foco de gripe aviária em aves de subsistência
Medidas de contenção e vigilância foram adotadas após a confirmação laboratorial. Comércio de produtos avícolas segue sem restrições.

O Rio Grande do Sul confirmou o primeiro caso de Influenza aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em aves de subsistência. O foco foi identificado no município de Coqueiros do Sul, no Noroeste do Estado, e confirmado na última sexta-feira (18) pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), em Campinas (SP).

Foto: Divulgação
A suspeita foi atendida por equipes do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), após notificação registrada em 14 de julho. As amostras coletadas foram encaminhadas ao laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), que confirmou a presença do vírus.
De acordo com a Seapi, o registro ocorreu em aves de fundo de quintal e não altera o status sanitário do Rio Grande do Sul e do Brasil em relação à influenza aviária de alta patogenicidade. Por isso, não há impacto sobre o comércio de produtos avícolas.
A secretaria também reforça que o consumo de carne de frango e ovos permanece seguro, uma vez que a doença não é transmitida por alimentos.
Como medida de contenção, o Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul realizará inspeções em propriedades rurais e granjas localizadas em um raio de 10 quilômetros do foco, além de ações de vigilância epidemiológica e orientação aos produtores.

Foto: Divulgação/Seapi
A Influenza aviária é uma doença viral altamente contagiosa que acomete principalmente aves, embora também possa infectar mamíferos e, em situações raras, seres humanos.
A Seapi orienta que a população não manipule aves doentes ou mortas. Casos suspeitos, caracterizados por sinais respiratórios, alterações neurológicas ou mortalidade elevada e repentina, devem ser comunicados imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial por meio das Inspetorias de Defesa Agropecuária ou dos canais oficiais da secretaria.
Avicultura
São Paulo confirma caso de gripe aviária em ave silvestre
Diagnóstico foi feito em ave resgatada em área urbana de Guaíra. Defesa Agropecuária iniciou investigação epidemiológica e reforçou medidas sanitárias.

O estado de São Paulo registrou o primeiro caso de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) de 2026. A confirmação foi feita pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA-SP) após análise de amostras coletadas de uma irerê (Dendrocygna viduata), ave silvestre resgatada em uma área urbana e encaminhada ao zoológico de Guaíra, no Departamento Regional de Barretos.
O material foi coletado pela Defesa Agropecuária, órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), no dia 8 de julho. A IAAP é uma forma grave da gripe aviária, que pode provocar elevada mortalidade entre as aves.
Após a confirmação do diagnóstico, a Defesa Agropecuária adotou uma série de medidas sanitárias. O trânsito de animais no zoológico de Guaíra foi interditado, e teve início uma investigação epidemiológica para avaliar possíveis riscos de disseminação do vírus.
A vigilância também foi intensificada em três granjas localizadas em um raio de 10 quilômetros do foco. Segundo a Secretaria da Agricultura, duas dessas propriedades estão em período de vazio sanitário e não possuem aves alojadas. Além do monitoramento, equipes técnicas prestaram orientações aos responsáveis pelas granjas.
As autoridades reforçam que o consumo de carne de aves e ovos não transmite a gripe aviária. A recomendação é que a população não manipule aves doentes ou encontradas mortas e comunique imediatamente qualquer suspeita à Defesa Agropecuária. Caso seja necessário o contato com esses animais, o procedimento deve ser realizado apenas com o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs).
A Secretaria de Estado da Saúde (SES) informou que acompanha o caso em conjunto com a Secretaria da Agricultura e Abastecimento (SAA) e a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil). A pasta também monitora as pessoas envolvidas na ocorrência.
De acordo com a SES, São Paulo não registrou casos de gripe aviária em humanos até o momento. A secretaria destaca que a infecção em pessoas ocorre, principalmente, por meio do contato direto com aves infectadas.
Para orientar a resposta a esse tipo de ocorrência, o estado mantém um Plano de Contingência para Influenza Aviária em Humanos, elaborado em 2023 e atualizado em 2025 pela Coordenadoria de Controle de Doenças (CCD).



