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Bovinos / Grãos / Máquinas Pecuária

Cresce demanda pelo Simental para a pecuária leiteira

Simental é reconhecido por sua dupla-aptidão, atendeu a diferentes objetivos de seleção, sendo alguns mais focados nas qualidades leiteiras e outros na carne

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Divulgação

Com mais de cem anos de seleção no Brasil e a segunda maior raça no mundo, a raça Simental é reconhecida pelos benefícios para a qualidade de carne e ganho de carcaça no cruzamento industrial, porém cresce também no Brasil o interesse por animais leiteiros, provenientes de famílias com produção comprovada. As informações são da Simental/SimBrasil.

Isso é possível, pois em sua origem, o Simental é reconhecido por sua dupla-aptidão, sendo que por sua facilidade de adaptação, atendeu a diferentes objetivos de seleção, sendo alguns mais focados nas qualidades leiteiras e outros na carne.

No Brasil, o interesse pelo leite cresce devido às qualidades apresentadas pelos animais que na maioria são de origem europeia. Seja pelo gado puro, de linhagem leiteira, ou pelo cruzamento com o Holandês, formando o Simlandês.

No velho continente, principalmente, em países como Alemanha e França, o cruzamento é muito comum, com matrizes que superam os 7.000 quilos na primeira cria, mantendo persistência produtiva com lactações com mais de 300 dias. Na prática, significa que o produtor tem uma alta produção, porém com um animal mais adaptado ao seu sistema de criação, por ter menos exigências. “Entre tantas características, isso se deve ao choque de sangue entre raças, a famosa heterose, que soma a rusticidade da raça Simental com a produtividade da Holandesa”, explica o presidente da Associação Brasileira de Criadores das Raças Simental e Simbrasil (ABCRSS), Alan Fraga, que reconhece um crescimento da demanda.

Experiência de quem cria

O Simental está distribuído por todo o país, porém há maior concentração da aptidão leiteira no Sul e Sudeste. Exemplo é a Simental PPA, que trabalha a seleção há mais de 20 anos, em Ponta Grossa, PR. “A raça tem essa vantagem de ser boa de leite e boa de carne, que nos atraiu há muitos anos e hoje podemos mostrar os bons resultados”, explica Roberto Abreu de Aguiar. “A intensificação das áreas rurais na direção da lavoura leva à otimização também da produção pecuária da fazenda com mais sustentabilidade”, diz ele. Entre as características que o atraem para a raça e são diretrizes da fazenda está a vitalidade, fertilidade, longevidade e rentabilidade. “O Simental tem excelente habilidade materna: mais de 95% dos partos não são assistidos”, explica.

Atualmente, localizada em uma das maiores bacias leiteiras do país, a empresa faz também cruzamentos. “Graças aos progressos de desenvolvimento genético, o Simental atinge números de produção comparáveis às raças especializadas no leite, enquanto se nota um limite claro em melhor saúde de úbere, mais velocidade de ordenha, células somáticas e contagem de sólidos”, explica e ressalta a longevidade com vacas de mais de dez anos em produção. Com foco na dupla aptidão, o rebanho geneticamente apurado mereceu este ano investimento em uma nova estrutura para a ordenha e segue sua seleção com base em genética alemã e austríaca.

A empresa ainda faz o aproveitamento dos machos, Simental ou cruzados para a venda de carne, com ganho que pode ser superior a 2 quilos/dia. “Em um mundo onde a sociedade questiona sobre o aproveitamento dos machos nas raças leiteiras, no Simental aproveitamos e com isso a raça pratica sustentabilidade todos os dias”, reconhece Aguiar.

No interior de São Paulo, a Fazenda JR, de Rogério Sawaia, destaca-se na seleção do Simlandês, animal cruzado Simental com Holandês. Com 50 animais em produção, tem uma média de 25 kg/dia, em compost barn, chegando a picos de lactação de 50 kg/dia com vacas Simental puras e cruzadas Holandês. Em expansão, após implantação de 150 embriões, espera atingir os 5.000 litros dia. “Acreditamos muito no Simental por seu potencial produtivo”, diz o pecuarista com base em dados de sua gestão.

Na Fazenda JR, ele faz o aproveitamento de machos com um pequeno confinamento para abate precoce de bezerros com 16@. “O macho é uma renda extra e importante para a propriedade”, afirma com a expectativa de lucro de R$ 700 por animal. Além disso, investe em controle de carrapatos com homeopatia como também usa touros e matrizes comprovadamente A2A2, ou seja, com genética para a produção de leite muito procurado. “Temos que estar preparados para nichos de mercado”, afirma o criador, quem tem o rebanho de matrizes genotipadas.

Também no Simlandês um dos rebanhos mais antigos é de Alberto Los, da Fazenda Bela Vista. Ele orgulha-se da escolha de cruzamento feita há dez anos. Em Carambeí, PR, em meio a uma tradicional bacia leiteira, foi vanguardista e optou por inseminar seu rebanho Holandês com Simental para uma produção mais sustentável. “Temos economia de 80% em uso de antibióticos, além de melhora na fertilidade”, explica. Com mais de cem matrizes em lactação, o criador ressalta o aumento dos sólidos no leite. Para ele a raça tem muito a contribuir em regiões com menor uso de tecnologia e que demandam uma produção menos intensiva por não ser um gado muito exigente.

Simental

O Simental é uma raça taurina, cujo berço é a suíça, mas que rapidamente se espalhou por todo o mundo, com rebanhos na Alemanha, África, Áustria, Canadá, França, Itália, Estados Unidos e também com uma criação sólida, desde a década de 60, no Brasil, capitaneada pela família Fraga. No Brasil, segundo a associação, estima-se que existam cerca de 800 mil animais com sangue Simental e o rebanho registrado Simental e Simbrasil chega a 440 mil cabeças, cujos principais polos são São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina, Paraná e Goiás. A entidade é responsável também pelo controle de dados do Simlandês. Em uma nova fase, a entidade intensifica sua divulgação nas redes sociais para quem busca mais conteúdo sobre as raças.

Os benefícios para o leite são

  • Maior produção de sólidos totais no leite
  • Persistência de lactação
  • Qualidade do úbere para qualquer sistema de produção
  • Sanidade de úbere, com baixo CCS.
  • Vacas sadias e longevas, com mais tempo em produção
  • Adaptação a qualquer condição de manejo
  • Não necessita do bezerro para a produção
  • Aproveitamento do macho e da fêmea descarte no corte

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Feno

Pontos importantes para ter um alimento de qualidade

Profissional explica pontos importantes como a desidratação das plantas forrageiras, os benefícios de um feno bem feito para a produção de leite, o correto armazenamento do feno, entre outros

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Arquivo/OP Rural

Os cuidados com a pastagem fazem uma grande diferença para o produtor rural que buscar ter alimentos – com qualidade – o ano todo. A reportagem de O Presente Rural conversou com a zootecnista, doutora em Nutrição e Produção Animal e professora da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Marcela Abbado Neres. A profissional explica pontos importantes como a desidratação das plantas forrageiras, os benefícios de um feno bem feito para a produção de leite, o correto armazenamento do feno, entre outro.

O Presente Rural – Por que desidratar as plantas forrageiras?

Marcela Abbado Neres – Existe duas formas de conservar a forragem depois de cortada. A primeira seria por acidificação (pH<4,2) por processo de fermentação em meio anaeróbio (sem oxigênio). Quem faz essa acidificação são bactérias presentes na própria planta, mas que conhecemos muito, pois estão presentes nos iogurtes e outros alimentos fermentados que são os Lactobacillus. A outra forma de conservar é desidratando a planta cortada que de 80% de água passa a 15% de água.

Essas duas técnicas tem como objetivo principal evitar a deterioração dessas plantas por bactérias e fungos indesejáveis. As bactérias indesejáveis degradam proteínas e carboidratos deixando assim esses nutrientes indisponíveis para os animais e algumas bactérias inclusive transformam algumas proteínas em compostos tóxicos.

Então na fenação desidratamos as plantas ao sol para reduzir a umidade pois existe um índice chamado índice de atividade de água (AW). Quando a AW está abaixo de 0,70 não temos crescimento elevado de micro-organismos que deterioram o feno.

O Presente Rural – Quais plantas são indicadas para produção de feno?

Marcela Abbado Neres – Antes de citar as plantas é importante entender as características que esta planta deve ter. As plantas indicadas para produção de feno devem ter as hastes finas, pois assim facilita a desidratação da planta. As folhas perdem água rapidamente, mas as hastes são mais resistentes a desidratação. Então quanto mais espessas e grossas as hastes mais as plantas demoram para atingir a umidade ideal para armazenamento sem comprometer sua qualidade.

Outra característica importante são os pontos de crescimento dessas plantas, ou seja, de onde surgem novas folhas. Plantas para fenação devem sempre manter os pontos de crescimento próximos do solo, pois os cortes dessas plantas para fenação ocorrem numa altura de 5 a 6 cm do solo. Assim esses pontos de crescimento são preservados dos cortes e o tempo de recuperação da planta antes do novo corte é rápido. Plantas cespitosas como o capim Napier elevam muito rápido seus pontos de crescimento. Então em um capim Tifton 85 no verão podemos ter intervalos de cortes de 30 dias. No capim Napier além do aumento do número de dias para secar (hastes são grossas), este precisa de 60 dias para passar por um novo corte.

  • A planta deve ser produtiva em termos de kg de massa de forragem por alqueire;
  • Ter elevado valor nutricional;
  • Ser resistente à pragas e doenças; mas no Brasil tem ocorrido em algumas áreas de produção de feno ataques de lagartas e cigarrinha das pastagens.

Sendo assim no Brasil temos como opção o capim Tifton 85, Jiggs, coastcross e a leguminosa alfafa. Outras forrageiras também estão sendo utilizadas para produção de feno como braquiárias (essa mais indicada para gado de corte, pelo valor nutricional). As espécies de inverno também são utilizadas para produção de feno como a aveia e o azevém.

O importante é o produtor não confundir feno com palhada. A palhada é a sobra de uma cultura como por exemplo o trigo. São volumosos de baixo valor nutricional e não devem ser usadas na alimentação de vacas de leite.

O Presente Rural – Qual a importância de desidratar a planta?

Marcela Abbado Neres – A desidratação da planta vai reduzir o teor de matéria seca dessa planta e consequentemente a atividade de água (AW), inibindo assim o crescimento de fungos que são potenciais produtores de micotoxinas. As micotoxinas são prejudiciais à saúde dos animais e podem passar para o leite não sendo eliminadas no processo de pasteurização.

Feno armazenado com umidade elevada pode perder seu valor nutricional por ação de micro-organismos e inclusive entrar em combustão.

O Presente Rural – Quais as vantagens do feno para vacas de leite?

Marcela Abbado Neres – Vacas de leite recebem na sua dieta uma proporção maior de concentrado (milho moído e farelo de soja) podendo chegar a 60% do total da dieta. O rúmen precisa manter um pH ao redor de   6,4 para sobrevivência das bactérias que colonizam esse compartimento do estômago. O alimento concentrado tende a baixar o pH do rúmen quando fornecido em grandes quantidades, então essas vacas precisam de fibra na sua dieta, e fibra longa (ao redor de 5 a 7 cm) pois a fibra estimula a produção de saliva (pela ruminação) e a saliva contribui para o aumento do pH do rúmen. Outra vantagem da fibra longo conhecida como fibra fisicamente efetiva é que no rúmen essa fibra longa aumenta a produção de ácido acético, que é o precursos da gordura do leite.

Sendo assim pastagens, silagens e feno são fontes de fibra. Outra vantagem do feno para vacas de leite é que algumas espécies forrageiras possuem teores de proteína bruta acima de 14% podendo chegar a 20% de proteína bruta. Feno tem um teor energético mais baixo em relação a silagem de milho, portanto os dois se complementam.

O Presente Rural – Quais os benefícios do feno bem feito?

Marcela Abbado Neres – Essa é uma questão muito importante. A produção do feno deve ser muito bem acompanhada em todas as etapas, inclusive no armazenamento. Se negligenciarmos em alguma etapa, teremos com certeza resultados insatisfatórios no produto final. Como exemplo: a falta de análise de solo e adubação dos campos de feno vai se refletir na menor produção de massa por área, aumentar o intervalo entre cortes, reduzir o valor nutricional do feno.  O corte deverá ser realizado no ponto de crescimento ótimo da forrageira pois se a planta estiver com idade de rebrota mais avançada, o valor nutricional vai reduzir. Mas veja, para quem produz feno essa etapa não é fácil pois as vezes a planta está com a idade certa para ser cortada, mas as condições climáticas (chuvas) não permitem o corte. Assim o produtor precisa esperar uma janela (dias sem chuvas e sem nebulosidade) para fazer o corte com segurança.

As viragens são importantes por permite uma desidratação uniforme. Quando cortamos um feno, forma-se uma camada de 8 a 10 cm de forragem depositada no solo. A camada inferior fica em contato com o solo e a outra exposta ao sol. A camada de forragem cortada e em contato com o solo tende a desidratar mais lentamente em relação as plantas que estão na camada superior. Assim a viragem vai permitir uma desidratação uniforme.

O enleiramento deve ocorrer no ponto ideal de matéria seca (15 a 12%). O produtor experiente sabe quando o feno está no ponto ideal torcendo o feno. Existe hoje no mercado medidores de umidade do feno, que também são utilizados pelos produtores para medir antes de enfardar. Também não é vantagem secar demasiadamente o feno pois esse se torna quebradiço e as perdas de folhas são maiores. As perdas de folhas são maiores pois elas secam mais rápido. Se compararmos o valor nutricional de folhas e colmos, temos maiores teores de proteína bruta e melhor digestibilidade nas folhas.

O armazenamento também é outra etapa importante pois o feno deve ser armazenado em galpões protegidos de umidade, com cobertura, ventilação, evitar incidência solar direto no feno e usar pallets de madeira para evitar o contato direto do feno com o solo evitando assim que a umidade do solo passe para o feno.

O Presente Rural – Como evitar problemas de fungos no feno?

Marcela Abbado Neres – Um feno não é 100% livre de fungos. Em um experimento realizado por nós na Unioeste comparamos as populações em quantidade e espécies de fungos em uma área produtora de feno. Foi observado uma maior população de fungos no solo, raízes e material vegetal morto depositado sobre o solo. Então se o produtor tomar o cuidado necessário ao usar os equipamentos de viragem e enleiramento, evitamos a contaminação excessiva de fungos no feno armazenado. Mas com os cuidados necessários podemos reduzir muito a população desses fungos. O mais importante é o teor de umidade do feno que deve ser como dito anteriormente abaixo de 15%. Mas não adianta armazenar com umidade abaixo de 15% num galpão com cobertura deficiente, quando em situação de chuva, esse feno é molhado. Uma característica do feno é que ele é higroscópico, ou seja, ele absorve umidade. Então se a umidade relativa do ar aumenta ocorre um ligeiro acréscimo na umidade do feno.

O Presente Rural – Quais problemas esses fungos podem causar aos animais?

Marcela Abbado Neres – Os fungos são potenciais produtores de micotoxinas. Isso não quer dizer que se tem fungo tem micotoxinas. As micotoxinas são produzidas pelos fungos em condições específicas. Umidade relativa do ar, alternância de temperatura entre dia e noite. Isso vai depender de cada espécie de fungo. As micotoxinas afetam a saúde dos animais e a produção de leite dependendo da quantidade ingerida e da micotoxina. Cada espécie de fungo pode produzir uma ou até mais micotoxinas. Existem fungos que não produzem micotoxinas.

Os principais problemas são distúrbios metabólicos, afetam a imunidade, alguns são hepatóxicos, outros afetam sistema reprodutivo, levando a falhas reprodutivas (micotoxinas Zearalenona produzida pelo fungo do gênero Fusarium.

O Presente Rural – Como armazenar o feno? Quais dicas para armazenar da melhor forma?

Marcela Abbado Neres – Temos os produtores de feno que estão na atividade somente para venda. Este possuem galpões de armazenamento até que o feno seja despachado para o comprador. Temos o produtor de feno que usa na propriedade e vende parte do feno e temos aqueles produtores de leite que não produzem o feno, apenas fazem a aquisição. Em todas as situações acima, o feno deve ser armazenado em local específico para tal. Quando a produção de feno é muito alta ou a compra pelo produtor também é alta e não existe a possibilidade de armazenar no galpão específico pode-se improvisar locais para armazenamento. Mas o tempo do feno nesses locais deve ser o menor possível, não deve ficar em contato com o solo, não receber umidade proveniente de chuvas. Evitar presença de roedores e deposição de fezes de aves e outros animais.

O Presente Rural – Por que os fenos tipo A e B são melhores para vacas de leite? Qual a diferença para outros tipos?

Marcela Abbado Neres –

Essa é a tabela de classificação do feno. Vacas de leite são exigentes em nutrientes então optar sempre pelo feno tipo A ou B. O feno tipo C pode tem um teor de proteína baixo e um valor de fibra elevado. Significa que fibra alta demais (acima 69%) temos um componente impregnado nessa fibra chamado lignina o qual que está elevado também. A lignina prejudica a ação dos micro-organismos do rúmen sobre essas células. Reduzindo assim a liberação dos nutrientes presentes no feno e o aproveitamento desses nutrientes pelo animal.

O Presente Rural – Quais as etapas da produção de feno e quais os impactos dela na produção de leite?

Marcela Abbado Neres – Etapas

Corte: realizado quando temos um ótimo entre produção de matéria seca e qualidade da forragem. Realizado com segadeiras ou segadeiras condicionadoras (estas possuem batedores que cortam as hastes e facilita a desidratação delas). Deve ser realizado após a secagem do orvalho em qualquer horário do dia. Não deve ser realizado comorvalho depositado sobre as plantas.

Viragens: A viragem ocorrem algumas horas após o corte para facilitar uma desidratação uniforme. Quanto maior a quantidade de forragem por área, a altura de material depositado sobre o solo maior. Assim as viragens devem ser em número maior. Geralmente se faz de 2 a 3 viragens em todo o período de secagem.

Essa etapa deve evitar revolver parte do solo e material vegetal morto, como citado acima, pode vir a contaminar o feno com fungos e micotoxinas.

No inverno a incidência de orvalho é superior pela manhã e pelo fato da radiação solar ser menor o feno leva um tempo maior para secagem.

Enleiramento: O enleiramento ocorre quando a planta atingiu o teor de massa seca adequado, ou seja, entre 15 e 12%.  Usa-se um ancinho enleirador.

Enfardamento: O enfardamento ocorre logo após o enleiramento. Produtores que possuem dois tratores geralmente trabalham com um trator enleirando e outro enfardando. Assim o processo é mais rápido e menos passível de perdas por precipitação.

Recolhimento do feno no campo: Hoje já existe equipamentos próprios para recolher o feno e alocá-lo no galpão. Alguns produtores de feno para venda, ao enfardar, muitas vezes já carrega no caminhão para entrega, sem necessidade de armazenar na propriedade.

Todas essas etapas feitas da forma correta levam à um feno de boa qualidade para vacas de leite. Deve-se fazer a escolha da forrageira adequada para vacas de leite. Capins como Tifton 85, jiggs, Coastcross, aveia e azevém além da leguminosa alfafa são os mais indicados para vacas de leite. O manejo do campo de feno é importante também.

O Presente Rural – Por que é importante que o produtor tenha seus próprios equipamentos?

Marcela Abbado Neres – O produtor, quando começa na atividade, geralmente, terceiriza esse serviço. Ele contrata algum vizinho ou alguém quando a planta dele está no ponto de corte para fazer o feno. A medida que ele vai se capitalizando, ele vai adquirindo esses equipamentos. Isso acontece porque o feno tem cinco ou seis cortes no ano, diferente da silagem, que está caminhando para a terceirização. Isso acontece porque o silo é feito uma ou duas vezes ao ano. O produtor corta o milho para fazer silagem uma ou duas vezes. Dessa forma, esses equipamentos mais modernos e eficientes para fazer silagem tem um custo muito elevado, mais de R$ 1 milhão. Já um conjunto de fenação é caro, mas se o produtor comprar primeiro uma ceifadeira, depois compra um ancinho espalhador, ele vai se capitalizando e não fica dependente da terceirização, especialmente por questão da chuva, porque as vezes ele precisa fazer o corte e o fornecedor do serviço está em outra propriedade, então o produtor perde a janela de corte. Por isso essa questão do equipamento é importante e hoje em dia existem muitos bons equipamentos nacionais.

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Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Nutrição

Planejamento forrageiro é essencial para pecuarista que busca evitar escassez de alimento

É importante a escolha das espécies componentes dos sistemas de produção que podem ser integrados com a produção de grãos

Publicado em

em

Diogo Zanata

O planejamento forrageiro é uma estratégia para reduzir a escassez de alimento dos rebanhos ao longo do ano através da oferta diversificada de pasto e forragens conservadas. De acordo com o pesquisador da Embrapa Trigo, especialista no assunto, Renato Serena Fontaneli, o produtor deve juntamente com seu assistente técnico, seja da iniciativa privada, cooperativas, Emater, laticínios, planejar e executar de maneira eficiente, tornando os sistemas produtivos, complexos, com resultados atrativos.

Ele explica que a região sul-brasileira é privilegiada em termos de ambiente para produção de pastagens durante o ano todo. “Assim sendo, é possível termos forragens produzidas no campo, o ano todo, para ruminante”, afirma. Ele diz que é possível dispor das melhores alternativas do mundo temperado (aveia, azevém, cereais de duplo-propósito como o trigo e aveias-brancas, leguminosas como os trevos e cornichão etc) e do mundo tropical (grama-bermuda, quicuio, hemártria, capim-elefante-anão, braquiárias, colonião, etc). “Essas forrageiras e outras podem compor pastagens para serem pastejadas pelos animais ou conservadas como pré-secados, feno, silagem de planta inteira, silagem de grãos e grãos em geral”, informa.

Fontaneli afirma ser importante a escolha das espécies componentes dos sistemas de produção que podem ser integrados com a produção de grãos (integração lavoura-pecuária). “Dentro de cada espécie existem diversas cultivares que variam em ciclo produtivo, potencial e adaptação local. O técnico pode auxiliá-lo na seleção das cultivares. Por exemplo, temos cultivares de aveia-preta, azevem e trigo forrageiro ou de duplo-propósito de ciclos precoce, médio ou tardio, e a seleção deve estar de acordo com a utilização da área em sucessão, por exemplo, soja ou milho”, comenta.

De acordo com o pesquisador, existem muitas alternativas de cultivares que o pecuarista pode utilizar para fazer o seu planejamento forrageiro. “A Embrapa, por exemplo, dispõe de dezenas de cultivares das principais forrageiras a serem indicadas para cultivo nas diversas regiões brasileiras. Além disso, felizmente contamos com diversas empresas privadas nacionais e internacionais que disponibilizam excelentes alternativas. Novamente, destaco a importância da presença do técnico, para juntamente com o empresário rural decidirem da maneira mais efetiva”, diz.

Fontaneli reitera que qualquer atividade humana deve ser planejada visando minimizar os riscos inerentes a cada decisão. “Podemos pensar em um planejamento forrageiro baseado em espécies de inverno e de verão, mas elas não poderão ofertar forragem o ano todo. Haverá, período(s) de déficit forrageiro, com por exemplo no outono e na primavera, ou seja, na transição entre as estações de crescimento”, comenta.

Ele explica ser possível incluir pastagens perenes, de verão, mais comumente, por exemplo (Tifton 85), que pode ser pastejada de 7 a 10 meses ao ano, dependendo de ambientes locais, podendo ser sobressemeada com forrageiras anuais de inverno. “Podemos compor sistemas incluindo as pastagens perenes de inverno, por exemplo, festuca ou dáctilo com trevos, que podem permitir pastejo de março/abril até novembro/dezembro em regiões como o norte do RS.  Entretanto, vale lembrar que quando perenizamos uma pastagem, não podemos cultivar essas áreas para produção de grãos”, alerta.

O pesquisador destaca ainda que alimento é o principal item no custo de produção animal. “É aceito em termos internacionais que em sistemas de produção de leite, o custo do alimento pode representar de 40 a 60% do custo de produção”, diz.

Melhores estratégias para o planejamento forrageiro

Fontaneli destaca que é preciso fazer um trabalho personalizado para garantir um bom planejamento forrageiro. “Por um bom planejamento que pode servir para nortear e desencadear ações rumo a melhoria dos sistemas produtivos. Cada propriedade, glebas dentro da propriedade, cada produtor, cada técnico são únicos e devem agir em conjunto”, afirma.

Segundo o pesquisador, há conhecimentos disponíveis suficientes para melhorar os sistemas produtivos. “Aliás, não existe nenhum sistema de produção no mundo que não possa ser melhorado. Esse é o desafio e o que nos move a cada dia”, garante.

Ele revela ainda algumas estratégias que que pode ser utilizadas pelo produtor para garantir um bom planejamento. “O produtor deve planejar, juntamente com os técnicos experientes e competentes, especializados na área de integração lavoura-pecuária; planejar a médio e longo-prazos; e observar o histórico de cada gleba da propriedade, rotação de culturas, adubações e tratos culturais. Tudo pode ajudar a decidir alternativas mais adequadas, com menor risco e maior potencial de sucesso”, finaliza.

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Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Algas

Extratos protegem integridade intestinal e modulam sistema imunológico

Algas marinhas como corretivos de solo e fertilizantes são aplicações tradicionais, como forragem para ruminantes e ainda utilizadas em muitos lugares do mundo

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Arquivo/OP Rural

Extratos de algas marinhas estão cada vez mais presentes na bovinocultura. Seu poder de proteger a integridade intestinal e modular o sistema imunológico chama a atenção de pecuaristas em todo o país. Ainda há muito a aprender para extrair delas o máximo potencial, mas, assim como o desempenho zootécnico, os resultados das pesquisas e os produtos oferecidos pelo mercado estão cada vez mais interessantes.

“As algas são recursos naturais e renováveis, tradicionalmente utilizados nas regiões costeiras de todo o mundo há muito tempo. Comparados a muitos outros recursos naturais, elas demonstram baixo risco de toxicidade e eco toxicidade. Além do mais, as algas estão entre as plantas de crescimento mais rápido na natureza. Algumas espécies de algas marinhas podem crescer até 30% de seu peso por dia. Além disso, como elas vivem na água do mar, não competem por terras areáveis nem por recursos de água doce”, destaca Maria Angeles Rodríguez, engenheira agrônoma mestre em Nutrição Animal pela Universidade Politécnica de Madrid (Espanha), gerente de produtos da Olmix.

“As algas são um grupo funcional que engloba uma grande variedade de organismos, cuja única característica em comum é a fotossíntese e um estilo de vida aquático. Entre esses organismos, encontram-se as macroalgas, que você costuma ver à deriva em praias ou presa às rochas. Elas pertencem aos eucariotas, o que significa que seu DNA é encontrado dentro de um núcleo verdadeiro. A segunda categoria de algas são as microalgas, que na maioria dos casos você precisa de microscópio para observar. Elas também são conhecidas como fitoplâncton e incluem organismos eucarióticos, mas também organismos procarióticos, que estão próximos às bactérias e não possuem um núcleo verdadeiro. Por exemplo, as cianobactérias são algas procarióticas e são mais conhecidas como algas verde-azuladas, como a espirulina”, menciona.

Ela destaca, no entanto, que as algas de interesse da pecuária são apenas as algas eucarióticas, multicelulares, macroscópicas e marinhas.

De acordo com ela, ao contrário das plantas terrestres, as algas não possuem raízes e nem sistema diferenciado de circulação de seiva. Como crescem na água, absorvem água e nutrientes por toda a superfície. Maria Angeles cita ainda que o modo de reprodução também é muito diferente das plantas terrestres, e não produzem flores, sementes ou frutos. “Cada espécie está adaptada a certas condições de luz, corrente, resistência à seca, que definirão sua área de repartição no litoral fixada nas rochas por suas ancoragens. Com base em seus pigmentos fotossintéticos, as algas marinhas podem ser divididas em três grupos: algas vermelhas, verdes e marrons. Esses três grupos são geneticamente diferentes e cada um separado do outro por milhões de anos de evolução”, pontua.

Mas quando as algas começaram a ser usadas na alimentação de ruminantes? “A história do homem e das algas começa há 16 mil anos com as primeiras evidências arqueológicas do consumo humano de algas marinhas na costa chilena.

A primeira evidência escrita de seu uso medicinal vem da China, cerca de 3 mil anos antes de Cristo.

As algas marinhas como corretivos de solo e fertilizantes são aplicações tradicionais, como forragem para ruminantes e ainda utilizadas em muitos lugares do mundo. Precisamos esperar até o século XVI para a primeira exploração industrial de algas marinhas na indústria de vidro, usando cinzas de algas ricas em carbonato de potássio para diminuir o ponto de fusão do silício. No século XIX, o iodo foi descoberto nessas cinzas e levou à produção industrial de soluções de iodo para o tratamento de feridas. O século XX viu o desenvolvimento da indústria de hidrocoloides. Os hidrocoloides são moléculas capazes de armazenar grande quantidade de água e, portanto, de texturizar os ingredientes com os quais são misturados. Na Europa, os hidrocoloides feitos de algas marinhas são identificados pelos códigos e400 e e407. Você pode encontrá-los em muitos alimentos processados, como laticínios ou refeições prontas industriais, mas também em produtos de higiene pessoal, como pasta de dente, cremes para a pele ou fraldas para bebês. Suas propriedades formadoras de gel também são interessantes para aplicações farmacológicas, como curativos, remédios para refluxo gástrico ou placas de Petri para cultura bacteriana. Finalmente, o século XXI viu o surgimento de um novo campo de aplicações designado para a extração de moléculas ativas para todos os tipos de biotecnologia”.

Maria Angeles destaca que as algas marinhas podem ser ricas em vários compostos nutricionais interessantes como minerais, proteínas e vitaminas específicas. No entanto, os compostos predominantes são os polissacarídeos que podem representar até 70% da matéria seca. Devido à sua estrutura específica e a presença de grupos de sulfato, esses polissacarídeos possuem diversas atividades biológicas interessantes para seu uso em ruminantes.

Atividades biológicas

Os extratos de algas podem ser usados por suas propriedades biológicas ou combinados com argilas por suas características estruturais. A profissional explica que as algas marinhas contêm altos níveis de carboidratos, especialmente polissacarídeos em suas paredes celulares. Além disso, seus níveis são estáveis durante todo o ano, permitindo sua extração constante. “Os polissacarídeos de algas marinhas têm estruturas muito complexas que estão diretamente ligadas às suas atividades. A variedade estrutural que pode ser encontrada nas algas marinhas é enorme, permitindo assim, potencialmente, um elevado número de diferentes atividades biológicas. Além disso, uma de suas características específicas é a sulfatação, que os torna realmente únicos. Na verdade, os polissacarídeos são características do ambiente marinho, onde o sulfato está na forma e quantidade certa para ser incluído nos polissacarídeos do organismo marinho. Essas estruturas não existem nas plantas terrestres ou nas microalgas de água doce que estão nos mercados, e nem nas paredes celulares das leveduras. Elas têm, no entanto, similaridade estrutural com polissacarídeos na matriz extracelular de animais, por exemplo, a conhecida heparina usada em diversas aplicações médicas para humanos devido às suas propriedades biológicas. A sulfatação aumenta o potencial das atividades biológicas. Uma característica adicional é sua extrema estabilidade: são resistentes ao calor até o processo de extrusão e não são digeridas por nenhuma das enzimas digestivas de monogástricos e ruminantes”, elenca.

Existem opções no mercado de duas espécies, uma verde, Ulva, também conhecida como “alface do mar”, e uma vermelha, Solieria. “Elas vêm de campos naturais de algas marinhas, com um ciclo de vida anual. “Ulva forma grandes flores de algas não aderidas, crescendo em baías rasas durante a primavera e o verão. Elas são trazidas para a costa pela maré e correntes, onde podem ser colhidas. Solieria cresce presa até o final de seu ciclo, quando naturalmente se desprende de suas rochas, geralmente durante as tempestades de inverno. Elas são então lançadas na praia, onde são colhidas principalmente do outono à primavera. A colheita dessas duas espécies permite ter matéria prima disponível praticamente o ano todo”.

Além disso, explica a engenheira agrônoma, os lugares onde são coletadas são conhecidos por encalhamento em massa dessas espécies específicas, que garantem alto grau de pureza, com menor quantidade de outras espécies. “E nosso impacto ambiental é muito baixo, pois estamos à espera de que as algas venham até nós, não as arrancamos de suas rochas”. Depois disso, as algas passam por um processo completo de biorrefinaria, desde a colheita até os ingredientes ativos inovadores finais. A biorrefinaria serve para estabilizar rapidamente os extratos de algas, em menos de 48 horas.

“Todos estes extratos são obtidos de forma ecológica, apenas com água, sem a utilização de solventes químicos. Isso preserva as características naturais do extrato e, consequentemente, sua bioatividade nos produtos finais”, cita.

Estresse

Maria Angeles cita que o uso de polissacarídeos marinhos serve para proteger a integridade intestinal e modular o sistema imunológico, por isso é recomendado em qualquer período estressante, no período seco para estimular a produção de imunoglobulina para o colostro, nos estágios iniciais ou durante o estresse por calor. “As dosagens giram em torno de 1g/Kg de matéria seca ingerida. Entre os benefícios observados, elenca a profissional, estão a melhora do estado de saúde, maior resistência a patógenos, melhor uso de energia e nutrientes, melhor desempenho e melhor lucratividade.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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