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Cresce a ameaça de javalis para a suinocultura brasileira

Javalis são potencialmente transmissores de doenças para a suinocultura industrial, o que seria um caos para o setor

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 A presença de javalis no Brasil tem tomado grandes proporções e gerado receio na agropecuária. Eles são potencialmente transmissores de doenças para a suinocultura industrial, o que seria um caos para o setor. O jornal O Presente Rural entrevistou a pesquisadora Virgínia Santiago Silva, da Embrapa Suínos e Aves, para saber o atual cenário e o que precisa ser feito para reduzir essa população perigosa de javalis selvagens. Boa leitura!

O Presente Rural – Qual a atual situação da presença de javalis no Brasil?

Virgílias Santiago Silva (VSS) – O javali (Sus scrofa), listado entre as 100 “piores” espécies exóticas invasoras do mundo pela União Internacional de Conservação da Natureza (GISD, 2010), foi introduzido no Brasil desde a década de 1960, principalmente para fins comerciais, e por escape e/ou soltura intencional, retornaram ao ambiente natural. Em vida livre, com a diversidade e abundância de recursos naturais associadas à reprodução descontrolada e à ausência de predadores naturais, essas populações facilmente se estabeleceram, se proliferam e se disseminam pelo território nacional.

De acordo com o relatório do Ibama sobre áreas prioritárias para o manejo do javali, até 2018 a ocorrência de javalis foi registrada em 1.536 municípios em 22 UFs: Acre, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio de Janeiro, Rondônia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins.

OP Rural – Que tipo de ameaças eles trazem para o agronegócio e para a suinocultura?

VSS – A agricultura e a pecuária estão entre os segmentos mais afetados pela disseminação e crescimento populacional dos javalis. Na agricultura, o impacto deletério mais significativo é por predação de lavouras, resultando em prejuízos econômicos significativos, especialmente em lavouras de milho, cana, soja e muitas outras culturas.

Na pecuária, especialmente a suinocultura, os javalis representam uma ameaça sanitária, pois a condição sanitária desses animais é desconhecida e por serem populações de vida livre compartilham habitat e estabelecem variadas formas de contato com diferentes espécies animais, ficando exposto à transmissão de patógenos. Como os javalis são os “ancestrais” do suíno doméstico, são da mesma espécie, o estímulo reprodutivo ocorre e aumenta da chance de contato entre as populações asselvajadas e suínos domésticos, possibilitando a transmissão de patógenos/doenças entre essas populações.

OP Rural – Quais seriam os possíveis efeitos do contato de javalis com suínos da indústria? Existem estudos de cenários?

VSS – Os cenários e consequências dessa interação entre populações de suídeos comerciais e de vida livre podem variar muito dependendo do patógeno/doença implicado. Se, por exemplo, considerarmos o contato de javalis com criações comerciais de suínos em regiões onde exista circulação do vírus da Peste Suína Clássica (PSC), ao se infectarem os javalis podem se tornar reservatórios do vírus, tornando-se uma ameaça constante à suinocultura e dificultando significativamente o desafio dos programas sanitários de controle e erradicação da doença.

A ameaça sanitária pelo contato entre criações domésticas e comerciais com populações de vida livre tem especial importância quando se trata de doenças transfronteiriças, de notificação oficial internacional e que podem resultar em restrições ao comércio internacional, como PSC, Peste Suína Africana (PSA), dentre outras. O Brasil é livre de PSA, mas a situação da doença na Europa e na Ásia é um alerta para que os países livres invistam em vigilância e em biosseguridade das criações comerciais, bem como em controle populacional, monitoramento e vigilância de javalis de vida livre, para detecção e contenção de doenças.

Quanto às doenças endêmicas da suinocultura, em contato com criações comerciais de suínos, os javalis podem se infectar com patógenos comuns dos sistemas de criação intensiva e se tornarem reservatórios, mantendo a circulação desses patógenos nas populações asselvajadas como uma constante ameaça aos suínos.

Por outro lado, os javalis podem ser carreadores ou reservatórios de patógenos não frequentes na pecuária e o contato direto e/ou indireto que estabelecem com outras espécies animais pode resultar em risco de introdução de novos patógenos, não usuais na pecuária e mesmo em saúde pública. No momento atual, a abordagem do papel do javali no contexto da “Saúde Única” mostra a importância do controle e monitoramento sanitário dessas populações.

OP Rural – Existem medidas no Brasil para conter os javalis? Se sim, estão tendo efeito?

VSS – Sim. O javali (e seus cruzamentos com suínos domésticos) em vida livre foi declarado como espécie nociva no país e o controle populacional foi normatizado pelo Ibama por meio da Instrução Normativa nº 3, 31/01/2013, alterada pela IN Ibama nº 12, de 25 de março de 2019, as quais dispõem sobre as condições para realização do abate para controle populacional da espécie pela sociedade civil.

Importante destacar que antes dessas normativas, mesmo frente aos impactos deletérios da presença e expansão dos javalis, o abate da espécie poderia ser interpretado como infração, já que não havia instrumento legal para regulamentar o controle. Não se trata de caça esportiva e sim de controle de espécie exótica invasora, que tem princípios, diretrizes e objetivos distintos.

Desde 2013, as ações de manejo de javalis se intensificaram em todo o território nacional e, diante da necessidade de aprimorar a articulação dessas ações, foi elaborado o Plano Nacional de Prevenção, Controle e Monitoramento do Javali (Sus scrofa) no Brasil (Plano Javali), publicado pela Portaria Interministerial MMA/Mapa nº 232, de 28 de junho de 2017.

Com este arcabouço legal o abate para controle populacional dos javalis tem diretrizes claras no país, porém embora tenhamos feito progressos significativos no tema, na prática as ações para controle ainda estão muito aquém do necessário para que sejam efetivas para o objetivo de “conter a expansão territorial e demográfica do javali no Brasil e reduzir seus impactos, especialmente em áreas prioritárias de interesse ambiental, social e econômico”.

Os interesses e motivações relativos à invasão e controle do javali são variados e muitas vezes conflitantes entre os diferentes segmentos da sociedade. Por isso, a informação e comunicação são cruciais para motivar o envolvimento dos diferentes segmentos sociais para efetividade do controle.

OP Rural – As pesquisas em suinocultura da Embrapa Suínos e Aves, em Santa Catarina, correm perigo?

VSS – As ameaças à suinocultura são os desafios de pesquisa da Embrapa Suínos e Aves, que direcionam nossos projetos de PD&I em busca de soluções, razão pela qual a Embrapa se dedica ao tema desde 2012, antes da primeira normativa de controle populacional da espécie.

Nossas instalações estão na região Sul do Brasil, região de alta produtividade da suinocultura industrial e com registros da presença javalis em muitos municípios. Neste sentido, como nossas pesquisas estão diretamente ligadas ao ambiente do setor produtivo, a ameaça à suinocultura decorrente da presença do javali poderá impactar também nas pesquisas.

Por outro lado, a linha de pesquisa em manejo populacional, vigilância e monitoramento sanitário de javalis da Embrapa está presente em várias regiões do território nacional, gerando conhecimentos, informações e ativos de inovação de aplicação direta pelos órgãos oficiais e demais segmentos sociais envolvidos e/ou atingidos pela bioinvasão dos javalis.

Desde 2012 a Embrapa tem atuado junto aos órgãos oficiais, Mapa, MMA, Ibama, ICMBio, órgãos estaduais de Meio Ambiente e de Defesa Sanitária Animal, apoiando e subsidiando com pesquisa e desenvolvimento a elaboração e execução das políticas públicas de monitoramento sanitário e controle populacional dos javalis. Disponibilizamos publicações sobre biosseguridade na suinocultura com foco nas populações de javalis, sobre javalis e doenças de impacto econômico na suinocultura e zoonoses. Em colaboração com o serviço veterinário oficial (SVO), acessamos os primeiros mapas de percepção da distribuição dos javalis (dados incorporados ao relatório do Ibama de áreas prioritárias para manejo), desenvolvemos e disponibilizamos ao Ibama o SIMAF (Sistema de Manejo de fauna) para informatização e gestão do manejo do javali no país, ministramos capacitações para vigilância para SVO e controladores em várias UFs, e em apoio ao MAPA realizamos o monitoramento sanitário dos javalis para doenças de impacto econômico, além do monitoramento de zoonoses. Dessa forma, a contribuição da Embrapa voltada ao controle populacional e monitoramento sanitário dos javalis possibilita o acompanhamento tanto da bioinvasão quanto das ações de controle por meio de registros via SIMAF.

OP Rural – O que deveria ser feito para controlar, de fato, essa população?

VSS – Para que o controle dos javalis ocorra de forma eficiente, a sociedade precisa estar informada e sensibilizada sobre o problema, ciente e engajada nos processos necessários para o controle da espécie. Desinformação, conflito de interesses entre diferentes segmentos da sociedade em relação ao assunto diluem os esforços voltados ao controle dos javalis. É preciso estar claro para toda a sociedade que o javali é uma praga, não um recurso.

O controle da espécie foi normatizado pelos órgãos regulatórios mas, na prática, o manejo para controle deve ser realizado pela sociedade, pois não há órgão público que possa conter essas populações já amplamente disseminadas pelo país.

O controle populacional e ações de vigilância dessas populações em explorações pecuárias e agrícolas requer estreita interlocução, ação coordenada e colaborativa entre veterinários, produtores rurais, controladores de javalis legalizados, gestores ambientais, ecólogos e/ou biólogos especialistas em fauna silvestre, o que ainda é incipiente no país.

Na suinocultura, medidas de prevenção e controle de javali devem ser incorporadas junto às demais medidas de biosseguridade, a exemplo dos programas de controle de roedores e insetos, pois as populações asselvajadas dificilmente serão totalmente eliminadas em regiões altamente populosas. Barreiras físicas apropriadas para evitar o contato entre as populações comerciais e os javalis devem ser adotadas nas instalações.

As normativas oficiais orientam como deve ser feito o controle dos javalis, com uso de armadilhas (gaiolas ou currais de contenção), com cevas para atração ou mesmo por busca ativa para abate e os interessados devem fazer a solicitação de manejo no SIMAF.

Todas as informações e orientações necessárias ao abate do javali encontram-se no site do Ibama (ibama.gov.br/especies-exoticas-invasoras/javali).

Alternativamente, muitos produtores rurais estabelecem parcerias ou solicitam prestação de serviços à controladores de javalis para fazer controle em suas propriedades, desde que estejam em conformidade com os quesitos previstos nas normativas oficiais.

Enfim, o desafio do controle é proporcional à gravidade da invasão biológica dos javalis no país e para que se possa minimizar os riscos e impactos negativos decorrentes da expansão dessas populações é preciso contar com o envolvimento da sociedade, além da atuação efetiva dos órgãos oficias.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Saiba a diferença

Bem-estar animal X Direito dos animais

Bem-estar animal e direito dos animais são dois conceitos diferentes, mas que algumas ONGs ou pessoas não entendem ou fingem não entender a diferença

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Arquivo/OP Rural

Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Para o médico-veterinário doutor em Ciência Animal, Cleandro Pazinato Dias, co-autor do livro Bem-estar dos Suínos, a primeira condição para discutir os ataques à produção de proteína animal por uma parte da sociedade é entender a diferença entre bem-estar animal e direito dos animais. Dias, que é consultor, pesquisador e suinocultor, acredita que os ataques como os da Xuxa serão cada vez mais frequentes simplesmente pelo fato de que esses ativistas querem o fim da produção de proteína animal, algo inconcebível e até caricato em um mundo onde a fome ainda atinge mais de 820 milhões de pessoas, conforme o relatório ‘O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2018′, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Dias explica que o bem-estar animal está ligado à produção de proteína, total e absolutamente pautado em ciência. Já o direito dos animais é intrínseco, por exemplo, aos animais de companhia, de estimação, como cães e gatos. No entanto, sugere o pesquisador, essas Organizações Não Governamentais (ONGs) não entendem ou fingem não entender a diferença entre os conceitos. Em sua opinião, é uma minoria de pessoas, mas que acaba confundindo a população em geral sobre os temas.

“Há uma grande diferença entre direito dos animais e bem-estar animal tem que ficar muito clara antes de iniciar um debate. O bem-estar animal vale para a suinocultura, mas também para todas as cadeias de proteínas, como leite, ovos, frango e carne bovina. O objetivo básico do bem-estar animal é melhorar qualidade de vida deles por meio de melhor alimentação, melhor alojamento, garantia da saúde e ambiente que lhe permita expressar seu comportamento. As práticas de bem-estar animal são feitas com base em pesquisas, em estudos que ajudem a melhorar esses parâmetros”, menciona Dias.

Ele explica que o bem-estar é observado não só nas granjas, mas também no transporte até o frigorífico e abate dos animais. O profissional destaca, por exemplo, que os animais são insensibilizados e não sentem dor ou qualquer outro infortúnio quando são abatidos. “A suinocultura, como também as outras cadeias de produção animal, é altamente regulamentada por órgãos oficiais, com base na ciência, com o objetivo que seja a mais humanitária possível, da granja ao abate. “O abate, por exemplo, ocorre sem dor e sem consciência”, frisa. Nas plantas mais modernas, a insensibilização ocorre com gás. Outros utilizam eletricidade – os animais são sensibilizados antes de sentirem dor.

Dias explica que além da qualidade nutricional, a suinocultura está cada vez mais conectada à produção ética, com respeito aos animais, aos trabalhadores, às comunidades e ao meio ambiente. “Além de ser importante para a geração de renda e alimento de qualidade, a suinocultura trata os animais com toda a dignidade, está cada vez mais conectada com a qualidade do produto, mas também qualidade ética, em todos os aspectos.

Ainda nas granjas, infraestrutura de primeira garante desempenho zootécnico e bem-estar animal. Dias garante que a ampla maioria das granjas brasileiras são modernas, inclusive climatizadas, e estão entre as melhores do mundo. “Já faz anos que começaram a surgir granjas cada vez mais modernas, até 100% climatizadas, com controle de temperatura, qualidade do ar, etc. As granjas brasileiras estão no patamar das melhores do mundo. Não perdemos para ninguém. Estamos no mínimo equivalentes aos melhores. Conheço granjas em outros países. Não podemos nos encolher para ninguém. Não da para achar que a gente é melhor que os outros, pois sempre tem alguém fazendo algo novo, mas estamos no nível dos melhores”, destaca.

Ainda conforme o pesquisador e consultor, as granjas mais antigas estão se transformando. “Foram criados modelos novos de produção, com propriedades dedicadas a creches ou engorda, por exemplo. Nesse contexto, as agroindústrias são muito eficientes”, aponta.

Para o médico-veterinário doutor em Ciência Animal e também produtor, no vídeo publicado por Xuxa há claros sinais de transgressão às práticas de bem-estar animal, mas trata-se de exceções. “Realmente o cidadão estava cometendo maus tratos. Esse é um extremo ruim da nossa cadeia, mas ele faz parte da cadeia, temos que entender para corrigir. Em minha opinião, eles (ONG Mercy for Animals) foram a dedo escolher um cara desses para ter argumentos e fatos, para dar base para eles defenderem que essa produção tem que parar”, avalia.

“Ataques de ativistas ao agronegócio serão cada vez mais frequentes”

Já o direito dos animais, frisa Dias, quer simplesmente acabar com a produção mundial de proteína animal. Ele versa, entre outras situações, na prática de abandono de pets nas ruas, no acorrentamento em espaços sujos e inadequados, na alimentação restrita e na manifestação de doenças sem o devido tratamento. “Muitas pessoas da zona urbana estão desconectadas da zona rural, não sabem da onde vem o alimento. Muitas ativistas dos direitos dos animais são vinculadas a ONGs, que, como primeiro ponto, querem a abolição da produção animal, querem que as pessoas parem de consumir leite, ovos e carne. Muitas estão ligadas ao vegetarianismo ou ao veganismo, que é mais extremo”, pontua.

Com visões tão diferentes, sugere Dias, profissionais de produção e ativistas jamais vão entrar em consenso. “Dificilmente vamos encontrar um meio termo nessas duas linhas de raciocínio. O direito dos animais é abolicionista, quer extinguir a produção”, reforça. “As partes não conversam entre si. O radicalismo é cada vez mais evidente na humanidade, as pessoas que pensam completamente diferentes não consegue falar entre si. Nesse caso, há uma diferença filosófica gigantesca”, amplia.

Por conta dessa visão oposta, sugere o pesquisador e produtor, os ataques ao agronegócio serão cada vez mais frequentes. “Essas investigações sigilosas vão ser cada vez mais usadas por essas ONGs de proteção ao direito dos animais. Ataques ao agronegócio vão ser cada vez mais frequentes, vão se repetir com muito mais agressividade. Vão aumentar em frequência e em nível de qualificação, por assim dizer, como essa que utilizou um drone. Eles pensam: vou bagunçar o coreto desses produtores de proteína animal, vou bagunçar a casa deles, pois não concordo com o que eles fazem. Para isso, vão tentar descobrir os piores transportes, os piores produtores, as piores indústrias, as falhas que tiverem no processo eles vão captar para jogar na mídia, fazendo com que aquilo pareça algo rotineiro, como se, na verdade, a exceção fosse a regra”, sustenta o profissional.

Para Dias, essas pessoas são poucas, mas conseguem criar desafios para o setor de proteína animal pois são financiadas, têm recursos financeiros à disposição. “Os ativistas têm recursos, têm empresas que colocam dinheiro, empresas que patrocinam, fazem campanhas na Internet, vão comprar drone, vão viajar, etc., não são desarticulados”, destaca. “É um grupo pequeno, mas que faz um barulho muito grande”, amplia.

Evolução do bem-estar animal

Dias é co-autor do primeiro livro em Português editado no Brasil, em 2014. Nos últimos seis anos, houve também evolução no bem-estar dos animais. “Esse livro foi um marco porque foi o primeiro em língua portuguesa. De 2014 até hoje a suinocultura evoluiu muito, por exemplo, com a adoção de gestação coletiva, em baias com vários animais, ao invés de gestação nas gaiolas individuais. Quando lançamos o livro, a gestação coletiva estava iniciando no Brasil. De lá para cá, as principais empresas produtoras, que são BRF, Seara JBS, Aurora, Frimesa, Pamplona e Alegra, já estão em transição para a gestação coletiva. “Juntas, representam cerca de 60% do mercado de produção de carne suína no país”, justifica o pesquisador. “É um exemplo claro e incontestável de evolução em bem-estar animal”, garante.

Ainda segundo Dias, “o bem-estar animal é pauta em todos eventos, congressos e nos trabalhos científicos produzidos nas universidades. Nosso entendimento de bem-estar animal hoje é muito contundente”, diz.

O pesquisador e produtor acredita que os avanços no setor não param com o tempo. “Para o futuro, vamos produzir carne suína com o bem-estar cada vez mais evoluído, vamos ser ainda melhores, levando lado a lado com as questões econômicas. O bem-estar na suinocultura vai continuar evoluindo, seja na melhoria das instalações, na alimentação, entre outros aspectos e outras áreas de tecnologia, como climatização e ambiência”, garante. Para Dias, a suinocultura já aplica o bem-estar único, que inclui animais, funcionários, comunidade no entorno e meio ambiente.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Suinocultura

O rigoroso transporte de suínos que Xuxa não conhece

Produtores, transportadores e indústrias são responsáveis pela produção de suínos saudáveis, manejados e transportados respeitando BEA, boas práticas no manejo pré-abate e segurança do alimento

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Divulgação/ABCS

 Artigo escrito por Charli Ludtke, médica veterinária e diretora técnica comercial da ABCS

No Brasil são transportados mais de 92 milhões de suínos ao ano, sendo que a maioria das viagens está relacionada ao transporte dos animais para os frigoríficos, quando atingem o peso para o abate que varia de 100 a 130Kg. A decisão de transportar os suínos requer responsabilidade compartilhada entre o produtor, transportador e a indústria, devendo ser adotadas as boas práticas e o bem-estar animal durante toda a viagem. Produtores, transportadores e indústrias são responsáveis pela produção de suínos saudáveis, manejados e transportados respeitando o bem-estar animal, as boas práticas no manejo pré-abate e a segurança do alimento.

Os produtores são responsáveis por manter os animais saudáveis e bem nutridos, e em condições físicas adequadas para a realização da viagem. Além disso, manter com a agroindústria uma equipe capacitada com colaboradores cuidadosos para realizar o manejo de embarque dos suínos, é essencial. Para realizar o transporte dos animais, os produtores precisam solicitar a emissão da GTA (Guia de Trânsito Animal) nas unidades veterinárias da região para fins de controle do trânsito dos animais, exigências sanitárias (saúde) e rastreabilidade dos suínos. O transporte dos suínos da granja ao frigorífico é realizado em veículos específicos para este fim e acompanhado de toda a documentação fiscal e da GTA. As empresas de transporte, proprietários de veículos e motoristas são responsáveis pelo planejamento da viagem, transportar somente animais aptos para a viagem e garantir o cuidado durante todo o percurso, além disso buscar atender os requisitos que se refere a: utilizar o veículo e lotação adequada para a viagem, (espaço disponível para todos os animais deitarem) capacitar todos os envolvidos no transporte, principalmente os motoristas em relação ao comportamento e bem-estar dos animais. Assim como desenvolver e manter o plano de viagem incluindo o embarque e desembarque dos animais, duração da viagem, caminho a ser percorrido e o plano de contingência para tratar de emergências (acidentes, condições climáticas adversas) visando minimizar o estresse dos animais durante o transporte.

Os responsáveis das indústrias devem promover as boas instalações durante o embarque, transporte e desembarque no frigorifico, de forma que os suínos possam ser conduzidos com o mínimo de estresse e proporcionando interação positiva com os manejadores. Atenção deve ser dada ao frigorifico, quando os suínos desembarcam e são encaminhados para a área de descanso, antes de serem abatidos. Este ambiente deve promover a recuperação dos animais com áreas adequadas de descanso, conforto térmico, acesso a água e proteção das condições climáticas adversas. Nesta etapa todos os suínos são avaliados pelo Médico Veterinário Oficial quanto aos aspectos de saúde e do bem-estar animal, a fim de permitir que sejam encaminhados ao abate.

Toda a equipe de colaboradores do frigorífico que maneja diretamente os animais deve ser treinada para adotar as boas práticas, evitando assim o sofrimento e o estresse desnecessário aos suínos, mantendo os padrões de qualidade e de segurança do alimento. O transporte constitui uma importante parte do processo, e se não for bem executado pode ocasionar sérios problemas de bem-estar aos animais e de perdas econômicas. A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) tem desenvolvido material técnico e treinamentos para a conscientização de toda a cadeia de suínos, atuando, junto às suas afiliadas estaduais na capacitação, visando o aprimoramento do bem-estar animal nas granjas e as boas práticas no transporte e frigorífico. Assim, a suinocultura brasileira se mantém em sintonia com as exigências dos consumidores.

Nota do editor: O título deste artigo não reflete a opinião da autora. É de responsabilidade do jornal O Presente Rural.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Nutrição

Uso de leveduras vivas na suinocultura: alternativa para nutrição de matrizes prolíficas

Esperamos que no futuro o uso destas estratégias de Nutrologia sejam cada vez melhor aplicadas para melhorarmos a eficiência produtiva animal

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Alexandre Barbosa de Brito, médico veterinário, PhD em Nutrição Animal e gerente técnico LAM da AB Vista

Nas últimas décadas o tamanho da leitegada e o número de leitões desmamados por porca por ano foram consideravelmente melhorados, principalmente devido à maior produtividade da matriz visando esta característica nos processos de seleção. Com um aumento de 0,2 leitão/ano nos últimos 20 anos. O número de desmamados/fêmea/ano nos Estados Unidos saiu de 23,2 para 25,0 leitões e na União Europeia de 24 para 27,8 leitões, se compararmos os dados de 2008 a 2017.

Realizando uma comparação com dados brasileiros apresentados pela Agriness (2020), podemos observar que o número médio de nascidos vivos/fêmea/ano no Brasil foi de 27,22 leitões em 2008, para 31,02 leitões em 2019, incremento de 14%. Neste mesmo período, houve uma redução do peso médio do leitão ao nascimento de 1,47kg em 2008 para 1,37kg em 2019, uma perda de 100gr/leitão, ou de 6,8%.

O aumento do tamanho da leitegada levou inevitavelmente a uma redução no peso médio de nascimento dos leitões e a uma escalada na variabilidade de peso desta leitegada. Analisando outros dados, o peso ao nascer e o tamanho da leitegada são características importantes para a produtividade. Aumentos rápidos no tamanho da leitegada interferem na produtividade anual de reprodutoras. Peso ao nascer mais leve em leitões tem sido associado a uma maior mortalidade ao desmame, taxas de crescimento mais lentas e diminuição da qualidade de leitões. Estes dados referem-se, possivelmente, a um resultado de menor volume de fibras musculares primárias. De forma geral, existem animais que nascem com até 0,89 kg de diferença entre aqueles mais leves e os mais pesados, o que influenciam em até 9,64 kg o peso ao abate (Tabelas 1 e 2).

Fica claro que elevar o peso geral da leitegada possui uma medida de correlação muito elevada com o peso ao abate, pois animais mais pesados ao nascer irão possuir um melhor volume de fibras musculares de qualidade que sustentaram o crescimento futuro deste animal.

Uma forma para sustentar o crescimento do peso da leitegada ao nascimento refere-se ao uso de leveduras vivas na alimentação das fêmeas suínas reprodutoras durante a gestação e lactação. Embora haja muitos fatores que possam afetar o peso do desmame, o uso de leveduras vivas deve ser algo a ser considerado como uma importante ferramenta para elevá-lo.

Estudo norte-americano analisou-se a suplementação de levedura viva em um período de 18 dias de lactação. Os resultados mostraram que as taxas de crescimento em maternidade de leitões proveniente de matrizes alimentadas com leveduras vivas foram melhoradas em 6% em relação aos leitões controles (0,30 kg extras em peso à desmama). Além disso, os leitões nas porcas alimentadas com levedura viva tiveram uma mortalidade reduzida antes do desmame em comparação com os leitões do grupo controle. Esta redução da mortalidade pré-desmame resultou em 0,5 leitões a mais por desmame. Trabalhos europeus mostraram que para leitões desmamados com idades mais elevadas (> 21 dias), a taxa de crescimento pré-desmame aumentou (+12%) e houve um volume extra de 0,4 leitões desmamados quando as matrizes foram alimentadas com levedura viva durante o período de lactação. Com base em três ensaios, o ganho de peso médio ao desmame foi de +0,86 kg/suíno.

Em outro trabalho, o uso associado de levedura viva durante a fase de gestação gerou um benefício de até 3.1 kg de peso de leitegada (Tabela 4).

Atuação

Uma importante pergunta que resta ser respondida seria: Porque a levedura viva beneficia a matriz suína a ponto de elevar o peso ao nascimento da leitegada e melhorar sua performance na maternidade?

Existem diferentes razões para os resultados apresentados nestes trabalhos, essencialmente a levedura viva é um probiótico e atua como aglutinante de patógenos por meio de seus oligossacarídeos mananos exclusivos na parede celular externa, o que reduz a população de patógenos no lúmen intestinal. As leveduras atuam igualmente como um eliminador de oxigênio, o que suprimem o crescimento de bactérias indesejáveis, enquanto mudam o ambiente intestinal para mais favorável à fermentação de fibras, pois a maioria da microbiota fermentadora de fibras é anaeróbica e prefere um pH mais baixo do que a microbiota patogênica.

O ambiente luminal favorável para bactérias degradadoras de fibra pode resultar em maior hidrólise da fibra em detergente neutro, em níveis mais altos de produção de ácidos graxos voláteis e, portanto, em um nível mais alto de extração de energia nos materiais de alimentação, que pode ser desperdiçado. Ambos os modos de ação são fundamentais para apoiar as necessidades do animal durante períodos estressantes.

Esperamos que no futuro o uso destas estratégias de Nutrologia sejam cada vez melhor aplicadas para melhorarmos a eficiência produtiva animal e um desenvolvimento sadio do trato gastrintestinal.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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