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Crédito presumido será decisivo para manter produtor rural pessoa física no novo sistema tributário
Percentual ainda indefinido do mecanismo previsto na reforma tributária será decisivo para manter competitividade de produtores fora do IBS e da CBS.

A permanência do produtor rural pessoa física fora do novo sistema de tributação sobre o consumo dependerá de um fator que ainda não foi definido. Previsto na reforma tributária, o chamado crédito presumido poderá determinar se o modelo atual continuará viável economicamente para grande parte dos produtores brasileiros.
A possibilidade de o produtor rural pessoa física não ser contribuinte do IBS e da CBS foi mantida na regulamentação do novo sistema, estabelecida pela Lei Complementar nº 214 de 2025. No entanto, a escolha entre permanecer fora ou migrar para o regime de contribuinte dependerá da forma como será regulamentado o percentual do crédito presumido concedido aos compradores da produção rural.

Advogado tributarista Marcelo Saciotto: “Um crédito presumido mal calibrado pode acelerar a empresarialização do campo, ampliando a diferença entre produtores mais estruturados e aqueles que operam com margens mais estreitas” – Foto: Divulgação/b/luz
Esse mecanismo foi criado para evitar a cumulatividade de tributos e preservar a neutralidade econômica da reforma. Na prática, ele permite que cooperativas, agroindústrias, cerealistas e tradings se creditem de um valor calculado sobre as compras realizadas de produtores que não recolhem os novos tributos.
O ponto central é que esse crédito não pertence ao produtor rural. Segundo a advogada tributarista Fernanda Ferreira, o benefício nasce exclusivamente no elo seguinte da cadeia produtiva. “O crédito presumido não é do produtor, mas de quem compra dele. A permanência do produtor fora do IBS e da CBS só faz sentido se esse mecanismo for suficiente para preservar sua competitividade no mercado”, explica.
Benefício indireto
Como o produtor pessoa física que opta por permanecer fora do novo regime não gera débito tributário, também não possui direito a créditos fiscais. O crédito presumido funciona, portanto, como uma redução indireta no custo de aquisição da produção por parte do comprador.
Em tese, parte desse benefício poderia ser refletida no preço pago ao produtor. Na prática, porém, esse repasse não é automático. “O produtor só tende a se beneficiar de forma indireta se houver espaço para negociação, contratos bem estruturados ou inserção em cadeias de comercialização mais organizadas”, afirma Fernanda.
A situação gera incerteza no setor porque o percentual do crédito presumido ainda será definido em regulamentação futura. Dependendo do índice estabelecido, o impacto econômico pode alterar a formação de preços, as margens da cadeia e a competitividade entre diferentes perfis de produtores.
Regulamentação será decisiva

Advogada tributarista Fernanda Ferreira: “O produtor só tende a se beneficiar de forma indireta se houver espaço para negociação, contratos bem estruturados ou inserção em cadeias de comercialização mais organizadas” – Foto: Divulgação/b/luz
Para especialistas, a calibragem desse percentual será determinante para o futuro do modelo produtivo no campo. Um crédito presumido mais elevado poderia compensar a ausência de créditos fiscais para o produtor pessoa física, mantendo o equilíbrio econômico da operação.
Por outro lado, um percentual considerado insuficiente pode gerar pressão para que produtores passem a operar como pessoas jurídicas.
De acordo com o advogado tributarista Marcelo Saciotto, essa eventual mudança vai além de uma decisão tributária. “A regulamentação será determinante para o desenho do setor. Um crédito presumido mal calibrado pode acelerar a empresarialização do campo, ampliando a diferença entre produtores mais estruturados e aqueles que operam com margens mais estreitas”, avalia.
A migração para pessoa jurídica implica novas exigências administrativas, como contabilidade formal, aumento de obrigações acessórias, custos adicionais de compliance e maior exposição à fiscalização.
Diferenças regionais
Outro ponto de atenção é o impacto regional da eventual mudança de modelo. Em regiões onde a formalização empresarial já faz parte da rotina do setor agropecuário, a transição tende a ocorrer com menos dificuldades.
Em áreas onde predominam estruturas produtivas menores, entretanto, os custos administrativos e operacionais da formalização podem ser significativamente mais elevados, criando assimetrias competitivas dentro do próprio setor.
Mesmo em cadeias organizadas, com participação relevante de cooperativas e empresas integradoras, especialistas apontam que o fator determinante continuará sendo a calibragem econômica do crédito presumido.
Concebido como instrumento para garantir neutralidade no novo sistema tributário, o mecanismo permanece, por enquanto, como a principal variável de decisão para o produtor rural. A depender do percentual que vier a ser definido na regulamentação, ele poderá assegurar a continuidade do modelo atual ou desencadear uma reorganização jurídica relevante no campo brasileiro.

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China, Paraguai e Palau abrem mercados para produtos agropecuários brasileiros
Novos acordos sanitários ampliam oportunidades para exportação de cálculos biliares bovinos, suínos vivos e carnes de diferentes espécies.

As autoridades sanitárias da China, do Paraguai e de Palau aprovaram novos requisitos que permitem a entrada de produtos agropecuários brasileiros nesses mercados. As medidas envolvem a exportação de cálculos biliares bovinos para o mercado chinês, suínos vivos destinados ao abate para o Paraguai e carnes bovina, ovina, caprina e suína para Palau.
Com a China, o Brasil assinou um protocolo sanitário que estabelece as condições para exportação de cálculos biliares bovinos. O produto, utilizado principalmente pela indústria de Medicina Tradicional Chinesa, passa a ter regras definidas para inspeção, certificação e controle das remessas entre os dois países.
O acordo amplia o comércio de um subproduto da cadeia pecuária brasileira e cria uma nova possibilidade de aproveitamento econômico de materiais provenientes da produção bovina. A China é um dos principais destinos das proteínas animais brasileiras e tem papel estratégico para a expansão das exportações do agronegócio nacional.
No Paraguai, as autoridades sanitárias aprovaram o modelo de Certificado Sanitário Internacional (CSI) para a exportação de suínos vivos brasileiros destinados ao abate. A medida estabelece o padrão documental necessário para os embarques e abre uma nova alternativa comercial para a cadeia suinícola nacional.
Já Palau aprovou os modelos de CSI para importação de carnes bovina, ovina, caprina e suína produzidas no Brasil. Com a aprovação dos certificados, empresas brasileiras poderão iniciar os procedimentos de habilitação e atender aos requisitos sanitários exigidos pelo país insular.
As aberturas fazem parte da estratégia brasileira de ampliar o acesso a mercados internacionais por meio de acordos sanitários. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), uma abertura de mercado ocorre quando o país importador reconhece que as garantias sanitárias oferecidas pelo Brasil atendem aos seus requisitos para determinado produto.
Impacto para o agro
A ampliação de destinos comerciais reduz a dependência de poucos compradores e aumenta as possibilidades de comercialização para diferentes cadeias produtivas. No caso das carnes, a abertura de novos mercados ocorre em um momento de busca por maior diversificação das exportações brasileiras de proteína animal.
Além dos produtos tradicionais, como carne bovina e suína, o avanço de negociações envolvendo subprodutos de origem animal mostra a tentativa da indústria de ampliar o aproveitamento econômico da produção pecuária brasileira.
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Brasil e China discutem avanço de acordo comercial e cooperação em tecnologia
Negociações para um acordo Mercosul-China entram na agenda bilateral, que também inclui parcerias em inteligência artificial, satélites, minerais críticos e fertilizantes.

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Inscrições para prêmio de inovação em fertilizantes terminam nesta segunda-feira
Associação Nacional para Difusão de Adubos vai reconhecer pesquisas acadêmicas sobre fertilizantes, manejo do solo e tecnologias para o agronegócio, vencedor será anunciado em agosto, durante o Congresso Nacional de Fertilizantes.

Estudantes de graduação e pós-graduação das áreas de agronomia e cursos correlatos têm até esta segunda-feira (27) para se inscrever na 5ª edição do Prêmio Carlos Florence, promovido pela Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA). A iniciativa busca estimular a produção de pesquisas e trabalhos acadêmicos voltados à inovação e ao desenvolvimento do setor de fertilizantes.

Foto: Hedeson Alves/Tecpar
Podem concorrer artigos científicos, ensaios, monografias, dissertações e teses desenvolvidos em instituições de ensino superior brasileiras. Os trabalhos devem abordar temas relacionados ao tratamento e uso do solo, inovação e desenvolvimento de produtos, além de gestão e tecnologias de aplicação de fertilizantes.
Nesta edição, o regulamento também contempla pesquisas alinhadas ao movimento internacional Nutrientes para a Vida (Nutrientes for Life), que destaca a importância biológica, ambiental e econômica dos fertilizantes para a produção de alimentos e para a sustentabilidade da agricultura.
Os trabalhos serão avaliados por uma comissão julgadora com base em quatro critérios. Inovação e viabilidade de aplicação terão peso 40 cada, enquanto objetividade e clareza receberão peso 20 cada na composição da nota final.
O vencedor será conhecido durante o 13º Congresso Nacional de Fertilizantes, marcado para 25 de agosto.

Foto: Hedeson Alves/Tecpar
As inscrições são gratuitas e devem ser realizadas no site da ANDA, onde também estão disponíveis o edital e as orientações para envio dos trabalhos.
Criado para homenagear Carlos Florence, um dos principais especialistas brasileiros no setor de fertilizantes, o prêmio leva o nome do ex-diretor-executivo da Associação dos Misturadores de Adubos do Brasil (AMA), falecido em 2021. Florence acompanhou as principais transformações da indústria de fertilizantes no país e também se destacou como cronista e escritor.





