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Crédito limitado e insumos caros pressionam preços dos grãos no Brasil em 2026

Safras volumosas, venda antecipada e riscos geopolíticos ampliam volatilidade e afetam competitividade da soja e do milho.

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Foto: Shutterstock

O mercado global de grãos começa a indicar mudança de ciclo após um período prolongado de compressão de margens no campo. A avaliação é do doutor em Economia Aplicada, Alexandre Mendonça de Barros, que aponta uma mudança estrutural baseada na combinação de crescimento contínuo da produção e início da retração dos estoques globais.

Segundo o economista, esse movimento sinaliza o esgotamento da fase de preços deprimidos típica de ciclos marcados por expansão de oferta. O aumento da produção pressiona as cotações, desestimula investimentos e leva à retração da oferta. Na sequência, o mercado se ajusta e abre espaço para recuperação dos preços, com cada fase durando entre três e quatro anos. “O preço baixo hoje não reflete equilíbrio de mercado, mas a incapacidade de retenção do produtor. Isso altera o comportamento comercial e antecipa oferta no curto prazo”, explicou Barros.

Um dos sinais mais evidentes dessa distorção é o descolamento entre preços domésticos e internacionais. A soja caiu cerca de R$ 20 por saca no Brasil, enquanto a Bolsa de Chicago registrou valorização. No milho, a queda ocorre mesmo durante a entressafra, período normalmente marcado por menor oferta e sustentação das cotações. “Produtores com alto endividamento e forte dependência de crédito, pressionados por juros ao redor de 15%, vendem na colheita para fazer caixa e financiar a safra seguinte. A decisão deixa de considerar apenas expectativa de preço e incorpora custo do capital. Mesmo diante de possível valorização futura, não há viabilidade econômica para retenção de estoques”, analisa Barros.

Crédito restrito

Doutor em Economia Aplicada, Alexandre Mendonça de Barros: “No curto prazo, a combinação de safras volumosas, crédito restrito e necessidade de caixa mantém soja e milho pressionados. No médio prazo, a fragilização da base produtiva e os choques de custo criam condições para uma virada de ciclo” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

A inadimplência no crédito rural para pessoas físicas saiu entre 1,5% e 2,5% em 2024 para mais de 7% no início de 2026, indicando deterioração rápida da capacidade de pagamento. “A elevação ocorreu de forma contínua ao longo de 2025, com aceleração no final do ano, enquanto o prazo médio das operações permanece em torno de 1,3 a 1,5 ano. Isso mostra que o movimento está associado ao aumento do atraso e não à reestruturação dos contratos”, detalha o especialista.

O novo modelo regulatório antecipa o reconhecimento de risco de crédito, exigindo provisões baseadas em perda esperada já a partir de 90 dias de atraso, podendo chegar a 100%, sem eliminar completamente referências anteriores, como o marco de 180 dias. “O ajuste elevou o risco para instituições financeiras e contribuiu para restrição na oferta de crédito. Na safra 2025/26, desembolsos das linhas tradicionais do crédito rural recuam entre 12% e 16% na comparação anual, especialmente em custeio e investimento. Em linhas de investimento, a retração supera 20%, refletindo maior seletividade dos bancos diante da inadimplência”, pontua Barros.

O economista reforça que o aumento da inadimplência eleva o custo de risco para os bancos, restringe crédito e pressiona financeiramente o produtor. “Com menos acesso a recursos, diminui a capacidade de reter a produção e cresce a necessidade de venda imediata, ampliando oferta e pressionando preços, mesmo diante de fundamentos globais que poderiam sustentar cotações”, afirma.

Política monetária

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A política monetária restritiva convive com uma economia doméstica aquecida. O desemprego está em mínima histórica, cerca de 5,1%, e a massa real de renda cresceu 3,7% nos últimos 12 meses. Projeções indicam inflação de até 4,1% até o final de 2026. “O cenário sustenta o consumo interno, mas crédito caro limita investimentos, criando distorção entre demanda e capacidade produtiva”, pondera Barros.

O real vive um momento de valorização frente ao dólar em 2026, com a moeda americana em torno de R$ 5,30 em março. Esse movimento é impulsionado pelo enfraquecimento global do dólar, entrada de capital estrangeiro no Brasil atraído por diferencial de juros, além de fatores geopolíticos que favorecem mercados emergentes. “Exportadores de soja, milho e carnes perdem competitividade quando a receita em dólar é convertida para reais, enquanto segmentos voltados ao mercado interno se beneficiam do custo menor dos insumos. Com grãos mais baratos, a ração recua e melhora margem de ovos e proteína animal”, avalia o economista.

Insumos mais caros

A base produtiva já mostra ajuste técnico. O uso de fósforo caiu cerca de 9%, segundo Barros, mesmo com o volume total de fertilizantes estável, indicando risco à fertilidade do solo e à produtividade nos próximos ciclos.

Foto: Giuliano De Luca/O Presente Rural

O movimento ocorre em um cenário de oferta elevada – estimativas da Conab apontam para 177,8 milhões de toneladas de soja e cerca de 108,4 milhões de toneladas de milho safrinha, com comercialização antecipada limitada, o que concentra vendas no pós-colheita e pressiona preços. “Venda forçada, crédito restrito, custo elevado de capital e frete mais caro deve impedir a reação típica de alta ao longo do ano. O preço reflete a liquidez do produtor, não apenas o estoque físico” salienta Barros.

Nesse contexto, o sorgo ganha espaço como alternativa ao milho, com menor custo e menor exigência hídrica. O Brasil já responde por cerca de 8% da produção mundial, e a expansão da área permite ao cereal atuar como substituto parcial na ração, limitando altas mais intensas de preços.

Barros destaca ainda que a demanda por etanol de milho amplia seu peso, com consumo das usinas devendo atingir 24,5 milhões de toneladas no ciclo 2025/26, alta de até 17% sobre a safra anterior. “O setor sustenta parcialmente os preços, mas com disciplina de compra, aproveitando momentos de pressão para recompor estoques”, enfatiza.

Camada extra de risco

No cenário externo, a geopolítica eleva os riscos para o mercado de fertilizantes. A produção de nitrogenados depende diretamente do gás natural, tornando os custos sensíveis a oscilações no mercado de energia. Além disso, grande parte do fluxo global de petróleo, gás e insumos passa pelo Estreito de Ormuz. “Qualquer interrupção nessa rota provoca alta rápida nos preços desses insumos, elevando os custos de produção agrícola em diversos países. O bloqueio ocorrido em março pelo Irã desencadeia um efeito em cascata em toda a cadeia”, reforça Barros.

Foto: Geraldo Bubniak/AEN

Outros gargalos também pressionam a cadeia de insumos. O enxofre, essencial na produção de ácido sulfúrico e fertilizantes fosfatados, tem cerca de 50% do comércio global concentrado na mesma região, aumentando o risco sistêmico em caso de interrupção do fluxo natural de mercados. A cadeia do fósforo, por sua vez, já enfrenta pressão com o aumento da demanda chinesa.

Barros salienta que os efeitos logísticos são imediatos. O preço do diesel no Brasil subiu quase 20% após os conflitos no Oriente Médio, encarecendo o frete. “No curto prazo, isso reforça a queda dos preços locais, especialmente do milho. No médio prazo, o impacto mais relevante é o encarecimento dos fertilizantes. Com o Brasil dependente de importações e lead time logístico de dois a três meses, a capacidade de reação é limitada. O país precisa antecipar compras em um ambiente de alta volatilidade, o que tende a reduzir a aplicação de insumos e afetar a produtividade”, relata o economista.

O mesmo movimento ocorre simultaneamente no Hemisfério Norte, onde o calendário agrícola exige decisões imediatas. A demanda por fertilizantes nas próximas semanas coloca em risco o plantio da safra seguinte. Nos Estados Unidos, há sinais de migração de área do milho, cultura mais intensiva em nitrogênio, para a soja. “A atuação dos hedge funds no mercado internacional acelera esse movimento. Depois de apostarem na queda do milho, esses investidores mudaram rapidamente de posição e passaram a apostar na alta diante do risco de menor oferta. Essa mudança contribui para puxar os preços e antecipar o ajuste do mercado”, observa Barros.

O economista destaca ainda a transição de La Niña para El Niño, fenômeno que amplia riscos ao afetar simultaneamente importantes regiões produtoras, como o Meio-Oeste dos Estados Unidos, Índia e Austrália. Nesse cenário, o risco deixa de ser localizado e passa a impactar a produção global. “No curto prazo, a combinação de safras volumosas, crédito restrito e necessidade de caixa mantém soja e milho pressionados. No médio prazo, a fragilização da base produtiva e os choques de custo criam condições para uma virada de ciclo, com potencial de alta mais intensa caso eventos climáticos ou geopolíticos acelerem esse movimento”, enfatiza.

Á edição também está disponível na versão digital, com acesso gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

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O agronegócio entre a prosperidade e os limites ambientais

Maior fronteira de expansão agrícola do país, o bioma impulsiona a produção de alimentos e as exportações brasileiras, enquanto o avanço sobre a vegetação nativa intensifica o debate sobre água, clima e os limites desse modelo de desenvolvimento.

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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Para entender como o avanço da fronteira agrícola do Matopiba influencia a economia regional e os recursos hídricos do país, a reportagem esteve em Balsas, no Sul do Maranhão. O município se consolidou como um dos principais polos da expansão agrícola brasileira e simboliza o contraste entre o dinamismo econômico promovido pelo agronegócio e as preocupações relacionadas à conservação do Cerrado.

Presidente do Sindicato Dos Produtores Rurais De Balsas, Airton Zamingnan: “Nós temos a vocação, temos o clima, temos o porto [de Itaqui, em São Luís] e temos os solos” – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Na avaliação do presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Balsas (Sindi Balsas), Airton Zamingnan, a transformação econômica da região está diretamente ligada ao desenvolvimento da atividade agropecuária.

Segundo ele, o estado reúne condições naturais favoráveis à produção agrícola, como clima, disponibilidade de chuvas, solos aptos ao cultivo e a proximidade do Porto do Itaqui, em São Luís, responsável por parte importante do escoamento da safra brasileira. “Nós temos a vocação, temos o clima, temos o porto [de Itaqui, em São Luís] e temos os solos. Cem por cento do Maranhão tem precipitação para se fazer no mínimo uma cultura. Qual a possibilidade que tem o estado sem seu agronegócio? Você acha que vai se instalar uma Volkswagen ou Mercedes para montar caminhão? Muito pouco provável. O agronegócio é a oportunidade de levar renda, trabalho e economia para essas regiões”, afirmou Zamingnan.

A percepção de que o agronegócio representa uma oportunidade de ascensão econômica também aparece no cotidiano das comunidades rurais. Em escolas da zona rural de Balsas, crianças afirmam que desejam trabalhar futuramente como operadoras de máquinas agrícolas ou motoristas de caminhão, profissões ligadas diretamente à cadeia produtiva do campo.

Mesmo entre moradores críticos à expansão das lavouras, há reconhecimento da importância econômica da atividade. O agricultor familiar José Carlos dos Santos, que vive em uma comunidade rural localizada a cerca de 300 quilômetros da sede do município e denuncia o avanço do desmatamento, considera que o setor desempenha papel essencial na geração de renda, mas defende limites para sua expansão. “Ele tem o lado destruidor, mas, por outro lado, ele traz o alimento para mesa porque são várias comunidades e famílias que dependem do agro para sobrevivência. Ao mesmo tempo, a gente vive lutando para pôr um limite para o grande produtor não acabar com o nosso bioma”, ponderou Santos.

Setor defende expansão e afirma que preservação também interessa ao produtor

Airton Zamingnan contesta a ideia de que o agronegócio seja o principal responsável pelos problemas ambientais do estado. Segundo ele, as áreas ocupadas por lavouras representam apenas 2,9%

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

do território maranhense, enquanto a atividade gera benefícios econômicos para aproximadamente um milhão de habitantes da macrorregião sul do estado.

O dirigente também compara a contribuição econômica do setor aos recursos destinados à preservação ambiental. “O agronegócio do Brasil gera por ano R$ 1,4 trilhão em receitas. O Fundo Amazônia, financiado por Alemanha e Noruega, não dá 0,1% do que o agro traz para economia brasileira”, afirmou Zamingnan.

O valor citado inclui receitas geradas ao longo da cadeia produtiva, incluindo lucros e remunerações distribuídas a empresários, executivos e acionistas.

Para o presidente do Sindi Balsas, preservar os recursos naturais é uma necessidade também do ponto de vista econômico, uma vez que alterações climáticas afetam diretamente a produção agrícola. “A gente tem que fazer de forma correta. Você não adentra o rio. Ele tem que ser preservado. Não tem que querer gostar ou não gostar. Nós somos favoráveis à lei que tem e eu acho que o meio ambiente tem que ser preservado”, declarou Zamingnan.

A mesma linha de argumentação tem sido adotada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que participa da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada neste mês em Belém (PA).

Foto: Divulgação

Em publicação institucional, o vice-presidente da entidade, Muni Lourenço, afirmou que o objetivo é demonstrar que a agropecuária brasileira pode contribuir para o enfrentamento das mudanças climáticas. “Além da produção sustentável da agropecuária brasileira, o objetivo é mostrar ao Brasil e ao mundo que o agro tem um papel fundamental para contribuir com as soluções climáticas e garantir a segurança alimentar e energética”, afirmou Lourenço.

A CNA e outras entidades representativas do agronegócio foram procuradas para conceder entrevistas específicas para esta série de reportagens, mas não responderam aos contatos. As manifestações das organizações que aceitaram participar estão distribuídas ao longo desta reportagem.

Influência política do agronegócio entra no debate

Enquanto representantes do setor defendem a expansão da produção, pesquisadores apontam que o peso econômico do agronegócio também se traduz em forte influência política.

O projeto De Olho nos Ruralistas, que monitora a atuação do agronegócio empresarial, sustenta que a concentração fundiária histórica ajuda a explicar a formação das elites econômicas brasileiras e sua presença nas estruturas de poder.

Segundo o coordenador da iniciativa, Bruno Bassi, a origem desse processo remonta ao período colonial. “É impossível você explicar a história da riqueza no Brasil, a formação das elites

Foto: Gessí Ceccon

econômicas brasileiras, sem falar de terra e território, e da ocupação desse território, muitas vezes ilegal, através de grilagem”, afirmou Bassi.

Na avaliação do pesquisador, a elevada concentração de terras resulta também em concentração de representação política.

Com base em dados do Censo Agropecuário de 2017, ele afirma que grandes proprietários rurais, responsáveis por cerca de 1% a 2% das terras agrícolas brasileiras, possuem influência significativa no Congresso Nacional. “Esse setor de grandes proprietários, que representa cerca de 1% ou 2% do total das terras agrícolas do Brasil, segundo dados do Censo Agropecuário, são donos de uma bancada com 300 deputados e mais de 50 senadores. Como a gente pode falar em democracia, em representação política, quando você tem uma disparidade tão grande de representação de uma classe?”, questionou Bassi.

O pesquisador também argumenta que, mesmo empresas que assumem compromissos ambientais no mercado internacional acabam apoiando, por meio de sua representação política, iniciativas que flexibilizam a legislação ambiental. “Por mais que as empresas estejam captando recursos internacionais de bilhões de dólares para planos de ação [climática], o que a gente vê na prática é que, no Congresso, continua uma agenda de desregulamentação ambiental”, afirmou Bassi.

Foto: Rodrigo Pereira Carneiro

Entre os exemplos citados está o projeto de lei que flexibilizou o licenciamento ambiental. A proposta foi parcialmente vetada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que editou uma medida provisória e encaminhou um novo projeto de lei com o argumento de reduzir possíveis impactos ambientais. Os vetos, a medida provisória e a nova proposta ainda dependem de análise do Congresso Nacional.

Governo aposta em incentivos para tornar produção mais sustentável

O Ministério do Meio Ambiente afirma que a estratégia federal não é confrontar o setor produtivo, mas estimular práticas que conciliem produção e conservação. Segundo a diretora do Departamento de Recursos Hídricos da pasta, Iara Bueno Giacomini, a prioridade é construir soluções em parceria com o agronegócio. “Não é apontar um dedo e falar que ‘você é errado’. Mas no sentido de falar: ‘olha, o seu negócio está em risco. A gente gostaria de ajudar você a pensar como fazer isso de uma maneira mais adequada, mais eficiente e sustentável'”, explicou Giacomini.

O ministério reconhece, contudo, que o avanço do desmatamento permitido pelo atual Código Florestal pode comprometer a segurança hídrica nacional, afetando o abastecimento de água, a geração de energia elétrica e a própria produção agropecuária.

Como parte da estratégia para reduzir esse risco, o governo destaca o programa Eco Invest, que captou R$ 30 bilhões destinados à recuperação de pastagens degradadas e ao aumento da produtividade agrícola.

Outra medida em elaboração é a regulamentação das Áreas Prioritárias para Conservação de Águas do Cerrado (APCACs). Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o decreto deve ser publicado em breve e tem como objetivo fortalecer a proteção das nascentes e dos recursos hídricos do bioma, considerado estratégico para o abastecimento de grande parte do território brasileiro.

Fonte: O Presente Rural com Agência Brasil
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Geopolítica, clima e inovação pautam seminário sobre o futuro da soja brasileira

Evento da Embrapa Soja reunirá especialistas e lideranças do agronegócio para discutir os fatores que influenciam a competitividade do Brasil no mercado internacional.

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Foto: Gilson Abreu

A competitividade da cadeia produtiva da soja brasileira diante dos desafios globais será o foco da 8ª edição do Seminário Desafios da Liderança Brasileira no Mercado Mundial de Soja, que será realizado nos dias 04 e 05 de agosto, na sede da Embrapa Soja, em Londrina (PR). O evento é gratuito e reunirá especialistas, pesquisadores, representantes da indústria, produtores rurais e agentes públicos para discutir os principais temas que influenciam o futuro do setor.

Foto: José Fernando Ogura

Promovido pela Embrapa Soja em parceria com a Abiove, Anec, Aprosoja/MS, Aprosoja/PR, ASCB, CNA, OCB e Sindirações, o seminário é considerado um dos mais importantes fóruns técnicos da cadeia da soja no Brasil. A programação abordará temas estratégicos que vão desde a qualidade do grão até a produção de farelo, óleo e biocombustíveis, além de discutir sustentabilidade, inovação tecnológica, regulamentações, logística, geopolítica e competitividade.

A abertura do evento, a partir das 14 horas do dia 04 de agosto, contará com a conferência “Geopolítica Global e seus efeitos sobre o agronegócio mundial”, ministrada por Marcelo Morandi, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente e chefe de Relações Internacionais. Na sequência, o primeiro painel discutirá a agenda Brasil-China para o agronegócio, abordando oportunidades, desafios e perspectivas para o fortalecimento das relações comerciais entre os dois países. Entre os palestrantes confirmados está André Dobashi, vice-presidente da Aprosoja/MS.

No segundo dia, a programação será dedicada aos desafios e oportunidades da cadeia produtiva da

Foto: R.R.Rufino

soja, com início às 08 horas. Um dos destaques será a palestra do professor Marcos Silveira Buckeridge, do Instituto de Biociências da USP, que apresentará reflexões sobre os impactos das mudanças climáticas na produtividade, na qualidade nutricional da soja e na geopolítica do agronegócio. Outro tema em evidência será a logística do setor, com palestra de Thiago Péra, coordenador do Esalq-LOG, que discutirá os avanços necessários para superar os gargalos da infraestrutura brasileira.

A inovação e a rastreabilidade também estarão entre os assuntos debatidos, destacando o uso de tecnologias para aumentar a eficiência e a transparência na cadeia produtiva.

Encerrando o seminário, o terceiro painel será dedicado ao papel do biodiesel na descarbonização das cadeias produtivas. Especialistas discutirão como empresas têm adotado o biocombustível como estratégia para reduzir emissões, além dos impactos das métricas ambientais na valorização dos produtos e das perspectivas de ampliação do uso do biodiesel no transporte e na mecanização agrícola.

As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas clicando aqui.

Fonte: O Presente Rural
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Santa Catarina anuncia R$ 830 milhões para ampliar internet e telefonia no campo

Programa Sinal Bom prevê elevar a cobertura nas áreas rurais de 48,12% para até 99,4%, com instalação de 688 antenas e expansão da rede de fibra óptica e telefonia móvel.

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Foto: Sinal Bom

Mais conectividade, tecnologia e oportunidades para quem vive e produz no campo. O governador Jorginho Mello sancionou a Lei 19.936, de 30 de junho de 2026, que institui o Programa Sinal Bom. Com investimento de R$ 830 milhões, o Governo de Santa Catarina vai ampliar a cobertura de internet e telefonia móvel em comunidades rurais, pequenos municípios e ao longo das rodovias estaduais por meio desse programa.

A iniciativa vem para impulsionar o desenvolvimento rural, ampliar o acesso a serviços digitais e garantir mais segurança e comunicação para quem circula pelas estradas catarinenses.

Aprovado na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), o programa será coordenado pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape), em parceria com a Secretaria de Estado da Fazenda (SEF) e a Celesc, para ampliar a conectividade e reduzir as desigualdades de acesso aos serviços de telecomunicações em todas as regiões catarinenses. “Não dá mais para aceitar áreas sem internet e sem sinal de telefone. Estamos investindo pesado para conectar o campo, os pequenos municípios e as rodovias. Quem vive no interior também merece acesso à tecnologia, oportunidades e serviços com a mesma qualidade de quem está nos grandes centros”, afirma o governador Jorginho Mello.

O Programa Sinal Bom foi estruturado em duas linhas de fomento. A primeira prevê investimentos de até R$ 580 milhões para ampliar a cobertura de telefonia móvel por meio da instalação de novas estações rádio-base (ERBs), garantindo sinal em comunidades rurais e ao longo das rodovias estaduais.

A segunda linha destina até R$ 250 milhões para expansão da infraestrutura de redes fixas de fibra óptica em regiões de baixa densidade populacional, especialmente nos pequenos municípios e nas áreas rurais. O programa também prevê incentivos para essa ampliação.  A Celesc poderá adotar uma política especial de preços para o compartilhamento de infraestrutura de postes em áreas rurais, dentro da sua área de concessão, com o objetivo de incentivar a expansão e a manutenção de redes de fibra óptica.

Levantamentos técnicos identificaram que, embora Santa Catarina possua 92,3% de cobertura total de internet, conta com apenas 48,12% de cobertura nas suas áreas rurais. “Estar conectado é essencial para produção agropecuária, para acesso aos serviços públicos e para a qualidade de vida das famílias do campo. Com o Programa Sinal Bom, estamos criando condições para que mais catarinenses tenham acesso à informação e inovação”, destaca o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Admir Edi Dalla Cort.

Os estudos técnicos que embasaram o programa apontam a necessidade da implantação de 688 novas estações rádio-base em Santa Catarina, em locais estrategicamente definidos por levantamento técnico da Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan) e da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação (SCTI). Com a expansão, a cobertura total do Estado poderá alcançar 99,4%.

Todas essas ações seguirão a regulamentação federal aplicável, especialmente as normas da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e da Agência Nacional de Energia (Aneel).

Dois anos de estudos

Para elaboração do Programa, a Secretaria de Estado do Planejamento atuou diretamente no estudo dos locais que receberão a infraestrutura prevista no Programa Sinal Bom.

De forma prática, técnicos da Seplan fizeram um levantamento para identificar os melhores pontos para instalação das  antenas e melhorar o sinal, bem como o mapeamento da rede de fibra ótica. Para se chegar a essas indicações, foram dois anos de estudos de topografia, análise territorial e levantamento de dados sobre a cobertura que existe atualmente.

Entre os materiais desenvolvidos, foi feita a sinalização geográfica no mapa de Santa Catarina para a instalação dessas antenas, apontando também as já existentes.

Fonte: Assessoria Sape-SC
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