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Corte no seguro rural expõe fragilidade da proteção no campo

Redução de R$ 518 milhões no orçamento do PSR em 2026 coincide com queda de 76% da área segurada desde 2021 e acende alerta sobre falhas de cobertura e exposição patrimonial nas propriedades.

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Fotos: Shutterstock

A redução de R$ 56,3 milhões no orçamento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) ampliou a preocupação do agronegócio com a capacidade de proteção das lavouras brasileiras diante de eventos climáticos extremos e perdas patrimoniais. O corte ocorre poucos meses após o bloqueio de aproximadamente R$ 461,7 milhões nos recursos da política pública em 2026, aprofundando a incerteza sobre o principal mecanismo federal de incentivo à contratação de seguro rural no país.

Imagem criada por Jaqueline Galvão/ChatGPT/OP Rural

Na prática, o ajuste orçamentário acontece em um momento em que produtores enfrentam crédito mais restrito, custos elevados de produção e aumento da frequência de secas, geadas e chuvas intensas, fatores que ampliam a dependência de instrumentos de gestão de risco.

Os números mostram a dimensão do problema. Segundo nota técnica do Observatório do Crédito e do Seguro Rural, do Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro), a área segurada no Brasil despencou de aproximadamente 13,45 milhões de hectares em 2021 para cerca de 3,2 milhões de hectares em 2025, uma retração de quase 76% em quatro anos.

Para retomar, em 2026, o mesmo patamar de cobertura observado em 2021, seriam necessários aproximadamente R$ 2,37 bilhões em recursos para subvenção ao prêmio do seguro rural, aponta o estudo.

Seguro além do financiamento

Embora o debate esteja concentrado na redução dos recursos públicos para subsidiar a contratação das apólices, especialistas avaliam que o cenário também expõe um problema estrutural: a forma como muitos produtores encaram a proteção patrimonial da propriedade.

Advogada Clara Mendes, especialista em Gestão Jurídica, Compliance e Governança: “Ter uma apólice contratada não significa, necessariamente, estar protegido”

Para a advogada Clara Mendes, especialista em Gestão Jurídica, Compliance e Governança, o seguro rural ainda é frequentemente tratado apenas como uma exigência vinculada ao crédito ou como mais um custo da safra. “Ter uma apólice contratada não significa, necessariamente, estar protegido. O ponto central é entender se os bens estão avaliados corretamente, se as coberturas refletem os riscos reais da propriedade e se há lacunas que podem comprometer a indenização em caso de sinistro”, afirma.

Segundo ela, o crescimento patrimonial das propriedades rurais nas últimas décadas tornou a gestão do seguro mais complexa. Máquinas agrícolas de alto valor, estruturas de armazenagem, silos, benfeitorias, frotas e diferentes unidades produtivas exigem revisões periódicas das coberturas contratadas.

Sem essa atualização, o produtor pode acumular, ao longo dos anos, seguros insuficientes, coberturas duplicadas ou limites de indenização incompatíveis com o valor efetivo dos ativos. “Quando o produtor apenas renova a apólice sem revisar o patrimônio, ele pode carregar falhas por anos. Um equipamento subavaliado ou um limite mal calculado só aparecem como problema no pior momento: quando acontece o sinistro”, explica.

Risco invisível das apólices desatualizadas

Entre os mecanismos que mais geram surpresa ao produtor está a chamada cláusula de rateio, aplicada quando o valor segurado de um bem é inferior ao seu valor real de mercado. Nessas situações, a seguradora pode reduzir proporcionalmente a indenização, transferindo parte relevante do prejuízo ao proprietário.

O problema tende a aparecer em ativos sujeitos a valorização ou atualização frequente, como colheitadeiras, tratores, pulverizadores, silos e estruturas de armazenagem que, ao longo dos anos, tiveram aumento de valor sem que a apólice acompanhasse essa evolução.

Outro ponto sensível é o Limite Máximo de Indenização (LMI), indicador que define o teto de pagamento da seguradora em caso de sinistro. Quando dimensionado abaixo da exposição real da operação, o produtor pode descobrir apenas no momento da perda que parte do patrimônio ficou descoberta. No sentido oposto, limites superiores ao necessário podem elevar o custo do seguro sem gerar proteção adicional proporcional.

Para propriedades com grande número de veículos e equipamentos, a revisão técnica das apólices também pode identificar oportunidades de reorganização das coberturas e até de unificação de contratos.

Diagnóstico passa a ganhar espaço

Com recursos públicos mais escassos para subsidiar seguros e crédito rural mais seletivo, cresce a avaliação de que a contratação da apólice deve ser precedida por um diagnóstico detalhado da exposição financeira da propriedade.

Foto: Divulgação

O levantamento envolve identificar quais áreas da fazenda estão protegidas, quais permanecem descobertas, quais ativos estão vinculados a operações de crédito e quais riscos têm potencial para comprometer o fluxo de caixa da safra. “Em um ambiente de crédito mais seletivo, custos elevados e maior incerteza sobre subvenções, a proteção patrimonial precisa ser planejada com o mesmo cuidado dedicado ao financiamento da safra. O seguro não deve ser visto isoladamente, mas dentro de uma estratégia de continuidade da operação e preservação do capital do produtor”, pontua Clara.

Na prática, esse processo permite revisar contratos existentes, identificar falhas de cobertura, eliminar sobreposições e ajustar os seguros à realidade operacional da propriedade antes da renovação ou da contratação de novas apólices. “O papel da consultoria é ajudar o produtor a tomar uma decisão mais técnica. Em alguns casos, ele pode precisar de uma nova apólice. Em outros, pode ser necessário ajustar o que já existe. O mais importante é que a decisão seja tomada com clareza sobre os riscos reais da propriedade”, salienta a especialista.

Fonte: O Presente Rural com Agree

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Proibição de aditivos antimicrobianos leva granjas a rever programas nutricionais

Portaria SDA/Mapa nº 1.617/2026 restringe uso de avoparcina, bacitracinas e virginiamicina, aumentando a necessidade de alternativas para desempenho, microbiota e biosseguridade.

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A restrição ao uso de cinco aditivos melhoradores de desempenho antimicrobianos (AGPs) prevista na Portaria SDA/Mapa nº 1.617/2026 deve alterar programas nutricionais e sanitários utilizados na produção animal. A medida proíbe substâncias como avoparcina, bacitracina, bacitracina de zinco, bacitracina metileno disalicilato e virginiamicina, compostos historicamente empregados para reduzir desafios entéricos, controlar fermentações indesejáveis e melhorar índices produtivos.

A mudança reduz uma das ferramentas utilizadas por produtores e técnicos para manter o equilíbrio da microbiota intestinal e controlar a pressão de bactérias Gram-positivas associadas a problemas sanitários. Com a retirada desses produtos, a tendência é de maior dependência de estratégias integradas envolvendo manejo, biosseguridade, nutrição de precisão e imunonutrição.

Entre as substâncias afetadas, a avoparcina era utilizada principalmente pela capacidade de modular a microbiota intestinal e reduzir fermentações indesejáveis. A retirada do composto diminui as opções de controle preventivo por meio de AGPs, exigindo maior atenção aos fatores que influenciam a saúde intestinal dos animais.

As diferentes formas de bacitracina também tinham funções relacionadas ao suporte ao desempenho produtivo. A bacitracina era aplicada para reduzir a pressão bacteriana intestinal, especialmente em situações de desafios entéricos. Já a bacitracina de zinco era utilizada como melhorador de desempenho em rações, contribuindo para o equilíbrio intestinal e a eficiência alimentar. A versão metileno disalicilato, por sua vez, tinha uso frequente em programas para aves, com foco em conversão alimentar e controle da pressão entérica.

A virginiamicina também estava associada à redução de fermentações indesejáveis e ao suporte à estabilidade da microbiota intestinal. Com a restrição, sistemas produtivos precisarão revisar programas de desempenho e buscar alternativas capazes de manter resultados zootécnicos sem depender desses mecanismos de ação.

Mudança exige integração entre nutrição e manejo

A retirada dos AGPs amplia a importância de práticas preventivas dentro das granjas. O controle de desafios sanitários passa a depender ainda mais da qualidade das matérias-primas, da formulação das dietas, do manejo ambiental, da qualidade da água, da vacinação e de estratégias voltadas ao equilíbrio da microbiota.

Entre as alternativas avaliadas pelo setor estão probióticos, prebióticos, ácidos orgânicos, enzimas, extratos vegetais, minerais funcionais e programas de imunonutrição. A escolha das ferramentas tende a depender do sistema produtivo, espécie animal, desafio sanitário e objetivo econômico de cada operação.

A alteração também reforça a necessidade de monitoramento de indicadores como conversão alimentar, ganho de peso, integridade intestinal, incidência de enterites e uniformidade dos lotes. Sem o uso dos AGPs, pequenas variações de manejo ou nutrição podem ter maior impacto sobre o desempenho.

Para a indústria de proteína animal, a mudança representa uma revisão dos programas tradicionais de produção. A estratégia passa de um modelo baseado no uso de antimicrobianos promotores de crescimento para sistemas que dependem de maior controle dos fatores que interferem na saúde intestinal e na eficiência produtiva.

Fonte: O Presente Rural
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SIAVS 2026 lança aplicativo oficial para facilitar a experiência dos participantes

Ferramenta reúne programação, mapa interativo, expositores e atualizações em tempo real para otimizar a visita ao maior evento das cadeias produtivas no Brasil.

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Foto: Alf Ribeiro

Faltando poucas semanas para o início do Salão Internacional de Proteína Animal (SIAVS) 2026, os participantes já podem contar com uma ferramenta que tornará a experiência no evento ainda mais prática e eficiente. O aplicativo oficial do SIAVS está disponível para auxiliar visitantes, congressistas e expositores no planejamento da programação e na navegação pelos pavilhões da feira.

Presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin: “O mapa interativo facilitará a circulação dos visitantes pelo SIAVS” – Foto: Mario castello

Marcado para ocorrer de 04 a 06 de agosto, no Distrito Anhembi, em São Paulo (SP), o SIAVS é reconhecido como o maior evento das cadeias produtivas de proteína animal no Brasil e reunirá empresas, especialistas e lideranças de diversos países em um ambiente voltado à inovação, à geração de conhecimento e ao desenvolvimento de negócios.

Nesta edição, o SIAVS ocupará uma área de 45 mil metros quadrados de exposição, 65% maior que a da edição anterior, e tem expectativa de receber mais de 31 mil visitantes de mais de 60 países.

Além de uma programação técnica abrangente, a feira apresentará soluções que contemplam toda a cadeia produtiva, desde genética, nutrição, sanidade e bem-estar animal até automação, equipamentos, tecnologia, logística, processamento e industrialização.

Para que os participantes aproveitem todas essas oportunidades, o aplicativo oferece uma série de funcionalidades. Entre os recursos disponíveis estão programação completa do congresso, agenda personalizada, busca por expositores, localização dos estandes, atualizações em tempo real, navegação inteligente pelo evento e mapa interativo da feira.

“O mapa interativo facilitará a circulação dos visitantes pelo SIAVS. Com funcionamento semelhante ao de aplicativos de navegação, a ferramenta identifica a localização do usuário e traça o percurso até o estande, auditório ou qualquer outro ponto de interesse”, destaca o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin.

De acordo com o executivo, o objetivo é proporcionar aos participantes a melhor experiência possível durante o evento. “Essa ferramenta é mais um passo nessa direção, reunindo, em um único ambiente, todas as informações necessárias para que a visita seja mais organizada, dinâmica e prática”, realça.

O aplicativo já está disponível e pode ser baixado gratuitamente na Google Play, para dispositivos Android, e na App Store, para o sistema iOS. Com a ferramenta, os participantes podem começar a planejar a agenda e acompanhar as atualizações do encontro.

Clique aqui para baixar pela Google Play.

Clique aqui para baixar pela app Store.

Fonte: Assessoria SIAVS
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Embrapa divulga recomendações para reduzir impactos do El Niño no Sul

Documento reúne orientações sobre drenagem, manejo, conservação do solo e monitoramento climático para produtores do Sul.

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Foto: Divulgação/Freepik

Sete unidades da Embrapa divulgaram uma nota técnica com recomendações para ajudar produtores rurais da Região Sul a reduzir os impactos do fenômeno climático El Niño, cuja permanência é estimada entre 97% e 99% até o início de 2027.

O documento foi elaborado pelas unidades da Embrapa Clima Temperado (RS), Florestas (PR), Pecuária Sul (RS), Soja (PR), Suínos e Aves (SC), Trigo (RS) e Uva e Vinho (RS), que integram a Plataforma Colaborativa para Mitigação de Efeitos Climáticos Adversos na Agropecuária da Região Sul do Brasil.

Foto: Roberto Dziura Jr/AEN-PR

Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há ainda 63% de probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. Para a Região Sul, a previsão é de aumento das chuvas, maior nebulosidade e temperaturas acima da média durante o inverno.

A nota técnica reúne orientações para que produtores planejem as atividades com antecedência, reduzam riscos e minimizem prejuízos provocados pelo excesso de chuvas, pela maior incidência de doenças nas lavouras e por outros impactos do fenômeno.

Entre as recomendações gerais estão o respeito ao Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), o acompanhamento das previsões meteorológicas oficiais, o planejamento dos investimentos e a contratação de seguro rural.

O material também apresenta orientações específicas para diferentes cadeias produtivas. Para trigo, cevada e aveia, as recomendações incluem prevenção de doenças, manejo da adubação e planejamento da colheita. Já para soja, milho e arroz irrigado, as medidas envolvem melhoria da drenagem das áreas, conservação do solo, controle da erosão e intensificação do monitoramento fitossanitário.

Foto: Divulgação

Na fruticultura, as recomendações contemplam culturas como videira, macieira, pessegueiro, oliveira e nogueira-pecã, com orientações voltadas à drenagem dos pomares, manejo fitossanitário, conservação do solo e planejamento das operações agrícolas. A publicação também reúne recomendações para silvicultura, horticultura, pastagens e plantas de cobertura.

Além das medidas para as propriedades rurais, a Embrapa defende ações de planejamento em escala de microbacias hidrográficas, conservação do solo e adoção de sistemas produtivos mais resilientes, como os Sistemas Agroflorestais (SAFs) e a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF).

A nota técnica também destaca a importância da transferência de tecnologia, com ações de capacitação de profissionais da assistência técnica e produção de conteúdos digitais e materiais informativos para ampliar o acesso dos produtores às recomendações. Segundo os pesquisadores da Embrapa, o planejamento antecipado e a adoção de boas práticas agrícolas podem reduzir os impactos do El Niño sobre os sistemas produtivos da Região Sul.

Fonte: Assessoria Embrapa Clima Temperado
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