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Corte em incentivos fiscais acende alerta no campo
Entidade do setor avalia que a redução de benefícios federais pode elevar custos de produção, pressionar a renda dos produtores e afetar a competitividade em um momento já marcado por dificuldades no meio rural.

O Sistema Faep vê com preocupação a aprovação do PLP 128/2025, pelo Congresso Nacional, que promove a redução mínima de 10% dos benefícios federais de natureza tributária, financeira e creditícia. A diminuição prevista se refere aos incentivos e benefícios que já incidem sobre os seguintes tributos federais: PIS/Pasep; PIS/Pasep-Importação; Cofins; Cofins-Importação; IPI; IRPJ; CSLL; imposto de importação; e contribuição previdenciária do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada.
“Esses benefícios são importantes para a gestão no meio rural, com impacto significativo nas contas do produtor rural. Num momento complicado como o atual, onde as intempéries climáticas têm gerado perdas no campo e o endividamento do setor está alto, não podemos aceitar uma medida como essa”, destaca o presidente interino do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Vamos continuar trabalhando para tentar reverter essa decisão ou, ao menos, procurar uma saída que possa compensar a redução”, complementa.
O projeto prevê redução em 10% dos benefícios tributários, impactando a produção, com aumento da alíquota do PIS/Cofins sobre insumos, e a venda de produtos agropecuários (corte do crédito presumido). Ainda, a medida reduz o crédito presumido da indústria de alimentos e rações e o lucro presumido.
“É preciso que os setores produtivos sejam ouvidos. A agropecuária, principal pilar da economia do país, será severamente atingida com essa medida, pois vai penalizar quem produz, desestimular o investimento, comprometer a competitividade e colocar ainda mais pressão de custos sobre a produção de alimentos”, afirma Meneguette.

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Tecnoshow Comigo une tecnologia, negócios e lazer para toda a família
Feira em Rio Verde (GO) mobiliza 10 mil empregos, oferece estrutura para 12 mil visitantes por dia e promove atividades educativas voltadas a crianças entre 06 e 10 de abril.

Com uma área de 65 hectares, o equivalente a cerca de 90 campos de futebol, a Tecnoshow Comigo foi estruturada para oferecer mais do que uma feira de tecnologia rural: a proposta é conectar negócios, conhecimento e experiência em um mesmo espaço.
Alinhada ao tema deste ano, “O Agro Conecta”, a organização investiu em infraestrutura, serviços e programação voltada às famílias, garantindo conforto, segurança e uma experiência completa ao público durante os cinco dias de evento, que acontece de 6 a 10 de abril, no Centro Tecnológico Comigo (CTC), em Rio Verde (GO). “Começamos a montagem com antecedência justamente para integrar todas as frentes e garantir que o visitante encontre um ambiente preparado em todos os detalhes”, afirma o coordenador de Infraestrutura da feira, Edimilson de Carvalho Alves.

Teatro e oficinas para as crianças
Segundo ele, a Tecnoshow mobiliza cerca de 10 mil empregos diretos e indiretos, considerando as etapas de montagem, realização e desmontagem.
Entre as novidades desta edição, a feira passa a contar com um ambulatório médico em alvenaria, com atendimento permanente de médico e enfermeira, além de três pontos de apoio para aferição de pressão e medição de glicemia. Em casos que demandem maior atenção, ambulâncias estarão disponíveis para encaminhamento até unidades de saúde.
O conforto do público também foi ampliado com a climatização dos 12 banheiros distribuídos pelo recinto e com uma estrutura de alimentação preparada para atender até 12 mil pessoas por dia. O espaço reúne três restaurantes, lanchonetes, food trucks e pamonharia, conectando praticidade e variedade ao longo da visita.
Energia, conectividade e operação integrada

Três auditórios com conteúdo para o produtor rural
Para garantir o funcionamento pleno da feira, a Cooperativa Comigo realizou uma reestruturação completa da rede elétrica, com reforço nas linhas de alta e baixa tensão e a instalação de novos transformadores. Parte do sistema será monitorada em tempo real, permitindo ações preventivas e maior estabilidade no fornecimento de energia.
Em parceria com a Equatorial, o evento também passa a contar com uma linha de alimentação dedicada. Já na conectividade, o CTC dispõe de torre fixa da Vivo e operação da Claro com Estação Rádio Base (ERB), assegurando cobertura de sinal para visitantes e expositores.
Acesso facilitado

Dinâmicas de pecuária e exposição de animais
A chegada e a circulação no evento também foram pensadas para garantir fluidez. O estacionamento gratuito tem capacidade para mais de 21 mil veículos, e o número de saídas foi ampliado para otimizar a dispersão do público. A feira conta ainda com heliponto homologado, com capacidade para até 12 aeronaves simultaneamente.
Na segurança, a operação reúne forças públicas e privadas, com atuação de Polícia Militar, Civil, Rodoviária, Corpo de Bombeiros, Guarda Civil Municipal e agentes de trânsito, além de equipes privadas, brigadistas e profissionais de segurança do trabalho. “A estrutura foi planejada para que o visitante se sinta seguro e confortável durante toda a permanência na feira”, destaca Alves.
Espaço para as famílias
Reforçando o caráter familiar da Tecnoshow, a programação inclui atividades voltadas ao público infantil no espaço Sementinhas do Agro. Ao longo dos cinco dias, peças teatrais e oficinas temáticas aproximam as crianças do universo do campo de forma lúdica e educativa.
As apresentações acontecem diariamente, com espetáculos como “A Fazenda Tá Online!” e atividades interativas que conectam os pequenos a temas como produção de alimentos, cuidado com os animais e rotina no campo. “A Tecnoshow já é reconhecida como um evento que reúne famílias, e pensamos nessa programação para que todos possam aproveitar a visita. A ideia é que o público saia daqui não só com bons negócios, mas também com uma experiência completa”, afirma a coordenadora de Comunicação da Cooperativa Comigo, Gabriele Triches Ribeiro.
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CFMV discute futuro da formação em Medicina Veterinária em seminário nacional
Evento em Brasília reúne coordenadores, docentes e estudantes para tratar de acreditação, diretrizes curriculares, inteligência artificial e saúde mental na graduação e residência veterinária.

O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) realiza nos dias 14 e 15 de abril, em Brasília (DF), o 27º Seminário da Comissão Nacional de Educação da Medicina Veterinária (CNEMV). O encontro será realizado no Centro Universitário de Brasília (CEUB), com participação presencial e transmissão ao vivo pelo canal do CFMV no YouTube.
Promovido pela CNEMV, o Seminário reúne coordenadores de cursos de graduação, docentes, profissionais e estudantes de todo o país para debater a qualidade da formação em Medicina Veterinária, tema estratégico para o fortalecimento da profissão e para a proteção da sociedade. As inscrições podem ser feitas em www.cfmv.gov.br.

Presidente da Comissão Nacional de Educação da Medicina Veterinária do CFMV, médica-veterinária Clorinda Fioravanti: “Discutir a formação é olhar para o futuro da profissão” – Foto: Divulgação
A programação contempla discussões sobre proposta de acreditação dos cursos, a implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs), o uso da inteligência artificial no ensino e os desafios relacionados à saúde mental no ambiente acadêmico.
A presidente da Comissão Nacional de Educação da Medicina Veterinária do CFMV, a médica-veterinária Clorinda Fioravanti destaca a importância do encontro. “Discutir a formação é olhar para o futuro da profissão. Estamos trabalhando para que os cursos estejam cada vez mais alinhados às necessidades da sociedade e às responsabilidades da Medicina Veterinária”, ressalta.
Programação aborda acreditação, planejamento e saúde mental
No primeiro dia, o seminário traz debates sobre proposta de acreditação e os critérios de qualidade dos cursos, além de temas como autoavaliação institucional e planejamento estratégico acadêmico.
No segundo dia, a programação inclui discussões sobre saúde mental na academia, abordando estudantes e docentes diante das novas demandas educacionais, e os desafios na implementação das DCNs nos cursos de Medicina Veterinária no Brasil.
O encontro também prevê a troca de experiências entre instituições de ensino e será encerrado com a construção da Carta de Brasília 2026, documento com diretrizes para o fortalecimento da educação na área.
Residência em Medicina Veterinária
Durante o evento, o CFMV também promoverá o 7º Seminário Brasileiro de Residência em Medicina Veterinária, no dia 16 de abril, no Centro Universitário de Brasília (CEUB), em Brasília (DF), com participação presencial e on-line.
A iniciativa amplia o debate sobre a formação profissional ao abordar um dos principais eixos de qualificação prática na área: os programas de residência.
A programação inclui temas estratégicos, como o futuro da residência no Brasil diante da ausência de financiamento estatal, além da construção de uma agenda voltada à busca de soluções e ao fortalecimento dessas iniciativas no país.
Também serão discutidos aspectos relacionados à saúde mental de residentes e o papel dos hospitais veterinários no sistema público de saúde, reforçando a importância da residência na formação de profissionais mais preparados para atender às demandas da sociedade.
O Seminário reúne gestores, docentes, residentes e profissionais para promover diálogo, troca de experiências e construção coletiva de propostas para o avanço da Medicina Veterinária no Brasil.
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Chuvas podem reduzir até 25% da produção de soja no Mato Grosso
Mais de 30 dias de precipitações deixam grãos com até 28% de umidade, gerando risco de germinação, atrasando a safrinha de milho e aumentando em 30% o volume de operações de secagem.

As chuvas intensas registradas nas últimas semanas em importantes regiões produtoras do país, especialmente no Mato Grosso, maior produtor de grãos do Brasil, têm dificultado o avanço da colheita da soja e acendido um alerta entre produtores. Já são mais de 30 dias de precipitações frequentes, cenário que levou 17 municípios do estado a decretarem situação de emergência. Nas áreas mais afetadas, produtores relatam prejuízos que podem chegar a até 25% da produção.
Segundo levantamento do setor de tecnologia de medição de grãos, a soja colhida em regiões do Norte de Mato Grosso tem registrado picos de umidade entre 26% e 28%, um aumento de cerca de 20% no teor de água presente no grão no momento da colheita em relação ao padrão considerado ideal para a operação.

Engenheiro agrônomo Roney Smolareck: “Quando a soja permanece por longos períodos no campo, após atingir o ponto de colheita, o excesso de umidade pode iniciar a germinação ainda na planta”
As informações foram obtidas por meio do Sistema de Gestão de Umidade (SGU), que acompanha operações de secagem e monitoramento de grãos em unidades armazenadoras. Normalmente os produtores realizam a colheita com níveis de umidade entre 18% e 22%, contudo, no monitoramento mais recente, foram observadas médias próximas de 21%, além de picos entre 26% e 28%, com registros pontuais ainda maiores durante o período mais chuvoso em regiões como Marcelândia.
Para o engenheiro agrônomo Roney Smolareck esse excesso de umidade pode se tornar um dos principais riscos para a qualidade da safra e para o valor final recebido pelo produtor. “Quando a soja permanece por longos períodos no campo, após atingir o ponto de colheita, o excesso de umidade pode iniciar a germinação ainda na planta. Nesse processo, o grão passa a consumir suas reservas, o que reduz seu valor comercial e pode gerar descontos na comercialização”, afirma.
O excesso de chuva também impacta o calendário da segunda safra de milho. Como o plantio do milho safrinha depende da liberação das áreas ocupadas pela soja, atrasos na colheita acabam reduzindo a janela ideal de semeadura. “Em muitas regiões, o solo permanece encharcado por vários dias, impedindo a entrada das máquinas agrícolas. Então, muitas vezes, o produtor até gostaria de colher, mas as máquinas não conseguem entrar na área por causa das condições do solo. Esse atraso acaba refletindo no plantio do milho safrinha e na qualidade da soja, porque quanto mais tempo ela fica no campo, maior o risco de degradação”, explica o agrônomo.
Umidade elevada aumenta custos no pós-colheita

Foto: Mateus Dias/Aprosoja MT
Além do impacto na lavoura, o aumento da umidade também pressiona toda a cadeia pós-colheita. Quando o grão chega às unidades armazenadoras com níveis acima de 26%, o volume de água a ser removido praticamente dobra em comparação com uma colheita feita na faixa normal de umidade. Na prática, isso significa mais tempo de permanência nos secadores, maior consumo de energia e maior pressão operacional nas estruturas de armazenagem.
No momento da classificação e comercialização, o excesso de água também afeta o resultado financeiro da safra. Após a secagem, o peso líquido do lote é reduzido e os descontos aplicados na negociação tendem a ser maiores, já que o produtor precisa retirar um volume adicional de umidade do grão.
Também foram identificadas um aumento próximo de 30% nas operações destinadas exclusivamente à retirada de umidade. A análise foi gerada pela comparação dos dados operacionais deste ciclo com o histórico registrado pelos medidores e pelo acompanhamento do sistema SGU integrado ao monitoramento do processo de secagem.
O aumento evidencia como o regime de chuvas acima da média tem alterado a dinâmica da colheita em Mato Grosso. Em anos considerados normais, a secagem já representa uma etapa crítica do pós-colheita. Neste ciclo, ela se tornou ainda mais estratégica para garantir a qualidade do grão, reduzir perdas e manter o fluxo de comercialização da soja.
Controle da umidade

Fotos: Jaelson Lucas/Arquivo AEN
Diante de cenários climáticos cada vez mais instáveis, ferramentas de monitoramento têm ganhado importância tanto na tomada de decisão no campo, quanto na preservação do valor da produção. Para Smolareck, acompanhar a umidade dos grãos ajuda o produtor a agir com mais precisão. “Quando o produtor mede a umidade ele consegue identificar quais áreas da lavoura apresentam melhores condições de colheita naquele momento. Isso permite priorizar talhões com menor risco de deterioração, preservando a qualidade do grão e, consequentemente, o valor final da comercialização”, explica.
Para preservar a qualidade da soja e garantir maior rentabilidade, a recomendação técnica é que a colheita ocorra com umidade dos grãos entre 13% e 14%. Por isso, equipamentos portáteis de medição permitem que essa avaliação seja feita diretamente no campo, de maneira rápida e eficiente. “Quando o produtor conhece exatamente o nível de umidade da soja, ele tem mais segurança para negociar. Se o grão está dentro do padrão ideal, essa informação ajuda a evitar descontos indevidos e a preservar o valor do grão na comercialização. Em um cenário de perdas causadas pela chuva, a medição se torna uma ferramenta importante para reduzir o impacto financeiro da safra”, pontua Smolareck.



