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Corte de caudas está sob pressão na suinocultura global

Em entrevista exclusiva, especialista em suínos e porta-voz da Sociedade Agrícola Alemã propõe remuneração de 30 euros a mais para quem não promove o corte.

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Foto: Shutterstock

O corte de caudas em leitões é uma prática amplamente debatida, especialmente na Europa, onde o tema envolve questões éticas, produtivas e legislativas. Na Alemanha, a discussão é um símbolo que é desafio de equilibrar o bem-estar animal com as condições práticas de manejo nas granjas e os custos. Para entender melhor esse cenário, o jornal O Presente Rural conversou com exclusividade com o doutor Eckhard Meyer, especialista em suínos e porta-voz da Sociedade Agrícola Alemã (DLG), em novembro, durante a EuroTier 2024.

Na Alemanha, o corte de caudas profilático — realizado para prevenir problemas como o canibalismo entre os animais — ainda é permitido, mas está sob intensa análise e com mudanças legislativas em andamento. Em países como Suécia, Finlândia e Dinamarca, a prática é proibida há cerca de 15 anos, e os produtores precisaram adaptar rapidamente suas granjas para atender às exigências legais.

“O corte de caudas é visto como um símbolo de bem-estar animal”, explica Mayer. Ele ressalta que evitar a prática requer mudanças profundas no sistema de manejo. “Não é apenas uma questão de alojamento, mas também de saúde, nutrição e genética. Se tudo estiver correto, é possível evitar o corte de caudas. Caso contrário, as consequências do canibalismo podem ser muito graves para os animais”.

Manejo e desafios no campo

Segundo Mayer, a adoção de práticas livres de corte de caudas ainda enfrenta resistência entre os grandes produtores na Alemanha. Muitos continuam realizando o procedimento, a menos que tenham incentivos econômicos específicos. “Alguns agricultores recebem cerca de 20 euros adicionais por animal para evitar o corte, mas, sem essa remuneração, a prática não é viável economicamente para a maioria”, explica.

A transição para um manejo livre de cortes envolve investimentos significativos em infraestrutura, nutrição adequada e melhorias genéticas. Mayer destaca que raças específicas respondem melhor a sistemas sem corte, enquanto outras apresentam maior propensão a problemas comportamentais. Além disso, a nutrição desempenha um papel fundamental, com a necessidade de dietas ricas em fibra — cerca de 5% para suínos de engorda e 4% para leitões em crescimento.

Impacto econômico e o futuro da prática

A implementação de sistemas sem corte de caudas implica custos adicionais para os produtores. “Estimo que seriam necessários cerca de 30 euros por animal para viabilizar essas mudanças de forma sustentável”, afirma Mayer. Ele também destaca que, em mercados que exportam carne suína para a Alemanha, como o Brasil, a demanda por produtos livres de cortes de caudas pode se tornar um requisito comercial. “Se vocês quiserem continuar exportando para mercados como o alemão, terão que se adequar a essas exigências”.

O equilíbrio entre bem-estar e manejo

Doutor Eckhard Meyer: “O corte de caudas é visto como um símbolo de bem-estar animal” – Foto: O Presente Rural

A prática de cortar ou não cortar as caudas está no centro de um debate mais amplo sobre as prioridades da suinocultura moderna. “Se o sistema de alojamento e manejo não for ideal, o corte de caudas pode ser a solução menos prejudicial, pois o canibalismo causa danos mais severos aos animais”, pondera Mayer.

No entanto, ele reforça que, com os avanços nas condições de saúde animal, nutrição e genética, é possível evitar o corte, garantindo um manejo mais ético e eficiente. “O que vimos em países do norte da Europa é que, quando as mudanças são impostas pela legislação, os produtores se adaptam rapidamente. A lei está sendo preparada para que, na Alemanha, também não seja mais permitido o corte de caudas”.

Um olhar para o Brasil

Para o Brasil, um dos maiores exportadores mundiais de carne suína, o debate sobre o corte de caudas ainda está engatinhando em relação ao cenário europeu. No entanto, a crescente demanda por práticas sustentáveis e éticas nos mercados internacionais pode impulsionar mudanças também nas granjas brasileiras.

O corte de caudas segue como um tema controverso, envolvendo escolhas que exigem uma análise cuidadosa dos impactos econômicos, sociais e éticos na suinocultura global. A busca pelo equilíbrio entre o bem-estar animal e a viabilidade do manejo é, sem dúvida, um dos grandes desafios do setor.

Fonte: O Presente Rural

Suínos

Primeiro lote de inscrições ao Sinsui 2026 encerra em 15 de janeiro

Evento acontece entre os dias 19 e 21 de maio, no Centro de Eventos da PUCRS, em Porto Alegre (RS). o Simpósio chega à sua 18ª edição consolidado como um espaço técnico de discussão sobre produção, reprodução e sanidade suína, em um momento de crescente complexidade para a cadeia produtiva.

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Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

A suinocultura brasileira e internacional tem encontro marcado em maio, na Capital gaúcha, com a realização do Simpósio Internacional de Suinocultura (Sinsui). O evento ocorre de 19 a 21 de maio, no Centro de Eventos da PUCRS, e chega à sua 18ª edição consolidado como um espaço técnico de discussão sobre produção, reprodução e sanidade suína, em um momento de crescente complexidade para a cadeia produtiva. O Jornal O Presente Rural é mais uma vez parceiro de mídia do Simpósio e toda a cobertura você pode acompanhar pelas nossas redes sociais.

Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

Faltando pouco mais de quatro meses para a abertura do simpósio, a organização avança em etapas-chave da preparação. A programação científica será divulgada a partir de fevereiro, mas já está em andamento o processo de submissão de trabalhos, um dos pilares do evento. Pesquisadores, técnicos e profissionais do setor têm até 23 de março para inscrever estudos científicos ou casos clínicos, que deverão se enquadrar em uma das áreas temáticas definidas pela comissão organizadora: sanidade, nutrição, reprodução, produção e manejo, One Health e casos clínicos.

A estrutura temática reflete desafios centrais da suinocultura contemporânea, como a integração entre saúde animal, saúde humana e meio ambiente, além da busca por eficiência produtiva em um cenário de custos elevados e maior pressão por biosseguridade. As normas para redação e envio dos trabalhos estão disponíveis no site oficial do evento, o que indica uma preocupação com padronização científica e qualidade técnica das contribuições.

Inscrições no evento

No campo das inscrições, o Sinsui mantém valores diferenciados por perfil de público. Até 15 de janeiro, profissionais podem se inscrever por R$ 650, enquanto estudantes de graduação em Medicina Veterinária, Zootecnia e Agronomia, além de pós-graduandos stricto sensu nessas áreas, pagam R$ 300. Há ainda modalidades específicas para visitantes e para acesso à feira. A inscrição dá direito a material de apoio, certificado, crachá e acesso à programação.

A política de descontos reforça o foco em participação coletiva, especialmente de empresas e instituições de ensino. Grupos de estudantes

Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

ou profissionais vinculados a empresas patrocinadoras têm condições mais vantajosas a partir de dez inscritos, enquanto demais empresas obtêm desconto para grupos acima de vinte participantes. Em ambos os casos, o modelo prevê a emissão de recibo único e a concessão de um código adicional de inscrição.

A organização também detalhou a política de cancelamento, com percentuais de reembolso decrescentes conforme a proximidade do evento, e ressalva para situações de força maior, nas quais o simpósio poderá ser transferido de data sem cancelamento das inscrições.

Termômetro

Ao reunir produção científica, debates técnicos e interação entre diferentes elos da cadeia, o Sinsui 2026 se posiciona como um termômetro dos rumos da suinocultura. Em um setor cada vez mais pressionado por exigências sanitárias, sustentabilidade e competitividade internacional, o simpósio tende a funcionar não apenas como espaço de atualização, mas como arena de construção de consensos técnicos e estratégicos.

Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail contato@sinsui.com.br ou pelos telefones (51) 3093-2777 e (51) 99257-9047.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos

Piauí decreta emergência zoossanitária para prevenção da peste suína clássica

Entre as principais medidas está o controle rigoroso da movimentação de animais e de produtos considerados de risco.

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Foto: Ari Dias/AEN

O governador Rafael Fonteles decretou estado de emergência zoossanitária em todo o território do Piauí, para prevenção e controle da Peste Suína Clássica (PSC). A medida foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) na terça-feira (06), e tem validade de 180 dias. Entre as principais medidas está o controle rigoroso da movimentação de animais e de produtos considerados de risco.

O decreto foi motivado pela confirmação de um foco da doença no município de Porto. A decisão considera laudos do Laboratório Federal de Defesa Agropecuária, vinculado ao Ministério da Agricultura, que confirmaram a ocorrência do vírus.

Ao justificar a medida, o documento destaca a necessidade de resposta imediata para evitar a disseminação da doença. “A movimentação de animais e de produtos de risco deverá observar normas e procedimentos estabelecidos pela equipe técnica, com vistas à contenção e à eliminação do agente viral”, diz o texto publicado no DOE.

O trânsito de animais só poderá ocorrer conforme normas definidas pela equipe técnica responsável pelas operações de campo, com foco na contenção e eliminação do agente viral.

O decreto também autoriza a Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Piauí (Adapi) a expedir diretrizes sanitárias, adotar manejo integrado da doença e utilizar produtos já registrados no país, além de seguir recomendações técnicas de pesquisas nacionais.

Cabe ainda à Adapi a aquisição dos insumos necessários às ações de prevenção, controle e erradicação da PSC durante o período de emergência.

Fonte: Assessoria Governo do Piauí
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Suínos

Exportações de carne suína batem recorde em 2025 e Brasil deve superar Canadá

Embarques somam 1,51 milhão de toneladas no ano, com alta de 11,9%, e colocam o Brasil como provável terceiro maior exportador mundial. Filipinas assumem liderança entre os destinos.

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Foto: Shutterstock

Levantamentos da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) mostram os embarques brasileiros de carne suína totalizaram 1,510 milhão de toneladas ao longo de 2025 (recorde histórico para as exportações do setor), volume 11,6% superior ao registrado em 2024, com 1,352 milhão de toneladas. Com isto, o Brasil deverá superar o Canadá, assumindo o terceiro lugar entre os maiores exportadores mundiais de carne suína.

Foto: Shutterstock

O resultado anual foi influenciado positivamente pelo bom desempenho registrado no mês de dezembro, com os embarques de 137,8 mil toneladas de carne suína, volume 25,8% superior ao registrado em dezembro de 2024, quando os embarques somaram 109,5 mil toneladas.

Em receita, as exportações brasileiras de carne suína totalizaram US$ 3,619 bilhões em 2025, número 19,3% maior em relação ao obtido em 2024, com US$ 3,033 bilhões. Apenas em dezembro, a receita somou US$ 324,5 milhões, avanço de 25,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, com US$ 258,4 milhões.

Principal destino da carne suína brasileira em 2025, as Filipinas importaram 392,9 mil toneladas, crescimento de 54,5% em relação a 2024.

Em seguida aparecem China, com 159,2 mil toneladas (-33%), Chile, com 118,6 mil toneladas (+4,9%), Japão, com 114,4 mil toneladas (+22,4%), e Hong Kong, com 110,9 mil toneladas (+3,7%). “Houve uma mudança significativa no tabuleiro dos destinos de exportação. As Filipinas se consolidaram como maior importadora da carne suína do Brasil, e outros mercados, como Japão e Chile, assumiram protagonismo entre os cinco maiores importadores. Isso demonstra a efetividade do processo de diversificação dos destinos da carne suína brasileira, o que reduz riscos, amplia oportunidades e reforça a presença do Brasil no mercado internacional, dando sustentação às expectativas positivas para este ano”, ressalta o presidente da ABPA, Ricardo Santin.

Fonte: Assessoria ABPA
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