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Correção das dietas é feita com avaliação do leite

Melhores índices de gordura e proteína e aumento na quantidade de leite são alguns dos benefícios de uma deita correta e balanceada em rebanhos leiteiros

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Uma boa produção leiteira depende muito de manejo, sanidade e, principalmente, nutrição. Uma boa alimentação faz a diferença nos resultados finais que o produtor terá na produção. E o que os resultados também estão mostrando pode ser um indicativo do que falta ou sobra na nutrição. Para explicar um pouco esta correlação, o professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), doutor Rodrigo Almeida, falou durante o sétimo Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite que aconteceu em Chapecó, SC, em novembro, sobre o “Uso de análise do leite como ferramenta de avaliação nutricional em rebanhos leiteiros”.

O professor explica que quando se fala em análise de leite, deixando de lado a CCS, o que se pensa é em conotação, impacto nutricional e tudo isso muito restrito à gordura e proteína. “O leite pode nos passar muito mais informações do que somente estes dois itens”, informa. “Há 40 anos falávamos de gordura, proteína, lactose e CCS, depois foi incorporado a ureia e ácido cítrico. Então surgiram os ácidos graxos livres, caseína, pH, cetose, indicativos de adulteração do leite. Mais recentemente também a possibilidade de fazer a contagem de células somáticas diferencial, isolando inclusive a quantidade de leucócitos. Tudo isso informado pelo leite”, explica.

Para Almeida, é preciso reconhecer que uma das razões mais frequentes de um nutricionista ser chamado a um rebanho leiteiro é, à primeira vista, que o leite está aquém das expectativas. “Mas, talvez uma segunda razão mais frequente para o nutricionista ser chamado é porque a gordura do leite está baixa ou caiu”, diz. Ele acrescenta que é importante que todo técnico que se propõe a trabalhar com nutrição precisa reconhecer qual é a origem da depressão da gordura do leite. Esta queda pode ser explicada, segundo Almeida, pela queda do pH ruminal. “Se o animal tem um rumem saudável as gorduras insaturadas que a gente coloca na dieta são biohidrogenadas, com ácidos graxos saturados, sem nenhum problema”, diz. “Todo nutricionista sabe que mesmo não incluindo ingredientes na dieta é normal ter, em termos basais, 3% de extrato etéreo. Uma vaca ingerindo 22 quilos, estamos falando de 650 a 700 gramas de gordura que uma vaca ingere mesmo você não incluindo ingredientes empíricos”, conta. Ele informa que se colocar gordura protegida, a ingestão vai para um quilo. “Grande parte é de gordura insaturada, que é transformada em saturada no rumem”, diz.

Alerta

Almeida alerta que os nutricionistas precisam se preocupar também com o nível de fibra efetiva. “Essa preocupação de grãos inteiros é coisa de gado de corte, gado de leite, ainda mais no sistema que bonifica sólidos, tem que ter uma fibra de qualidade. Se colocar qualquer fibra, a gente vai ter menos consumo e com isso menos leite”, conta. Ele acrescenta que quando existe meta de fibra efetiva não se pode pecar nem pela falta e nem pelo excesso, pois “o excesso da fibra também não é bom”. “Temos que limitar o consumo e, ao limitar o consumo, limitamos também a produção”, esclarece.

Almeida comenta que em muitos rebanhos é visto que a gordura do leite está abaixo porque falta fibra, principalmente fibra efetiva. “Alguns rebanhos que têm gordura baixa porque há uma ingestão demasiadamente alta de óleo saturado, principalmente óleo de soja. Outros estão trabalhando com isso demasiadamente alto; outros rebanhos ainda estão trabalhando com enzimas demais, ou está falando manejo. Mas há muitas situações reais e práticas que há mais de um fator ocorrendo ao mesmo tempo”, descreve.

Para o professor é muito comum haver cenários de falta de fibra e excesso de amido. “Para o nutricionista atacar o problema de pressão de gordura do leite, ele tem que reconhecer qual é a principal causa para começar a contornar o problema”, comenta. Almeida reitera que quando o teor de gordura está baixo, é preciso checar os níveis de fibra efetiva. “Deve checar ainda se os níveis de amidos estão altos, porque hoje na pecuária leiteira, principalmente do Sul do país, é muito difícil a gente pecar por falta de amido; é mais comum pecar pelo excesso”, diz.

Proteína

A proteína, também importante componente do leite, tem uma variabilidade intermediária. “Ela varia menos do que a gordura e mais do que a lactose. É composta basicamente por 94% de proteína verdadeira e 7% de compostos nitrogenados proteicos”, explica Almeida. Ele diz que geralmente quando o teor de proteína do leite está baixo é porque o teor de amido está abaixo do indicado, falta carboidrato, que é o combustível para que mais síntese proteica ocorra no rumem no animal. “Essas são fontes que a gente normalmente usa. Silagem de milho com bastante grãos, sorgo melhor possível, ou até mesmo um milho floculado”, sugere.

O professor ainda fala sobre os valores dietético ideais. Para ele é de 23 a 27% de matéria seca. “Mais uma vez da mesma forma que a fibra, o amido demais e de menos causa problemas. A gente tem que trabalhar numa faixa média que na minha sugestão é de 26 a 27%. Se os valores estiverem aquém de 23% simplesmente o leite não vem. O amido segura o leite”, conta. Já o pouco amido diminui a síntese de proteína do rumem. “A síntese de proteína microbiana no rumem é a grande contribuidora do tubo de proteína, que vai basicamente formar a proteína do leite” diz.

Outro alerta feito pelo professor é que é preciso atenção em fatores nutricionais que levantam a gordura do leite e pioram a proteína. “Percebam que nutricionalmente melhorar a gordura e proteína ao mesmo tempo não é uma tarefa fácil, é desafiadora. Mas nós estamos percebendo que é preciso encontrar um meio termo”, diz.

Ele comenta que se os níveis de amido estão muito altos, quais as possiblidades para que não haja perda de produção, mas ainda assim ter um ambiente ruminal mais saudável: caroço de algodão, resíduo de cevada e casca de soja são algumas alternativas. “Essa última tem uma péssima efetividade, não é fonte de fibra efetiva, muito pelo contrário. Mas quando erramos no amido, por efeito de substituição, ela pode tornar a dieta menos rica em amido, e melhorar assim a gordura. Mas ela não traz efetividade na dieta”, informa.

Nitrogênio ureico no leite

O professor comenta que a ideia da ureia no leite é um sinal de sincronismo entre energia – açúcar, amido e fibra – e nitrogênio, seja na forma de nitrogênio proteico, aminoácidos essenciais ou algum outro. “No quesito de proteína ou eficiência no aproveitamento do nitrogênio, infelizmente a vaca leiteira não é tão eficiente quando gostaríamos. Percebemos que o total de nitrogênio consumido pela vaca, somente de 25 a 35% é agregado ao leite em forma de proteína, o restante dos 70% ou mais é excretado”, informa.

Almeida explica que quando se trabalha com níveis de proteínas altos, que resultam em valores de leite altos, além da ureia do leite subir, essa proporção vai subir exageradamente. “Esse é o impacto ambiental de uma vaca não alimentada de acordo com os preceitos da nutrição de precisão. Nós, às vezes, para garantir a consultoria, para garantir uma não queda do leite, subfornecemos proteína como margem de segurança, mas, com isso, estamos cometendo um pecado econômico, reprodutivo e ambiental”, alerta. A recomendação do professor é monitorar o leite e trabalhar com valores ideais de 10 a 14 mm por decilitro.

Outro ponto destacado é que quando a proteína está baixa e a ureia do leite não, pode então ser um problema de falta de proteína na dieta do animal. Já quando o teor de proteína no leite está baixo, mas o NUL (nitrogênio ureico no leite) está bom, provavelmente é falta de amido na dieta. “Com o uso dos dois indicadores você pode tentar isolar qual efeito é responsável pelo baixo teor de proteína do leite”, conta. Ele acrescenta que geralmente quando se adotam práticas de dieta, manejo e alimentação do rebanho para levantar o leite o teor de proteína vem junto. “Mas, as práticas que você adotou para levantar o leite e o teor de proteína normalmente culminam com a queda da gordura. São raras as práticas que melhoram os três índices ao mesmo tempo: quilos de leite, teor de gordura e de proteína. Mas existem”, conta.

Uma estratégia sugerida pelo professor é distribuir o fornecimento de grãos ao longo do dia. “Fornecer uma dieta total é uma prática para melhorar os três índices ao mesmo tempo. Mas, fora essas poucas exceções, as práticas que geralmente são adotadas para levantar o leite e a proteína acabam resultado na piora da gordura e vice-versa”, alerta.

Mais informações você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de novembro/dezembro de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Nova política chinesa para carne bovina pressiona margens da pecuária brasileira

Excedente fora da cota tende a encarecer o acesso ao principal mercado e desacelerar investimentos em confinamento e expansão do rebanho.

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A partir desse ano, a China passa a adotar cotas anuais para a importação de carne bovina, inaugurando uma nova fase na relação comercial com os grandes exportadores globais. Pelo novo modelo, os volumes dentro da cota seguirão sujeitos à tarifa de 12%, enquanto o excedente será onerado com uma sobretaxa de 55%. A política terá vigência inicial de três anos e atinge diretamente o Brasil, responsável por cerca de metade da receita das exportações chinesas de carne bovina.

O ponto central da medida não está em um bloqueio imediato, mas na mudança estrutural do fluxo de mercado. A cota anunciada cobre aproximadamente 65% do volume atualmente exportado pelo Brasil, criando um excedente relevante que dificilmente encontrará realocação no curto prazo, dada a limitação de absorção de outros destinos. “A China não está interrompendo as compras, mas redesenhando a forma como controla preços, contratos e volumes. A carne bovina deixa de ser um fluxo livre e passa a funcionar como um ativo regulado”, explica a agrônoma Yedda Monteiro.

Instrumento de barganha e ajuste de oferta

Diferentemente de embargos sanitários ou medidas emergenciais, a cota funciona como um mecanismo estrutural de controle, permitindo à China reduzir sua dependência marginal de proteína importada sem comprometer o abastecimento interno. Ao mesmo tempo, o modelo amplia o poder de barganha do país asiático sobre preços e prazos, além de forçar ajustes de oferta nos países exportadores mais eficientes. “Ao estabelecer um teto formal, Pequim ganha flexibilidade para comprar quando quiser e pressionar preços em momentos de excesso de oferta, evitando repasses inflacionários ao consumidor doméstico”, expõe Yedda.

Na prática, o impacto não se manifesta como choque imediato de mercado, mas como mudança de expectativa. A partir de 2026, o setor tende a operar com maior cautela, o que pode desacelerar a expansão do rebanho, reduzir investimentos em confinamento e alargar o ciclo pecuário como forma de diluir o risco.

Efeito indireto sobre milho e soja aparece na margem

É por esse canal que a decisão chinesa ultrapassa a pecuária e alcança os mercados de grãos. Embora o consumo direto de milho pela bovinocultura represente uma fatia menor do total nacional, ele funciona como demanda marginal justamente nos momentos de excesso de oferta, ajudando a equilibrar o mercado.

Nos últimos ciclos, a relação boi × milho foi favorecida pela combinação de preços firmes da carne, sustentados pela China, e milho pressionado por safras elevadas. Esse arranjo estimulou a intensificação da produção e o uso de ração. Com as cotas, essa sustentação deixa de ser estrutural e passa a ser cíclica e oportunista. “O impacto não aparece no embarque, mas na decisão produtiva. Quando a previsibilidade do escoamento diminui, o produtor ajusta a margem, e isso se reflete no consumo de milho e farelo de soja”, ressalta a agrônoma.

 

No curto prazo, o efeito tende a ser limitado, especialmente se o milho seguir pressionado pela oferta. Já no médio prazo, a partir do segundo semestre de 2026, o cenário mais provável é de menor crescimento do consumo de grãos pela pecuária, aumentando a dependência de outros vetores de absorção, como exportações e etanol.

Ajuste fino, não ruptura

A leitura do mercado é de ajuste gradual, não de ruptura. As cotas chinesas não desmontam a dinâmica de exportação da carne brasileira, mas retiram um importante pilar de sustentação permanente da relação entre pecuária e grãos. O impacto ocorre na margem, na estratégia e no ritmo de crescimento do setor ao longo de 2026. “É um ajuste que pesa mais do que parece, porque acontece justamente quando o mercado precisa de demanda adicional para equilibrar excedentes. O erro seria tratar esse novo cenário como se a sustentação chinesa fosse infinita”, salienta.

Fonte: Assessoria Biond Agro
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Mato Grosso bate recordes e projeta novo salto na pecuária de corte em 2026

Presidente da Acrimat detalha avanços, gargalos e desafios da cadeia em um ano marcado por exportações e expansão da produção.

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O Mato Grosso reafirmou em 2025 sua posição como maior potência pecuária do país, respondendo sozinho por 18,5% de todo o Valor Bruto da Produção (VBP) de bovinos do Brasil. Segundo dados parciais do painel nacional do VBP, divulgado em 21 de novembro pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o estado movimentou R$ 37,96 bilhões com a cadeia bovina, se mantendo como o produtor individual mais relevante entre todas as unidades federativas.

No cenário nacional, o VBP dos bovinos somou R$ 205,38 bilhões, consolidando a atividade como uma das mais robustas da agropecuária brasileira. No ranking dos quatro principais produtores figuram ainda São Paulo (R$ 24,82 bilhões), Mato Grosso do Sul (R$ 20,49 bilhões) e Goiás (R$ 20,44 bilhões). Por sua vez, o VBP total do estado alcança R$ 220,43 bilhões, e a atividade bovina representa 15,6%, compondo parcela significativa da produção agropecuária local, ao lado de culturas como soja e milho, que lideram o ranking estadual.

Presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Oswaldo Pereira Ribeiro Jr.: “O maior risco que estamos enfrentando nos últimos anos são as pressões ambientais de outros países. Precisam do nosso produto, mas querem negociar com um preço mais barato, colocando barreiras ambientais que eles não fazem, mas nos cobram”

Em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural, o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Oswaldo Pereira Ribeiro Jr., detalhou os avanços, os desafios e a visão estratégica do setor para 2026. “O ano de 2025 foi marcado por recordes de produção, abates e exportação, fortalecendo a posição de Mato Grosso como o principal fornecedor de carne bovina do Brasil para o mercado interno e para mais de 80 nações”, frisa.

O estado encerrou 2025 com cerca de 7,2 milhões de animais abatidos, número nunca antes registrado. Ribeiro Jr. explica que o resultado foi impulsionado tanto pelo bom desempenho dos sistemas a pasto quanto pela intensificação dos modelos de terminação. “Aumentamos em cerca de 4% a área de confinamento”, afirmou.

Ele ressalta que o movimento coincidiu com um período de forte demanda internacional. “A exportação seguiu em alta, com abertura de novos mercados. O Sudeste asiático se tornou um destino em expansão impressionante. Além disso, tivemos a retomada do mercado norte-americano e o crescimento significativo das compras do México”, ressalta.

Padronização da produção

O avanço das áreas de confinamento reforça a busca por maior eficiência e previsibilidade na cadeia produtiva. Para Ribeiro Jr., os ganhos são relevantes, mas o processo ainda está longe de substituir totalmente a pecuária a pasto. “Os frigoríficos atendem diversos mercados e consequentemente diversos tipos de demandas. Uns querem carne sem gordura, outros querem desossada, gerando dificuldades no abate”, explica.

Segundo ele, esse cenário exige regularidade e previsibilidade. “Os frigoríficos precisam padronizar o rendimento de carcaça, precocidade, volume e frequência, e os confinamentos procuram suprir essa necessidade. Porém a demanda é grande e o confinamento é uma solução boa para padronizar, mas ainda não é definitiva. O frigorífico ainda depende do boi a pasto”, pondera.

Mercados internacionais em expansão

O presidente da Acrimat também projeta um ambiente favorável às exportações no próximo ano. A carne mato-grossense deve continuar ocupando espaço em mercados de alto consumo e em nações que vêm ampliando as compras nos últimos meses. “Acredito que o mercado americano ainda seja um mercado que vai demandar muito a nossa carne, pela necessidade histórica que eles têm pelos nossos produtos”, avalia.

Ele destaca que surpresas positivas vieram de mercados que não figuravam entre os principais destinos do estado. “A surpresa boa é como México e Rússia vêm comprando muito a nossa carne, além do Sudeste Asiático – Indonésia, Filipinas, Singapura e Vietnã – que se mostram em franca ascensão e devem continuar desta forma em 2026”, afirma.

Oscilações do mercado

Para o dirigente, o maior desafio do produtor em 2025 e também em 2026 é garantir remuneração adequada. “O maior desafio de hoje é ser mais bem remunerado pelo que se produz. Somos muito vulneráveis pelas oscilações de mercado, guerras e governos, sempre com retrocessos destes preços”, menciona.

Ribeiro Jr. lembra que, no passado, a volatilidade do mercado era compensada em determinados períodos, mas essa dinâmica mudou. “Alguns anos atrás o pecuarista tinha a recuperação desses preços. Hoje essa oscilação positiva está cada vez mais escassa, tirando muita gente do jogo. Hoje não há mais espaço para amadores, principalmente na terminação”, alerta, recomendando que o produtor faça suas contas bem-feitas para se manter no setor.

Processo de adaptação

Com a pressão global por sustentabilidade e rastreabilidade, a pecuária mato-grossense passa por um processo de adaptação. Ribeiro Jr. reconhece que o setor enfrenta um caminho inevitável. “Temos plena consciência de que a rastreabilidade é um caminho sem volta. Mas gostaríamos que fosse gradativa e não obrigatória”, defende.

A maior preocupação recai sobre os pequenos e médios produtores. “Se houver essa obrigatoriedade, que ao menos seja acessível para quem não tem condição de investir em sustentabilidade e rastreabilidade, já que esses processos encarecem a produção e os preços não serão compatíveis com os novos custos”, salienta, afirmando que a Acrimat acompanha de perto as discussões: “Estamos trabalhando junto à Câmara Setorial e ao Mapa nesse projeto de rastreabilidade, e acreditamos que ele deve ser opcional”.

Gargalos persistem

Apesar dos avanços, o estado enfrenta entraves estruturais que limitam seu potencial. O presidente da Acrimat destaca especialmente a logística. “Temos vários gargalos ainda, principalmente em Mato Grosso, que tem uma extensão continental. A maior dificuldade vem da logística, onde grandes regiões produtoras ainda não têm frigoríficos”, aponta.

A consequência recai diretamente sobre o bolso do produtor. “Os animais precisam se deslocar de 400 a 500 quilômetros para chegar ao frigorífico mais próximo, perdendo peso e gerando prejuízo”, relata.

Além disso, a distância dos portos exportadores encarece o frete. Ribeiro Jr. também aponta entraves ambientais e fundiários. “Precisamos de mais agilidade nas liberações ambientais, como o CAR (Cadastro Ambiental Rural). Não podemos trabalhar com essa insegurança jurídica, preocupados com invasões de terra, desapropriações e incêndios que, na maioria das vezes, transformam o produtor em vítima, mas ainda assim ele é quem recebe o ônus”, afirma.

Dependência do mercado interno

Mesmo com o peso das exportações, o consumo interno permanece como principal destino da produção. “O mercado interno soma 70% da produção”, destaca Ribeiro Jr.

No entanto, fortalecer esse mercado é um desafio que está diretamente ligado ao desempenho da economia nacional. “Como melhorar o mercado interno sem avançar na melhoria das condições econômicas da população? Praticamente não se consegue”, enfatiza, acrescentando: “Vivemos em um país com muita distribuição de benefícios sociais e ajudas, o que dificulta o crescimento da economia, não gerando economia nova e nem movimentação do dinheiro. Precisamos de indústrias, comércios, agricultura e pecuária crescentes, mas temos mercados estagnados”, lamenta.

Pilares da pecuária

A Acrimat acompanha de perto o avanço das tecnologias no campo, e Ribeiro Jr. avalia que o produtor mato-grossense já opera em um patamar elevado de profissionalização. “Já utilizamos bem as ferramentas da pecuária como genética, nutrição, sanidade e manejo, sendo bem-feitos da porteira para dentro”, afirma.

Ele aponta três pilares essenciais para o futuro: oferta e demanda, tecnologia e rastreabilidade. “Já estamos em discussão sobre este último pilar. Temos um programa do Mapa, elaborado junto aos produtores, que vai estar ativo em oito anos, e é isso que vai nos gerar a confiança de que a pecuária do futuro será superior à atual”, projeta.

Riscos para 2026

Embora os riscos sanitários e ambientais sejam naturais da atividade, Ribeiro Jr. pontua outro tipo de ameaça como a mais preocupante. “O maior risco que estamos enfrentando nos últimos anos são as pressões ambientais de outros países. Precisam do nosso produto, mas querem negociar com um preço mais barato, colocando barreiras ambientais que eles não fazem, mas nos cobram”, critica.

Ele reforça que o Brasil já possui um dos códigos ambientais mais rígidos do mundo. “Já temos um código ambiental bastante restrito e amplo, em que seguimos à risca. Não tem por que atender demandas acima do nosso código ambiental sem poder contar com respaldo do governo”, salienta.

Segundo ele, até mesmo durante a COP 30, o país não conseguiu mostrar plenamente seus avanços. “Tivemos a oportunidade de mostrar o que fazemos de bom, mas ficamos presos a estas questões ambientais”, lamenta.

Visão de futuro

Apesar dos desafios, Ribeiro Jr. mantém o otimismo em relação ao futuro da pecuária mato-grossense. “Temos certeza do sucesso da pecuária no futuro, porque conhecemos a fundo nosso setor, nossos produtores e sabemos que o que fazemos em relação à preservação ambiental é extremamente rígido”, diz.

Ele destaca a eficiência produtiva como um dos grandes diferenciais do Brasil. “Ninguém produz tão barato e em quantidade tão grande como o Brasil. Os produtores aprenderam a produzir mais no mesmo espaço, preservando mais áreas verdes, com sustentabilidade. Os dados de exportação mostram que estamos em uma crescente e devemos continuar assim por muitos anos. Temos volume, qualidade e sanidade”, exalta, frisando: “A pecuária do Mato Grosso e de todo o país só tende a crescer, e vamos continuar alimentando o mundo por muitos e muitos anos”.

Anuário do Agronegócio figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.

Fonte: O Presente Rural
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Brasil lança selo para fortalecer mercado de carne premium

Iniciativa incentiva o cruzamento entre vacas leiteiras e touros Angus, ampliando a oferta de carne de alto valor e criando nova fonte de renda para produtores de leite.

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Foto: Edu Rocha

Uma iniciativa que integra ciência e setor produtivo para qualificar o mercado de carne premium no Brasil. Desenvolvido pela Associação Brasileira de Angus, o selo Beef on Dairy é o primeiro dessa categoria no País e contou com participação da Embrapa em sua construção técnico-científica. Essa estratégia estimula o cruzamento de vacas leiteiras das raças Holandesa e Jersey com touros Angus. O objetivo é gerar uma carne diferenciada, já muito apreciada em mercados internacionais.

Além de proporcionar carne de alta qualidade para o mercado de cortes nobres, o novo selo também tem como objetivo diversificar a renda dos produtores de leite, que ganham uma nova opção de comercialização dos animais.

O presidente da Associação Brasileira de Angus, José Paulo Dornelles Cairoli, destaca a importância dessa novidade para o mercado de carne. “É uma estratégia já consolidada em outros países e conseguimos trazê-la para o Brasil, que possui o maior rebanho comercial do mundo. Nosso projeto é o casamento perfeito entre as raças. O produtor vai se beneficiar e o consumidor terá carne diferenciada. Quem já provou sabe o resultado”, afirma.

Foto: Fernando Goss (bovinos Angus)

“O lançamento do selo Beef on Dairy foi possível porque há uma base científica robusta por trás dele, e essa é justamente a contribuição da Embrapa”, afirma o chefe-geral da Embrapa Pecuária Sul (RS), Fernando Cardoso. “Nós desenvolvemos os critérios técnicos e os índices genéticos que permitem identificar, com precisão, os touros Angus mais indicados para o cruzamento com vacas Holandesas e Jersey. É esse rigor científico que garante que o selo realmente represente animais superiores para a produção de carne de alta qualidade”, destaca.

 

Segundo Cardoso, o trabalho da Embrapa no Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo) desempenhou papel estratégico para dar segurança ao setor na adoção da tecnologia. “O Beef on Dairy abre um caminho importante para agregação de valor a toda a cadeia, e nossa missão é assegurar que essas escolhas estejam amparadas pelo melhor conhecimento técnico disponível”, conclui.

Participação técnica da Embrapa

Foto: Renata Suñe (Holandesas)

A estratégia Beef on Dairy, já consolidada no cenário global, começa a ganhar força no Brasil ao incentivar o uso de touros de corte em vacas de leite. Como as raças leiteiras não são naturalmente especializadas em características de carcaça, o novo selo busca identificar os touros mais adequados para esse cruzamento. Para isso, foram criados dois selos distintos: um voltado ao Jersey, que demanda maior atenção ao tamanho dos bezerros no parto devido ao porte reduzido das vacas, e outro ao Holandês, que também exige características para evitar animais excessivamente grandes, já que a raça é naturalmente de grande porte.

 

A Embrapa participa diretamente da implementação do selo por meio do Promebo, o programa oficial de melhoramento genético da raça Angus no Brasil, gerenciado pela Associação Nacional de Criadores (ANC). Coube à instituição desenvolver e aplicar o índice técnico que orienta a seleção dos touros, identificando aqueles com melhor desempenho em crescimento, área de olho de lombo e conformação de carcaça – características essenciais para melhor rendimento frigorífico. O selo também atende a uma demanda das centrais de inseminação, já que grande parte do uso desses touros ocorre via sêmen, agregando valor ao material genético certificado.

Para Leandro Hackbart, conselheiro técnico da Angus e ANC, o selo nasce de uma demanda do próprio setor. “Nada mais fizemos do que criar parâmetros claros, garantindo transparência e segurança ao produtor de Holandês e Jersey na hora de adquirir genética Angus. Para o consumidor, isso significa confiança e qualidade alimentar”, reforçou.

Fonte: Assessoria Embrapa Pecuária Sul
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