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Coragem e resiliência no campo
Entre todos os desafios enfrentados, o mais desalentador talvez seja o julgamento superficial e, por vezes, hostil de determinados setores da sociedade, que, alheios à complexidade do mundo rural, emitem opiniões depreciativas acerca da agricultura nacional.

Ser produtor rural ou empresário do setor agropecuário no Brasil é, antes de tudo, um ato de bravura e resiliência. Em meio a um cenário permeado por exigências legais, muitas vezes dissonantes da realidade do campo, com legislações ambientais, trabalhistas e sanitárias de aplicação complexa, por vezes incoerentes ou desproporcionais, os homens e mulheres do campo perseveram, movidos por um inabalável compromisso com a produção de alimentos, com a segurança alimentar da população e com a sustentabilidade dos recursos naturais.
Entretanto, entre todos os desafios enfrentados, o mais desalentador talvez seja o julgamento superficial e, por vezes, hostil de determinados setores da sociedade, que, alheios à complexidade do mundo rural, emitem opiniões depreciativas acerca da agricultura nacional. Tal visão ignora a verdadeira magnitude do agronegócio brasileiro, que, longe de ser um vilão ambiental, constitui-se em uma das maiores conquistas socioeconômicas e tecnológicas da história recente do País.
A agricultura brasileira é motivo de legítimo orgulho nacional. Moderna, eficiente, competitiva e, sobretudo, sustentável, ela é responsável por alimentar cerca de um bilhão de pessoas no mundo, ao mesmo tempo em que abastece com fartura o mercado interno. O Brasil se firmou como um dos principais supridores globais de alimentos, com reputação de confiabilidade e equilíbrio perante centenas de nações.
A máxima de que “onde há segurança alimentar, há paz social” adquire ressonância especial em nosso país. O contínuo avanço tecnológico do setor agrícola e os sucessivos recordes de produção e produtividade transformaram o Brasil em uma potência agroalimentar. Como demonstram os estudos da Embrapa, conduzidos pelo eminente pesquisador Evaristo de Miranda, o impacto dessa revolução agrícola é tangível: em 1970, com um salário mínimo adquiria-se 41 kg de carne de frango; em 2023, esse mesmo salário permitia a compra de 141 kg. O consumo per capita anual, que era de apenas 3 kg na década de 1970, alcançou impressionantes 46 kg em 2024.
Essa democratização do acesso aos alimentos reflete-se nos preços relativos dos itens da cesta básica, que vêm apresentando queda contínua desde 1973. Ademais, pesquisas econômicas reiteradamente demonstram que, onde há crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio, há concomitante aumento da renda, da geração de empregos e da qualidade de vida — inclusive nas áreas urbanas.
A revolução vivida pela agricultura brasileira nos últimos 40 anos é de proporções épicas. Em meados do século XX, o Brasil era importador líquido de gêneros essenciais como leite, carne e grãos. Entre 1980 e 2020, a produção de grãos aumentou mais de 400%, enquanto a área cultivada expandiu-se apenas 60%, resultado direto da incorporação de tecnologias avançadas e práticas de manejo sustentável. Atualmente, o Brasil é autossuficiente na maioria dos alimentos básicos (com exceção do trigo) e consolidou-se como o segundo maior exportador mundial de alimentos.
Urge desconstruir a falácia, repetida, mas infundada, que acusa o agronegócio de ser o principal agente de degradação ambiental. Ao contrário, a agropecuária brasileira tem se mostrado zelosa guardiã dos recursos naturais. Os produtores rurais preservam, em suas propriedades privadas, 282,8 milhões de hectares de vegetação nativa — o que representa 33,2% do território nacional. Trata-se de uma contribuição inestimável à conservação ambiental e à mitigação das mudanças climáticas.
Tal realidade foi corroborada por estudos da NASA, que, ao mapear as áreas cultivadas em diversos países, identificou que nações como Dinamarca (76,8%), Ucrânia (74,8%) e Holanda (66,2%) destinam a maior parte de seu território à agricultura. Nos Estados Unidos, esse índice é de 18,3%; na China, 17,7%; e na Argentina, 14%. O Brasil, por sua vez, utiliza apenas 7,6% de sua superfície territorial para a agricultura e pecuária — o menor índice entre os grandes produtores mundiais.
No âmbito estadual, Santa Catarina é exemplo paradigmático de conciliação entre produção e preservação. Dos 375.374 imóveis rurais registrados no Cadastro Ambiental Rural (CAR), que ocupam 7,3 milhões de hectares (76,3% da área estadual), 2,6 milhões de hectares encontram-se destinados à preservação da vegetação nativa — o que corresponde a 28% do território catarinense. Além disso, o Estado conta com 3,06 milhões de hectares protegidos por políticas de conservação e 379,9 mil hectares adicionais em áreas indígenas, unidades de conservação e zonas militares.
Os dados fornecidos por instituições de renome, como a NASA e a Embrapa, atestam de forma inequívoca a sustentabilidade e a solidez da agricultura brasileira e catarinense. Trata-se de um setor vital, não apenas para a economia, mas para a segurança alimentar global, para o equilíbrio ambiental e para o desenvolvimento social do Brasil.
Portanto, é imperativo que a sociedade reconheça, valorize e defenda o papel do agro nacional como verdadeiro sustentáculo da Nação. Porque onde há campo forte, há um Brasil soberano.

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Você está desperdiçando o dinheiro do marketing?
Conheça três pontos que podem contribuir para um melhor desempenho.

Durante a conversa com um grande amigo, lembrei, recentemente, de uma experiência que tive no agronegócio. Uma empresa de nutrição animal precisava aumentar a visibilidade junto a potenciais clientes e entrou em contato com a Ação Estratégica – Comunicação e Marketing no Agronegócio.
O gerente de marketing compartilhou o briefing de forma clara e objetiva: “precisamos aparecer em mídias estratégicas, locais e nacionais, e também ampliar a nossa presença em canais digitais. A concorrência está grande e precisamos ser mais reconhecidos no campo. Isso vai ajudar a fechar negócios”.
Após algumas reuniões, finalizamos o planejamento de assessoria de imprensa e de redes sociais, definindo a linguagem, os temas e os principais objetivos a serem atingidos em curto e médio prazo.
Rapidamente, os porta-vozes foram definidos e participaram de um media training, no qual a Ação Estratégica apresentou dicas para os executivos terem um desempenho ainda melhor nas futuras entrevistas com jornalistas.
Como próximo passo, a mídia recebeu sugestões de notícias sobre a empresa e as redes sociais foram abastecidas com conteúdo relevante sobre o ecossistema em que a empresa atua.
Em poucos meses, os materiais divulgados causaram um grande impacto, maior do que o esperado. Potenciais clientes fizeram vários comentários nos posts publicados, mandaram mensagens em privado e também entraram em contato com a empresa via WhatsApp.
O sucesso desta ação teve três pontos centrais:
1) Análise
O cliente compartilhou importantes informações, na etapa do planejamento, sobre os perfis dos potenciais clientes. Essas informações propiciaram uma análise consistente de cenário.
2) Integração
O movimento foi realizado em total sintonia com o departamento de vendas, com o objetivo de potencializar as oportunidades de negócios.
3) Correção
Com frequência, realizamos reuniões para a correção de rotas, o que contribuiu para as divulgações serem sempre relevantes.
A importância desses três pontos (Análise, Integração e Correção) vai além do sucesso de uma ação específica. Se bem utilizados, eles contribuem diretamente para uma melhor utilização dos recursos, evitando, de forma contínua, o desperdício de dinheiro, e também propiciam um rico aprendizado a ser utilizado nas próximas atividades.
Afinal, com experiência, informação e estratégia adequada, melhoramos o nosso desempenho, não é mesmo?
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China muda regras, impõe cota à carne bovina e ameaça fluxo comercial do Brasil
Tarifa extra de 55% sobre volumes excedentes pode provocar forte ajuste na produção e nos investimentos da cadeia pecuária.

A China decidiu estabelecer uma cota anual de importação de carne bovina para seus fornecedores internacionais, incluindo o Brasil, como parte de uma política de proteção aos produtores locais. Pelo modelo anunciado, volumes que ultrapassarem o limite definido estarão sujeitos a uma tarifa adicional de 55%, medida que deverá vigorar por um período inicial de três anos. Trata-se de uma mudança relevante nas regras do comércio internacional de carnes, com impactos diretos sobre os principais exportadores.
Dentro desse novo desenho, o que mais preocupa o setor brasileiro é a forma como a China pretende contabilizar essa cota. As autoridades chinesas deixaram claro que o volume será apurado com base nas entradas efetivas no país a partir de 1º de janeiro de 2026, independentemente de contratos firmados anteriormente, cargas em trânsito ou produtos já embarcados.

Artigo escrito por Paulo Bellicanta, presidente do Sindicato das Indústrias de Frigoríficos do Estado de Mato Grosso (Sindifrigo).
Se essa interpretação se confirmar sem qualquer revisão, o Brasil terá de descontar da cota aproximadamente 350 mil toneladas que hoje já estão comprometidas, seja em cargas paradas em portos chineses aguardando desembaraço, em navios em trânsito ou em estoques formados nos portos brasileiros. Na prática, isso reduz de forma significativa o espaço disponível para novas produções ao longo de 2026.
Feitas as contas, restariam cerca de 750 mil toneladas disponíveis para produção destinada ao mercado chinês durante todo o ano. Dividido pelos 12 meses, esse volume se traduz em aproximadamente 62,5 mil toneladas mensais, um patamar totalmente desconectado da realidade atual do setor.
Para efeito de comparação, o Brasil vinha exportando, nos últimos meses, volumes superiores a 160 mil toneladas mensais para a China. A discrepância entre esses números evidencia, por si só, a urgência de uma ação diplomática coordenada, baseada em diálogo direto entre governos, para buscar um entendimento que leve em consideração os fluxos comerciais já estabelecidos.
O impacto dessa restrição é difícil de dimensionar com precisão, mas certamente será profundo. Considerando uma projeção anual próxima de 1,7 milhão de toneladas, a redução potencial, que inicialmente se estimava em torno de 35%, torna-se extraordinariamente preocupante quando aplicadas as novas regras de contabilização.
A pecuária brasileira avançou de forma consistente nos últimos anos, com investimentos expressivos em genética, manejo, processos produtivos e ganhos de eficiência. A indústria, por sua vez, modernizou plantas, ampliou capacidade e se estruturou para atender uma demanda crescente e estável. Uma mudança abrupta dessa magnitude obriga toda a cadeia a revisar expectativas, projeções e investimentos, tanto no curto quanto no médio prazo.
Não há culpados evidentes nem soluções simples. O único caminho possível é o diálogo institucional com as autoridades chinesas, em busca de um entendimento equilibrado, construído de governo para governo.
É preciso reconhecer que o governo brasileiro tem feito sua parte na ampliação e diversificação de mercados, com um trabalho consistente conduzido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária e pelo ministro Carlos Fávaro. Ainda assim, é fundamental ter clareza: os novos mercados não possuem, ao menos por ora, o mesmo potencial de absorção do mercado chinês e, além disso, já contam com fornecedores consolidados, o que demanda tempo e estratégia para sua efetiva ocupação.
Enquanto isso, a eventual redução de volumes incide sobre o setor com rapidez extrema, como uma guilhotina afiada. Não se trata do fim da atividade, mas de mais um momento em que será necessário acomodar-se, adaptar-se e reinventar-se.
Os volumes excedentes são grandes demais para uma absorção imediata. O desafio está posto e a solução não virá de uma lâmpada mágica esquecida em alguma caverna, mas de negociação, realismo e construção conjunta.
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Eleições de 2026 exigem atenção especial ao papel do Legislativo
Em um cenário de incertezas e transformações sociais, o texto destaca a importância das eleições proporcionais e da escolha de parlamentares preparados para representar a sociedade, fiscalizar o Executivo e impulsionar mudanças estruturais no país.

A sociedade em geral e o sistema cooperativista em particular devem prestar atenção às eleições de 2026. Embora a imprensa e os cidadãos, por motivos óbvios, visualizam prioritariamente as eleições majoritárias – presidente, governador e senador – as eleições proporcionais são essenciais. A missão de exercer a representação popular nas Casas Legislativas é particularmente importante para a vida democrática brasileira e de Santa Catarina.
Ainda vivemos uma era de incertezas, com problemas crônicos de um país em crescimento com fortes contrastes regionais, lutando para reduzir desigualdades, criar uma infraestrutura de crescimento econômico de Norte a Sul e de Leste a Oeste, assistir aos fragilizados, amparar a velhice e pavimentar um futuro para as gerações que estão chegando.
Somos ora protagonistas, ora coadjuvantes de um cenário globalizado, onde as decisões, os fluxos e os influxos de qualquer parte do planeta impactam de imediato nossa realidade interna, fazendo com que decisões tomadas em Tóquio ou Washington afetem diretamente empresários, produtores ou consumidores do Brasil.
Essa realidade que nos envolve inexoravelmente e a cada dia com maior celeridade emoldura com tons de dramaticidade o papel do administrador público e do legislador. Todas as demandas sociais decorrentes do pulsar desse processo globalizante deságuam nas barras do Poder Público, exigindo ações e reações ágeis e acertadas. Não há mais espaço para titubeios.
O parlamentar, na esfera federal ou estadual, deve fazer a leitura permanente dos processos sociais em curso para que a ação parlamentar seja a grande impulsionadora das mudanças e transformações reclamadas pela sociedade. Análise da história recente da República revela que a sociedade brasileira vem reconhecendo gradativa importância e indisfarçável essencialidade ao legislador.
Ali, onde todas as ebulições e toda a efervescência desse nervoso século explodem, envoltas pelas cores do pluralismo político-partidário, é crucial defender os superiores interesses de nossa gente, fiscalizando o Poder Executivo, propondo leis, projetos e programas fulcrados em intervenções sociais capazes de levar um pouco de justiça e apoio a segmentos da multifacetada sociedade brasileira.
Diligente e aplicado, o parlamentar deve tentar compreender toda a complexidade do nosso mundo por meio da sincera disposição para o diálogo, para o estudo e para a pesquisa. Por isso, é recomendável humildade para buscar, ouvir e aceitar – sempre que a prudência indicar – uma compreensão mais profunda que permita refocalizar uma visão sobre a sociedade. Por isso, é preciso não se deixar fascinar demasiadamente por gráficos, por relatos burocratizantes, por informações pasteurizadas. É recomendável deixar os gabinetes para uma convivência irmanal com as comunidades que representa para nunca perder a sensibilidade para interpretação dos eventos sociais que eclodem cotidianamente.
A reforma do Estado para pô-lo totalmente a serviço do cidadão ainda exige muito esforço legislativo. Daí a necessidade de elegermos mandatários e parlamentares estaduais e federais que cumpram com coragem e abnegação o sagrado dever que a sociedade delegou para construir um Estado democrático de direito, fundado na cidadania, na dignidade da pessoa humana, nos valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e no pluralismo político.



