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Cor, tipologia e o espectro da iluminação: como eles influenciam a produtividade de carne e ovos?

 Conforme o zootecnista, esse progresso resulta da convergência de diversos fatores que fomentam a alta eficiência produtiva.

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A produção de carne e ovos na avicultura passou por uma grande revolução tecnológica nas últimas décadas, trazendo melhorias significativas na eficiência das operações de granjas. Esse progresso foi impulsionado por diversos elementos, como o aumento da densidade de aves por metro quadrado, a redução das taxas de mortalidade, o aumento da produção de ovos e de carne, bem como a otimização da eficiência na conversão alimentar.

Zootecnista e especialista em Climatização e Manejo Animal da Artabas, Alessandro Tetsuo – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

Conforme o zootecnista e especialista em Climatização e Manejo Animal da Artabas, Alessandro Tetsuo, esse progresso resulta da convergência de diversos fatores que fomentam a alta eficiência produtiva, como melhoramento genético, aprimoramento da sanidade animal, evolução das práticas de nutrição e a implementação de manejos eficazes. “Esses quatro pilares sustentam o êxito do setor avícola, e qualquer negligência em um deles pode comprometer a prosperidade da atividade”, ressaltou.

Para garantir o bem-estar das aves no manejo avícola, Tetsuo diz que é de suma importância levar em consideração as condições ambientais que afetam diretamente os animais. Nesse contexto, a climatização dos aviários surgiu como uma tecnologia fundamental nas granjas de aves, a fim de garantir o conforto térmico dos animais durante todo o ciclo de alojamento. “O método predominante de climatização empregado nos aviários da América do Sul envolve a sinergia entre a ventilação lateral e a ventilação túnel, operando simultaneamente em um mesmo ambiente, sendo chamado de sistema Combi-Túnel”, expõe.

O zootecnista explica que quando a temperatura ambiente externa está abaixo da faixa ideal para as aves, recorre-se à ventilação lateral. “Essa abordagem não induz correntes de ar, mas desempenha um papel crucial na renovação do ambiente”, afirma, acrescentando: “Quando o ar é introduzido através dos orifícios de ventilação (inlets) assegura uma distribuição homogênea do ar, aproveitando o calor gerado pelas aves e pré-aquecendo o ar frio antes que entre em contato com os animais”.

No entanto, quando a temperatura externa excede a temperatura interna desejada para o aviário em 2°C, o método de ventilação túnel é acionado. “Essa abordagem induz a criação de correntes de ar, proporcionando um conforto térmico adequado às aves, resultando em uma sensação térmica inferior à temperatura de bulbo seco”, menciona, enfatizando que para cada 1m/s de velocidade do ar, as aves percebem uma redução de 2°C em relação à leitura do termômetro de bulbo seco. “Isso é aplicável a aves adultas mantidas em sistemas de gaiolas”, avisa.

No que diz respeito aos painéis de resfriamento, o especialista em Climatização e Manejo Animal enfatiza a importância de evitar o uso precoce desse equipamento. “Utilizá-lo prematuramente pode resultar em variações de temperatura não uniformes no interior do aviário, prejudicando o desempenho das aves. A abordagem mais recomendada consiste em ativar os painéis de resfriamento somente após o pleno funcionamento de todos os exaustores, em torno de 28,5°C. Isso garante que o resfriamento pelas placas não interfira no fluxo de ar, promovendo uma amplitude térmica reduzida”, frisa.

Para demonstrar a relevância e o cuidado que os produtores devem ter para a correta utilização dos painéis de resfriamento para obter uma sensação térmica uniforme, Tetsuo mostra através da figura 1 o uso inadequado de resfriar o galpão, apresentando uma amplitude térmica de 8°C entre as extremidades do aviário. Por outro lado, a figura 2 demonstra uma amplitude térmica de 2°C, ilustrando a eficácia do uso correto. “A iluminação das instalações também desempenha um papel crucial na eficiência produtiva. Nesse sentido, a cor das cortinas dos aviários merece atenção, uma vez que influencia diretamente o espectro de luz a que as aves são expostas”, reforça.

Figura 1 – Forma de funcionamento errada dos painéis de resfriamento.

Figura 2 – Forma correta de uso dos painéis de resfriamento, com valores de temperatura de bulbo seco e sensação térmica estimada.

Pesquisas recentes revelaram que a cor, a tipologia e o espectro da iluminação exercem influência significativa sobre o desenvolvimento de aves em crescimento e sua capacidade de produção de ovos. “A observação de diversas cortinas de cores distintas em uso tem sido comum, porém, nem sempre a escolha da cor da cortina é fundamentada em razões científicas”, expõe.

Nos últimos anos, estudos têm evidenciado que o tipo, a cor e o espectro da iluminação têm um impacto significativo nas aves durante suas fases de crescimento e produção de ovos. “A pesquisa tem validado que luzes de temperatura fria (entre 4.000 e 6.000 K), com uma predominância de tons verdes e azulados, estimulam o crescimento de aves jovens, como na fase de criação e recria. Por outro lado, luzes de temperatura quente (abaixo de 3.000 K), com uma maior presença de tons vermelho-laranjas, impulsionam a produção de ovos”, explica o profissional.

De acordo com ele, quando a luz natural não pode ser controlada ao entrar nos aviários, duas opções de cortinas são indicadas para garantir o conforto das aves. “A cortina azul é recomendada para os aviários durante as fases de criação e recria, permitindo a entrada de luz no espectro azul, enquanto bloqueia a luz no espectro vermelho”, pontua.

Por sua vez, Tetsuo afirma que a cortina de tonalidade azul-prata é apropriada tanto para as fases de criação e recria quanto para a produção, pois viabiliza a entrada dos espectros de luz vermelha e azul no aviário. “O que estimula o crescimento corporal nas fases iniciais e, o uso durante a produção, favorece o aumento da produção de ovos”, relata.

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Fonte: O Presente Rural

Avicultura

Tributação no meio da cadeia avícola eleva custos e pressiona preços do frango

Sindiavipar alerta que LC nº 224/2025 mantém desoneração do frango, mas reintroduz custos em elos estratégicos da produção, com impacto indireto no preço final.

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Apesar de preservar a carne de frango na lista de produtos desonerados da cesta básica, a Lei Complementar nº 224/2025 traz efeitos econômicos relevantes para a cadeia produtiva avícola, sobretudo ao reintroduzir tributação em etapas intermediárias consideradas estruturais para o setor. A avaliação consta em comunicado divulgado nesta segunda-feira (12) pelo Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), que aponta risco de aumento indireto de custos ao longo do sistema produtivo.

Foto: Ari Dias

Segundo a entidade, a nova legislação mantém a isenção na etapa final, mas altera o tratamento tributário de operações fundamentais, como a comercialização de ovos férteis e a venda de pintinhos de um dia destinados a incubatórios e à integração. Esses insumos estão na base da cadeia industrial e, ao serem tributados, fazem com que a carga fiscal passe a incidir antes da fase de abate e industrialização.

O principal ponto de atenção, de acordo com o Sindiavipar, está na combinação entre a oneração dessas etapas intermediárias e a ausência ou limitação do direito ao crédito nos elos seguintes. Nesse formato, o tributo pago ao longo da cadeia não é integralmente compensado, se transformando, total ou parcialmente, em custo definitivo de produção.

Esse mecanismo, destaca a entidade, compromete o princípio econômico da não cumulatividade. Na prática, cria-se um custo tributário cumulativo disfarçado, especialmente sensível em cadeias longas e altamente integradas, como a avicultura industrial brasileira.

Mudanças na sistemática de alíquotas e créditos

O comunicado também chama atenção para mudanças específicas na sistemática de alíquotas e créditos. Produtos que antes operavam

Foto: Divulgação/Copacol

com alíquota zero passam a ser tributados em 10% da alíquota padrão. Além disso, os créditos presumidos, anteriormente integrais, sofrem redução de 10%, passando a 90% do valor, o que amplia a parcela de imposto não recuperável ao longo do processo produtivo.

Sem crédito pleno, o tributo incorporado tende a se propagar por todas as etapas seguintes – incubatórios, integração, engorda, abate e industrialização – pressionando margens das empresas ou induzindo repasses ao preço final. Com isso, embora a carne de frango permaneça formalmente desonerada, o custo embutido ao longo da cadeia pode resultar em elevação de preços ao consumidor.

Na avaliação do Sindiavipar, esse efeito indireto acaba onerando produtos classificados como cesta básica, uma vez que os custos tributários acumulados nas fases anteriores não são passíveis de recuperação. O alerta reforça a necessidade de análise sistêmica da tributação, considerando não apenas o produto final, mas toda a estrutura produtiva que sustenta a oferta de alimentos essenciais.

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Avicultura

Brasil entra pela primeira vez no top 10 mundial de consumo per capita de ovos

Brasileiro nunca consumiu tantos ovos e as estimativas apontam que o consumo per capita deverá atingir 287 unidades, podendo ultrapassar a marca de 300 ovos em 2026.

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A avicultura de postura encerra 2025 em um ciclo de expansão, sustentado sobretudo pelo avanço do consumo doméstico e por uma mudança clara no comportamento alimentar da população. O brasileiro nunca consumiu tantos ovos e as estimativas apontam que o consumo per capita deverá atingir 287 unidades, podendo ultrapassar a marca de 300 ovos em 2026, segundo projeções da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Caso isso se confirme, o Brasil vai integrar, pela primeira vez, o ranking dos 10 maiores consumidores per capita de ovos do mundo.

Essa escalada do consumo é resultado da maior oferta nacional, que deve chegar a 62,250 bilhões de unidades em 2025, com perspectiva de atingir 66,5 bilhões de ovos em 2026, da combinação entre preço competitivo, conveniência e maior confiança do público no valor nutricional do alimento. “O consumidor busca alimentos nutritivos, com boa relação custo-benefício e que se adaptem ao dia a dia. O ovo entrega exatamente esses três pilares, por isso que deixou de ser apenas um substituto de outras proteínas e consolidou espaço definitivo no cotidiano das famílias. Hoje, participa muito mais do café da manhã dos brasileiros. É uma mudança cultural motivada pela acessibilidade do produto e por seu preço extremamente competitivo frente a outras proteínas, como a bovina”, evidencia o diretor comercial do Instituto Ovos Brasil (IOB), Anderson Herbert, destacando que a expansão também se deve do ciclo recente de investimentos dos produtores em aviários mais modernos, mecanização e tecnologias de automação, que têm elevado eficiência e produtividade em várias regiões do País.

O profissional reforça que a maior segurança do consumidor em relação ao alimento tem base em evidências científicas mais robustas, aliadas ao esforço de comunicação do setor e do próprio IOB na atualização de informações e combate a mitos históricos. “Há quase duas décadas, o Instituto Ovos Brasil atua na promoção do consumo e na educação nutricional, período em que registrou avanço significativo na percepção pública sobre o alimento. Contudo, as dúvidas relacionadas ao colesterol ainda existem”, pontua, acrescentando: “A ciência evoluiu e já demonstrou que o impacto do colesterol alimentar é diferente do que se acreditava no passado. Essa informação vem ganhando espaço de maneira consistente”, afirma Herbert.

Preço competitivo sustenta consumo

O preço segue como um dos principais vetores da expansão do consumo. Para Herbert, a combinação entre custo acessível, praticidade de preparo e alto valor nutricional reforça a competitividade do produto. “É um alimento versátil, de preparo rápido e com uma lista extensa de aminoácidos. Essa soma faz com que o ovo esteja cada vez mais presente nas mesas dos brasileiros”, avalia.

Exportações sobem mais de 100% em 2025

Diretor comercial do Instituto Ovos Brasil (IOB), Anderson Herbert: “Nosso foco é estar onde o consumidor está, com informação clara, acessível e confiável”- Foto: Arquivo OP Rural

Embora ainda representem uma fatia pequena da produção nacional, as exportações ganham tração. A ABPA projeta até 40 mil toneladas exportadas em 2025, um salto de 116,6% frente às 18.469 toneladas embarcadas em 2024. Para 2026, o volume pode avançar a 45 mil toneladas, alta de 12,5% sobre o previsto para este ano.

Herbert exalta as aberturas de mercados estratégicos, com os Estados Unidos se destacando no primeiro semestre de 2025, e o Japão se consolidando como comprador regular. Chile e outros países da América Latina mantêm presença relevante, enquanto acordos com Singapura e Malásia ampliam o alcance brasileiro. Um dos marcos de 2025 foi o avanço dos trâmites para exportação à União Europeia, que deve ter peso crescente a partir de 2026. “Mesmo exportando cerca de 1% da produção, o volume é significativo porque o Brasil figura entre o quarto e o quinto maior produtor do mundo. Estamos preparados para ocupar um espaço maior no mercado global”, enaltece Herbert, destacando que a reputação do País em biosseguridade fortalece essa competitividade.

Custos seguem incertos

O cenário para ração, energia, embalagens e logística segue desafiador. Herbert aponta que prever alívio em 2026 é praticamente impossível, dada a forte dependência de insumos dolarizados como milho e farelo de soja. “O câmbio é um dos fatores que mais influenciam o custo dos grãos, tornando qualquer projeção extremamente difícil”, diz.

A estratégia do setor permanece focada em eficiência interna e gestão de custos, enquanto aguarda maior clareza do mercado internacional.

Avanço em programas sociais e políticas públicas

O IOB também fortaleceu ações voltadas ao acesso ao ovo em 2025. A entidade participou de eventos educacionais e doou materiais informativos, reforçando o papel da proteína na segurança alimentar. “A campanha anual do Mês do Ovo ampliou visibilidade e estimulou inserção do produto em programas de alimentação pública, como merenda escolar”, ressalta Herbert, enfatizando que ampliar o consumo em iniciativas sociais é prioridade. “Seguimos trabalhando para facilitar o acesso da população a um alimento completo, versátil e nutritivo”.

Combate à desinformação

A comunicação permanece entre os maiores desafios. Em um ambiente de excesso de informações, o IOB aposta em estratégias digitais e parcerias com nutricionistas, educadores e influenciadores de saúde para alcançar públicos emergentes, como pais de crianças, praticantes de atividade física e pessoas em transição para dietas mais equilibradas. “Nosso foco é estar onde o consumidor está, com informação clara, acessível e confiável”, afirma o diretor.

Um setor mais organizado e unido

Herbert destaca que o IOB vive um momento de fortalecimento institucional, com crescimento no número de associados e maior representatividade dos principais estados produtores. “Estamos no caminho certo. Trabalhamos para estimular a produção legalizada, reforçar cuidados sanitários e aproximar o produtor, além de orientar consumidores e profissionais de saúde”, salienta.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura

Países árabes impulsionam exportações brasileiras de carne de frango em 2025

Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita figuram entre os principais destinos, contribuindo para novo recorde de volume exportado pelo setor, que superou 5,3 milhões de toneladas no ano.

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Foto: Ari Dias/AEN

Dois países árabes, os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita, estiveram entre os principais destinos das exportações brasileiras de carne de frango em 2025. Os Emirados foram o maior comprador, com 479,9 mil toneladas e aumento de 5,5% sobre 2024. A Arábia Saudita ficou na terceira posição entre os destinos internacionais, com aquisições de 397,2 mil toneladas e alta de 7,1% sobre o ano anterior.

As informações foram divulgadas na terça-feira (06) pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Segundo a entidade, o Japão foi o segundo maior comprador da carne de frango do Brasil, com 402,9 mil toneladas, mas queda de 0,9% sobre 2024, a África do Sul foi a quarta maior importadora, com 336 mil toneladas (+3,3%), e Filipinas vieram em quinto lugar, com 264,2 mil toneladas (+12,5%).

Foto: Jonathan Campos

A ABPA comemorou o resultado das exportações em 2025, que foram positivas, apesar da ocorrência de gripe aviária no País. As vendas ao exterior somaram 5,324 milhões de toneladas, superando em 0,6% o total exportado em 2024. O volume significou um novo recorde para as exportações anuais do setor, segundo a ABPA. Já a receita recuou um pouco, em 1,4%, somando US$ 9,790 bilhões.

“O ano foi marcado pela resiliência do setor e pela superação de um dos maiores desafios da história da avicultura nacional, com o registro de um foco, já superado, de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade em aves comerciais. Fechar o ano com resultados positivos, conforme previu a ABPA, é um feito a ser celebrado e reforça a perspectiva projetada para 2026, ampliando a presença brasileira no mercado global”, disse o presidente da ABPA, Ricardo Santin, em nota divulgada.

Fonte: ANBA
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