Notícias Em Naviraí (MS)
Copasul inicia obras da Indústria de Processamento de Soja em abril
Canteiro de obras deve ser instalado ao lado Fecularia da cooperativa, às margens da BR-163; inauguração da indústria que totalizará R$ 1,013 bilhão de investimento tem previsão para março de 2027.

A Copasul deve iniciar as obras de implantação da Indústria de Processamento de Soja até abril. Esse será o maior empreendimento da história da cooperativa, que atualmente conta com 13 unidades de silos, 2 indústrias, TRR, centro de distribuição de insumos e unidades administrativas. “A implantação da Indústria de Processamento de Soja já iniciou há algum tempo, com projeto, financiamentos. Neste momento já temos confirmados os pedidos de mais de 50% das contratações das estruturas com mais de R$ 500 milhões destinados. Com isso, temos datas para que os primeiros movimentos aconteçam no terreno, como a terraplanagem que está prevista para o mês abril, o mais tardar”, menciona o presidente executivo da Copasul, Adroaldo Taguti, acrescentando: “Acredito que essa obra vai ter impactos para a cidade e é bom estarmos alinhados. Quanto mais planejado for, a cidade só tem a ganhar”, destacou, lembrando que os primeiros estudos para implantação da indústria aconteceram em 2014.

Presidente executivo da Copasul, Adroaldo Taguti: “Acredito que essa obra vai ter impactos para a cidade e é bom estarmos alinhados. Quanto mais planejado for, a cidade só tem a ganhar”
Taguti explicou ainda as fases do projeto. “Estruturamos o projeto em duas etapas. Primeiro a adequação da capacidade estática para recebimento de grãos da cooperativa. Fizemos um investimento de R$ 400 milhões para adequar esta capacidade que agora temos 15,7 milhões de sacas de capacidade divididas entre as 13 unidades em 9 municípios. Agora, partimos para este empreendimento”, afirmou.
O presidente da Copasul destacou que a tecnologia para a indústria é o que tem de mais moderno no mundo. Todas as versões mais atualizadas dos equipamentos de automação e do processamento serão aplicados pelas empresas contratadas, refletindo uma posição estratégica da Copasul que sempre esteve alinhada com as tendências tanto para silos, Fiação, Fecularia, quanto para os demais processos dentro da cooperativa.
O presidente do Conselho de Administração, Gervasio Kamitani, reforçou que a indústria demandará uma quantidade de soja semelhante à capacidade estática da Copasul. “Todos que acompanham a Copasul têm visto os empreendimentos que a cooperativa faz na cidade de Naviraí, muito por ser aqui a sede. Mas, a exemplo da inauguração desta semana, o silos em Maracaju, todo o investimento em armazenagem de grãos que foi feito recentemente é voltado para esta indústria, ou seja, a soja virá não só de Naviraí, mas de toda uma rede de recebimento”, disse.
Números da indústria

A Unidade de Processamento de Soja da Copasul ficará localizada no terreno ao lado da Fecularia da cooperativa às margens da Rodovia BR 163, Km 142,5, em Naviraí, Mato Grosso do Sul. São 115 hectares de propriedade da cooperativa. A Unidade vai gerar 150 empregos diretos e processar 1 milhão de toneladas do grão por ano. Quando estiver em operação, a fábrica deve adicionar perto de R$ 3 bilhões à receita anual da cooperativa.
Em âmbito estadual, o projeto entra em consonância com a visão do Governo de Mato Grosso do Sul de incentivar a agroindustrialização e agregar valor às commodities locais, além de ser um empreendimento de grandes proporções para a economia regional.
A indústria terá capacidade para processar 3 mil toneladas de soja por dia, o equivalente a 50 mil sacas diárias, totalizando 16,5 milhões de sacas ao ano. A área construída será de 55 mil metros quadrados, contando com estruturas essenciais para a operação, incluindo prédios de preparação e remoção de óleo e farelo, com capacidade de 3 mil toneladas por dia; armazém para 150 mil toneladas de soja; capacidade de armazenamento de 70 mil toneladas de farelo; tanques para 10 mil toneladas de óleo degomado bruto; depósito para 3.624 toneladas de casca; e uma caldeira de 50 toneladas por hora para geração de vapor saturado a 15 bar. “A indústria terá capacidade para processar cerca de um milhão de toneladas/ano, transformando o grão em 742,5 mil toneladas de farelo de soja, 188 mil toneladas de óleo degomado bruto e 25 mil toneladas de casca peletizada. Entre os principais destinos para os produtos estão a fabricação de biodiesel, de rações e refino de óleo, além do mercado de exportações”, aponta o presidente da cooperativa.
A indústria consumirá 39.240 Mwh/ano e 134.640 toneladas/ano (550 ha de eucalipto/ano) de cavaco. A unidade representará um aumento de 20% da capacidade de processamento de soja pelo Mato Grosso do Sul, que vai saltar das atuais 14,5 mil toneladas para 17,5 mil toneladas diárias.
As estruturas de apoio contarão com estacionamento para caminhões, escritório, refeitório, vestiários, laboratório, oficinas de manutenção, pátio de biomassa, balanças rodoviárias, embarque de farelo e óleo, estação de tratamento de efluentes e subestação de entrada em alta-tensão.
A Unidade Industrial de Processamento de Soja deverá gerar 1,5 mil empregos durante a implantação do projeto, entre diretos e indiretos. Após a conclusão, contará com 150 empregos diretos e cerca de 1.897 indiretos, conforme estimativa da Aprosoja, que calcula 12,65 empregos indiretos para cada direto na cadeia da soja. A geração de renda, em salários, será de aproximadamente R$ 4,2 milhões por ano. Além disso, o empreendimento deverá adicionar cerca de R$ 3 bilhões ao PIB de Mato Grosso do Sul e contribuir com a arrecadação de R$ 220 milhões em ICMS, R$ 63 milhões em PIS/Cofins e R$ 12 milhões em IR e CSLL .

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Produzir mais em menos área é desafio central do agro diante do crescimento populacional
Intensificação produtiva, manejo do solo e eficiência no uso de recursos despontam como estratégias-chave para garantir segurança alimentar e sustentabilidade.

Com a população mundial projetada para atingir 9,9 bilhões de pessoas até 2054, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o agronegócio enfrenta um dos maiores desafios de sua história: aumentar a produção de alimentos sem ampliar o uso de recursos naturais na mesma proporção. Dados da Food and Agriculture Organization (FAO) indicam que, para atender essa demanda, será necessário produzir 60% mais alimentos, além de consumir 50% mais energia e 40% mais água.
No Brasil, onde a área agrícola corresponde a cerca de 7,6% do território nacional, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a intensificação produtiva tem se consolidado como caminho estratégico. Para o engenheiro agrônomo e empresário Luís Schiavo o foco deve estar na eficiência do uso do solo e na adoção de práticas agronômicas sustentáveis. “Não se trata apenas de produzir mais, mas com qualidade. O aumento da eficácia em áreas menores é essencial para garantir segurança alimentar, reduzir custos e preservar biomas importantes, como florestas e áreas de conservação”, afirma.

Foto: Jonathan Campos/AEN
Entre as principais estratégias para alcançar esse equilíbrio está o manejo adequado do solo. A manutenção da cobertura vegetal, especialmente no período de plantio, tem papel fundamental na proteção da estrutura da terra, na conservação da umidade e no estímulo à atividade microbiana. “O solo coberto funciona como um sistema vivo. A palhada atua como um colchão de matéria orgânica que reduz impactos mecânicos, protege contra a erosão causada pela chuva e favorece a ciclagem de nutrientes”, explica.
Outra prática destacada por Schiavo é a rotação de culturas, técnica que contribui para a fertilidade do solo, reduz a incidência de pragas e doenças e melhora o aproveitamento de nutrientes. Um exemplo comum no campo brasileiro é a sucessão entre soja e milho safrinha. “Após a colheita, o solo permanece enriquecido com nitrogênio, o que favorece diretamente o desenvolvimento do milho. Esse tipo de rotação preserva as características físicas, químicas e biológicas garantindo produtividade consistente ao longo das safras”, pontua.
Segundo o engenheiro agrônomo, investir em tecnologia, manejo eficiente e insumos adequados é decisivo para tornar o agro mais competitivo e sustentável. “Quando o produtor otimiza os fatores de produção, ele melhora a relação custo-benefício, preserva recursos naturais e contribui para um modelo agrícola mais equilibrado. É uma equação em que todos ganham: o produtor, o consumidor e o planeta”, ressalta.
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Embrapa recebe missões de 14 países interessadas em pecuária sustentável brasileira
Delegações internacionais visitaram centro de pesquisa em São Carlos em 2025 para conhecer tecnologias de baixo carbono, como recuperação de pastagens e integração lavoura-pecuária-floresta.

A produção pecuária sustentável e a mitigação dos impactos ambientais foram foco de 19 missões internacionais à Embrapa Pecuária Sudeste em 2025. No total, foram 55 visitantes estrangeiros de 14 países, dos cinco continentes.
As missões de organizações internacionais, principalmente da Europa (37,5%) e da África (25%), visitaram o centro de pesquisa para conhecer as inovações brasileiras no setor agropecuário.
De acordo com o articulador internacional, Alberto Bernardi, as tecnologias desenvolvidas pela Embrapa Pecuária Sudeste, apresentadas durante as visitas das delegações internacionais, contribuem para mostrar que o setor pecuário pode fazer parte da solução climática ao melhorar o desempenho em harmonia com o meio ambiente, com uso de tecnologias sustentáveis, como a integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), a recuperação de pastagens e a pecuária de precisão. “A recuperação de pastagens degradadas é, talvez, o elemento mais estratégico, pois não só pode reverter a degradação ambiental (um dos principais emissores de gases de efeito estufa (GEE), como transformar essas áreas em eficientes reservatórios de carbono”, explica Bernardi.
O interesse dos visitantes internacionais concentrou-se em linhas de pesquisa voltadas à otimização e à redução do impacto ambiental da atividade pecuária. Os principais temas buscados incluíram eficiência, baixo carbono na produção de carne e leite, Pecuária de Precisão e recuperação de pastagens.
Para o pesquisador Sérgio Medeiros, as visitas são oportunidades para celebrar parcerias em projetos de pesquisa estratégica para o país, principalmente na área de mudanças climáticas, atualmente uma prioridade global.
Pesquisadores da Embrapa Pecuária Sudeste também participaram de missões a países estrangeiros, realizando visitas técnicas e participando de eventos técnico-científicos na Argentina, Áustria, Chile, China, Colômbia, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Paraguai, Quênia e Uruguai.
Os países que estiveram representados nas missões ao centro de pesquisa de São Carlos foram França, Itália, Reino Unido, Rússia, Suécia, Egito, Gana, Marrocos, Zimbábue, China, Japão, Colômbia, Estados Unidos e Austrália.
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ASBRAM empossa nova diretoria em fevereiro e projeta ciclo positivo para pecuária até 2028
Entidade que reúne a indústria de suplementos minerais aposta em continuidade de gestão, vê cenário favorável para o setor e alerta para desafios como juros elevados e reforma tributária.

Manter as sucessões programadas das diretorias para fomentar um trabalho mais próximo com todos os parceiros de negócios, preparar-se ainda mais para atender os clientes no ciclo virtuoso da Pecuária até 2028 e comemorar a coesão e o entrosamento entre as equipes das cem corporações que compõem o quadro da Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (ASBRAM). Esse foi o objetivo cumprido pelos executivos e profissionais das empresas do segmento nesta passagem de ano, ratificado durante a última reunião promovida pela entidade no fim de 2025.
O encontro marcou a eleição dos novos membros do Conselho de Administração da Associação para o biênio 2026 – 2027. O executivo Rodrigo Miguel assume a presidência no lugar de Fernando Cardoso Penteado Neto, com Leonardo Matsuda como vice-presidente. Elizabeth Chagas segue como vice-presidente executiva da entidade. A nova diretoria toma posse no próximo dia 25 de fevereiro. “Confio demais na pecuária brasileira. Basta ver o que conseguimos fazer em 2025, quase empatando nossas vendas com 2024, que teve um segundo semestre histórico. Tenho certeza de que em 2026 não vai ser diferente. E tenho orgulho em apontar a ASBRAM como uma entidade sadia financeiramente e estruturada para permanecer atuando forte”, analisou Fernando Penteado.
“Chego muito otimista e com energia para atuarmos em nome de nossas empresas, do nosso mercado e para atender cada vez melhor e mais de perto os pecuaristas de todos os estados produtores brasileiros”, acrescentou o novo presidente, que mandou sua mensagem pela web, direto da Holanda.
Foram quase 90 pessoas presentes no encontro realizado na Capital paulista e outras 200 acompanhando pela internet, atentos a quatro palestras, aos debates e à apresentação dos números de comercialização de suplementos minerais no Brasil neste ano. “Estamos muitos felizes, as palestras foram ótimas, todos os convidados muito entrosados e felizes. Nesta casa, todos se dão bem. Todos conversam e eu até pareço a mãe deles. 2025 não foi um período fácil. Teve tarifaço dos EUA, impostos, insegurança, mas fizemos um ano com um resultado positivo face ao que passamos. Também porque a base de comparação, principalmente com o segundo semestre do ano passado, que foi ‘fora da curva’. Trabalhei muito tempo com fertilizantes e sonhava com a soja na ponta das exportações. E conseguimos. E agora é a carne bovina, liderando o mundo em produção e exportação. Estamos no caminho certo, ajudando o Brasil a consolidar-se como o maior fornecedor e embarcador da nossa proteína no planeta”, comentou Beth Chagas.
O encontro destacou a dimensão ambiental do agro brasileiro, com a preservação de 66% da vegetação original do país e a economia de 164 milhões de hectares cultivados, resultado do avanço da produtividade agrícola, além de quase 400 milhões de hectares destinados à pecuária. A adoção de práticas como agricultura de baixo carbono, integração lavoura-pecuária-floresta, plantio direto, uso de bioinsumos e recuperação de áreas degradadas tem sustentado esse desempenho.
Com esse modelo, o Brasil alcançou a quarta posição mundial em produção e exportações agropecuárias e responde por cerca de metade do superávit da balança comercial, próximo de US$ 150 bilhões. “O país consolida sua presença como uma potência agroambiental tropical, com clima, terras, água e recursos humanos para avançar ainda mais. Esses resultados também se traduziram em alimentos mais baratos para os brasileiros”, afirmou o professor da Universidade de São Paulo José Otávio Menten.
Cenário favorável
O encontro da ASBRAM traçou um cenário favorável para a pecuária, com expectativa de bons preços para o boi gordo e consumo interno estável, mesmo diante de uma desaceleração da economia nos próximos anos.
Segundo o economista Felippe Cauê Serigati, da Fundação Getúlio Vargas, o ambiente positivo convive com desafios estruturais que exigem atenção dos produtores, como a reposição do rebanho, a incerteza política, os custos de produção, os preços de venda e a gestão do caixa das propriedades.
Para Serigati, 2025 passou sem grandes impactos econômicos internos, e 2026 deve registrar crescimento mais moderado, ainda em terreno positivo. A inflação, afirma, tende a seguir em queda, impulsionada principalmente pelos alimentos, enquanto o principal fator de risco permanece sendo a trajetória dos gastos públicos do governo federal.
Fatores que pressionam o setor
A trajetória dos gastos públicos também pressiona a pecuária por meio da manutenção de juros elevados, usados como instrumento de controle da inflação.
Esse cenário tem levado produtores a vender vacas mesmo com a valorização dos bezerros, a racionalizar o uso da nutrição e a comprometer parte das margens para honrar financiamentos oficiais contratados em 2024, sem acesso a novas linhas de crédito. “O agro segue batendo recordes no mercado interno e externo e ajudando a conter os preços nas gôndolas dos supermercados. Ao mesmo tempo, enfrenta desafios relevantes que precisam ser equacionados. Por isso, 2026 deve exigir foco total na gestão do negócio. Considerando o desempenho de 2025, será um bom resultado se o segmento de suplementos minerais encerrar o ano com vendas em torno de 2,5 milhões de toneladas”, avaliou Serigati.
Outro ponto de atenção destacado no encontro foi a nova legislação tributária, que entra em fase de transição e testes a partir de janeiro. “A reforma é uma realidade, e produtores rurais precisarão estruturar e capacitar equipes para escolher as melhores alternativas em cada fazenda, sistema produtivo e modalidade de comercialização. As mudanças atingem todas as empresas, em um ambiente cada vez mais digital, que transfere ao contribuinte a responsabilidade pelo correto recolhimento dos tributos”, afirmou o advogado e contador Lincoln Diones Martins.



