Suínos Crescimento na piscicultura
Copacol mudou o hábito alimentar do brasileiro ao incluir peixe em sua dieta
O pioneirismo da Copacol em atuar na piscicultura de forma integrada permitiu que muitos produtores passassem a acreditar e a produzir o peixe.

Através de um estudo sobre a viabilidade e a importância da piscicultura no Oeste do Paraná, foi implementada há 16 anos uma das atividades mais promissoras da Cooperativa Agroindustrial Consolata (Copacol), que hoje se posiciona como a maior cooperativa produtora de tilápia do Brasil. São 17 mil toneladas por ano, mas as ambições para 2024 são ainda maiores: chagar a 21 mil toneladas.
Desde sua fundação, a Copacol tem registrado um crescimento consistente, fundamentado em pilares de inovação e sustentabilidade. Em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural, o presidente Valter Pitol revela as estratégias por trás dessa trajetória de sucesso, os desafios superados ao longo dos anos e as perspectivas para a tilapicultura paranaense e brasileira.
Pioneira no sistema integrado de piscicultura no Brasil, a atividade se tornou uma alternativa de renda e diversificação da propriedade rural para 286 cooperados da Copacol. “Prestes a completar 16 anos, a atividade se tornou o sustento de muitas famílias, além de uma opção para a diversificação na propriedade, com a agricultura, avicultura, suinocultura e a bovinocultura de leite” menciona Pitol.
Com o maior volume de abate de tilápia da América do Sul, a cooperativa processa 190 mil tilápias ao dia nas unidades industriais de Nova Aurora e Toledo. Em 2023, foram abatidos 55,3 milhões de peixes, totalizando 16,9 mil toneladas do produto.
Para atender a essa demanda, a Copacol conta com duas Unidades de Produção de Alevinos (UPA), uma instalada em Nova Aurora e outra em Quarto Centenário, que produziram juntas 56,2 milhões de alevinos no ano passado. “O pioneirismo da Copacol em atuar na piscicultura de forma integrada permitiu que muitos produtores passassem a acreditar e a produzir o peixe” conta Pitol.
O início de tudo
Com forte atuação em grãos e na avicultura, o presidente da Copacol menciona que a ideia de atuar também na piscicultura veio a partir de um trabalho de conclusão de uma pós-graduação ofertada pela cooperativa para colaboradores, em parceria com a Fundação Getúlio Vargas. “Um dos grupos estudou a viabilidade e importância da atividade para diversas famílias da região. O trabalho foi apresentado em 2006 e dois anos depois, em junho de 2008, a Unidade Industrial de Peixes de Nova Aurora foi inaugurada” relembra Pitol, enfatizando que o investimento, na época, foi de R$ 15 milhões em uma área de 2,3 mil metros quadrados, gerando mais de 100 empregos. “A capacidade de abate era de 10 toneladas de tilápia por dia. Hoje, nesta estrutura são abatidas em média 150 mil tilápias/dia, com mais de 1,2 mil colaboradores”, diz orgulhoso da trajetória da cooperativa na atividade.
Inovações tecnológicas e sustentabilidade
No Oeste do Paraná, polo da produção de tilápias no Brasil, a Copacol iniciou em 2023 a operação da UPA de Quarto Centenário com um sistema inovador, inspirado em uma tecnologia israelense, no Oriente Médio, região em que a água doce é extremamente escassa. A estrutura foca no reaproveitamento máximo da água usada nos processos, por meio de um tratamento altamente eficiente com filtros, meios de sedimentação e clarificação, voltando aos tanques produtivos.

Presidente da Copacol, Valter Pitol: “O modelo de integração garante a eficiência e a qualidade de produção”
A obra com 22 mil metros quadrados preza pela biosseguridade aliada à economia de água e energia. Foram R$ 60 milhões destinados ao projeto. Os ciclos ocorrem dentro de estufas, com total controle produtivo, em uma área menor quando comparada aos projetos tradicionais. Além disso, as barreiras são mantidas com rigor de visitantes – e até mesmo dos colaboradores -, tanto na entrada, quanto na saída.
Com um consumo médio de água de apenas 83 metros cúbicos, equivalente a 10% do volume utilizado em sistemas tradicionais, a instalação se destaca como referência em eficiência hídrica. “A água é reutilizada após passar por filtros, meios de sedimentação e clarificação, voltando aos tanques produtivos” explica Pitol.
Com a operação de duas UPAs, a Copacol se tornou autossuficiente no fornecimento de alevinos aos produtores, com controle de 100% do banco genético e capacidade anual de 100 milhões de unidades produzidas.
Outro fator importante é a utilização de poços artesianos para abastecer os tanques elevados, o que reduz de forma significativa os riscos de contaminação. O sistema de aeração por ar difuso e aerotube proporciona baixo consumo de energia na aeração da água, benefício também oferecido pelo sistema Airlift, que recircula 100% da água dos tanques. Considerada uma das mais modernas do mundo, a estrutura é totalmente automatizada, permitindo o controle em tempo real de parâmetros como oxigenação e temperatura.
Suporte técnico e desenvolvimento dos cooperados

Engenheiro de Pesca e gerente de Integração Peixes Copacol, Nestor Braun: “Precisamos produzir tilápia que atendam a um conjunto de requisitos e que façam brilhar os olhos dos clientes”
Com uma equipe técnica qualificada, com engenheiros de pesca e extensionistas, a cooperativa oferece todo o suporte técnico necessário para os cooperados. O sistema de integração desenvolvido pela cooperativa em suas atividades garante que o cooperado receba o alevino, ração e a assistência necessária para a produção. Constantemente os cooperados participam de treinamentos e capacitações para se desenvolverem na atividade, como a Tecnotilápia, evento destinado aos piscicultores durante o Copacol Agro, maior evento da família cooperada; e o Conecta Peixe, projeto desenvolvido com os filhos e netos de cooperados para conhecerem melhor as atividades e novidades da piscicultura, além de visitas técnicas a espaços da cooperativa para conhecerem o processo produtivo completo.
Foco na tilápia e diversificação de produtos
No sistema de integração, em que o cooperado recebe o alevino, ração e toda assistência técnica, desde o recebimento do alevino, passando pela despesca até a comercialização, a tilápia é a única espécie cultivada pelos 286 cooperados integrados à Copacol. “O modelo de integração garante a eficiência e a qualidade de produção. No entanto, a cooperativa também oferece um catálogo diversificado de produtos de revenda sob a sua marca, com alimentos de procedência e certificações de qualidade. Entre as espécies disponíveis estão bacalhau, camarão, merluza, cação, sardinha e salmão. Esses produtos são oferecidos em diversas gramaturas e embalagens, que atendem tanto refeições quanto porções para até quatro pessoas, adaptando-se às demandas do mercado”, salienta Pitol.
Marca preferida dos consumidores
Em uma pesquisa realizada em parceria com a Nestlé, a Copacol foi eleita a marca preferida de pescados congelados pelos consumidores brasileiros. Com uma ampla variedade de produtos, a cooperativa possui três linhas diferentes em peixes: Tilápia, Mar e Rio.
Além disso, para incentivar o consumo de pescados, a Copacol tem o portal DiadePeixe.com.br que conta com dicas e receitas que simplificam a rotina na cozinha. Cozinhar se torna uma atividade mais divertida e prazerosa e não apenas uma obrigação. Lá o consumidor encontra receitas completas, combinações com bebidas e dicas de como fazer receitas, além de dicas, por exemplo, como eliminar o cheiro de peixe da cozinha e qual o tempero ideal.
Atualmente, a cooperativa exporta para sete países. Entre os produtos exportados estão o filé refrigerado, além de pele e escamas.
Oeste do Paraná: berço da tilapicultura no Brasil
Fatores como clima favorável, água em abundância, incentivos governamentais e o forte sistema cooperativista abriram caminho para o Paraná se tornar o berço da tilapicultura no
Brasil. Antes da atuação das cooperativas, a produção de peixes em tanques era realizada sem planejamento adequado, muitas vezes se limitando a pesca-pagues, em que os produtores não tinham garantia de venda e enfrentavam problemas com excedentes. Conforme explica Pitol, essa atividade se tornou inviável sem um suporte completo, que envolve desde a produção até a comercialização.
Através de um estudo aprofundado, a Copacol estabeleceu metas de implementação de uma piscicultura de forma estruturada, organizada e sustentável na região Oeste paranaense. “Investimos em toda a cadeia produtiva, que envolve genética, desenvolvimento de rações, infraestrutura industrial, assistência técnica a campo e estratégias de comercialização. Esse investimento consolidou a Copacol como uma das maiores produtoras comerciais de tilápias do Brasil” ressalta.
A abundância de recursos hídricos é um dos grandes diferenciais da região, tendo muitas propriedades rurais margeadas por rios de água limpa, fundamentais para a produção de peixes de alta qualidade. “Esse foi um fator determinante, pois com água boa se produz peixe bom”, frisa Pitol, salientando que a cooperativa atua de forma intensiva na preservação dos rios antes mesmo da implantação da piscicultura. “Possuímos um trabalho intenso na preservação de nossos rios, um trabalho iniciado muito antes da implantação da piscicultura na nossa cooperativa, o que garantiu essa abundância de água nas propriedades, com matas ciliares e reservas legais adequadas”.
Pitol menciona que propriedades rurais que antes tinham áreas subutilizadas, como várzeas sem valor econômico significativo, foram transformadas em fontes de renda. “Com a escavação adequada e a criação de tanques, pequenos produtores rurais alcançaram uma nova atividade lucrativa. Essa atuação valorizou de maneira significativa as áreas rurais da região”, afirma.
No entanto, a mudança mais significativa ocorreu no campo, com os produtores alcançando uma nova fonte de renda e melhores condições de vida. “A cooperativa trouxe oportunidades para famílias que agora enxergam futuro na propriedade: os filhos estão cursando ou concluindo graduações em áreas como Agronomia e Medicina Veterinária, alinhando suas carreiras com o propósito de permanecer e prosperar no campo”, assegura Pitol.
Avanços na criação sustentável de tilápias
Com foco em práticas que unem eficiência e sustentabilidade ambiental, a Copacol tem alavancado sua produção de tilápias, consolidando sua posição no mercado. De acordo com o engenheiro de Pesca e gerente de Integração Peixes Copacol, Nestor Braun, a criação de peixes deve ser estruturada de acordo com os órgãos regularizadores do meio ambiente. “Os peixes são rigorosamente avaliados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária e precisam atender a todos os padrões de qualidade exigidos para o consumo”, evidencia, enaltecendo: “O sucesso do nosso negócio depende da escolha estratégica de locais onde o projeto será desenvolvido. A qualidade da infraestrutura é primordial e diversos fatores devem ser considerados e analisados antes de sua implantação, como relevo, acesso, disponibilidade hídrica e energia elétrica”.
Braun também destaca que fatores biológicos como a qualidade da água e do ambiente desempenham um papel primordial na obtenção de um arraçoamento ideal e, consequentemente, de um desempenho superior na produção de tilápias de alta qualidade. “Precisamos produzir tilápia que atendam a esse conjunto de requisitos e que façam brilhar os olhos dos clientes” reforça.
A tecnologia tem sido uma aliada fundamental na transformação do setor de aquicultura, impulsionando práticas mais sustentáveis e eficientes. “A tecnologia, engloba conhecimento científico, e consciência social e ambiental, que convergem para melhorar o produto, de maneira que não cause impactos à natureza” afirma Braun, acrescentando: “A necessidade de preservação dos recursos naturais, aliada à otimização do uso do solo e da água na produção, tem resultado na implantação de sistemas mais sustentáveis de cultivo”.
Inovações como o uso de fontes de energia renováveis e tecnologias avançadas de rastreabilidade do produto não só aumentam a confiança dos consumidores, mas também são positivas para um processo produtivo mais responsável e transparente. Braun destaca que essas mudanças não são apenas demandas do mercado consumidor, mas também uma evolução necessária na indústria alimentícia, que busca alternativas modernas e elevadas para atender às expectativas cada vez mais exigentes dos consumidores conscientes.
Crescimento e expansão no mercado de piscicultura
Em 2023, a Copacol produziu quase 17 mil toneladas de carne de peixe e para 2024 a meta é ainda mais ambiciosa: atingir a marca de 21 mil toneladas. Conforme o presidente da Copacol, o processo de produção é contínuo e ajustado de acordo com a demanda do mercado, acompanhando o crescimento do consumo. “Avançamos muito no setor: quando a Copacol iniciou a produção de tilápias, as gôndolas ofereciam pouco espaço para peixes congelados. Hoje, muito além da geração de renda para famílias produtoras e colaboradores, a cooperativa se orgulha em saber que também contribuiu de maneira significativa para uma mudança no hábito alimentar dos brasileiros, com uma proteína saudável. Esse pioneirismo abriu portas para o setor como um todo, conquistando paladares com uma enorme variedade de produtos” enfatiza Pitol.
A produção da Copacol não se limita ao mercado interno. Atualmente, uma parte expressiva é destinada à exportação, atendendo a mercados internacionais como dos Estados Unidos, China, Japão, Curaçao nas Antilhas Neerlandesas, Aruba, Taiwan e Coreia do Sul.
Desafios atuais e futuros
Apesar do crescimento, a Copacol enfrenta desafios como restrições e custos de capital, governança e regulamentação, desenvolvimento de novas tecnologias, volatilidade do mercado, mudanças climáticas, além de práticas de manejo não guiadas e não monitoradas.
Com um olhar para o futuro, a Copacol aposta no progresso tecnológico contínuo para manter seu crescimento e consolidar sua posição de liderança no mercado de piscicultura e avicultura no Brasil e no exterior. “Como a Copacol tem uma grande proporção de pequenas propriedades familiares, promover a inovação que leva a um maior crescimento da produção é essencial para garantir um manejo produtivo e sustentável. A longo prazo, o crescimento da produtividade na aquicultura como um todo requer progresso tecnológico contínuo” enfatiza Pitol.
Atuação da Copacol
Com atividades de agricultura e integração, a Copacol atua em municípios do Oeste e do Sudoeste do Paraná, com indústrias para processamento de aves e peixes, matrizeiros, incubatórios, laboratórios, indústria de processamento de soja, unidades para produção de alevinos e suínos, graneleiros, fábricas de rações, centros de distribuição e estações de tratamentos de resíduos. Com mais de seis décadas de atuação, a cooperativa possui Unidades de Vendas em Bebedouro (São Paulo), Cafelândia (Paraná), Campo Grande (Mato Grosso do Sul), Brasília (Distrito Federal), Curitiba (Paraná), São Paulo (São Paulo), Rio de Janeiro (Rio de Janeiro) e Dubai (Emirados Árabes Unidos).
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Suínos
Da creche à sustentabilidade, 6º Encontro Técnico Abraves-SP apresenta estratégias para aumentar eficiência das granjas
Evento em Pirassununga (SP) vai discutir manejo de leitões leves, sanidade, nutrição e sistemas de produção para apoiar decisões técnicas na suinocultura.

Melhorar a produtividade sem comprometer a sanidade do rebanho exige decisões técnicas em todas as etapas da produção. Manejo de leitões, nutrição, biosseguridade e gestão dos sistemas de criação estão entre os fatores que determinam o desempenho das granjas e influenciam diretamente os custos e os resultados da atividade.
Diante desse cenário, a atualização técnica tornou-se uma ferramenta cada vez mais importante para médicos-veterinários, zootecnistas, consultores e produtores, que precisam incorporar novos conhecimentos à rotina das granjas.
Esses temas estarão em debate no 6º Encontro Técnico Abraves-SP, que será realizado em 09 de setembro, no campus da Universidade de São Paulo (USP), reunindo profissionais da cadeia suinícola para discutir soluções aplicáveis aos sistemas de produção.
Entre os destaques da programação está a palestra do médico-veterinário Vinícius Cantarelli, que abordará estratégias de manejo de leitões leves na fase de creche, uma etapa decisiva para o desempenho dos animais ao longo do ciclo produtivo.
O médico-veterinário Caio Abércio da Silva discutirá a sustentabilidade dos sistemas de produção, apresentando abordagens voltadas à eficiência técnica, econômica e ambiental da suinocultura.
Promovido pela regional paulista da Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos (ABRAVES), o encontro busca aproximar pesquisa científica e prática de campo, oferecendo aos participantes ferramentas para aprimorar a tomada de decisão nas granjas.
A programação completa e as inscrições estão disponíveis aqui.
Suínos
Redução das granjas de reprodutores acende alerta para a genética suína
Artigo destaca a queda no número de GRSCs e defende medidas para preservar a base genética da suinocultura brasileira.

Ao nos referirmos às Granjas de Reprodutores Suínos no Brasil, as chamadas GRSCs, há que se ressaltar, de pronto, o fundamento histórico e a relevância dessas granjas à atividade suinícola nacional, assim como sua relação direta com a organização da classe dos produtores de suínos do Brasil, haja vista que elas deram origem à Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), fundada por um grupo de 48 produtores em 13 de novembro de 1955 no município gaúcho de Estrela, dando-se assim início a um significativo e intenso trabalho de melhoramento do rebanho de suínos no Brasil. E a criação da ABCS tornou possível organizar o registro genealógico e os programas de melhoramento genético no país, em se tratando de suinocultura comercial. É possível afirmar que as GRSCs são os verdadeiros centros de seleção genética, controle de origem e de avaliação do desempenho dos animais.
De fato, foram o pilar da transformação da suinocultura brasileira, ajudando a tornar o Brasil uma potência global na produção de carne suína, ocupando hoje o 4° lugar na produção mundial de suínos, pelo fato de as GRSCs garantirem a autossuficiência genética nacional, impulsionarem a adoção da inseminação artificial e elevarem a sanidade e a produtividade brasileira a padrões internacionais. De tal forma que essas granjas tiveram e ainda têm um papel fundamental no desenvolvimento da suinocultura brasileira moderna, dentro de uma cadeia altamente tecnificada e competitiva.
Não há como não se observar esse aspecto histórico da importância das granjas de produção de reprodutores suídeos, desde a criação da ABCS e de suas associações afiliadas estaduais, para a sustentação da atividade suinícola do Brasil nos últimos 70 anos, período em que o consumo interno de produtos derivados de suínos dobrou, passando de uma média nacional de 10kg para 20 kg, per capta, justamente a partir do uso de reprodutores dessas granjas. Aliás, em 2025, a média foi de 20,2 kg/habitante/ano (segundo a ABCS), consolidando um crescimento de cerca de 35% na última década.
Redução drástica das GRSCs no Brasil

Artigo escrito por Cesar da Luz é especialista em agribusiness, consultor da Associação Paranaense de Suinocultores e pesquisador da cadeia suinícola nacional. E-mail: [email protected].
Mesmo diante de todo esse contexto histórico, levantamento feito com base na literatura brasileira e com dados obtidos junto ao Relatório de 2025 do Registro Genealógico de Suínos da Associação Brasileira de Criadores de Suínos, ABCS, indica que houve uma redução muito significativa no número dos criadores de suínos da raça Landrace, com afixo registrado pelo produtor na entidade que representa o sistema suinícola brasileiro. Afixo é o nome oficial dado ao criatório, ou granja, certificada na ABCS.
Para se ter uma ideia da grande redução no número desse tipo de granjas e da grande erosão da variabilidade genética de suínos no Brasil, enquanto na década de 1970 o número de afixos registrados na ABCS era de 271, no ano passado, esse número caiu drasticamente para apenas 34. Portanto, atualmente, essas granjas representam apenas 12,5% do total existentes na década de 1970, em um ambiente em que as fontes de material genético das principais raças comerciais de suínos, como Landrace, Large White, Duroc e Pietrain, já são bastante escassas.
O fato é que o número de Registros Genealógicos vem reduzindo substancialmente desde a década de 1970 para a década de 1990 e para o período posteriormente aos anos 2000, enquanto o número de afixos de Empresas Integradoras e de Empresas de Genética vem crescendo sua participação no mercado de reprodutores Landrace, no Brasil.
Raça Landrace
No caso específico da raça Landrace, ela é uma das mais importantes para a evolução da atividade suinícola brasileira moderna, principalmente pela sua elevada capacidade reprodutiva e pelo excelente desempenho materno. Originária da Dinamarca, a raça foi introduzida no Brasil para contribuir no melhoramento genético dos rebanhos comerciais e se tornou fundamental nos sistemas intensivos de produção de carne suína.
A participação da raça Landrace foi decisiva para a modernização da suinocultura brasileira, especialmente a partir da intensificação da atividade nas regiões Sul, nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul,0 Sudeste, nos estados de São Paulo e Minas Gerais, sendo que as GRSCs passaram a utilizar amplamente a genética Landrace em programas de seleção, contribuindo para a disseminação de animais superiores e para o controle sanitário dos plantéis.
É importante destacar, ainda, que a raça Landrace é uma das principais raças de suínos utilizada na produção de suínos no Brasil, compondo 50% do genótipo na maioria das fêmeas F1 utilizadas na produção comercial de suínos, o que muito bem representa o que está ocorrendo com os Registros Genealógicos de Suínos no país, algo que requer muita atenção, especialmente dos órgãos governamentais, especialmente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).
Ressalte-se, ainda, que as Granjas Independentes de Produção de Reprodutores, no caso da raça Landrace, elas são fundamentais também para a produção do mercado livre de suínos no país, composto por granjas de pequeno e médio porte que não pertencem aos sistemas integrados e cooperados. São tais granjas independentes que abastecem grande parcela do mercado interno nacional com produtos derivados de suínos, mas que estão reduzindo ano após ano, colocando o Brasil na dependência de reprodutores de Empresas de Genética que atuam no país, mas cujos Núcleos Genéticos Primários se encontram no exterior, o que implica no aumento do volume de “royalties” enviados para fora do Brasil.
Portanto, as GRSCs continuarão sendo extremamente importantes para suprir o mercado interno de reprodutores suínos, bem como fundamentais para o resgate e manutenção das raças nacionais de suínos e mesmo para a manutenção das raças importadas que já estão adaptadas para uso comum na suinocultura brasileira. Sem dúvida, as granjas de reprodutores foram a base do avanço genético, sanitário e tecnológico da suinocultura nacional, sem as quais o setor dificilmente teria alcançado os níveis atuais de eficiência, qualidade e competitividade internacional que se encontram hoje.
Olhando para esse histórico e para a importância das Granjas de Reprodutores de Suínos para a suinocultura brasileira, vê-se, inclusive, a própria necessidade de que uma fonte pública proporcione recursos, inclusive a fundo perdido, para a implementação das novas medidas exigidas pelo MAPA, integrantes da Portaria DAS/MAPA nº 1.358/2025, permitindo que as GRSCs consigam continuar cumprindo seu papel no contexto da suinocultura e como salvaguardas do banco genético nacional.
Suínos
Pig Fair destaca tecnologias para impulsionar a produtividade na suinocultura
Feira paralela ao Simpósio Brasil Sul reunirá empresas, pesquisadores, técnicos e produtores entre os dias 11 e 13 de agosto, em Chapecó.

Tecnologia, inovação e geração de negócios marcarão a 17ª Brasil Sul Pig Fair, feira paralela ao 18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS), promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet). O evento será realizado de 11 a 13 de agosto, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC), reunindo mais de 50 empresas nacionais e multinacionais que apresentarão as principais tendências, produtos, serviços e tecnologias voltadas à cadeia produtiva da suinocultura.
A Pig Fair reunirá empresas dos segmentos de biosseguridade, diagnóstico, genética, nutrição, vacinas, aditivos, equipamentos, automação, ambiência e tecnologia, proporcionando aos participantes contato direto com soluções inovadoras para aumentar a produtividade, a eficiência e a sustentabilidade das granjas. Além da exposição de produtos e serviços, a feira se destaca como um ambiente estratégico para networking, troca de experiências e fortalecimento de parcerias entre empresas, pesquisadores, técnicos, produtores e representantes da agroindústria.

Presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin: “A feira é um espaço onde inovação e prática caminham juntas. Os participantes têm a oportunidade de conhecer tecnologias que já estão transformando a produção, conversar diretamente com especialistas das empresas e ampliar sua rede de relacionamentos” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
A presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, destaca que a Pig Fair complementa a programação científica do Simpósio ao aproximar o conhecimento técnico das soluções disponíveis no mercado. “A feira é um espaço onde inovação e prática caminham juntas. Os participantes têm a oportunidade de conhecer tecnologias que já estão transformando a produção, conversar diretamente com especialistas das empresas e ampliar sua rede de relacionamentos. Essa interação entre indústria, pesquisa e campo é um dos grandes diferenciais do SBSS”, afirma.
Para o presidente da comissão científica do SBSS, Lucas Piroca, a integração entre a programação técnica e a feira fortalece o papel do evento como um ambiente de atualização completa para os profissionais da cadeia produtiva. “Enquanto o Simpósio apresenta as principais discussões científicas e tendências do setor, a Pig Fair permite que os participantes conheçam, na prática, as soluções que estão sendo desenvolvidas pelas empresas. É um espaço de inovação, troca de conhecimento e geração de oportunidades para toda a suinocultura”, ressalta.
Os expositores também preparam lançamentos e novidades para esta edição, reforçando a Pig Fair como uma vitrine das principais inovações do mercado. Durante os três dias de evento, os congressistas poderão visitar os estandes, conhecer novas tecnologias, compartilhar experiências e ampliar o networking com profissionais de diferentes regiões do Brasil e da América Latina.
SBSS
As inscrições já estão disponíveis no site, acesse clicando aqui. O investimento do segundo lote, até o dia 30 de julho, é de R$ 750 para profissionais e R$ 450 para estudantes. O valor para participar somente da 17ª Brasil Sul Pig Fair é de R$ 100. Associados do Nucleovet, profissionais de agroindústrias, órgãos públicos e grupos universitários terão condições diferenciadas.
Tecnologias e negócios
Realizada simultaneamente ao Simpósio, a 17ª Brasil Sul Pig Fair reunirá empresas dos segmentos de sanidade, genética, nutrição, equipamentos, ambiência, tecnologia e serviços voltados à suinocultura.
O espaço será destinado à apresentação de lançamentos, soluções inovadoras e fortalecimento do networking entre empresas, profissionais, pesquisadores e produtores, ampliando as oportunidades de negócios e troca de experiências durante o evento.
Programação geral
• 18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura
• 17ª Brasil Sul Pig Fair
Terça-feira (11)
WORKSHOP: GESTÃO DE PROGRAMAS SANITÁRIOS NA SUINOCULTURA
9h00 – Módulo 1: A base de qualquer programa
• Conceitos de Bactericida e Bacteriostático
• Por que pensar em Farmacodinâmica e Farmacocinética
• Interações e associações de drogas antimicrobianas
Palestrante: Everson Zotti
9h40 – Módulo 2: Inteligência Sanitária e Diagnóstico
• Entendimento do conceito e desafio sanitário: qual é o meu desafio?
• Diagnóstico de rotina e análise de dados (isolamento, antibiograma, MIC)
• Aprendizado com falhas diagnósticas
Palestrante: Edison Magalhães
10h20 – Módulo 3: Desenhando Programas Factíveis
• Crítica aos protocolos de “amplo espectro”
• Impactos do uso imprudente de antimicrobianos
• O que realmente é necessário para resolver o problema
Palestrante: Augusto Heck
11h00 – Módulo 4: Farmacoeconomia e Monitoramento
• O programa que cabe no bolso (Análise de ROI)
• Como monitorar a efetividade do tratamento
• Tecnologias para detecção precoce de falhas
Palestrante: Luiz Carlos Giongo
11h30 – Mesa Redonda
13h30 – Abertura da Programação Científica
Painel Produção – A BASE
13h40 às 14h10 – Primíparas: Gestão Estratégica e Longevidade
Palestrante: Rafael Ulguim
14h15 às 14h45 – Fluxo Produtivo: Da Matriz ao Abate (Visão da Sanidade)
Palestrante: Paulo Eduardo Bennemann
14h50 às 15h20 – Fluxo Produtivo: Da Matriz ao Abate (Visão da Nutrição)
Palestrante: Cesar Augusto Pospissil Garbossa
15h25 às 15h55 – Mesa Redonda
16h00 às 16h30 – Coffee break
16h30 às 17h10 – O Futuro da Proteína Suína
Palestrante: Luis Rua
17h10 às 17h30 – Perguntas
17h30 – Solenidade de Abertura Oficial do SBSS
18h30: Palestra de Abertura: A Nova Geopolítica dos Alimentos: Impactos nas proteínas animais e na suinocultura.
Palestrante: Marcos Jank
20h00: Coquetel de Abertura na PIG FAIR
Quarta-feira (12)
Painel Biovigilância – Gestão Integrada
08h00 às 8h40: Biomanagement e Defesa Sanitária: Estratégias de Mitigação
Palestrante: Jordi Baliellas Capdevila
08h45 às 09h15: Vigilância e controle de Vetores: Roedores e Insetos como disseminadores de Patógenos
Palestrante: Alisson Mezzalira
09h20 as 09h50 – Mesa Redonda
09h50 às 10h20: Coffee Break
Painel Alimentação – Desafios e Oportunidades
10h20 às 10h50 – Eixo Imuno-Nutricional: Programação Metabólica da Matriz ao leitão
Palestrante: Jose Soto
10h55 às 11h25 – Imunonutrição: Estratégias Não Farmacológicas para a Resiliência Sanitária
Palestrante: Andres Gomez
11h30 às 12h00: Vigilância Analítica e Gestão de Micotoxinas: Estratégias para Blindar a Performance e a Sanidade
Palestrante: Ricardo Rauber
12h00 às 12h30 – Mesa Redonda
12:30 às 14h00 – Intervalo para almoço
12h30 às 13h30 – Eventos Paralelos
Painel Sanidade – Saúde Respiratória
14h00 às 15h00 – Erradicação de M. hyopneumoniae: Protocolos de Exposição, Estabilização e Eliminação
Palestrantes: Gustavo Silva e Paul Yeske
15h00 às 15:30 – Sincronia Sanitária: O Impacto da Aclimatização de Leitoas na estabilidade do plantel
Palestrantes: Luciano Brandalise
15h30 às 16h00: Coffee Break
16h00 às 16h40 – Influenza em Foco: Impactos e alternativas de controle
Palestrante: Ricardo Yuti Nagae
16h45 às 17h25 – Ambiência 4.0: Conectividade, Bem-Estar e Eficiência Energética na Suinocultura
Palestrante: Lederson Trindade de Lima
17h35 às 18h00 – Mesa Redonda
18h30 às 19h30 – Evento Paralelo Exclusivo (MSD)
20h00: Happy Hour na PIG FAIR
Quinta-feira (13)
08h30 às 09h10 – Alimentação de Precisão: Sensores, Conectividade e Eficiência Nutricional
Palestrante: Bruno Silva
09h10 às 09h30 – Perguntas
9h30 às 10h00 – Coffee Break
Painel Pessoas – Gestão e Performance
10h00 às 10h30 – Percepção vs. Realidade: Comunicação Estratégica para Mitigar Erros e Maximizar Resultados
Palestrante: Creici Lamonato
10h35 às 11h05 – Capital Humano e Sucessão: Preparando a Próxima Geração e as Equipes de Alta Performance
Palestrante: Rogério Facin
11h10 às 11h40 – O Apagão de Mão de Obra e o Desafio da Qualificação
Palestrante: Anderson Queirós
11h45 às 12h15 – Mesa Redonda
12h15 – Sorteio de brindes e encerramento




