Notícias
Copacol foca em capacitação e bem-estar dos funcionários para suprir escassez de mão de obra em áreas operacionais e de gestão
Os feirões de emprego organizados pela Copacol são uma resposta concreta a esse desafio.

Ciente de que o sucesso de suas operações depende do talento humano, a Cooperativa Agroindustrial Consolata (Copacol), com sede em Cafelândia, PR, tem intensificado seus esforços para atrair pessoas capacitadas para atuar tanto nas áreas operacionais quanto na gestão. No entanto, o cenário atual revela uma preocupação pela escassez de mão-de-obra qualificada, o que exige ações mais assertivas para lidar com essa carência.
Os feirões de emprego organizados pela Copacol são uma resposta concreta a esse desafio. Ao levar a iniciativa para diferentes cidades da região, a cooperativa visa alcançar um maior número de potenciais candidatos, facilitando o acesso a oportunidades de emprego no setor agropecuário. “Até o momento já foram realizados feirões nas cidades de Braganey, Cafelândia, Nova Aurora, Goioerê, Moreira Sales, Cruzeiro do Oeste, Assis Chateaubriand e Ubiratã. Devido ao pleno emprego na região, o desafio está em atrair e reter pessoas tanto nas áreas operacionais quanto em áreas técnicas e de gestão, em especial aquelas com maior qualificação”, salienta o gerente de Gestão de Pessoas da Copacol, Marcos Roberto Antunes.
Para suprir a crescente demanda por mão-de-obra, a Copacol tem adotado diversas outras estratégias para atrair e reter trabalhadores. Além do Feirão de Emprego, intensificou suas ações nos últimos anos, especialmente após a pandemia, quando a escassez de profissionais se agravou. Entre as iniciativas da cooperativa para proporcionar um ambiente de trabalho mais atrativo estão a remuneração variável, a melhoria na divulgação da marca empregadora, campanhas voltadas ao público interno, melhoria das áreas de convivência, volta das mesas de jogos, premiações e a disponibilização de rede de internet para os colaboradores da indústria nos intervalos para descanso. A Copacol também implementou um programa chamado Diálogo de Desenvolvimento Humano Individual (DDI), que possibilita a aproximação das lideranças com os outros colaboradores, fortalecendo as relações de trabalho e a valorização dos profissionais.
Desenvolvimento profissional
A Copacol também investe no desenvolvimento profissional de seus colaboradores. Para isso estabeleceu parcerias educacionais com faculdades e instituições de ensino como o Serviço Social da Indústria (Sesi), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop). “Através dessas parcerias, são oferecidas formações técnicas em áreas como segurança do trabalho, eletromecânica, programa trainee, estágios e pós-graduação, entre outras oportunidades de qualificação. Essas iniciativas visam proporcionar aos colaboradores oportunidades de formação profissional continuada, aprimorando suas habilidades e conhecimentos para atender às demandas específicas da cooperativa”, afirma Antunes.
Primeiro emprego
Para promover a capacitação profissional e estimular a criação de novas iniciativas de emprego, a Copacol também estabelece parcerias com outros setores. Um exemplo é o Programa Jovem Aprendiz, que tem como objetivo preparar as novas gerações para ingressar no mercado de trabalho e seguir uma carreira de forma mais assertiva. A cooperativa reconhece que o futuro da comunidade e da própria Copacol depende da boa formação desses jovens, que precisam desenvolver habilidades e comportamentos essenciais.
Automação
A Copacol tem se dedicado à adoção da automação em seus processos visando reduzir a dependência da mão de obra e aprimorar a qualidade de seus produtos e serviços. Com um olhar atento para a eficiência, a cooperativa estabeleceu o Comitê de Automação, que concentra esforços nos processos industriais e na busca pela redução da necessidade de mão-de-obra. “Diversos setores da empresa têm se beneficiado com a automação, resultando em impactos positivos em termos de eficiência e produtividade”, ressalta Antunes.
Além disso, a automação permite que os colaboradores sejam preparados para assumir novas funções que demandam qualificações adequadas. “A Copacol reconhece a importância de investir no desenvolvimento de sua equipe, proporcionando oportunidades de capacitação e formação para que estejam preparados para as demandas tecnológicas e desafios futuros”, salienta o gerente de Gestão de Pessoas da Copacol.

Gerente de Gestão de Pessoas da Copacol, Marcos Roberto Antunes
Antunes reconhece que o futuro do emprego na cooperativa está intimamente ligado às transformações trazidas pelo avanço da automação. Compreendendo a necessidade de se adaptar a essas mudanças tecnológicas, a Copacol está implementando uma série de estratégias para garantir a preparação e a qualificação de seus colaboradores em um ambiente cada vez mais integrado. “Estamos cientes de que a empregabilidade continua sendo uma prioridade, embora agora demande maior ênfase na qualificação e adaptação dos trabalhadores, como o home office e o treinamento dos colaboradores da indústria por meio da realidade virtual”, expõe.
Conforme o profissional, a Copacol promove a qualificação contínua dos colaboradores em consonância com as mudanças tecnológicas, adotando medidas proativas para garantir a adaptação dos trabalhadores. Segundo o gestor, já são adotadas na cooperativa metodologias ágeis como o Design Thinking (modelo de pensamento que vai além da necessidade de criar um produto ou serviço, centrado no ser humano), oficinas de criatividade e palestras sobre tecnologia e inovação. “Essas iniciativas visam capacitar os colaboradores, proporcionando a eles habilidades e conhecimentos necessários para se adaptar e prosperar em um ambiente de trabalho cada vez mais dinâmico e tecnologicamente avançado”, afirma.
Empregabilidade
A Copacol possui 31 unidades de grãos e insumos espalhadas pelo Oeste e Sudoeste do Paraná, além de duas Unidades Industriais de Aves (Ubiratã e Cafelândia), duas Unidades Industriais de Peixes (Nova Aurora e Toledo), sete fábricas de ração, uma nova Unidade de Produção de Alevinos, em Nova Aurora, e outra que está sendo construída em Quarto Centenário.
Com um quadro de aproximadamente 16 mil funcionários, a Copacol reconhece o impacto das mudanças no mercado de trabalho nas regiões em que atua. No entanto, Antunes ressalta que mesmo com tantas transformações no mercado de trabalho, no que diz respeito a implantação de novas tecnologias nos processos produtivos e de serviços, o reflexo disso nos índices de desemprego são baixos na área de abrangência da cooperativa. “Existe um equilíbrio entre o custo, a velocidade da adoção dessas tecnologias e a qualificação da mão-de-obra para os setores que estão passando por essas mudanças”, sintetiza.
Projetos em andamento
Antunes conta que cooperativa possui projetos em andamento para garantir seu crescimento sustentável. Alguns deles incluem aumentar a capacidade de armazenamento de cereais e insumos, concluir as obras das novas unidades na região Sudoeste do Paraná, automatizar a maior parte do processo industrial, ampliar o abatimento de tilápias na Unidade Industrial de Toledo e implantar projetos para a produção de energias renováveis, como bioenergia e energia fotovoltaica.
Valores da Copacol
Valores como ética, honestidade, responsabilidade, respeito às diferenças e relações humanas exemplares são vivenciados diariamente na cooperativa e têm um impacto significativo no relacionamento com seus funcionários. “A ética e a honestidade são fundamentais para estabelecer um ambiente de confiança e integridade dentro da organização. Os funcionários da Copacol são incentivados a agir de acordo com esses valores, promovendo a transparência e a conduta ética em todas as suas atividades”, enfatiza Antunes, ampliando: “A Copacol demonstra responsabilidade no cuidado com a segurança e o bem-estar dos funcionários, garantindo um ambiente de trabalho seguro e saudável”.
O respeito às diferenças e às relações humanas exemplares são outros pilares importantes entre os funcionários. “A Copacol promove um ambiente inclusivo, onde a diversidade é valorizada e cada indivíduo é celebrado em suas singularidades. Isso cria um clima de trabalho saudável, estimula a colaboração e a troca de ideias entre os funcionários, fortalecendo as relações interpessoais e gerando um ambiente de trabalho mais produtivo e harmonioso”, enaltece Antunes.
A cooperação e os princípios cooperativistas são enraizados na essência da Copacol. Esses valores são vivenciados no relacionamento com os funcionários, onde a colaboração, o apoio mútuo e o trabalho em equipe são incentivados. Os funcionários são encorajados a contribuir com suas ideias, conhecimentos e habilidades, fortalecendo a cultura de cooperação e o senso de pertencimento. “Essa cultura organizacional fortalece o engajamento dos funcionários, estimula o seu desenvolvimento profissional e contribui para o sucesso e crescimento sustentável da cooperativa”, frisa.
Protagonismo
A Copacol, além de ser uma locomotiva econômica importante nas regiões em que atua, reconhece o papel crucial que desempenha no desenvolvimento econômico e social das comunidades. A cooperativa compreende que sua responsabilidade vai muito além do aspecto econômico, buscando promover um impacto positivo nas regiões onde está presente. “A Copacol atua fortemente na área educacional, pois acredita ser essa a mola propulsora do desenvolvimento de uma sociedade. Através de parcerias com o poder público e outras entidades, desenvolvemos projetos sociais junto à comunidade como o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência, o Apoio Cultural, o Busão da Imaginação, o Cooperjovem e a Escola no Campo. Todos eles fazem parte do Propósito Estratégico RG Copacol, iniciativa que já atendeu 37 mil crianças”, comenta Antunes, orgulhoso.
A sustentabilidade ambiental também faz parte da rotina da cooperativa, que cuida do meio ambiente hoje para manter o equilíbrio do ecossistema no presente e para o futuro. Segundo Antunes, o resultado das ações contínuas são propriedades que respeitam a natureza e as pessoas que fazem o uso racional das riquezas naturais. “Reafirmando seu compromisso em contribuir para o desenvolvimento social, busca promover a educação, o respeito ao meio ambiente e a melhoria da qualidade de vida nas comunidades onde está presente. Por meio de iniciativas sociais e ambientais, a cooperativa demonstra seu comprometimento em ir além do crescimento econômico, ajudando a construir um futuro sustentável e próspero para todos”, pontua.
Futuro promissor
A Copacol vislumbra um futuro promissor, ancorado na essência da cooperação. Como uma das principais cooperativas agropecuárias do Brasil e uma referência na produção de alimentos, reconhece que seu sucesso é fruto do trabalho dedicado de seus cooperados e colaboradores.
A chave para solidificar ainda mais a cooperativa, garantir sua sustentabilidade e continuar sendo uma referência no setor agropecuário está na cooperação de todos os envolvidos. “A união e os esforços de todos garante que projetos sejam executados e concluídos com excelência, proporcionando o equilíbrio econômico e social, o desenvolvimento de pessoas e das cidades, gerando emprego e renda”, destaca.
Antunes reforça que a Copacol está comprometida em fortalecer seus laços cooperativos, fomentar a participação ativa dos cooperados e colaboradores e investir em iniciativas que impulsionem o desenvolvimento sustentável. “A cooperativa continua buscando a excelência em seus processos, aprimorando suas práticas de gestão e capacitando sua equipe. Além disso, seguirá promovendo ações sociais e ambientais que contribuam para o bem-estar das comunidades onde atua. O apoio à educação, o respeito ao meio ambiente e o estímulo ao empreendedorismo local são pilares que dão suporte ao futuro da cooperativa”, evidencia.
A edição Especial de Cooperativismo de O Presente Rural pode ser lida na íntegra on-line clicando aqui. Boa leitura!

Notícias
Brasil abre quase 100 novos mercados para aves e suínos e reforça posição global, diz Luis Rua no SBSA

Em meio a guerras, instabilidade logística e rearranjos no comércio global de alimentos, o Brasil segue ampliando espaço no mercado internacional de proteínas animais. A avaliação é do secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária, Luis Rua, que concedeu entrevista exclusiva ao O Presente Rural durante o Simpósio Brasil Sul de Avicultura, em Chapecó (SC). Segundo ele, o país vem acumulando recordes sucessivos nas exportações e consolidando uma posição rara no cenário global: a de fornecedor com escala, sanidade, competitividade e regularidade de oferta ao mesmo tempo.
“O Brasil tem batido recordes sucessivos, seja na carne bovina, seja na carne de aves, na carne suína, nos pescados”, afirmou. Na entrevista, Rua também chamou atenção para o avanço dos pescados, que, segundo ele, já despontam como “uma nova estrela nesse rol das proteínas animais”.
Articulação
O secretário atribuiu parte desse desempenho à articulação entre governo e entidades setoriais para destravar acessos comerciais e ampliar destinos para a produção brasileira. Ao tratar especificamente das cadeias de aves e suínos, ele afirmou que o trabalho inclui tanto carne quanto genética e ressaltou o alcance dos resultados mais recentes. “Nós abrimos próximo dos 100 mercados para essas duas cadeias produtivas”, disse.
No recorte mais amplo do agronegócio, Rua informou que o Brasil abriu 574 mercados nos últimos três anos e três meses. Dentro desse total, aproximadamente 100 estão ligados à proteína animal, com destaque para avicultura e suinocultura. Para ele, esse movimento não se resume a uma conquista diplomática ou comercial. Tem impacto direto na base produtiva do país. “Isso gera oportunidades, gera renda e gera emprego onde a gente mais precisa, que é no interior do nosso país”, afirmou.
Cadeias fortes
A fala dialoga diretamente com regiões como o Oeste catarinense e o Oeste paranaense, onde aves e suínos estruturam cadeias industriais, cooperativas, empregos e arrecadação. Ao participar do SBSA, Rua destacou a força econômica do segmento e a relevância estratégica da proteína animal dentro da pauta exportadora brasileira.
Mundo
Ao comentar o ambiente geopolítico, o secretário reconheceu o peso das guerras no Oriente Médio e na Ucrânia sobre o humor dos mercados e as rotas comerciais. “Naturalmente é um clima de incerteza”, afirmou. Ainda assim, sustentou que o Brasil chega a esse cenário com atributos que poucos concorrentes conseguem reunir. “O Brasil tem algumas características que tornam ele, se não o único, uma das poucas geografias do mundo que podem apoiar nesse momento.”
Ele ainda enumerou os fatores que, na sua visão, explicam essa vantagem comparativa: “O Brasil pode apoiar porque tem qualidade, porque tem sanidade, porque tem quantidade, porque tem estabilidade no fornecimento, porque tem competitividade, tem sustentabilidade”. A leitura do secretário é de que, em tempos de conflito e incerteza, essa combinação pesa mais do que nunca na decisão de compra dos mercados importadores.
Frango
Rua usou o desempenho recente da carne de frango para exemplificar a capacidade de reação do setor brasileiro. Segundo ele, mesmo com o Oriente Médio entre os principais destinos da proteína avícola nacional e ao mesmo tempo no centro das tensões internacionais, o Brasil ampliou embarques em março. “O Brasil aumentou, inclusive, suas exportações”, declarou. De acordo com o secretário, a alta foi de 7% sobre março do ano passado, com volume de 490 mil toneladas.
Para ele, o dado reforça uma característica estrutural da cadeia. “Isso mostra que é um setor resiliente”, resumiu. E avançou: “É um setor que está acostumado a lidar com dificuldades, com desafios e faz isso com muita resiliência, com muito trabalho e com uma atuação coordenada entre o setor público e o setor privado.”
Mensagens
A entrevista de Luis Rua no SBSA reforça, portanto, três mensagens centrais do governo para o setor: o Brasil segue abrindo mercados em ritmo acelerado, as proteínas animais continuam entre os motores mais dinâmicos dessa expansão e, apesar das turbulências externas, o país tem conseguido transformar instabilidade global em oportunidade comercial. No caso de aves e suínos, a aposta é que essa combinação de acesso, oferta e credibilidade internacional continue sustentando a presença brasileira nos principais fluxos globais de proteína.
Notícias
Rede de monitoramento de CO₂ em áreas agrícolas no Sul do Brasil abre caminho para crédito de carbono
Projeto da UFSM mede emissões e captura em tempo real e indica potencial de monetização no campo. Dados mostram redução de gases com manejo e estimam receita de até US$ 33 milhões ao ano no Pampa.

Uma rede de monitoramento instalada em áreas agrícolas no Sul do Brasil está produzindo dados inéditos sobre a relação entre produção agropecuária e emissões de gases de efeito estufa. O sistema, coordenado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), por meio do Laboratório de Gases do Efeito Estufa (LABGEE), utiliza torres de fluxo, tecnologia considerada a mais precisa para medir, de forma contínua, a troca de carbono entre o solo, as plantas e a atmosfera.

Foto: Ricardo Bonfanti
A iniciativa coloca a UFSM entre as instituições protagonistas no Brasil e no mundo no monitoramento contínuo e em tempo real do balanço de CO₂ em sistemas agrícolas, o que é estratégico para compreender o papel da agropecuária nas mudanças climáticas. No Brasil, pesquisas desse tipo em sistemas agrícolas monitorados continuamente por torres de fluxo são raras, especialmente em culturas importantes para a economia regional, como soja, arroz irrigado e pecuária.
À frente desta iniciativa, os professores Débora Roberti, do Departamento de Física do CCNE, e Rodrigo Jacques, do Departamento de Solos do CCR, destacam que o diferencial está na consistência dos dados ao longo do tempo. “Somos pioneiros no Brasil para este monitoramento contínuo ao longo dos anos, com torres de fluxo. Esses dados que estamos gerando podem servir como uma linha de base para saber se os agricultores estão absorvendo ou emitindo, sendo possível, então, entrar no mercado de crédito de carbono”, ressaltam.
Ao todo, nove torres estão distribuídas em diferentes sistemas produtivos, incluindo lavouras de soja, milho, trigo e arroz irrigado, além de áreas de pastagem natural no bioma Pampa, nos municípios gaúchos Catuípe (duas unidades), Alegrete, Cachoeira do Sul (quatro unidades) e Santa Maria, além de uma área no Paraná. Os locais foram escolhidos por permitirem comparar manejos tradicionais ou melhorados das lavouras e pastagens.
Os equipamentos realizam até 10 medições por segundo, registrando se o sistema está emitindo ou absorvendo dióxido de carbono (CO₂), além de variáveis como temperatura, radiação solar e precipitação. Na prática, o monitoramento permite calcular o chamado fluxo de carbono, o saldo entre o que é capturado pelas plantas durante a fotossíntese e o que é liberado por processos naturais. Esse acompanhamento contínuo mostra, em tempo real, quando uma área agrícola funciona como fonte ou como sumidouro de carbono.
Todos os dados são transmitidos automaticamente pela internet para o LABGEE, situado no prédio do INPE, onde são processados e analisados pelos pesquisadores e estudantes de pós-

Professora do Departamento de Física do CCNE da UFSM, Débora Roberti: “Somos pioneiros no Brasil para este monitoramento contínuo ao longo dos anos, com torres de fluxo” – Foto: Arquivo pessoal
graduação de Física e Meteorologia, com apoio do meteorologista Murilo Lopes.
De meia em meia hora, por três anos
Como as medições são contínuas, com os dados gerados a cada 30 minutos, os pesquisadores conseguem acompanhar ao longo do ano a dinâmica de emissão e absorção de carbono em cada área monitorada. Com uma série anual completa, já é possível estimar o balanço de carbono de sistemas agrícolas, pecuários ou naturais e identificar quais práticas ampliam a captura ou intensificam as emissões.
Para aumentar a confiabilidade das análises, no entanto, o monitoramento precisa abranger períodos mais longos, já que a variabilidade climática entre safras interfere diretamente nos resultados. Por isso, os pesquisadores trabalham com um horizonte mínimo de três anos de coleta contínua de dados. “Esse é o destaque desta técnica, que está na vanguarda das metodologias de medida de gás do efeito estufa na atmosfera”, afirma Débora.
Manejo define se área emite ou captura carbono
Os resultados já apontam diferenças relevantes entre sistemas de produção. Em áreas de arroz irrigado, a introdução de pastagens de inverno reduziu as emissões de CO₂ em 20% e de metano em 60%. Em lavouras com soja e trigo, a adoção de plantas de cobertura pode elevar em até três vezes a capacidade de captura de carbono por hectare.
No bioma Pampa, o manejo adequado das pastagens permite que a produção pecuária atue como captadora de carbono, compensando parte das emissões de metano dos bovinos. Por outro lado, áreas sem cobertura vegetal, como lavouras em pousio, tendem a se tornar emissoras.

Professor do Departamento de Solos do CCR da UFSM, Rodrigo Jacques: “Esses dados que estamos gerando podem servir como uma linha de base para saber se os agricultores estão absorvendo ou emitindo, sendo possível, então, entrar no mercado de crédito de carbono” – Foto: Arquivo pessoal
Os dados reforçam que o impacto climático da agropecuária depende diretamente das práticas adotadas no campo. Sistemas bem manejados podem inverter a lógica tradicional que associa produção rural apenas à emissão de gases de efeito estufa.
Além do aspecto ambiental, os resultados abrem espaço para monetização. Estimativas do próprio projeto indicam que, se metade das pastagens naturais do Pampa fosse direcionada à geração de créditos de carbono, o volume poderia chegar a 3,3 milhões de créditos por ano. A preços médios de US$ 10 por crédito, isso representaria cerca de US$ 33 milhões anuais.
O projeto reúne pesquisadores de diferentes áreas, como Física, Agronomia e Meteorologia, e envolve investimento de aproximadamente R$ 5 milhões. Os dados já começam a integrar bancos internacionais e são utilizados por grupos de pesquisa de outros países, ampliando a inserção do Brasil nas discussões globais sobre clima e produção de alimentos.
A expectativa é que, após três anos de monitoramento contínuo, período mínimo para consolidação dos dados, o sistema avance para novas culturas e projetos-piloto de crédito de carbono, com aplicação direta no campo.
Notícias
Biometano: da produção à distribuição é tema de fórum do setor
Especialistas discutem oportunidades e desafios no 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano, em Foz do Iguaçu (PR)

Uma abordagem integrada, que vai da produção à distribuição de biometano, será destaque no 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano (FSBBB), realizado de 14 a 16 de abril, em Foz do Iguaçu (PR). Com o tema Biometano: bem feito, suficiente, bem distribuído, o evento reunirá especialistas para discutir os principais avanços, desafios e oportunidades do setor.
A programação contempla painéis temáticos sobre produção, políticas públicas, mobilidade, investimentos, relação com o gás natural e perspectivas de mercado. Segundo o pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Airton Kunz, integrante da comissão organizadora, o debate ganha relevância diante das novas oportunidades abertas pela Lei do Combustível do Futuro (Lei nº 14.993/2024), que amplia a inserção do biometano na matriz energética brasileira. Outro ponto de destaque é o potencial do biometano na cadeia de proteína animal. “O Brasil ocupa posição de destaque nesse cenário, especialmente pela capacidade de geração a partir dos resíduos da produção animal. É uma oportunidade estratégica que precisa ser melhor explorada, sobretudo pelas oportunidades que se criam para substituir o óleo diesel pelo biometano em soluções de logística nestas cadeias”, afirma Kunz.
Apesar do cenário promissor, o avanço do biometano ainda enfrenta desafios, como a garantia da qualidade do produto, o aumento da escala de produção e a expansão da infraestrutura de distribuição. Atualmente, o biocombustível já vem sendo utilizado em frotas de caminhões e em processos industriais, substituindo combustíveis fósseis (diesel evitado) e contribuindo para a descarbonização. “Além de produzir bem, é fundamental avançar na distribuição eficiente, especialmente no transporte”, destaca o pesquisador.
Como já é tradição, o evento contará com uma programação prévia, que será realizada no dia 13, como reuniões técnicas, encontros e palestras. Já, a abertura oficial será no dia 14, seguindo com programação até dia 15, onde haverá espaço de negócios com mais de 70 empresas já confirmadas, momento startups de biogás, premiação “Melhores do Biogás”, vários painéis de debates sobre temas de interesse ao biogás. O dia 16 será dedicado a quatro roteiros de visitas técnicas.
A Embrapa é co-realizadora do evento e participa com especialistas na moderação e apresentação de painéis, além da organização de reuniões técnicas. Entre os destaques estão os painéis “O negócio dos Substratos e as Culturas Energéticas”, com participação de Airton Kunz; “Biogás na Prática”, com moderação de Ricardo Steinmetz; e “Oportunidades e Desafios Setoriais”, com a participação de Fabiane Goldschmidt Antes.
O FSBBB é realizado pelo Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás), pela Embrapa Suínos e Aves e pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), com organização da Sociedade Brasileira dos Especialistas em Resíduos das Produções Agropecuária e Agroindústria (SBERA). Para maiores informações acesse: biogasebiometano.com.br.
Reunião técnica discutirá transporte no agronegócio
Como atividade pré-evento do FSBBB e com um olhar mais direcionado à distribuição, será realizada a Reunião Técnica Transporte a Biometano no Agronegócio, no dia 13 de abril, das 14 às 16 horas, no Hotel Bourbon Cataratas Resort, como atividade pré-evento. O encontro abordará temas como corredores rodoviários sustentáveis, descarbonização da cadeia agroindustrial, novas tecnologias e o uso de caminhões a gás e modelos dual fuel.
Apesar do cenário promissor, o avanço do biometano ainda enfrenta desafios, como a garantia da qualidade do produto, o aumento da escala de produção e a expansão da infraestrutura de distribuição. Atualmente, o biocombustível já vem sendo utilizado em frotas de caminhões e em processos industriais, substituindo combustíveis fósseis e contribuindo para a descarbonização. “Além de produzir bem, é fundamental avançar na distribuição eficiente, especialmente no transporte”, destaca o pesquisador.
A reunião também apresentará casos práticos, incluindo uma unidade rural produtora de biometano com abastecimento de caminhões e experiências no transporte de proteína animal. A iniciativa é organizada pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR), Fetranspar, Embrapa, Superintendência de Energia do Paraná (SUPEN) e Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás). Gratuito, o encontro pré-evento é voltado a produtores de biogás e biometano, além de profissionais das áreas de logística, transporte e gestão de frotas. As inscrições podem ser feitas pelo link.
Trilha de atualização conecta especialistas e laboratórios de biogás
Outro momento que antecede a programação oficial do FSBBB é a Trilha de Atualização para Laboratórios de Biogás e Biometano, marcada também para o dia 13, das 8 às 17 horas. A trilha reunirá profissionais vinculados ao Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação – NAPI Biogás, participantes de ensaios de proficiência, representantes de laboratórios, pesquisadores, estudantes e demais interessados. O encontro será um espaço dedicado à troca de experiências e ao compartilhamento de informações entre os atores que atuam na área.
As inscrições são gratuitas e devem ser realizadas até o dia 10 de abril, pelo link do evento, com vagas limitadas a 50 participantes. A atividade será presencial. O encontro ocorrerá no Itaipu Parquetec (Av. Tancredo Neves, 6731, bairro Jardim Itaipu, em Foz do Iguaçu). A iniciativa é promovida pelo CIBiogás, Embrapa Suínos e Aves, Senai/SC, Inmetro e Universidade de Caxias do Sul, com fomento do NAPI Biogás.
A programação da manhã será marcada por apresentações voltadas à avaliação de substratos e ao uso de ensaios interlaboratoriais como ferramenta de controle de qualidade, além de discussões sobre novas rodadas de ensaios de proficiência. Também serão abordadas as principais fontes de erro na medição de biometano. O período da manhã inclui ainda uma visita técnica ao laboratório do CIBiogás.
À tarde, os temas se concentram em ferramentas microbiológicas para eficiência energética, relatos práticos sobre processos de acreditação de laboratórios e o uso de calculadoras científicas na otimização da digestão anaeróbia. A programação se encerra com uma mesa redonda sobre a jornada de acreditação, seguida de alinhamentos para ações futuras.



