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COP30: Vamos falar sem rodeio, a resposta virá do campo!
Em artigo, presidente interino do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette, ressalta a importância do campo para a sustentabilidade.

No final do século XIX, Thomas Malthus, considerado o pai da demografia, lançou um alerta: o crescimento populacional seria incompatível com a produção de alimentos. Isso porque, enquanto os meios de subsistência cresciam em progressão aritmética, a população evoluía de forma geométrica. Desta maneira, com o passar do tempo, não seria possível alimentar a todos.
A previsão, felizmente, não se confirmou. A pesquisa científica e o ímpeto dos produtores rurais mostraram que o campo poderia dar conta do crescimento demográfico, com a produção de mais alimento por área. Ou seja, a tese malthusiana caiu por terra em função dos avanços da agropecuária.
Agora, o mundo se vê diante de outros desafios, cuja solução também está endereçada à classe produtora. As mudanças climáticas têm impactado, cada vez mais, a vida na cidade e no campo, elevando os riscos de desastres naturais. Vamos falar sem rodeio: grande parte da solução virá da agropecuária.

Artigo escrito por Ágide Eduardo Meneguette, presidente interino do Sistema Faep.
Está na hora de ter essa conversa, sem filtro, a nível global, para o bem da sociedade. E o palco ideal para demonstrar, de forma consistente, que a agricultura é parte da solução para as mudanças climáticas é a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), marcada para novembro em Belém, no Pará. Isso passa por uma série de estratégias públicas e privadas, que precisam ser adotadas no curto prazo, tamanha é a urgência do desafio.
A boa notícia é que diversas destas ações já estão em curso no Paraná, muitas capitaneadas pelo Sistema FaepAgro é parte da solução para mudanças climáticas e segurança alimentar, como, por exemplo, o uso de tecnologias para a transição energética. Essa questão vem sendo fomentada há anos no meio rural paranaense, a ponto de ter atingido um grau de maturidade significativo. A produção de biogás por meio do processo de biodigestão em propriedades rurais é uma realidade no Estado há pelo menos duas décadas. Lá atrás, a entidade representativa da agropecuária paranaense já tinha identificado a necessidade de transformar o passivo ambiental de atividades como avicultura e suinocultura em ativos energéticos. Em 2017, a entidade promoveu uma viagem técnica à Itália, Áustria e Alemanha justamente com o objetivo de conhecer a produção de energias renováveis naqueles países.
No que se refere ao uso de biocombustíveis, o Sistema Faep lançou, em junho, o programa Movido pelo Agro, para incentivar o uso do etanol na frota estadual. E como o exemplo tem que começar dentro de casa, a frota da entidade é abastecida exclusivamente com o combustível verde. Também é no Paraná que a produção de biodiesel encontra a maior refinaria do país, localizada na Lapa, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC).
O uso de energia solar nas propriedades rurais é outra prática fomentada há tempos no meio rural do Paraná. Novamente, o exemplo começa em casa. A entidade tem usinas fotovoltaicas nos seus dois Centros de Treinamento Agropecuário (CTAs), nos municípios de Ibiporã e Assis Chateaubriand. Hoje, 100% da energia usada nas estruturas do Sistema FAEP têm origem em fontes limpas.
No que tange o uso de sistemas sustentáveis de agricultura regenerativa, o Paraná já avançou bastante em ações como rotação de culturas, plantio direto e produção orgânica, cujos fundamentos são levados para milhares de produtores rurais, de forma gratuita, por meio dos cursos da entidade paranaense.
O solo e a água, maiores patrimônios dos produtores rurais e fundamentais para a humanidade, também são prioridades dentro da porteira. Isso porque o solo bem conservado proporciona melhora da qualidade da água e do meio ambiente, além de maior produtividade agrícola. Por isso, o Sistema Faep avança em pesquisas para a manutenção do Paraná na vanguarda do uso sustentável do meio rural.
Diante de tantos exemplos, a expectativa é de que os dirigentes da COP30 se sensibilizem a ponto de dissolver uma barreira ideológica que opõe, de maneira irracional, a produção de alimentos e a conservação do meio ambiente. Essas duas atividades não só não são excludentes, como uma depende da outra para sobreviver.
Isso prova que, mais uma vez na história, a resposta para enfrentar os desafios globais virão do campo. Contem sempre com o agro.

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Comissão Europeia anuncia aplicação provisória do acordo Mercosul-UE e enfrenta reação da França
Medida pode antecipar redução de tarifas enquanto ratificação completa segue sob contestação judicial no bloco europeu.

A União Europeia anunciou que aplicará provisoriamente o acordo de livre comércio firmado com o Mercosul, numa tentativa de antecipar os efeitos comerciais do tratado enquanto o processo formal de ratificação segue em curso nos países-membros.

Foto: Divulgação
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a medida busca assegurar ao bloco a “vantagem do pioneirismo”. “Já disse antes, quando eles estiverem prontos, nós estaremos prontos. Nessa base, a Comissão irá agora prosseguir com a aplicação provisória”, declarou.
Pelas regras europeias, acordos comerciais precisam ser aprovados pelos governos nacionais e pelo Parlamento Europeu. A aplicação provisória, no entanto, permite que parte das disposições comerciais — como a redução de tarifas — entre em vigor antes da conclusão de todo o trâmite legislativo. Segundo a Comissão, o acordo poderá começar a valer provisoriamente dois meses após a troca formal de notificações entre as partes.
A decisão ocorre em meio a resistências políticas dentro da própria União Europeia. Parlamentares liderados por deputados franceses aprovaram no mês passado a contestação do acordo no tribunal superior do bloco, movimento que pode atrasar sua implementação integral em até dois anos.
A França tem se posicionado como principal foco de oposição. O presidente Emmanuel Macron afirmou que a iniciativa foi “uma surpresa

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado e Gpoint Studio/Freepik
ruim” e classificou como “desrespeitoso” o encaminhamento do tema. O governo francês argumenta que o acordo pode ampliar as importações de carne bovina, açúcar e aves a preços mais baixos, pressionando produtores locais que já realizaram protestos recentes.
Em janeiro, 21 países da UE votaram a favor do tratado, enquanto Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia se posicionaram contra, e a Bélgica se absteve. Defensores do acordo, como Alemanha e Espanha, sustentam que a ampliação de acesso ao mercado sul-americano é estratégica para compensar perdas comerciais decorrentes de tarifas impostas pelos Estados Unidos e para reduzir dependências externas em cadeias de insumos considerados críticos.
Concluído após 25 anos de negociações, o acordo prevê a eliminação de cerca de 4 bilhões de euros em tarifas sobre exportações europeias, sendo apontado pela Comissão como o maior pacto comercial do bloco em termos de potencial de redução tarifária.
No Mercosul, Argentina e Uruguai ratificaram o texto nesta semana. No Brasil, a Câmara dos Deputados aprovou o acordo, que ainda depende de aval do Senado para concluir o processo interno de ratificação.
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Acordo Mercosul-UE pode entrar em vigor até o fim de maio
Texto aguarda votação no Senado, enquanto União Europeia sinaliza aplicação provisória e governo prepara regulamentação de salvaguardas comerciais.

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta sexta-feira (27), em São Paulo, que o acordo comercial firmado entre o Mercosul e a União Europeia pode entrar em vigor até o fim de maio.

Vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin: “Aprovado no Senado e assinado pelo presidente Lula, teremos uns 60 dias para a vigência” – Foto: Divulgação
Segundo Alckmin, a expectativa do governo é que o texto seja aprovado pelo Senado Federal nas próximas duas semanas. O acordo já passou pela Câmara dos Deputados nesta semana e, se confirmado pelos senadores, seguirá para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Agora foi para o Senado e nós temos expectativa de que aprove em uma ou duas semanas. Aprovado no Senado e assinado pelo presidente Lula, teremos uns 60 dias para a vigência. Esse é o plano. Então, se a gente conseguir resolver em março, até o fim de maio já pode entrar em vigência o acordo”, declarou o vice-presidente.
No âmbito regional, o Parlamento da Argentina ratificou o texto na quinta-feira (26), movimento já acompanhado pelo Uruguai, ampliando o alinhamento interno no bloco sul-americano.
União Europeia
Do lado europeu, a Comissão Europeia informou nesta sexta-feira que pretende aplicar provisoriamente o acordo de livre comércio com o Mercosul. A medida busca assegurar ao bloco europeu a chamada “vantagem do pioneirismo”, permitindo a implementação de dispositivos comerciais antes da conclusão de todo o processo legislativo.
Em regra, a União Europeia aguarda a aprovação formal dos acordos de livre comércio tanto pelos governos nacionais quanto pelo

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado e Gpoint Studio/Freepik
Parlamento Europeu. No entanto, parlamentares europeus,liderados por deputados franceses, aprovaram no mês passado uma contestação judicial ao acordo no tribunal superior do bloco, o que pode retardar sua implementação integral em até dois anos.
Mesmo com a necessidade de aprovação pela assembleia europeia, o mecanismo de aplicação provisória permite que União Europeia e Mercosul iniciem a redução de tarifas e coloquem em prática outros compromissos comerciais enquanto o processo de ratificação completa seu curso institucional.
Salvaguardas
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo encaminhou nesta sexta-feira proposta à Casa Civil para regulamentar as salvaguardas previstas no acordo entre Mercosul e União Europeia. Esses mecanismos permitem suspender a redução de tarifas caso haja aumento expressivo das importações que provoque desequilíbrios no mercado interno.
Após a análise da Casa Civil, o texto ainda deverá passar pelos ministérios da Fazenda e das Relações Exteriores antes de seguir para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A expectativa, segundo Alckmin, é concluir essa regulamentação nos próximos dias, antes mesmo da votação do acordo pelo Senado. “O acordo prevê um capítulo sobre salvaguarda. A gente espera que nos próximos dias, antes ainda da votação do Senado [sobre o acordo], que a salvaguarda seja regulamentada”, disse.

Foto: Divulgação
Ele afirmou que a abertura comercial prevista no tratado parte da premissa de ganhos para consumidores e empresas, com acesso a produtos de melhor qualidade e preços mais baixos. Ressaltou, contudo, que o instrumento de salvaguarda funcionará como mecanismo de proteção em caso de desequilíbrio. “Agora, se tiver um surto de importação, você precisa de uma salvaguarda, que suspende aquela redução de impostos. Isso está previsto para os europeus também e é isso que será regulamentado.”
Sobre o acordo
Pelo cronograma negociado, o Mercosul eliminará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos. A União Europeia, por sua vez, zerará tarifas sobre 95% dos bens exportados pelo bloco sul-americano em até 12 anos.
O tratado abrange um mercado de mais de 720 milhões de habitantes. A ApexBrasil estima que a implementação do acordo pode elevar as exportações brasileiras em cerca de US$ 7 bilhões, além de ampliar a diversificação da pauta externa, com potencial impacto também sobre segmentos industriais.
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Mercosul e Canadá realizam oitava rodada de negociação para acordo comercial em Brasília
Blocos avançam em capítulos técnicos e preparam nova etapa em abril. Comércio bilateral Brasil-Canadá somou US$ 10,4 bilhões em 2025.

O Mercosul e o Canadá concluíram nesta sexta-feira (27), em Brasília, a oitava rodada de negociações do acordo de livre comércio entre as partes. As tratativas, retomadas em outubro de 2025 após período de menor dinamismo, sinalizam a intenção de ambos os lados de acelerar a construção de um marco jurídico para ampliar o fluxo de comércio e investimentos.

Foto: Divulgação
De acordo com nota conjunta divulgada pelos ministérios das Relações Exteriores, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e da Agricultura, a rodada reuniu os negociadores-chefes e promoveu encontros presenciais dos grupos técnicos responsáveis pelos capítulos de comércio de bens, serviços, serviços financeiros, comércio transfronteiriço de serviços, comércio e desenvolvimento sustentável, propriedade intelectual e solução de controvérsias.
A estratégia brasileira é avançar simultaneamente na consolidação de textos e na troca de ofertas, etapa considerada sensível em acordos dessa natureza por envolver redução tarifária, regras de acesso a mercados e compromissos regulatórios. Uma nova rodada está prevista para abril, quando os grupos técnicos deverão aprofundar a convergência em áreas ainda pendentes.
Para o governo, o acordo com o Canadá se insere no esforço de diversificação de parceiros comerciais em um cenário internacional
marcado por maior fragmentação geoeconômica e disputas tarifárias. A avaliação é que a integração produtiva com a economia canadense pode ampliar oportunidades em setores como agroindústria, mineração, energia e serviços.
Em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e Canadá alcançou US$ 10,4 bilhões, com superávit brasileiro de US$ 4,1 bilhões, segundo dados oficiais. O saldo favorável reforça o interesse do país em consolidar acesso preferencial ao mercado canadense, ao mesmo tempo em que busca ampliar a previsibilidade regulatória para empresas dos dois lados.



