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Colunistas Opinião

COP 26 e a ciência segmentada

Às vésperas da COP 26 parece que todos têm soluções mágicas para conter o aquecimento global. A grande maioria oferece soluções simples e erradas, como a de que o modo mais fácil e barato de reduzir emissões é zerar o desmatamento. Não é simples nem barato, tanto do ponto de vista ambiental como econômico e social.

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Por Ciro Rosolem, vice-presidente de Comunicação do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) e professor titular da Faculdade de Ciências Agrícolas da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (FCA/Unesp Botucatu)

Às vésperas da Conferência sobre Mudanças Climáticas (COP 26), parece que todos têm soluções mágicas para conter o aquecimento global. A grande maioria oferece soluções simples e erradas, como a de que o modo mais fácil e barato de reduzir emissões é zerar o desmatamento. Não é simples nem barato, tanto do ponto de vista ambiental como econômico e social. O problema, como sabemos, é muito complexo.

O efeito no ambiente é um sintoma, resultado de uma interação muito complicada de fatores, passando pela industrialização, pela urbanização, pelo desenvolvimento social e econômico, pela produção de alimentos e matérias primas, além de componentes culturais e de educação, e provavelmente outros fatores.

Lógico que o Brasil está sob uma imensa lente de aumento, principalmente nestas ocasiões. Pouco sabe o mundo de nossas soluções, pois não existem adolescentes interessados nisso, mas muito sabe sobre nossas dificuldades, alardeadas muitas vezes como pecados cometidos deliberadamente.

Em situações assim é importante ter muita calma, muito discernimento da verdade científica, e não correr para soluções aparentemente simples dadas pela ciência segmentada. Há algumas semanas um grande jornal publicou que São Felix do Araguaia seria a segunda cidade com maior emissão de carbono no mundo. Muito mais que as grandes metrópoles cheias de carros, caminhões e ônibus. Isso porque o rebanho bovino é muito grande.

Um deputado chegou ao absurdo de sugerir um imposto sobre o boi, punindo a emissão de carbono. Sim, sobre os combustíveis fósseis e sobre a boiada… A tal da ciência segmentada. A culpa é do boi. O negócio é que é muito mais fácil medir o carbono emitido pela agricultura e pecuária do que medir o sequestro de carbono pelo solo. É muito mais fácil seguir as Gretas da internet do que levar em conta o programa boi carbono zero divulgado pela EMBRAPA.

Se encontra no jornal que as concentrações de óxido nitroso e metano são hoje mais que o dobro daquelas observadas em 1750 e que esses gases são principalmente emitidos pelas atividades agropecuárias. Ora, nossa agricultura absorve metano, ou seja, o balanço de metano nas áreas agrícolas brasileiras é negativo. Nossa agricultura tira metano da atmosfera. Hoje temos dados consolidados mostrando que as emissões de óxido nitroso em nossos sistemas agrícolas são pelo menos 4 vezes menores que aquelas consideradas inicialmente pelo IPCC.

A tal da ciência compartimentada, especialização em excesso. As emissões têm sido majoritariamente avaliadas e modeladas por diversos cientistas das mais diversas especialidades, mas ainda poucos especialistas em matéria orgânica, em carbono do solo. Há resultados mostrando que nossos sistemas integrados lavoura pecuária, com rotação de culturas, podem sequestrar ao redor de 3 t de carbono por hectare por ano, às vezes mais, quando o componente floresta entra na equação.

Voltando ao boi. O boi emite metano, mas esse carbono do metano vem do pasto, que o tira da atmosfera. Trata-se de ciclagem de carbono, não de simples emissão. E o interessante é que o pasto fixa mais carbono no solo do que o emitido, em muitos casos de pastagens bem manejadas. Mas isso não dá muita audiência nas mídias sociais. Infelizmente.

Então, minha gente, precisamos parar de ler e ouvir somente as manchetes. Um resultado científico precisa de interpretação, de ponderação entre causas e efeitos. Não é à toa que são necessários quase 30 anos de estudo para se formar um doutor.

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Colunistas Soluções ágeis

Vantagens da tecnologia aplicada ao Compliance 

Não se espera que profissionais de Compliance se tornem experts em TI, mas provocações são necessárias para um novo olhar ao mundo conectado.

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A tecnologia pode ser uma grande aliada ou um sério desafio para os profissionais da área de Compliance. As constantes mudanças tecnológicas, grande volume de dados e a variedade de temas exigem cada vez mais uma migração dos sistemas analógicos ou semiautomáticos para soluções ágeis e aderentes às realidades desafiadoras das empresas. Empresas de tecnologia, cujo principal bem comercializado é a informação, estão no topo do ranking das marcas mais valiosas do mundo.

Essas empresas não produzem bens tangíveis como celulares ou geladeiras, mas formas de se conectar, de encurtar distâncias e de remodelar os relacionamentos sociais. Por outro lado, além do avanço econômico dessas empresas, também são constantes e crescentes os casos de fraudes no ambiente digital, com grandes desvios e prejuízos para as empresas.

Diretor de Compliance da BRF, Reynaldo Goto – Foto: Divulgação/BRF

Em 2006, o matemático Clive Humby cunhou a famosa expressão “Os dados são o novo petróleo”, alertando para a importância relacionada a valorização das informações. “A utilização da infinidade de dados disponíveis nas redes, bem como dos softwares e ferramentas tecnológicas necessárias para sua organização e manipulação, permitiram que as empresas atendessem aos consumidores com demandas por produtos e serviços personalizados, quando, onde e como quiserem”, expõe o diretor de Compliance da BRF, Reynaldo Goto.

Conforme o profissional, o fluxo financeiro global também se intensificou, assim como o interesse de grandes fraudadores. Adicionalmente, o aumento da participação das pessoas nas redes sociais tornou possível o desenvolvimento de novos modelos de negócios, que também devem ser objeto das matrizes de risco das empresas e, consequentemente, dos seus Sistemas de Integridade. “Mesmo assim, muito profissionais da área de Compliance ainda não se adaptaram a essa realidade, limitando o uso de tecnologias para atividades simples, como treinamentos virtuais ou sistemas para captura de assinaturas digitais”, ressalta Goto.

É neste cenário de um mundo interconectado, onde novos desafios surgem na mesma velocidade das tecnologias que os acompanham, que a área de Compliance está inserida, sendo demandada por um fluxo enorme de dados que podem gerar os mais variados tipos de risco para a empresa. “Fica evidente a necessidade de se adaptar a esta nova era, com a contratação de softwares de ciber security, de data loss prevention e, primordialmente, da remodelação do programa de Compliance, dedicando novos capítulos dos códigos de conduta, das políticas e normas corporativas e da análise de risco que as transformações digitais trazem”, enaltece.

Segundo Goto, não se espera que profissionais de Compliance se tornem experts em tecnologia, porém algumas provocações são necessárias para que se tenha uma atenção à esta realidade. Temas ferramentas com base em tecnologia big data para os processos de análises reputacionais, fundamentais não apenas para aumentar a efetividade, mas também para reduzir o tempo médio de análises. “Soluções com sistemas de workflow garantem aos Compliance Officers não apenas o adequado registro e rastreabilidade, mas também o atendimento das normativas internas como alçadas de aprovação para transações consideras de risco como brindes, presentes, doações, patrocínios, controle de treinamentos e interações com órgãos governamentais”, menciona, acrescentando: “Soluções tecnológicas de monitoramento igualmente protegem as empresas de temas relacionados a vazamento de informações e aumentam a efetividade dos processos de investigação”.

A adoção dessas tecnologias seguramente requer investimentos e muitas vezes pode se tornar inviável economicamente para muitas empresas. “Por isso um bom planejamento, análise de integração e interação com os sistemas existentes e uma criteriosa análise de sua operacionalização é fundamental para o sucesso de sua adoção”, evidencia Goto.

Inteligência Artificial

De acordo com o  diretor da BRF, uma fronteira ainda pouco explorada, mas que já apresenta grandes discussões, é a relacionada aos sistemas com base em tecnologias de Inteligência Artificial. As decisões são baseadas na ética e moral das pessoas, porém quando esse processo decisório é atribuído à uma máquina nova discussões surgem com relação aos critérios de programação e forma de aprendizado ou replicação das máquinas de erros humanos ou vieses inconscientes programados tecnicamente. “A seleção de um candidato a emprego, o atropelamento por um carro autônomo ou o bloqueio de crédito com base em sistemas a base de inteligência artificial são alguns exemplos visíveis de um novo campo de atuação ainda pouco discutido pelos profissionais da área de Compliance”, relata.

Em franca expansão

Em um mercado ainda em franca expansão, as tecnologias voltadas para os Sistemas de Integridade também apresentam uma série de oportunidades para aqueles que querem investir e se desenvolver em um segmento com grande potencial e com crescente demanda frente aos grandes desafios de melhoria contínua exigidos não apenas pelos profissionais da área, mas também pelos órgãos reguladores que monitoram os Sistemas das empresas.

Fonte: Assessoria
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Colunistas Agronegócio brasileiro

Perdas de nitrogênio e a complementação de fertilidade nas culturas de milho e soja

Quando há complementação de fertilidade é possível garantir uma produtividade até superior se comparada às demais lavouras com a mesma cultura em sua volta, pois a tecnologia evita falta de nitrogênio e a planta absorve o elemento de forma escalonada.

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Notadamente, o agronegócio brasileiro vive um divisor de águas, diante da dificuldade na obtenção de fertilizantes e demais produtos para a produção agrícola, com alta nos custos de produção, nas últimas safras, pela crise sanitária da Covid-19, quadro agravado com  a guerra na Ucrânia, causando temor de desabastecimento de fertilizantes no mundo e contribuindo para elevar ainda mais a apreensão no setor agrícola.

Interessante ressaltar, nesse contexto, que esse quadro levou à uma corrida pelo desenvolvimento de novas tecnologias na tentativa de reduzir a dependência externa de fertilizantes, que em sua maior parte provém do Leste Europeu, de onde procede praticamente toda a matéria-prima para as lavouras brasileiras, como herbicidas, inseticidas e fungicidas, dentre outros.

Ao acompanhar o desenvolvimento da cultura de soja, safra 2021/2022, nos municípios de Guarantã do Norte e Novo Mundo, no norte do Estado de Mato Grosso, na mesma região do eixo da BR-163, constatou-se a real urgência de novas tecnologias para fortalecer o agronegócio, especialmente quanto à fertilidade do solo e à sanidade das plantas.

E como consequência desse cenário desafiador ao produtor de grãos do Brasil, surge um quadro muito promissor para quem tem opções que atendam as necessidades de fertilidade e nutrição das plantas, sendo que em Guarantã do Norte e Novo Mundo, por exemplo, foi possível constatar, também em várias lavouras de milho na safrinha 2022, uma deficiência de nitrogênio, elemento fundamental para a produção do grão.

Apesar da dificuldade de obtenção de fertilizantes, alguns produtores resolveram plantar a safrinha de milho em sua melhor janela, que são os meses de janeiro e fevereiro, e nessas lavouras se constatou a necessidade de nitrogênio, haja vista que houve muita chuva na região no início deste ano, decorrentes do prolongamento do fenômeno La Niña.

Falta de nitrogênio nas lavouras

Como se sabe, o nitrogênio, no caso da ureia 46%, é um elemento muito volátil que chega, em certos casos, à uma volatilização de mais de 80% no campo, especialmente em casos de intempéries e altas temperaturas, combinadas com outros fatores e, logo, as lavouras de milho plantadas com antecedência acabaram tendo uma falta de nitrogênio, algo que se deu não pela falta da dispensação adequada desse elemento nas lavouras, mas devido aos fatores mencionados, chuva em excesso e altas temperaturas. Com isso, acabou-se perdendo esse nutriente, antes que a planta tivesse a absorção necessária do elemento.

Além da temperatura, outros fatores que também influenciam diretamente na volatilização da ureia 46% a campo são o pH, a umidade e a quantidade de resíduos orgânicos na superfície do solo, elementos que têm influência direto na atividade da urease. Após a aplicação de ureia, ocorre a formação de carbonato de amônio durante a sua hidrólise, em um processo rápido nos solos – três a sete dias após a aplicação da ureia -, o que envolve o consumo de prótons, aumentando o pH do solo ao redor do grânulo do fertilizante, proporcionando perdas por volatilização, independente do pH original do solo.

Aplicação de nitrogênio

Para mensurar a quantidade de nitrogênio a ser aplicada é preciso se levar em conta ao menos dois fatores: a produtividade esperada de grãos e a cultura anterior presente na área. Esses dois parâmetros servem para estimar a quantidade de nitrogênio já disponível no solo, pois plantas leguminosas como a soja, podem deixar cerca de 15 kg de nitrogênio por tonelada de grãos produzidos.

De tal modo que é por demais importante conhecer alguns pontos como, por exemplo, o histórico da área; a quantidade de matéria orgânica do solo; a fonte de nitrogênio; as condições edafoclimáticas (ou seja, tempo, clima, tipo de solo etc.); o sistema de cultivo (plantio direto e convencional); se o milho é de primeira ou segunda safra e, por fim o material genético utilizado. E caso o produtor conheça mesmo a sua área e faça o planejamento correto da adubação, ele consegue evitar essa deficiência de nitrogênio no milho.

Fora essa preocupação com a possibilidade de enfrentar a falta de um elemento tão importante para o desenvolvimento da cultura, como é o Nitrogênio, o produtor ainda se depara com a questão da Complementação de Fertilidade, um dos fatores igualmente determinante para os melhores resultados na lavoura.

Complementação de fertilidade nas lavouras

Em se tratando de complementação de fertilidade nas lavouras, seja de milho, de soja ou de qualquer outra cultura, a inovação e adoção de novas tecnologias já está trazendo excelentes resultados, que puderem ser constatados por produtores de Guarantã do Norte e Novo Mundo, justamente por terem optado por trabalhar com inovações no agro em termos de complementação de fertilidade, com a adoção de um composto nutricional que é dotado de muita tecnologia aplicada, incluindo nanotecnologia e produtos biodegradáveis, como enzimas de alta assimilação que não agridem o meio ambiente e ajudam a trabalhar os microrganismos presentes no solo.

Os que optaram pela complementação de fertilidade em suas lavouras, e substituíram 50% de sua cobertura de nitrogênio por um complemento de fertilidade líquida via foliar, obtiveram produtividades superiores aos demais da mesma região, e não sentiram falta de nitrogênio em suas lavouras. A planta acabou absorvendo o elemento de forma escalonada, de acordo com sua necessidade nutricional, e a cultura obteve um melhor desenvolvimento, não ocasionando o chamado “efeito chupeta” nas espigas de milho, evitando-se com isso a má formação de sua ponteira. Em muitos casos, isso tem uma representação expressiva na produtividade do milho, podendo provocar perdas de mais de 30% na produtividade, se não for suprida a necessidade do nitrogênio.

Em resumo, o nitrogênio é fundamental no metabolismo das plantas, pois faz parte da formação da clorofila, que é um componente essencial para a fotossíntese, com participação estrutural e funcional nas células, sendo um componente de vitaminas, carboidratos, enzimas, aminoácidos e proteínas. Sua falta influi no desenvolvimento das culturas e representa prejuízos ao produtor.

Por isso, quando há complementação de fertilidade é possível garantir uma produtividade até superior se comparada às demais lavouras com a mesma cultura em sua volta, pois a tecnologia evita falta de nitrogênio e a planta absorve o elemento de forma escalonada. Ou seja, a inovação traz benefícios financeiros ao produtor, sendo uma alternativa menos onerosa e mais vantajosa ao diminuir o custo com fertilidade e até mesmo o custo operacional da lavoura, pois pode ser alocada em suas aplicações de pulverização.

Fonte: Por Rafael Winterfeld Barbieri é CEO da Agrotec.BR Agronegócios e diretor técnico do Grupo Agro 10 Negócios & Desenvolvimento
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Colunistas Opinião

Deficiências infraestruturais: um caminho para a solução

Não há dúvidas que investir em infraestrutura é a melhor aposta para o futuro do país e que a solução para as deficiências infraestruturais está na parceria entre o Estado e o empresariado, num esforço legítimo para harmonizar o interesse da coletividade com as expectativas de resultados dos investidores.

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Presidente da Cooperativa Central Aurora Alimentos e vice-presidente para assuntos estratégicos da FIESC, Neivor Canton - Foto: Divulgação/Aurora Coop

O Estado brasileiro perdeu a capacidade de investimento. Essa situação é resultado de décadas de inchamento da estrutura estatal, desequilíbrio fiscal, aumento desmesurado das despesas públicas, financiamento imprudente de programas permanentes, prioridades equivocadas, além de outros fatores que poderiam ser aqui enumerados e que, ao final, revelam a ineficiência da gestão pública. Às vezes temos a sensação que existe uma regra não escrita, segundo a qual é “proibido” administrar a coisa pública com a visão empresarial e a eficiência gerencial do setor privado. Com isso, são desperdiçados insumos, elementos e fatores de produção.

Essa insuficiência afeta toda a sociedade, mas quem mais sofre com a dificuldade que o Estado brasileiro tem para investir é o setor produtivo. A área de infraestrutura é a mais afetada. O Brasil investe menos de 2% do PIB em infraestrutura, enquanto que em países mais desenvolvidos esses investimentos estão acima de 5%. Estudos do Ministério da Infraestrutura apontam para a necessidade de se investir ao menos 4,3% do PIB pelos próximos dez anos para o Brasil reduzir gargalos ao desenvolvimento econômico e social.

Ao deixar de investir em infraestrutura, a competividade brasileira despenca e impacta negativamente na qualidade de vida das pessoas e na produtividade das empresas. A qualidade de vida se deteriora quando faltam rede de esgotos e de abastecimento de água, energia elétrica, sistema de coleta de águas pluviais, rede telefônica e gás canalizado. As rodovias em mau estado de conservação, a pequena malha rodoviária asfaltada, a inexistência de ferrovias em extensas regiões do País, os portos marítimos esgotados, aeroportos mal equipados, sistemas de comunicação ultrapassados – tudo isso retira a competividade que as empresas conquistam internamente em seus processos de gestão e produção.

Se o Brasil precisa de infraestrutura para crescer e o Estado não tem a necessária capacidade de investimento, só há uma saída: buscar investidores privados, dentro e fora do País. Existe uma modelagem para isso na forma das parcerias público-privadas – as PPPs – implementadas em várias regiões. Parece que existe certo pudor no uso desse recurso jurídico e legal: muitos gestores têm receio de misturar necessidades públicas com dinheiro privado. Além disso, tornou-se frequente o questionamento, em juízo, de contratos de PPPs, ora pelo Ministério Público, ora por concorrente não-vitorioso de leilões e concessões. Tudo isso desanima e afasta investidores.

Mas a boa notícia é que o Governo Federal compreendeu a dimensão e a complexidade desse cenário e implementou um inédito e arrojado programa de concessões. O Ministério da Infraestrutura garantiu R$ 89,81 bilhões em investimentos e R$ 20,1 bilhões em outorgas, com o leilão de 81 ativos que incluem 34 aeroportos, 35 terminais arrendados, 6 ferrovias e 6 rodovias.

Os impactos na economia devem gerar cerca de 1,2 milhão de empregos diretos e indiretos, além de irrigar com recursos extensas regiões do hinterland brasileiro. Neste ano, o Ministério planeja o leilão de mais 56 ativos, com destaque para a sétima rodada de aeroportos, com 15 terminais, as desestatizações portuárias da Companhia Docas do Espírito Santo e Porto de Santos, além dos arrendamentos de dezenas de terminais e mais de 8,8 mil quilômetros em rodovias, superando R$ 165 bilhões em investimentos.

Algumas dessas concessões garantirão a permanência e o futuro das agroindústrias no grande oeste de Santa Catarina. Elas necessitam buscar cerca de 5 milhões de toneladas de milho no centro oeste brasileiro, todos os anos, para manter os plantéis de aves e suínos que alimentam as indústrias de processamento de carne. A solução vem pelos trilhos: será objeto de leilão ainda neste ano a concessão para a construção de um ramal da estatal paranaense Ferroeste – no trecho Chapecó-Cascavel – que permitirá o acesso ao grão de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A obra é vital e o setor privado, através das entidades empresariais, pagou o estudo de viabilidade econômica, técnica e ambiental. Outra ferrovia, cujo estudo o Governo catarinense está licitando, deve unir Chapecó aos portos catarinenses. As duas ferrovias são complementares e indispensáveis para garantir a matéria-prima de um lado, e a exportação, de outro.

Duas convicções se fortalecem. Não há dúvidas que investir em infraestrutura é a melhor aposta para o futuro do país e que a solução para as deficiências infraestruturais está na parceria entre o Estado e o empresariado, num esforço legítimo para harmonizar o interesse da coletividade com as expectativas de resultados dos investidores.

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