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Suínos / Peixes Crescimento no agronegócio

Cooperativistas se atualizam no Congresso de Avicultores e Suinocultores O Presente Rural

O Congresso de Avicultores e Suinocultores O Presente Rural surge como uma ferramenta indispensável, direcionada exclusivamente para produtores e equipes de fomento e assistência técnicas de cooperativas agropecuárias.

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Fotos: Jaqueline Galvão/OP Rural

Em um cenário onde a competitividade e a inovação são essenciais para a sobrevivência e o crescimento no agronegócio, a capacitação dos produtores se torna um elemento-chave. Nesse contexto, o Congresso de Avicultores e Suinocultores O Presente Rural surge como uma ferramenta indispensável, direcionada exclusivamente para produtores e equipes de fomento e assistência técnicas de cooperativas agropecuárias.

Realizado em formato híbrido, o evento reuniu de 11 a 12 de junho mais de 800 pessoas em Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Paraná, e alcançou um público superior a 13,5 mil pelos canais do Facebook e YouTube.

O Congresso de Avicultores e Suinocultores O Presente Rural tem como objetivo proporcionar um ambiente de aprendizado, troca de experiências e networking. Através de palestras, os cooperados têm a oportunidade de se atualizar sobre as últimas tendências e inovações tecnológicas que estão moldando a avicultura e a suinocultura no Brasil e no mundo. A presença de especialistas e pesquisadores dos setores avícola e suinícola garante que o conteúdo apresentado seja de alta qualidade e relevância.

Diretor do jornal O Presente Rural, Selmar Frank Marquesin: “Conteúdo relevante e atual”

O primeiro dia do evento foi dedicado à suinocultura, tendo na pauta desde os desafios atuais e perspectivas de mercado até a importância do bem-estar animal e a biosseguridade nas granjas. O segundo dia focou na avicultura e foi voltado ao mercado de carnes e suas perspectivas, Influenza aviária, biosseguridade e estratégias para o futuro da atividade. “A programação técnica foi cuidadosamente elaborada para atender às necessidades reais dos produtores, trazendo conteúdo relevante e atual. As palestras foram muito bem recebidas pelos nossos produtores” salienta o diretor do jornal O Presente Rural, Selmar Frank Marquesin.

Realizado pelo Jornal O Presente Rural, contou com a parceira das cooperativas Frimesa, Lar, Copacol, Copagril, C.Vale e Primato, e com apoio do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Paraná (Sindiavipar) e da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS).

Aprendizado constante

Avicultor há 15 anos em Matelândia, PR, Clayton Luiz Bonatto: “Os eventos de O Presente Rural oferecem palestras de alta qualidade, abordando tanto o cotidiano na propriedade quanto as tendências de mercado”

Avicultor há 15 anos, Clayton Luiz Bonatto possui em Matelândia, Paraná, nove aviários que juntos alojam 250 mil pintinhos por lote. Integrado à Lar, ele conta que este foi o terceiro ano consecutivo dos eventos de O Presente Rural que ele participa e o objetivo segue sendo adquirir conhecimento para aprimorar sua atividade no campo. “Os eventos de O Presente Rural oferecem palestras de alta qualidade, abordando tanto o cotidiano na propriedade quanto as tendências de mercado. É fundamental que o produtor compreenda o mercado e saiba onde seu produto está sendo comercializado. Além disso, outras palestras destacam a importância da biosseguridade, um conjunto de medidas que garantem a qualidade e agregam valor ao produto final, dependendo em grande parte do trabalho bem executado pelo produtor”, frisa.

Suinocultores há 13 anos na Linha Sete Rumos, interior do município de Maripá, PR, casal Jezieli e Jairo Seiboth: “Viemos em busca de conhecimento que possa ser aplicado no dia a dia da nossa propriedade”

Jezieli e Jairo Seiboth são suinocultores há 13 anos no município de Maripá, Paraná. Integrados à C.Vale desde o início da atividade, eles administram a propriedade familiar junto Rudolfo Seiboth, pai de Jairo. Com capacidade para alojar 1,5 mil suínos em terminação, o casal participa do evento há dois anos, sempre em busca de atualização. “Viemos em busca de conhecimento que possa ser aplicado no dia a dia da nossa propriedade, assim como para entender o momento atual da suinocultura, as perspectivas do setor e como está o mercado da carne suína. Munidos destas informações conseguimos administrar melhor nosso negócio e tomar decisões mais assertivas, como investir na construção de um novo barracão ou se devemos esperar. Além disso, estamos interessados em conhecer as novas tecnologias disponíveis para melhorar ainda mais nossa já tecnificada granja” salientam.

 

Para os produtores e equipes de fomento e assistência técnicas das cooperativas agropecuárias, a participação em eventos desse porte é uma oportunidade ímpar de crescimento profissional e de alinhamento com as melhores práticas do setor. “Enxergamos com bons olhos a busca constante por atualização de conhecimento. Trazer o produtor para este Congresso é fundamental para que ele se atualize sobre o cenário local, estadual, nacional e internacional, além dos valores das commodities e as perdas ao longo do processo da cadeia produtiva. Muitas vezes, esses temas não são abordados no dia a dia, pois os extensionistas costumam focar em aspectos diretamente ligados ao manejo, independentemente do sítio de atuação. Por isso, proporcionar esse momento de atualização e networking com a equipe, outros produtores e integrações é muito importante para aprimorar processos dentro da cadeia produtiva”, evidencia o supervisor de Fomento da Copagril, Doglas Batista Lazzeri.

Foco no produtor

Gerente da Divisão Pecuária da Lar, Daniel Dalla Costa: “As palestras são direcionadas exclusivamente para os produtores e para as equipes técnicas, que precisam estar alinhadas”

Daniel Dalla Costa, gerente da Divisão Pecuária da Lar, destaca que o evento é planejado com foco no produtor. “As palestras são direcionadas exclusivamente para esse público e para as equipes técnicas, que precisam estar alinhadas. Todos os palestrantes foram cuidadosamente selecionados para garantir que os produtores absorvam as informações da melhor forma possível”, ressalta.

Supervisor de Fomento da Copagril, Doglas Batista Lazzeri: “Trazer o produtor para este Congresso é fundamental para que ele se atualize sobre o cenário local, estadual, nacional e internacional”

Lazzeri também expressa grande satisfação com a participação da sua equipe de trabalho nos eventos promovidos pelo Jornal O Presente Rural. “A cada edição os eventos promovidos pelo O Presente Rural se tornam mais relevantes, consolidando seu espaço no segmento de proteína animal e criando novas oportunidades para a participação das cooperativas agroindustriais e, principalmente, dos produtores rurais, que são o foco do evento”, evidencia.

Empresas expositoras

Além das palestras técnicas, o Congresso conta com uma Feira de Negócios, em que diversas empresas expõem suas marcas, produtos e serviços. Na edição 2024, este espaço proporcionou aos participantes a oportunidade de conhecer as últimas inovações e soluções tecnológicas disponíveis no mercado, fortalecendo as conexões entre produtores e fornecedores. “A participação das empresas foi fundamental para o sucesso do Congresso. Tivemos a presença de grandes marcas que apresentaram inovações tecnológicas e soluções práticas para o dia a dia dos produtores. Este ambiente de troca e aprendizado fortalece toda a cadeia produtiva” ressalta Marquesin.

Alimenta

A partir da próxima edição, o Congresso de Avicultores e Suinocultores O Presente Rural se transforma e passa a se chamar Alimenta – Congresso Brasileiro de Proteína Animal & Rendering. Marcado para junho de 2025, o evento será realizado a cada dois anos, em Foz do Iguaçu, Paraná, com a promessa de ainda mais novidades e oportunidades para o setor agropecuário brasileiro.

Fonte: O Presente Rural

Suínos / Peixes Doenças consideradas multifatoriais

Os impactos das doenças respiratórias na suinocultura

Dentre as afecções respiratórias dos suínos que mais causam prejuízos ao produtor, podemos destacar, a Pleuropneumonia Suína (PPS) e a Pneumonia Enzoótica (PES).

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Foto: Shutterstock

As doenças respiratórias representam um desafio significativo para a suinocultura, pois impactam o desempenho produtivo dos animais e, consequentemente, a lucratividade das granjas. O surgimento dessas enfermidades engloba a ação de agentes bacterianos ou virais, distintas condições de ambiência e práticas de manejo. Estas doenças, consideradas multifatoriais, comprometem os animais de maneira geral, impactam o bem-estar e interferem negativamente no índice produtivo da granja, seja pela redução no ganho de peso dos animais, pelo alto índice de mortalidade ou pela condenação das carcaças no abate.

Dentre as afecções respiratórias dos suínos que mais causam prejuízos ao produtor, podemos destacar, a Pleuropneumonia Suína (PPS) e a Pneumonia Enzoótica (PES). Os impactos econômicos dessas enfermidades estão associados à sua morbidade e o incremento da mortalidade no plantel.

Pleuropneumonia suína

A Pleuropneumonia Suína, causada pela bactéria Actinobacillus pleuropneumoniae (APP), acomete suínos de todas as idades, com leitões de até 100 dias de vida sendo mais vulneráveis. Sua importância mundial não se deve apenas ao fato de ser uma doença com elevado índice de mortalidade, mas pelo alto impacto na produção animal, gerando altos custos com tratamentos e profilaxia, além de retardar e até mesmo limitar o ganho de peso dos animais. Outro fator relevante é o aumento do descarte de carcaça ao abate devido às lesões pulmonares oriundas de infecções crônicas.

A transmissão do agente infeccioso acontece pelo contato direto dos animais sadios com secreções respiratórias de animais infectados e pela dissipação de aerossóis a curtas distâncias. A bactéria é capaz de permanecer no ambiente por alguns dias se estiver protegida por material orgânico, como muco ou fezes, por isso a limpeza e desinfecção das baias e dos instrumentos utilizados na granja são de suma importância.

As manifestações clínicas da doença e seu desenvolvimento dependem de uma combinação de fatores, desde a virulência da cepa causadora, a suscetibilidade imunológica dos animais, estresse e concentração de indivíduos do lote, infecções concomitantes, manejo sanitário e as condições ambientais do confinamento.

A característica principal da doença é uma broncopneumonia fibrino-hemorrágica e necrosante, podendo evoluir para pleurite adesiva com formação de nódulos. Na forma aguda e hiperaguda os animais apresentam febre, anorexia, tosse ou vômitos e em alguns casos morte súbita. Em situações de surto epidemiológico em granjas, a morbidade pode exceder 50% dos animais, com mortalidade variando entre 1 e 10%.

Manifestações crônicas da doença podem ocorrer após a recuperação de um quadro agudo, com o animal apresentando tosse esporádica, baixo desempenho e registros de condenação dos pulmões e carcaça por aderência da pleura ao abate. Muitas vezes os indivíduos com quadros crônicos são portadores assintomáticos do APP e fontes de infecção para os outros animais do lote, sendo assim a principal fonte de contaminação das granjas. Vacinas comerciais contendo antígenos do A. pleuropneumoniae têm demonstrado reduzir a gravidade da doença e a disseminação do patógeno em rebanhos suínos.

Pneumonia enzoótica suína

Já a Pneumonia Enzoótica Suína é uma doença altamente contagiosa, mas com baixo índice de mortalidade e que apresenta grande incidência nas granjas brasileiras, sendo considerada uma doença de difícil erradicação. Causada pelo Mycoplasma hyopneumoniae, ela é responsável por comprometer a imunidade respiratória do animal e favorecer infecções oportunistas.
O M. hyopneumoniae adere ao epitélio ciliado da traqueia, brônquios e bronquíolos, destruindo o principal mecanismo de defesa inespecífico do trato respiratório dos suínos, deixando-os suscetíveis a patógenos secundários de forma permanente. O micoplasma se dissemina de forma rápida em ambientes que apresentam condições favoráveis, e afetam principalmente animais na fase de crescimento e terminação, sendo beneficiado pela alta concentração de animais, higiene pouco eficaz e instalações com ventilação inadequada.

Assim como a Pps, a transmissão da Pes ocorre por contato direto com outros animais acometidos, por fômites e por aerossóis eliminados durante as crises de tosse, logo, as variáveis ambientais e as relacionadas ao manejo sanitário da granja são fatores que podem facilitar a sua proliferação.

A principal característica da Pes é a broncopneumonia catarral, que se manifesta clinicamente por tosse seca e atraso no crescimento dos animais. As perdas econômicas relacionadas à doença são decorrentes da queda de produtividade que, dependendo da gravidade das lesões e infecções secundárias do lote, pode reduzir em até 30% o ganho de peso do animal.
O controle da PES engloba a imunização dos animais associada à adoção de medidas de biossegurança, como controle de densidade populacional e boa ventilação, ações que são fundamentais para prevenir a disseminação do patógeno.

Prevenção e controle

As doenças infectocontagiosas, como é o caso das doenças respiratórias, podem ser prevenidas e controladas de maneira eficaz através de um manejo sanitário rigoroso e adequado, incluindo, além das medidas ambientais, vazio sanitário e quarentena dos novos animais inseridos ao plantel, a vacinação dos animais da granja.

Contra a Pleuropneumonia Suína, a imunização com vacina inativada contra o Actinobacillus pleuropneumoniae é altamente vantajosa, pois, por ter em sua formulação agentes imunizantes contra os sorotipos de APP e suas toxinas das cepas causadoras da doença, o imunizante promove uma proteção cruzada contra todos os sorotipos conhecidos da bactéria Actinobacillus pleuropneumoniae, entregando ao produtor a excelente combinação de alta eficácia e máxima segurança, sem apresentar nenhuma reação pós-vacinal específica nos animais.
Numerosos estudos de campo já comprovaram que granjas vacinadas com essa solução apresentam índices significativos na redução de lesões pulmonares associadas à doença e melhoras relevantes nos índices produtivos, principalmente quando associada ao bom manejo sanitário.

Para a prevenção da Pneumonia Enzoótica Suína e da Circovirose, a proteção dos suínos através da vacinação na terceira semana de vida do animal confere uma proteção robusta contra o agente causador da enfermidade. A vacinação feita com cepa específica promove uma resposta imunológica mais efetiva e como consequência melhora nos índices produtivos.
Os investimentos visando melhoria dos resultados e sanidade do plantel são imprescindíveis para o controle e combate a essas enfermidades respiratórias, que dificultam no mundo todo a excelência da produtividade e competitividade do setor suinícola. Desta forma é possível garantir a sustentabilidade e o crescimento da suinocultura para um futuro ainda mais promissor. As referências bibliográficas estão com o autor. Contato: gisele@assiscomunicacoes.com.br.

Fonte: Assessoria Equipe técnica da Ceva
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Suínos / Peixes

Nucleovet divulga programação científica do 16º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura

SBSS terá sete painéis temáticos que debaterão pessoas, nutrição, sanidade, gestão da produção, imunidade e microbiota, biosseguridade e manejo da produção

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Foto: Arquivo/MB Comunicação

O Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet) divulga a programação científica do 16º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS), que será realizado no período de 13 a 15 de agosto, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC). Simultaneamente ocorrerá a 15ª Brasil Sul Pig Fair.

Durante o SBSS, 16 palestras e mesas-redondas contribuirão para atualizar os profissionais que atuam na cadeia suinícola. A programação é organizada em sete painéis temáticos que abordarão pessoas, nutrição, sanidade, gestão da produção, imunidade e microbiota, biosseguridade e manejo da produção.

Um dos grandes diferenciais do SBSS é proporcionar conhecimentos científicos que contribuam no dia a dia dos profissionais e das empresas. “O Simpósio terá a presença de palestrantes com alta expertise nos temas. Eles debaterão tendências, inovações e o futuro do setor suinícola dentro dos assuntos definidos para cada painel. Serão três dias que proporcionarão muito conhecimento e troca de experiência”, enfatiza o presidente da Comissão Científica do SBSS, Paulo Bennemann.

“O Brasil ocupa a quarta posição mundial em produção e exportação de carne suína. Nos últimos anos, tivemos aumento considerável no consumo interno e também abrimos mercados externos significativos para o setor. Cabe ao Nucleovet, promover a difusão de novas tecnologias e conhecimentos para que possamos produzir suínos com eficiência, sustentabilidade e, talvez o mais importante, com lucratividade. O Simpósio Brasil Sul se destaca como um evento de natureza científica, com grande capacidade para indicar tendências e atualizar os profissionais latino-americanos envolvidos na cadeia produtiva”, ressalta o presidente do Nucleovet, Tiago José Mores.

Inscrições

As inscrições para o SBSS estão no segundo lote. Até o dia 25 de julho, o investimento é de R$ 680,00 para profissionais e de R$ 420,00 para estudantes. Após essa data e durante o evento o investimento será de R$ 850,00 e R$ 480,00.

Para os congressistas que se inscreverem no Simpósio, o acesso à Pig Fair é gratuito. O valor para participar somente da 15ª Brasil Sul Pig Fair é de R$ 100,00 até o dia 25 de julho. A partir dessa data e durante o evento o investimento passa a ser de R$ 200,00.

Na compra de pacotes a partir de dez inscrições para o SBSS serão concedidos códigos-convites bonificados. Associados do Nucleovet, profissionais de agroindústrias, órgãos públicos e grupos de universidades têm condições diferenciadas. As inscrições podem ser realizadas no site: www.nucleovet.com.br.

Brasil Sul Pig Fair

A 15ª Brasil Sul Pig Fair reunirá empresas de tecnologia, sanidade, nutrição, genética, aditivos, equipamentos para suinocultura, entre outros setores. Os expositores apresentarão suas novidades e seus produtos, permitindo a construção de networking e o aprimoramento técnico dos congressistas.

Programação Científica do 16º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura

Terça-feira (13/08)

14h às 14h05 – Abertura da Programação Científica

Painel Custo ou Investimento

14h05 às 15h35 – Custo ou investimento: qual é o entendimento que temos a respeito da nossa sanidade?

Palestrantes: Debatedores mesa-redonda

  • Guilherme Marin: impacto do vazio sanitário
  • Marcelo Rocha: Fatores de risco para biosseguridade e boas práticas de manejo
  • Valdecir Luiz Mauerwerk: Visão da agroindústria sobre custos relacionados a sanidade

15h35 às 15h50 – Discussão

15h50 às 16h10 – Coffe-break

Painel Pessoas

16h15 às 16h55 – Equipes de alta performance, este é o caminho? Desafios da produção na escassez de mão de obra

Palestrantes: Leandro Trindade

16h55 às 17h25: Questionamentos

17h35 – Solenidade de Abertura Oficial do SBSS 2024

18h35 às 19h35 – Palestra de Abertura

19h45 horas – Coquetel de Abertura na Pig Fair

Quarta-feira (14/08)

Painel Nutrição

08h às 08h40 – Nutrição de precisão: atualização das exigências nutricionais com foco em melhoria de performance

Palestrante: Melissa Hanas

08h45 às 09h25 – Estratégias nutricionais em desafios sanitários

Palestrante: Caio Abércio

09h25 às 09h40 – Questionamentos

09h45 às 10h15 – Coffe-break

Mesa-redonda Sanidade

10h15 às 11h55 – Síndrome respiratória dos suínos: E agora! (abordagem prática da situação e discussão sobre possibilidades de mitigação de perdas)

10h15 às 10h45: Influenza. O que podemos fazer além de “sentar e chorar”. Hoje conseguimos fazer terapia de suporte, e esperar o ciclo da doença passar?

Palestrante: Danielle Gava

10h50 às 11h20 – Mycoplasma hyopneumoniae, por que ainda causa tanto impacto sanitário? Estratégias para manter um equilíbrio no sistema de produção

Palestrante: Maria Pieters

11h20 às 12h00 – Questionamentos

12h00 às 14h00 – Intervalo para almoço

12h15 – Eventos Paralelos

Painel Gestão da Produção

14h às 14h40 – É possível melhorar a uniformidade dos leitões ao nascimento através da nutrição?

Palestrante: Jesus Acosta

14h45 às 15h45 – Desmistificando leitões de baixo peso: da teoria a prática?

Palestrantes: Fernanda Almeida e Djane Dallanora

15h45 às 16h05 – Questionamentos

16h05 às 16h25 – Coffe-break

Painel Imunidade e Microbiota

16h30 às 17h10 – Como a imunidade herdada e modulada na maternidade interferem na resposta vacinal?

Palestrante: Geraldo Alberton

17h15 às 17h55 – É possível incrementar a saúde respiratória por meio da microbiota intestinal?

Palestrante: Andres Gomez

17h55 às 18h15 – Questionamentos

18h25 – Eventos Paralelos

19h40 – Happy Hour na Pig Fair

Quinta-feira (15/08)

Painel Biosseguridade

08h às 08h40 – Biossegurança em fábricas de rações: principais eventos de risco de contaminação do alimento às granjas

Palestrante: Gustavo Simão

08h45 às 09h25 – Conhecendo o inimigo: como garantir a segurança da granja com relação a roedores

Palestrante: Isis Pasian

09h25 às 09h45 – Questionamentos

09h45 às 10h05 – Coffe-break

Painel Manejo da Produção

10h10 às 11h45 – Perdas ao abate: oportunidades no campo e abatedouro

10h10 às 10h35 – Qual o papel do abatedouro como cliente do sistema de produção? Uma visão holística

Palestrante: Jalusa Deon Kich

10h35 às 11h45 – Debatedores:

  • Marisete Cerutti
  • Augusto Queluz
  • Andreia Dalpissol
  • Mônica Santi
  • Luana Torres da Rocha

11h45 às 12h00 – Questionamentos

12h05 – Sorteios e encerramento

Fonte: Assessoria Nucleovet
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Suínos / Peixes

Pesquisador faz profunda análise a favor do Brasil em relação a outros países produtores

José Eustáquio Vieira Filho evidencia o cenário econômico e político com foco no agronegócio nacional.

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Fotos: Shutterstock

“Quando eu era estudante de Economia, a primeira coisa que via nos manuais era que a agricultura é um modelo perfeitamente competitivo de oferta e demanda, e que o preço é dado pelo mercado. Quando estudava o desenvolvimento econômico, a agricultura era um setor marginal ao desenvolvimento econômico. Para um país para se desenvolver, tinha que desenvolver a agricultura, setor industrial e, por último, setor de serviços”, lembra José Eustáquio Vieira Filho, pesquisador no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). “Então, basicamente, víamos isso nas universidades e eu percebia que essas coisas não batiam com a realidade prática”, lembra.

Pesquisador no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, José Eustáquio Vieira Filho: “O que está por detrás do sucesso agropecuário brasileiro é conhecimento e tecnologia, nada mais do que isso” – Foto: Francieli Baumgarten

Durante o Encontro Regional Abraves, realizado em Toledo, PR, o pesquisador ministrou palestra onde falou sobre o cenário econômico e político com foco no agronegócio. “Falar em agronegócio é muito mais do que falar em um produto, da questão do clima, rezar para que tenhamos boas chuvas, e tudo mais será doado da forma divina. Na verdade, o que está por detrás do sucesso agropecuário brasileiro é conhecimento e tecnologia, nada mais do que isso”, elucida o palestrante.

“O agro é muito importante, é o agro que move a economia do país, é o agro que paga os salários, é o agro que gera desenvolvimento econômico. Independente de governo A, governo B, o agronegócio é que move a economia”, destaca o profissional. “O plano safra sempre vai existir, o setor vai continuar crescendo e as coisas vão continuar no seu ritmo tradicional. A menos que venha um determinado presidente e queira acabar com o setor, mas acredito que isso não vai acontecer, porque seria como retroceder 50 anos”, expressa Vieira Filho.

Ele sugere questionar se existe futuro viável para o agronegócio e, particularmente, para a suinocultura. “Essa questão pode ser respondida por diferentes prismas. Inovação tecnológica, a questão sanitária, a sustentabilidade ambiental, a sucessão dos negócios, entre outros fatores. Busco focar a questão da inovação tecnológica como um fator central no que foi feito no Brasil”, argumenta.

Voltando no tempo

O pesquisador falou sobre a criação e a relevância da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), na década de 1970, mas argumenta que a instituição “não construiu isso sozinha”. “A Embrapa foi central em canalizar as principais demandas que o país tinha nos anos 70 e conseguiu organizar o país. É claro, junto com o ambiente institucional ao seu redor, isso ganhou corpo e fez com que houvesse uma evolução muito grande”.

Nos anos 1970, o Brasil enfrentava políticas que priorizavam a extração de renda da agricultura para subsidiar outros setores, como ressalta Vieira Filho. Essas políticas, muitas vezes negligenciadas nas discussões contemporâneas, incluíam práticas como taxas múltiplas de câmbio, que beneficiavam certos setores em detrimento da agricultura, um dos principais setores exportadores do país na época. “É claro que, naquele período, a agricultura era pouco diversificada comparando com a agricultura que a gente conhece hoje, mas era o setor que exportava, então ele era prejudicado”, acrescenta o palestrante. Ele aponta que “as taxas prejudicavam a agricultura, mas beneficiaram a indústria. A agricultura era penalizada nesse sentido”.

Durante o período do chamado “milagre econômico” entre 1968 e 1973, o Brasil experimentou um crescimento econômico notável, mas também enfrentou desafios, como a inflação decorrente da oferta inelástica de preços. “O país estava crescendo a taxas de dois dígitos, mais do que a China, levando em conta aquele período”, salienta. “E quanto maior a demanda, se você não tem oferta, os preços explodem, vem a inflação. E inflação nenhum governo gosta”. Eustáquio destaca o papel de Affonso Celso Pastore em mostrar que, na realidade, a produção agrícola poderia reagir aos preços, desde que houvesse investimentos em inovação e tecnologia, expandindo assim a oferta produtiva. E afirma: “Flutuações no preço podem sim influenciar a oferta ou a demanda dos produtos”.

Nesse contexto, dois importantes ministros, Cirne Lima da Agricultura e Delfim Netto da Economia, reconheceram a necessidade de abordar os problemas enfrentados pela agricultura brasileira. Enquanto parte da população defendia a reforma agrária como solução, outra parte argumentava a favor do investimento em tecnologia e capital humano para promover o crescimento da agropecuária. Essa dicotomia acentuada pelo pesquisador ecoa os debates contemporâneos. “A mesma discussão vemos hoje quando separamos os grupos ideológicos. Há quem pense que a reforma agrária é uma política importante, mas na prática, o que se mostrou no Brasil foi investimento em capital humano e tecnologia”, analisa.

A criação da Embrapa, em 1973, representou um marco nesse contexto. Como frisa o palestrante, o investimento na pesquisa agro foi justificado pelo reconhecimento da importância de fornecer conhecimento atualizado aos agricultores. O estudo realizado pelo professor Guilherme Dias, que demonstrou a defasagem no diálogo entre a extensão rural e os produtores, foi fundamental para embasar essa decisão. “Delfim Netto pegou o argumento desse estudo e utilizou para justificar o investimento na pesquisa. A criação da Embrapa tinha que ser justificada”, relata o doutor em Teoria Econômica.

Concentração

Ele também aborda a questão da concentração produtiva no setor agropecuário brasileiro, destacando números que revelam uma realidade desafiadora e apontam para possíveis caminhos de desenvolvimento. Segundo Vieira Filho, “em 2006, um texto clássico do doutor Eliseu, publicado no livro do IPEA, mostrou, pela primeira vez, que havia uma grande concentração produtiva no setor agropecuário brasileiro”. Os dados do Censo de 2017 confirmaram essa concentração, revelando que “9% dos estabelecimentos mais ricos respondem por 85% da produção, enquanto 91% dos estabelecimentos mais pobres respondem pela pequena parte de 15% da produção”. Essa realidade, enfatiza o palestrante, não é exclusiva do Brasil, persistindo também em economias como a americana e europeia.

Essa concentração, segundo doutor José Eustáquio, pode ser vista como parte dos modelos de desenvolvimento econômico, onde é necessário “que você tenha concentrações em determinados ramos produtivos para que você possa ter um start de alocação de investimento, crescimento, aumento da produtividade e expansão”. No entanto, o profissional também aponta para uma oportunidade de mudança. Ele sugere que “se você incorporar 1% dos estabelecimentos mais pobres dentro dessa faixa mais dinâmica, podemos não só dobrar, como até triplicar a produção brasileira, usando os mesmos recursos, usando os mesmos insumos tecnológicos”.

Condições influenciam a tecnologia

Para ele, a compreensão desse aspecto se tornou fundamental durante seu pós-doutorado na Universidade de Columbia, em Nova Iorque, onde teve a oportunidade de colaborar com o professor Albert Fischer na elaboração do livro “Agricultura e Indústria no Brasil, Inovação e Competitividade”. “Percebi que tudo o que acontecia na agricultura era, não só semelhante, como idêntico ao que eles explicavam sobre os casos bem-sucedidos de inovação tecnológica na indústria”, sublinha. A análise comparativa entre setores industriais como o de petróleo, produção de aeronaves e o agronegócio revela padrões interessantes de evolução tecnológica e adaptação às condições específicas de cada segmento. “Comparamos então, três setores industriais. Setor de petróleo, o setor de produção de aeronaves e o agronegócio”, recorda.

Ele ilustra sua argumentação com exemplos concretos. No caso da indústria de aviação, enfatiza que a evolução tecnológica está intimamente ligada ao aumento de escala das

aeronaves. “O avião, para que se tenha uma evolução tecnológica, vai ampliando de tamanho. Ao ampliar de tamanho ele aumenta o peso, ao aumentar o peso as condições tecnológicas são outras. Dependendo da capacidade que se tem de absorção das tecnologias, tem-se capacidade de produzir aeronaves maiores. É algo muito complexo”, explica o pesquisador.

Ao abordar o setor de petróleo, o doutor menciona as diferenças entre as estratégias de exploração adotadas em diferentes regiões do mundo. Enquanto em lugares como o Oriente Médio ou Estados Unidos a presença de petróleo próximo à superfície facilitou a exploração, no Brasil o cenário foi distinto. “No Brasil, isso não aconteceu. E num determinado momento, o país resolveu procurar petróleo na costa litorânea brasileira”, relata. O surgimento de experiências bem-sucedidas de exploração offshore na década de 1960 marcou o início de um período de investimentos significativos no setor. “E depois que foi descoberto na Bacia de Campos, o Brasil começou a investir muito”, acrescenta.

O pesquisador salienta que, assim como na indústria aeronáutica e petrolífera, o agronegócio enfrenta desafios tecnológicos específicos à medida que amplia sua escala produtiva. “Explorar petróleo a cem metros é uma condição de temperatura e predição diferente do que explorar petróleo a dois mil metros, cinco mil metros de profundidade. É preciso novos materiais, novas tecnologias. A complexidade tecnológica é diferente. No agro é a mesma coisa”, diz.

Analisando dados dos Censos Agropecuários de 1995 e 2017, Eustáquio explora a relação entre tecnologia, escala produtiva e eficiência no setor. “Comparando os dois Censos, quanto maior eram as propriedades, maior eram os indicadores de potência”. Essa constatação evidencia a importância da escala na absorção tecnológica e no aumento da produtividade agrícola. O estudo revelou que, ao longo das décadas, a tecnologia desempenhou um papel cada vez mais significativo nos ganhos de produção. “Na década de 1990, a tecnologia já era responsável por, praticamente, 50% dos aumentos produtivos. E, no último Censo, essa participação se ampliou para algo em torno de 60,6%”, explica o pesquisador.

Uma tendência clara observada nos dados é a redução da participação do trabalho na produção agrícola, enquanto a utilização de tecnologia e insumos biotecnológicos vem ganhando espaço. “Cada vez mais uma atividade agropecuária é intensiva em tecnologia e pouco intensiva em trabalho. Intensiva em robótica, máquinas, além dos insumos biotecnológicos”, destaca Vieira. Entretanto, ele revela que “a participação do trabalho caiu de 31,3% para 19%. E a participação da terra é praticamente estável. Ressalto que o estudo não está dizendo que terra não é importante. O estudo diz que a participação da terra comparativamente a outros fatores produtivos tem uma contribuição menor”.

Efeito poupa floresta

Um dos pontos destacados pelo profissional é o “efeito poupa floresta”, um conceito que ressalta o impacto positivo da tecnologia na preservação ambiental. “Imagine que se tenha uma situação no passado, uma situação no presente e um contrafatual. Se observarmos passado e presente, há um pequeno aumento da área produtiva. Mas esse pequeno aumento em nada se compara com o que foi poupado ao longo do tempo, e essa poupança foi devido à tecnologia”, elucida.

Esses resultados têm implicações importantes para políticas públicas e estratégias de desenvolvimento agrícola. Segundo o palestrante, é fundamental que os países reconheçam o papel fundamental da inovação tecnológica no aumento da produtividade e na conservação ambiental. Em vez de simplesmente focar na distribuição de terras, investimentos em acesso e adoção de tecnologias eficientes podem ser a chave para impulsionar o crescimento sustentável do agronegócio.

O doutor José Eustáquio assegura que o “efeito poupa-floresta” representa menos fome do mundo, pois quanto mais tecnologia, menos é preciso desmatar áreas para produzir mais. Ele diz que “ao longo da década de 1990, para os dias atuais, o Brasil praticamente poupou 43% do seu território. Se compararmos com nossos principais críticos e competidores, o nosso indicador no último ano é muito maior do que, por exemplo, da Espanha, que só poupou 20,4% com a tecnologia, ou do que a França, que foi 2,4%”. Vieira conta também que descobriu, através de um estudo, em 2020, “que na Europa estava se criando um debate, uma crítica, dizendo que o estudo não podia ser feito dessa forma, porque parte de um ponto que, teoricamente, segundo os europeus, eles já são eficientes. E isso não é verdade. A verdade é que eles já desmataram tudo, não têm mais o que desmatar”, expressa.

A conta não fecha

Ao revelar que, segundo dados, dois terços do território brasileiro são preservados com matas nativas, o palestrante incita uma reflexão. “O continente europeu, por exemplo, não tem 10% de preservação. Como eles querem ditar ordem dentro do território brasileiro?”, questiona. Ele complementa que fez outro exercício, que consiste em dividir a produção por unidade de emissão. “Primeiro lugar, não acredito no que são essas emissões de CO2 equivalente na atmosfera. Pegam um monte de cientistas da Embrapa, de universidades financiadas por ONGs ou instituições internacionais, e dão um ar de cientificidade e chegam a um número de carbono. Milhões de toneladas de carbono. Supondo que essas estatísticas internacionais sejam verdadeiras. Analisei essas estatísticas para o Brasil e dividi produção por unidade e emissão, e fiz o mesmo para os nossos principais competidores. Pasmem, o Brasil foi o país que teve o melhor indicador de sustentabilidade nesse quesito” revela o pesquisador.

Eustáquio acentua que, na produção agrícola, em 1990, um quilo de CO2 equivalente conseguia gerar 243 quilos de produtos agrícolas. Já em 2020, o mesmo quilo de CO2 equivalente conseguia produzir 748 quilos. “Então veja, nós estamos produzindo mais com a mesma emissão de carbono. Sendo assim, o Brasil, comparado aos nossos principais competidores, é o país com o melhor rendimento”, enfatiza.

Soja brasileira

O economista sublinha o impressionante crescimento da cadeia produtiva da soja no Brasil ao longo das últimas décadas. Em sua análise, revela números que ilustram a magnitude desse progresso. Em 1991, a produção nacional de soja totalizava 19,4 milhões de toneladas. Contrastando com os dados de 2022, esse número saltou para 154,6 milhões de toneladas, representando um aumento surpreendente de quase 700%. Como observa o palestrante, “a produção de soja foi multiplicada por oito ao longo desse período”.

Outro ponto de destaque é a relação entre a produção de soja e a produção total de grãos. Em 1991, os grãos atingiram 68,4 milhões de toneladas, enquanto em 2022 foram 319,8 milhões de toneladas. Vieira Filho afirma que “a produção de soja representa, praticamente, 50% da produção total de grãos”. Um aspecto importante também é o papel central da soja na cadeia produtiva agrícola. Em 2022, a produção de soja totalizou 154 milhões de toneladas, grande parte da qual é processada em farelo e óleo. O palestrante detalha que “63% da soja é exportada como excedente produtivo, enquanto 32% é consumida internamente”.

Eustáquio fala ainda sobre a questão do consumo per capita, e dá destaque ao aumento significativo ao longo dos anos. Desde 1991, o consumo per capita de soja aumentou 2,7 vezes, o de farelo 4,5 vezes, e o de óleo 2,2 vezes. Além disso, segundo o pesquisador, o consumo de carne de frango e suína também registrou aumentos substanciais, correlacionados com o crescimento das exportações. “Carne de frango, 30% exportado, o restante é consumido dentro do país, carne bovina, 27% é exportado, o restante é consumido dentro do país. Carne suína, 30% é exportado e o restante é consumido dentro do país”, aponta.

Exportações e segurança alimentar

Um ponto analítico importante levantado na palestra foi a relação entre exportações e segurança alimentar. Contrariando a noção de que as exportações comprometem a segurança alimentar interna, o profissional argumenta que “exportar não é ruim para a segurança alimentar do país”. Ele considera que políticas que visam taxar as exportações podem prejudicar o desenvolvimento econômico e que investimentos em inovação e tecnologia são fundamentais para garantir a segurança alimentar e impulsionar o crescimento da oferta.

Sobre o quadro de comércio exterior do país e a ascensão impressionante do setor agropecuário brasileiro, o pesquisador do Ipea afirma que “o Brasil é o líder em exportações líquidas de alimentos para o mundo”, ressaltando a posição de destaque que o país ocupa no cenário global. Ele explica que o Brasil figura como o terceiro maior exportador, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e Holanda, enquanto ocupa a 34ª posição em importações.

Uma das principais conquistas evidenciadas por Vieira Filho é o saldo superavitário da balança comercial brasileira, especialmente após 2015, comparado aos competidores latino-americanos. Ele salienta que “o Brasil se descola com um saldo superavitário da balança comercial global”, graças ao desempenho positivo do setor agropecuário. Sem esse saldo, o pesquisador argumenta que o país não seria capaz de contrabalançar os déficits em outras áreas da economia. O setor agropecuário desempenha um papel crucial nessa dinâmica, representando 50% das exportações totais do Brasil. Um estudo do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) citado por José Eustáquio aponta que, até 2027, a maior expansão da oferta produtiva ocorrerá principalmente no Brasil. Os principais destinos dessas exportações incluem a China (31,9%), União Europeia (16,1%) e Estados Unidos (6,6%).

O palestrante também enfatiza a diversificação do mercado brasileiro, apesar da concentração significativa na China. Ele ilustra esse ponto com o exemplo da carne suína, que saltou do 14º lugar, em 1995, para a terceira posição mundial em exportações até 2022. “O market share brasileiro, que era de 1% na década de 90, hoje representa 17% das exportações mundiais”, afirma.

Outro ponto-chave abordado por José Eustáquio é a relação entre a taxa de juros e o mercado internacional. Ele constata que “é errado tentar prever o mercado olhando só a taxa Selic e esquecendo o que acontece com o resto do mundo”, enfatizando a importância de comparar a taxa de juros real com a do mercado americano. Segundo ele, essa comparação é essencial para determinar a necessidade de ajustes na taxa de juros brasileira, visando atrair capital estrangeiro e manter a competitividade econômica.

Sobre a relação entre taxa de câmbio e exportações Vieira denota que “quanto maior as exportações, mais se diminui a taxa de câmbio”, explicando como a abundância de exportações pode influenciar na valorização da moeda nacional. No entanto, ele alerta para os potenciais impactos negativos dessa valorização excessiva sobre os produtores, defendendo a necessidade de estabilidade cambial para garantir previsibilidade aos agentes econômicos.

Brasil

Quanto ao desempenho econômico do Brasil, ele observa que o país vem apresentando sinais de recuperação, com o PIB crescendo após os impactos da crise pandêmica. Ele compartilha dados do último boletim Focus, que indicam um aumento da inflação em 2024, seguido de estabilidade em 2025, bem como um pequeno crescimento do PIB no mesmo período. Além disso, prevê uma taxa de câmbio relativamente estável nos próximos anos, com a taxa de juros em torno de 9%.

O pesquisador fez uma comparação entre a situação econômica do Brasil e da Europa, e aponta as diferenças nas políticas de subsídios e práticas sustentáveis. Enquanto o Brasil é reconhecido como um exemplo de competitividade com práticas sustentáveis, Eustáquio revela que a Europa enfrenta desafios relacionados à redução de subsídios e dependência dessas políticas para a produção agrícola.

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Fonte: O Presente Rural
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