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Cooperativismo impulsiona piscicultura no Paraná e mostra caminhos para superar desafios do setor

Lideranças destacam que cooperativas estruturam a piscicultura, garantem renda, agregam valor e ajudam o setor a enfrentar barreiras externas e ampliar mercados.

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Fotos: IFC Brasil

O painel das cooperativas realizado na manhã do dia 2 de setembro, durante o IFC Brasil 2025, em Foz do Iguaçu (PR), mostrou como o cooperativismo tem se consolidado como pilar estratégico da piscicultura paranaense e brasileira. Reunindo lideranças de importantes cooperativas do estado, a mesa de debates destacou a relevância do modelo associativista para garantir escala, sustentabilidade, geração de renda e sucessão familiar, ao mesmo tempo em que apontou os desafios e as oportunidades do setor em um cenário internacional marcado pelo tarifaço de 50% imposto às exportações de pescado brasileiro para os Estados Unidos, principal mercado do produto.

A sétima edição do IFC Brasil foi realizada nos dias 02, 03 e 04 de setembro de 2025, em Foz do Iguaçu (PR). Reuniu mais de 2.500 participantes, feira de tecnologias e negócios com mais de 100 marcas de empresas, incluindo companhias dos Estados Unidos e da Espanha, 52 conferencistas de 7 países, mais de 30 horas de conteúdo e um congresso com temas de conjuntura, estratégia, organização da cadeia produtiva e mercado.

A mediação foi conduzida por José Roberto Riquem, presidente da Organização das Coopertivas do Estado do Paraná (OCEPAR) que ressaltou o reconhecimento internacional do cooperativismo e sua missão de organizar economicamente os produtores, garantindo autonomia por meio da renda. Ele lembrou o pioneirismo da Copacol, que iniciou sua atuação em piscicultura em 2007, e destacou que hoje a atividade se tornou um dos principais produtos de cooperativas em todo o país.

Na sequência, Alexandre, representante do Sistema Ocepar, apresentou dados que dimensionam a força do setor: o Paraná reúne 227 cooperativas, sendo 62 agropecuárias, com mais de 4 milhões de cooperados, 150 mil empregos diretos e um faturamento superior a R$ 150 bilhões. No campo das proteínas animais, as cooperativas respondem por 45% da produção estadual, e na piscicultura já são responsáveis por 32% da produção paranaense, com cerca de 70 mil toneladas de tilápia. Alexandre reforçou que o tarifaço norte-americano exige reorganização do setor e diversificação dos mercados, além de estimular o consumo interno.

As falas dos presidentes das cooperativas ilustraram como o modelo cooperativo se traduz em resultados concretos. Néstor José Brown, da Copacol, relembrou a entrada da cooperativa na piscicultura em 2007 e destacou que hoje já são 305 cooperados na atividade, com a meta de alcançar R$ 1 bilhão de faturamento em tilápia até 2028. Segundo ele, a diversificação das propriedades garante valor agregado, renda e sucessão familiar.

Anderson Leon Sabadim, da Primato, relatou que a cooperativa entrou recentemente no setor, adquirindo em abril de 2025 um frigorífico que já abate 25 mil tilápias por dia, com previsão de expansão. Ele enfatizou a importância da piscicultura para pequenos produtores de 5 a 10 hectares, que encontram nessa atividade uma oportunidade de fixar os filhos no campo e dar continuidade ao trabalho familiar.

Já Dilvo Grolli, da Copavel, ressaltou que o cooperativismo deixou de ser apenas cerealista e passou a agregar valor, tornando-se protagonista na produção de proteína animal. Ele lembrou que as cooperativas já respondem por mais de 30% da produção de tilápia no estado, fortalecendo a economia e mostrando que o futuro está em estratégias de diversificação, agregação de valor e distribuição de renda.

Também participaram Paulo Poggeri, da Sevali, e Jair Mayer, da Lar Cooperativa, que reforçaram o papel do modelo cooperativo em oferecer escala produtiva, suporte técnico e acesso a mercados, ao mesmo tempo em que garantem sustentabilidade econômica e social aos produtores.

O painel evidenciou que o cooperativismo é hoje a espinha dorsal da piscicultura paranaense, responsável por estruturar a atividade, profissionalizar os produtores e integrar o setor à economia regional e nacional. Mesmo diante do tarifaço norte-americano, as lideranças destacaram que o desafio pode se transformar em oportunidade para ampliar o consumo interno e diversificar mercados externos, garantindo que a piscicultura siga crescendo de forma sustentável e competitiva.

Patrocínios: A 7ª edição do IFC Brasil – Internationa Fish Congress & Fish Expo Brasil é correalizada pela Fundep (Fundação de Apoio ao Ensino, Extensão, Pesquisa e Pós-graduação), Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná), UFPR (Universidade Federal do Paraná) e a sua Fundação, a Funpar. O IFC Brasil 2025 tem o patrocínio do BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul), da Itaipu Binacional, do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), MPA (Ministério da Pesca e Aquicultura) e Governo Federal.

Fonte: Assessoria IFC Brasil

Peixes

Portos do Paraná firma parceria para fortalecer pesca artesanal no litoral

Projeto “Olha o Peixe” vai apoiar comunidades pesqueiras na venda direta do pescado, com capacitação e melhorias na cadeia produtiva.

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Fotos: Claudio Neves/Portos do Paraná

Para fortalecer a pesca artesanal no litoral paranaense e incentivar o consumo consciente do pescado, a Portos do Paraná iniciou uma parceria com o projeto “Olha o Peixe”. O novo programa vai auxiliar comunidades na comercialização de pescados sem a necessidade de intermediários. A proposta também inclui a capacitação e o apoio técnico aos pescadores, com o propósito de melhorar a cadeia produtiva das comunidades. O contrato, firmado em fevereiro, terá duração de dois anos. “Os pescadores artesanais são o principal público-alvo das ações da Portos do Paraná e do Olha o Peixe, que hoje é uma referência nacional na comercialização e valorização do pescado artesanal”, disse o coordenador de Comunicação, Educação e Sustentabilidade da Portos do Paraná, Pedro Pisacco Cordeiro.

Os primeiros seis meses serão de imersão em 14 comunidades do Litoral para conhecer a realidade dos pescadores e entender as dificuldades, as expectativas, as necessidades e os interesses de cada grupo.

Foto: Divulgação

A partir disso, serão elaboradas e aplicadas capacitações e orientações técnicas. Após os estudos, o projeto será implantado em três comunidades. O objetivo é proporcionar a regularização dos produtos, utilizando boas práticas e manejo sanitário para a comercialização dos pescados, por meio de estratégias de vendas que serão repassadas nos treinamentos, em três comunidades previamente selecionadas. A última etapa será o acompanhamento dos resultados.

“A gente sempre brinca que no Paraná é mais fácil termos acesso a um salmão, que vem de outro país, do que ao peixe daqui do nosso litoral. Temos pescadinha, bagre, tainha, linguado, robalo, camarões, ostra e siri. São muitas espécies”, afirmou o diretor-executivo e idealizador do Olha o Peixe, Bryan Renan Müller.

A lógica do projeto é pescar melhor, vendendo a um preço justo, e não pescar em grande quantidade por um valor extremamente baixo. “O objetivo é valorizar a produção local sem aquela relação de exploração, na qual o pescador entrega o peixe ao atravessador por um preço muito menor do que o oferecido no mercado”, declarou Pisacco. “Se valorizamos a cultura tradicional aumentando a remuneração do pescador, incentivamos as futuras gerações a continuarem na pesca artesanal, mantendo essa cultura viva”.

Como funciona

Cada peixe entregue ao mercado por meio do projeto traz um rótulo de identificação informando o local de origem, a identificação do pescador e a embarcação utilizada durante a captura. Também são informadas as características da carne, como sabor (suave ou intenso) e a possibilidade de haver espinhas, por exemplo. “A gente trabalha com mais de 30 espécies do litoral do Paraná, muitas delas pouco conhecidas aqui. Buscamos a popularização desse leque de sabores oferecendo muita qualidade”, explicou Müller.

O projeto possui o selo de autorização sanitária estadual, o Susaf (Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial Familiar, Artesanal e de Pequeno Porte), e o selo de inspeção municipal, o SIM (Serviço de Inspeção Municipal).

Uma das grandes vantagens de se consumir o pescado artesanal é o frescor do produto. “É um peixe que chega com gostinho de mar, vindo direto da canoa do pescador. É diferente de um produto que está congelado e que não tem a mesma qualidade”, disse Müller.

Áreas de atuação

As atividades iniciais de análise serão feitas em Antonina, nas comunidades pesqueiras de Ponta da Pita, Praia dos Polacos e Portinho. Em Paranaguá, o projeto vai focar nas ilhas do Teixeira, Piaçaguera, Amparo, Eufrasina, Europinha, São Miguel, Ponta do Ubá, Vila Guarani, Valadares e Ilha do Mel (nas comunidades de Ponta Oeste, Encantadas e Brasília). Em Pontal do Paraná, as ações serão na Vila Maciel.

O programa segue cinco Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU):

02 – Fome zero e agricultura sustentável

10 – Redução das desigualdades

11 – Cidades e comunidades sustentáveis

12 – Consumo e produção responsáveis

14 – Vida na água

As imersões nas comunidades estão previstas para começar em abril de 2026.

Oficinas de pesca

Outro projeto desenvolvido pela Portos do Paraná com as comunidades pesqueiras é o Curso de Turismo de Pesca, que chegou à terceira edição no ano passado. A capacitação gratuita integra o Programa de Educação Ambiental da Portos do Paraná e atende ao licenciamento do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). O conteúdo orienta os participantes sobre como receber turistas, preparar embarcações, garantir a segurança no transporte e prestar atendimento de qualidade ao público em geral.

Fonte: AEN-PR
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Peixes

Santa Catarina produz 63,4 mil toneladas de peixes em 2025

Estado mantém a 4ª posição entre os maiores produtores de peixe de cultivo do Brasil, com crescimento de 7,28% impulsionado principalmente pela tilápia.

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Foto: Pixabay

Santa Catarina tem apenas a 20ª maior extensão territorial do Brasil, mas se destaca quando o assunto é piscicultura. O estado encerrou 2025 como o quarto maior produtor de peixe de cultivo do país, com 63.400 toneladas, volume 7,28% superior ao registrado no ano anterior. As informações são do Anuário Brasileiro de Piscicultura PeixeBR 2026.

Foto: Shutterstock

A tilápia, principal espécie cultivada em território catarinense, lidera a produção. Em 2025, foram 52.700 toneladas, resultado que representa crescimento de 10,94% em relação ao ano anterior.

O desempenho da piscicultura no estado está associado ao avanço das boas práticas de manejo, além de investimentos em genética e nutrição, fatores que contribuem para aumentar a produtividade nas propriedades.

Outro ponto importante é a organização da cadeia produtiva, especialmente com o fortalecimento da indústria de processamento, que amplia a oferta de produtos com maior valor agregado. Essa estrutura tem ajudado a consolidar a piscicultura catarinense e a preparar o setor para enfrentar desafios de mercado e de produção.

Fonte: O Presente Rural com informações Anuário Brasileiro da Piscicultura Peixe BR 2026
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Peixes

Tilápia domina a produção de peixes em São Paulo

Municípios do leste paulista concentram os maiores viveiros, enquanto a combinação de gestão e recursos garante estabilidade ao setor.

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Foto: Shutterstock

O estado de São Paulo mantém-se como um dos principais polos da piscicultura no Brasil, com destaque para a produção de tilápia. A força do setor está ligada à estrutura do agronegócio paulista, que combina tecnologia, investimento e ampla oferta de insumos e mercados. De acordo com dados do Anuário Brasileiro de Piscicultura PeixeBR 2026, o estado se beneficia de um sistema de integração que conecta produtores, fornecedores e indústrias, garantindo eficiência e competitividade.

O mapa de produção mostra que os municípios com maior área de viveiros de criação de peixes estão concentrados principalmente na região leste do estado, com Campinas, Amparo e São João da Boa Vista liderando o ranking, com 363 ha, 288 ha e 263 ha, respectivamente. Em termos de quantidade de tanques, municípios como Paraibuna e Santa Clara d’Oeste se destacam, com 1.420 e 1.153 unidades.

A tilápia representa a maior parte da produção estadual, com aproximadamente 88.500 toneladas cultivadas, enquanto espécies nativas somam cerca de 3.500 toneladas e outras espécies totalizam 1.700 toneladas. A combinação de infraestrutura, gestão e disponibilidade de recursos faz com que a piscicultura paulista seja reconhecida pela estabilidade e pelo potencial de crescimento, reforçando seu papel estratégico no agronegócio brasileiro.

Fonte: O Presente Rural com informações Anuário Brasileiro da Piscicultura Peixe BR 2026
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