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Cooperativismo e ODS: como as cooperativas brasileiras ajudam a cumprir a Agenda 2030
Com atuação estratégica no Paraná e em Santa Catarina, cooperativas avançam em sustentabilidade, educação e governança, consolidando-se como protagonistas da Agenda 2030 no Brasil.

A adesão do Brasil à Agenda 2030 das Nações Unidas estabeleceu um conjunto de compromissos que ultrapassam os governos e exigem o engajamento ativo do setor privado e da sociedade civil. Entre os agentes mais alinhados a essa visão estão as cooperativas, especialmente no agro, onde as ações de produção, educação, sustentabilidade ambiental e distribuição de renda fazem parte da prática cotidiana e não de uma política eventual.
No caso do cooperativismo brasileiro, o vínculo com os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) é estrutural. A lógica de funcionamento de uma cooperativa já pressupõe princípios como participação democrática, justiça social, desenvolvimento local, gestão compartilhada e uso responsável de recursos naturais. Essa convergência de valores é uma vantagem comparativa real para o setor.
No Paraná, o sistema cooperativista formalizou essa adesão de forma estratégica. Desde 2018, a Ocepar (Sindicato e Organizações das Cooperativas do Estado do Paraná) mantém o Programa de Acompanhamento dos ODS. Na prática, os dados mostram que ações cooperativas impactam diretamente ao menos 13 dos 17 ODS. Entre elas, programas de capacitação rural, projetos de geração de energia a partir de resíduos, investimento em educação técnica, apoio à agricultura familiar, controle de emissões, assistência a comunidades vulneráveis e políticas internas voltadas à equidade de gênero e valorização da diversidade.

O sistema cooperativista paranaense tem demonstrado um forte compromisso com a Agenda 2030, buscando alinhar seu planejamento estratégico com os ODS estabelecidos pela ONU. “O setor realiza e promove junto ao seu público práticas sustentáveis, como a adoção de tecnologias mais eficientes, o incentivo à responsabilidade social e ambiental, além de fortalecerem a inclusão social e o desenvolvimento econômico local”, declara o presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken, com exclusividade ao Jornal O Presente Rural.
Além do compromisso com os ODS, o cooperativismo paranaense vem trilhando um caminho ambicioso em termos de crescimento econômico. Por meio do Plano Paraná Cooperativo 2030 (PRC 200), liderado pela Ocepar desde 2015, o setor projeta multiplicar por 10 sua renda anual em 15 anos, passando de R$ 50 bilhões para R$ 500 bilhões. Em 2024, com R$ 205,6 bilhões faturados, o sistema já superou a marca da metade do caminho. Para alcançar esse objetivo, mais de 30 projetos são executados de forma simultânea, abrangendo desde estratégias de comunicação até melhorias em conectividade e infraestrutura.
Esse crescimento está ancorado na força das 227 cooperativas ativas no estado, que atuam em sete áreas e reúnem quatro milhões de cooperados e 146 mil funcionários. Só em 2024, o setor alcançou um resultado líquido de R$ 10,8 bilhões e investiu R$ 6,8 bilhões. O ramo agropecuário, com 62 cooperativas, concentra R$ 154,3 bilhões em faturamento, emprega 113,9 mil colaboradores e reúne 231,5 mil cooperados, operando 128 agroindústrias espalhadas pelas regiões paranaenses.
Por outro lado, o Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (Ocesc/Sescoop) também tem reforçado sua atuação dentro dessa agenda, assumindo um papel estratégico na formação de lideranças e cooperados e na consolidação de uma cultura cooperativista cada vez mais comprometida com as agendas globais de sustentabilidade e responsabilidade social.

Presidente do Sistema Ocesc/Sescoop, Vanir Zanatta: “Acreditamos que o conhecimento é o primeiro passo para a transformação e, por isso, investimos fortemente em educação cooperativista com viés socioambiental” – Foto: Divulgação/Sistema Ocesc
Outra frente importante é o estímulo à educação cooperativista com viés ambiental e social, principalmente junto a jovens, sucessores e comunidades do entorno das cooperativas. As ações incluem desde iniciativas de preservação de nascentes e reflorestamento até campanhas contra o desperdício de alimentos. “Acreditamos que o conhecimento é o primeiro passo para a transformação e, por isso, investimos fortemente em educação cooperativista com viés socioambiental”, ressalta o presidente da Ocesc/Sescoop, Vanir Zanatta, em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural.
Por meio do Sescoop/SC, o Sistema estruturou programas contínuos de capacitação que integram os princípios cooperativistas aos ODS, abordando temas como governança, uso responsável dos recursos naturais e inovação sustentável. As formações são direcionadas tanto a dirigentes, que definem estratégias, quanto a cooperados, que executam as ações no cotidiano das cooperativas.
Além das ações voltadas à formação técnica e estratégica, a Ocesc também promove oficinas e formações específicas sobre os ODS para dirigentes, conselheiros e associados das cooperativas. A entidade incentiva ainda a elaboração de relatórios anuais de sustentabilidade, com base nos indicadores da ONU, estabelecendo padrões de acompanhamento e transparência para o setor. “A formação engloba teoria e prática das lideranças às bases cooperativistas. Tudo isso é incorporado nas rotinas das cooperativas e dos cooperados, trazendo resultados concretos e fortalecendo o protagonismo das cooperativas como agentes de desenvolvimento sustentável”, reforça Zanatta
Governança sustentável
Há também uma mobilização crescente das cooperativas para integrar os ODS à governança institucional, deixando de tratá-los como uma agenda externa ou acessória. Iniciativas de bioenergia, automação sustentável, destinação correta de resíduos e responsabilidade social deixaram de ser projetos e passaram a integrar o modelo de negócio de forma permanente. “É importante que os impactos ambientais sejam reduzidos para manutenção das atividades, especialmente aquelas que são ligadas ao agronegócio. Além disso, o mercado exige boas práticas ambientais, e cada vez mais essa demanda é necessária e pertinente”, salienta Ricken.

Presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken: “O sistema cooperativista tem buscado integrar suas ações às políticas públicas e às metas globais, promovendo uma cultura de sustentabilidade e responsabilidade social que permeia toda a sua cadeia de valor” – Foto: Samuel Milléo Filho/Sistema Ocepar
Pensando nisso, algumas iniciativas já estão em prática. O Projeto ESG+Coop integra o Plano Paraná Cooperativo, que é o planejamento estratégico de desenvolvimento do cooperativismo paranaense, o PRC 300. O objetivo é ter um programa de monitoramento, avaliação e certificação das cooperativas paranaenses, com o foco no atendimento a requisitos ambientais, sociais e de governança e desempenho. “O projeto ESG+Coop tem como resultados esperados o fortalecimento da imagem das cooperativas, com a sistematização e divulgação do que o setor faz para a melhoria das questões ambientais e os impactos sociais positivos da cadeia produtiva do cooperativismo”, explica Ricken.
Diante de um cenário de maior exigência do mercado, um relatório de atividades consistente, que demonstre as ações concretas de ESG, abre oportunidades de negócios e melhora o acesso a crédito aos empreendimentos cooperativistas. O projeto, lançado em outubro de 2022, já conta com mais de 56 cooperativas paranaenses aderentes ao programa. Destas, 30 já finalizaram a etapa de formação.
Em Santa Catarina, Zanatta menciona a ferramenta desenvolvida pelo Sescoop/SC conhecida como Diagnóstico ESGCoop, que permite mapear e avaliar o nível de implementação das práticas ambientais, sociais e de governança (ESG) nas cooperativas. “O diagnóstico oferece uma visão detalhada sobre como essas práticas estão incorporadas nas operações e estratégias das cooperativas, permitindo identificar boas práticas e pontos de melhoria”, destaca Zanatta.
A partir desse mapeamento, as cooperativas catarinenses são conectadas a outras soluções, como o programa Neutralidade de Carbono, promovido pelo Sistema OCB. A iniciativa abrange formação técnica, elaboração de inventário de emissões com base no Programa Brasileiro GHG Protocol, registro público e desenvolvimento de projetos voltados à descarbonização das atividades. Em Santa Catarina, três cooperativas participaram do piloto da solução: Cooper A1, Central Ailos e Unicred União.
Além disso, Ricken ressalta que o sistema cooperativista tem buscado integrar suas ações às políticas públicas e às metas globais, promovendo uma cultura de sustentabilidade e responsabilidade social que permeia toda a sua cadeia de valor. “Essa postura demonstra o compromisso do setor com um desenvolvimento mais justo, sustentável e alinhado às metas globais de longo prazo”, sustenta o presidente do Sistema Ocepar.
Modelo de negócio
O modelo de negócio cooperativista é destaque pela sua atuação sustentável, já que busca minimizar impactos ambientais da atividade produtiva, bem como recuperar áreas degradadas e contribuir para transição energética. Ricken salienta que as cooperativas são empreendimentos criados por pessoas e para pessoas, o que reforça o compromisso em proteger, desenvolver e cuidar das comunidades. “Por meio da gestão democrática, as cooperativas não apenas geram inclusão social e econômica, mas também fortalecem comunidades locais na adaptação e mitigação dos impactos climáticos. Seus resultados são distribuídos de forma justa entre os membros, promovendo geração de renda e resiliência comunitária”, afirma o executivo.
Durante a realização da COP30, em novembro, no Brasil, o sistema cooperativista paranaense e brasileiro estará presente em Belém, no Pará, demonstrando para o mundo aquilo que já é feito no País em prol de um desenvolvimento sustentável e voltado para as pessoas e o planeta.
Atuação cooperativista

Em recente estudo realizado pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), no Paraná, municípios que têm cooperativas contam com o Índice de Desenvolvimento Humano mais alto. Em muitos municípios do Paraná, as cooperativas são as mais importantes empresas, maiores empregadoras e geradoras de receitas. “Cerca de um terço dos produtores rurais do Paraná são cooperados. A expressiva participação dos pequenos e médios produtores, com área de até 50 hectares, nas cooperativas agropecuárias, representando 77% do total de cooperados, o que evidencia a importância das cooperativas para essa faixa de produtores”, ressalta Ricken.
Sem falar na distribuição dos resultados (sobras), que em 2024 atingiu a marca de R$ 10,8 bilhões, recursos esses que ficam na própria região e são investidos nas próprias atividades dos cooperados ou em bens de consumo, o que ajuda a girar a roda da economia local.
Alinhamento estratégico com os objetivos da ONU
Para ampliar o alinhamento estratégico das cooperativas paranaenses com os objetivos da ONU, Ricken afirma que a prioridade é, por meio do PRC 300, fortalecendo a disseminação de boas práticas sustentáveis e promovendo uma maior integração das ações cooperativistas aos ODS. “Isso inclui oferecer capacitações e treinamentos específicos para que as cooperativas possam incorporar de forma mais efetiva as metas da Agenda 2030 em suas operações, além de incentivar a troca de experiências e a cooperação entre elas”, pontua.

Segundo o dirigente, também está nos planos ampliar parcerias com entidades públicas e privadas, promovendo projetos com impacto social, ambiental e econômico alinhado aos ODS. “Por exemplo, o Projeto 04, Certificação de Cooperativas, Programa Paraná Cooperativo, que tem como primeiro passo solucionar as homologações do Cadastro Ambiental Rural (CAR), onde atualmente existem 530 mil propriedades rurais já cadastradas, junto a outras 29 iniciativas, pretendemos criar uma cultura de sustentabilidade mais robusta dentro do sistema cooperativista paranaense, garantindo que as cooperativas não apenas adotem práticas sustentáveis, mas também se tornem agentes de transformação social e ambiental, contribuindo de forma mais significativa para o desenvolvimento do estado e do país”, salienta.
O executivo ainda destaca que a declaração da ONU instituindo 2025 como o Ano Internacional das Cooperativas é uma oportunidade valiosa para fortalecer o cooperativismo no Brasil e no mundo. “Em 2025 vamos ter uma grande oportunidade para aumentar a visibilidade das cooperativas, permitindo que elas compartilhem suas histórias de sucesso e os benefícios que oferecem às comunidades, como a geração de empregos, a inclusão social e o desenvolvimento sustentável”, enfatiza, salientando que a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e as organizações estaduais estão promovendo iniciativas de comunicação, educação e capacitação sobre o cooperativismo, ajudando a formar novos líderes e a fortalecer as habilidades dos membros existentes, o que é fundamental para o crescimento e a sustentabilidade das cooperativas.
Sustentabilidade ganha papel estratégico no cooperativismo catarinense

As cooperativas de Santa Catarina têm transformado os relatórios de sustentabilidade inspirados nos ODS em verdadeiras ferramentas de gestão estratégica, inovação e tomada de decisão. A avaliação é do presidente da Ocesc, que destaca a evolução do uso desses instrumentos no dia a dia do setor. “Esses relatórios deixaram de ser apenas instrumentos de prestação de contas. Hoje, orientam políticas internas, projetos ambientais e sociais e sustentam indicadores robustos de desempenho sustentável”, afirma Zanatta.
Segundo ele, essa prática tem aproximado ainda mais o cooperativismo catarinense da Agenda 2030 da ONU, promovendo ações estruturadas e mensuráveis com foco em impacto positivo. Como exemplo desse uso estratégico, o executivo cita a Aurora Coop, a qual criou o Programa de Certificação Propriedade Rural Sustentável Aurora (PRSA), que já auditou mais de 2,1 mil propriedades rurais. “O programa nasceu para garantir que os conhecimentos adquiridos em capacitações fossem efetivamente aplicados no campo. Os critérios ambientais, sociais, produtivos e financeiros são padronizados e monitorados, gerando relatórios que acompanham a evolução dos indicadores e orientam decisões com mais eficiência e transparência”, ressalta.
Outro case é da Copercampos, que alia os relatórios aos ODS com ações práticas, como o mapeamento da pegada de carbono em propriedades e eventos, além da produção de combustíveis sustentáveis. “A emissão de créditos de descarbonização (CBios) reforça o compromisso com a redução de gases de efeito estufa, documentada em seus balanços de carbono e compartilhada com a sociedade e órgãos reguladores”, exalta.

Outra iniciativa de destaque é da Cooperalfa, que se sobressai com seu programa de gestão de pneus, voltado à redução de desperdícios e à destinação ambientalmente correta dos resíduos. O processo é monitorado por indicadores ambientais precisos, que evidenciam os resultados da logística reversa e reforçam a responsabilidade compartilhada ao longo da cadeia produtiva.
Na avaliação de Zanatta, os relatórios de sustentabilidade deixaram de ser peças formais e se consolidaram como parte ativa da estratégia operacional e institucional das cooperativas. “Eles reforçam a transparência, a governança e a consolidação de práticas sustentáveis, mostrando que o cooperativismo é protagonista na construção de um futuro mais equilibrado”, salienta.
17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU
1. Erradicação da pobreza
Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares.
2. Fome zero e agricultura sustentável
Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável.
3. Saúde e bem-estar
Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades.
4. Educação de qualidade
Assegurar a educação inclusiva, equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos.
5. Igualdade de gênero
Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas.
6. Água potável e saneamento
Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos.
7. Energia limpa e acessível
Assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia para todos.
8. Trabalho decente e crescimento econômico
Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos.
9. Indústria, inovação e infraestrutura
Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação.
10. Redução das desigualdades
Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles.
11. Cidades e comunidades sustentáveis
Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis.
12. Consumo e produção responsáveis
Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis.
13. Ação contra a mudança global do clima
Tomar medidas urgentes para combater a mudança do clima e seus impactos.
14. Vida na água
Conservar e usar sustentavelmente os oceanos, os mares e os recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável.
15. Vida terrestre
Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade.
16. Paz, justiça e instituições eficazes
Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis.
17. Parcerias e meios de implementação
Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável.
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Notícias
Produtores do Paraná poderão ampliar subvenção ao seguro rural com boas práticas de manejo do solo
Projeto-piloto do governo federal oferece descontos maiores no prêmio do seguro para áreas enquadradas em níveis superiores de manejo agrícola.

Os produtores rurais paranaenses podem obter subvenção federal maior, com base em critérios de manejo e conservação do solo nas culturas da soja e milho safrinha. Para isso, as áreas agrícolas a serem seguradas devem ser enquadradas em Níveis de Manejo (NM) estipulados pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático Níveis de Manejo (ZarcNM). O projeto-piloto conta com recursos específicos para execução (R$ 1 milhão para cada cultura) e beneficia produtores rurais com percentual maior de desconto nos valores do seguro pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

Foto: Divulgação
A ferramenta considera critérios de qualidade do manejo de solo como redutor do risco climático de áreas agrícolas com maior capacidade de infiltração e retenção de água. O NM1 é a condição de risco base e o NM4, a melhor condição de cultivo que garante benefício maior.
“Em tempos de queda nas contratações de seguro rural, toda proposta que venha melhorar a subvenção ao prêmio é bem-vinda”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Nossos técnicos estão à disposição para auxiliar os produtores rurais neste processo”, complementa.
Lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com metodologia da Embrapa, o ZarcNM teve o projeto-piloto iniciado na safra 2025/26, somente no Paraná, quando 28 áreas de produção foram classificadas em níveis de subvenção diferenciada. Na temporada 2026/27, o projeto iniciará a fase II, com possibilidade de participação dos produtores de soja do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, e milho safrinha no Paraná e Mato Grosso do Sul.
Como acessar
O primeiro passo para ter acesso à subvenção diferenciada é buscar a análise de solo em um laboratório credenciado no Estado. A metodologia das análises não difere das normalmente utilizadas, mas os laboratórios participantes conseguem registrar os dados da área diretamente no sistema (SiNM) da Embrapa.
“Antes mesmo de contratar o seguro, o produtor deve realizar a coleta da amostra de solo, seguindo as orientações do item 7, da Instrução Normativa 2/2025, do Mapa, e encaminhá-la a um laboratório credenciado, solicitando a análise Níveis de Manejo”, orienta Ana Paula Kowalski, coordenadora do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep.
Na sequência, o produtor deve procurar um operador de contrato para providenciar a análise de sensoriamento remoto e incluir as informações no sistema da Embrapa. Então, a plataforma calcula o nível de manejo do talhão e as informações são repassadas pelo operador ao governo federal para que seja definida a subvenção conforme os seis indicadores avaliados para a definição do nível de manejo: tempo sem revolvimento do solo; cobertura do solo com palhada; saturação por bases (V%); teor de cálcio; saturação por alumínio; e histórico de diversidade de cultivos. Três são verificados pela análise de solo e os demais por ferramentas de sensoriamento remoto utilizadas pelos operadores especializados. Para os níveis 2, 3 ou 4, segundo a Embrapa, “áreas com declividade superior a 3% devem, obrigatoriamente, adotar semeadura em nível ou contorno em pelo menos 75% da gleba”.
“Para subvenção maior, ou seja, além do padrão definido pelo PSR, os níveis devem ser de 2 em diante”, comenta Ana Paula. Na cultura de milho segunda safra, para Nível de Manejo (NM) 1, a subvenção será de 40%; NM2, 45%; e para NMs 3 e 4, 50%. Já para a cultura de soja, os cálculos são 20% para NM1; 30%, NM2; 35%, NM3; e 40%, NM4.
A lista de operadores credenciados está disponível no site embrapa.br/rede-zarc-embrapa/niveis-de-manejo
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Tarifas dos EUA deve impactar 21% das exportações brasileiras
Governo avalia ampliar parcerias comerciais enquanto negocia para evitar a aplicação das tarifas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (3), que o Brasil vai continuar buscando outros parceiros de negócios para minimizar os impactos da política comercial adotada pelos Estados Unidos. Lula coordenou reunião ministerial, no Palácio do Planalto, que ocorre em meio ao anúncio de novas taxações estadunidenses a produtos brasileiros.
“Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, disse o presidente aos ministros de Estado.
“Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”, acrescentou.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Na segunda-feira (1º), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu, entre outras ações, a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras ao país. O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano no governo de Donald Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA.
Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o Whatsapp Pay.
Lula afirmou que, agora, vai participar da reunião do G7 em junho na França, o que não estava nos planos. O evento reúne os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. O Brasil vai como convidado do anfitrião, o presidente francês, Emmanuel Macron.
“Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”, disse Lula, reafirmando sua defesa de fortalecimento das Nações Unidas e da reforma do seu Conselho de Segurança.
Negociação

Foto: Divulgação/Porto de Santos
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) a decisão tarifária dos Estados Unidos ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras rumo ao mercado norte-americano.
O governo brasileiro e empresas prejudicadas poderão se manifestar sobre o relatório final da USTR até o dia 15 de julho, quando os EUA poderão passar a adotar “medidas corretivas” contra o Brasil.

Para Lula, a atitude dos estadunidenses é insensata já que havia uma negociação em curso entre os dois países. Ele lembrou que, em maio, acordou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prazo de 30 dias para que se chegasse a um acordo sobre a questão comercial.
Os dois se reuniram na Casa Branca e, na ocasião, o presidente brasileiro entregou documentos que comprovavam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil. Segundo ele, nos últimos 15 anos, o superávit comercial dos Estados Unidos foi US$ 415 bilhões.“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles”, disse Lula hoje.
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EUA propõem tarifas a 60 países, incluindo o Brasil
Escritório de Comércio norte-americano sugere sobretaxas de até 12,5% sobre importações e abre consulta pública antes da decisão final.

O governo dos Estados Unidos deu mais um passo na ampliação de sua política comercial protecionista ao propor novas tarifas sobre produtos importados de 60 países, entre eles o Brasil. A iniciativa foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e prevê uma sobretaxa de até 12,5% para produtos brasileiros que entram no mercado norte-americano.

Foto: Divulgação
A proposta está vinculada a investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, instrumento legal que permite ao governo norte-americano apurar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais do país e, eventualmente, adotar medidas de retaliação.
Segundo o USTR, a nova rodada de tarifas está relacionada à avaliação das políticas adotadas pelos países investigados para prevenir e combater o comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Na avaliação do órgão, falhas nesses mecanismos podem criar distorções competitivas e restringir o comércio norte-americano.
Brasil entre os países com maior alíquota proposta
Enquanto parte dos países investigados foi enquadrada em uma alíquota adicional de 10%, o Brasil aparece no grupo sujeito à tarifa de 12,5%.
A proposta brasileira está inserida em um conjunto de medidas que alcança outros 44 países analisados pelo governo

Foto: Divulgação
dos Estados Unidos. Já Canadá, União Europeia, México, Indonésia, Paquistão, Argentina, Bangladesh, Camboja, Guatemala, Malásia, Taiwan, Equador e El Salvador integram o grupo que poderá ser submetido à tarifa adicional de 10%.
Caso seja implementada, a medida poderá aumentar os custos de acesso ao mercado norte-americano para diversos produtos exportados pelo Brasil, reduzindo a competitividade frente a concorrentes internacionais.
Instrumento de pressão comercial
A Seção 301 é considerada uma das principais ferramentas de política comercial dos Estados Unidos. O mecanismo ganhou destaque nos últimos anos durante disputas comerciais com diferentes parceiros internacionais e permite ao governo norte-americano impor restrições tarifárias mesmo sem a intermediação de organismos multilaterais.
A atual iniciativa também ocorre em um contexto de retomada de medidas emergenciais defendidas pelo governo Donald Trump. Parte dessas tarifas havia sido anulada anteriormente por decisão da Suprema Corte norte-americana, levando a administração federal a buscar novos caminhos regulatórios para restabelecê-las.
Consulta pública antes da decisão final
As tarifas ainda não estão em vigor. O USTR abriu período de consulta pública para receber contribuições de empresas, entidades e governos potencialmente afetados pelas medidas.
As manifestações poderão ser apresentadas até 06 de julho. No dia seguinte, 07 de julho, está prevista uma audiência pública para discussão das propostas.
Somente após a análise das contribuições o governo norte-americano decidirá se as tarifas serão implementadas e em quais condições, etapa que será acompanhada com atenção por exportadores e setores produtivos dos países envolvidos.



