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Cooperativismo e ODS: como as cooperativas brasileiras ajudam a cumprir a Agenda 2030
Com atuação estratégica no Paraná e em Santa Catarina, cooperativas avançam em sustentabilidade, educação e governança, consolidando-se como protagonistas da Agenda 2030 no Brasil.

A adesão do Brasil à Agenda 2030 das Nações Unidas estabeleceu um conjunto de compromissos que ultrapassam os governos e exigem o engajamento ativo do setor privado e da sociedade civil. Entre os agentes mais alinhados a essa visão estão as cooperativas, especialmente no agro, onde as ações de produção, educação, sustentabilidade ambiental e distribuição de renda fazem parte da prática cotidiana e não de uma política eventual.
No caso do cooperativismo brasileiro, o vínculo com os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) é estrutural. A lógica de funcionamento de uma cooperativa já pressupõe princípios como participação democrática, justiça social, desenvolvimento local, gestão compartilhada e uso responsável de recursos naturais. Essa convergência de valores é uma vantagem comparativa real para o setor.
No Paraná, o sistema cooperativista formalizou essa adesão de forma estratégica. Desde 2018, a Ocepar (Sindicato e Organizações das Cooperativas do Estado do Paraná) mantém o Programa de Acompanhamento dos ODS. Na prática, os dados mostram que ações cooperativas impactam diretamente ao menos 13 dos 17 ODS. Entre elas, programas de capacitação rural, projetos de geração de energia a partir de resíduos, investimento em educação técnica, apoio à agricultura familiar, controle de emissões, assistência a comunidades vulneráveis e políticas internas voltadas à equidade de gênero e valorização da diversidade.

O sistema cooperativista paranaense tem demonstrado um forte compromisso com a Agenda 2030, buscando alinhar seu planejamento estratégico com os ODS estabelecidos pela ONU. “O setor realiza e promove junto ao seu público práticas sustentáveis, como a adoção de tecnologias mais eficientes, o incentivo à responsabilidade social e ambiental, além de fortalecerem a inclusão social e o desenvolvimento econômico local”, declara o presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken, com exclusividade ao Jornal O Presente Rural.
Além do compromisso com os ODS, o cooperativismo paranaense vem trilhando um caminho ambicioso em termos de crescimento econômico. Por meio do Plano Paraná Cooperativo 2030 (PRC 200), liderado pela Ocepar desde 2015, o setor projeta multiplicar por 10 sua renda anual em 15 anos, passando de R$ 50 bilhões para R$ 500 bilhões. Em 2024, com R$ 205,6 bilhões faturados, o sistema já superou a marca da metade do caminho. Para alcançar esse objetivo, mais de 30 projetos são executados de forma simultânea, abrangendo desde estratégias de comunicação até melhorias em conectividade e infraestrutura.
Esse crescimento está ancorado na força das 227 cooperativas ativas no estado, que atuam em sete áreas e reúnem quatro milhões de cooperados e 146 mil funcionários. Só em 2024, o setor alcançou um resultado líquido de R$ 10,8 bilhões e investiu R$ 6,8 bilhões. O ramo agropecuário, com 62 cooperativas, concentra R$ 154,3 bilhões em faturamento, emprega 113,9 mil colaboradores e reúne 231,5 mil cooperados, operando 128 agroindústrias espalhadas pelas regiões paranaenses.
Por outro lado, o Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (Ocesc/Sescoop) também tem reforçado sua atuação dentro dessa agenda, assumindo um papel estratégico na formação de lideranças e cooperados e na consolidação de uma cultura cooperativista cada vez mais comprometida com as agendas globais de sustentabilidade e responsabilidade social.

Presidente do Sistema Ocesc/Sescoop, Vanir Zanatta: “Acreditamos que o conhecimento é o primeiro passo para a transformação e, por isso, investimos fortemente em educação cooperativista com viés socioambiental” – Foto: Divulgação/Sistema Ocesc
Outra frente importante é o estímulo à educação cooperativista com viés ambiental e social, principalmente junto a jovens, sucessores e comunidades do entorno das cooperativas. As ações incluem desde iniciativas de preservação de nascentes e reflorestamento até campanhas contra o desperdício de alimentos. “Acreditamos que o conhecimento é o primeiro passo para a transformação e, por isso, investimos fortemente em educação cooperativista com viés socioambiental”, ressalta o presidente da Ocesc/Sescoop, Vanir Zanatta, em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural.
Por meio do Sescoop/SC, o Sistema estruturou programas contínuos de capacitação que integram os princípios cooperativistas aos ODS, abordando temas como governança, uso responsável dos recursos naturais e inovação sustentável. As formações são direcionadas tanto a dirigentes, que definem estratégias, quanto a cooperados, que executam as ações no cotidiano das cooperativas.
Além das ações voltadas à formação técnica e estratégica, a Ocesc também promove oficinas e formações específicas sobre os ODS para dirigentes, conselheiros e associados das cooperativas. A entidade incentiva ainda a elaboração de relatórios anuais de sustentabilidade, com base nos indicadores da ONU, estabelecendo padrões de acompanhamento e transparência para o setor. “A formação engloba teoria e prática das lideranças às bases cooperativistas. Tudo isso é incorporado nas rotinas das cooperativas e dos cooperados, trazendo resultados concretos e fortalecendo o protagonismo das cooperativas como agentes de desenvolvimento sustentável”, reforça Zanatta
Governança sustentável
Há também uma mobilização crescente das cooperativas para integrar os ODS à governança institucional, deixando de tratá-los como uma agenda externa ou acessória. Iniciativas de bioenergia, automação sustentável, destinação correta de resíduos e responsabilidade social deixaram de ser projetos e passaram a integrar o modelo de negócio de forma permanente. “É importante que os impactos ambientais sejam reduzidos para manutenção das atividades, especialmente aquelas que são ligadas ao agronegócio. Além disso, o mercado exige boas práticas ambientais, e cada vez mais essa demanda é necessária e pertinente”, salienta Ricken.

Presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken: “O sistema cooperativista tem buscado integrar suas ações às políticas públicas e às metas globais, promovendo uma cultura de sustentabilidade e responsabilidade social que permeia toda a sua cadeia de valor” – Foto: Samuel Milléo Filho/Sistema Ocepar
Pensando nisso, algumas iniciativas já estão em prática. O Projeto ESG+Coop integra o Plano Paraná Cooperativo, que é o planejamento estratégico de desenvolvimento do cooperativismo paranaense, o PRC 300. O objetivo é ter um programa de monitoramento, avaliação e certificação das cooperativas paranaenses, com o foco no atendimento a requisitos ambientais, sociais e de governança e desempenho. “O projeto ESG+Coop tem como resultados esperados o fortalecimento da imagem das cooperativas, com a sistematização e divulgação do que o setor faz para a melhoria das questões ambientais e os impactos sociais positivos da cadeia produtiva do cooperativismo”, explica Ricken.
Diante de um cenário de maior exigência do mercado, um relatório de atividades consistente, que demonstre as ações concretas de ESG, abre oportunidades de negócios e melhora o acesso a crédito aos empreendimentos cooperativistas. O projeto, lançado em outubro de 2022, já conta com mais de 56 cooperativas paranaenses aderentes ao programa. Destas, 30 já finalizaram a etapa de formação.
Em Santa Catarina, Zanatta menciona a ferramenta desenvolvida pelo Sescoop/SC conhecida como Diagnóstico ESGCoop, que permite mapear e avaliar o nível de implementação das práticas ambientais, sociais e de governança (ESG) nas cooperativas. “O diagnóstico oferece uma visão detalhada sobre como essas práticas estão incorporadas nas operações e estratégias das cooperativas, permitindo identificar boas práticas e pontos de melhoria”, destaca Zanatta.
A partir desse mapeamento, as cooperativas catarinenses são conectadas a outras soluções, como o programa Neutralidade de Carbono, promovido pelo Sistema OCB. A iniciativa abrange formação técnica, elaboração de inventário de emissões com base no Programa Brasileiro GHG Protocol, registro público e desenvolvimento de projetos voltados à descarbonização das atividades. Em Santa Catarina, três cooperativas participaram do piloto da solução: Cooper A1, Central Ailos e Unicred União.
Além disso, Ricken ressalta que o sistema cooperativista tem buscado integrar suas ações às políticas públicas e às metas globais, promovendo uma cultura de sustentabilidade e responsabilidade social que permeia toda a sua cadeia de valor. “Essa postura demonstra o compromisso do setor com um desenvolvimento mais justo, sustentável e alinhado às metas globais de longo prazo”, sustenta o presidente do Sistema Ocepar.
Modelo de negócio
O modelo de negócio cooperativista é destaque pela sua atuação sustentável, já que busca minimizar impactos ambientais da atividade produtiva, bem como recuperar áreas degradadas e contribuir para transição energética. Ricken salienta que as cooperativas são empreendimentos criados por pessoas e para pessoas, o que reforça o compromisso em proteger, desenvolver e cuidar das comunidades. “Por meio da gestão democrática, as cooperativas não apenas geram inclusão social e econômica, mas também fortalecem comunidades locais na adaptação e mitigação dos impactos climáticos. Seus resultados são distribuídos de forma justa entre os membros, promovendo geração de renda e resiliência comunitária”, afirma o executivo.
Durante a realização da COP30, em novembro, no Brasil, o sistema cooperativista paranaense e brasileiro estará presente em Belém, no Pará, demonstrando para o mundo aquilo que já é feito no País em prol de um desenvolvimento sustentável e voltado para as pessoas e o planeta.
Atuação cooperativista

Em recente estudo realizado pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), no Paraná, municípios que têm cooperativas contam com o Índice de Desenvolvimento Humano mais alto. Em muitos municípios do Paraná, as cooperativas são as mais importantes empresas, maiores empregadoras e geradoras de receitas. “Cerca de um terço dos produtores rurais do Paraná são cooperados. A expressiva participação dos pequenos e médios produtores, com área de até 50 hectares, nas cooperativas agropecuárias, representando 77% do total de cooperados, o que evidencia a importância das cooperativas para essa faixa de produtores”, ressalta Ricken.
Sem falar na distribuição dos resultados (sobras), que em 2024 atingiu a marca de R$ 10,8 bilhões, recursos esses que ficam na própria região e são investidos nas próprias atividades dos cooperados ou em bens de consumo, o que ajuda a girar a roda da economia local.
Alinhamento estratégico com os objetivos da ONU
Para ampliar o alinhamento estratégico das cooperativas paranaenses com os objetivos da ONU, Ricken afirma que a prioridade é, por meio do PRC 300, fortalecendo a disseminação de boas práticas sustentáveis e promovendo uma maior integração das ações cooperativistas aos ODS. “Isso inclui oferecer capacitações e treinamentos específicos para que as cooperativas possam incorporar de forma mais efetiva as metas da Agenda 2030 em suas operações, além de incentivar a troca de experiências e a cooperação entre elas”, pontua.

Segundo o dirigente, também está nos planos ampliar parcerias com entidades públicas e privadas, promovendo projetos com impacto social, ambiental e econômico alinhado aos ODS. “Por exemplo, o Projeto 04, Certificação de Cooperativas, Programa Paraná Cooperativo, que tem como primeiro passo solucionar as homologações do Cadastro Ambiental Rural (CAR), onde atualmente existem 530 mil propriedades rurais já cadastradas, junto a outras 29 iniciativas, pretendemos criar uma cultura de sustentabilidade mais robusta dentro do sistema cooperativista paranaense, garantindo que as cooperativas não apenas adotem práticas sustentáveis, mas também se tornem agentes de transformação social e ambiental, contribuindo de forma mais significativa para o desenvolvimento do estado e do país”, salienta.
O executivo ainda destaca que a declaração da ONU instituindo 2025 como o Ano Internacional das Cooperativas é uma oportunidade valiosa para fortalecer o cooperativismo no Brasil e no mundo. “Em 2025 vamos ter uma grande oportunidade para aumentar a visibilidade das cooperativas, permitindo que elas compartilhem suas histórias de sucesso e os benefícios que oferecem às comunidades, como a geração de empregos, a inclusão social e o desenvolvimento sustentável”, enfatiza, salientando que a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e as organizações estaduais estão promovendo iniciativas de comunicação, educação e capacitação sobre o cooperativismo, ajudando a formar novos líderes e a fortalecer as habilidades dos membros existentes, o que é fundamental para o crescimento e a sustentabilidade das cooperativas.
Sustentabilidade ganha papel estratégico no cooperativismo catarinense

As cooperativas de Santa Catarina têm transformado os relatórios de sustentabilidade inspirados nos ODS em verdadeiras ferramentas de gestão estratégica, inovação e tomada de decisão. A avaliação é do presidente da Ocesc, que destaca a evolução do uso desses instrumentos no dia a dia do setor. “Esses relatórios deixaram de ser apenas instrumentos de prestação de contas. Hoje, orientam políticas internas, projetos ambientais e sociais e sustentam indicadores robustos de desempenho sustentável”, afirma Zanatta.
Segundo ele, essa prática tem aproximado ainda mais o cooperativismo catarinense da Agenda 2030 da ONU, promovendo ações estruturadas e mensuráveis com foco em impacto positivo. Como exemplo desse uso estratégico, o executivo cita a Aurora Coop, a qual criou o Programa de Certificação Propriedade Rural Sustentável Aurora (PRSA), que já auditou mais de 2,1 mil propriedades rurais. “O programa nasceu para garantir que os conhecimentos adquiridos em capacitações fossem efetivamente aplicados no campo. Os critérios ambientais, sociais, produtivos e financeiros são padronizados e monitorados, gerando relatórios que acompanham a evolução dos indicadores e orientam decisões com mais eficiência e transparência”, ressalta.
Outro case é da Copercampos, que alia os relatórios aos ODS com ações práticas, como o mapeamento da pegada de carbono em propriedades e eventos, além da produção de combustíveis sustentáveis. “A emissão de créditos de descarbonização (CBios) reforça o compromisso com a redução de gases de efeito estufa, documentada em seus balanços de carbono e compartilhada com a sociedade e órgãos reguladores”, exalta.

Outra iniciativa de destaque é da Cooperalfa, que se sobressai com seu programa de gestão de pneus, voltado à redução de desperdícios e à destinação ambientalmente correta dos resíduos. O processo é monitorado por indicadores ambientais precisos, que evidenciam os resultados da logística reversa e reforçam a responsabilidade compartilhada ao longo da cadeia produtiva.
Na avaliação de Zanatta, os relatórios de sustentabilidade deixaram de ser peças formais e se consolidaram como parte ativa da estratégia operacional e institucional das cooperativas. “Eles reforçam a transparência, a governança e a consolidação de práticas sustentáveis, mostrando que o cooperativismo é protagonista na construção de um futuro mais equilibrado”, salienta.
17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU
1. Erradicação da pobreza
Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares.
2. Fome zero e agricultura sustentável
Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável.
3. Saúde e bem-estar
Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades.
4. Educação de qualidade
Assegurar a educação inclusiva, equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos.
5. Igualdade de gênero
Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas.
6. Água potável e saneamento
Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos.
7. Energia limpa e acessível
Assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia para todos.
8. Trabalho decente e crescimento econômico
Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos.
9. Indústria, inovação e infraestrutura
Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação.
10. Redução das desigualdades
Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles.
11. Cidades e comunidades sustentáveis
Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis.
12. Consumo e produção responsáveis
Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis.
13. Ação contra a mudança global do clima
Tomar medidas urgentes para combater a mudança do clima e seus impactos.
14. Vida na água
Conservar e usar sustentavelmente os oceanos, os mares e os recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável.
15. Vida terrestre
Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade.
16. Paz, justiça e instituições eficazes
Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis.
17. Parcerias e meios de implementação
Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável.
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Copercampos reinaugura unidade de grãos em Otacílio Costa com investimento de R$ 16 milhões
Estrutura modernizada aumenta capacidade e agilidade no recebimento de soja e milho, beneficiando produtores da região.

A Copercampos reinaugurou nesta sexta-feira, 20 de fevereiro, a unidade de armazenagem de grãos de Otacílio Costa, na serra catarinense, após um amplo processo de modernização que recebeu investimentos superiores a R$ 16 milhões. A estrutura, implantada originalmente em 2012, ganhou nova moega, secador, instalação de tombador, caixa de carregamento e silo de armazenagem, garantindo mais eficiência, segurança e rapidez no fluxo de recebimento.
Com as melhorias, a unidade passa a ter capacidade estática de 380 mil sacos de 60 kg, além de maior agilidade operacional durante a safra, reduzindo filas e otimizando a logística dos associados da região.
Segundo o presidente da Copercampos, Luiz Carlos Chiocca, a obra atende uma necessidade prática do produtor, principalmente pelo ritmo acelerado da colheita no município. “Hoje estamos aqui em Otacílio inaugurando uma obra de suma importância para o produtor, que vai agilizar a sua colheita e o descarregamento, evitando filas e transtornos. Aqui a safra ocorre muito rápido devido ao clima e isso traz um grande benefício”.
Para o Diretor Superintendente da Copercampos e também produtor associado Lucas de Almeida Chiocca, que atua na região há mais de 15 anos, o investimento reforça a proximidade da cooperativa com quem produz. “Eu, como produtor há mais de 15 anos em Otacílio Costa, saio daqui com o coração cheio de alegria. A Copercampos mais uma vez está do lado do produtor, fazendo um grande investimento para resolver o problema do momento. O mais importante é o recolhimento do grão.”
O crescimento também foi destacado pelo prefeito de Otacílio Costa, Fabiano Baldessar, que ressaltou a transformação produtiva do município ao longo dos anos. “Otacílio Costa saiu de 700 a 800 hectares de lavoura entre 2009 e 2011 para hoje mais de 17 mil hectares, segundo dados da Epagri. Essa reinauguração é mais uma conquista e representa uma segunda virada de chave no agro do nosso município”, comentou.
A estrutura ampliada já será fundamental para a safra 2026, cuja previsão de recebimento é de aproximadamente 500 mil sacos de soja e 100 mil sacos de milho, volume que demonstra o novo patamar produtivo regional.
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Preços agropecuários caem 3,75% em janeiro, aponta Cepea
Todas as categorias registraram queda, com hortifrutícolas e grãos liderando a retração mensal.

Em janeiro, o Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários (IPPA/CEPEA) registrou queda nominal de 3,75% em relação ao mês anterior.
O resultado mensal se deve à retração observada para todos os subgrupos do Índice, com destaque para o IPPA- Hortifrutícolas (-7,69%) e o IPPA-Grãos (-5,44%), seguidos pelo IPPA-Pecuária (-2,74%) e pelo IPPA-Cana-Café (-0,63%).
Já o IPA-OG-DI apresentou leve alta de 0,92% no mês, indicando que, em janeiro, os preços agropecuários tiveram desempenho inferior ao dos industriais.
No cenário internacional, os preços dos alimentos em dólares avançaram 0,33%, enquanto o Real se valorizou 2,11%, o que resultou em queda de 1,79% dos preços internacionais de alimentos medidos em reais.
Na comparação anual (janeiro/26 frente a janeiro/25), o IPPA/CEPEA caiu expressivos 8,19%, com quedas em todos os grupos: IPPA-Hortifrutícolas (-17,68%), IPPA-Cana-Café (-8,78%), IPPA-Grãos (-7,85%) e IPPA-Pecuária (-7,09%). No mesmo período, o IPA-OG-DI se desacelerou 2,21%, e os preços internacionais de alimentos acumulam queda de 19,12% em Reais e de 8,76% em dólares, refletindo também a valorização de 11,36% do Real em um ano.
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Cooperativas fortalecem cadeias de aves, suínos e leite em Santa Catarina
Dados apresentados mostram que 70% dos avicultores da cooperativa já possuem sucessão familiar definida, garantindo continuidade no campo.

Reflexões estratégicas sobre o futuro do cooperativismo, o protagonismo jovem e a força das cadeias produtivas catarinenses. Assim iniciou a programação do Sebrae/SC no terceiro dia do 27º Itaipu Rural Show em Pinhalzinho. O evento reuniu duas palestras que dialogaram diretamente com os desafios e as oportunidades do agronegócio: União que Gera Valor: Engajamento e Cooperativismo no Campo, com Dieisson Pivoto, e Cadeia de Aves e Suínos em SC, com Marcos Zordan.

Diretor vice-presidente de agronegócios da Aurora Coop, Marcos Zordan
Pivoto destacou como o cooperativismo transforma união em desenvolvimento econômico e social. Ele apresentou a trajetória da Cooper Itaipu como exemplo de organização e visão estratégica. Também abordou a atuação da Aurora Coop, formada por 14 cooperativas, com mais de 850 produtos no portfólio e presença em mais de 80 países, a cooperativa demonstra a dimensão que o modelo pode alcançar quando há integração e gestão eficiente.
Entre as contribuições da cooperativa aos seus sócios e à comunidade, Pivoto ressaltou a geração de renda ao cooperado, a assistência técnica no campo, a industrialização da produção e a criação de oportunidades que fortalecem toda a região. “Somos parte importante na alimentação do mundo. O cooperativismo gera valor quando fortalece o produtor, apoia a comunidade e prepara as próximas gerações para dar continuidade a esse legado”, afirmou.
Com foco especial na juventude, a palestra abordou a necessidade de incentivar o cooperativismo desde cedo, aproximando os jovens do modelo e reforçando seu papel na tradição e na inovação. O futuro do cooperativismo, segundo ele, depende diretamente do engajamento das novas gerações.
O diretor técnico do Sebrae/SC, Fábio Zanuzzi, aprofundou o debate ao falar sobre sucessão e permanência no campo. “Um dos grandes desafios é a continuidade não só do jovem na propriedade rural, mas também no modelo cooperativista. Temos percebido mudanças de comportamento entre as gerações, e isso exige uma comunicação mais próxima e estratégica. Precisamos ouvir o jovem, entender seus anseios e reconhecer que a velocidade dele é diferente da geração anterior”.
Cadeia de aves e suínos

Complementando a programação, a palestra “Cadeia de Aves e Suínos em SC”, ministrada pelo vice-presidente de agronegócios da Aurora Coop, Marcos Zordan, trouxe uma análise sobre a importância estratégica dessas cadeias produtivas para a economia catarinense e nacional. “Conectamos a cadeia de suínos, aves e leite ao cooperativismo, seja por meio da Aurora Coop ou das cooperativas filiadas. Precisamos mostrar ao produtor o que estamos fazendo e o que o futuro nos espera nessas atividades”, explicou.
Zordan esclareceu a diferença entre os sistemas de integração, como ocorre na suinocultura, avicultura e na produção independente do leite, ressaltando a importância da segurança para o produtor na tomada de decisão. “Precisamos que esses produtores sintam firmeza ao decidir investir nessas atividades. O futuro aponta para aumento do consumo de alimentos e isso exige produtividade. E produtividade é a única forma de melhorar a rentabilidade”, enfatizou.
O vice-presidente de agronegócios da Aurora Coop expôs dados relevantes da avicultura regional. “Atualmente, cerca de 70% dos avicultores ligados a Aurora Coop já têm sucessão familiar encaminhada. No Brasil, esse índice gira entre 3% e 5%. Isso é resultado de um trabalho contínuo das cooperativas, das filiadas, da cooperativa e de todos que fortalecem o setor. Quando o produtor tem renda compatível, o filho fica na propriedade. Se o filho fica, a sucessão está garantida”, salientou.
Capacitação

Palestrante Dieisson Pivoto – Foto: Karina Ogliari/MB Comunicação
“Encerramos a rodada de palestras desta sexta-feira (20), demonstrando a importância do desenvolvimento regional com iniciativas como o Programa Encadeamento Produtivo. Quando estruturamos as cadeias de aves, suínos e leite dentro de uma lógica cooperativista, estamos fortalecendo todos os elos, da produção primária à industrialização, da assistência técnica ao acesso ao mercado. Isso gera previsibilidade, competitividade e sustentabilidade econômica para o produtor”, concluiu Zanuzzi.
A atuação do Sebrae/SC qualifica esses elos, promove integração, gestão eficiente, inovação e planejamento estratégico. O desenvolvimento não ocorre apenas pelo aumento de produção, mas pela organização sistêmica da cadeia, adoção de tecnologia, ganho de produtividade e agregação de valor.



