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Cooperativismo catarinense registra mais de R$ 91 bilhões em faturamento
Ocesc anuncia balanço e faz projeções. Cooperativas reúnem 4,7 milhões de catarinenses e faturam R$ 91,2 bilhões em 2024

O cooperativismo surgiu em Santa Catarina há mais de 130 anos e se transformou em um modelo de negócio que envolve mais de 4,7 milhões de catarinenses e movimenta R$ 91,2 bilhões por ano, tornando-se uma extraordinária força social que impulsiona o desenvolvimento em todos os setores da economia.
O balanço do setor foi levantado pela Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC) junto às 226 cooperativas e anunciado hoje em Florianópolis pelo presidente Vanir Zanatta e pelo superintendente Ricardo Miotto Ternus.
O crescimento das receitas, em 2024, foi de 8%, acima, portanto da expansão do produto interno bruto (PIB) brasileiro no período (3,4%).
Refletindo o bom desempenho das cooperativas, as sobras (lucros) avançaram 55,1% e chegaram a R$ 5,57 bilhões, valores que serão destinados a investimentos, fundos estatutários e rateio entre os associados.
Um dos dados mais relevantes do levantamento é a expansão do número de associados (cooperados) que cresceu 9,8% no ano passado com o ingresso de mais de 419 mil pessoas no quadro associativo das cooperativas. No conjunto, as cooperativas reúnem, agora, 4,7 milhões de catarinenses, o que representa 58% da população barriga-verde.
As que mais atraíram novos associados foram as cooperativas de crédito, que têm atualmente 3,6 milhões de cooperados, as de infraestrutura que atuam em distribuição de energia elétrica (464.114 pessoas), as de consumo (430.339) e as agropecuárias (84.069). As cooperativas de saúde têm 15.280 associados e, as de transporte, 2.901 cooperados.
As cooperativas do agronegócio foram, novamente, as mais expressivas na geração de empregos diretos e de receita operacional bruta, respondendo por 62,5% dos postos de trabalho e também por 63,2% das receitas globais do universo cooperativista.
Em 2024, as cooperativas catarinenses recolheram R$ 3,9 bilhões aos cofres públicos em impostos sobre a receita bruta, um crescimento de 32,6% em relação ao exercício anterior. Além do desenvolvimento das comunidades já feito pelo movimento cooperativista, os impostos sobre receita também retornam para a população catarinense através dos investimentos feitos pelo Estado, como creches, hospitais, estradas, segurança e outros serviços.
O patrimônio líquido, no conjunto das cooperativas, cresceu 15,8% e atingiu R$ 36,6 bilhões.
Para atender seus associados com ações e serviços de qualidade, as cooperativas mantêm quadros funcionais de empregados qualificados. Em 2024, contrataram 7,3% mais e criaram 6.995 mil novos postos de trabalho. Juntas, elas agora mantêm 102.376 empregados diretos.
Exportações e investimentos
As exportações das cooperativas catarinenses atingiram R$ 11,63 bilhões no ano passado com aumento de 17,2% e foram suportadas, basicamente, pelo agronegócio. As vendas externas de cereais in natura responderam por 54,13% e as proteínas animais por 43,13% dos negócios no mercado internacional, seguindo-se cereais processados, frutas e derivados, fertilizantes, sementes e leite e derivados. As projeções para 2025 indicam um aumento de 12% nas vendas das cooperativas catarinenses ao mercado mundial, o que significariam R$ 13 bilhões em divisas.
O presidente da Ocesc prevê que continuará expressiva a participação das cooperativas nas exportações do agronegócio, que respondem por cerca de 30% do PIB catarinense e por 70% das vendas catarinenses no exterior, decorrente da imensa presença das cooperativas nas cadeias produtivas de grãos, leite, suínos e aves.
Os investimentos das cooperativas de Santa Catarina previstos em estruturas e a ampliação da capacidade produtiva são de R$ 2,03 bilhões em 2025, R$ 2,18 bilhões em 2026 e de R$ 2,26 bilhões em 2027.
Desempenho setorial
O ramo agropecuário continua sendo o mais expressivo, economicamente, respondendo por 63,2% do movimento de todo o sistema cooperativista catarinense.
As 43 cooperativas agropecuárias fecharam o ano com 84.069 cooperados, aumento de 0,3% no quadro social que foi encorpado com mais 219 associados. O setor também foi o que mais criou vagas – gerou 3.151 novos empregos – e, agora, as cooperativas sustentam 63.978 postos de trabalho, o que representa um aumento de 5,2%. A receita operacional total dessas cooperativas avançou 6% e totalizou R$ 57,6 bilhões.
O ramo crédito ganhou uma cooperativa a mais em 2024: agora são 67 cooperativas financeiras que, no conjunto, reúnem o maior número de associados do sistema cooperativista catarinense: são 3,7 milhões de catarinenses. O quadro associativo desse ramo aumentou 10,7%, com o ingresso de 358.752 novos cooperados. O quadro funcional também cresceu 8%, com a contratação de 1.434 empregados e totaliza, agora, 19.279 trabalhadores nas agências e unidades administrativas.
As cooperativas de crédito contabilizaram receitas totais de R$ 21,06 bilhões, incremento de 10,2% em relação ao ano anterior.
O ramo saúde cresceu 13,4% no ano passado em receitas totais, atingindo R$ 7,02 bilhões no exercício de 2024. Criou, no período, 2.066 vagas de empregos. As 30 cooperativas de saúde em operação no território catarinense mantêm 12.847 empregados e reúnem 15.280 associados (quadro funcional aumentou 19,2% e o quadro associativo, 7,8%).
O ramo de infraestrutura dedica-se, fundamentalmente, ao fornecimento de energia elétrica para extensas regiões do território barriga-verde. São 38 cooperativas que atendem 464.114 associados – número que evoluiu 3,3% no último ano. A receita operacional bruta aumentou 8,7% e fechou o ano em R$ 2,01 bilhões. É o segundo ramo em número de associados.
O ramo de consumo, dedicado a manutenção de supermercados entre outras atividades, é representado por 11 cooperativas que, em 2024, obtiveram receitas totais de R$ 1,9 bilhão – faturamento 17,2% superior ao ano anterior. O número de associados cresceu 12,4% e agora são 430.339 cooperados. O número de empregados aumentou 12% e está em 3.629.
O número de catarinenses do ramo de transporte evoluiu para 5.830 (+3,6). O desempenho econômico subiu 6,8% e as cooperativas tiveram receitas no valor de R$ 1,5 bilhão.
Projeções
Estudos da Ocesc projetam uma vigorosa expansão do sistema cooperativista catarinense para o próximo triênio em três esferas: faturamento, número de cooperados e geração de empregos diretos.
A receita operacional bruta crescerá para R$ 109,9 bilhões em 2025; R$ 111,5 bilhões em 2026, chegando a R$ 123,3 bilhões em 2027, com 35,2% de crescimento.
O quadro social das cooperativas aumentará 34,7%, atingido 5,2 milhões de catarinenses cooperados em 2025; 5,7 milhões em 2026 e 6,3 milhões de associados em 2027.
Mais empregos serão criados no âmbito das atividades das cooperativas, significando 23,7% de novos postos de trabalho em todos os níveis (operacional, técnico e gerencial). Dessa forma, as cooperativas catarinenses manterão, no conjunto, 100,9 mil postos de trabalho em 2025, 118 mil em 2026 e 126,7 mil em 2027.
Acesse aqui os dados do cooperativismo catarinense em 2024.

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Sucessão no campo fortalece legado familiar e impulsiona produção em Confresa
Pai e filhos dividem gestão da fazenda e ampliam negócios com foco em crescimento e continuidade.

Em Confresa desde 2020, a família Antoniolli carrega um legado de companheirismo e cumplicidade entre pai e filho. Rafael Antoniolli, engenheiro agrônomo e filho de Carlos Eduardo Antoniolli e Vania Antoniolli, cresceu entre o campo e a cidade. A partir dessa vivência, desde criança, ele resolveu seguir o legado e carregar a história de gerações ao lado do pai. Associado à Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Rafael encontrou no município terra fértil e boas oportunidades de negócios para prosperar ao lado daqueles que ama.
A família saiu de Goiás para expandir os negócios na região Leste de Mato Grosso, encontrando em Confresa um solo rico para cultivar soja e milho. Embora estejam no município há pouco mais de seis anos, a família de gerações ligadas à pecuária e à agricultura, está prestes a completar 100 anos no setor. O avô materno de Rafael criava gado de corte, cultivava arroz e com o passar dos anos a família foi investindo em outras culturas.
Rafael esteve envolvido com o campo desde criança por ser muito curioso com os afazeres da fazenda. Ele destaca que sempre teve como objetivo, após se formar em agronomia, retornar para ajudar os pais no campo.
“Sempre foi um objetivo meu trabalhar com eles, eu via o trabalho deles e gostava muito. Sempre acompanhei e estive presente na fazenda, no dia a dia com eles. Eu nunca tive muita dúvida, não. A minha história específica com a agricultura e agronomia começa muito cedo na fazenda, ajudando eles no que era possível, sempre fui muito curioso, mexer com máquina e estar do lado do meu pai acompanhando as lavouras sempre foi um sonho. De 2019 para cá, a gente tem construído essa parceria muito forte juntos e graças a Deus eu tenho conseguido ajudá-los na construção desse futuro melhor para nós.”, afirma.
Como filho do meio, Rafael contou que após incentivos, hoje divide o trabalho no campo com a irmã mais nova, Giovanna Antoniolli. Ela deixou a carreira de publicitária em São Paulo, assumindo a diretoria do armazém e também do setor financeiro. Ao falar da irmã, ele destaca a importância da família estar unida, principalmente por serem pessoas de confiança do pai.
“Somos três filhos e somente a minha irmã mais velha não está diretamente relacionada ao nosso meio, ela é médica. O nosso maior orgulho com certeza é poder estar do lado deles, somar e ajudá-los. Tenho certeza que para eles também é um orgulho poder estar juntos. São pessoas de confiança que estão do lado dele, que estão sempre apoiando não só ele, mas minha mãe também. Então, para mim e para as minhas irmãs, é um orgulho tremendo, poder estar aqui com eles. Esse projeto de Confresa é um projeto nosso e o tanto que eles confiam em nós, o tanto que eles nos dão liberdade para poder estudar e aprimorar e colocar em prática, eu só tenho a agradecer”, contou.
Para chegar nesta confiança entre pai e filho, Rafael destacou que é necessário muita conversa, parcimônia e principalmente a amizade. Ele destaca que a sucessão é uma das coisas mais importantes que o chefe da fazenda e chefe da família pode fazer para dar continuidade aos trabalhos que iniciaram há muitos anos. Além disso, é preciso ter cautela, por serem de duas gerações diferentes, o pai deve aconselhar e ter paciência com os mais novos. Assim como os mais novos devem ouvir e admirar os pais.
Mesmo sendo filho de produtores, após se formar em agronomia, os pais de Rafael o incentivaram a trabalhar para outras empresas antes de voltar e seguir o legado da família. Com essa experiência, ele se preparou e amadureceu para assumir a gerência da propriedade. Após alguns anos, retornou para ajudar o pai e propôs o projeto de expandir os negócios para Confresa.
Ao relembrar toda a trajetória com a família até o momento, Rafael agradece aos pais por todas as instruções e ensinamentos adquiridos ao longo da vida. Ele destaca que a maior bênção da vida é ter uma família unida e amorosa.
“Eu agradeço muito ao meu pai por ele ter me ajudado e me instruído esse tempo todo a seguir esses passos, esse caminho. Por tudo, principalmente pela maneira como eles nos criaram. Nós somos pessoas abençoadas. Nós tivemos oportunidades que muitos não tiveram. Então, o que eu poderia deixar de recado para o meu pai e para a minha mãe, de verdade, muito, muito, muito, muito obrigado por estarem sempre do nosso lado, por confiarem tanto em nós e por ter dado para nós a educação que vocês deram”, agradece.
Toda a história do legado iniciou quando o pai de Rafael, Carlos Eduardo, conheceu Vânia em São Paulo, eles saíam juntos para fazer trilhas de moto e ir a peças de teatro. Em 1988, eles se casaram e em abril de 1989 foram para Goiás, para tocar a fazenda de gado do pai de Vânia. Depois disso, a família nunca mais deixou os afazeres do campo.
Carlos Eduardo afirmou que sempre pensou na sucessão dos filhos e sente muito orgulho do Rafael e da Giovanna por terem seguido o legado da família.
“A gente não tem nem palavras para falar tanto do orgulho que sentimos deles. E ver a educação que passamos para eles foi um pouquinho diferente. Nós não queríamos que Rafael viesse para a fazenda assim que ele se formasse. Queríamos que ele tivesse uma outra experiência com outras pessoas para poder ver a governança, ver gestão, acordar mais cedo, ter um horário e depois vir para a fazenda. Eles são pessoas que são dedicadas ao extremo, são meninos que fazem cursos a toda hora”, afirma.
A história de dedicação e amor compartilhada pela família Antoniolli revela que a agricultura é feita de cumplicidade e união. A cada planta e a cada safra o carinho e os cuidados refletem nos grãos que se tornarão alimento para o mundo.
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Cooperação mira transformar pesquisa acadêmica em negócios inovadores no Paraná
Parceria entre Sebrae/PR e UFPR foca na inovação e no empreendedorismo para aproximar a universidade do setor produtivo.

A cooperação entre Sebrae/PR e Universidade Federal do Paraná (UFPR) tem como objetivo reduzir a distância entre a produção acadêmica e as demandas do mercado, convertendo conhecimento em inovação aplicada e novos negócios no Estado. A iniciativa busca fortalecer o ecossistema de inovação paranaense, integrando todos os campi da UFPR e as regionais do Sebrae/PR, ampliando e sistematizando ações de capacitação, estímulo ao empreendedorismo e desenvolvimento de projetos inovadores.

Reitor da UFPR, Marcos Sunye, destacou a incorporação do empreendedorismo como elemento na trajetória acadêmica – Foto: Andressa Miretzki
O coordenador de Inovação do Sebrae/PR, Alan Debus, afirma que o foco central é gerar negócios de impacto social, econômico e tecnológico, envolvendo estudantes, professores, pesquisadores e micro e pequenas empresas. “Ao mesmo tempo, a cooperação busca disseminar o conceito de empreendedorismo inovador no ambiente acadêmico, incluindo a criação ou atualização de disciplinas, capacitações conjuntas e iniciativas voltadas à aceleração de patentes e à transferência de tecnologia”, explica.
Debus reforça que a parceria surge para organizar e ampliar iniciativas que já acontecem de forma isolada, fortalecendo a conexão entre ensino, pesquisa e empreendedorismo. “O objetivo também é intensificar o contato entre estudantes, pesquisadores e o setor produtivo com desafios reais de inovação. Queremos oferecer mais problemas concretos para que alunos e professores possam desenvolver soluções e estabelecer parcerias com empresas”, acrescenta.
Formação acadêmica com visão empreendedora
Para o reitor da UFPR, Marcos Sfair Sunye, a cooperação representa um avanço na formação dos estudantes ao incorporar o empreendedorismo como elemento estratégico da trajetória acadêmica. “A UFPR é reconhecida pela excelência em pesquisa científica, mas ainda enfrenta desafios na geração de inovação e produtos. Essa parceria nos ajuda a entender melhor esse processo e promover a geração de novos negócios”, ressalta.
O pró-reitor de Pesquisa e Inovação da UFPR, Ciro Oliveira Ribeiro, aponta que, embora a produção científica seja robusta, ainda há lacunas na transformação desse conhecimento em soluções práticas. “A universidade cumpre bem seu papel na geração de conhecimento, mas precisa avançar na transformação disso em produtos e soluções que impactem a sociedade”, destaca.
Ribeiro ressalta ainda que há um desafio histórico de empreendedorismo dentro das universidades públicas. “Há um entendimento

Foto: Shutterstock
equivocado de que se aproximar do mercado compromete a missão acadêmica, quando na verdade isso pode fortalecer ainda mais o papel social da universidade”, completa.
Ecossistema integrado e inovação aberta
Com duração inicial de cinco anos, a cooperação será monitorada por indicadores como o número de pessoas capacitadas e o nível de maturidade dos ecossistemas de inovação envolvidos. Entre as ações previstas estão programas de estímulo ao empreendedorismo jovem, capacitações, desafios tecnológicos e iniciativas de inovação aberta, além da aproximação de empresas aos laboratórios da universidade.

Foto: Divulgação/Freepik
Também estão previstas ações extensionistas, capacitações conjuntas e divulgação dos resultados em eventos nacionais e internacionais, ampliando o alcance das iniciativas. O reitor Marcos Sfair Sunye destaca o impacto direto na vida dos estudantes. “A aproximação com o Sebrae amplia oportunidades de estágio e de inserção no mercado, o que contribui, inclusive, para reduzir a evasão universitária”, afirma.
O modelo adotado é abrangente e deve alcançar gradualmente todos os cursos. “O acordo permitirá que diferentes áreas participem, conforme o engajamento vá acontecendo”, salienta.
Ao integrar conhecimento acadêmico, demandas do mercado e apoio institucional, a parceria entre Sebrae/PR e UFPR aposta na construção de um ambiente mais inovador, colaborativo e capaz de gerar soluções concretas para a sociedade.
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Mato Grosso se consolida como maior produtor de etanol de milho do Brasil
Expansão das usinas impulsiona demanda, gera empregos e fortalece a industrialização no estado.

Conhecido há muitos anos como segunda safra, o plantio do milho iniciou em Mato Grosso como alternativa para o aproveitamento do espaço após a colheita da soja e hoje já não é mais uma segunda opção. Assim como a soja, o milho se tornou uma das principais culturas semeadas no estado, com a produção de 55,43 milhões de toneladas na safra de 2024/25. Desta quantidade, mais de 13,9 milhões de toneladas foram destinadas à produção do etanol de milho, tornando Mato Grosso o maior produtor de biocombustível de milho. O etanol ganhou destaque no estado com a chegada das usinas nos principais municípios produtores.
Mato Grosso produziu mais de 5,6 bilhões de litros de etanol, se consolidando como o maior produtor do Brasil. Para movimentar todo o setor, a produção de biocombustível emprega mais de 147 mil pessoas em Mato Grosso e arrecadou mais de R$ 833,6 milhões de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em 2025, segundo os dados da Secretaria de Estado de Fazenda de Mato Grosso (Sefaz-MT). Todos esses números mostram a grandiosidade da cultura do milho para Mato Grosso, que se reflete nas cidades, como afirmou o vice-presidente Oeste da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Gilson Antunes de Melo.

Foto: Aprosoja MT
“A industrialização é o principal vetor da economia, ela sustenta toda a economia do Estado. Então, quando você aumenta a indústria, você está aumentando a renda do Estado e isso reflete para a população com mais saúde, mais educação e mais estradas. Então, todo o grão que é industrializado aqui, ele gera valor agregado, isso fortalece toda a cadeia, não só da agricultura, mas também da sociedade em geral”, disse.
Gilson destaca que com o avanço da produção do etanol e com a maior disponibilidade do combustível no mercado, o valor final do produto pode ficar mais atrativo para os consumidores. Além do combustível, com o DDG (Dried Distillers Grains), que é a biomassa destinada à ração animal, o preço da carne também pode ficar mais econômico para a população, já que o produto fica disponível o ano todo.
Além da produção do biocombustível, em 2025, as usinas também produziram 2,2 bilhões de litros de biodiesel e 2,7 milhões de toneladas de DDG. Esses subprodutos são extraídos durante o processo de fabricação do etanol, aproveitando por completo a matéria-prima.
Com a chegada das usinas de etanol de milho, a demanda pelo grão cresceu e o ritmo deve aumentar nos próximos anos. Atualmente, há 12 usinas de etanol de milho em operação, outras 10 em construção e mais cinco sendo projetadas em Mato Grosso, como apontou o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A delegada coordenadora do núcleo de Tapurah, Daiane Kirnev, afirmou que esse aumento na demanda incentiva o produtor rural.
“Houve um incentivo da produção de milho, afinal de contas, com mais mercados para a gente vender e com os valores um pouco melhor, isso acabou incentivando o produtor a aumentar o plantio de milho. Antes era uma coisa incerta por causa dos valores e tudo é oferta e demanda, quando tem mais demanda, acaba incentivando muito mais o produtor a plantar para que ele garanta os custos da produção”, afirmou.

Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná
Além de produzir, o agricultor de Tangará da Serra, Romeu Ciochetta, também investe no setor da indústria do etanol de milho. Ele contou que as indústrias de etanol trouxeram mais segurança para os produtores investirem no milho e ampliarem os quadros de colaboradores, pois com a aproximação das indústrias os produtores reduziram as preocupações com o escoamento do grão e conseguem comercializar o grão em todos os meses do ano.
Ciochetta afirmou que a vinda do mercado para Mato Grosso abriu novas oportunidades aos produtores e também empresários. A indústria de etanol movimenta, diretamente e indiretamente, uma grande cadeia de empregos e outras indústrias.
“Tudo isso é uma grande cadeia que se a gente analisar o início dessa operação, lá no plantio da muda de eucalipto, usado para aquecer as caldeiras das usinas, até a carne ser consumida ou etanol no tanque do veículo, é muita gente trabalhando, transportando e tudo isso sem derrubar nenhuma árvore, tudo isso sem impactar o meio ambiente”, afirma.
Ciochetta também destacou as práticas sustentáveis no setor do etanol e afirmou que a tendência do futuro é o combustível verde, proveniente de fontes renováveis como o milho. Hoje, mais de 20% do etanol utilizado no Brasil, já vem do milho e com as práticas sustentáveis e a preocupação com o futuro, o número deve aumentar e o mercado abrir novas oportunidades.
“As oportunidades são inúmeras, porque o mundo cada vez mais vai atrás e vai querer consumir combustível verde. Então, isso desde a aviação até os carros menores, enfim, é uma tendência e eu acredito muito nessas oportunidades. Então, o Brasil realmente está destinado ao sucesso, eu acredito muito nisso e vamos em frente”, contou.
Com o avanço das indústrias do etanol de milho em Mato Grosso, o estado, já líder na produção de milho, se consolida como o maior produtor do etanol de milho do país. Todo esse avanço econômico fomenta a produção local, representando mais empregos e infraestrutura para o interior do estado, refletindo nas práticas incentivadas pela Aprosoja MT.



