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Cooperativismo brasileiro busca políticas públicas à altura do seu protagonismo econômico e social

Setor enfrenta entraves regulatórios e de acesso a fundos e compras públicas, e defende inclusão digital e fortalecimento da produção rural.

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Fotos: Shutterstock

O cooperativismo brasileiro tem ganhado relevância crescente na economia nacional, não apenas por seu peso em setores estratégicos como agropecuária, crédito, saúde e infraestrutura, mas também por sua capacidade de gerar inclusão social, desenvolvimento regional e sustentabilidade. No entanto, mesmo com esse protagonismo, o setor ainda enfrenta entraves regulatórios, tributários e de acesso a políticas públicas que não contemplam adequadamente as especificidades do modelo cooperativo.

O Sistema Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), que representa institucionalmente o cooperativismo no país, tem articulado com o Congresso Nacional, o Executivo e diversas agências reguladoras uma agenda propositiva. A ideia é garantir um ambiente jurídico e institucional que reconheça a singularidade das cooperativas e permita que o modelo prospere com maior segurança jurídica, competitividade e equidade.

De acordo com a gerente de Relações Institucionais do Sistema OCB, Clara Maffia, embora o setor tenha avançado nos últimos anos, especialmente com a aprovação da Lei Complementar 214/2025, que trouxe segurança jurídica sobre o ato cooperativo no novo regime tributário, ainda há desafios importantes a serem superados. “Precisamos da regulamentação plena dessa lei e também da Lei Complementar 213/2025, que trata da atuação das cooperativas no mercado de seguros”, enfatiza.

Apesar dos avanços, entraves persistem

Gerente de Relações Institucionais do Sistema OCB, Clara Maffia: “É fundamental avançar na inclusão digital no meio rural – permitindo que cooperativas atuem como prestadoras de serviços de internet e telefonia, ampliar o acesso ao crédito, modernizar o seguro rural e regulamentar que cooperativas de crédito sejam agentes financeiros dos municípios”

Clara também aponta gargalos no acesso aos fundos constitucionais, entraves à participação em licitações públicas e a urgente modernização da legislação para que cooperativas de crédito possam captar recursos de órgãos públicos, como prefeituras. “Também é fundamental garantir a inclusão digital das cooperativas, sobretudo no campo, para que possam se desenvolver plenamente”, acrescenta.

O sistema cooperativo tem um modelo econômico baseado em princípios de mutualismo e interesse coletivo, e essa característica deve ser respeitada na formulação de políticas públicas. “A aprovação da Lei Complementar 214/2025 foi um passo histórico nesse sentido, pois assegura o tratamento adequado ao ato cooperativo no novo regime tributário. Isso traz mais segurança jurídica e garante que não sejamos tratados como empresas tradicionais”, aponta.

Desafios centrais

A profissional defende também que é preciso ampliar o acesso das cooperativas aos fundos públicos e criar instrumentos de financiamento mais aderentes à realidade do setor. “Permitir que cooperativas de crédito captem recursos municipais, por exemplo, fortalece a inclusão financeira e o desenvolvimento regional”, afirma, ressaltando: “É preciso que as políticas públicas e regulatórias estejam alinhadas à nossa natureza, que é, acima de tudo, voltada para o desenvolvimento coletivo e sustentável”.

No meio rural, ambiente em que as cooperativas são essenciais para a viabilidade de pequenas e médias propriedades, Clara defende a ampliação de políticas estruturantes. “É preciso garantir acesso ao crédito rural com taxas competitivas, melhorar os seguros agrícolas e aprovar o PL 1.303/2022, que permite que cooperativas ofereçam serviços de telecomunicação, um passo fundamental para a inclusão digital no campo e essencial para modernizar a produção, acessar mercados e gerar mais valor”, salienta, destacando a importância de políticas que incentivem a industrialização da produção rural via cooperativas e fomentem a bioeconomia e a intercooperação.

Compras públicas ainda esbarram em barreiras jurídicas e culturais

Outro ponto central da pauta cooperativista é a ampliação da participação das cooperativas nas compras governamentais. Clara reforça que ainda há barreiras jurídicas e culturais na gestão pública que dificultam esse avanço. “Muitas vezes, a prestação de serviço cooperativo é equivocadamente tratada como intermediação de mão de obra ou prestação de serviço comum. É preciso que os editais sejam adaptados às características do cooperativismo e que reconheçam plenamente o modelo cooperativo como apto e competitivo para a prestação de serviços públicos”, argumenta, acrescentando: “Isso se aplica, especialmente, para cooperativas de saúde, educação, trabalho, transporte e alimentação. Também estamos trabalhando na mobilização de gestores públicos para que reconheçam que as cooperativas são parceiras do Estado na geração de trabalho, renda e desenvolvimento local”, adianta.

Hora de transformar leis em políticas permanentes

Em ano de reconhecimento internacional das cooperativas, Clara evidencia que o Brasil tem uma oportunidade singular para mostrar ao mundo que o cooperativismo é um instrumento estratégico de desenvolvimento sustentável, socialmente justo e economicamente viável. “Uma resposta concreta seria a plena regulamentação das Leis Complementares 213 e 214, que garantem segurança jurídica, competitividade e expansão para o setor. Também é fundamental avançar na inclusão digital no meio rural – permitindo que cooperativas atuem como prestadoras de serviços de internet e telefonia, ampliar o acesso ao crédito, modernizar o seguro rural e regulamentar que cooperativas de crédito sejam agentes financeiros dos municípios”, enumera.

Para ela, transformar os avanços legislativos recentes em políticas públicas efetivas, permanentes e estruturantes é o caminho para consolidar o cooperativismo como instrumento de um Brasil mais justo, produtivo e sustentável.

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Fonte: O Presente Rural

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Copercampos reinaugura unidade de grãos em Otacílio Costa com investimento de R$ 16 milhões

Estrutura modernizada aumenta capacidade e agilidade no recebimento de soja e milho, beneficiando produtores da região.

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Foto: Divulgação

A Copercampos reinaugurou nesta sexta-feira, 20 de fevereiro, a unidade de armazenagem de grãos de Otacílio Costa, na serra catarinense, após um amplo processo de modernização que recebeu investimentos superiores a R$ 16 milhões. A estrutura, implantada originalmente em 2012, ganhou nova moega, secador, instalação de tombador, caixa de carregamento e silo de armazenagem, garantindo mais eficiência, segurança e rapidez no fluxo de recebimento.

Com as melhorias, a unidade passa a ter capacidade estática de 380 mil sacos de 60 kg, além de maior agilidade operacional durante a safra, reduzindo filas e otimizando a logística dos associados da região.

Segundo o presidente da Copercampos, Luiz Carlos Chiocca, a obra atende uma necessidade prática do produtor, principalmente pelo ritmo acelerado da colheita no município. “Hoje estamos aqui em Otacílio inaugurando uma obra de suma importância para o produtor, que vai agilizar a sua colheita e o descarregamento, evitando filas e transtornos. Aqui a safra ocorre muito rápido devido ao clima e isso traz um grande benefício”.

Para o Diretor Superintendente da Copercampos e também produtor associado Lucas de Almeida Chiocca, que atua na região há mais de 15 anos, o investimento reforça a proximidade da cooperativa com quem produz. “Eu, como produtor há mais de 15 anos em Otacílio Costa, saio daqui com o coração cheio de alegria. A Copercampos mais uma vez está do lado do produtor, fazendo um grande investimento para resolver o problema do momento. O mais importante é o recolhimento do grão.”

O crescimento também foi destacado pelo prefeito de Otacílio Costa, Fabiano Baldessar, que ressaltou a transformação produtiva do município ao longo dos anos. “Otacílio Costa saiu de 700 a 800 hectares de lavoura entre 2009 e 2011 para hoje mais de 17 mil hectares, segundo dados da Epagri. Essa reinauguração é mais uma conquista e representa uma segunda virada de chave no agro do nosso município”, comentou.

A estrutura ampliada já será fundamental para a safra 2026, cuja previsão de recebimento é de aproximadamente 500 mil sacos de soja e 100 mil sacos de milho, volume que demonstra o novo patamar produtivo regional.

Fonte: Assessoria Copercampos
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Preços agropecuários caem 3,75% em janeiro, aponta Cepea

Todas as categorias registraram queda, com hortifrutícolas e grãos liderando a retração mensal.

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Em janeiro, o Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários (IPPA/CEPEA) registrou queda nominal de 3,75% em relação ao mês anterior.

O resultado mensal se deve à retração observada para todos os subgrupos do Índice, com destaque para o IPPA- Hortifrutícolas (-7,69%) e o IPPA-Grãos (-5,44%), seguidos pelo IPPA-Pecuária (-2,74%) e pelo IPPA-Cana-Café (-0,63%).

Já o IPA-OG-DI apresentou leve alta de 0,92% no mês, indicando que, em janeiro, os preços agropecuários tiveram desempenho inferior ao dos industriais.

No cenário internacional, os preços dos alimentos em dólares avançaram 0,33%, enquanto o Real se valorizou 2,11%, o que resultou em queda de 1,79% dos preços internacionais de alimentos medidos em reais.

Na comparação anual (janeiro/26 frente a janeiro/25), o IPPA/CEPEA caiu expressivos 8,19%, com quedas em todos os grupos: IPPA-Hortifrutícolas (-17,68%), IPPA-Cana-Café (-8,78%), IPPA-Grãos (-7,85%) e IPPA-Pecuária (-7,09%). No mesmo período, o IPA-OG-DI se desacelerou 2,21%, e os preços internacionais de alimentos acumulam queda de 19,12% em Reais e de 8,76% em dólares, refletindo também a valorização de 11,36% do Real em um ano.

 

Fonte: Assessoria Cepea
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Cooperativas fortalecem cadeias de aves, suínos e leite em Santa Catarina

Dados apresentados mostram que 70% dos avicultores da cooperativa já possuem sucessão familiar definida, garantindo continuidade no campo.

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Fotos: Bruna Leticia/MB Comunicação

Reflexões estratégicas sobre o futuro do cooperativismo, o protagonismo jovem e a força das cadeias produtivas catarinenses. Assim iniciou a programação do Sebrae/SC no terceiro dia do 27º Itaipu Rural Show em Pinhalzinho. O evento reuniu duas palestras que dialogaram diretamente com os desafios e as oportunidades do agronegócio: União que Gera Valor: Engajamento e Cooperativismo no Campo, com Dieisson Pivoto, e Cadeia de Aves e Suínos em SC, com Marcos Zordan.

Diretor vice-presidente de agronegócios da Aurora Coop, Marcos Zordan

Pivoto destacou como o cooperativismo transforma união em desenvolvimento econômico e social. Ele apresentou a trajetória da Cooper Itaipu como exemplo de organização e visão estratégica. Também abordou a atuação da Aurora Coop, formada por 14 cooperativas, com mais de 850 produtos no portfólio e presença em mais de 80 países, a cooperativa demonstra a dimensão que o modelo pode alcançar quando há integração e gestão eficiente.

Entre as contribuições da cooperativa aos seus sócios e à comunidade, Pivoto ressaltou a geração de renda ao cooperado, a assistência técnica no campo, a industrialização da produção e a criação de oportunidades que fortalecem toda a região. “Somos parte importante na alimentação do mundo. O cooperativismo gera valor quando fortalece o produtor, apoia a comunidade e prepara as próximas gerações para dar continuidade a esse legado”, afirmou.

Com foco especial na juventude, a palestra abordou a necessidade de incentivar o cooperativismo desde cedo, aproximando os jovens do modelo e reforçando seu papel na tradição e na inovação. O futuro do cooperativismo, segundo ele, depende diretamente do engajamento das novas gerações.

O diretor técnico do Sebrae/SC, Fábio Zanuzzi, aprofundou o debate ao falar sobre sucessão e permanência no campo. “Um dos grandes desafios é a continuidade não só do jovem na propriedade rural, mas também no modelo cooperativista. Temos percebido mudanças de comportamento entre as gerações, e isso exige uma comunicação mais próxima e estratégica. Precisamos ouvir o jovem, entender seus anseios e reconhecer que a velocidade dele é diferente da geração anterior”.

Cadeia de aves e suínos

Complementando a programação, a palestra “Cadeia de Aves e Suínos em SC”, ministrada pelo vice-presidente de agronegócios da Aurora Coop, Marcos Zordan, trouxe uma análise sobre a importância estratégica dessas cadeias produtivas para a economia catarinense e nacional. “Conectamos a cadeia de suínos, aves e leite ao cooperativismo, seja por meio da Aurora Coop ou das cooperativas filiadas. Precisamos mostrar ao produtor o que estamos fazendo e o que o futuro nos espera nessas atividades”, explicou.

Zordan esclareceu a diferença entre os sistemas de integração, como ocorre na suinocultura, avicultura e na produção independente do leite, ressaltando a importância da segurança para o produtor na tomada de decisão. “Precisamos que esses produtores sintam firmeza ao decidir investir nessas atividades. O futuro aponta para aumento do consumo de alimentos e isso exige produtividade. E produtividade é a única forma de melhorar a rentabilidade”, enfatizou.

O vice-presidente de agronegócios da Aurora Coop expôs dados relevantes da avicultura regional. “Atualmente, cerca de 70% dos avicultores ligados a Aurora Coop já têm sucessão familiar encaminhada. No Brasil, esse índice gira entre 3% e 5%. Isso é resultado de um trabalho contínuo das cooperativas, das filiadas, da cooperativa e de todos que fortalecem o setor. Quando o produtor tem renda compatível, o filho fica na propriedade. Se o filho fica, a sucessão está garantida”, salientou.

Capacitação

Palestrante Dieisson Pivoto – Foto: Karina Ogliari/MB Comunicação

“Encerramos a rodada de palestras desta sexta-feira (20), demonstrando a importância do desenvolvimento regional com iniciativas como o Programa Encadeamento Produtivo. Quando estruturamos as cadeias de aves, suínos e leite dentro de uma lógica cooperativista, estamos fortalecendo todos os elos, da produção primária à industrialização, da assistência técnica ao acesso ao mercado. Isso gera previsibilidade, competitividade e sustentabilidade econômica para o produtor”, concluiu Zanuzzi.

A atuação do Sebrae/SC qualifica esses elos, promove integração, gestão eficiente, inovação e planejamento estratégico. O desenvolvimento não ocorre apenas pelo aumento de produção, mas pela organização sistêmica da cadeia, adoção de tecnologia, ganho de produtividade e agregação de valor.

Fonte: Assessoria Sebrae
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