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Cooperativismo brasileiro busca políticas públicas à altura do seu protagonismo econômico e social
Setor enfrenta entraves regulatórios e de acesso a fundos e compras públicas, e defende inclusão digital e fortalecimento da produção rural.

O cooperativismo brasileiro tem ganhado relevância crescente na economia nacional, não apenas por seu peso em setores estratégicos como agropecuária, crédito, saúde e infraestrutura, mas também por sua capacidade de gerar inclusão social, desenvolvimento regional e sustentabilidade. No entanto, mesmo com esse protagonismo, o setor ainda enfrenta entraves regulatórios, tributários e de acesso a políticas públicas que não contemplam adequadamente as especificidades do modelo cooperativo.
O Sistema Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), que representa institucionalmente o cooperativismo no país, tem articulado com o Congresso Nacional, o Executivo e diversas agências reguladoras uma agenda propositiva. A ideia é garantir um ambiente jurídico e institucional que reconheça a singularidade das cooperativas e permita que o modelo prospere com maior segurança jurídica, competitividade e equidade.
De acordo com a gerente de Relações Institucionais do Sistema OCB, Clara Maffia, embora o setor tenha avançado nos últimos anos, especialmente com a aprovação da Lei Complementar 214/2025, que trouxe segurança jurídica sobre o ato cooperativo no novo regime tributário, ainda há desafios importantes a serem superados. “Precisamos da regulamentação plena dessa lei e também da Lei Complementar 213/2025, que trata da atuação das cooperativas no mercado de seguros”, enfatiza.
Apesar dos avanços, entraves persistem

Gerente de Relações Institucionais do Sistema OCB, Clara Maffia: “É fundamental avançar na inclusão digital no meio rural – permitindo que cooperativas atuem como prestadoras de serviços de internet e telefonia, ampliar o acesso ao crédito, modernizar o seguro rural e regulamentar que cooperativas de crédito sejam agentes financeiros dos municípios”
Clara também aponta gargalos no acesso aos fundos constitucionais, entraves à participação em licitações públicas e a urgente modernização da legislação para que cooperativas de crédito possam captar recursos de órgãos públicos, como prefeituras. “Também é fundamental garantir a inclusão digital das cooperativas, sobretudo no campo, para que possam se desenvolver plenamente”, acrescenta.
O sistema cooperativo tem um modelo econômico baseado em princípios de mutualismo e interesse coletivo, e essa característica deve ser respeitada na formulação de políticas públicas. “A aprovação da Lei Complementar 214/2025 foi um passo histórico nesse sentido, pois assegura o tratamento adequado ao ato cooperativo no novo regime tributário. Isso traz mais segurança jurídica e garante que não sejamos tratados como empresas tradicionais”, aponta.
Desafios centrais
A profissional defende também que é preciso ampliar o acesso das cooperativas aos fundos públicos e criar instrumentos de financiamento mais aderentes à realidade do setor. “Permitir que cooperativas de crédito captem recursos municipais, por exemplo, fortalece a inclusão financeira e o desenvolvimento regional”, afirma, ressaltando: “É preciso que as políticas públicas e regulatórias estejam alinhadas à nossa natureza, que é, acima de tudo, voltada para o desenvolvimento coletivo e sustentável”.
No meio rural, ambiente em que as cooperativas são essenciais para a viabilidade de pequenas e médias propriedades, Clara defende a ampliação de políticas estruturantes. “É preciso garantir acesso ao crédito rural com taxas competitivas, melhorar os seguros agrícolas e aprovar o PL 1.303/2022, que permite que cooperativas ofereçam serviços de telecomunicação, um passo fundamental para a inclusão digital no campo e essencial para modernizar a produção, acessar mercados e gerar mais valor”, salienta, destacando a importância de políticas que incentivem a industrialização da produção rural via cooperativas e fomentem a bioeconomia e a intercooperação.
Compras públicas ainda esbarram em barreiras jurídicas e culturais
Outro ponto central da pauta cooperativista é a ampliação da participação das cooperativas nas compras governamentais. Clara reforça que ainda há barreiras jurídicas e culturais na gestão pública que dificultam esse avanço. “Muitas vezes, a prestação de serviço cooperativo é equivocadamente tratada como intermediação de mão de obra ou prestação de serviço comum. É preciso que os editais sejam adaptados às características do cooperativismo e que reconheçam plenamente o modelo cooperativo como apto e competitivo para a prestação de serviços públicos”, argumenta, acrescentando: “Isso se aplica, especialmente, para cooperativas de saúde, educação, trabalho, transporte e alimentação. Também estamos trabalhando na mobilização de gestores públicos para que reconheçam que as cooperativas são parceiras do Estado na geração de trabalho, renda e desenvolvimento local”, adianta.
Hora de transformar leis em políticas permanentes
Em ano de reconhecimento internacional das cooperativas, Clara evidencia que o Brasil tem uma oportunidade singular para mostrar ao mundo que o cooperativismo é um instrumento estratégico de desenvolvimento sustentável, socialmente justo e economicamente viável. “Uma resposta concreta seria a plena regulamentação das Leis Complementares 213 e 214, que garantem segurança jurídica, competitividade e expansão para o setor. Também é fundamental avançar na inclusão digital no meio rural – permitindo que cooperativas atuem como prestadoras de serviços de internet e telefonia, ampliar o acesso ao crédito, modernizar o seguro rural e regulamentar que cooperativas de crédito sejam agentes financeiros dos municípios”, enumera.
Para ela, transformar os avanços legislativos recentes em políticas públicas efetivas, permanentes e estruturantes é o caminho para consolidar o cooperativismo como instrumento de um Brasil mais justo, produtivo e sustentável.
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Armazenamento correto garante qualidade e previne perdas de produtos pecuários
Boas práticas são essenciais para a produtividade da fazenda e envolvem higiene, controle de temperatura e organização física do espaço.

Na pecuária, o bom desempenho do rebanho está ligado a fatores como alimentação, controle de doenças e parasitas, cuidado com o bem-estar animal e monitoramento constante do gado. Além desses critérios, as boas práticas no armazenamento de produtos destinados aos animais também devem ser consideradas essenciais, uma vez que previnem perdas e garantem a produtividade da fazenda.
As boas práticas visam garantir a qualidade, segurança e valor dos produtos, prevenindo contaminações e perdas. Os procedimentos envolvem higiene, controle de temperatura e organização física do espaço, e variam conforme o tipo de produto (ração, suplementos, medicamentos). “Esses princípios mantêm a boa qualidade desses itens, evitando, além das perdas ligadas ao seu valor financeiro, chance de contaminar outros artigos ou provocar doenças no rebanho”, explica o zootecnista Bruno Marson.
Antes de armazenar os produtos, é importante observar qual tipo de espaço ele deve ser guardado. Rações e suplementos precisam ser armazenados em locais secos e arejados, preferencialmente em suas embalagens originais ou em recipientes herméticos, sobre paletes e afastados das paredes para evitar umidade e acesso de pragas. “No caso de medicamentos e vacinas veterinárias é preciso seguir rigorosamente as instruções do fabricante quanto à temperatura, uma vez que muitos desses produtos requerem refrigeração e condições de armazenamento em local seguro e separado de outros produtos químicos”, destaca Marson.
No caso de defensivos agrícolas e químicos, o armazenamento deve ser feito em local isolado, com ventilação adequada, piso impermeável e sinalização de perigo. A legislação brasileira dispõe sobre o sistema de armazenagem dos produtos agropecuários, e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fornece cartilhas de boas práticas para serviços de alimentação que são relevantes para produtos de origem animal.
Princípios fundamentais
Marson enfatiza que a higiene rigorosa é essencial, por isso é necessário manter as instalações, equipamentos e utensílios sempre limpos e sanitizados, e que a higiene pessoal dos colaboradores também é crucial. Os locais de armazenamento devem ser limpos, organizados, bem ventilados e protegidos da luz solar direta, umidade, insetos, roedores e outros animais.
No caso da temperatura, seu controle é vital, especialmente para insumos como vacinas e medicamentos. Câmaras frias e refrigeradores devem ser usados conforme as especificações do fabricante. “As embalagens devem proteger o produto da umidade e de contaminações externas. No caso de rações e grãos a granel, deve-se prevenir o ataque de pragas através de iscas, evitar acesso livre ao material e bloquear possíveis abrigos”, orienta.
Outra dica de Marson é organizar os produtos de forma a permitir a fácil inspeção e limpeza e implementar a rotação de estoque (primeiro a entrar, primeiro a sair – PEPS) para garantir que os produtos mais antigos sejam usados antes de vencerem. Além disso, implementar um plano eficaz para a gestão de resíduos e controle de pragas para evitar a infestação das instalações. “Seguindo essas orientações, os produtos ficarão bem armazenados, garantindo assim a produtividade do rebanho e a rentabilidade da fazenda”, menciona Marson.
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Sobretaxas dos Estados Unidos derrubam exportações brasileiras em vários setores
Estudo mostra que apenas seis dos 21 segmentos conseguiram compensar, em outros mercados, a queda nas vendas ao mercado americano.

As sobretaxas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros tiveram impacto amplo e negativo sobre as exportações do país. Um estudo da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) mostra que apenas seis dos 21 setores exportadores conseguiram compensar, em outros mercados, as perdas registradas nas vendas ao mercado americano.
Entre agosto e novembro de 2025, todos os setores analisados venderam menos para os Estados Unidos na comparação com o mesmo período de 2024. A queda somada alcançou US$ 1,5 bilhão. Em praticamente todos os segmentos, a retração das exportações para os EUA foi mais intensa do que a variação das vendas globais, o que evidencia o peso do mercado americano para a pauta exportadora brasileira.

Foto: Vosmar Rosa/MPOR
A tentativa de redirecionar exportações para outros países não foi suficiente para a maioria dos setores. Em 15 dos 21 segmentos avaliados, o crescimento das vendas ao restante do mundo não conseguiu compensar as perdas nos Estados Unidos. Juntas, essas áreas acumularam redução de US$ 1,2 bilhão.
Os impactos mais expressivos foram registrados nos setores de alimentos, como mel e pescados, além de plástico e borracha, madeira, metais e material de transporte. Apenas seis setores conseguiram equilibrar as perdas com vendas em outros mercados: produtos vegetais; gorduras e óleos; químicos; pedras preciosas; máquinas e aparelhos elétricos; e máquinas e instrumentos mecânicos.
Mesmo nesses casos, a compensação foi limitada. O estudo aponta que, muitas vezes, os produtos exportados para outros destinos não são os mesmos que tradicionalmente têm os Estados Unidos como principal mercado. Isso indica que a substituição do mercado americano ocorre de forma incompleta, tanto em valor quanto em perfil de produtos.
No setor de máquinas e aparelhos elétricos, por exemplo, as exportações para os Estados Unidos recuaram US$ 104,5 milhões no período analisado. Já as vendas para outros mercados cresceram US$ 650 milhões. Apesar do saldo positivo, itens específicos de maior valor agregado, como transformadores e geradores, também tiveram desempenho fraco fora dos EUA. As exportações de transformadores caíram tanto para o mercado americano quanto para o restante do mundo, enquanto os geradores registraram queda acentuada nos EUA e avanço modesto nos demais destinos.

Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná
O levantamento reforça que o mercado dos Estados Unidos segue difícil de substituir. Além do volume, o país importa produtos mais diversificados e com maior valor agregado, o que limita a capacidade de redirecionamento das exportações brasileiras no curto prazo.
Para a Amcham, os dados mostram que a diversificação de mercados ajuda, mas não resolve. A entidade avalia que, para grande parte da indústria brasileira, as perdas provocadas pelas sobretaxas não podem ser plenamente revertidas sem avanços nas negociações comerciais com os Estados Unidos.
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Preços dos grãos terminam 2025 sob pressão e incerteza no mercado
Soja, milho e trigo enfrentaram um ano de ajustes ao longo da cadeia global.

O mercado global de commodities encerrou 2025 marcado por preços pressionados, oferta elevada em várias cadeias e forte influência de fatores externos. Para 2026, o cenário segue condicionado a decisões políticas, tensões comerciais, clima e ajustes entre oferta e demanda, aponta a análise da Hedgepoint Global Markets.
No plano internacional, as políticas tarifárias dos Estados Unidos continuam no radar, com potencial para alterar fluxos comerciais, especialmente na relação com a China. A disputa entre as duas potências segue como um dos principais focos de atenção dos mercados. Em países emergentes, eleições também devem influenciar o ambiente econômico. No Brasil, o processo eleitoral previsto para outubro tende a aumentar a volatilidade ao longo do ano.
Na política monetária, a expectativa é de um período de maior equilíbrio. Após cortes de juros em 2025, bancos centrais como o Federal Reserve e o Banco Central Europeu se aproximam de uma fase de estabilização. No Brasil, há espaço para redução da taxa Selic ao longo de 2026, desde que as expectativas de inflação permaneçam controladas, com projeção de encerrar o ano em torno de 12%.
Esse pano de fundo macroeconômico e geopolítico se soma aos desafios específicos de cada mercado agrícola, especialmente ligados ao clima, à produção e ao consumo.
Complexo soja
O mercado de soja viveu em 2025 um cenário de forças opostas. A safra recorde da América do Sul contrastou com a redução de área nos Estados Unidos. A guerra comercial reduziu a demanda pela soja americana, ao mesmo tempo em que o crescimento do esmagamento e a perspectiva de maior uso de biocombustíveis ajudaram a sustentar o mercado. Uma trégua nas tensões entre EUA e China deu algum fôlego aos preços no fim do ano.
Em 2026, quatro pontos concentram as atenções. O primeiro é o volume de compras da China de soja norte-americana, após o compromisso de aquisição de pelo menos 25 milhões de toneladas. O segundo envolve o biodiesel nos Estados Unidos, cujas definições adiadas em 2025 devem impactar óleos vegetais e farelo no próximo ano. O terceiro fator é o clima na América do Sul, com incertezas sobre o potencial produtivo de Brasil e Argentina. Por fim, a decisão sobre a área de plantio nos EUA para a safra 26/27 dependerá do comportamento dos preços, com possibilidade de migração de área do milho para a soja.
Milho e trigo
No milho, 2025 foi marcado por produção recorde nos Estados Unidos, resultado da combinação entre aumento de área e condições climáticas favoráveis. As exportações surpreenderam positivamente, sustentadas pela competitividade dos preços. No trigo, grandes produtores também ampliaram a oferta, levando a produção global a níveis elevados.
Para 2026, o clima na América do Sul será determinante. Brasil e Argentina podem elevar a produção se as condições forem favoráveis, embora o fenômeno La Niña traga riscos, especialmente para a safra argentina. No Brasil, atrasos no plantio da soja podem comprometer o calendário do milho safrinha, elevando a exposição a riscos climáticos. Ainda assim, há tendência de aumento de área, impulsionada pela demanda crescente por etanol de milho, com novas plantas previstas para entrar em operação.
Nos Estados Unidos, a definição da área entre milho e soja dependerá da relação de preços no primeiro trimestre de 2026. Apesar da possibilidade de redução de área do milho, a demanda aquecida pode limitar cortes mais significativos. No trigo, as atenções se voltam ao clima no desenvolvimento da safra de inverno do Hemisfério Norte, em um contexto de transição do La Niña para condições neutras ao longo do primeiro semestre.



