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Cooperativismo alcança 25,8 milhões de associados e amplia exigências de governança
Setor soma 578 mil empregos diretos, presença em 3,5 mil municípios e demanda estruturas sólidas de governança para mitigar riscos regulatórios.

O cooperativismo brasileiro mantém trajetória ascendente há décadas. Em 2024, foi alcançada a marca de 25,8 milhões de cooperados, um crescimento de 66% em cinco anos. Havia 4.384 cooperativas, gerando nada menos que 578 mil empregos diretos. No mesmo ano, o setor movimentou R$ 757,9 bilhões em ingressos, crescimento de 9,5% em relação a 2023, superando, mais uma vez, o avanço do PIB nacional. Os dados constam no AnuárioCoop 2025, com referência ao desempenho de 2024.

Advogado Paulo Sérgio Nied, especialista em Direito Cooperativo e Empresarial: “O crescimento econômico do setor atrai naturalmente maior atenção dos órgãos fiscalizadores” – Foto: Gian Galani
Para o advogado Paulo Sergio Nied, especialista em Direito Cooperativo e Empresarial, esse cenário deve ser repetir nos próximos anos, expondo as cooperativas a riscos jurídicos cada vez mais complexos: “O crescimento econômico do setor atrai naturalmente maior atenção dos órgãos fiscalizadores. Quanto maior a movimentação financeira e a complexidade das operações, maior a necessidade de estruturas sólidas de governança e compliance para evitar problemas sérios, inclusive de natureza tributária”, afirma.
Entre os principais pontos de atenção está a correta distinção entre atos cooperativos e atos não cooperativos, conceito previsto na legislação que impacta diretamente a incidência de tributos. Segundo Nied, falhas nesse enquadramento costumam abrir espaço para problemas tributários. “Muitas cooperativas ainda enfrentam dificuldades em mapear, documentar e classificar suas operações. Uma interpretação incorreta pode levar à cobrança indevida de impostos ou, no sentido inverso, à constituição de passivos que só aparecem em uma fiscalização ou auditoria”, explica.
Dados setoriais

Os dados setoriais reforçam a relevância do tema. ramo agropecuário, por exemplo, movimentou R$ 438,2 bilhões em 2024, registrando um aumento de 3,6% em relação ao ano anterior. Já o ramo de crédito expandiu sua rede para mais de 9.400 pontos de atendimento físicos, tornando-se, em muitos municípios, a única instituição financeira disponível para a população. Para o especialista, essa diversificação de atividades amplia a incidência do espectro regulatório, adicionando nova camada de complexidade. “Cada ramo tem suas próprias exigências legais, tributárias e regulatórias. Uma cooperativa que atua em crédito, por exemplo, precisa estar atenta não apenas às normas fiscais, mas também às regras do Banco Central e às políticas de prevenção à lavagem de dinheiro”, destaca Nied.
Outro ponto sensível é a distribuição de sobras, que em 2024 alcançou R$ 51,4 bilhões, alta de 32% em relação a 2023. Embora esse mecanismo seja um dos pilares do modelo cooperativista, o advogado alerta para a necessidade de rigor formal. “A forma como as sobras são apuradas, registradas e distribuídas precisa estar alinhada ao estatuto social e à legislação. A experiência mostra que inconsistências nesses processos são mais uma fonte muito comum de problemas”, pontua.
Importância do compliance

O compliance cooperativista surge como ferramenta estratégica para reduzir riscos antes mesmo de uma fiscalização. De acordo com Nied, a adoção de programas internos de conformidade não deve ser vista apenas como uma exigência formal, mas como parte da gestão. “Mapear processos, revisar contratos, capacitar dirigentes e colaboradores e manter uma política clara de governança são medidas que fortalecem a segurança jurídica da cooperativa. O objetivo é criar uma cultura de conformidade que antecipe problemas, em vez de apenas reagir a eles”, enfatiza.
A participação feminina, que representa 52% dos empregados nas cooperativas, e a presença em mais de 3,5 mil municípios também reforçam o impacto social do setor. Para o especialista, esse alcance amplia a responsabilidade institucional. “As cooperativas têm um papel social relevante – tanto é que um dos seus pilares é o desenvolvimento sustentável das comunidades onde estão inseridas. Justamente por isso, precisam ser exemplos de boas práticas jurídicas e de governança, garantindo transparência e segurança para cooperados, colaboradores e parceiros”, reforça Nied.

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Brasil mira ampliação das exportações de proteína animal para a Coreia do Sul
Governo intensifica tratativas para acelerar liberações e consolidar acesso a um dos mercados mais exigentes da Ásia.

Os acordos comerciais firmados entre Brasil e Coreia do Sul tiveram um novo impulso na terça-feira (24), com prioridade para a ampliação do acesso das proteínas animais brasileiras ao mercado asiático. Em reunião realizada em Gimcheon, a comitiva do Ministério da Agricultura concentrou as discussões em habilitações de plantas frigoríficas, auditorias sanitárias e ampliação de escopos, etapas técnicas consideradas decisivas para destravar embarques de carnes e derivados ao país asiático.

Foto: Caio Aquino/Mapa
No segmento de carne de aves, 15 plantas brasileiras já aprovadas pelo órgão sul-coreano de segurança alimentar seguem sob análise da Animal and Plant Quarantine Agency (APQA). A expectativa é de que haja um posicionamento até meados de março. O avanço é estratégico, já que a Coreia do Sul é um mercado de alto valor agregado e rigor sanitário, o que pode fortalecer a presença brasileira na Ásia.
Para ovos e ovoprodutos, o Brasil apresentou proposta de Certificado Sanitário Internacional (CSI), atualmente em avaliação pelas autoridades coreanas. O retorno é aguardado nos próximos meses e pode representar nova frente de exportação para o setor, que busca diversificar destinos diante da volatilidade global.
A carne suína também esteve no centro das negociações. Está em análise a ampliação do escopo para todo o território brasileiro, passo considerado essencial para consolidar o acesso ao mercado sul-coreano. A decisão deverá ser anunciada pelo Ministry of Agriculture, Food and Rural Affairs (MAFRA) e pode ser seguida de inspeção in loco. Além disso, há previsão de missão técnica no segundo semestre para habilitar seis estabelecimentos brasileiros, sendo três frigoríficos de suínos e três unidades produtoras de farinhas.
Já a carne bovina foi tratada como prioridade pela delegação brasileira. O Brasil defendeu a realização de auditoria técnica e reiterou que

Foto: Caio Aquino/Mapa
está pronto para receber missão coreana no menor prazo possível. A abertura ou ampliação desse mercado é vista como estratégica, especialmente diante da crescente demanda asiática por proteína vermelha.
Novas habilitações
A reunião ocorreu com o comissário Choi Jung-Rok, da APQA, e integra uma agenda mais ampla de aproximação sanitária entre os dois países. Além das proteínas animais, foi confirmada para setembro uma missão técnica sul-coreana para inspeção de áreas produtoras de uvas, etapa necessária para habilitar a fruta brasileira ao mercado da Coreia do Sul.

Foto: Caio Aquino/Mapa
Durante o encontro, o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luís Rua, destacou que o Brasil está disposto a receber auditorias e missões técnicas a qualquer tempo, reforçando a estratégia de ampliar acesso com base em critérios sanitários e transparência regulatória.
Também foram mencionados dois Memorandos de Entendimento na área agrícola, assinados recentemente, que dão suporte institucional às negociações técnicas em curso.
A sinalização das autoridades coreanas nas próximas semanas será determinante para medir o ritmo de abertura do mercado, especialmente para aves e suínos, segmentos que concentram maior expectativa imediata de avanço.
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Setor produtivo do Paraná critica proposta de redução da jornada de trabalho
Grupo liderado pelo Sistema Faep alerta para aumento de custos, pressão inflacionária e impactos sobre empregos formais.

O G7 Paraná divulgou manifesto demonstrando preocupação com a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 no país. O grupo, formado pelo Sistema Faep, Fecomércio PR, Fiep, Fecoopar, Faciap, Fetranspar e ACP, alerta para os efeitos estruturais negativos da medida para o setor produtivo e para a sociedade.
Na avaliação do G7 Paraná, reduzir a jornada sem enfrentar entraves históricos do país, como infraestrutura logística deficitária, elevada carga tributária, complexidade regulatória e baixa qualificação, tende a elevar o custo por hora produzida, com reflexos no faturamento setorial, nos empregos formais e na massa salarial.
“A discussão precisa ser equilibrada, sem qualquer viés ideológico e/ou político. A proposta precisa ser discutida com cautela e baseada em dados técnicos”, afirma o coordenador do G7 Paraná e presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Nossos parlamentares precisam conhecer o real cenário, e não apenas buscar votos”, complementa.
Atualmente, o Brasil ocupa a 94ª posição no ranking de produtividade da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Entre 1990 e 2024, o crescimento médio anual da produtividade atingiu apenas 0,9%, evidenciando atraso estrutural frente a outras economias, conforme pesquisa elaborada pela Gerência de Economia e Finanças Empresariais da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG). Para o G7 Paraná, esses números evidenciam o atraso estrutural do país em relação a outras economias.
“A medida vai provocar efeitos desastrosos. O aumento dos custos produtivos tende a pressionar preços, gerar inflação e comprometer empregos, afetando diretamente consumidores e trabalhadores”, destaca Meneguette.
O documento aponta possíveis efeitos, como aumento dos preços de produtos e serviços, pressão inflacionária, aceleração da automação, crescimento da informalidade, precarização das relações de trabalho e expansão da pejotização. Também há o risco de ampliação indireta da carga de trabalho, caso trabalhadores busquem atividades complementares para recompor a renda diante de eventual elevação do custo de vida.
Outro ponto de preocupação é a implementação simultânea da reforma tributária, que já representa uma reestruturação profunda no ambiente de negócios. Para as entidades, a sobreposição de mudanças amplia incertezas regulatórias e dificulta o planejamento empresarial.
“O G7 Paraná defende ampla análise técnica dos impactos, respeito às diferenças setoriais, valorização da negociação coletiva e coordenação entre política trabalhista, desenvolvimento econômico e política tributária. É preciso responsabilidade na condução desse debate”, pondera Meneguette.
Sobre o G7 Paraná
O G7 Paraná é formado pela Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR), Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Federação e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Fecoopar), Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado do Paraná (Faciap), Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (Fetranspar) e Associação Comercial do Paraná (ACP).
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Paraná e MBRF anunciam R$ 375 milhões para fortalecer produção de alimentos
Estruturado dentro do Fundo de Investimento Agrícola do Paraná (FIDC Agro Paraná), o investimento visa fortalecer a cadeia de aves e suínos, promovendo o crescimento sustentável do setor no Paraná.

O Governo do Paraná e a MBRF anunciaram nesta terça-feira (24) o investimento de R$ 375 milhões para o fortalecimento da cadeia produtiva de aves e suínos no Estado. O aporte, que é o maior até o momento dentro do Fundo de Investimento Agrícola do Paraná (FIDC Agro Paraná), visa impulsionar a produção de alimentos, ampliar a base de integração e fortalecer a competitividade do agronegócio paranaense.
O FIDC Agro Paraná foi criado pelo Governo do Estado e lançado na Bolsa de Valores (B3), em São Paulo, em abril de 2025. O objetivo é alavancar até R$ 2 bilhões para o financiamento de projetos estruturantes no campo, impulsionando o agronegócio com apoio direto ao cooperativismo, à modernização tecnológica e ao fortalecimento da renda em regiões produtoras.
A iniciativa vai combinar recursos públicos e privados e prevê investimentos tanto na expansão e fortalecimento da base de produtores integrados, quanto nas unidades produtivas da companhia. Do total de recursos, R$ 300 milhões serão aportados pela MBRF, enquanto que os R$ 75 milhões restantes contarão com subsídio do Governo do Paraná, reforçando o modelo de cooperação entre setor público e iniciativa privada para fomentar a produção e o desenvolvimento regional.
A parceria com a MBRF, empresa fruto da fusão entre Marfrig e BRF, é a terceira fechada dentro desse modelo, que tem o fundo estruturado pela Fomento Paraná, instituição financeira estadual. “Para o Governo do Paraná é um orgulho consolidar mais essa parceria. É o terceiro FIDC em funcionamento. Esse sistema ajuda a alavancar novos investimentos no agronegócio, potencializa o nosso PIB e fortalece a posição do estado como supermercado do mundo”, destaca o governador Carlos Massa Ratinho Junior.
A alocação do recurso prevê que 70% do montante seja destinado à integração com foco na cadeia de aves e suínos, fortalecendo a atuação de produtores parceiros e ampliando o uso de novas tecnologias no campo. Os outros 30% serão direcionados a projetos estratégicos nas unidades produtivas da companhia, contribuindo para ganhos de eficiência, produtividade e competitividade.
“Este investimento reforça a solidez da nossa cadeia produtiva no Paraná e amplia nossa contribuição para o desenvolvimento da região. Ao fortalecer a integração e a infraestrutura produtiva, valorizamos os produtores, criamos bases para o crescimento sustentável e ampliamos nossa competitividade, gerando impacto positivo no negócio e nas comunidades”, comenta o CEO da MBRF, Miguel Gularte.
O diretor-presidente da Fomento Paraná, Claudio Stabile, ressalta que o FIDC oferece a possibilidade de financiamento a juros menores. “É uma solução alternativa funcional criada pelo Governo do Paraná para impulsionar o desenvolvimento da agroindústria paranaense, que vinha sendo limitado em sua capacidade de crescimento por causa das altas taxas de juros”, disse. “Neste momento, o recurso atende principalmente cooperados e integrados, mas os benefícios devem se espraiar pela cadeia produtiva ao longo do tempo, gerando novos negócios.”
Pleno vapor
Além da MBRF, o Governo do Paraná também formalizou operações de crédito rural com a C.Vale/Sicredi, em junho de 2025, e a Seara, em dezembro do ano passado. Outras empresas e cooperativas estão com processos em análise.
No caso do primeiro FIDC, o aporte inicial foi de R$ 261 milhões destinados à construção de 96 aviários, tanques de piscicultura mais eficientes e sustentáveis, além de matrizeiros (espaços voltados à criação de aves reprodutoras, que abastecem incubatórios com pintinhos para a produção de frango de corte). A Fomento Paraná atua como cotista sênior, oferecendo estabilidade à operação. Do total investido nesta operação, R$ 52 milhões são da Fomento Paraná, R$ 112,8 milhões da C.Vale e R$ 96,2 milhões do Sicredi.
Já o investimento da Seara, junto ao Governo do Estado, foi de R$ 300 milhões. A empresa aportou ainda R$ 150 milhões dentro do programa Rota do Progresso, diretamente para investimentos em Cerro Azul, no Vale do Ribeira. O objetivo é viabilizar investimentos em aviários de frango de corte e de matrizes. O patrimônio do fundo é dividido da seguinte forma: R$ 60 milhões aportados pela Fomento Paraná e R$ 240 milhões pela Seara.
Como funciona
O FIDC Agro Paraná funciona como uma plataforma financeira onde cooperativas e empresas integradoras podem criar fundos vinculados e oferecer condições facilitadas de financiamento aos cooperados e produtores integrados. O modelo permite a aquisição de máquinas, sistemas de irrigação, estruturas de armazenagem e transporte, entre outros itens voltados à modernização da agroindústria.
Trata-se de uma espécie de ‘fundo coletivo’ de investimento, em que diferentes agentes – como cooperativas, bancos, empresas e até o Estado – aplicam recursos financeiros para formar uma carteira robusta. Esses investidores se tornam cotistas do fundo e passam a receber rendimento proporcional à sua participação, com base no pagamento das parcelas dos financiamentos concedidos aos produtores. Já os cooperados e produtores integrados se beneficiam ao ter acesso a crédito com juros mais baixos, prazos mais longos e menos burocracia do que em instituições financeiras tradicionais.



