Notícias Rota do Progresso
Cooperativas Lar e Copagril investirão R$ 309,7 milhões em quatro cidades paranaenses
Lar vai investir R$ 283,1 milhões nos municípios de São José das Palmeiras (Oeste do Estado), Rio Bom (Norte) e Diamante d’Oeste (Oeste), com foco no setor agrícola. Já a Cooperativa Copagril vai investir R$ 26,6 milhões na implantação de uma Unidade de Recebimento de Cereais em Bom Sucesso, no Norte.

O governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior, anunciou na segunda-feira (09) mais dois investimentos dentro do programa Rota do Progresso, do Governo do Estado. Serão R$ 309,7 milhões em empreendimentos da cooperativa Lar Agroindustrial nas cidades de São José das Palmeiras (Oeste do Estado), Rio Bom (Norte) e Diamante d’Oeste (Oeste); e da cooperativa Copagril Agroindustrial em Bom Sucesso (Norte).

Fotos: Gabriel Rosa/AEN
O Rota do Progresso foi lançado em junho deste ano com previsão de R$ 2,5 bilhões em investimentos, beneficiando 80 municípios. O objetivo é acelerar o desenvolvimento dos municípios do Paraná, em especial aqueles com menor Índice Ipardes de Desempenho Municipal (IPDM), indicador desenvolvido pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) para medir o desempenho dos municípios paranaenses em relação à renda.
Os indicadores finais se consolidam entre os valores 0 e 1, cujos resultados se enquadram em quatro estratos de desempenho: Baixo Desempenho (de 0 a 0,39), Médio-baixo Desempenho (de 0,4 a 0,59), Médio Desempenho (de 0,6 a 0,79) e Alto Desempenho (de 0,8 a 1). Os municípios que integram o Rota do Progresso são aqueles com o IPDM igual ou abaixo de 0,4.
Ratinho Junior destacou que o Rota do Progresso contribui para o crescimento dos municípios com menores índices de desenvolvimento, promovendo um desenvolvimento mais igualitário em todo o Paraná. “Nós criamos esse programa para incentivar a geração de emprego nas pequenas cidades e hoje estamos anunciando mais quatro novas indústrias das cooperativas Lar e Copagril no nosso Estado”, afirmou.
“Recentemente também anunciamos outras três novas indústrias em mais três cidades. Estamos conseguindo implantar um ritmo acelerado de investimento de várias empresas no nosso Estado, atendendo e levando emprego para as pequenas cidades do Interior do Paraná, resolvendo um problema social e melhorando cada vez mais a qualidade de vida dessa população”, acrescentou.
O secretário de Estado da Fazenda, Norberto Ortigara, ressaltou que os investimentos fortalecem a vocação do Paraná de ser o supermercado do mundo. “São duas cooperativas que vão investir um grande volume de recursos em quatro cidades do Paraná, transformando soja e milho em maior valor agregado. Estamos liberando créditos que eles têm acumulado conosco para que promovam investimentos agroindustriais, seja na forma de recepção e tratamento de cereais, seja na forma de produção de ovos galados, de pintainhos e outras formas de transformação”, explicou.
“São investimentos muito bem-vindos e com recursos próprios, através de crédito que as empresas possuem com o Estado. Ficamos felizes de estarmos atraindo investimentos para dar mais valor àquilo que o nosso campo já produz com muita competência e em abundância”, complementou.
O secretário estadual do Planejamento, Guto Silva, salientou que o Rota do Progresso coloca os pequenos municípios no mapa dos grandes investimentos industriais. “Trata-se de
um trabalho de planejamento muito forte, permitindo que a gente olhasse os indicadores do Paraná, chegando a esses 80 municípios, que muitas vezes têm dificuldade de gerar emprego e de atrair investimentos. Seguindo a orientação do governador para que a gente desenhasse um programa para corrigir esse erro histórico do Estado é que desenvolvemos o Rota do Progresso”, disse.
Além de investimentos privados, o Estado também irá promover melhorias de infraestrutura urbana nesses municípios. “Teremos barracões industriais, programas na área de agricultura com estufas, ampliação da compra direta para a pequena agricultura familiar, tudo isso com o objetivo de gerar emprego e de melhorar a renda nas cidades”, complementou.
Do total de R$ 2,5 bilhões para investimentos nas 80 cidades integrantes da iniciativa, R$ 1 bilhão será disponibilizado a partir do Sistema de Controle da Transferência e Utilização de Créditos Acumulados (SISCRED). Em vez de receberem os créditos tributários do ICMS nos próximos anos, as empresas podem acessar os recursos imediatamente ao se comprometerem com investimentos industriais nas regiões menos desenvolvidas do Estado. “É um grande desafio levar a industrialização ao Interior, porque muitas vezes as cidades não são competitivas, não tem o ambiente de negócios que as empresas procuram para o seu investimento. Então esse programa antecipa o ICMS que elas receberiam no futuro, de créditos acumulados, para que elas invistam em cidades que precisam melhorar a sua renda per capita”, acrescentou o secretário de Estado da Indústria, Comércio e Serviços, Ricardo Barros.
Investimentos
Dos R$ 309,7 milhões anunciados nesta segunda, R$ 283,1 milhões serão investidos pela Lar nos três municípios, com foco no setor agrícola. São José das Palmeiras, no Oeste, receberá R$ 87,5 milhões para construção de uma unidade de recria de matrizes de frango de corte da cooperativa, com três granjas. A cidade aparece na 48ª posição no IPDM, com nota 0,3853, e uma população de 4 mil habitantes.
A expectativa é de uma produção de 800 mil aves fêmeas e 88 mil aves machos por ano, gerando 120 empregos diretos. A primeira granja deverá ser implantada em janeiro de 2026, enquanto que a terceira em janeiro de 2027.
O diretor-presidente da Lar, Irineo da Costa Rodrigues, afirmou que o Rota do Progresso beneficia as cidades, o estado e as empresas, em um jogo de “ganha-ganha”. “Esse é um programa muito inteligente e, sobretudo, com uma visão social do Governo do Paraná de levar o progresso a municípios que mais precisam, que possuem um desenvolvimento desigual ao resto do Estado e que precisa ser melhorado”, comentou.
“Para a Lar, que tem dinheiro parado do ICMS, vamos poder usar esses recursos para fazer os investimentos. Então é muito bom para a cooperativa, é muito bom para os municípios que precisam se desenvolver, e para o Estado, que vai colher os frutos, uma vez que vai ter empreendimento instalado aqui, gerando empregos na implantação dos projetos e, depois, na geração de ICMS”, finalizou.
Rio Bom, no Norte do Paraná, aparece em 44º lugar no IPDM, com 0,3824 e uma população de 3.233 habitantes. O investimento da cooperativa na cidade será de R$ 105,6 milhões
para construção de um incubatório de ovos férteis com capacidade de produção de 75 milhões de pintinhos por ano. Serão gerados 65 empregos diretos, com previsão de implantação para janeiro de 2027.
O prefeito Moisés José de Andrade celebrou o anúncio que, segundo ele, beneficiará não só a cidade, mas toda a região do Vale do Ivaí. “É dar oportunidade para o município crescer, se desenvolver e criar competitividade. Com o governo ajudando, arrumando recursos para que essas empresas possam investir nos pequenos municípios, isso se torna realidade, evita o êxodo rural e faz o município criar receita, conseguindo atender melhor a sua população”, opinou.
Já em Diamante d’Oeste serão aplicados R$ 90 milhões para construção de uma unidade produtora de leitões desmamados (UPD). Serão produzidos 165 mil leitões por ano, gerando 50 empregos diretos também a partir de janeiro de 2027. A cidade do Oeste paranaense tem uma população de 4.557 habitantes, e figura na posição 51 do IPDH, com 0,3881.
Já a Cooperativa Copagril concentrará seus investimentos dentro da Rota do Progresso no município de Bom Sucesso, no Norte do Estado. Serão R$ 26,6 milhões para implantação de uma Unidade de Recebimento de Cereais, com capacidade estática de estocagem de 34,2 mil toneladas. A expectativa é de geração de 20 empregos diretos, com implantação prevista para março de 2026.
Outras liberações
Esse foi o segundo anúncio de investimentos dentro da Rota do Progresso desde seu lançamento. Em setembro, a Pluma Agroavícola anunciou que investirá R$ 165 milhões nos municípios de São Jorge do Patrocínio, no Noroeste, e em Espigão Alto do Iguaçu, na região Centro-Sul.
Presenças
Participaram do anúncio o secretário de Estado da Agricultura, Natalino Avance de Souza; o deputado estadual Artagão Júnior; o chefe da Assessoria de Assuntos Econômicos-Tributários da Sefa, Francisco de Assis Inocêncio; a diretora da Receita Estadual, Suzane Gambetta Dobjenski; os prefeitos de São José das Palmeiras, Nelton Brum, de Diamante d’Oeste, Guilherme Pivatto Junior, e de Bom Sucesso, Raimundo Severiano de Almeida Junior; e demais autoridades dos municípios beneficiados.

Notícias
Safra histórica e avanço logístico impulsionam desempenho econômico do Paraná
Dados do Departamento de Economia Rural indicam produção recorde de grãos, enquanto infraestrutura rodoviária e portuária amplia capacidade de escoamento.

O estado do Paraná tem se destacado pelo forte desenvolvimento econômico durante o ano. Em 2025, o estado bateu recordes históricos em três frentes fundamentais para seu crescimento: Agricultura, Infraestrutura e Portuário. Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), o Paraná atingiu a maior safra de grãos da história, com mais de 46 milhões de toneladas colhidas.
As estradas também foram destaque com o marco de 755 quilômetros de rodovias de concreto, segundo o Governo do Paraná. Enquanto isso, os portos do estado chegaram a 70 milhões de toneladas movimentadas. Esses números representam o crescimento contínuo do estado e apontam bons resultados para o próximo ano.

Presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Oeste do Paraná (Sintropar): “Esse volume exige planejamento logístico, infraestrutura adequada e operações cada vez mais qualificadas”
Segundo o Deral, o resultado da safra de 2024/25 atingiu a meta esperada para 2035. O destaque da safra foi para a aveia com 470 mil toneladas, o maior volume dos últimos 10 anos. Outro elemento importante para o setor foi o milho, que atingiu 21 milhões de toneladas, um número recorde para o grão.
Para o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Oeste do Paraná (Sintropar),, o número reforça a importância de uma força conjunta entre os dois setores. “Esse volume exige planejamento logístico, infraestrutura adequada e operações cada vez mais qualificadas. O recorde histórico da safra paranaense fortalece a união entre os setores e evidencia a importância do Transporte Rodoviário de Cargas para garantir o escoamento eficiente dessa produção”, ressalta.
Avanços em infraestrutura
Os mais de 700 quilômetros de rodovias concretadas representam um aumento de 50% em relação à extensão registrada em junho, de 500 quilômetros. Ao todo, as rodovias de concreto já somam mais de R$3,3 bilhões investidos. Além dos resultados já alcançados, obras de restauração, ampliação e duplicação já estão previstas para a região Oeste. “A ampliação das rodovias de concreto no Paraná é um avanço importante para o setor, pois traz mais durabilidade, segurança viária e previsibilidade operacional para quem transporta cargas diariamente”, salienta Pilati.
Para o presidente do Sintropar, o Paraná apresenta um crescimento consistente diante dos investimentos e de uma economia diversificada: “Esse ambiente favorece o planejamento das empresas e fortalece toda a cadeia do Transporte Rodoviário de Cargas”, frisa.
Além das safras e das rodovias, os portos também alcançaram números históricos. Em 2025, os portos do estado movimentaram 70 milhões de toneladas, uma marca 5% maior do que a registrada em 2024. O Porto de Paranaguá é um dos mais importantes do mundo no embarque de grãos e farelos, além de ser o maior corredor de exportação de carne do Brasil, com saída de 40% da produção nacional. “O recorde histórico de movimentação nos Portos do Paraná mostra que o estado está preparado para atender a uma demanda crescente. Esse desempenho é possível, também, com o apoio de um transporte rodoviário eficiente, integrado e tecnicamente bem estruturado”, reforça Pilati.
Perspectivas para 2026
Em 2026, estão previstas a continuação das obras de infraestrutura para melhorias na malha rodoviária, com restaurações, novas ligações e pavimentações. Além disso, com o recente investimento de R$1,5 bilhão para expansão do Porto de Paranaguá, a expectativa é de um salto na escalada do comércio exterior. “Para 2026, a expectativa é de um cenário ainda mais desafiador e promissor, com uma agricultura forte, portos cada vez mais eficientes e a necessidade permanente de rodovias adequadas para sustentar esse crescimento”, comenta o presidente.
O executivo reforça a integração entre os setores para o crescimento contínuo e eficiente do estado: “A integração entre produção, infraestrutura viária e logística portuária será determinante para manter a competitividade do Paraná, e o Sintropar seguirá atuando para que o transporte rodoviário esteja preparado para atender essa demanda com eficiência, segurança e planejamento”, enfatiza Pilati.
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Incerteza tarifária amplia retração nas importações de fertilizantes fosfatados
Importadores priorizaram negociações pontuais diante de balanço global apertado e poder de compra reduzido do agricultor.

As importações de fertilizantes fosfatados de alta concentração registraram forte retração nos Estados Unidos em 2025, diante da combinação de preços elevados, oferta global restrita e relações de troca desfavoráveis. A análise é da StoneX, em seu relatório semanal de fertilizantes.
Entre janeiro e dezembro do ano passado, os EUA importaram pouco menos de 600 mil toneladas de DAP (fosfato diamônico), volume 53% inferior ao registrado em 2024. Já as compras de MAP (fosfato monoamônico) somaram pouco menos de 700 mil toneladas, queda de 34% na comparação anual.

Analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Tomás Pernías: “Diante desse cenário, os importadores optaram por uma postura mais cautelosa, priorizando compras em pequenos volumes em vez de grandes compromissos” – Foto: Divulgação
Segundo o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Tomás Pernías, o desempenho negativo está ligado principalmente a dois fatores. “Durante boa parte de 2025, os preços dos fosfatados de alta concentração se mantiveram elevados, em meio a um balanço global apertado. Ao mesmo tempo, as cotações enfraquecidas no mercado de grãos levaram a algumas das piores relações de troca dos últimos anos”, afirma.
De acordo com Pernías, esse ambiente reduziu o apetite dos compradores norte-americanos. “Diante desse cenário, os importadores optaram por uma postura mais cautelosa, priorizando compras em pequenos volumes em vez de grandes compromissos. A perda de poder de compra do agricultor também desestimulou o consumo, levando a aplicações mais criteriosas”, destaca.
Outro fator relevante foi a incerteza em torno das tarifas de importação dos Estados Unidos ao longo de 2025. No ano passado, o então presidente Donald Trump elevou de forma súbita as tarifas de importação, impactando diretamente os fertilizantes importados. O aumento de custos no segmento de fosfatados, somado ao balanço global apertado, ampliou a imprevisibilidade e dificultou o planejamento das aquisições.
Perspectivas para a próxima safra
Para a próxima temporada, a expectativa é de que o consumo de fosfatados de alta concentração permaneça limitado. “As restrições financeiras impostas por relações de troca pouco atrativas e preços ainda elevados devem continuar condicionando as decisões de compra dos agricultores, que tendem a manter uma postura cautelosa”, projeta Pernías.
Além disso, os custos das principais matérias-primas utilizadas na produção desses fertilizantes, como amônia e enxofre, seguem em patamares relativamente elevados, o que dificulta uma queda mais consistente dos preços no curto prazo.
O cenário reforça a necessidade de monitoramento constante do mercado global de fertilizantes, especialmente em um ambiente marcado por volatilidade, incertezas comerciais e margens mais pressionadas no campo.
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Agro brasileiro transforma agricultura tropical em ativo estratégico na agenda climática
No Dia do Agronegócio, setor destaca protagonismo na COP 30, avanço de tecnologias de baixo carbono e ganhos de produtividade que ampliam a oferta de alimentos sem expansão proporcional de área.

A celebração do Dia do Agronegócio em 25 de fevereiro ganha relevância em um momento em que o Brasil apresenta a agricultura tropical como um ativo estratégico e conectado ao futuro, onde a inovação tecnológica no campo se traduz em mais sustentabilidade.

O modelo de produção desenvolvido no Brasil é um aliado que pode contribuir para mitigar a crise climática, apoiar a transição energética e garantir segurança alimentar no mundo. Esta foi a mensagem levada pelo setor para o público da COP 30. “A consolidação desta agenda é vital para a competitividade brasileira em acordos como o Mercosul-União Europeia. Ao liderar a discussão, o Brasil combate barreiras comerciais unilaterais e se antecipa a exigências globais em comércio sustentável, o que demanda a implementação plena do Código Florestal e o combate rigoroso ao desmatamento ilegal”, avalia Fernando Sampaio, membro do Grupo Estratégico (GE) da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura.
Diferente das nações desenvolvidas, cujas emissões concentram-se em energia e transporte, o perfil brasileiro é dominado pelas emissões oriundas do uso da terra. O setor agropecuário tem avançado na demonstração de que práticas sustentáveis não apenas aumentam a produtividade, mas funcionam como sumidouros de carbono.

Entre as tecnologias e práticas desenvolvidas no Brasil estão o plantio direto, a fixação biológica de nitrogênio, a integração lavoura-pecuária-floresta, a recuperação de áreas degradadas e a terminação intensiva de gado a pasto, além de bioinsumos. A biomassa e os biocombustíveis contribuem para que a matriz brasileira possua 49% de fontes renováveis, o triplo da média global, o que permite também ampliar a economia circular no setor, com aproveitamento de resíduos. “Os desafios estão em como ampliar o uso das práticas sustentáveis, o que demanda, de um lado mais produção e difusão de tecnologia e, de outro, mais investimentos chegando no campo”, analisa Sampaio.
“Outro desafio está em mensurar a contribuição dessa agricultura para o clima. É preciso tropicalizar os fatores de emissão, e também rediscutir no cenário internacional como são feitas essas métricas. Por exemplo, padrões internacionais medem carbono no solo apenas nos primeiros 20 centímetros de profundidade. No Brasil, as raízes das pastagens podem fazer o mesmo a profundidades superiores a 2 metros, revelando um ativo ambiental subestimado”, salienta Sampaio.
Mais produção, menos desmatamento
Historicamente, o ambiente tropical era considerado desafiador para a produção devido a solos de baixa fertilidade, alta incidência de pragas e irregularidades climáticas. Contudo, nas últimas cinco décadas, o Brasil protagonizou uma revolução científica que transformou o país de grande importador de alimentos em um dos maiores exportadores globais. Dados oficiais mostram que o agronegócio responde por 23,2% do PIB nacional e 49% das exportações.

Fernando Sampaio, membro do Grupo Estratégico (GE) da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura: “Florestas em pé são essenciais para regular as chuvas que garantem a produtividade no campo”
Esta ascensão refletiu em ganhos de produtividade: segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra de grãos 2025/2026 deve alcançar 353,37 milhões de toneladas, com destaque para a soja, estimada em 178 milhões de toneladas, 3,8% a mais que no ciclo anterior, projeção que, caso confirmada, indica novo recorde histórico.
Esses números reforçam a capacidade do Brasil de ampliar a oferta de alimentos sem expandir proporcionalmente a área cultivada, um crescimento impulsionado por ganhos de eficiência a partir de boas práticas e tecnologia. Isso mostra que o país tem potencial para continuar sendo um grande produtor sem depender do desmatamento. “Florestas em pé são essenciais para regular as chuvas que garantem a produtividade no campo. O equilíbrio do clima é condição vital para a produção agrícola e, por consequência, da segurança alimentar”, acrescenta Sampaio.
Soluções práticas e próximos passos

Foto: Jonathan Campos
O Brasil tem políticas públicas desenhadas para apoiar o crescimento de uma agropecuária sustentável. Entre os destaques estão o Plano ABC+ e o Caminho Verde. O ABC+ é hoje o principal instrumento para consolidar a agricultura de baixo carbono, com metas de ampliar sistemas sustentáveis em mais de 72 milhões de hectares até 2030. O Caminho Verde pretende recuperar 40 milhões de hectares de áreas degradadas nos próximos 10 anos. “Precisamos avançar em políticas públicas e ações privadas capazes de democratizar o acesso a tecnologias para pequenos e médios produtores. Mas também é preciso conter a ilegalidade, avançar na implementação do Código Florestal e na remuneração por ativos ambientais em áreas privadas”, ressalta Sampaio, enfatizando: “A consolidação dessa agenda agroambiental no país é um diferencial para garantir resiliência à nossa produção, atrair investimentos, ampliar mercados e mudar a imagem internacional da agricultura brasileira.”



