Bovinos / Grãos / Máquinas
Cooperativa aposta nos taurinos e cruzas e triplica abate em três anos
Se atuássemos somente com raças zebuínas, como nelore, seria muito mais difícil ter um mercado diferenciado, garante produtor
A Coopercaiuá, cooperativa de produtores de gado de corte da região de Umuarama, no Paraná, apostou nas raças taurinas e nos cruzamentos industriais para ganhar mercado nas regiões Noroeste e Oeste do Estado. O objetivo inicial era encontrar uma forma mais justa de comercialização para produtos de melhor qualidade e consequentemente ter melhor remuneração ao cooperado. Nos últimos três anos, a cooperativa triplicou o abate, garantindo um produto diferenciado ao consumidor e mais rentabilidade ao pecuarista.
“Se atuássemos somente com raças zebuínas, como nelore, seria muito mais difícil ter um mercado diferenciado. Só é aceito na Coopercaiuá animais de cruzamento industrial ou puros de raças taurinas. Mais especificamente as não continentais, isto é, oriundas da Grã Bretanha, como aberdeen, angus e hereford”, explica o pecuarista associado e um dos fundadores da Coopercaiuá, Mario Aluízio Zafanelli . “Esta boa genética permite que a cooperativa abata animais entre nove e 24 meses, tudo acompanhado por um corpo técnico nos itens nutricional, genético e de idade. Este animal fica mais caro para o produtor, porém temos maior rentabilidade em comparação com o mercado comum. Há todo um mecanismo interno que garante esta rentabilidade ao cooperado”, explica.
Chega a faltar boi para alimentar o crescimento da indústria. “Nós procuramos equilibrar a oferta dos pecuaristas cooperados com as vendas na região. Isto é bastante complexo. Às vezes temos que recorrer a fornecedores em outras regiões. É um compromisso muito sério atender nossos clientes bem como absorver os animais destinados à cooperativa. Nos últimos três anos, triplicamos o número de animais abatidos, sem esquecer da manutenção da qualidade. Temos a intenção de crescer de forma constante e responsável”, explica.
Questionado sobre a possibilidade de exportar, Zafanelli é enfático: “Antes de sonhar com exportação temos muitos degraus para subir”. Mas garante que qualidade já tem. “Posso dizer que a qualidade da um corte da nossa carne não tem nada a perder para o mesmo corte da carne disponível na Argentina ou no Uruguai”, garantiu, citando dois dos mais tradicionais produtores de carne bovina do mundo.
Para ele, qualidade é sempre uma variável constante, por isso é um tema para ser abordado com recorrência. “Desenvolvimento genético, manejo de pastagens, bem estar animal fazem parte destes debates. Há sempre espaço para melhorar. Temos cooperados que estão sempre fazendo testes com outros cruzamentos industriais, por exemplo, buscando um novo produto, que tenha uma boa relação entre custo e beneficio, tenha adaptabilidade e qualidade ainda melhor”, conta.
Custos Elevados
Apesar de comemorar o crescimento e a participação no mercado, o produtor paranaense diz que a pecuária passa por um momento delicado, com custos elevados e pouca valorização do produto final. “Estamos passando por um período muito crítico na pecuária paranaense e brasileira. Com os aumentos excessivos dos insumos nutricionais (soja, milho) aliado ao baixo valor pago pela arroba, falta de políticas governamentais, financiamentos, desestimulam o produtor a qualquer investimento no setor pecuário”, avalia Zafanelli. “Inclusive grande parte dos confinadores vão deixar de confinar animais neste ano”, alerta.
Plano de Desenvolvimento
Em 2015, o governo do Estado criou um programa para incentivar a pecuária de corte. Zafanelli faz parte do grupo de trabalho, que sensibiliza interessados na atividade a produzir com eficiência em visitas a propriedades modelo. “O governo do Paraná viu que a pecuária necessita ter mais velocidade no seu desenvolvimento, como é atualmente a agricultura do nosso Estado. Aumentar a quantidade e qualidade do nosso rebanho é o objetivo nesta iniciativa que começou em 2015, juntamente com entidades privadas. Temos tido reuniões regionais, cada qual focando em assuntos semelhantes visando este objetivo. Basicamente têm sido feito visitas técnicas, reunindo um número considerável de pessoas em propriedades referência, onde eficiência e resultados positivos são apresentados a pecuaristas que querem produzir carne com qualidade”, conta.
Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2016 ou online.
Fonte: O Presente Rural

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Pecuária brasileira investe em rastreabilidade e práticas sustentáveis para modernizar o setor
Programa da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável orienta produtores sobre recuperação de pastagens, formalização e monitoramento da cadeia para aumentar eficiência e atender exigências ambientais e comerciais.

Pressionada por novas exigências ambientais, regras comerciais mais rigorosas e pela necessidade de ampliar a produção sem expandir área, e ao mesmo tempo impulsionada pelos avanços produtivos que vêm transformando o setor, a pecuária brasileira atravessa um momento decisivo. Ao mesmo tempo em que enfrenta questionamentos sobre emissões e desmatamento, o setor reúne condições técnicas e práticas sustentáveis para liderar uma transição baseada em tecnologia, eficiência, recuperação de áreas já abertas e maior integração dos produtores à cadeia formal.
Nesse cenário, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável tem reforçado sua atuação como articuladora de propostas estruturantes e como referência técnica para o debate público. A entidade sustenta que a competitividade da carne brasileira dependerá da capacidade de transformar o momento atual em ativos estratégicos.

Presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Ana Doralina Menezes: “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe” – Foto: Clever Freitas
Um dos pilares dessa agenda é a recuperação de pastagens degradadas, apontada como eixo central do Caminho Verde, política pública defendida pela instituição para impulsionar a intensificação sustentável da atividade. A estratégia parte de um diagnóstico claro: “o Brasil possui um volume importante de áreas consideradas de baixa produtividade. Requalificá-las, por meio de manejo adequado, melhoria do solo, tecnologias e integração de sistemas, permite elevar a produção por hectare, reduzir emissões relativas e otimizar a produção”, explica a presidente, Ana Doralina Menezes.
De acordo com a profissional, o programa representa uma solução pragmática e alinhada às demandas globais. “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe. Recuperar pastagens é aumentar eficiência, melhorar renda no campo e responder de forma concreta aos compromissos climáticos”, afirma.
A transformação, porém, não se limita à dimensão produtiva. Parte relevante do desafio está na reinserção de pecuaristas na cadeia formal. A informalidade restringe acesso a crédito, assistência técnica, mercados que exigem comprovação socioambiental, além de fragilizar a imagem do setor como um todo, por isso é imprescindível que o pecuarista esteja alinhado e de acordo com o Código Florestal vigente.

Foto: Breno Lobato
Para o vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Lisandro Inakake de Souza, a inclusão é condição para que a transição seja efetiva. “Quando o produtor está regularizado, ele tem acesso a financiamento, pode investir em tecnologia e atender às exigências de mercado. A formalização precisa ser vista como instrumento de fortalecimento econômico e não apenas como obrigação”, destaca.
A ampliação da rastreabilidade também integra esse movimento, uma vez que ela se apresenta como infraestrutura que conecta sanidade, ambiente e gestão. Em relação ao mercado, com compradores cada vez mais atentos à origem e à conformidade ambiental, sistemas consistentes de monitoramento tornam-se fator determinante para manutenção e novas aberturas. Por isso, como reforça a Mesa, transparência é elemento estruturante da competitividade. “Rastreabilidade é credibilidade. Ela protege quem produz corretamente e permite que o Brasil apresente dados sólidos sobre sua cadeia”, frisa Lisandro.
Ao articular recuperação de pastagens no âmbito do Caminho Verde, inclusão produtiva e avanço da rastreabilidade, a instituição busca incentivar o setor de forma propositiva diante das transformações regulatórias e comerciais em curso. “Mais do que reagir a pressões externas, a estratégia é demonstrar que produtividade, responsabilidade socioambiental e inserção competitiva podem avançar de forma integrada, incentivando o produtor a atuar como centro da solução”, complementa Ana Doralina.
Uma agenda conectada ao campo

Lisandro Inakake de Souza, vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável: “Quando o produtor está regularizado, ele tem acesso a financiamento, pode investir em tecnologia e atender às exigências de mercado” – Foto: Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável
Para apoiar o pecuarista nos temas estratégicos que vêm moldando o futuro da atividade, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável iniciou 2026 com uma programação propositiva de webinars voltados à qualificação e à disseminação de informação técnica.
No dia 29, foi realizado o segundo encontro dedicado à reinserção de produtores na cadeia formal. Em 26 de fevereiro, o foco esteve na rastreabilidade, aprofundando desafios e caminhos para ampliar transparência e conformidade. Um terceiro webinar sobre reinserção está previsto para maio, dando continuidade às discussões.
Todos os conteúdos já disponibilizados podem ser acessados no canal oficial da instituição no YouTube, ampliando o alcance das orientações e fortalecendo o diálogo com produtores, técnicos e demais elos da cadeia.
“Nosso compromisso é transformar temas complexos em orientação prática para quem está no campo. Quando promovemos debates sobre recuperação de pastagens, reinserção na cadeia formal e rastreabilidade, estamos oferecendo instrumentos concretos para que o produtor tome decisões mais seguras, amplie sua competitividade e participe de forma ativa dessa nova etapa da pecuária brasileira”, finaliza a presidente.
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Sistema Faep assume coordenação da Aliança Láctea Sul Brasileira no biênio 2026/27
Fórum reúne entidades e produtores para discutir estratégias de competitividade e desenvolvimento da cadeia do leite.

O Sistema Faep está à frente da coordenação geral da Aliança Láctea Sul Brasileira para o biênio 2026/27. O comando é rotativo entre os Estados participantes e, neste novo ciclo, ficará sob responsabilidade do Paraná, representado pelo Sistema Faep. Mais recentemente, o Mato Grosso do Sul passou a integrar a iniciativa, ampliando a articulação regional em torno do fortalecimento da produção e da competitividade do leite brasileiro.

Ronei Volpi, coordenador geral da Aliança Láctea, em sua propriedade – Foto: Divulgação/Sistema Faep
“A Aliança contribui para a integração entre os Estados e a construção de estratégias conjuntas voltadas à cadeia do leite. O Sistema Faep seguirá trabalhando ao lado das entidades do setor para avançar em pautas que ampliem a competitividade e as oportunidades para a produção”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
Criada em 2014, a Aliança Láctea Sul Brasileira é um fórum público-privado que reúne representantes do setor produtivo e de instituições dos estados da região Sul. O grupo discute ações voltadas à cadeia leiteira e busca alinhar iniciativas nas áreas de produção, indústria e comercialização de leite e derivados, com foco nos mercados interno e externo. No ciclo 2026/27, a coordenação será exercida pelo consultor do Sistema Faep, Ronei Volpi, produtor rural com atuação há décadas na cadeia leiteira e participação em discussões voltadas ao desenvolvimento do setor.
A agenda de trabalho da Aliança para 2026 começou recentemente. No início de março, o Sistema Faep foi anfitrião da primeira reunião do ano, quando foram apresentados o Plano de Incentivo à Exportação de Lácteos e o plano de trabalho voltado à sanidade na cadeia leiteira, iniciativas que buscam fortalecer a competitividade do setor e ampliar oportunidades de mercado para os produtores da região.
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Demanda externa impulsiona exportações brasileiras de carne bovina
Volume embarcado supera 267 mil toneladas em fevereiro, com crescimento expressivo em mercados como Rússia, México e Chile.

As exportações brasileiras de carne bovina totalizaram 267.319 mil toneladas em fevereiro de 2026, com receita de US$ 1,44 bilhão, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC).
Na comparação com fevereiro de 2025, o resultado representa crescimento de 21,6% no volume embarcado e de 38,2% na receita, refletindo a ampliação da demanda internacional pela proteína brasileira. O desempenho também supera levemente o registrado em janeiro de 2026, quando as exportações somaram US$ 1,404 bilhão e 264 mil toneladas, consolidando o melhor resultado já registrado para um mês de fevereiro na série histórica.

No acumulado de janeiro e fevereiro de 2026, as exportações brasileiras de carne bovina alcançaram 531.298 toneladas, com receita de US$ 2,84 bilhões, avanço de 23,8% em volume e 39,2% em valor em relação ao mesmo período do ano passado.
A carne bovina in natura segue como principal produto exportado, com 235.890 toneladas embarcadas em fevereiro, o equivalente a 88,2% do volume total exportado e 92,2% da receita obtida no mês.
Entre os destinos, a China permanece como principal mercado, com 106.702 toneladas importadas em fevereiro, seguida pelos Estados Unidos, com 39.440 toneladas, além de Rússia (15.762 t), Chile (13.857 t) e União Europeia (9.084 t) entre os principais compradores da carne bovina brasileira.

Foto: Divulgação/Porto de Santos
Entre os mercados relevantes, Rússia, México e Chile apresentaram crescimento expressivo nas compras em relação ao mês anterior, com altas de 111,6%, 132% e 37,6%, respectivamente, enquanto as exportações para a União Europeia avançaram 21,2% no período.
Para o presidente da ABIEC, Roberto Perosa, os números reforçam a presença da carne bovina brasileira no comércio internacional. “O Brasil segue ampliando sua presença nos mercados internacionais com regularidade de oferta, qualidade do produto e diversificação de destinos, fatores que sustentam o crescimento das exportações de carne bovina”, conclui.
