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Cooperação tecnológica com Israel deve transformar projeto de irrigação do Vão do Paranã
Governador em exercício, Daniel Vilela, acompanhou representantes de Israel em visita a propriedades beneficiadas pelo projeto de fruticultura. A iniciativa abrange área de 300 hectares, com a perspectiva de produzir 4,2 mil toneladas de maracujá e 6 mil de manga.

A troca de informações e compartilhamento de tecnologias com Israel é a aposta para alavancar a produção agrícola no Nordeste goiano. É o que acredita o governador em exercício, Daniel Vilela, que coordenou nesta quarta-feira (30/08), uma visita do embaixador de Israel, Daniel Zonshinee, a Flores de Goiás, para conhecer o projeto de Fruticultura Irrigada do Vão do Paranã. O secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Pedro Leonardo Rezende, participou da agenda.
“Temos um planejamento para que Israel possa nos ajudar a avançar tecnologicamente. Sabemos que podemos dar as condições necessárias para que os nossos produtores possam escalar a produção e transformar Flores de Goiás num grande polo fruticultor do país”, afirmou Vilela sobre um possível acordo de cooperação entre Goiás e o país do Oriente Médio.
Daniel Vilela aponta que as diretrizes do governador Ronaldo Caiado têm como um dos focos a promoção de oportunidades em regiões carentes, razão pela qual o projeto do Vão do Paranã ganhou impulso significativo e atraiu atenção de outros países. “No mundo globalizado é preciso estabelecer cooperações, conexões e troca experiências. Nesse sentido, o governador tem destacado missões a todos os seus colaboradores, secretários e a mim, para que possamos estabelecer essas relações e fazer com que Goiás ganhe em tecnologia e conhecimento”, disse o governador em exercício.
Ao conhecer a abrangência do projeto de Fruticultura Irrigada do Nordeste Goiano, o embaixador Daniel Zonshinee, acompanhado do adido agrícola Ari Fischer, sinalizou o interesse de Israel de fechar uma parceria com o Governo de Goiás. “Viemos para conhecer a realidade de Flores de Goiás e de que maneira a experiência israelense pode ser relevante para esta área. Espero que depois desta visita, possamos pensar juntos e fazer uma cooperação, trazer tecnologias e ideias que, a meu ver, são relevantes para o projeto”, apontou o embaixador.
O secretário Pedro Leonardo Rezende classificou a visita como histórica. “Estamos no caminho para que cada vez mais possamos executar políticas públicas da inclusão produtiva da agricultura familiar. Esse projeto tem o objetivo, de proporcionar alternativa de renda e cidadania a população rural”, pontuou.
Projeto de Irrigação
Em sua primeira etapa, o Projeto de Fruticultura Irrigada do Vão do Paranã prevê a inclusão produtiva de cerca de 150 agricultores familiares dos municípios de Flores de Goiás, São João D’Aliança e Formosa. A iniciativa abrange uma área de 300 hectares, com a perspectiva de produzir 4,2 mil toneladas de maracujá e 6 mil toneladas de manga por ciclo, a partir do segundo e terceiros anos de implantação de cada cultura, respectivamente.
Ana Clezia Santos é uma das produtoras rurais beneficiadas pelo projeto. Ela explica que a estiagem prolongada na região sempre foi um problema para a lavoura, o que comprometia a vida de sua família. Com a irrigação, a esperança se renovou. “Não tínhamos renda, plantávamos algumas coisas, mas não tinha saída. Agora vamos iniciar o plantio de maracujá e manga. Estamos com boas perspectivas por que temos a irrigação. A gente precisava muito dessa ajuda que está chegando”, relata.
Entre os parceiros do projeto estão: Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa), Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária (Emater), Goiás Fomento, Universidade Federal de Goiás (UFG), secretarias estaduais do Meio Ambiente (Semad) e Geral da Governadoria (SGG), Codevasf, Embrapa Cerrados, Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco) e Sebrae Goiás.

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Itaipu compra mais uma área para assentar indígenas no Paraná
Nova fazenda de 107 hectares deve substituir área de 9 hectares ocupada por 27 famílias. Aquisição integra acordo de R$ 240 milhões para compensar impactos da formação do reservatório da usina.

Com recursos da Itaipu Binacional, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) adquiriram mais uma área para assentamento da comunidade Avá Guarani, na região Oeste do Paraná.
O imóvel, com 107 hectares, está localizado entre os municípios de São José das Palmeiras e Santa Helena, a cerca de 120 quilômetros (km) de Foz do Iguaçu, na Tríplice Fronteira, entre Brasil, Paraguai e Argentina.
A Fazenda América, que passará a se chamar Tekoha Pyahu, é dez vezes maior do que o espaço ocupado hoje pelas 27 famílias, cerca de 90 pessoas, que serão agora transferidas, segundo a Itaipu. Atualmente, elas vivem em situação precária em um terreno de apenas 9 hectares, localizado na faixa de proteção do reservatório da usina. A expectativa é que a mudança ocorra em até dois meses. “A mudança será importante para nossa comunidade, especialmente para as crianças. Teremos um local adequado para viver, ter escola, posto de saúde, entre outros direitos que iremos conquistar lá”, afirmou o cacique Dioner, líder da aldeia Pyahu.
Para ele, o processo de reparação de danos que a Itaipu está fazendo é o “mínimo que se pode fazer para os Avá Guarani”.
A compra de terras faz parte do acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em março de 2025, e firmado por Itaipu com comunidades indígenas, Ministério Público Federal (MPF), Ministério dos Povos Indígenas (MPI), Incra, Funai e Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
O objetivo é assegurar reparação histórica pela violação a direitos humanos dos Avá-Guarani. Isso porque, na década de 1970, quando a usina começou a ser construída, em plena ditadura militar brasileira, a etnia Avá-Guarani sofreu o impacto do alagamento de suas terras tradicionais com a criação do reservatório do empreendimento, a partir do represamento do rio Paraná, na divisa com o Paraguai, que compartilha a gestão da usina com o Brasil.
O acordo estabelece medidas para assegurar a territorialização das comunidades locais e prevê a destinação aos indígenas de pelo menos 3 mil hectares de terra que serão adquiridos pelo consórcio Itaipu Binacional, ao custo inicial de R$ 240 milhões. “Trata-se de respeito, de reparação histórica e de promoção de condições de vida digna para essa população”, destacou o diretor-geral brasileiro da Itaipu, Enio Verri.
Ele lembrou ainda que a solução foi construída de forma articulada com as instituições parceiras e as próprias comunidades.
No acordo homologado pelo STF, a Itaipu Binacional se comprometeu a implementar ações de restauração ambiental nas áreas adquiridas e a financiar serviços essenciais, como fornecimento de água, energia elétrica, saneamento, saúde e educação. Caberá à Funai o procedimento de destinação final da posse permanente e usufruto exclusivo às comunidades indígenas. O processo de obtenção dos imóveis rurais passa por análise fundiária e técnica tanto da Funai quanto do Incra.
Itaipu ainda informou que, por meio de convênios com associações de pais e mestres de escolas e do projeto Opaná – Chão Indígena, estão sendo promovidas iniciativas voltadas ao fortalecimento da cultura, do idioma e do modo de vida dos Avá Guarani, além de ações de assistência técnica em agroecologia e de educação antirracista.
Balanço do acordo
Até o momento, o valor total investido pela Itaipu para a compra de terras para as comunidades indígenas afetadas na construção da usina está em R$ 84,7 milhões. O valor já inclui o pagamento pela fazenda América, que custou R$ 17,6 milhões.
Também foram adquiridas a Fazenda Brilhante, de 215 hectares, em Terra Roxa, onde foram alocadas três comunidades que, juntas, têm 68 famílias; a Fazenda Amorim, de 209 hectares, em Missal, para onde serão transferidas 36 famílias que ocupam uma área na Faixa de Proteção do Reservatório da Itaipu; parte do Haras Mantovani, de 68 hectares, em Terra Roxa; e uma área de 9,8 hectares para a comunidade Arapy, de Foz do Iguaçu. A meta é chegar a 3 mil hectares, com investimento total de R$ 240 milhões.
A área total obtida até agora supera os 700 hectares, o equivalente a 700 de futebol padrão Fifa.
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Acordo leva dados do campo ao Judiciário e muda análise de recuperação rural
Ferramenta com inteligência artificial e dados geoespaciais permitirá verificar produção, safra e atividade em tempo real para embasar decisões judiciais.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em conjunto com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a Corregedoria Nacional de Justiça, celebrou o Acordo de Cooperação Técnica, voltado a viabilizar e fomentar o uso da Infraestrutura de Verificação Agrícola, Monitoramento e Conformidade de Grãos (VMG) como instrumento de auxílio técnico nos processos de recuperação judicial de produtor rural.

Foto: Carlos Silva/Mapa
A oficialização foi feita na última terça-feira (14), na sede do CNJ, em Brasília, pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula; pelo presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin; e pelo corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques.
Durante a cerimônia de assinatura, o ministro André de Paula avaliou a assinatura do ACT como um passo relevante no fortalecimento da segurança jurídica e da eficiência do Estado brasileiro. Para ele, o desafio não é restringir o acesso à Justiça, mas assegurar que ela opere com base em informação qualificada e critérios técnicos. “A integração da Infraestrutura de Verificação Agrícola, a VMG, permitirá ao Judiciário acessar dados objetivos e auditáveis sobre a atividade rural, oferecendo aos magistrados informações concretas sobre produção, safra e funcionamento das propriedades rurais. Isso permitirá maior precisão à análise dos casos concretos, viabilizando decisões mais seguras, mais rápidas e mais transparentes”, explicou o ministro.
André de Paula enfatizou, ainda, que a iniciativa ajuda a proteger o produtor que realmente enfrenta dificuldades financeiras, ao mesmo tempo em que contribui para identificar possíveis casos de uso indevido da recuperação judicial.
O atestado digital VMG, é uma ferramenta baseada em inteligência artificial e tecnologias geoespaciais capaz de verificar a correta aplicação de recursos disponibilizados aos produtores rurais por

Foto: Carlos Silva/Mapa
meio das linhas de financiamentos que tem como requisito de liberação pelos agentes financeiros a apresentação de um projeto técnico.
Em seu discurso, o ministro Edson Fachin ressaltou que a celebração do acordo permitirá avançar no fortalecimento da prestação jurisdicional e na segurança jurídica. Segundo Fachin, a medida contribuirá para dar mais integridade ao sistema, proteger o produtor rural que atua de forma adequada e resguardar os interesses legítimos dos credores, desestimulando o uso indevido da recuperação judicial. “Hoje damos uma resposta a esses desafios, reconhecendo o papel estratégico do agronegócio na economia nacional e a necessidade de enfrentar tensões climáticas, econômicas e estruturais, que têm impactado, inclusive, o aumento da judicialização, especialmente na recuperação judicial do produtor rural. Por isso, a incorporação da VMG representa um avanço significativo, ao aproximar a decisão judicial da realidade empírica”, disse.

Foto: Carlos Silva/Mapa
O que diz o ACT
Segundo o documento, o Acordo de Cooperação Técnica abrangerá, sobretudo, o fornecimento de dados para subsidiar a constatação prévia da Corregedoria Nacional de Justiça, incluindo a verificação das reais condições de funcionamento do devedor, a análise da perspectiva de safra e a identificação de indícios de fraude; o monitoramento contínuo da atividade rural durante o processamento da recuperação judicial; a verificação de conformidade socioambiental das propriedades rurais; e a análise da viabilidade econômica da atividade rural do devedor.
Dessa forma, o acordo estabelece três metas principais: a implantação de um projeto-piloto em comarca selecionada, no prazo de até 30 dias; a capacitação integral de magistrados e servidores da unidade participante, também no prazo de até 30 dias; e a disponibilização do acesso à plataforma de Verificação Agrícola, Monitoramento e Conformidade de Grãos (VMG) a todos os Tribunais de Justiça do país, no prazo de até 120 dias.
O acordo terá vigência de cinco anos e poderá ser renovado automaticamente por igual período.






