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Coopavel recebe delegação de cooperativa canadense em Cascavel
Representantes da Hensall Co-op visitaram a cooperativa paranaense para conhecer o agronegócio brasileiro e trocar experiências sobre produção e tecnologia no campo.

O presidente da Coopavel, Dilvo Grolli, recepcionou dias atrás diretores e associados da cooperativa canadense Hensall Co-op, no Espaço Impulso, em Cascavel. A visita integrou uma agenda de intercâmbio que teve como objetivo conhecer a experiência da cooperativa paranaense, bem como compreender oportunidades e desafios do agronegócio brasileiro.
Durante a recepção, Dilvo apresentou um panorama da dimensão e da importância do agro no Brasil, destacando o desempenho consistente do setor nas últimas décadas. Segundo ele, a agropecuária brasileira cresce há mais de 30 anos a uma média de 5% ao ano, resultado de investimentos constantes em tecnologia, pesquisa e inovação aplicadas ao campo.
Dilvo ressaltou que grande parte desse avanço se deve à incorporação de soluções tecnológicas que elevam a produtividade e tornam o sistema produtivo mais eficiente. Nesse contexto, o presidente citou o papel de eventos técnicos como o Show Rural Coopavel, que realizou sua 38ª edição de 9 a 13 de fevereiro e se consolida como um dos maiores encontros de difusão tecnológica do agronegócio da América Latina e mundial.
Preservação
No campo experimental do evento, explicou Dilvo, produtores e técnicos conseguem observar na prática o desempenho de híbridos de milho, variedades de soja e diversas outras soluções voltadas à produção agrícola e pecuária. Esse ambiente de testes permite avaliar o potencial de novas tecnologias e, ao mesmo tempo, perceber o quanto ainda é possível avançar em produtividade e eficiência no campo.
Outro ponto abordado pelo presidente da Coopavel durante recepção aos canadenses foi a posição do Brasil como um dos países que mais preservam recursos naturais no mundo. Conforme ele destacou, mais de 60% do território brasileiro permanece preservado, o que demonstra a preocupação histórica do setor produtivo com o equilíbrio entre produção e conservação ambiental.
Segundo Dilvo Grolli, o agronegócio nacional tem evoluído com a adoção de práticas cada vez mais alinhadas à sustentabilidade, conectando produção rural, preservação de florestas e uso responsável dos recursos naturais. “E o Show Rural mostra, na prática, como essa relação é possível e traz excelentes resultados aos agropecuaristas”.
40 países
A delegação da Hensall foi liderada por seu presidente, Theodorus Dominicus van Miltenburg. A cooperativa canadense está entre as oito maiores do setor em seu país e mantém clientes em mais de 40 países, com operações que incluem nutrição animal, serviços agrícolas, comercialização de feijão seco e soja I.P., além de atividades nas áreas de energia, transporte, logística e fornecimento de insumos e ingredientes agrícolas.
“Gostei bastante da visita e da apresentação feita pelo senhor Rogério (Rizzardi, coordenador do Show Rural), e pelo senhor Dilvo Grolli sobre a Coopavel e sobre o Show Rural. Agradeço muito a disponibilidade de ambos por nos receber e dedicar tempo para apresentar a Coopavel e trocar informações conosco”, comentou o dirigente canadense.
Dilvo Grolli também reforçou o papel do Show Rural como um ambiente internacional de troca de conhecimentos e geração de oportunidades. Na edição mais recente do evento, comitivas de mais de 20 países estiveram em Cascavel para conhecer as inovações apresentadas pelos cerca de 600 expositores.

Colunistas
Reduzir jornada sem elevar produtividade pode afetar emprego e competitividade
Estrutura produtiva brasileira ainda depende fortemente do trabalho humano e enfrenta baixo investimento em modernização.

O debate sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 ganhou força no Congresso Nacional sob uma justificativa que, embora sedutora no discurso, carece de aderência à realidade produtiva brasileira. Sustenta-se que as novas tecnologias e supostos ganhos de produtividade justificariam a diminuição das horas trabalhadas. Entretanto, quando se observam os dados concretos da estrutura produtiva nacional, percebe-se que a automação ainda está longe de constituir uma base sólida capaz de sustentar tal mudança.
Indicadores internacionais desse avanço evidenciam o tamanho do desafio. Enquanto economias líderes operam com centenas de robôs e redesenham seus processos produtivos, o Brasil permanece na base da pirâmide tecnológica, com apenas 10 robôs por 10 mil trabalhadores, muito abaixo da média mundial de 162 robôs. O Brasil está muito distante de países como Estados Unidos, Alemanha, China e Coreia do Sul.

Artigo escrito por José Velloso é engenheiro mecânico, administrador de empresas e presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ).
Essa lacuna tecnológica é parte de um problema estrutural mais profundo: o reduzido estoque de capital produtivo por trabalhador. Estimativas comparativas indicam que o Brasil dispõe de apenas cerca de 35% do capital produtivo observado nos Estados Unidos, o que ajuda a explicar por que a produtividade do trabalho brasileira equivale a aproximadamente um quarto da norte-americana. Em um ambiente marcado por baixo investimento, custo de capital elevado e incertezas que inibem a modernização, a produção contínua fortemente dependente do fator humano, o que limita ganhos de eficiência e torna arriscada qualquer redução de jornada dissociada do aumento efetivo de produtividade.
Esse quadro estrutural ajuda a entender o desempenho historicamente baixo da produtividade no país, mantendo o Brasil em posições pouco favoráveis nos rankings internacionais. O Brasil ocupa o 100º lugar no ranking da OIT (Organização Internacional do Trabalho) da produtividade do trabalho. Reduzir a jornada sem alterar esse fundamento não configura política social sustentável: o acréscimo de custos de mão de obra para as empresas poderá, no médio e no longo prazo, resultar em redução de postos de trabalho em setores expostos à concorrência internacional, em razão da perda adicional de competitividade. Estudos empíricos também indicam que a estrutura do mercado de trabalho brasileiro revela forte presença de jornadas superiores a 40 horas justamente entre ocupações de menor qualificação e remuneração, muitas delas localizadas em serviços pessoais, comércio e atividades operacionais. Nesses segmentos, a elevação do custo do trabalho tende a gerar pressões sobre preços, margens ou nível de formalização, exigindo continuidade da política monetária contracionista e medidas que visem evitar efeitos adversos sobre emprego e renda, sobretudo nas pequenas empresas, que reúnem milhões de trabalhadores e possuem menor capacidade de absorver mudanças abruptas.
Diante desse cenário, impor a redução da jornada sem enfrentar previamente os determinantes estruturais da baixa produtividade nacional significa atacar o sintoma, não a causa. O verdadeiro caminho para jornadas menores e salários maiores passa pela expansão do investimento produtivo e pela modernização tecnológica. Um país em que a indústria de transformação possui maior participação de bens complexos tende a absorver serviços mais sofisticados e, portanto, remunera melhor a sua mão de obra. Esse é o caminho para tirar o país da armadilha da renda média — o caminho para o desenvolvimento.
Avanços sociais duradouros não nascem de decretos, mas do aumento consistente da capacidade de produzir mais e melhor. Países que hoje trabalham menos horas chegaram a esse estágio após décadas de acumulação de capital, difusão tecnológica e elevação sustentada da produtividade. O Brasil ainda precisa percorrer esse caminho. Somente ao remover os entraves que limitam investimento, eficiência e formalização será possível reduzir jornadas de forma responsável, ampliando bem-estar sem comprometer emprego, competitividade ou crescimento econômico.
Notícias
Transição para economia de baixo carbono pode redefinir empregos no agro em Mato Grosso
Estudo aponta que cinco municípios concentram mais de 22 mil empregos na agropecuária extensiva e alerta que adaptação tecnológica e ambiental será decisiva para manter competitividade.

A transição global para uma economia de baixo carbono já começa a produzir efeitos concretos em uma das regiões mais estratégicas do agronegócio brasileiro. Um estudo da Agenda Pública indica que municípios do estado de Mato Grosso, maior polo de agropecuária extensiva do país, podem enfrentar impactos relevantes sobre emprego e competitividade nos próximos anos.
A pesquisa Empregos do Futuro analisou dados entre 2018 e 2024 e identificou forte dependência econômica da agropecuária em cinco municípios mato-grossenses: Diamantino, Sorriso, Campo Novo do Parecis, Nova Ubiratã e Sapezal. Juntas, essas cidades concentram mais de 22 mil vínculos formais ligados à agropecuária extensiva.

Foto: Jonathan Campos
Em algumas localidades, a dependência é ainda mais expressiva. Em Nova Ubiratã e Sapezal, por exemplo, mais da metade dos empregos formais e da massa salarial estão diretamente vinculados ao setor agropecuário.
Segundo o estudo, essa concentração torna as economias locais mais vulneráveis a oscilações do mercado internacional, eventos climáticos extremos e às novas exigências ambientais impostas por mercados compradores, especialmente nas cadeias voltadas à exportação.
Sem estratégias de adaptação, o risco é perda de competitividade e dificuldade de acesso a mercados cada vez mais exigentes em relação a critérios ambientais e de sustentabilidade.
Caminhos para modernização
Ao mesmo tempo em que aponta riscos, o levantamento também identifica oportunidades de transformação produtiva no campo. Tecnologias e práticas sustentáveis podem impulsionar ganhos de produtividade e criar novas demandas por mão de obra qualificada.
Entre as soluções citadas estão a agricultura de precisão, o uso de bioinsumos e a expansão de sistemas integrados lavoura–pecuária–floresta (ILPF), modelo produtivo que combina diferentes atividades agrícolas em uma mesma área.
A estimativa apresentada pela pesquisa é de que cerca de 2 milhões de hectares com sistemas ILPF sejam implementados até 2030, ampliando o potencial de geração de empregos e fortalecendo a sustentabilidade da produção agropecuária.
Juventude rural no centro da transformação

Outro ponto destacado no estudo é o papel da juventude rural nesse processo de transição. Os municípios analisados concentram uma parcela significativa da população com idade entre 15 e 29 anos, grupo que pode desempenhar papel decisivo na modernização do setor.
A pesquisa alerta, no entanto, que o potencial dessa geração depende de políticas de qualificação profissional e de criação de oportunidades ligadas à chamada economia verde. Sem essas iniciativas, existe o risco de ampliação da exclusão econômica em áreas rurais.
Políticas públicas em curso
O relatório também analisa iniciativas já em andamento que buscam estimular uma produção mais sustentável no estado, entre elas os programas Mato Grosso Sustentável, MT Mais Verde e o Plano Estadual de Educação Profissional Rural.
No âmbito federal, são citadas políticas como o Plano de Transformação Ecológica e a estratégia industrial Nova Indústria Brasil, que incluem medidas voltadas à descarbonização da economia e ao fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis.
Potencial de liderança
A conclusão do estudo aponta que Mato Grosso reúne condições estratégicas para liderar a transição sustentável no agronegócio brasileiro. No entanto, o sucesso desse processo dependerá da capacidade de integrar inovação tecnológica, qualificação da mão de obra e coordenação entre setor público e iniciativa privada.
Nesse cenário, especialistas destacam que a adaptação às novas demandas ambientais e de mercado não será apenas um desafio, mas também uma oportunidade para redefinir o futuro do trabalho no campo e fortalecer a competitividade do agro brasileiro no cenário internacional.
Notícias
Francila Calica assume vice-presidência da ABAG para o biênio 2026/2027
Executiva com quase duas décadas de atuação no agronegócio reforça presença feminina na liderança da entidade e aposta em diálogo, ciência e políticas públicas para impulsionar o setor.

A jornalista e executiva do agronegócio Francila Calica foi nomeada vice-presidente da Associação Brasileira do Agronegócio para o biênio 2026–2027. A escolha amplia a participação feminina na liderança de uma das principais entidades representativas do agronegócio brasileiro e reforça o papel do diálogo entre setor produtivo, ciência e políticas públicas na agenda da instituição.
Ao comentar a nova função, Calica destacou o compromisso em contribuir para o fortalecimento do agronegócio e para a construção de uma agenda positiva para o setor. “É uma honra assumir a vice-presidência da ABAG e poder impulsionar, junto a outros líderes, uma agenda positiva para o setor. Levo para a associação a visão de que ciência, inovação e políticas públicas são fundamentais para acelerar o desenvolvimento de uma agricultura cada vez mais eficiente e sustentável”, afirma.
Trajetória no setor
Jornalista com quase duas décadas de experiência profissional, Francila Calica construiu carreira ligada ao agronegócio e às discussões estratégicas do setor. Ao longo de sua trajetória, passou por veículos de comunicação, entidades representativas e empresas do segmento, atuando principalmente nas áreas de comunicação corporativa, gestão de reputação, relações institucionais e governamentais e sustentabilidade.
Esse percurso contribuiu para consolidar seu nome como uma das lideranças femininas do agronegócio, com atuação voltada à articulação entre diferentes atores da cadeia produtiva e à promoção de debates sobre inovação, sustentabilidade e ambiente regulatório.
Além da nova função na ABAG, Calica também participa de outras entidades relevantes do setor, como a CropLife Brasil e a seção brasileira do Conselho Empresarial Brasil-Alemanha. Atualmente, ela atua como diretora de Sustentabilidade e Assuntos Agrícolas para a América Latina na Bayer.



