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Conversão alimentar na avicultura: menores índices, melhores resultados
Para proporcionar a expressão do máximo do potencial genético das aves é preciso garantir a aplicação das boas práticas de manejo em toda as fases de criação

A taxa de conversão alimentar é um dos indicadores mais importantes na avicultura moderna. Esta medida de produtividade animal é definida pelo consumo total de ração, dividido pelo peso médio do lote. A alimentação representa aproximadamente 65% do custo do frango, por isso o desafio é constante para conseguir melhorar este indicador.
A evolução da conversão alimentar foi muito grande nas últimas décadas, permitindo sair de um patamar de mais de 2,0 kg de ração para formar um kg de carne para as atuais taxas de 1,7 kg de ração para 1 kg de carcaça e observa-se uma tendência de se aproximar cada vez mais do 1 kg de ração para 1 kg de carcaça.
Para proporcionar a expressão do máximo do potencial genético das aves é preciso garantir a aplicação das boas práticas de manejo em toda as fases de criação.
Um dos fatores de manejo que mais influência na conversão alimentar é a temperatura, pois as aves dependem do ambiente para manter a temperatura do corpo. No ambiente frio, como no inverno, a necessidade de ração para manutenção da temperatura corporal é maior, daí a importância do aquecimento na fase inicial da criação. Mas em um ambiente quente, como no verão, as aves diminuem o consumo e também perdem energia para poder regular sua temperatura corporal. No ambiente ideal, respeitando a idade e a necessidade de temperatura de cada fase, as aves terão seu melhor desempenho.
Outro fator ligado à temperatura é a ventilação, importante na remoção de gases, umidade e poeira, além de melhorar a sensação térmica e ajudar na perda de calor nas fases finais.
Água
A qualidade de água também é um fator que afeta diretamente a conversão alimentar. O fornecimento de água fresca e limpa é fundamental para o bom resultado na atividade. As aves devem consumir mais que duas vezes o volume de água que de ração. Quanto ao manejo da água, a regulagem dos equipamentos é o mais importante, a altura e pressão do nipple devem ser periodicamente ajustadas. Além disso, a água clorada previne a contaminação do lote por microrganismos.
Desperdício
O desperdício de ração com falta de cuidados no equipamento (silos, caixas e comedouros) afeta bastante a conversão alimentar, mas é a presença de animais refugos que mais contribui negativamente para o resultado do lote. A recomendação é fazer a eliminação das aves problemáticas assim que as identificar. Da mesma maneira, a mortalidade nas últimas semanas, geralmente por calor devido à ineficiência e subdimensionamento dos equipamentos de ambiência pode prejudicar o resultado e pôr a perder o trabalho de um lote inteiro. Isso porque tanto a refugagem quanto a mortalidade no período final do lote fazem com que a ração consumida por estas aves que não vão chegar ao frigorífico tenham seu consumo destinado à divisão entre o restante do lote.
Resultados
Os problemas de taxa de conversão alimentar representam algum tipo de prejuízo para o produtor de frango de corte e geram um impacto econômico significativo para ele e, principalmente, para a empresa integradora. Além dos fatores descritos, a qualidade da ração, a presença de doenças, condições da cama e até a luminosidade interferem neste indicador. Qualquer fator que reduza o consumo de ração, o crescimento ou prejudique a saúde do frango de corte impactará negativamente a taxa de conversão alimentar do lote. Corrigir um problema de taxa de conversão requer comunicação e o produtor pode contar com toda a equipe técnica do Fomento de Aves da Copagril para orientar no que for necessário visando resolver os problemas que interferem na conversão alimentar.
Remuneração
Atualmente um grande número de empresas de avicultura têm atrelado o pagamento dos produtores aos resultados de conversão alimentar, pois como citado anteriormente, a alimentação representa maior parte do custo do lote e essa importância econômica é fundamental para um ramo da pecuária que está cada vez com as margens mais exprimidas.
Bons índices
Para o produtor integrado da Copagril, Tadeu Lewandowski, morador do distrito de São Roque, em Marechal Cândido Rondon, todos os detalhes são importantes para alcançar o resultado final do lote.
Tadeu tem conquistado os melhores índices de conversão alimentar entre os associados da cooperativa e, indagado sobre como alcança esse resultado, ele cita diversos pontos. O primeiro deles é lembrar que a temperatura do ambiente não é a mesma da cama. “A temperatura da cama é muito importante, por isso antes do alojamento aqueço um pouco acima da recomendação, pois a cama perde calor muito fácil”, revela.
A temperatura da água é mais um cuidado especial do produtor, que desenvolveu uma forma especial de realizar o flushing. “As aves gostam de água fresca e não quente. Pensando nisso, na primeira semana do lote eu deixo água ‘corrente’ no encanamento, por meio de uma torneira que leva água para fora do aviário, de forma encanada”, relata Tadeu. Segundo ele também é preciso fazer constantes ajustes no nipple para garantir uma vazão adequada de água.
A regulagem adequada de comedouros é mais um ponto relevante, assim como a quantidade de ração fornecida, conforme a fase. “Após os 28 dias fazemos um controle maior da ração, para evitar que os frangos se engasguem ou enfartem”, afirma Tadeu, que usa a estratégia de luz acesa o dia todo nos aviários. “Instalei placas solares para reduzir custos com energia”, revela.
Alinhando corretamente todos os fatores é que Tadeu tem alcançado os melhores IEPs na atividade.
Três gerações
A família Lewandowski é cooperativista há três gerações. O pai de Tadeu, senhor Venceslau (in memoriam), foi associado na década de 1970. “Meu filho Juliano completou 18 anos e se associou também”, relata Tadeu, que é associado desde 1987, quando tinha 24 anos.
A Copagril foi a responsável pela permanência da família no campo, ao proporcionar a diversificação visando à viabilidade da produção agropecuária. “Para nós a cooperativa é uma grande parceira e tem um papel fundamental na vida da nossa família”, afirma o associado, atualmente com 55 anos.
Para Tadeu, a avicultura foi um marco na história da cooperativa. Ele sempre acreditou no projeto e por isso foi um dos primeiros a entrar no sistema de integração, tendo alojado 87 lotes. “Nosso aviário recebeu o segundo lote alojado na história da Copagril. Hoje temos dois barracões”, conta, lembrando que está no nome da esposa Venilda, que também é associada. “Agora, além da renda da produção de aves temos adubo para a lavoura e algumas vezes vendemos cama de aviário. Com e melhora na produtividade de soja e milho já tivemos até premiações. Então estamos muito contentes com a nossa parceria”, conclui Tadeu Lewandowski.

Colunistas
Desperdício pode custar US$ 540 bilhões ao setor de alimentos em 2026
Estudo mostra que perdas começam antes do consumidor e estão ligadas à falta de visibilidade e método de gestão.

O mundo pode perder US$ 540 bilhões com desperdício de alimentos em 2026, como aponta o relatório da Avery Dennison. Esse número não é apenas grande. Ele é revelador porque mostra algo que o varejo ainda evita encarar: o desperdício não é exceção, é estrutural. E mais do que isso, não é um problema de sustentabilidade. É, antes de tudo, um problema de negócio.
Ao longo da cadeia ou ciclo de vida do produto – da produção ao ponto de venda – o desperdício continua sendo tratado como parte do jogo. Perde-se na colheita, no transporte, no armazenamento e na loja. E no final, essa perda é diluída no resultado, como se fosse inevitável. Mas não é.

Artigo escrito pelo Anderson Ozawa, especialista em Prevenção de Perdas e Governança, consultor com mais de 40 programas de prevenção de perdas implantados com sucesso, palestrante, professor da FIA Business School e autor do livro Pentágono de Perdas: Transformando Perdas em Lucros.
Quando um setor chega ao ponto de ter custos de desperdício equivalentes a até 32% da receita no Brasil, não estamos falando de exceção operacional. Estamos falando de falta de governança. O problema não é falta de tecnologia. É falta de visibilidade
Um dado chama atenção: 61% das empresas ainda não têm clareza sobre onde o desperdício acontece. Esse é o ponto central. Não se gerencia o que não se mede e, no varejo alimentar, grande parte das perdas continua invisível (produtos que vencem no estoque, erros de armazenagem, falhas de reposição, excesso de compra, quebra operacional e perda no transporte).
Tudo isso acontece todos os dias, mas raramente é tratado como prioridade estratégica. O desperdício não dói quando acontece: dói no resultado, quando já é tarde.
A maior parte das perdas não acontece no consumidor, mas antes. A logística e a gestão de estoque concentram alguns dos principais gargalos: transporte sem controle adequado, armazenagem inadequada, previsão de demanda imprecisa e processos ainda manuais (67% das empresas ainda operam assim).
Existe um comportamento recorrente no varejo alimentar: quanto mais vende, mais perde, especialmente em períodos de alta demanda, promoções e sazonalidade. O aumento de volume traz mais ruptura, mais avaria, mais erro e mais desperdício.
E o mais perigoso: isso acontece enquanto o faturamento cresce, porque o volume mascara a ineficiência. Em uma operação supermercadista onde atuamos, o aumento de vendas em perecíveis foi comemorado como avanço de performance. Mas ao analisar o resultado consolidado, ficou evidente que a margem não acompanhou o crescimento. Parte do ganho foi consumida por excesso de compra sem ajuste fino de demanda, perda por vencimento e falhas no giro de estoque. Ou seja, o crescimento existiu, mas, o resultado não.
Existe um discurso crescente sobre sustentabilidade, muito importante. No varejo, a mudança não virá por consciência ambiental, mas pela pressão de resultado.
A provocação que o setor precisa ouvir é: enquanto o desperdício for tratado como efeito colateral, ele continuará existindo. Enquanto não houver visibilidade, não haverá controle. Enquanto não houver controle, não haverá margem.
O problema não é o alimento que se perde. É o modelo de gestão que permite que ele se perca. O desperdício global de alimentos não é apenas um número de US$ 540 bilhões. É um retrato claro de um sistema que ainda opera com baixa disciplina e pouca visibilidade.
A oportunidade não está apenas em reduzir perdas: está em transformar perda em resultado. E isso não exige revolução tecnológica. Exige algo mais simples e mais difícil: governança, método e execução.
Notícias
Mapa lança projeto para ampliar mercado de pequenas agroindústrias
Iniciativa busca facilitar acesso ao Sisbi-POA e fortalecer negócios rurais.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) apresentou, durante a Feira Brasil na Mesa, o projeto SIMples AsSIM, iniciativa desenvolvida em parceria com o Sebrae para ampliar a inserção de pequenas agroindústrias no mercado nacional e fortalecer os pequenos negócios rurais.
Durante a palestra, a coordenadora-geral do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa), Claudia Valéria, destacou que os avanços do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA) abriram caminho para a criação do projeto. Segundo ela, a modernização dos processos foi essencial para ampliar a adesão ao sistema.
O projeto busca ampliar o acesso de produtos de origem animal ao mercado nacional por meio de qualificação técnica, modernização da inspeção, apoio à adequação sanitária, entre outras ações. A proposta também prevê identificar os principais desafios enfrentados pelos empreendedores e apoiar a integração ao Sisbi-POA.
A regularização de agroindústrias de pequeno porte é considerada estratégica para promover a inclusão produtiva, reforçar a segurança alimentar e impulsionar o desenvolvimento econômico local.
Durante a apresentação, Cláudia também ressaltou a importância de outras iniciativas, como o Projeto ConSIM, que contribuiu para a integração de consórcios públicos ao sistema. “Entre 2020 e 2025, 68 consórcios públicos no Brasil se integraram ao sistema, permitindo que muitos municípios ampliassem a comercialização de seus produtos”, afirmou.
Apesar dos avanços, o número de estabelecimentos ainda não acompanha o crescimento dos serviços de inspeção integrados. “Observamos um grande número de serviços integrados, mas os estabelecimentos não cresceram na mesma proporção. Por isso, surgiu a necessidade de fortalecer esses produtores e capacitá-los para acessar o mercado nacional”, pontuou.
O projeto está estruturado em três eixos: inclusão de agroindústrias no Sisbi-POA; fortalecimento dos Serviços de Inspeção Municipal com base em análise de risco; e apoio técnico à estruturação de agroindústrias de pequeno porte.
O projeto-piloto será iniciado em Santa Catarina, estado com grande número de agroindústrias e potencial de expansão. A iniciativa prevê diagnósticos in loco e planos de ação personalizados para apoiar a adequação dos estabelecimentos. “Mais de 80% das agroindústrias demonstraram interesse em expandir seus mercados. Isso mostra que há demanda e que precisamos criar condições para que esses produtores avancem”, concluiu a coordenadora-geral.
O analista do Sebrae Warley Henrique também apresentou os resultados iniciais do projeto. Entre eles, o diagnóstico on-line que identificou as principais dificuldades relacionadas à estrutura dos serviços de inspeção que limitam a integração dos estabelecimentos ao Sisbi, com 217 respondentes.
Também foi realizada pesquisa com técnicos dos estabelecimentos, que reuniu 114 participantes, sobre os principais entraves para obtenção do selo Sisbi, além do levantamento das orientações técnicas necessárias para cada estabelecimento.
Após a fase de levantamento, o projeto avança para a estruturação da metodologia de atendimento e para a implementação das ações em campo, com início previsto para maio de 2026, em Santa Catarina.
Notícias
Copacol recebe Prêmio de Melhor do Biogás pelo segundo ano consecutivo
Projeto premiado destaca eficiência na geração de energia a partir de resíduos e reforça liderança da cooperativa em sustentabilidade.

A Copacol consolidou mais uma vez sua posição de referência nacional em energias renováveis ao conquistar, pelo segundo ano consecutivo, o Prêmio Melhores do Biogás Brasil 2026, na categoria Melhor Planta Indústria.
O reconhecimento apresentado no 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano, em Foz do Iguaçu, destaca o desempenho da Usina de Biogás instalada na UPL (Unidade de Produção de Leitões), em Jesuítas, e evidencia o compromisso da Cooperativa com inovação, eficiência energética e preservação ambiental. “É uma satisfação imensa receber o Prêmio de Melhor do Biogás, que reconhece o desempenho desse importante investimento em sustentabilidade. O respeito ao meio ambiente é uma prática em nossas atividades, por isso, buscamos alternativas que consolidem esse comportamento e preservem ainda mais nossas riquezas”, complementa o diretor-presidente da Copacol, Valter Pitol.
A premiação reforça os resultados obtidos pela cooperativa ao longo dos últimos anos, especialmente no aproveitamento de resíduos agroindustriais para geração de energia limpa. Somente em 2025, a usina produziu 6.813.437 kWh de energia a partir dos resíduos gerados pela Unidade de Produção de Leitões e pela Unidade de Produção de Desmamados, resultado que representou economia em energia elétrica e aproveitamento de resíduos equivalentes a R$ 6,4 milhões. “O Prêmio de Melhor do Biogás demonstra o compromisso da Copacol com a sustentabilidade, a destinação correta de resíduos, principalmente com e uso de energia renovável”, afirma o gerente de Meio Ambiente da Copacol, Celso Brasil.
O modelo premiado de geração de energias renováveis recebeu a visita de empresários do ramo do Brasil e do exterior. A programação contou com apresentação técnica e um passeio guiado às instalações, mostrando a realidade operacional da planta e os processos utilizados para transformar resíduos em energia. A Copacol foi escolhida como destino técnico pelo reconhecimento do projeto como modelo de sucesso no setor. “Existe muito estudo no desenvolvimento do projeto da Copacol e isso é fundamental. A operação leva em consideração dados diários de composição dos substratos, concentração de material orgânico e existe um monitoramento contínuo da planta. As tomadas de decisão são baseadas nos dados gerados. Isso dá segurança e impressiona bastante”, afirma a analista da Embrapa, Fabiane Goldschnidt, que atua em projetos de gerenciamento de resíduos, produção de biogás e biometano.
A usina também chamou a atenção de representantes da área acadêmica. Rosiany de Vasconcelos Vieira Lopes, professora da Universidade de Brasília, natural de Campina Grande e atualmente residente em Brasília, participou da visita técnica. “Fiquei muito surpresa com a estrutura. Percebemos na prática a utilização de resíduos aproveitados de uma maneira renovável e sustentável para a produção de energia.”



