Bovinos / Grãos / Máquinas
Conversa pra boi dormir
É hora de desmitificar essa questão, impedindo que uma pretensa causa ecológica conspire e prejudique a produção da mais rica fonte de proteína para alimentação humana e atividade importante para a economia e a balança comercial do País.

João Guilherme Sabino Ometto*
Ante as estimativas de que as exportações brasileiras de carne bovina deverão crescer em 2022, devemos ficar atentos ao alerta que ecoou na COP 26, em novembro último, sobre a emissão de metano, um dos gases de efeito estufa, pelo rebanho nacional. É hora de desmitificar essa questão, impedindo que uma pretensa causa ecológica conspire e prejudique a produção da mais rica fonte de proteína para alimentação humana e atividade importante para a economia e a balança comercial do País.
De acordo com especialistas no tema, a “acusação” contra o gado brasileiro não procede. Decorre de uma distorção da metodologia de cálculo utilizada pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), organismo ligado à ONU e responsável pela agenda relativa ao aquecimento global. Em primeiro lugar, cabe esclarecer que o chamado metano entérico, gerado no estômago dos mamíferos ruminantes e expelido pela eructação, o popular arroto, origina-se na fermentação da grama comida pelo animal. Porém, o pasto, como todo vegetal, realiza a fotossíntese, capturando gás carbônico da atmosfera e liberando oxigênio, estabelecendo-se uma compensação.
A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), referência mundial no conhecimento científico do agronegócio, estuda esse balanço de carbono. Em certas situações, constatou maior índice de captura do que de emissão de gases de efeito estufa na pecuária nacional. No entanto, o IPCC não aceita tal metodologia de cálculo. Outro aspecto desconsiderado pelo órgão é que as moléculas de metano têm vida útil de apenas 14 anos na atmosfera. O gás carbônico, gerado pela queima de combustíveis fósseis e de florestas naturais, é estável por mais de um século. Tal diferença minimiza de modo expressivo a “culpa” dos bois pelas mudanças climáticas.
Também é interessante observar que, no período chuvoso, a emissão de metano nos pastos é cerca de nove vezes menor do que no período seco, quando as pastagens são escassas e apresentam menos nutrientes. É o que demonstra trabalho realizado por Marcílio Nilton Lopes da Frota, analista da Embrapa Meio-Norte, em sua tese de doutorado. É mais um estudo sério, com critério absolutamente científico, que se contrapõe a pesquisas de outros países sobre o pretenso impacto ambiental da pecuária brasileira devido à emissão de metano pelos rebanhos, em especial o bovino.
Estudos da Embrapa, com a participação de 350 pesquisadores, mostraram que a remoção de carbono da atmosfera em pastagens bem-manejadas pode ser maior do que o volume emitido pelos bovinos. A conta é muito favorável ao meio ambiente. Em 2018, aliás, foi publicado trabalho da Universidade do Estado de Michigan, nos Estados Unidos, que corroborou os resultados das pesquisas brasileiras.
Todos esses esclarecimentos precisam ser divulgados internacionalmente e colocados com transparência e firmeza nos fóruns de discussão sobre mudanças climáticas. Não podemos continuar sob o risco de pressões e ameaças de embargos à carne brasileira, justificadas por falsas premissas ambientais, como aconteceu em iniciativas recentes de entidades e órgãos da Europa e dos Estados Unidos. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), nosso país possui o maior rebanho bovino, com 213,52 milhões de cabeças, seguido da Índia, China e Estados Unidos. Ou seja, somos decisivos no abastecimento mundial de proteínas animais.
No cenário global ainda influenciado pela pandemia e conturbado por conflitos bélicos, principalmente a invasão da Rússia à Ucrânia, são crescentes os riscos ao comércio exterior, oferta de produtos, dificuldades logísticas e segurança alimentar. A grave conjuntura enseja a definitiva absolvição ecológica do rebanho bovino brasileiro e uma pergunta que não quer calar: e a China, Índia e Estados Unidos? O gado que lá arrota não arrota como cá? Desculpe-me, Gonçalves Dias, por usar ideia semelhante à de um verso da maravilhosa “Canção do Exílio”, mas é preciso acabar com essa conversa pra boi dormir…
*João Guilherme Sabino Ometto é engenheiro (Escola de Engenharia de São Carlos — EESC/USP), empresário e membro da Academia Nacional de Agricultura (ANA).

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Arroba do boi gordo sobe para R$ 337,10 e reverte perdas de julho
Indicador Cepea/Esalq avançou 1,08% na segunda-feira (20) e voltou a registrar saldo positivo no acumulado do mês.

O preço do boi gordo voltou a registrar alta no mercado brasileiro. Nesta segunda-feira (20), o Indicador Cepea/Esalq fechou cotado a R$ 337,10 por arroba, avanço de 1,08% em relação ao pregão anterior.
O resultado mantém o movimento de recuperação observado nos últimos dias. Na sexta-feira (17), o indicador havia encerrado o dia em R$ 333,50 por arroba. Antes disso, as cotações também apresentaram valorização, passando de R$ 328,10 na terça-feira (14) para R$ 329,20 na quarta-feira (15) e R$ 331,15 na quinta-feira (16).
Com a sequência de altas, o mercado praticamente eliminou as perdas registradas ao longo de julho. No acumulado do mês, a variação do indicador passou a ser positiva em 0,21%.
Em dólar, a arroba do boi gordo foi cotada a US$ 66,23, conforme levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).
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Banco de antígenos amplia proteção do rebanho brasileiro contra a febre aftosa
Estoque de 10 milhões de doses permitirá resposta imediata em caso de novos focos da doença e ajudará a preservar o status sanitário do país.

O Brasil deu mais um passo para fortalecer sua defesa sanitária animal com a inauguração, nesta sexta-feira (17), do 1º Banco Brasileiro de Antígenos para resposta emergencial à febre aftosa. Instalada em Buenos Aires, na Argentina, a estrutura manterá um estoque estratégico de antígenos para a fabricação de vacinas em caso de eventual reintrodução da doença no Brasil.
Resultado de uma parceria entre o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e a empresa argentina Biogénesis Bagó, a iniciativa representa uma conquista inédita para o país.

Presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette: “O reconhecimento do Paraná e, posteriormente, do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação abriu novas oportunidades para o setor, ampliando o acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes” – Foto: Divulgação/Sistema Faep
“O reconhecimento do Paraná e, posteriormente, do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação abriu novas oportunidades para o setor, ampliando o acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes. Manter esse status exige vigilância permanente, planejamento e investimentos em prevenção. A criação desse banco representa uma camada adicional de proteção para o nosso rebanho e demonstra o compromisso com a sanidade”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
O Banco Nacional conta, inicialmente, com um estoque de 10 milhões de doses de antígenos correspondentes aos dois sorotipos do vírus da febre aftosa com maior circulação histórica no Brasil. O contrato prevê ainda a possibilidade de fornecimento de mais 10 milhões de doses ao longo dos próximos dez anos, em casos de eventuais surtos. O material armazenado na Argentina pode ser utilizado para a rápida produção de vacinas, caso seja identificado algum foco da enfermidade.
“A manutenção desse estoque é um requisito para que o Brasil preserve o reconhecimento internacional concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal. Os produtores rurais podem ficar mais confiantes de que, em surtos localizados da doença, haverá uma resposta rápida”, afirma o diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon.

O material armazenado na Argentina pode ser utilizado para a rápida produção de vacinas
Por questões de biossegurança, esse material permanece armazenado fora do território brasileiro. Países como Estados Unidos e Reino Unido também adotam esse modelo, mantendo estoques estratégicos na unidade da Biogénesis Bagó, na Argentina.
Segundo o presidente do Sindicato Rural de Guarapuava e da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Corte do Sistema Faep, Rodolpho Botelho, que acompanhou a cerimônia de inauguração, o Paraná tem histórico de protagonismo nas ações de defesa agropecuária e colhe os resultados desse trabalho por meio da abertura de mercados e da valorização da produção estadual.
“Sempre fomos referência em sanidade animal. Essa credibilidade abre mercados para a nossa produção e fortalece a competitividade da agropecuária no comércio internacional. Esse banco de antígenos é mais uma etapa no protocolo para o fortalecimento da sanidade”, reforça.
Para o diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Otamir Cesar Martins, o banco representa uma ferramenta estratégica para proteger o rebanho e também preservar o comércio internacional de proteína animal.
“Hoje, a Organização Mundial de Saúde Animal prevê protocolos que permitem isolar a área afetada, fazer a vacinação e controlar o foco sem comprometer o status sanitário do país. O banco de antígenos é uma ferramenta extremamente importante para garantir essa resposta”, esclarece.
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Mercado futuro do leite ganha espaço entre produtores paranaenses
Sistema Faep destaca potencial da ferramenta para garantir maior segurança, transparência e previsibilidade na comercialização.

Desde o dia 13 de maio, a cadeia brasileira do leite conta com o chamado “mercado futuro”, pelo qual os contratos são negociados diretamente entre as partes, no mercado de balcão, sem listagem em bolsa, para uma data futura com preços já definidos. O instrumento financeiro (ferramenta hedge) garante mais proteção, previsibilidade, transparência e rentabilidade ao setor, que sofre com os riscos das oscilações do preço do leite. O avanço desta ferramenta entre os produtores foi tema da reunião da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Leite do Sistema Faep, nesta quinta-feira (16).
“Essa ferramenta traz mais segurança para os nossos produtores de leite. O mercado futuro já é uma realidade para outras commodities agrícolas como soja, milho e boi gordo. É questão de tempo para os pecuaristas se familiarizarem e usufruírem dos benefícios”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Produtores presentes na reunião da CT de Bovinocultura de Leite representaram as principais bacias leiteiras do Paraná
Para auxiliar neste processo, a reunião contou com a participação de Marianne Tufani, gerente de riscos da StoneX Leite Brasil, que detalhou o funcionamento da ferramenta e tirou dúvidas sobre o mercado futuro de leite.
“Todas as demais cadeias, como a da soja, milho e boi gordo, aprenderam a usar. Nós também vamos nos beneficiar com isso”, comenta o presidente da CT de Bovinocultura de Leite e produtor de leite, Eduardo Lucacin. “É preciso conhecer bem o nosso negócio, os nossos custos, para saber o melhor momento de travar o preço”, complementa.
O desenvolvimento da ferramenta teve participação do Sistema Faep, StoneX Leite Brasil, Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea – Esalq/USP) e Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Marianne lembrou que, no mercado mundial de leite, 70% dos players já utilizam o mercado futuro.
“O primeiro passo para quem quer saber como funciona é abrir uma conta na corretora. O quanto antes, melhor, pois é um processo burocrático que exige documentação e análises extensas e minuciosas. Não tem custo essa abertura”, explica Marianne.
Temas prioritários
Ainda na reunião do CT de Bovinocultura de Leite do Sistema Faep, outros temas como a questão sanitária, preços e custo de produção, problemas no fornecimento de energia elétrica e oportunidades de capitalização estiveram em discursão. Os produtores relataram, mais uma vez, a preocupação com o custo da energia e a falta de qualidade do serviço da concessionária, que coloca em risco a produção.

O presidente da Comissão, Eduardo Lucacin, conduziu a reunião e mediou os debates sobre os temas prioritários para o setor
“Leite perdido, equipamento queimado. O que mais tem é produtor com situações como essas. O Sistema Faep tem atuado em Brasília e via Ministério Público Estadual, para cobrar da concessionária a qualidade do serviço. Porém, talvez tenhamos que, como comissão, pensar em soluções e outras alternativas para minimizar os danos”, afirma Lucacin.
Quanto à sanidade, o tema do combate à Brucelose apareceu no debate. “O controle da doença é pré-requisito básico para nos tornarmos competitivos em nível mundial”, diz o vice-presidente da CT, Roger van der Vinne, que também é médico veterinário e produtor em Carambeí, na região dos Campos Gerais. “Cada um em sua propriedade precisa dar o exemplo, gerindo a saúde do rebanho, realizando os testes e vacinação e buscando a certificação de livre da doença”, destaca.
Outro assunto que também foi discutido na reunião da comissão foi a possibilidade de aumento da rentabilidade com os derivados, em especial os sólidos, a proteína do soro (whey) e o concentrado proteico do leite. “A gente tem que preparar para todas essas tendências. Buscamos isso pela comissão e pelo Conseleite”, conclui o presidente da CT.




