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Controle trava na divisa de propriedades e expõe o tamanho real do problema dos javalis

O Presente Rural ouviu o manejador Leandro Vicente da Silva, cuja rotina de campo revela por que conter a superpopulação de javalis e javaporcos é muito mais difícil do que a discussão técnica sugere.

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Foto: Giuliano De Luca/O Presente Rural/ChatGPT

No papel, o Brasil avançou. O país tem legislação, plano nacional, sistema de registro, normas sanitárias e uma cadeia suinícola que aprendeu a tratar biosseguridade como fundamento, não como detalhe. No campo, porém, a lógica do javali continua mais rápida do que a lógica da resposta.

O Presente Rural acompanhou, em fevereiro, durante o Show Rural, em Cascavel, a reunião do Grupo de Trabalho de Javalis do Paraná, coordenado pelo Sistema Faep/Senar-PR. Entre representantes do setor, técnicos e lideranças envolvidas com o tema, o depoimento do manejador Leandro Vicente da Silva trouxe para dentro da discussão o que mapas, normas e palestras não conseguem mostrar sozinhos: a rotina de um controle que depende de autorização, equipe, logística, cães, armas, persistência e, acima de tudo, cooperação entre propriedades. Quando isso falha, o javali continua.

O problema não para onde a autorização termina

Foto: Shutterstock

Leandro atua a partir de Cascavel, no Oeste do Paraná, mas relata que muitas vezes precisa percorrer longas distâncias para conseguir trabalhar onde há abertura para o manejo. O centro da sua fala não é a falta de disposição para agir. É a fragmentação da resposta no território. “Aqui no Paraná a gente faz o manejo, só que o problema é a divisa. Você pega autorização numa fazenda, mas os porcos vão tudo pros vizinhos. A propriedade tem muito porco, mas os vizinhos em volta não deixam entrar.”

A superpopulação de javalis e javaporcos não esbarra apenas em ausência de lei ou falta de percepção de risco. Ela esbarra na dificuldade de transformar autorização pontual em manejo territorial. O animal atravessa cercas, linhas divisórias e limites de matrícula com naturalidade. O controle, não. Ele depende de anuência, de acerto prévio, de gerente da fazenda que libera, de vizinho que consente, de equipe que entra no dia certo e de ambiente minimamente coordenado para conseguir manter pressão sobre uma população que se desloca o tempo todo.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR

Leandro descreve esse desgaste sem rodeio. “Pra conseguir fazer o manejo, muitas vezes a gente tem que quase implorar pros vizinhos pra poder entrar. Às vezes meu cachorro entra na propriedade do lado e tenho um trabalhão pra pegar ele de volta. O cachorro não sabe onde é a divisa, e o porco também não tá nem aí.” Em seguida, ele dá a medida desse custo invisível: “Rapaz, em dezembro fiquei dois dias andando de caminhonete, de casa em casa, pra pegar meu cachorro. Saí de madrugada e voltei na outra noite pra conseguir juntar o cachorro.”

O javali não age como um problema estático. Se é pressionado de um lado, foge para outro, muda de área e reaparece onde a equipe já não consegue entrar. A ação passa a carregar um custo que quase nunca entra nas estatísticas: recuperar cães, reconstituir deslocamento, negociar nova entrada, explicar a operação e evitar que o esforço se perca no limite da propriedade seguinte.

O manejo é operação, não improviso

Leandro mostra que o controle, ao menos no modelo em que atua, está longe de qualquer improviso. Há rotina, estrutura e responsabilidade. “A primeira coisa é pedir autorização e pegar toda a documentação. Eu manejo com cachorro, mas precisa ter arma em último caso. Tem que ter toda a documentação, tem que ser responsável pela equipe, tem que entrar no dia combinado, tem que fazer o registro. Tem um monte de regra pra seguir.”

Foto: Divulgação

O trabalho dialoga com a legislação, com os proprietários, com a operação em campo e com a necessidade de manter alguma disciplina em meio a um cenário que, segundo ele, raramente oferece as condições ideais para funcionar.

A operação com cães também exige uma série de obrigações. “Hoje eu tenho 70 cachorros no manejo. Não é nenhum nem dois, são 70 cachorros. Eles têm pescoceira, colete, identificação, kit de primeiros socorros, tudo certinho.”

Controlar javalis e javaporcos no campo exige investimento, logística e manutenção de uma estrutura permanente. Não é apenas uma intervenção eventual para resolver um foco. Ele explica que é rotina de equipe, de equipamento, de deslocamento e de resposta contínua a uma população que se reproduz, se move e se reacomoda com rapidez. Entre o javali visto no milharal e a resposta efetiva no campo, existe uma cadeia de desgaste que envolve tempo, equipamento, risco, gente, animais de apoio e perda de eficiência.

O jogo vira quando o entorno entra junto

Apesar das dificuldades, o manejador destaca que o resultado aparece quando as propriedades vizinhas entram no mesmo esforço. “Quando os vizinhos começaram a abrir as porteiras pra nós, o resultado apareceu”, conta.

Foto: Divulgação

O problema não se resolve apenas com boa vontade individual. Tampouco com ação isolada de uma única propriedade. A experiência de campo relatada por Leandro sugere que a virada acontece quando o manejo consegue acompanhar o espaço em que a população circula. Quando isso não acontece, o esforço até pode gerar alívio momentâneo, mas o problema migra, se rearranja e volta.

O manejador insiste na necessidade de repetição e presença contínua. “Nós é o ano todo em cima do bicho. O que precisa é manejo constante. Se não for constante, não vai acabar e não vai diminuir.”

Na suinocultura, esse raciocínio é familiar. Sanidade e biosseguridade não se sustentam com ação esporádica. No caso dos javalis e javaporcos, vale lógica parecida: se a resposta é eventual, o ganho tende a ser curto; se há pressão contínua e ampliada no território, o efeito começa a aparecer.

Entorno neutraliza o esforço de uma fazenda inteira

A granja pode estar cercada, organizada, atenta. O produtor pode estar sensibilizado. O veterinário pode conhecer o risco. Mas, se o território ao redor seguir descoordenado, a pressão continua rondando o sistema. É nesse ponto que o problema dos javalis deixa de ser apenas ambiental, rural ou operacional. Ele entra na discussão sobre governança do espaço produtivo.

Entre o papel e a vida real

O sistema já produziu legislação, plano, vigilância e grupos de trabalho, mas ainda enfrenta enorme dificuldade para transformar isso tudo em controle consistente no chão das propriedades. Na reunião do Grupo de Trabalho de Javalis do Paraná, acompanhada por O Presente Rural, emergiu algo maior do que uma lista de obstáculos: a anatomia de um problema nacional em escala local. De um lado, um animal que se move sem pedir licença. De outro, uma resposta que ainda depende de articulação, adesão e constância para não se dissolver no limite da cerca seguinte.

Para uma cadeia como a suinícola, que aprendeu a levar a sério cada falha de barreira, cada ponto cego do território e cada risco subestimado, esse relato vale mais do que ilustração. Ele mostra que o javali não desafia apenas lavoura e cerca. Desafia a capacidade do campo de agir como sistema. Enquanto essa resposta continuar menor do que a mobilidade do problema, o controle seguirá difícil, caro e incompleto, mesmo onde já existe gente preparada para fazê-lo. E, no mundo real, isso significa o seguinte: a equipe entra, o cão avança, o javali cruza a divisa e o problema recomeça do outro lado.

A edição digital do jornal está disponível gratuitamente para leitura online no portal de O Presente Rural, acesse clicando aqui.

Fonte: O Presente Rural

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Semana Nacional da Carne Suína amplia oferta de cortes e aposta em experiência de compra

Além de promoções, supermercados investem em ações educativas, receitas e comunicação voltada a diferentes ocasiões de consumo.

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Foto: Divulgação/ABCS

A Semana Nacional da Carne Suína segue mobilizando redes de varejo de todas as regiões do país com campanhas que vão muito além das ofertas. As ações desenvolvidas pelo Pão de Açúcar, Extra Mercado, Carrefour, Bretas, Prezunic, GBarbosa, Swift, Amigão, Boa, Compre Mais, Paraná Supermercados, Avenida, Confiança, Jaú Serve, Proença, Shibata, Pague Menos, Mix Mateus, Mateus Supermercados, Camino, Super Pão e Dom Olívio demonstram um esforço conjunto para dar protagonismo à carne suína e estimular novas ocasiões de consumo.

Foto: Divulgação/ABCS

Um dos principais destaques desta edição é a transformação dos espaços de venda. As redes investiram em materiais de ponto de venda e ambientação temática, criando verdadeiros festivais da carne suína dentro das lojas, e o enxoval está sendo utilizado para aumentar a visibilidade da categoria e conduzir o consumidor até os produtos.

As campanhas também mostram uma evolução importante na forma de comunicar a carne suína. Além de focar em preço, as redes passaram a trabalhar conceitos relacionados a sabor, versatilidade, rendimento e economia com forte presença visual em loja, materiais promocionais, tabloides exclusivos e mensagens destacando que a carne suína rende mais proteína, sabor e economia, reforçando atributos que dialogam diretamente com as necessidades do consumidor.

Outro aspecto valorizado foi o sortimento de diferentes cortes. As campanhas apresentam a carne suína de forma

Foto: Divulgação/ABCS

ampla, destacando produtos para diversas ocasiões de consumo. Cortes para o dia a dia, churrasco, refeições especiais e preparações rápidas ganharam espaço nas comunicações, ajudando a mostrar que a proteína está presente em muito mais momentos do que tradicionalmente se imagina.

Algumas redes trabalham uma comunicação focada em ocasiões de consumo, apresentando a carne suína como uma opção para o dia a dia, final de semana, churrasco, receitas especiais e preparações práticas.

A estratégia reforça a versatilidade da proteína e ajuda o consumidor a identificar facilmente como utilizar cada corte em diferentes momentos. Além disso, as redes participantes reforçaram seus estoques e aumentaram a variedade de produtos disponíveis, oferecendo desde cortes tradicionais até opções premium, produtos temperados, congelados, porcionados e itens voltados ao churrasco. Essa estratégia amplia as possibilidades de escolha e estimula a experimentação por parte dos consumidores.

As ações educativas também merecem destaque. Diversas redes incluíram conteúdos sobre cortes suínos, rendimento, preparo e benefícios nutricionais com mapa dos cortes, receitas, sugestões de preparo para air fryer e informações sobre características nutricionais da carne suína, contribuindo para ampliar o conhecimento do consumidor e desmistificar conceitos antigos sobre a proteína.

Foto: Divulgação/ABCS

No ambiente digital, a campanha ganhou força por meio de publicações nas redes sociais, vídeos, receitas, conteúdos com influenciadores e divulgação nos aplicativos das redes. Muitas redes integraram a comunicação online e offline, levando para os canais digitais as mesmas mensagens presentes nas lojas.

Receitas, dicas de preparo, sugestões de harmonização e informações nutricionais ajudaram a manter o tema presente durante todo o período da ação. Fique de olho nos perfis das redes participantes para conhecer essa comunicação!

Presidente da ABCS, Marcelo Lopes: “Ao combinar ofertas, informação, experiência de compra e conteúdo educativo, as redes contribuem para fortalecer a categoria e ampliar sua presença na mesa dos brasileiros” – Foto: Divulgação/ABCS

Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, as ações desenvolvidas pelas redes varejistas mostram que a carne suína vem ampliando seu espaço no mercado brasileiro não apenas pelo preço, mas também pela variedade de cortes e pelas diferentes possibilidades de consumo. “A carne suína é uma proteína moderna, versátil e adequada para diferentes perfis de consumo. Ao combinar ofertas, informação, experiência de compra e conteúdo educativo, as redes contribuem para fortalecer a categoria e ampliar sua presença na mesa dos brasileiros”, afirma.

A Semana Nacional da Carne Suína segue até sexta-feira (19) e reúne supermercados de diversas regiões do país. Além das promoções, a campanha tem apostado em ambientação temática nas lojas, ampliação do sortimento, divulgação de receitas e informações sobre cortes, rendimento e preparo dos produtos.

A iniciativa busca aproximar o consumidor da proteína e estimular novas ocasiões de consumo, em um momento em que a carne suína registra crescimento tanto no mercado interno quanto nas exportações e ganha participação cada vez maior na alimentação dos brasileiros.

Fonte: Assessoria ABCS
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O desafio da sucessão no agronegócio será debatido durante 18º SBSS

Evento será realizado de 11 a 13 de agosto no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).

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Rogério Facin ministra palestra sobre capital humano e sucessão familiar no dia 13 de agosto durante o Painel Pessoas - Gestão e Performance - Foto: Divulgação

A formação de lideranças, a retenção de talentos e o preparo das novas gerações para os desafios do agronegócio estarão em debate durante o 18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS), promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet). A palestra “Capital Humano e Sucessão: preparando a próxima geração e as equipes de alta performance” será ministrada por Rogério Facin, no dia 13 de agosto, às 10h35, durante o Painel Pessoas – Gestão e Performance, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).

Foto: Shutterstock

Em um cenário marcado pela transformação do mercado de trabalho, pela busca por profissionais qualificados e pelos desafios relacionados à sucessão nas empresas, o desenvolvimento de pessoas tornou-se um dos principais fatores para a sustentabilidade e a competitividade das organizações. A palestra trará reflexões sobre a preparação de equipes de alta performance e a construção de ambientes capazes de atrair, desenvolver e reter talentos.

Rogério Facin é graduado em Processamento de Dados pela Faculdade de Tecnologia (FATEC) e possui MBA em Gestão de Pessoas. É cofundador da Go Winners, empresa especializada no desenvolvimento comportamental de jovens e na facilitação de sua inserção no mercado de trabalho, e da Indicação Consultoria, organização voltada à gestão de capital humano, desenvolvimento comportamental e projetos de remuneração, com forte atuação no agronegócio.

Presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin: “A tecnologia avança rapidamente, mas são as pessoas que fazem os sistemas funcionarem” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação

Ao longo de sua trajetória profissional, acumulou mais de 15 anos de experiência em multinacional do setor de máquinas e equipamentos, além de ter atuado como coordenador do Grupo Regional de Remuneração DEASA e professor universitário na área de Gestão de Pessoas. Sua experiência une a visão corporativa à prática do desenvolvimento humano dentro das organizações.

A presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, destaca que os desafios relacionados às pessoas estão entre os temas de destaque para o futuro da produção animal. “A tecnologia avança rapidamente, mas são as pessoas que fazem os sistemas funcionarem. Hoje, um dos grandes desafios das empresas é formar lideranças, desenvolver equipes e preparar as novas gerações para assumir posições estratégicas. Por isso, esse tema ocupa espaço de destaque na programação do SBSS”, afirma.

Para o presidente da Comissão Científica do SBSS, Lucas Piroca, discutir capital humano é tão importante quanto

Presidente da Comissão Científica do SBSS, Lucas Piroca: “A eficiência das granjas e das agroindústrias passa diretamente pela qualidade das equipes e pela capacidade das empresas de desenvolver talentos” – Foto: Kroma Fotografiais

abordar temas técnicos ligados à produção. “A eficiência das granjas e das agroindústrias passa diretamente pela qualidade das equipes e pela capacidade das empresas de desenvolver talentos. A sucessão, a formação de lideranças e a gestão de pessoas são assuntos cada vez mais presentes na rotina do setor e precisam ser debatidos com profundidade”, ressalta.

Participação 

As inscrições para o SBSS já estão disponíveis no site: www.nucleovet.com.br. O investimento do primeiro lote, até o dia 25 de junho, é de R$ 600 para profissionais e R$ 400 para estudantes. O valor para participar somente da 17ª Brasil Sul Pig Fair é de R$ 100. Associados do Nucleovet, profissionais de agroindústrias, órgãos públicos e grupos universitários terão condições diferenciadas.

Tecnologia e negócios

Realizada simultaneamente ao Simpósio, a 17ª Brasil Sul Pig Fair reunirá empresas dos segmentos de sanidade, genética, nutrição, equipamentos, ambiência, tecnologia e serviços voltados à suinocultura.

O espaço será destinado à apresentação de lançamentos, soluções inovadoras e fortalecimento do networking entre empresas, profissionais, pesquisadores e produtores, ampliando as oportunidades de negócios e troca de experiências durante o evento.

Fonte: Assessoria Nucleovet
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Consumo de carne suína atinge 20 kg por habitante no Brasil

Marca histórica foi alcançada em 2025 e reflete a expansão do consumo doméstico em paralelo ao crescimento das exportações, que levaram o Brasil ao posto de terceiro maior exportador mundial da proteína.

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A carne suína alcançou um patamar inédito na mesa dos brasileiros. Em 2025, o consumo per capita chegou a 20 quilos por habitante ao ano, maior nível já registrado no país e um indicativo de que a proteína ganhou espaço definitivo na alimentação das famílias.

Foto: Divulgação/HB Audiovisual

O dado, divulgado pela Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), coincide com outro marco importante para a cadeia produtiva. Após a consolidação dos números internacionais no início de 2026, o Brasil ultrapassou o Canadá e passou a ocupar a posição de terceiro maior exportador mundial de carne suína.

A combinação de um mercado interno mais robusto com exportações em ritmo recorde tem alterado o perfil do setor, que hoje depende menos de oscilações externas e conta com uma base doméstica mais sólida para sustentar seu crescimento.

Mudança de hábito impulsiona consumo

O consumo médio de 20 quilos por pessoa representa uma mudança significativa no comportamento do consumidor brasileiro. Historicamente, a carne suína ocupava espaço secundário em comparação com outras proteínas, mas, nos últimos anos, passou a ser incorporada com maior frequência ao cardápio das famílias.

Segundo a ABCS, a marca simboliza uma transformação cultural, na qual a carne suína deixa de ser um produto

Presidente da ABCS, Marcelo Lopes: “Seja no mercado interno ou externo, o que vemos é a validação do que nós produtores temos feito dia após dia na nossa produção” – Foto: Divulgação/ABCS

consumido ocasionalmente para se tornar uma opção cotidiana.

Para o presidente da entidade, Marcelo Lopes, o resultado reflete um trabalho de longo prazo realizado em diferentes frentes da cadeia produtiva. “Seja no mercado interno ou externo, o que vemos é a validação do que nós produtores temos feito dia após dia na nossa produção, investindo em inteligência, sanidade, produtividade, tecnologia, genética e bem-estar”, afirma.

Ele acrescenta que houve também uma mudança na forma como a proteína passou a ser percebida pelos consumidores. “Isso reforça o trabalho que a ABCS tem feito para transformar a percepção da carne suína, para que ela se destaque lá fora e também dentro de casa”, diz.

Brasil supera Canadá e assume terceira posição

O fortalecimento do mercado interno ocorre em um momento de expansão das exportações. Dados consolidados pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) mostram que o Brasil encerrou 2025 com embarques recordes de 1,51 milhão de toneladas de carne suína, crescimento de 11,6% em relação ao ano anterior.

Foto: Shutterstock

O volume foi suficiente para superar o Canadá, que exportou cerca de 1,45 milhão de toneladas no mesmo período. A diferença de aproximadamente 50 mil toneladas garantiu ao Brasil a terceira posição no ranking mundial, atrás apenas da União Europeia e dos Estados Unidos.

O resultado é atribuído a uma combinação de fatores, entre eles a diversificação dos mercados compradores, a competitividade dos custos de produção e o rigor sanitário, considerado um dos principais diferenciais da suinocultura brasileira.

Mercado interno reduz dependência externa

O novo cenário é visto pelo setor como um fator de equilíbrio para a cadeia produtiva. Com um mercado doméstico maior e mais consolidado, a suinocultura tende a ficar menos vulnerável a oscilações nas exportações, mudanças cambiais ou restrições comerciais impostas por países importadores.

Ao mesmo tempo, a demanda interna oferece maior previsibilidade para investimentos em tecnologia, genética e

Foto: Divulgação/Pexels

ampliação da produção.

Esse movimento reforça uma característica cada vez mais presente na suinocultura brasileira: a capacidade de crescer simultaneamente dentro e fora do país.

Se no exterior o Brasil ganha espaço entre os maiores exportadores do mundo, no mercado doméstico a marca de 20 quilos por habitante indica que a carne suína conquistou um espaço que parecia improvável há poucas décadas: o de proteína presente de forma permanente na rotina alimentar dos brasileiros.

Fonte: O Presente Rural com ABCS
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