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Controle detalhado da fazenda garante melhores resultados

Anotar entradas e saídas, mortes e nascimentos, além de investimentos e ganho de peso são detalhes importantes e que garantem que o pecuarista ganhe mais lucro na atividade

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O objetivo do produtor ao desenvolver a pecuária de corte na fazenda é ter lucro. Amar a atividade ou mesmo continuar o que é um negócio da família é importante, mas o lucro, em especial, é um forte fator que faz com que o produtor continue acreditando. E são diversos os modelos que podem ser seguidos sobre como aumentar os lucros na fazenda. A pergunta que o produtor geralmente faz é: como? Quem respondeu esta questão foi o CEO do BeefPoint e do AgroTalento, Miguel Cavalcanti, que falou sobre “como lucrar na pecuária de corte” durante o InterCort, que aconteceu em abril, em Cuiabá, MT.

Um ponto importante destacado pelo profissional e que deve ser o primeiro de conhecimento do produtor é que a pecuária é um negócio a longo prazo. “Por isso, é importante que o pecuarista pense a longo prazo”, diz. Ele comenta que a pecuária tem passado por uma realidade difícil de muito esforço e pouco resultado, muito trabalho para pouco lucro, mas é possível trabalhar para mudar este cenário, afirma.

Menos é menos, mais é mais

Cavalcanti conta que quem lucra menos, investe menos. “Se o pecuarista lucra menos, fica mais difícil de comprar, contratar e manter pessoal bom trabalhando, gera menos realização, satisfação e reconhecimento por parte dos funcionários, fica mais difícil fazer a sucessão familiar, além de ser mais difícil expandir. Essa é a realidade de quem está com o lucro baixo”, comenta. Ele diz que o lucro pode trazer diversas oportunidades para o pecuarista. “Uma fazenda com alto lucro traz satisfação, realização, reconhecimento. Permite que o pecuarista invista mais e faça crescer seu negócio. Permite que cresça o ativo e ele invista em uma equipe boa e estruturada. Se você tem mais lucro, você pode ter maior qualidade de vida”, destaca.

Ele comenta que o que tem visto é que não é somente a quantidade de esforço que gera resultado ou a quantidade de trabalho que gera lucro, mas sim uma questão estratégica. “Eu vejo muita gente tentando fazer o melhor e não conseguindo. Existe uma série de mitos sobre a pecuária que devem ser quebrados”, afirma. O primeiro deles, segundo Cavalcanti, é que a atividade é uma piada. “Dizem que a pecuária é tão boa de mexer que não precisa dar lucro. Isso serve como uma maneira de se consolar, se enganar. Já ouvi muito essa frase, mas acredito que ela é uma maneira de disfarçar a insatisfação. Eu não acredito nela”, conta.

Outro ponto destacado pelo profissional é sobre as conversas que geralmente rodeiam os pecuaristas. Entre os assuntos, de acordo com ele, está sempre se está chovendo, o preço do boi, sobre o peso ou rendimento e ganho de peso da boiada, ou ainda sobre peso do bezerro, desmama e taxa de prenhez. “Todos estes fatores são importantes e o pecuarista deve medir. Mas, qual foi o lucro do negócio? Qual é a margem? Quando você começa a mudar as perguntas, a conversa muda”, diz. Além do mais, ele acrescenta que uma armadilha que o pecuarista geralmente cai é acreditar que somente aumentando a produção ele terá mais lucro. “Isso não é verdade”, revela.

Cavalcanti destaca que muitos produtores querem aumentar o lucro, mas falam somente em aumentar a produção. “Aí a pergunta é: fazendas com maiores lotações ou produtividade são as que dão mais lucro? Quando vamos olhar os indicadores, nem sempre. Se você olhar as fazendas mais produtivas, algumas são muito lucrativas, já outras têm muito prejuízo”, conta. Ele reitera que o pecuarista deve estar com “o olhar e a língua no lucro”, não somente na produtividade.

Conversar com quem pensa e faz lucro

Um erro muito comum visto por Cavalcanti que é cometido por pecuaristas é que ele busca conselhos de lucratividade com quem não faz, mede ou pensa lucro. “Para mim, isso é você falar inglês com quem não fala inglês. Não tem nada para conversar”, afirma. Para ele, o jeito certo é primeiro o pecuarista decidir que vai agir. “Para agir e começar a gerar resultados, é preciso o pecuarista entender que a fazenda trabalha com duas moedas: a moeda dinheiro e a moeda gado. É preciso fazer, no mínimo, um balanço anual destas duas moedas, o quanto faturou em reais no ano, quanto gastou no ano, quanto rebanho aumentou ou diminuiu”, aconselha. Ele alerta que já viu muitas fazendas faturarem muito em reais, mas na hora de ver o rebanho, diminuiu muito e deu prejuízo. “Assim como já vi casos de fazendas que não tiraram muito, acharam que tinham prejuízo, mas no final da conta, o gado tinha aumentado”, conta.

Ele comenta que no final de tudo, é preciso que o pecuarista transforme ainda as duas moedas – reais e gado – em uma única moeda para fazer o balanço do ano e então dividir pela área da fazenda. “É relativamente fácil, mas é preciso anotar todos os faturamentos, desembolsos, todos os pagamentos e o rebanho do início e do final do ano. É fácil e simples”, informa. Segundo Cavalcanti, essa conta, do balanço de gado e reais, dividido pela área é o lucro do pecuarista por hectare/ano.

O especialista diz ainda que o pecuarista precisa buscar novos amigos, contatos, conversas, trocar experiências e aprendizado. “A pergunta sempre vai ser: como isso muda a rentabilidade do meu negócio? Como isso muda o lucro da minha fazenda? E não mais qual o peso que meu gado vai ganhar. É preciso perguntar para quem sabe qual resultado vai ter, porque você precisa de acompanhamento para fazer isso, além de um novo grupo de pessoas para interagir para aprender”, destaca.

Cavalcanti afirma que somente falando parece ser uma atividade simples, e por isso o pecuarista pode perguntar: o que vai mudar? “Quando o pecuarista tiver os números, os resultados em lucro em reais por hectare na fazenda, tudo muda a partir desse elemento. Isso porque a partir disso o produtor vai estar falando a língua da pecuária, do lucro. Quando tiver uma nova tecnologia, ele vai se perguntar não o quanto aumenta a produção, mas como isso impacta no lucro da fazenda. É isso que interessa”, afirma.

Para ele, ainda é preciso que os pecuaristas deixem de ser produtores, “mas para serem mais que isso. Para deixar de ser produtor você precisa saber seu lucro, medir, falar sobre ele, para você tomar decisões baseadas em como elas vão aumentar o lucro. Isso é simples, eficaz e diferente. Assim, você vai deixar de ser produtor rural e se tornar um lucrador rural”, enfatiza.

Anotando para obter resultados

Um bom exemplo de como gerar lucros e seguindo o conselho de Cavalcanti em anotar todas as entradas e saídas da fazenda é o pecuarista Rafael Sguissardi. A família possui três fazendas no Mato Grosso, onde mantém produção diversificada. Em uma área há somente cria, na outra recria de fêmeas e matrizes, e na terceira – que é a maior – ciclo completo, com confinamento e cria, recria e engorda, além da integração lavoura pecuária. O pecuarista conta que o pai sempre foi muito organizado, anotando em uma lista todos os números da fazenda, desde o nascimento e morte de animais até compra e vendas.

“Aos poucos começamos a implantar uma série de controles na fazenda. O mais importante deles foi a separação do gado em categorias, para melhor controle. Separamos então machos e fêmeas. Outro ponto foi que todo o mês o capataz deve anotar o extrato do gado de cada fazenda. É um forte controle que temos”, conta Sguissardi. Outras anotações que são feitas todos os meses nas fazendas é a movimentação. “Anotamos se morreu algum animal, qual foi, que dia, qual o motivo, além dos nascimentos, separando se foi macho ou fêmea, se houve transferência de animal entre as fazendas, as vendas, para quem vendeu, por quanto, qual era o peso do animal. Temos um banco de dados registrado mensalmente com todas as movimentações das fazendas”, informa.

Outro dado anotado pelo pecuarista é sobre a alimentação dos animais. Entre as anotações estão os lotes, o peso na última pesagem e a evolução do peso com o tempo. Sguissardi explica que dessa forma é possível atualizar ainda a suplementação dos animais. “Com estas planilhas fazemos os fechamentos mensais da evolução da fazenda e o planejamento do fluxo de caixa com essas projeções de ganho de peso”, diz. Dessa forma, o pecuarista sabe quando o animal será abatido e quando haverá dinheiro na propriedade.

Apesar das anotações ajudar bastante, Sguissardi comenta que é difícil anotar todas as movimentações do mês e acertar sempre. “Até hoje não conseguimos fechar 100%”, confidencia. Outro detalhe foi que por conta das anotações foi preciso aumentar a mão de obra nas fazendas.

Mas, mesmo com os pontos difíceis, foram muitos os aprendizados e ganhos. “Com o controle mais apurado da suplementação, houve uma redução na idade de abate dos animais. Isso nos proporcionou um maior número de abates por período. E como também aumentou os abates, foi possível aumentar o rebanho e o número de matrizes”, conta Sguissardi. Ele acrescenta que, além do mais, o controle intenso da suplementação é a prova de que o olho do dono engorda o boi.

O pecuarista conta do resultado da última safra. “Houve um lote de bois que abatemos com seis meses de idade e um peso de 500 quilos. Se dividirmos esse peso pela quantidade de dias de vida do animal, deu aproximadamente um quilo por cabeça/dia, sendo que terminamos ele em confinamento. Ele foi abatido com 18,6@ de carne, dessa forma produzimos um animal com 1,16@ cabeça/mês”, informa. Ele complementa ainda que com a suplementação forte de aumento de 50% na produtividade de @/hectare/ano o lucro na safra 2016/2017 foi de R$ 450 por hectare. “As nossas decisões são baseadas em números, no que estamos projetando. Elas são também fruto de investimentos. A nossa preocupação com a suplementação correta com cada lote é feita de acordo com o planejamento financeiro”, afirma.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Bovinos / Grãos / Máquinas Pecuária Leiteira

Pastagem de trigo ganha espaço na nutrição de vacas leiteiras

Produtores têm encontrado na pastagem de trigo a solução para os problemas, uma vez que ele é mais barato e igualmente nutritivo

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Divulgação Biotrito/Rafael Czamanski

A nutrição das vacas de leite é essencial para que o volume e a qualidade do leite sejam satisfatórios. Até mesmo por este fator, este é também um dos quesitos de conta com o maior custo de produção ao pecuarista. Especialmente neste ano, em que houve um longo período de estiagem no Sul do Brasil, produtores de leite tiveram que ser criativos no momento de oferecer um alimento de qualidade aos animais, uma vez que o fator clima fez também com que produtos essenciais como a soja e o milho chegassem ao preço de R$ 100.

Dessa forma, os produtores têm encontrado na pastagem de trigo a solução para os problemas, uma vez que ele é mais barato e igualmente nutritivo. Assim, a pastagem de trigo tem suprido as perdas qualitativas e quantitativas da soja e milho. Os resultados disso foram a redução dos custos de produção, grande aceitação pelos animais (com uma maior taxa de ingesta) e maior produção de leite.

O produtor de leite de Planalto, no Rio Grande do Sul, Mateus Dalberti, é um que apostou no trigo específico para pastejo e tem colhido bons os frutos. “A grande sacada da utilização desse trigo é que com ele é possível fazer de oito a nove cortes em torno de todos os ciclos”, comenta. Segundo ele, são utilizados aproximadamente 30 animais para pastagem, com um intervalo de pastejo de 15 a 18 dias, com entrada de 25 a 30 cm e saída de 8 a 10 cm de massa foliar. “É um bom material, percebemos que ele aguentou bem o pisoteio das vacas e tem um grande rebrote”, diz.

Dalberti notou também o aumento da produção leiteira com a utilização de pastagem de trigo. “Percebemos um aumento de 50 a 100 litros/dia”, contou. O aumento na produção é consequência do maior consumo de alimento feito pelos animais. Segundo o produtor, foi perceptível que o trigo tem alta palatabilidade e as vacas se adequaram bem ao produto.

O médico veterinário que acompanha o produtor, Osvaldo Salvador, corrobora as afirmações. “Com a utilização do trigo o Mateus consegue ter um maior incremento de proteína na dieta dos animais, e com isso reduz o custo de produção no cocho, porque ele pode utilizar menos farelo de soja na dieta e assim ter maior retorno financeiro na propriedade, tendo consequentemente mais dinheiro no bolso”, afirma.

Aumento de consumo e de produção

De acordo com o engenheiro agrônomo e extensionista da Emater/RS, Jeferson Vidal Figueiredo, a agropecuária está em um momento importante, onde precisa melhorar as pastagens de inverno. “Trabalho há uns 10 anos com o trigo de pastoreio, e desde então observei junto aos pecuaristas de leite o desenvolvimento dessas pastagens bem manejadas para o gado”, comenta.

Figueiredo comenta que o feedback que tem recebido de produtores que utilizam o trigo de pastoreio é positivo. “Um pasto bem manejado no inverno já dá um bom retorno, e no trigo parece que tem um retorno ainda melhor”, informa. “Parece que as vacas gostam muito do trigo. Não sabemos ainda quais os motivos, mas quando entram na pastagem elas tendem a buscar o trigo primeiro em relação à outras pastagens. Temos observado isso ao longo dos últimos anos”, conta.

Outro ponto positivo para utilizar o trigo como alimento é que o grão é uma boa alternativa para tampar o vazio que existe nas propriedades. “Consigo entrar com ele no início de março. É uma alternativa para já ter pasto em abril”, menciona. Além disso, Figueiredo informa que o trigo oferece aos animais boa energia e alta proteína. “E se o produtor fizer uma nutrição balanceada conforme a vaca precisa, ele atinge níveis de produção satisfatórios e com um custo baixo”, informa.

O engenheiro agrônomo afirma que, especialmente na região Sul, a pastagem de inverno com trigo é um grande benefício, uma vez que é uma pastagem de extrema qualidade, com alto teor de proteína e onde é possível corrigir a questão de energia. “Vemos vacas produzindo uma quantidade significativa de leite, com uma média de 50 litros de leite com baixo índice de concentrado”, diz. “A pastagem de trigo traz um resultado gratificante e com certeza com um retorno econômico para o produtor muito satisfatório”, assegura.

Ganhos no quesito nutricional

A pastagem de trigo traz algumas vantagens em relação a custo e qualidade nutricional em relação a outras matérias primas, garante o gerente de Nutrição Animal da Biotrigo Genética, Tiago de Pauli. “Hoje os produtores estão com bastante dificuldade na questão de alimento, volumes, contando migalhas de silagem produzida”, menciona. Uma boa alternativa, principalmente em questão de proteína, especialmente com a soja a altos valores, é a pastagem de trigo, comenta. “O trigo tem uma produção de alta biomassa, consegue produzir volume de pasto muito bom e vem entregando um teor de proteína superior a 27%, chegando a até 30% de proteína, o que é muito bom”, diz.

O profissional assegura que isso permite que o produtor possa trabalhar dentro da dieta animal rações ou concentrados com menores teores de proteína, barateando de certa forma o custo com concentrado, porque existe uma necessidade menor de proteína. “O principal de tudo é que o pecuarista pode produzir proteína, que é o ingrediente mais caro da dieta na própria propriedade, fazendo um bom uso da tecnologia desses trigos, melhorando assim a rentabilidade dele no final”, afirma.

Segundo Pauli, os produtores que utilizam o trigo tem relatado aumento no ganho de peso dos animais e de produção de leite, além da questão da velocidade com que o material permite a reentrada dos animais no piquete. “Nós sabemos que o animal tem preferências de consumo, assim como nós. E hoje, dentro das pastagens as vacas tem tido fortes preferencias pelo trigo e pelo azevém, devido a palatabilidade desses produtos, que são, para o animal, de melhor gosto e que ele prefere comer”, comenta. Ele conta ainda que foi possível perceber que os animais que são deixados em pastagens de trigo permanecem mais tempo comendo, para depois se deitar. “Temos visto que a taxa de consumo aumentou bastante desde que os produtores começaram a trabalhar com a pastagem de trigo”, diz.

O profissional conta que os benefícios da pastagem do trigo vão muito além do produtor. “Estamos em contato com empresas do ramo lácteo que também se beneficiaram com esse leite, que é um produto com mais gordura e maior teor de gordura no leite. A indústria está satisfeita com o que vem chegando dessas propriedades que utilizam a pastagem de trigo”, afirma.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Saúde Animal

Mastites em vacas leiteiras: Como a marbofloxacina age sobre a patologia?

A marbofloxacina é um dos princípios ativos que tem demonstrado muitos bons resultados

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Divulgação/Ceva

Artigo escrito pela equipe técnica da Ceva

A mastite é uma das principais afecções do gado leiteiro, pois é considerada a doença de maior impacto econômico na atividade, determinando redução na produção, na qualidade do leite e afetando o bem-estar dos animais. Ela pode ocorrer por diferentes fatores: agressões físicas, químicas, tóxicas, mas a sua principal causa é infecção por bactérias e outros microrganismos. De acordo com a manifestação clínica podemos classificar as mastites em: subclínicas, clínicas hiperagudas, agudas ou brandas, e crônicas.

Na manifestação clínica podemos observar edema do úbere, aumento de temperatura na região, coloração vermelha, endurecida, e dolorida ao toque, além de alterações visíveis no leite como grumos ou pus. Já na subclínica, não são observadas manifestações no animal, apenas alterações na qualidade e composição química do leite, modificações nas suas características organolépticas, físico-químicas e microbiológicas, além de redução de volume produzido. Por não ser visivelmente diagnosticada, a mastite subclínica pode se disseminar facilmente pela propriedade. Estima-se que para cada caso clínico, ocorram pelo menos 9 outros casos subclínicos. A mastite crônica se caracteriza por manifestações constantes de casos clínicos que não apresentam cura total após a realização de tratamentos.

Ainda com relação a forma de transmissão e patógenos envolvidos, as mastites podem ser classificadas em contagiosas e ambientais. As contagiosas são causadas por bactérias presentes no úbere e leite dos animais infectados e são transmitidas entre animais. Já as ambientais são determinadas por microrganismos presentes no ambiente que infectam os animais ao penetrarem na glândula mamária.

A avaliação da saúde das glândulas mamárias e o diagnóstico da mastite subclínica são realizadas através da contagem de células somáticas (CCS) do leite.

Os impactos da mastite afetam também a produção de laticínios reduzindo o rendimento do leite na produção de derivados e o tempo de prateleira. Quando encontramos vacas com mastites, elas vacas devem ser retiradas da linha de ordenha para tratamento. Em boa parte das mastites, o tratamento com antibiótico é fundamental para o restabelecimento da saúde e dos índices produtivos. Na escolha do medicamento deve-se avaliar as características do fármaco, suas aplicações, eficácia, potência e rapidez de ação.

Estudos demonstram que na maioria das mastites estão envolvidas as bactérias Escherichia coli, Streptococcus uberis, Streptococcus dysgalactiae, Streptococcus agalactiae, Staphylococcus aureus, Corynebacterium bovis e Mycoplasma spp. Para melhor estabelecimento do tratamento anti-infeccioso o ideal é a realização de culturas e testes de sensibilidade aos antimicrobianos disponíveis. Infelizmente, o uso indiscriminado destes produtos tem causado rápido estabelecimento de resistência bacteriana.

A resistência bacteriana pode ser causada pela mutação espontânea e a recombinação gênica, muitas vezes influenciadas pela seleção natural, onde as cepas bacterianas mais resistentes sobrevivem. Entretanto, a exposição frequente à níveis inadequados do antibiótico, especialmente a subdosagens e períodos longos de tratamento, podem proporcionar a seleção de cepas resistentes. Por isso a escolha do antibiótico deve ser criteriosa e buscar alta potência, alta eficácia, rápido alcance de concentrações efetivas no sangue, máxima difusão do antibiótico na glândula mamária após a aplicação, facilidade de uso e mínimo período de carência.

Frequentemente são disponibilizados no mercado novas formulações e novos princípios ativos antimicrobianos para o tratamento das mastites. A marbofloxacina é um destes princípios ativos que tem demonstrado muitos bons resultados devido a suas características que vão de encontro às anteriormente citadas. A seguir, são apresentados resultados de alguns estudos comparativos de eficácia no tratamento de animais com mastite clínica empregando-se marbofloxacina e outros antimicrobianos corriqueiramente usados.

Marbofloxacina versus Amoxicilina + Ácido Clavulânico (Clavulanato)

Nesse estudo foi comparada a eficácia de tratamentos de mastites ambientais determinadas por bactérias Gram negativas em 114 vacas. Os animais apresentavam sinais clínicos como: úbere inflamado, febre, apatia, reduzido ou ausência de apetite e alterações no leite. Os animais foram divididos em dois grupos de tratamento como a seguir:

Grupo Marbofloxacina: 2mg/Kg de marbofloxacina, intravenosa, uma vez ao dia, por 3 dias consecutivos.

Grupo Amoxicilina + Clavulanato (A + AC): 8,75mg/Kg de amoxicilina + clavulanato, intravenosa, por três dias consecutivos.

Em ambos os grupos o tratamento incluía aplicação intramamária de Cloxacilina nos quartos mamários afetados logo após a ordenha. A Cloxacilina não atua contra bactérias Gram negativas.

Amostras de leite individuais e de cada quarto mamário foram assepticamente colhidas nos dias 0, +7 e +14 do estudo, para a realização de cultura e identificação bacteriana. As avaliações clínicas gerais do animal, úbere, produção e aspectos do leite foram realizados no dia dos tratamentos, 12 horas após os tratamentos e nos dias, +1, +2, +3, +7 e +14 após início os mesmos. Os animais foram divididos em 2 grupos e tratadas da seguinte maneira:

Resultados

A bactéria com maior prevalência nas culturas realizadas foi E. coli. O grupo tratado com marbofloxacina teve um retorno ao comportamento normal em um período mais curto. O retorno a produção normal de leite, a normalização dos parâmetros clínicos e o desaparecimento da E. coli foi mais rápido no grupo tratado com marbofloxacina quando comparado ao grupo tratado com amoxicilina + clavulanato.

  • Marbofloxacina X Danofloxacina

Um estudo cego e comparativo entre tratamentos usando marbofloxacina ou danofloxacina em vacas leiteiras com mastite aguda por E. coli envolveu 354 animais com sinais clínicos. 178 vacas receberam marbofloxacina e 176 receberam danofloxacina.

Grupo marbofloxacina: 10 mg/Kg de marbofloxacina por peso vivo, intramuscular, com aplicação única no dia 0.

Grupo danofloxacina: 6mg/Kg de danofloxacina por peso vivo, subcutânea, com aplicação única no dia 0.

Todos os animais envolvidos receberam aplicação intramamária de oxacilina nos primeiros dias de tratamento. A oxacilina não tem efeito sobre bactérias Gram negativas.

Todos animais passaram por avaliação clínica individual e nestas avaliações foram empregados escores de acordo com: o comportamento ou condição geral dos animais; o apetite; a produção diária; o aspecto do quarto mamário afetado e o aspecto do leite.

Resultados

Os parâmetros primários adotados foram cura clínica, melhoria do estado geral e  retorno à produção de leite até o 15º dia após tratamento. O segundo fator observado foi o desaparecimento da E. coli nas culturas de amostra de leite examinadas ao 15º e ao 27º dia após o tratamento.

Os resultados de escore clínico geral, retorno a produção de leite e redução da temperatura retal, foram melhores para o grupo tratado com marbofloxacina, representando até 4,5% de diferença entre os parâmetros.

Quando avaliada a taxa de cura e melhora no estado geral dos animais, o grupo tratado com marbofloxacina mostrou melhores resultados.

De acordo com os resultados obtidos nos dias das avaliações realizadas após os tratamentos, pode-se observar que os animais tratados com a marbofloxacina apresentaram melhoria contínua e taxa superior de cura clínica quando comparado ao grupo tratado com danofloxacina.  No 15º dia após o tratamento, a taxa de cura foi de 73,6% no grupo tratado com marbofloxacina contra 65,8% do grupo tratado com danofloxacina, como demonstrado no gráfico a seguir:

Os resultados de cura bacteriológica também foram superiores no grupo tratado com marbofloxacina, sustentando a rápida absorção sistêmica e boa distribuição da no organismo o que permitiu chegar a glândula mamária com eficácia e ainda auxiliar na prevenção da bacteremia.

Os estudos sustentam alta eficiência da marbofloxacina nos tratamentos de mastite causadas por bactérias Gram negativas, especificamente Escherichia coli. Este fato permite o rápido retorno às condições normais de saúde, à produção de leite e a cura bacteriológica.

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Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Pecuária

A relevância da cura de umbigo nos bezerros recém-nascidos

Umbigo é importante porta de entrada para agentes infecciosos, sendo responsável muitas vezes pela ocorrência de enfermidades

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Divulgação/J.A. Saúde Animal

 Artigo escrito por Eduardo Rezende, coordenador de Marketing e Comunicação Científica da J.A Saúde Animal

Uma das fases mais críticas da bovinocultura, seja ela de leite ou corte, é a criação de bezerros. O recém-nascido é muito vulnerável devido a sua dificuldade de manter a temperatura e principalmente pelo fato de ser imunologicamente menos competente, dependendo totalmente dos anticorpos advindos do colostro. A ingestão desse importante alimento em quantidade e momento adequado é essencial para a sobrevivência do bezerro, além da ingestão frequente de carboidratos e outros cuidados secundários.

A falha na transferência dos anticorpos da mãe para a cria, o insucesso da absorção dessas proteínas pelo organismo do bezerro, bem como as práticas de manejo e higiene deficientes, são os maiores determinantes de mortalidade nas primeiras semanas de vida. Portanto, minimizar a exposição desses animais aos agentes infecciosos promove maior taxa de sobrevivência, sendo um método fácil e de excelente custo-benefício.

Dentre as causas mais comuns da mortalidade em recém-nascidos destacam-se: as doenças entéricas (principalmente as diarreias), as respiratórias (principalmente a pneumonia), septicemia pós-natal e as onfalites/onfaloflebites (infecções das estruturas umbilicais). Microrganismos comuns de onfalite frequentemente são encontrados em animais com septicemia, comprovando que o umbigo é importante porta de entrada para agentes infecciosos, sendo responsável muitas vezes pela ocorrência das enfermidades citadas acima.

Durante a vida fetal, a comunicação entre o feto e a mãe é feita justamente pela via umbilical. É através do umbigo que chega ao feto o sangue materno rico em nutrientes e oxigênio, além da função de eliminação de catabólitos do novo organismo em desenvolvimento. Após o parto, o umbigo perde sua função, havendo involução dos vasos sanguíneos e úraco, utilizados na comunicação. Há também a união dos músculos próximos da cicatriz umbilical, fechando o acesso do meio externo aos vasos umbilicais. Porém, até que esse processo se complete, há uma porta aberta para infecções.

Para se ter uma ideia, segundo pesquisas há grande incidência de afecções umbilicais em bezerros de leite e de corte, com variação de 28 a 42,2%. Os prejuízos decorrentes das enfermidades umbilicais vão além da mortalidade dos bezerros. Podendo acarretar ainda na falha no desenvolvimento do animal, resultando em lotes refugo, além dos gastos referentes ao tratamento e atendimento veterinário, impactando negativamente na lucratividade da atividade.

Diante do exposto, se faz necessário os cuidados adequados com a colostragem e cura do umbigo. A colostragem permite que o recém-nascido receba os tão valiosos anticorpos que irão protegê-lo até que seu próprio organismo desenvolva sua própria imunidade (imunidade passiva). Esse procedimento é imprescindível, pois pelo fato de a placenta da vaca ser do tipo sindesmocorial, não há transferência de imunidade transplacentária para o feto.

Tão importante quanto a ingestão de colostro, de qualidade e na época adequada, é a cura de umbigo. Esse procedimento garante que não haja mais a entrada de microrganismos pela cicatriz umbilical após sua cura. É um método simples, barato e eficaz, entretanto não soluciona as infecções adquiridas antes do processo de cauterização do umbigo.

Nesse sentido, afim de complementar as práticas de colostragem e cura de umbigo, indica-se a utilização de um medicamento metafilático. A metafilaxia nada mais é que a utilização de um antimicrobiano injetável e em doses terapêuticas, destinado ao tratamento e prevenção da manifestação clínica de uma enfermidade em um determinado grupo de risco. Nos Estados Unidos foi comprovado efetividade profilática e terapêutica dessa estratégia, inclusive com melhor desempenho produtivo e taxa de redução de morbidades de até 40% nos animais estudados.

Um princípio ativo muito utilizado para a metafilaxia nos animais recém-nascidos é a Benzilpenicina Benzatina, antimicrobiano eficaz no combate dos microrganismos envolvidos na onfalite e onfaloflebite e suas consequências. O grande diferencial desse antimicrobiano é sua extra longa ação, mantendo concentrações plasmáticas no organismo do bezerro durante todo o primeiro mês de vida, período mais crítico quanto a morbidade e mortalidade. Adicionalmente, indica-se também a utilização de um antiparasitário, de forma a proteger a cicatriz umbilical da infestação por miíases, outro problema muito comum nesse período.

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Fonte: O Presente Rural
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