Bovinos / Grãos / Máquinas
Controle detalhado da fazenda garante melhores resultados
Anotar entradas e saídas, mortes e nascimentos, além de investimentos e ganho de peso são detalhes importantes e que garantem que o pecuarista ganhe mais lucro na atividade
O objetivo do produtor ao desenvolver a pecuária de corte na fazenda é ter lucro. Amar a atividade ou mesmo continuar o que é um negócio da família é importante, mas o lucro, em especial, é um forte fator que faz com que o produtor continue acreditando. E são diversos os modelos que podem ser seguidos sobre como aumentar os lucros na fazenda. A pergunta que o produtor geralmente faz é: como? Quem respondeu esta questão foi o CEO do BeefPoint e do AgroTalento, Miguel Cavalcanti, que falou sobre “como lucrar na pecuária de corte” durante o InterCort, que aconteceu em abril, em Cuiabá, MT.
Um ponto importante destacado pelo profissional e que deve ser o primeiro de conhecimento do produtor é que a pecuária é um negócio a longo prazo. “Por isso, é importante que o pecuarista pense a longo prazo”, diz. Ele comenta que a pecuária tem passado por uma realidade difícil de muito esforço e pouco resultado, muito trabalho para pouco lucro, mas é possível trabalhar para mudar este cenário, afirma.
Menos é menos, mais é mais
Cavalcanti conta que quem lucra menos, investe menos. “Se o pecuarista lucra menos, fica mais difícil de comprar, contratar e manter pessoal bom trabalhando, gera menos realização, satisfação e reconhecimento por parte dos funcionários, fica mais difícil fazer a sucessão familiar, além de ser mais difícil expandir. Essa é a realidade de quem está com o lucro baixo”, comenta. Ele diz que o lucro pode trazer diversas oportunidades para o pecuarista. “Uma fazenda com alto lucro traz satisfação, realização, reconhecimento. Permite que o pecuarista invista mais e faça crescer seu negócio. Permite que cresça o ativo e ele invista em uma equipe boa e estruturada. Se você tem mais lucro, você pode ter maior qualidade de vida”, destaca.
Ele comenta que o que tem visto é que não é somente a quantidade de esforço que gera resultado ou a quantidade de trabalho que gera lucro, mas sim uma questão estratégica. “Eu vejo muita gente tentando fazer o melhor e não conseguindo. Existe uma série de mitos sobre a pecuária que devem ser quebrados”, afirma. O primeiro deles, segundo Cavalcanti, é que a atividade é uma piada. “Dizem que a pecuária é tão boa de mexer que não precisa dar lucro. Isso serve como uma maneira de se consolar, se enganar. Já ouvi muito essa frase, mas acredito que ela é uma maneira de disfarçar a insatisfação. Eu não acredito nela”, conta.
Outro ponto destacado pelo profissional é sobre as conversas que geralmente rodeiam os pecuaristas. Entre os assuntos, de acordo com ele, está sempre se está chovendo, o preço do boi, sobre o peso ou rendimento e ganho de peso da boiada, ou ainda sobre peso do bezerro, desmama e taxa de prenhez. “Todos estes fatores são importantes e o pecuarista deve medir. Mas, qual foi o lucro do negócio? Qual é a margem? Quando você começa a mudar as perguntas, a conversa muda”, diz. Além do mais, ele acrescenta que uma armadilha que o pecuarista geralmente cai é acreditar que somente aumentando a produção ele terá mais lucro. “Isso não é verdade”, revela.
Cavalcanti destaca que muitos produtores querem aumentar o lucro, mas falam somente em aumentar a produção. “Aí a pergunta é: fazendas com maiores lotações ou produtividade são as que dão mais lucro? Quando vamos olhar os indicadores, nem sempre. Se você olhar as fazendas mais produtivas, algumas são muito lucrativas, já outras têm muito prejuízo”, conta. Ele reitera que o pecuarista deve estar com “o olhar e a língua no lucro”, não somente na produtividade.
Conversar com quem pensa e faz lucro
Um erro muito comum visto por Cavalcanti que é cometido por pecuaristas é que ele busca conselhos de lucratividade com quem não faz, mede ou pensa lucro. “Para mim, isso é você falar inglês com quem não fala inglês. Não tem nada para conversar”, afirma. Para ele, o jeito certo é primeiro o pecuarista decidir que vai agir. “Para agir e começar a gerar resultados, é preciso o pecuarista entender que a fazenda trabalha com duas moedas: a moeda dinheiro e a moeda gado. É preciso fazer, no mínimo, um balanço anual destas duas moedas, o quanto faturou em reais no ano, quanto gastou no ano, quanto rebanho aumentou ou diminuiu”, aconselha. Ele alerta que já viu muitas fazendas faturarem muito em reais, mas na hora de ver o rebanho, diminuiu muito e deu prejuízo. “Assim como já vi casos de fazendas que não tiraram muito, acharam que tinham prejuízo, mas no final da conta, o gado tinha aumentado”, conta.
Ele comenta que no final de tudo, é preciso que o pecuarista transforme ainda as duas moedas – reais e gado – em uma única moeda para fazer o balanço do ano e então dividir pela área da fazenda. “É relativamente fácil, mas é preciso anotar todos os faturamentos, desembolsos, todos os pagamentos e o rebanho do início e do final do ano. É fácil e simples”, informa. Segundo Cavalcanti, essa conta, do balanço de gado e reais, dividido pela área é o lucro do pecuarista por hectare/ano.
O especialista diz ainda que o pecuarista precisa buscar novos amigos, contatos, conversas, trocar experiências e aprendizado. “A pergunta sempre vai ser: como isso muda a rentabilidade do meu negócio? Como isso muda o lucro da minha fazenda? E não mais qual o peso que meu gado vai ganhar. É preciso perguntar para quem sabe qual resultado vai ter, porque você precisa de acompanhamento para fazer isso, além de um novo grupo de pessoas para interagir para aprender”, destaca.
Cavalcanti afirma que somente falando parece ser uma atividade simples, e por isso o pecuarista pode perguntar: o que vai mudar? “Quando o pecuarista tiver os números, os resultados em lucro em reais por hectare na fazenda, tudo muda a partir desse elemento. Isso porque a partir disso o produtor vai estar falando a língua da pecuária, do lucro. Quando tiver uma nova tecnologia, ele vai se perguntar não o quanto aumenta a produção, mas como isso impacta no lucro da fazenda. É isso que interessa”, afirma.
Para ele, ainda é preciso que os pecuaristas deixem de ser produtores, “mas para serem mais que isso. Para deixar de ser produtor você precisa saber seu lucro, medir, falar sobre ele, para você tomar decisões baseadas em como elas vão aumentar o lucro. Isso é simples, eficaz e diferente. Assim, você vai deixar de ser produtor rural e se tornar um lucrador rural”, enfatiza.
Anotando para obter resultados
Um bom exemplo de como gerar lucros e seguindo o conselho de Cavalcanti em anotar todas as entradas e saídas da fazenda é o pecuarista Rafael Sguissardi. A família possui três fazendas no Mato Grosso, onde mantém produção diversificada. Em uma área há somente cria, na outra recria de fêmeas e matrizes, e na terceira – que é a maior – ciclo completo, com confinamento e cria, recria e engorda, além da integração lavoura pecuária. O pecuarista conta que o pai sempre foi muito organizado, anotando em uma lista todos os números da fazenda, desde o nascimento e morte de animais até compra e vendas.
“Aos poucos começamos a implantar uma série de controles na fazenda. O mais importante deles foi a separação do gado em categorias, para melhor controle. Separamos então machos e fêmeas. Outro ponto foi que todo o mês o capataz deve anotar o extrato do gado de cada fazenda. É um forte controle que temos”, conta Sguissardi. Outras anotações que são feitas todos os meses nas fazendas é a movimentação. “Anotamos se morreu algum animal, qual foi, que dia, qual o motivo, além dos nascimentos, separando se foi macho ou fêmea, se houve transferência de animal entre as fazendas, as vendas, para quem vendeu, por quanto, qual era o peso do animal. Temos um banco de dados registrado mensalmente com todas as movimentações das fazendas”, informa.
Outro dado anotado pelo pecuarista é sobre a alimentação dos animais. Entre as anotações estão os lotes, o peso na última pesagem e a evolução do peso com o tempo. Sguissardi explica que dessa forma é possível atualizar ainda a suplementação dos animais. “Com estas planilhas fazemos os fechamentos mensais da evolução da fazenda e o planejamento do fluxo de caixa com essas projeções de ganho de peso”, diz. Dessa forma, o pecuarista sabe quando o animal será abatido e quando haverá dinheiro na propriedade.
Apesar das anotações ajudar bastante, Sguissardi comenta que é difícil anotar todas as movimentações do mês e acertar sempre. “Até hoje não conseguimos fechar 100%”, confidencia. Outro detalhe foi que por conta das anotações foi preciso aumentar a mão de obra nas fazendas.
Mas, mesmo com os pontos difíceis, foram muitos os aprendizados e ganhos. “Com o controle mais apurado da suplementação, houve uma redução na idade de abate dos animais. Isso nos proporcionou um maior número de abates por período. E como também aumentou os abates, foi possível aumentar o rebanho e o número de matrizes”, conta Sguissardi. Ele acrescenta que, além do mais, o controle intenso da suplementação é a prova de que o olho do dono engorda o boi.
O pecuarista conta do resultado da última safra. “Houve um lote de bois que abatemos com seis meses de idade e um peso de 500 quilos. Se dividirmos esse peso pela quantidade de dias de vida do animal, deu aproximadamente um quilo por cabeça/dia, sendo que terminamos ele em confinamento. Ele foi abatido com 18,6@ de carne, dessa forma produzimos um animal com 1,16@ cabeça/mês”, informa. Ele complementa ainda que com a suplementação forte de aumento de 50% na produtividade de @/hectare/ano o lucro na safra 2016/2017 foi de R$ 450 por hectare. “As nossas decisões são baseadas em números, no que estamos projetando. Elas são também fruto de investimentos. A nossa preocupação com a suplementação correta com cada lote é feita de acordo com o planejamento financeiro”, afirma.
Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2018 ou online.
Fonte: O Presente Rural

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Boi gordo enfrenta semanas de instabilidade e pressão nas cotações
Recuo de até R$ 13/@ reflete um mercado mais sensível antes do período de maior consumo.

A possibilidade de novas medidas protecionistas da China voltou a gerar incerteza no mercado pecuário brasileiro. O país asiático, principal destino da carne bovina do Brasil, estaria avaliando restringir a entrada do produto, mas não há qualquer confirmação oficial até o momento. Mesmo assim, os rumores foram suficientes para pressionar os contratos futuros do boi nas últimas semanas.
As especulações ganharam força no início de novembro, indicando que Pequim poderia retomar o movimento iniciado em 2024, quando alegou excesso de oferta interna para reduzir as importações. A decisão, que inicialmente seria tomada em agosto de 2025, foi adiada para novembro, ampliando a cautela dos agentes e intensificando a queda na curva futura: em duas semanas, os contratos recuaram entre R$ 10 e R$ 13 por arroba.

Foto: Gisele Rosso
Com a China respondendo por cerca de 50% das exportações brasileiras de carne bovina, qualquer redução nos embarques tende a impactar diretamente os preços do boi gordo, especialmente em um momento de forte ritmo de produção.
Apesar da tensão, o cenário de curto prazo permanece positivo. A demanda doméstica, reforçada pela sazonalidade do fim de ano, e o recente alívio nas barreiras impostas pelos Estados Unidos ajudam a sustentar as cotações. Caso os abates não avancem mais de 10% em novembro e dezembro, a disponibilidade interna deve ficar abaixo da registrada em outubro, movimento que favorece a recuperação dos preços da carne nos próximos 30 dias.
Para 2026, as projeções seguem otimistas para a pecuária brasileira. A expectativa é de menor oferta de animais terminados, custos de produção mais competitivos e demanda externa firme, em um contexto de queda da produção e das exportações de concorrentes, especialmente dos Estados Unidos. A principal atenção fica por conta do preço da reposição, que subiu de forma expressiva e exige valores mais ajustados na venda do boi gordo para assegurar a rentabilidade na terminação.
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Novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável busca impulsionar produção de leite no Noroeste de Minas Gerais
Assistência técnica, pesquisa aplicada e melhorias genéticas a 150 propriedades familiares, com foco em produtividade, sustentabilidade e fortalecimento da cadeia leiteira no Noroeste mineiro até 2028.

O fortalecimento e a ampliação da produção de leite de produtores de Paracatu (MG), de forma sustentável, eficiente e de qualidade, ganharam impulso com o início do novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável, desenvolvido em parceria entre a Embrapa Cerrados e a Cooperativa Agropecuária do Vale do Paracatu (Coopervap).
O projeto é desenvolvido no âmbito do Programa Mais Leite Saudável (PMLS) do MAPA desde 2020. O Programa Mais Leite Saudável é um incentivo fiscal que permite a laticínios e cooperativas obter até 50% de desconto (crédito presumido) no valor de PIS/Pasep e COFINS relativo à comercialização do leite cru utilizado como insumo, desde que desenvolvam projetos que fortaleçam e qualifiquem a cadeia produtiva por meio de ações diretas junto aos produtores.
O treinamento dos técnicos recém-selecionados foi realizado no fim de outubro, e as primeiras visitas às propriedades ocorreram no início de novembro. Essa é a terceira fase do projeto, que conta com o acompanhamento do pesquisador José Humberto Xavier e do analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrados, Carlos Eduardo Santos.
O projeto articula as dimensões de assistência técnica e pesquisa e atuará nessa etapa com uma rede de 150 propriedades rurais familiares, que receberão acompanhamento de três veterinários e dois agrônomos, seguindo o modelo implantado em 2020. A equipe da Embrapa atua na capacitação técnica e metodológica dos técnicos e na condução de testes de validação participativa de tecnologias promissoras junto aos agricultores da rede.
A nova etapa, prevista para ser concluída em 2028, busca desenvolver alternativas para novos sistemas de cultivo com foco na agricultura de conservação, oferecer apoio técnico ao melhoramento genético dos animais de reposição com o uso de inseminação artificial e ampliar o alcance dos resultados já obtidos, beneficiando mais agricultores familiares e contribuindo para o desenvolvimento regional.
Segundo o pesquisador da Embrapa Cerrados, José Humberto Xavier, os sistemas de cultivo desenvolvidos até agora melhoraram o desempenho das lavouras destinadas à alimentação do rebanho, mas ainda são necessários ajustes para reduzir a perda de qualidade do solo causada pelo preparo convencional e pela elevada extração de nutrientes advinda da colheita da silagem, além de evitar problemas de compactação quando o solo está úmido. Ele destaca também os desafios de aumentar a produtividade e reduzir a penosidade do trabalho com mecanização adequada.
O analista Carlos Eduardo Santos ressaltou a importância de melhorar o padrão genético do rebanho. “A reposição das matrizes é, tradicionalmente, feita pela compra de animais de outros rebanhos. Isso gera riscos produtivos e sanitários, além de custos elevados. Por isso, a Coopervap pretende implementar um programa próprio de reposição, formulado com base nas experiências dos técnicos e produtores ao longo da parceria”, afirmou.
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Curso gratuito da Embrapa ensina manejo correto de resíduos na pecuária leiteira
Capacitação on-line orienta produtores a adequar propriedades à legislação ambiental e transformar dejetos em insumo seguro e sustentável.

Como fazer corretamente o manejo dos dejetos da propriedade leiteira e adequá-la à legislação e à segurança dos humanos, animais e meio ambiente? Agora, técnicos e produtores têm à disposição um curso on-line, disponível pela plataforma de capacitações a distância da Embrapa, o E-Campo, para aprender como realizar essa gestão. A capacitação “Manejo de resíduos na propriedade leiteira” é gratuita e deve ocupar uma carga horária de aproximadamente 24 horas do participante.
O treinamento fecha o ciclo de uma série de outros cursos relacionados ao manejo ambiental da atividade leiteira: conceitos básicos em manejo ambiental da propriedade leiteira e manejo hídrico da propriedade leiteira, também disponíveis na plataforma E-Campo.
De acordo com o pesquisador responsável, Julio Palhares, identificou-se uma carência de conhecimento sobre como manejar os resíduos da atividade leiteira para adequar a propriedade frente às determinações das agências ambientais. “O correto manejo é importante para dar qualidade de vida aos que vivem na propriedade e no seu entorno, bem como para garantir a qualidade ambiental da atividade e o uso dos resíduos como fertilizante”, explica Palhares.
A promoção do curso ainda contribui para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), como as metas 2 e 12. A 2 refere-se à promoção da agricultura sustentável de produção de alimentos e prevê práticas agropecuárias resilientes, manutenção dos ecossistemas, fortalecimento da capacidade de adaptação às mudanças climáticas, etc. O ODS 12 diz respeito ao consumo e produção responsáveis, principalmente no que diz respeito à gestão sustentável.
O treinamento tem oferta contínua, ou seja, o inscrito terá acesso por tempo indeterminado.
