Suínos Produção animal
Controle de moscas na suinocultura: quais os passos para alcançar o sucesso?
As moscas representam um sério problema na produção animal. Na suinocultura a infestação das granjas por moscas também pode ocorrer, sendo esse inseto o mais encontrado. O controle deve ser realizado em todas as fases do ciclo produtivo.

As moscas representam um sério problema na produção animal. Na suinocultura a infestação das granjas por moscas também pode ocorrer, sendo esse inseto o mais encontrado. O controle deve ser realizado em todas as fases do ciclo produtivo.
Várias espécies de moscas podem causar problemas na suinocultura, porém a que se destaca é a Musca domestica (Mosca doméstica), mas também podemos encontrar outras espécies como Stomoxys calcitrans (Mosca dos estábulos), Drosophila spp (Mosquinha), Chrysomia megacephala (Mosca varejeira). Em um país tropical como o Brasil, as altas temperaturas e umidade relativa elevada favorecem a sua multiplicação, fazendo com que 100% das nossas granjas sofram com as consequências negativas da infestação da praga.
Os principais fatores que afetam a população de moscas são matéria orgânica, umidade e temperatura. Elas se desenvolvem e se alimentam da matéria orgânica em decomposição. As larvas de mosca precisam de umidade e o acúmulo de esterco úmido aparece como um lugar propício para o seu desenvolvimento. As larvas da mosca se desenvolvem mais rapidamente em temperaturas elevadas. Sob a temperatura de 30°C, as moscas podem completar o ciclo de vida (de ovo a adulto) em apenas dez dias. Sob baixas temperaturas este desenvolvimento é desacelerado.
Conheça o inimigo

Figura 1 – Ciclo de vida da mosca
Antes de realizar o controle é necessário saber como vivem esses insetos. A mosca adulta põe os ovos no esterco úmido (principalmente de suínos e aves) e em depósitos de lixo (principalmente de origem orgânica: restos de comida, cascas e sobras de frutas e legumes). As moscas desenvolvem-se através do processo denominado metamorfose completa, ou seja, compreendendo os estágios de ovo, larva, pupa e adulto. O ciclo se completa entre sete e 35 dias, dependendo da temperatura e umidade. Em três a cinco dias depois de nascida, a mosca fêmea acasala e já pode começar a pôr ovos. Pode pôr até 1,2 mil ovos durante a vida, em posturas de 100 a 120 ovos por vez. A mosca doméstica é a mais comum e, na forma adulta, pode viver de 25 a 45 dias. A mosca do estábulo e as varejeiras também se criam no esterco de suíno por este ser rico em proteína.
Qual o papel da mosca na veiculação de doenças?
O primeiro e mais importante problema causado pelas moscas é a veiculação de agentes causadores de doenças, como os vírus, bactérias, protozoários e ovos de parasitos. Moscas entram em contato com fezes, podendo transmitir cepas patogênicas de E. coli, Brachyspira spp., Salmonella spp. e Streptococcus spp e alguns vírus como da PRRS, Rotavírus, Coronavírus (TGE) e PCV2.
A mosca doméstica transporta estes agentes de doenças em todo o seu corpo, principalmente nas pernas e peças bucais. Em estudos realizados, verificou-se que ela raramente age como hospedeiro intermediário, atuando quase sempre como vetor mecânico. Outra forma de disseminação de doenças através das moscas é por meio da ingestão de agentes patogênicos pela mosca e sua eliminação nas fezes.
Ainda entre as bactérias, as moscas transmitem o causador da meningite estreptocócica dos suínos (Streptococcus suis), que também pode infectar humanos.
Uma única mosca pode carrear mais de 200 bactérias (como por exemplo a Salmonella) apenas na extremidade de uma de suas patas. Além da contaminação cruzada que podem transmitir aos lotes, as moscas causam estresse aos animais e às pessoas envolvidas na rotina de trabalho da granja.
Como controlar
Para o controle de moscas, recomenda-se o “controle integrado”, que envolve medidas de controle permanente, como o controle mecânico e as formas de controle temporário, como o controle químico e o biológico.
O controle mecânico envolve medidas direcionadas ao destino e tratamento de dejetos, o qual deve ser realizado permanentemente, com foco na redução dos locais de oviposição das moscas; utilização de tela anti-mosca na composteira; evitar a formação de chorume na composteira e não deixar as carcaças expostas; poças de água nos arredores da instalação; vazamentos em sistemas de fornecimento de água também devem ser evitados. Utilizar lâmina de água nas calhas de dejetos evita que moscas adultas entrem em contato direto com a matéria orgânica e depositem seus ovos nestes locais. Tal manejo deve ser constante e acompanhado de perto pelo produtor.
Somado ao controle químico ou biológico que eliminam o inseto em alguma fase do seu ciclo de vida. Sempre que houver aumento da população de insetos na granja, em especial de moscas, deve-se procurar e eliminar os focos de procriação.
As moscas adultas representam apenas uma pequena porcentagem da população presente na propriedade, aproximadamente 20% da infestação total, enquanto 80% é representado por formas jovens: larvas, pupas e ovos. O adulto é somente a etapa final de uma série de estágios (ovo, larva e pupa). Se as medidas de controle forem dirigidas somente às moscas adultas, dificilmente o problema será contornado e o ambiente levado aos parâmetros esperados.
Outro ponto importante no controle das moscas é a frequência de aplicação dos inseticidas. Em períodos de primavera-verão é comum haver maior aumento populacional, pois condições de alta temperatura e umidade aceleram o ciclo biológico das moscas, aumentando o número de gerações neste período. Além do intervalo de aplicação de inseticidas, outro ponto relevante e que deve ser considerado: os locais de procriação das moscas em uma instalação de suínos. Além disso, utilize inseticidas com dupla ação: adulticida e larvicida, e que possa ser aplicado de diferentes vias, como pulverização, nebulização, atomização e termonebulização.
Não existe um plano fixo de biosseguridade que possa ser adotado em todas as granjas uma vez que existem diferenças em relação a localização, tipo de instalações, manejo, nutrição, ambiência, genética e assistência técnica disponíveis. Este plano deve, portanto, ser um processo dinâmico e personalizado de acordo com cada situação mediante a avaliação dos riscos presentes e resultados esperados. Todos os procedimentos de biosseguridade devem ser revisados periodicamente, adaptando-se aos novos riscos e agentes, os quais podem mudam com decorrer do tempo em uma granja.
As referências bibliográficas estão com a autora. Contato via: giovanna.souza@lanxess.com.
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Suínos
Mercado do suíno vivo segue firme, com ajustes pontuais nas cotações
Dados do Cepea indicam variações discretas no início do mês, sem mudanças expressivas nas principais regiões produtoras.

O Indicador do Suíno Vivo Cepea/Esalq, divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, apresentou estabilidade em parte das praças e leves altas em outras nesta segunda-feira (02).
Em Minas Gerais (posto), a cotação ficou em R$ 6,76/kg, sem variação no dia nem no mês. Em Santa Catarina (a retirar), o valor foi de R$ 6,51/kg, também estável.
Já no Paraná (a retirar), o preço atingiu R$ 6,60/kg, com alta de 0,15% no dia e no acumulado do mês. No Rio Grande do Sul (a retirar), a cotação ficou em R$ 6,74/kg, com avanço de 0,15%. Em São Paulo (posto), o indicador registrou R$ 6,91/kg, elevação de 0,14%.
Os dados têm como base levantamento do Cepea.
Suínos
Carne suína encontra espaço para reposicionamento diante do consumidor híbrido
Para a Associação Brasileira de Criadores de Suínos, comunicação segmentada, conteúdo digital e valorização do perfil nutricional da proteína são caminhos para fortalecer a conexão com o novo comprador.

O consumidor brasileiro entra em 2026 vivendo uma combinação inédita de sofisticação digital, pressão econômica e forte carga emocional nas decisões de compra, é o que revela o novo relatório “O Consumidor Brasileiro em 2026”, da MiQ, uma empresa global de tecnologia especializada em publicidade e inteligência de dados. A Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS) entende a importância de acompanhar as novas tendências de consumo, além de compartilhar esses aprendizados com toda a cadeia de produção, já que o novo perfil de consumo no país revela um comprador atento, comparativo e cada vez menos tolerante a atritos, alguém que decide com a mente, o bolso e o sentimento ao mesmo tempo, tornando-se essencial adequar a carne suína a este novo contexto. Veja os destaques da pesquisa!
Hiperconectividade e decisão de compra
Dados reunidos pela MiQ mostram que 74% das decisões de compra começam no smartphone, mesmo quando a transação final acontece no ambiente físico. O celular deixou de ser apenas um canal de acesso e passou a atuar como assistente pessoal, comparador de preços, carteira digital e principal mediador da jornada de consumo no Brasil. Não por acaso, o país se consolida como o ecossistema digital mais avançado da América Latina.
A pressão inflacionária e o cenário econômico instável mudaram a lógica de priorização de gastos. Segundo o levantamento, 72% dos consumidores latino-americanos comparam preços em pelo menos duas plataformas antes de comprar, e mais da metade afirma ter reorganizado seus hábitos de consumo nos últimos 12 meses. No Brasil, essa racionalidade não elimina o impulso, mas o torna mais calculado: promoções, cashback, pontos e benefícios imediatos funcionam como gatilhos decisivos.
Ao mesmo tempo, o entretenimento ocupa um papel central no comportamento do consumidor. Plataformas como YouTube, TikTok e Instagram deixaram de ser apenas espaços de lazer e passaram a moldar a descoberta, a validação e a decisão de compra. Seis em cada dez compras digitais na América Latina começam em uma rede social, e no Brasil o consumo de vídeo por hora é o mais alto da região. O conteúdo, especialmente em vídeo, tornou-se a principal ponte entre marcas e consumidores.
Esse movimento também redefine a confiança. A pesquisa mostra que o consumidor brasileiro de 2026 é desconfiado e exige provas reais. Avaliações, tutoriais, vídeos explicativos e recomendações de criadores têm mais peso do que a publicidade tradicional. A reputação da marca, a clareza das informações e a fluidez da experiência são fatores tão importantes quanto o preço.
Rapidez e personalização
Outro traço marcante é a intolerância ao atrito. Checkouts longos, processos confusos, falta de transparência ou opções limitadas de pagamento afastam o consumidor imediatamente. A popularização do PIX, utilizado semanalmente por mais de 80% dos brasileiros, elevou o padrão de expectativa por rapidez e simplicidade. Em um contexto de incerteza, reduzir o esforço tornou-se tão valioso quanto reduzir o custo.
O Brasil também se destaca pelo apetite por experiências personalizadas, desde que acompanhadas de práticas claras de privacidade. O consumidor quer relevância, mas exige controle e transparência no uso de seus dados. Esse equilíbrio entre personalização e confiança será decisivo para marcas que desejam manter competitividade.
Em síntese, o consumidor brasileiro que chega a 2026 é híbrido: impulsivo e estratégico, emocional e racional, exigente e aberto à experimentação. A gerente de marketing da ABCS, Danielle Sousa, explica que o consumidor transita entre o físico e o digital com naturalidade, consome entretenimento como parte da rotina e espera que as marcas entendam seu contexto, respeitem seu tempo e entreguem valor imediato.
“Diante desse novo consumidor que é estratégico, digital e exigente, carne suína encontra uma grande oportunidade de reposicionamento. A personalização pode acontecer desde a comunicação segmentada nas redes sociais até a oferta de cortes, porções e receitas adaptadas a diferentes perfis e momentos de consumo”, explica ela, que também destaca o potencial nutricional da proteína suína. “O alto teor de proteína, vitaminas do complexo B e excelente relação custo-benefício dialogam diretamente com quem busca saúde, praticidade e inteligência financeira na hora da compra. Iniciativas digitais como o @maiscarnesuina já exemplificam esse movimento, ao levar conteúdo relevante e informativo ao público, fortalecendo a conexão entre produto, confiança e decisão de compra.”
Suínos
Paraná consolida liderança na exportação de suínos de raça; colheita de soja alcança 37%
Em 2025, o Paraná foi responsável por 62,1% da receita nacional de exportação de suínos de alto valor genético (US$ 1,087 milhão), tendo o Paraguai como o principal destino desse material.

O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgou nesta quinta-feira (26) o Boletim Conjuntural com dados atualizados da última semana de fevereiro. Nos assuntos em destaque, o levantamento aponta que o Paraná consolidou sua posição, entre os estados brasileiros, como o maior exportador de suínos reprodutores de raça pura.
Em 2025, o Paraná foi responsável por 62,1% da receita nacional de exportação de suínos de alto valor genético (US$ 1,087 milhão), tendo o Paraguai como o principal destino desse material. Esse desempenho reforça a sanidade e o padrão tecnológico do rebanho paranaense, que atende mercados como Argentina, Uruguai e Bolívia. “Essa escolha pelo Paraná mostra, mais uma vez, que o Estado tem genética de ponta e sanidade do rebanho”, destaca a médica veterinária e analista do Deral, Priscila Marcenovicz.

Fotos: Geraldo Bubniak/AEN
Ainda dentro da área da pecuária, o boletim destaca as exportações de carne bovina brasileira, que atingiram 258,94 mil toneladas, um aumento de mais de 25% em comparação ao mesmo mês do ano passado.
Há uma preocupação com a cota de importação chinesa, estabelecida em 1,1 milhão de toneladas. Só em janeiro, mais de 10% dessa cota já foi utilizada, o que pode causar variações no preço ao longo do ano. Mas outros mercados importantes continuam aumentando as aquisições de carne brasileira. No mercado interno, a maioria dos cortes bovinos pesquisados pelo Deral subiu de preço, com destaque para o filé mignon, que acumula alta de 17% em um ano.
Na avicultura de corte, o cenário é de margens positivas para o produtor paranaense. O custo de produção do frango vivo encerrou 2025 em R$ 4,65/kg, uma queda de 2,9% em relação ao ano anterior, impulsionada principalmente pelo recuo nos preços da ração (-8,92%). No fechamento do ano, o preço médio recebido pelo produtor (R$ 4,92/kg) ficou 4,2% acima do custo médio anual, preservando a rentabilidade em um setor que lidera as exportações de carne no Brasil.
Safra

O boletim trata ainda dos números da estimativa de safra, com base no relatório de Previsão de Safra Subjetiva, que tem como destaque a atualização da área de plantio do milho.
No setor de grãos, a soja caminha para uma colheita robusta, mantendo a estimativa de 22,12 milhões de toneladas para o ciclo 2025/26. Até o momento, os trabalhos de campo atingiram 37% dos 5,77 milhões de hectares plantados, um ritmo considerado dentro da normalidade histórica. A manutenção da projeção traz segurança ao setor produtivo, embora o avanço da colheita da oleaginosa seja monitorado de perto, já que dita o ritmo de plantio do milho segunda safra e ajuda a mitigar riscos climáticos na janela de semeadura.
O milho também desempenha papel central no balanço mensal, com previsão de alcançar 21,1 milhões de toneladas no somatório das duas safras. A primeira safra já está com 42% da área colhida, enquanto o plantio da segunda safra atingiu 45% dos 2,86 milhões de hectares previstos. A ampla área destinada ao cereal no segundo ciclo sustenta a perspectiva de produção elevada, garantindo o suprimento para a cadeia de proteína animal, apesar da concorrência direta com a soja pelo cronograma de uso das áreas agrícolas.

Foto: Jaelson Lucas / AEN
Para o analista do Deral, Edmar Gervasio, o momento é bom. “Estamos tendo uma recuperação de área de plantio. Comparando com o período anterior, tivemos uma alta de mais de 20% em termos de área. Há muito tempo não se via um ganho de área na primeira safra porque a soja sempre é a principal cultura no primeiro ciclo de verão. Nesse ano, teve uma inversão. O milho ganhou espaço, principalmente, na primeira safra. E a produtividade tem sido muito boa. Devemos colher em torno de 3,6 milhões de toneladas na primeira safra e esse número pode melhorar”, disse.
Em contraste com a estabilidade da soja, a cultura do feijão acende um alerta devido à forte redução de área. O levantamento de fevereiro aponta uma retração na área da segunda safra em relação ao ano anterior. Segundo Carlos Hugo Godinho, engenheiro agrônomo e analista do Deral, a redução é um movimento de cautela do produtor, que busca culturas com custos de manejo mais previsíveis neste momento.
“Para quem produz, o cenário é de preços firmes, o que pode compensar o menor volume colhido. Já para o consumidor, mesmo com oscilação de preços a subida tem ocorrido de forma gradual e o varejo ainda possui estoques que amortecem o repasse imediato. A recomendação é que o consumidor pesquise, pois o feijão preto, por exemplo, ainda apresenta valores bem mais acessíveis que no mesmo período do ano passado”, diz.



