Bovinos / Grãos / Máquinas
Controle de formigas cortadeiras aumenta a produtividade e qualidade das pastagens
Em ambientes de usos agrícolas ou pecuários podem ter diversas espécies de formigas, as benéficas (pelo menos não tão prejudiciais) e as “nocivas” que causam prejuízos as lavouras e as pastagens

Guilherme Augusto Vieira[1]
Prezado Leitor desde que comecei a trabalhar e divulgar o trabalho com semiconfinamento tenho me deparado com vários problemas que ocorrem na formação de pastagens para a produção intensiva a pasto.
Quem acompanha o nosso trabalho, adquiriu nossos manuais ou fez os cursos observa que para o bom desempenho dos animais no semiconfinamento ou recria turbinada, além da genética dos animais, bom manejo sanitário e nutricional, é essencial a qualidade das pastagens, tanto quanto ao seu teor nutricional como uma pastagem limpa e livre de pragas.
Como professor sempre mantenho contato com os participantes dos cursos para ter um feedback da sua produção e o que precisamos melhorar daquilo que fora abordado no curso e manuais. Outro dia, em um desses contatos, um ex-aluno falou-me que ao separar e preparar uma área de pastagem para sua produção, os pastos foram devastados pelas formigas-cortadeiras levando a um prejuízo enorme. O mesmo solicitou ajuda quanto ao controle e o orientei a procurar um colega Agrônomo ou uma empresa de defensivos que geralmente tem pessoas qualificadas para este controle.
Diante do exposto, resolvi estudar um pouco sobre o assunto e com ajuda dos livros (esses são insubstituíveis), de alguns colegas e outras publicações resolvi escrever este artigo no qual revisei conteúdos e aprendi muito e gostaria de socializar com o público em geral.
Segundo Vasconcelos (2006)[2], as pragas de maior ocorrência nas pastagens são as cigarrinhas-das-pastagens, lagartas, as formigas-cortadeiras e os cupins. O autor descreve que a maioria dos produtores enxergam as cigarrinhas das pastagens como a principal praga, entretanto, o autor relata, baseado em estudos, que as pragas mais importantes nas pastagens são: as lagartas, as formigas-cortadeiras e os cupins, pois as grandes infestações destas pragas quando não controladas, comprometem a formação e persistência das pastagens, reduzindo sua produção e levando a degradação. Neste artigo a ênfase será o controle das formigas-cortadeiras.
Quem são as formigas-cortadeiras?
Em ambientes de usos agrícolas ou pecuários podem ter diversas espécies de formigas, as benéficas (pelo menos não tão prejudiciais) e as “nocivas” que causam prejuízos as lavouras e as pastagens (ICEA,1990).
As formigas são insetos sociais, que vivem em sociedades, em formigueiros subterrâneos formados por numerosas escavações denominadas de “paneleiras” ou câmeras, ligadas umas às outras por uma rede de canais de comunicação. No interior destas câmeras são realizados o cultivo de fungos que servem de alimentos para os insetos.
De todas as formigas, as “cortadeiras” são as mais prejudiciais em termos estragos nas pastagens e as lavouras. Segundo Vasconcelos (2006) & Resende et al (2007), estes insetos atuam e atacam as lavouras durante o ano todo, em qualquer estágio de desenvolvimento da produção, com alta incidência e estrago.
Segundo o Blog das Sementes Soesp[3], no Brasil existem dois grandes grupos de formigas cortadeiras: o gênero Atta, também conhecidas como Saúvas, e as do gênero Acromyrmex, conhecidas popularmente como Quenquéns.
Segundo o mesmo Blog, os formigueiros (ninhos) destas espécies são diferentes, a se destacar:
As formigas Quenquéns formam ninhos com aberturas cobertas por restos vegetais, chamados ninhos de cisco. Esta característica dificulta o controle das formigas no pasto, pois a entrada e a localização do formigueiro são difíceis de encontrar.
Já as formigas Saúvas formam ninhos com amontoados de terra, onde as entradas para o ninho são facilmente encontradas.
Como agem as formigas-cortadeiras?
Veja a curiosidade quanto a ação destas formigas nas folhas. A maioria das pessoas pensam que as formigas se alimentam de folhas. Na verdade, as formigas cultivam estes fungos no interior dos formigueiros usando folhas e outras partes das plantas, como se fossem verdadeiras fazendas subterrâneas. Em resumo, as formigas “trazem” as folhas e os grãos para o formigueiro e a fermentação destes promovem “alimentação” e desenvolvimento destes fungos e daí elas se alimentam destes fungos.
Quais os prejuízos causados pelas formigas-cortadeiras?
Segundo Vasconcelos (2006), as formigas-cortadeiras reduzem a produção de forragens e a área útil das pastagens/hectare, diminuindo a sua quantidade e qualidade.
Vejam que interessante, segundo o autor, as pastagens que tem a presença de 10 (dez) formigueiros/ha perdem cerca de 21 kg de capim/ha/dia, sendo que estes formigueiros ocupam 750m2 de área.
Outros prejuízos: Redução na qualidade das forragens, predispõe as pastagens a outras pragas e doenças, podem provocar erosão e degradação das pastagens.
Como controlar as formigas-cortadeiras em pastagens?
Conforme demonstrado anteriormente, as formigas-cortadeiras causam sérios prejuízos aos produtores tanto agrícolas quanto pecuários e o seu controle se faz urgente quando se nota o foco.
Os autores consultados enfatizam que devem ser avaliados os prejuízos econômicos, identificação das espécies presentes, localização dos formigueiros (fora ou dentro das áreas de pastagens) e a escolha dos métodos de controle, lembrando que não deve ser utilizado um único método, mas sim um plano de controle integrado usando métodos químicos e físicos.
Segundo os autores consultados, os principais métodos de controle são:
- Controle mecânico: destruição do formigueiro ou dos acessos das formigas ao formigueiro;
- Controle cultural: aração e gradagem nas pastagens com alto grau de infestação de formigueiros;
- Controle biológico: Os inimigos naturais das formigas são os tatus, tamanduás e as aves. Importante evitar a caça destes animais. Também há no mercado produtos biológicos que controlam estas pragas (inseticidas biológicos);
- Outro método utilizado é a utilização de sementes de forrageiras e grãos tratados;
- Controle químico: Há no mercado diversos produtos a base de iscas formicidas (granuladas) e pós de excelente qualidade. Os rótulos dos produtos trazem informações sérias e seguras quanto ao uso destes produtos, a quantidade e os locais a serem colocados ( ao longo dos “carreiros” e nos períodos da tarde e seco).
Considerações
Diante do exposto no artigo, caso não haja o controle das formigas-cortadeiras, elas podem trazer grandes prejuízos aos pecuaristas. As quantidades relatadas de perdas de 21 kg/ capim/dia dá para alimentar um boi por dia de capim, além das perdas das pastagens, onde se conclui que o controle das formigas-cortadeiras (e demais pragas) aumenta e melhora a qualidade das pastagens em sua fazenda.
Se Você deseja conhecer outros métodos de controle de Formigas e moscas de estábulos visite nosso site https://semiconfinamento.com.br/ e veja as soluções apresentadas para o combate a estas pragas.
Até uma próxima oportunidade.
[1] Guilherme Augusto Vieira é Médico Veterinário, Doutor em História das Ciências, trabalha com produção animal há mais de 30 anos, autor do livro Como montar uma farmácia na fazenda e dos Manuais Semiconfinamento e Confinamento. Contato: guilherme@farmacianafazenda.com.br ou www.semiconfinamento.com.br
[2] VASCONCELOS, C.N., Pastagens, implantação e manejo, EBDA,2006
[3] Disponível em : https://www.sementesoesp.com.br/blog/

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Registros genealógicos de Girolando crescem 5% e atingem marca histórica em 2025
Demanda por animais mais produtivos sustenta mercado aquecido apesar do baixo preço do leite.

Por mais um ano consecutivo, a Associação Brasileira dos Criadores de Girolando encerrou 2025 com um novo recorde histórico no Serviço de Registro Genealógico da raça. Ao todo, foram realizados 113.690 registros em todo o país, resultado 5% superior ao de 2024, quando a entidade contabilizou 108.404 animais registrados.
O desempenho chama atenção especialmente diante do cenário adverso enfrentado pela pecuária leiteira ao longo do ano. “Apesar de ter sido um ano difícil para o produtor, por conta do aumento significativo das importações de leite e do baixo preço pago pelo litro do produto, conseguimos superar tanto os números de 2024 quanto a meta estabelecida para 2025, que era de cerca de 111 mil registros. Isso confirma que a demanda pela raça Girolando segue muito firme”, afirma o presidente da Associação, Alexandre Lacerda.
Além do avanço no volume total, duas categorias do Serviço de Registro Genealógico também alcançaram marcas inéditas. O Registro Genealógico de Nascimento (RGN) fechou o ano com crescimento de 11,23%, somando 48.052 registros, enquanto o Registro Genealógico Definitivo (RGD – Genealogia Conhecida) apresentou alta de 3,69%, com 46.671 registros.
Única entidade delegada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária para executar o Serviço de Registro Genealógico da raça Girolando no Brasil – atribuição exercida desde 1989, a associação ultrapassou a marca de 2,45 milhões de registros acumulados em seu banco de dados.

Foto: Divulgacao/Girolando
Para o superintendente técnico da entidade, Leandro Paiva, a sequência de recordes está diretamente ligada à mudança de postura dos produtores diante da crise do setor. “Embora a pecuária leiteira venha enfrentando dificuldades, o mercado de animais Girolando segue aquecido. O produtor percebeu que trabalhar com animais de alto valor produtivo e genética agregada permite aumentar a produção de forma sustentável, sem elevação significativa dos custos”, explica.
Segundo Paiva, a estratégia adotada nas propriedades tem sido a substituição de vacas de baixa produção ou em final de lactação por animais mais jovens, eficientes e geneticamente superiores. “Isso tem garantido maior rentabilidade ao produtor”, ressalta. Ele acrescenta que o melhoramento genético passou a ser visto como um processo contínuo. “Quem trata o investimento em genética como uma ação pontual dificilmente alcança o ganho genético esperado. O Serviço de Registro Genealógico é a base de qualquer programa de seleção animal”, afirma.
Recém-empossado para o mandato até 2028, Alexandre Lacerda destaca que a prioridade da associação nos próximos três anos será ampliar o acesso dos criadores a tecnologias que permitam produzir mais leite com menor custo. “Dos pequenos aos grandes produtores, queremos levar soluções mais eficientes para a atividade”, pontua.
Dados da própria entidade indicam que, além do registro genealógico, os criadores têm intensificado o uso de ferramentas do Programa de Melhoramento Genético do Girolando (PMGG), como genômica, controle leiteiro, avaliações genéticas e teste de progênie. “Vamos continuar aprimorando o PMGG, que foi pioneiro na adoção da genômica no Brasil, ampliar o número de eventos oficializados e ranqueados da raça e defender políticas públicas mais justas em relação ao preço do leite”, conclui Lacerda.
Atualmente, o Girolando é a raça leiteira nacional líder na comercialização de sêmen no Brasil e na produção de embriões, consolidando sua posição estratégica na cadeia do leite.
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Nova política chinesa para carne bovina pressiona margens da pecuária brasileira
Excedente fora da cota tende a encarecer o acesso ao principal mercado e desacelerar investimentos em confinamento e expansão do rebanho.

A partir desse ano, a China passa a adotar cotas anuais para a importação de carne bovina, inaugurando uma nova fase na relação comercial com os grandes exportadores globais. Pelo novo modelo, os volumes dentro da cota seguirão sujeitos à tarifa de 12%, enquanto o excedente será onerado com uma sobretaxa de 55%. A política terá vigência inicial de três anos e atinge diretamente o Brasil, responsável por cerca de metade da receita das exportações chinesas de carne bovina.
O ponto central da medida não está em um bloqueio imediato, mas na mudança estrutural do fluxo de mercado. A cota anunciada cobre aproximadamente 65% do volume atualmente exportado pelo Brasil, criando um excedente relevante que dificilmente encontrará realocação no curto prazo, dada a limitação de absorção de outros destinos. “A China não está interrompendo as compras, mas redesenhando a forma como controla preços, contratos e volumes. A carne bovina deixa de ser um fluxo livre e passa a funcionar como um ativo regulado”, explica a agrônoma Yedda Monteiro.

Instrumento de barganha e ajuste de oferta
Diferentemente de embargos sanitários ou medidas emergenciais, a cota funciona como um mecanismo estrutural de controle, permitindo à China reduzir sua dependência marginal de proteína importada sem comprometer o abastecimento interno. Ao mesmo tempo, o modelo amplia o poder de barganha do país asiático sobre preços e prazos, além de forçar ajustes de oferta nos países exportadores mais eficientes. “Ao estabelecer um teto formal, Pequim ganha flexibilidade para comprar quando quiser e pressionar preços em momentos de excesso de oferta, evitando repasses inflacionários ao consumidor doméstico”, expõe Yedda.
Na prática, o impacto não se manifesta como choque imediato de mercado, mas como mudança de expectativa. A partir de 2026, o setor tende a operar com maior cautela, o que pode desacelerar a expansão do rebanho, reduzir investimentos em confinamento e alargar o ciclo pecuário como forma de diluir o risco.
Efeito indireto sobre milho e soja aparece na margem
É por esse canal que a decisão chinesa ultrapassa a pecuária e alcança os mercados de grãos. Embora o consumo direto de milho pela bovinocultura represente uma fatia menor do total nacional, ele funciona como demanda marginal justamente nos momentos de excesso de oferta, ajudando a equilibrar o mercado.
Nos últimos ciclos, a relação boi × milho foi favorecida pela combinação de preços firmes da carne, sustentados pela China, e milho pressionado por safras elevadas. Esse arranjo estimulou a intensificação da produção e o uso de ração. Com as cotas, essa sustentação deixa de ser estrutural e passa a ser cíclica e oportunista. “O impacto não aparece no embarque, mas na decisão produtiva. Quando a previsibilidade do escoamento diminui, o produtor ajusta a margem, e isso se reflete no consumo de milho e farelo de soja”, ressalta a agrônoma.

No curto prazo, o efeito tende a ser limitado, especialmente se o milho seguir pressionado pela oferta. Já no médio prazo, a partir do segundo semestre de 2026, o cenário mais provável é de menor crescimento do consumo de grãos pela pecuária, aumentando a dependência de outros vetores de absorção, como exportações e etanol.
Ajuste fino, não ruptura
A leitura do mercado é de ajuste gradual, não de ruptura. As cotas chinesas não desmontam a dinâmica de exportação da carne brasileira, mas retiram um importante pilar de sustentação permanente da relação entre pecuária e grãos. O impacto ocorre na margem, na estratégia e no ritmo de crescimento do setor ao longo de 2026. “É um ajuste que pesa mais do que parece, porque acontece justamente quando o mercado precisa de demanda adicional para equilibrar excedentes. O erro seria tratar esse novo cenário como se a sustentação chinesa fosse infinita”, salienta.
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Mato Grosso bate recordes e projeta novo salto na pecuária de corte em 2026
Presidente da Acrimat detalha avanços, gargalos e desafios da cadeia em um ano marcado por exportações e expansão da produção.

O Mato Grosso reafirmou em 2025 sua posição como maior potência pecuária do país, respondendo sozinho por 18,5% de todo o Valor Bruto da Produção (VBP) de bovinos do Brasil. Segundo dados parciais do painel nacional do VBP, divulgado em 21 de novembro pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o estado movimentou R$ 37,96 bilhões com a cadeia bovina, se mantendo como o produtor individual mais relevante entre todas as unidades federativas.
No cenário nacional, o VBP dos bovinos somou R$ 205,38 bilhões, consolidando a atividade como uma das mais robustas da agropecuária brasileira. No ranking dos quatro principais produtores figuram ainda São Paulo (R$ 24,82 bilhões), Mato Grosso do Sul (R$ 20,49 bilhões) e Goiás (R$ 20,44 bilhões). Por sua vez, o VBP total do estado alcança R$ 220,43 bilhões, e a atividade bovina representa 15,6%, compondo parcela significativa da produção agropecuária local, ao lado de culturas como soja e milho, que lideram o ranking estadual.

Presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Oswaldo Pereira Ribeiro Jr.: “O maior risco que estamos enfrentando nos últimos anos são as pressões ambientais de outros países. Precisam do nosso produto, mas querem negociar com um preço mais barato, colocando barreiras ambientais que eles não fazem, mas nos cobram”
Em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural, o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Oswaldo Pereira Ribeiro Jr., detalhou os avanços, os desafios e a visão estratégica do setor para 2026. “O ano de 2025 foi marcado por recordes de produção, abates e exportação, fortalecendo a posição de Mato Grosso como o principal fornecedor de carne bovina do Brasil para o mercado interno e para mais de 80 nações”, frisa.
O estado encerrou 2025 com cerca de 7,2 milhões de animais abatidos, número nunca antes registrado. Ribeiro Jr. explica que o resultado foi impulsionado tanto pelo bom desempenho dos sistemas a pasto quanto pela intensificação dos modelos de terminação. “Aumentamos em cerca de 4% a área de confinamento”, afirmou.
Ele ressalta que o movimento coincidiu com um período de forte demanda internacional. “A exportação seguiu em alta, com abertura de novos mercados. O Sudeste asiático se tornou um destino em expansão impressionante. Além disso, tivemos a retomada do mercado norte-americano e o crescimento significativo das compras do México”, ressalta.
Padronização da produção
O avanço das áreas de confinamento reforça a busca por maior eficiência e previsibilidade na cadeia produtiva. Para Ribeiro Jr., os ganhos são relevantes, mas o processo ainda está longe de substituir totalmente a pecuária a pasto. “Os frigoríficos atendem diversos mercados e consequentemente diversos tipos de demandas. Uns querem carne sem gordura, outros querem desossada, gerando dificuldades no abate”, explica.
Segundo ele, esse cenário exige regularidade e previsibilidade. “Os frigoríficos precisam padronizar o rendimento de carcaça, precocidade, volume e frequência, e os confinamentos procuram suprir essa necessidade. Porém a demanda é grande e o confinamento é uma solução boa para padronizar, mas ainda não é definitiva. O frigorífico ainda depende do boi a pasto”, pondera.
Mercados internacionais em expansão
O presidente da Acrimat também projeta um ambiente favorável às exportações no próximo ano. A carne mato-grossense deve continuar ocupando espaço em mercados de alto consumo e em nações que vêm ampliando as compras nos últimos meses. “Acredito que o mercado americano ainda seja um mercado que vai demandar muito a nossa carne, pela necessidade histórica que eles têm pelos nossos produtos”, avalia.
Ele destaca que surpresas positivas vieram de mercados que não figuravam entre os principais destinos do estado. “A surpresa boa é como México e Rússia vêm comprando muito a nossa carne, além do Sudeste Asiático – Indonésia, Filipinas, Singapura e Vietnã – que se mostram em franca ascensão e devem continuar desta forma em 2026”, afirma.
Oscilações do mercado
Para o dirigente, o maior desafio do produtor em 2025 e também em 2026 é garantir remuneração adequada. “O maior desafio de hoje é ser mais bem remunerado pelo que se produz. Somos muito vulneráveis pelas oscilações de mercado, guerras e governos, sempre com retrocessos destes preços”, menciona.
Ribeiro Jr. lembra que, no passado, a volatilidade do mercado era compensada em determinados períodos, mas essa dinâmica mudou. “Alguns anos atrás o pecuarista tinha a recuperação desses preços. Hoje essa oscilação positiva está cada vez mais escassa, tirando muita gente do jogo. Hoje não há mais espaço para amadores, principalmente na terminação”, alerta, recomendando que o produtor faça suas contas bem-feitas para se manter no setor.
Processo de adaptação
Com a pressão global por sustentabilidade e rastreabilidade, a pecuária mato-grossense passa por um processo de adaptação. Ribeiro Jr. reconhece que o setor enfrenta um caminho inevitável. “Temos plena consciência de que a rastreabilidade é um caminho sem volta. Mas gostaríamos que fosse gradativa e não obrigatória”, defende.
A maior preocupação recai sobre os pequenos e médios produtores. “Se houver essa obrigatoriedade, que ao menos seja acessível para quem não tem condição de investir em sustentabilidade e rastreabilidade, já que esses processos encarecem a produção e os preços não serão compatíveis com os novos custos”, salienta, afirmando que a Acrimat acompanha de perto as discussões: “Estamos trabalhando junto à Câmara Setorial e ao Mapa nesse projeto de rastreabilidade, e acreditamos que ele deve ser opcional”.
Gargalos persistem
Apesar dos avanços, o estado enfrenta entraves estruturais que limitam seu potencial. O presidente da Acrimat destaca especialmente a logística. “Temos vários gargalos ainda, principalmente em Mato Grosso, que tem uma extensão continental. A maior dificuldade vem da logística, onde grandes regiões produtoras ainda não têm frigoríficos”, aponta.
A consequência recai diretamente sobre o bolso do produtor. “Os animais precisam se deslocar de 400 a 500 quilômetros para chegar ao frigorífico mais próximo, perdendo peso e gerando prejuízo”, relata.
Além disso, a distância dos portos exportadores encarece o frete. Ribeiro Jr. também aponta entraves ambientais e fundiários. “Precisamos de mais agilidade nas liberações ambientais, como o CAR (Cadastro Ambiental Rural). Não podemos trabalhar com essa insegurança jurídica, preocupados com invasões de terra, desapropriações e incêndios que, na maioria das vezes, transformam o produtor em vítima, mas ainda assim ele é quem recebe o ônus”, afirma.
Dependência do mercado interno
Mesmo com o peso das exportações, o consumo interno permanece como principal destino da produção. “O mercado interno soma 70% da produção”, destaca Ribeiro Jr.
No entanto, fortalecer esse mercado é um desafio que está diretamente ligado ao desempenho da economia nacional. “Como melhorar o mercado interno sem avançar na melhoria das condições econômicas da população? Praticamente não se consegue”, enfatiza, acrescentando: “Vivemos em um país com muita distribuição de benefícios sociais e ajudas, o que dificulta o crescimento da economia, não gerando economia nova e nem movimentação do dinheiro. Precisamos de indústrias, comércios, agricultura e pecuária crescentes, mas temos mercados estagnados”, lamenta.
Pilares da pecuária
A Acrimat acompanha de perto o avanço das tecnologias no campo, e Ribeiro Jr. avalia que o produtor mato-grossense já opera em um patamar elevado de profissionalização. “Já utilizamos bem as ferramentas da pecuária como genética, nutrição, sanidade e manejo, sendo bem-feitos da porteira para dentro”, afirma.
Ele aponta três pilares essenciais para o futuro: oferta e demanda, tecnologia e rastreabilidade. “Já estamos em discussão sobre este último pilar. Temos um programa do Mapa, elaborado junto aos produtores, que vai estar ativo em oito anos, e é isso que vai nos gerar a confiança de que a pecuária do futuro será superior à atual”, projeta.
Riscos para 2026

Embora os riscos sanitários e ambientais sejam naturais da atividade, Ribeiro Jr. pontua outro tipo de ameaça como a mais preocupante. “O maior risco que estamos enfrentando nos últimos anos são as pressões ambientais de outros países. Precisam do nosso produto, mas querem negociar com um preço mais barato, colocando barreiras ambientais que eles não fazem, mas nos cobram”, critica.
Ele reforça que o Brasil já possui um dos códigos ambientais mais rígidos do mundo. “Já temos um código ambiental bastante restrito e amplo, em que seguimos à risca. Não tem por que atender demandas acima do nosso código ambiental sem poder contar com respaldo do governo”, salienta.
Segundo ele, até mesmo durante a COP 30, o país não conseguiu mostrar plenamente seus avanços. “Tivemos a oportunidade de mostrar o que fazemos de bom, mas ficamos presos a estas questões ambientais”, lamenta.
Visão de futuro
Apesar dos desafios, Ribeiro Jr. mantém o otimismo em relação ao futuro da pecuária mato-grossense. “Temos certeza do sucesso da pecuária no futuro, porque conhecemos a fundo nosso setor, nossos produtores e sabemos que o que fazemos em relação à preservação ambiental é extremamente rígido”, diz.
Ele destaca a eficiência produtiva como um dos grandes diferenciais do Brasil. “Ninguém produz tão barato e em quantidade tão grande como o Brasil. Os produtores aprenderam a produzir mais no mesmo espaço, preservando mais áreas verdes, com sustentabilidade. Os dados de exportação mostram que estamos em uma crescente e devemos continuar assim por muitos anos. Temos volume, qualidade e sanidade”, exalta, frisando: “A pecuária do Mato Grosso e de todo o país só tende a crescer, e vamos continuar alimentando o mundo por muitos e muitos anos”.
O Anuário do Agronegócio figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.



