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Controle das diarreias neonatais auxilia na promoção de leitegadas mais saudáveis
Imunização de fêmeas suínas é aliada fundamental no controle do quadro, pois fortalece a defesa passiva dos leitões e reduz os impactos produtivos e sanitários causados por agentes entéricos nas maternidades.

As diarreias neonatais representam um dos principais entraves à produtividade e à sustentabilidade da suinocultura moderna, afetando diretamente o desempenho zootécnico e econômico das granjas. Presentes sobretudo nos primeiros dias de vida, esses quadros comprometem severamente o desempenho zootécnico dos leitões e podem provocar perdas econômicas significativas ao longo de toda a cadeia produtiva.
Diversos agentes patogênicos estão associados às diarreias nos primeiros dias de vida, com destaque para bactérias como Escherichia coli enterotoxigênica (ETEC) e Clostridium perfringens tipo C, além de vírus como o rotavírus e os coronavírus entéricos (TGEv e PEDv). Esses patógenos são frequentemente encontrados no ambiente de maternidade e encontram nos leitões recém-nascidos — ainda com o sistema imune imaturo — um hospedeiro altamente vulnerável. A infecção ocorre com facilidade e a evolução clínica pode causar desidratação severa, necrose intestinal e mortalidade precoce, sobretudo nos casos em que não há imunidade adequada transferida via colostro.

Fotos: Shutterstock
Nesse sentido, a qualidade da colostragem e o consumo adequado de colostro logo após o nascimento exercem papel determinante na prevenção das diarreias neonatais. O colostro é a principal via de transferência de imunidade passiva da matriz para os leitões, fornecendo imunoglobulinas essenciais, especialmente IgG, além de nutrientes, fatores de crescimento e componentes antimicrobianos que atuam na proteção da mucosa intestinal.
A ingestão precoce e em quantidade suficiente garante uma melhor colonização intestinal por microrganismos benéficos, reduz a adesão de patógenos e fortalece as barreiras imunológicas locais. Leitões que não recebem colostro adequado, seja por falhas na ingestão ou por má qualidade do colostro, tornam-se mais suscetíveis às infecções entéricas e, consequentemente, apresentam maior risco de desenvolver quadros graves de diarreia, além de sofrerem com menor desempenho inicial e maiores taxas de mortalidade.
Além da alta taxa de letalidade, os efeitos subclínicos das diarreias não devem ser subestimados. Leitões que enfrentam quadros entéricos durante a fase lactente, mesmo que sobrevivam, geralmente apresentam menor peso ao desmame, crescimento desuniforme e redução na eficiência alimentar, com impactos que se prolongam por todo o ciclo produtivo. A necessidade de tratamentos antimicrobianos também se eleva, aumentando os custos de produção e a pressão por resistência bacteriana — um tema de crescente preocupação no setor.

Frente a esse cenário, a vacinação de fêmeas gestantes surge como uma ferramenta preventiva de alta eficácia. Ao imunizar as matrizes com vacinas específicas contra os principais agentes entéricos, estimula-se a produção de anticorpos que serão transferidos aos leitões por meio do colostro e do leite, oferecendo uma proteção passiva crítica durante o período de maior vulnerabilidade imunológica dos neonatos. Essa transferência de imunidade materna é essencial para bloquear a colonização intestinal precoce por patógenos e mitigar os danos à mucosa intestinal, garantindo melhor absorção de nutrientes e um desenvolvimento inicial mais robusto.
Segundo Pedro Filsner, médico-veterinário gerente nacional de serviços veterinários de suínos da Ceva Saúde Animal, a abordagem preventiva baseada na vacinação materna deve fazer parte de um protocolo sanitário bem estruturado e contínuo nas granjas. “A proteção dos leitões começa antes do nascimento. A vacinação das fêmeas permite a entrega de leitegadas mais saudáveis, homogêneas e com maior capacidade de enfrentar os desafios sanitários comuns à fase de maternidade. Isso se traduz em menos perdas, menor uso de medicamentos e melhor desempenho ao longo de todo o ciclo”, destaca.

Embora o manejo ambiental, a higiene das instalações e a qualidade nutricional da matriz também desempenhem papéis importantes no controle das doenças entéricas, a imunização pré-parto tem se consolidado como uma das práticas mais efetivas e economicamente viáveis para reduzir a ocorrência das diarreias neonatais. “Ao adotar protocolos de imunização materna bem estruturados, os suinocultores não apenas garantem o bem-estar e a saúde dos leitões, como também contribuem para uma produção mais eficiente, sustentável e alinhada às exigências dos mercados nacionais e internacionais”, reforça o profissional.
Nesse contexto, investir na imunização das fêmeas contra os principais agentes causadores de diarreias neonatais não é apenas uma medida sanitária, mas uma decisão estratégica que impacta positivamente toda a cadeia produtiva, desde o nascimento até o abate.
A Ceva reforça seu compromisso com a suinocultura brasileira, oferecendo suporte técnico e soluções inovadoras que auxiliam o produtor na condução de uma granja mais rentável, segura e produtiva desde os primeiros dias de vida dos animais.

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Alivira reforça atuação na América Latina com novo Gerente Técnico Comercial
Com mais de 25 anos de experiência em nutrição de monogástricos, Jorge Pacheco chega para fortalecer a estratégia técnica e comercial da companhia na região

A Alivira anuncia a chegada de Jorge Pacheco como seu novo Gerente Técnico Comercial para a América Latina, reforçando sua estratégia de crescimento e proximidade com o mercado na região.
Médico-veterinário de formação, o executivo construiu uma sólida trajetória de 26 anos na área de nutrição de monogástricos, acumulando experiência em desenvolvimento de negócios e liderança técnica. Ao longo de sua carreira, atuou em empresas de referência do setor, como Agroceres Nutrição (Multimix), Guabi, In Vivo, Sumitomo Chemical e Agrifirm.
A chegada de Pacheco está alinhada ao movimento da Alivira de ampliar sua presença na América Latina, agregando expertise técnica e visão estratégica para atender às demandas do mercado de proteína animal.
Empresa global de saúde e nutrição animal, a Alivira integra o grupo Sequent Scientific e está entre as principais companhias do setor no mundo, com operações em mais de 100 países e unidades produtivas em diferentes continentes.
No Brasil, a empresa atua desde 2016 com foco na fabricação e distribuição de medicamentos veterinários e soluções nutricionais para animais de produção e companhia, incluindo antimicrobianos, anticoccidianos, antiparasitários, aditivos e suplementos.
Com estratégia multiespecializada e forte investimento em pesquisa e desenvolvimento, a companhia busca oferecer soluções que promovam saúde, bem-estar e produtividade animal, atendendo às necessidades de veterinários, produtores e indústria.
A contratação de Jorge Pacheco reforça o compromisso da Alivira com a excelência técnica, a inovação e o fortalecimento de parcerias no mercado latino-americano.
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Frísia anuncia entreposto em Pium (TO) e projeta investimento de cerca de R$ 100 milhões
Nova unidade vai ampliar capacidade de recepção e beneficiamento de grãos na região e gerar cerca de 20 empregos diretos, além de mais de 200 postos durante as obras

No ano em que comemora dez anos no Tocantins, a Frísia Cooperativa Agroindustrial anuncia a construção de um novo entreposto no estado, no município de Pium, como parte de sua estratégia de expansão e fortalecimento da atuação no estado. O projeto prevê investimento de aproximadamente R$ 100 milhões e geração de cerca de 20 empregos diretos após o início das operações, além de mobilizar mais de 200 trabalhadores durante o período de obras.
A construção da unidade está prevista para começar em junho de 2026, com conclusão estimada para janeiro de 2028. A estrutura foi planejada para atender o crescimento da produção agrícola na região e ampliar o suporte aos cooperados.
A decisão de investir no novo entreposto foi resultado de um processo de análise estratégica e da expansão da atividade agrícola na região. “Mesmo diante de um cenário desafiador, a cooperativa segue crescendo no Tocantins. A região de Pium é uma das que mais têm se desenvolvido nos últimos anos e, após três anos de estudos aprofundados, decidimos realizar esse investimento para atender às necessidades dos cooperados”, afirma o presidente do Conselho de Administração da Frísia, Geraldo Slob.
O novo entreposto tem capacidade operacional prevista de recepção de até 600 toneladas por hora, linha de beneficiamento de 240 toneladas por hora e armazenagem total de 42 mil toneladas de grãos. A unidade também terá um armazém para insumos.
Segundo o gerente-executivo da Frísia no Tocantins, Marcelo Cavazotti, a escolha de Pium como sede da nova unidade levou em conta o potencial produtivo da região e a presença crescente de cooperados. “Trata-se de uma região bastante próspera, com alto potencial agrícola e uma área já consolidada de produção de nossos cooperados”, explica.
Crescimento
O investimento também está alinhado ao planejamento estratégico da cooperativa para os próximos anos. “Dentro do nosso ciclo de planejamento estratégico, que vai de 2025 a 2030, temos como meta crescer no Tocantins de forma sustentável e agregar valor ao negócio dos cooperados. Esse entreposto vai ao encontro desse objetivo”, destaca o gerente-executivo.
Para os produtores, a nova estrutura vai trazer ganhos logísticos e operacionais importantes. “Na prática, o cooperado terá maior agilidade na recepção e no beneficiamento de grãos, economia com fretes e mais proximidade no acesso a insumos, além de segurança no abastecimento”, completa Cavazotti.
A área cultivada de soja no Tocantins saltou de 14,7 mil hectares da safra 2020/2021 para 40,4 mil hectares na de 2024/2025, com produtividade média de 3.771 kg/ha na última safra, acima das 3.057 kg/ha de 20/21.
A Frísia está presente no Tocantins desde 2016, completando, em 2026, uma década de atuação no estado. Atualmente, a cooperativa conta com 110 cooperados e 60 colaboradores na região, com unidades em Paraíso do Tocantins e Dois Irmãos do Tocantins, além de um escritório administrativo em Palmas.
Nos últimos anos, a cooperativa vem realizando diversos investimentos em suas unidades, com o objetivo de acompanhar o crescimento da produção agrícola na região.
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JBS aponta demanda por nutrição funcional como vetor de crescimento do setor de alimentos
CEO da companhia afirma que mudança no padrão de consumo, com foco em saúde e bem-estar, sustenta expansão e abre espaço para proteínas de maior valor agregado

O Brasil deve assumir um papel central na expansão global do consumo de proteína nos próximos anos, sustentado por escala produtiva, ganhos de eficiência e avanços tecnológicos no campo. A avaliação é do CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, feita nesta terça-feira (7), durante o 12º Brazil Investment Forum, promovido pelo Bradesco BBI, em São Paulo.
Segundo o executivo, o crescimento da demanda por proteína deixou de ser uma tendência conjuntural e passou a refletir uma mudança estrutural, impulsionada por fatores como segurança alimentar, mudanças demográficas e a crescente busca por alimentos com maior valor nutricional. “Estamos diante de uma transformação consistente no padrão de consumo, com mais foco em saúde, energia e qualidade de vida”, afirmou.
A declaração foi feita no painel “Leading Brazil’s Protein Industry: Perspectives from the Companies That Feed the World”, que reuniu lideranças do setor para discutir perspectivas para a indústria de proteínas do Brasil e seu papel no abastecimento global.
O CEO da JBS destacou que a segurança alimentar ganhou centralidade na estratégia de diversos países, impulsionando investimentos em produção local, especialmente no Oriente Médio. Para ele, esse movimento, no entanto, não reduz a relevância do Brasil como fornecedor global competitivo e essencial para complementar o abastecimento internacional. “A produção local é uma realidade. Mas isso não elimina o papel do Brasil, porque você nunca fecha a equação produzindo exatamente tudo o que o mercado quer”, disse.
Ao falar sobre a competitividade brasileira, Tomazoni destacou que o país conta com uma vantagem estrutural rara no setor de proteína animal. Além de deter o maior rebanho comercial bovino do mundo, o Brasil ainda apresenta espaço significativo para elevar sua produtividade, sobretudo a partir do avanço em genética, nutrição e manejo. “O Brasil vai dar as cartas na carne bovina, porque tem rebanho, porque tem área e porque ainda há uma oportunidade muito grande de ganho de produtividade.”
Para o executivo, esse avanço produtivo será decisivo para atender a uma demanda global que tende a crescer de forma consistente nos próximos anos. Na avaliação de Tomazoni, o consumo de proteína deixou de ser somente uma tendência de mercado e passou a refletir uma transformação estrutural nos hábitos alimentares, impulsionada por uma mudança geracional e pela busca crescente por saúde, energia e qualidade de vida.
Nesse cenário, Tomazoni apontou uma nova avenida de crescimento para a indústria: o desenvolvimento das chamadas superproteínas, com aplicações voltadas à nutrição funcional, ao bem-estar e à saúde de longo prazo. Segundo ele, a JBS acredita no avanço de soluções baseadas tanto na proteína natural como em rotas de biotecnologia capazes de customizar compostos com funções específicas.
Um exemplo do investimento da Companhia nessa frente é a recente inauguração da JBS Biotech, em Florianópolis (SC). Esse centro de biotecnologia avançada é dedicado ao desenvolvimento de ciência aplicada à cadeia produtiva, para criar e agregar valor à produção de alimentos. “A gente acha que existem dois caminhos: o caminho da proteína natural, com aumento de produtividade, e o caminho da proteína funcional”, explicou o executivo.
Ao encerrar sua participação, Tomazoni reforçou que a diversificação entre geografias, proteínas e ciclos produtivos segue como um dos principais diferenciais estratégicos da JBS diante de um ambiente global mais volátil.



