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Controle da dor e inflamação em vacas leiteiras: impacto direto no bem-estar e produtividade

Analgesia estratégica com meloxicam e dipirona reduz perdas produtivas, acelera a recuperação clínica e fortalece a sustentabilidade da pecuária leiteira.

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Artigo escrito por Leydson Martins, médico-veterinário, equipe técnica Vaxxinova

O manejo eficiente da dor e da inflamação em vacas leiteiras representa uma das estratégias mais relevantes para o avanço do bem-estar animal e da produtividade nos sistemas de produção modernos. Diversas condições clínicas, como mastite, laminite, metrite e lesões musculoesqueléticas, envolvem processos inflamatórios agudos e crônicos que causam dor, comprometendo não apenas a saúde, mas também o desempenho produtivo e reprodutivo dos animais.

Nesse cenário, o uso racional e baseado em evidências de medicamentos anti-inflamatórios e analgésicos, como meloxicam e dipirona, tem se mostrado essencial para garantir conforto, reduzir o sofrimento e otimizar a eficiência dos rebanhos.

A dor como fator limitante

Por muito tempo, a dor foi subestimada na Medicina Veterinária de produção. Hoje, sabe-se que o estresse causado por processos dolorosos altera significativamente o comportamento, a ingestão alimentar, o metabolismo e a resposta imune dos bovinos. A vaca com dor come menos, rumina menos, se movimenta pouco e se isola do grupo, além de produzir menos leite.

Além do impacto imediato na produção, a dor crônica pode provocar alterações persistentes que reduzem o limite de dor e aumentam a sensibilidade a estímulos, levando a quadros de sofrimento prolongado e prejuízos cumulativos.

Portanto, o reconhecimento precoce da dor e a adoção de medidas terapêuticas eficazes são pilares para o bem-estar e para a eficiência zootécnica.

Controle da dor

Dentre as ferramentas disponíveis para o controle da dor está o meloxicam. Para quem se interessa pelo assunto farmacológico, podemos classificá-lo como um anti-inflamatório não esteroidal (AINE) da classe dos oxicans, que atua inibindo preferencialmente a enzima ciclooxigenase-2 (COX-2), envolvida na produção de prostaglandinas inflamatórias.

Seu uso em bovinos tem ganhado destaque devido à sua eficácia analgésica, anti-inflamatória e antipirética, além de apresentar perfil seguro mesmo em tratamentos prolongados. As principais aplicações em vacas leiteiras são:

Mastite clínica: Meloxicam reduz o inchaço, dor e temperatura do úbere, promovendo melhora no escore de claudicação e maior conforto.

Laminite e claudicações: Promove alívio da dor e maior disposição para o deslocamento, favorecendo o acesso ao alimento e à ordenha.

Metrite e endometrite: Melhora o apetite, a resposta imune local e o retorno da atividade reprodutiva.

Pós-parto imediato: Diversos estudos demonstram que o uso de meloxicam nas primeiras horas após o parto reduz o estresse inflamatório, aumenta o consumo de matéria seca, melhora a produção de leite e favorece a involução uterina.

O meloxicam possui uma ação prolongada, o que permite ação terapêutica estendida com uma única aplicação, reduzindo o manejo e o estresse dos animais. Como benefícios do uso de meloxicam podemos observar:

Aumento do consumo alimentar e da produção de leite no pós-parto.

Redução na taxa de descarte precoce por claudicação.

Melhora na taxa de concepção em vacas tratadas com meloxicam no puerpério.

A dipirona é outra potente ferramenta no controle da dor e da febre em bovinos leiteiros. Suas principais aplicações incluem febres e mal-estar associados a mastite ou infecções sistêmicas, dor abdominal em casos de deslocamento de abomaso, atonia ruminal ou retenção de placenta, além de atuar como coadjuvante no manejo de cólicas e metrites.

A dipirona tem ação rápida e é frequentemente utilizada em associação com AINEs como o meloxicam para potencializar o efeito analgésico em quadros agudos. Sua rápida absorção e ação efetiva a tornam uma excelente opção para alívio imediato, inclusive em quadros de febre alta e dor visceral intensa.

Dor tratada, rebanho mais produtivo

Evidências científicas demonstras que bem-estar e produtividade andam juntos. Diversos estudos clínicos em vacas leiteiras têm demonstrado os impactos positivos do controle da dor com o uso de meloxicam e dipirona:

Melhora na produção de leite: vacas que receberam meloxicam pós-parto produziram em média 1,5 a 2 litros a mais por dia nas primeiras semanas de lactação.

Aumento da ingestão de matéria seca: principalmente nas primeiras 48-72 horas após o parto, momento crítico para prevenir cetose e outras doenças metabólicas.

Redução no tempo de permanência de enfermidades: animais tratados apresentaram recuperação clínica mais rápida e menor necessidade de tratamentos adicionais.

Menor risco de descarte involuntário: vacas que receberam analgesia adequada tiveram menor incidência de problemas locomotores crônicos e menor taxa de descarte precoce.

Esses resultados fortalecem a ideia de que a dor não tratada é uma das causas silenciosas de ineficiência e prejuízo econômico na pecuária leiteira.

Embora os benefícios do uso de fármacos analgésicos e anti-inflamatórios sejam amplamente reconhecidos, é fundamental seguir boas práticas de prescrição e administração tais como, respeitar os períodos de carência para leite e carne, conforme indicado em bula ou legislação local, consultar o médico-veterinário responsável técnico para definição da melhor droga, dose e via de administração, evitar o uso indiscriminado ou fora das indicações terapêuticas, a fim de prevenir efeitos colaterais ou resistência medicamentosa.

O controle eficaz da dor e inflamação com o uso de medicamentos como meloxicam e dipirona é uma ferramenta poderosa para promover o bem-estar de vacas leiteiras e, consequentemente, maximizar seu desempenho produtivo. Além de representar um compromisso ético com o cuidado animal, a analgesia estratégica resulta em benefícios econômicos concretos, com maior produção de leite, menor descarte de vacas e melhor eficiência reprodutiva.

Investir em protocolos de analgesia bem estabelecidos não é apenas uma questão de compaixão, mas uma prática moderna e inteligente que alinha sustentabilidade, produtividade e responsabilidade social.
As referências bibliográficas estão disponíveis com o autor, pelo e-mail leydson.martins@vaxxinova.com.br.

O acesso à versão digital do Bovinos, Grãos & Máquinas é gratuito. Para ler a versão completa on-line, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

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Leite importado pode ser vetado em compras públicas no Brasil

Proposta abre exceção apenas quando não houver produto nacional disponível.

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Um projeto de lei que veda a compra de leite importado por órgãos públicos recebeu parecer favorável do relator da matéria na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara. O texto é relatado pelo presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), que protocolou nesta semana parecer pela aprovação da proposta. Com isso, o tema pode entrar em votação nas próximas sessões.

Lupion apontou que a redação aprovada em outras comissões da Câmara está em conformidade com os preceitos constitucionais e jurídicos, e, por isso, apresentou voto favorável ao projeto. O Projeto de Lei 2.353/2011 inclui dispositivo na Lei de Licitações e Contratos Administrativos para proibir a aquisição de leite de origem estrangeira por órgãos públicos.

Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e deputado, Pedro Lupion: “O Brasil tem uma cadeia leiteira extremamente importante para a economia rural, especialmente para pequenos e médios produtores” – Foto: Divulgação/FPA

A exceção prevista na proposta ocorre apenas quando “não houver disponibilidade de produto nacional”. Nesses casos, o órgão público deverá justificar previamente a compra de leite importado.

A tramitação do projeto ocorre em um contexto de pressão do setor produtivo por medidas que reduzam as importações do produto. Produtores de leite alegam que os preços praticados no mercado têm comprimido as margens e inviabilizado a atividade, especialmente entre os pequenos produtores.

Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que os preços pagos ao produtor recuaram mais de 25% em 2025, encerrando o ano em R$ 1,99 por litro. Segundo os pesquisadores, o Custo Operacional Efetivo (COE) subiu 1,32% em janeiro e mais 0,32% em fevereiro.

Deputado Zé Silva: “Não é fazer graça, não é fazer favor para os produtores rurais. O nosso papel é garantir que não haja concorrência desleal com os nossos produtores rurais” – Foto: Divulgação/FPA

Em outra ocasião, Lupion defendeu que o Tribunal de Contas da União (TCU) analise possíveis distorções relacionadas à importação de leite e os impactos sobre a cadeia produtiva. “O Brasil tem uma cadeia leiteira extremamente importante para a economia rural, especialmente para pequenos e médios produtores. Precisamos entender se existe equilíbrio competitivo ou se há distorções que estão pressionando os preços pagos ao produtor”, destacou.

O integrante da FPA, deputado Zé Silva (União-MG), lembrou que medidas voltadas à cadeia leiteira impactam 1,1 milhão de produtores no país e mais de 5 milhões de empregos. “Não é fazer graça, não é fazer favor para os produtores rurais. O nosso papel é garantir que não haja concorrência desleal com os nossos produtores rurais. Nós sabemos que hoje o custo de produção de um litro de leite é de R$ 1,90 a R$ 2”, afirmou.

Parlamentares pedem celeridade em processo antidumping

Quem também acompanha de perto as pautas relacionadas à cadeia leiteira é a vice-presidente da FPA na região Sudeste, deputada Ana Paula Leão (PP-MG). Um dos pleitos defendidos pelos parlamentares é a adoção de medidas antidumping contra o leite em pó importado da Argentina e do Uruguai.

Vice-presidente da FPA na região Sudeste e deputada, Ana Paula Leão: “O que a gente precisa agora é que o MDIC solte as medidas protetivas provisórias antidumping. Isso para a gente é essencial” – Foto: Divulgação/FPA

A investigação foi aberta em 2024, e o pedido do setor é para que sejam adotadas medidas provisórias enquanto o processo segue em análise. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) é o órgão responsável por avaliar a demanda. “O que a gente precisa agora é que o MDIC solte as medidas protetivas provisórias antidumping. Isso para a gente é essencial”, destacou a deputada.

Já o coordenador da Comissão de Meio Ambiente da FPA, deputado Rafael Pezenti (MDB-SC), lembrou que a imposição de medidas antidumping de forma provisória não alivia a situação de forma imediata, mas ajuda para que o processo tenha um desfecho definitivo. “A Argentina coloca leite aqui no Brasil com preço 53% menor do que vende lá dentro do seu próprio país. Com qual finalidade? Exterminar os produtores brasileiros para depois tomar conta do nosso mercado e praticar o preço que quiserem. Precisamos que esse leite seja taxado agora na fronteira.”

Fonte: Assessoria FPA
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Exportações de carne bovina de Mato Grosso crescem mais de 50%

Resultado foi impulsionado pela demanda internacional e valorização da tonelada embarcada.

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Mato Grosso voltou a se destacar no cenário internacional da carne bovina ao registrar um desempenho recorde no primeiro trimestre de 2026. O estado exportou 251,83 mil toneladas em equivalente carcaça (TEC), volume que representa 26,72% de toda a carne bovina embarcada pelo Brasil no período — o maior já registrado para um primeiro trimestre na série histórica.

O resultado expressivo também aparece na comparação anual. Em relação ao mesmo período de 2025, o crescimento foi de 53,39% no volume exportado. Já a receita atingiu US$ 1,11 bilhão, alta de 74,71%, impulsionada tanto pelo aumento da demanda internacional quanto pela valorização da tonelada embarcada, que alcançou média de US$ 4,54 mil.

A China manteve-se como principal destino da carne mato-grossense no trimestre, concentrando 50,82% dos embarques, o equivalente a 127,97 mil TEC. O país asiático segue como motor da demanda global, sustentando volumes elevados de importação. No entanto, outros mercados começam a ganhar relevância. Os Estados Unidos aparecem na segunda posição, com 9,14% das compras (23,03 mil TEC), e chamam atenção pelo ritmo de crescimento: em apenas três meses, já adquiriram 57,38% de todo o volume exportado para o país ao longo de 2025.

Na avaliação do diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, o resultado reflete um conjunto de fatores que vêm fortalecendo a pecuária. “Mato Grosso tem avançado na abertura de mercados e na valorização da sua carne. Esse crescimento mostra não só a força da produção, mas também a confiança dos compradores internacionais na qualidade e na regularidade do produto”.

“Além de volume, estamos ganhando valor. Isso passa por uma combinação de eficiência produtiva, melhoria genética, manejo e, cada vez mais, pela adoção de práticas sustentáveis, que são exigências dos mercados mais exigentes”, enfatiza o diretor de Projetos do Imac.

Fonte: Assessoria Imac
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Brasil abre mercado para exportação de miúdos bovinos ao Vietnã

Negociação amplia oportunidades para a cadeia da carne e reforça presença em um dos principais destinos do agro brasileiro.

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O governo brasileiro concluiu negociações com o Vietnã que permitirão a exportação de miúdos bovinos (coração, fígado e rins) para aquele mercado.

A abertura fortalece o comércio com o quarto principal destino das exportações do agronegócio brasileiro e amplia as oportunidades para a cadeia bovina nacional, ao favorecer o aproveitamento integral do animal.

O Vietnã importou mais de US$ 3,5 bilhões em produtos agropecuários brasileiros em 2025, com destaque para milho, complexo soja, fibras e produtos têxteis.

Com esse anúncio, o agronegócio brasileiro alcança 592 aberturas de mercado desde o início da atual gestão.

Esse resultado decorre da atuação coordenada do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE).

Fonte: Assessoria Mapa
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