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Controladoria Interativa
Suas ferramentas possibilitam que o gestor escolha um caminho muito mais adequado e seguro para a tomada de decisões, e assim garantam a sustentabilidade e continuidade destas empresas.

Gostaria de iniciar, recordando que a controladoria surgiu no início do século XX nas grandes organizações norte americanas, visando o controle das empresas. Já no Brasil, a Controladoria surge no início dos anos 60 com a chegada das empresas multinacionais norte-americanas, que exigiam informações e controles como nas organizações de origem.
Atualmente, a controladoria tem exercido um papel relevante no sucesso das organizações, pois suas ferramentas possibilitam que o gestor escolha um caminho muito mais adequado e seguro para a tomada de decisões, e assim garantam a sustentabilidade e continuidade destas empresas.
Antes de focar em nosso tema principal, que é a controladoria dentro da produção de suínos, quero ressaltar aqui um fato expressivo da história, para nos estimular a sermos melhores e mais assertivos: das 500 maiores empresas do mundo na década de 50,90% não existem mais.
Isso reforça a necessidade de sermos mais eficientes e, quanto mais focado for em seu negócio, maior a probabilidade de conseguir sobreviver em um mercado tão desafiador e competitivo como é a nossa suinocultura. Buscando algo de novo para nossas granjas, não vejo ferramenta mais assertiva para nossas tomadas de decisões, do que implantar na fazenda, um setor de controladoria interativa.
Controladoria interativa
Qual empresa ou gestor prefere fazer as suas tomadas de decisões no escuro, decidir o que usar, como usar, quando usar um determinado aditivo ou nível nutricional sem ter nenhum tipo de informação? Não saber se o investimento realizado teve retorno ou valeu a pena?
Acompanhando a realidade de muitos produtores espalhados por este Brasil vemos que essa é uma situação bastante presente. Em algumas consultorias que presto trago sempre o seguinte raciocínio: vemos empresas na cidade – ferragistas, artigos de presentes e outras tantas – com investimentos muito menores que o de uma indústria de produção de carne, (suinoculturas), com softwares e controles. Já nossas granjas, na maioria das vezes, sem nenhum tipo de software de controle, principalmente no tocante a parte financeira do negócio, o que quase não ocorre nas empresas da cidade.
Trago este nome, controladoria interativa, porque uma controladoria, bem feita, com dados reais e consistentes, precisa do apoio, que se inicia com o proprietário, passa por todos os colaboradores e chega na pessoa responsável pela compilação dos dados.
Algumas fazendas que possuem coleta de dados e informações, na hora da tomada de decisão, por receio do processo de controladoria ter errado em alguma coisa, ainda assim, tomam as decisões em cima da visão e do que o proprietário “acha” melhor para a granja. E sem dúvida alguma, colocar todo esse peso e responsabilidade para si, pode não ser a melhor escolha para a saúde do seu negócio, principalmente em empresas que já cresceram bastante.
Pontos de oportunidade
Quando temos uma controladoria funcionando dentro de uma fazenda, vamos tomar as nossas decisões em cima de números, evidências técnicas que são incontestáveis, afinal dois + dois sempre será quatro.
Realizei uma pesquisa informal, com pessoas da cadeia de produção de suínos: gerentes de granja e comercial das empresas, com a seguinte pergunta: quantos reais acredita que uma granja de ciclo completo dá de lucro operacional, pegando uma média de dois a três anos? Curiosamente, uma parcela bastante expressiva das pessoas nem se quer quis responder, e dentro das que responderam, mesmo sem saber da resposta uma das outras, a resposta de vários foi R$ 50.
Acredito fortemente, que estar ligado a uma empresa, onde não se sabe nem mesmo qual é o potencial, ou melhor ainda, qual é o resultado da geração de caixa que está tendo, é a mesma coisa, que estar dirigindo em uma estrada, sem saber se ela te leva a cidade que deseja chegar.
Tenho um trabalho de referência, com resultado de uma granja de ciclo completo, vendendo animais de 115 kg de peso vivo, desde 2010, onde me permite usar um valor de resultado operacional na casa de R$ 100,00. Mas, devido a tudo que estamos vivendo, e principalmente o novo patamar de custos dos grãos, essa margem está negativa, e precisa encontrar novamente o seu lugar.
Enfim, muita coisa que ocorre dentro das granjas, não vem a tona como deveriam e consomem uma boa fatia do lucro que, deveria estar no bolso do produtor, vou citar dois exemplos.
Não é difícil encontrar granjas com idade média de leitoas cobertas com 20 dias acima da meta. Uma leitoa comendo 2,5 kg de ração a R$ 1,70, em 20 dias consumiu R$ 85 a mais de ração. Se esta granja tiver uma taxa de retenção de 4,5 partos, com 12 animais vendidos por parto, são 54 animais. Estes R$ 85 vão representar R$ 1,57 por animal vendido a menos.
Outro exemplo, uma fêmea em gestação comendo 100 kg a mais de ração por ano, com 28 animais vendidos por ano, com kg da ração custando R$ 1,75, são R$ 6,25 a mais por animal vendido.
Olhando para o cenário atual de custos, a margem apertou muito frente ao passado e, somando estes dois pequenos exemplos figurados acima, que sabemos ocorrer no campo, temos uma perda de R$ 7,82 por animal vendido. Sendo assim, avalie quantas oportunidades vai encontrar em seu negócio fazendo um trabalho de controladoria interativa!
Uma granja de mil fêmeas, que hipoteticamente, tivesse esses 2 pontos a melhorar, teria obtido um resultado de R$ 218 mil a mais no ano, só com estes detalhes.
Finalizo com uma frase do pai da administração moderna Peter Drucker: “se você não pode medir, você não pode gerenciar”.

Luis César Nogueira e Silva
Instagram – luiscesar.suinocultura

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Exportações do agro aos EUA recuam até 41% após escalada tarifária
Café, carne bovina, madeira, frutas e sucos perderam espaço com o aumento das barreiras comerciais impostas por Estados Unidos.

O ano de 2025 foi marcado pelo redimensionamento das tarifas de importação norte-americanas com relação aos seus parceiros internacionais, o que ficou conhecido como “tarifaço”, e o Brasil, claro, não ficou de fora. No início, o País apareceu na parte debaixo da tabela de taxas, com seus produtos sofrendo uma porcentagem adicional para entrada no mercado norte-americano de 10%. Mas, como a maioria dos nossos competidores nesse mercado sofreram taxação maior, os produtos brasileiros ganharam competitividade lá.

Artigo escrito por Andréia Adami, pesquisadora da área de Macroeconomia do Cepea.
No entanto, o alívio durou pouco, pois, em junho, adicionou-se às disputas comerciais também ruídos e disputas políticas, para então, o governo norte-americano anunciar a elevação dessa taxa adicional aos produtos brasileiros para 50%, um novo golpe aos exportadores brasileiros, inclusive os do agronegócio.
Como resultado desse novo cenário mais adverso da política comercial norte-americana, o valor total das exportações brasileiras para o País em outubro de 2025 ficou 40% abaixo do de julho de 2025. No caso do agronegócio, a receita em dólar caiu 35% e o volume exportado reduziu 41%, na mesma comparação. Produtos importantes da nossa pauta de exportação como café, madeira, carne bovina, frutas e sucos foram duramente atingidos.
Dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mostram que as compras norte-americanas do café brasileiro caíram 50% entre agosto e novembro de 2025, quando comparadas com o mesmo período de 2024. O cenário não foi muito diferente para os exportadores de madeira, carne bovina, frutas e suco de laranja; além de pescados e produtos como mel, que, apesar de ter pequena representação em termos de valor, tinham forte dependência do mercado norte-americano.
O governo brasileiro correu para apoiar os setores afetados, principalmente na forma de disponibilização de crédito, para que estes pudessem ter tempo de armazenar seus produtos enquanto buscavam novos mercados, com o apoio das instituições brasileiras como o Ministério da Agricultura e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex).
Diante das ações protecionistas do governo norte-americano, não só o Brasil, mas todos os países afetados por sua nova política comercial tiveram que aplicar uma estratégia de negociação há muito utilizada nos mercados financeiros, a de que “não se deve colocar todos os ovos numa mesma cesta”, ou seja, utilizar a diversificação de destinos como estratégia de redução de riscos, agora na área comercial.
A busca por abertura de novos mercados e acordos de livre comércio com o México, Canadá, Índia, Japão e principalmente com a União Europeia passou a ser visto como mais que essencial para preencher a lacuna deixada pelo mercado norte-americano.
No caso do agronegócio, o resultado desse esforço para conquistar novos mercado pode ser verificado no crescimento das vendas externas do setor no ano de 2025, que foi de 11% para a China, 9% para a União Europeia, 7% para o México, 13% para o Reino Unido e 38% para a Argentina; enquanto caíram 6% para os Estados Unidos.
E, a despeito da “química” entre nossos governantes e da recente derrubada do tarifaço pela Suprema Corte norte-americana, o mais importante é que o aumento das relações comerciais entre os países pode ser um elemento-chave para impulsionar o crescimento das suas economias, levando a mais demanda, principalmente por alimentos.
Bovinos / Grãos / Máquinas
Nelore, o boi que samba
Enredo histórico levou o Nelore ao Sambódromo do Anhembi como símbolo produtivo nacional, colocando a raça no centro da narrativa cultural do país e destacando sua importância para o agronegócio brasileiro.

Há 20 anos, em 28 de fevereiro de 2006, o icônico locutor da apuração do desfile de carnaval de São Paulo, anunciava: a Império de Casa Verde era bicampeã da folia paulistana. A vitória veio com um enredo que se tornou histórico para o agronegócio brasileiro, ao colocar o Nelore no centro da narrativa cultural do país e levá-lo ao Sambódromo do Anhembi como símbolo produtivo nacional.
A presença do Nelore naquela passarela não foi um gesto episódico nem ornamental. Foi a afirmação pública de uma trajetória construída no campo e, já naquela época, profundamente conectada ao desenvolvimento econômico e social do Brasil. Ao ocupar o carnaval, a raça mais representativa da pecuária nacional passou a dialogar diretamente com a sociedade, em um espaço onde o país se reconhece e se expressa culturalmente.

Artigo escrito por Victor Paulo Silva Miranda, presidente da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil – Foto Foto: Divulgação/ACNB
Falar do Nelore é falar da base da pecuária de corte. A raça responde por aproximadamente 80% do rebanho nacional com essa aptidão, sustentando um modelo produtivo adaptado às condições tropicais, baseado majoritariamente em pastagens e responsável por garantir escala, eficiência e regularidade à produção de carne. Trata-se de um estrutural, que sustenta toda a cadeia, mas que muitas vezes foi silencioso. Há mais de 70 anos, a Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB) tem dado “voz” a esses animais, que passaram a “cantar” a partir dos versos da Império, compostos por Rafael, Junior Marques e Carlos Jr.
Ao ganhar visibilidade no carnaval, esse protagonismo deixou de ser restrito ao ambiente técnico e passou a integrar o imaginário coletivo. O Nelore foi apresentado como elo entre passado e presente, entre tradição e ciência, entre cultura e produção. A avenida funcionou como espaço de tradução, permitindo que a pecuária fosse compreendida para além dos números e indicadores. Afinal, “Com o boi Nelore/ A pecuária e a ciência evoluiu/ E hoje é um orgulho nacional/ É saboroso, é divinal, pode aplaudir”.
A imagem do “boi que come capim” sintetiza esse modelo. Longe de ser simplificação, ela expressa um sistema produtivo eficiente, tropical e competitivo, construído com base em seleção genética, adaptação ambiental e trabalho contínuo dos criadores. É esse modelo que permitiu ao Brasil se consolidar como potência na produção de carne bovina, com identidade própria e vantagens comparativas claras.
À época, a equipe da ACNB participou diretamente daquele processo e pôde acompanhar como a linguagem cultural ampliou o alcance dessa história. Em vez de explicações técnicas, o Nelore foi apresentado por meio de símbolos, ritmo e imagem. As gravações estão disponíveis na internet para quem quiser conferir. Nelas, a ciência e o melhoramento genético apareceram traduzidos em narrativa acessível, aproximando o campo da cidade e gerando reconhecimento sobre o papel da pecuária na vida nacional.
Duas décadas depois, em 2026, o significado daquela presença permanece atual. O Nelore segue sendo o alicerce da pecuária brasileira – hoje líder em produção e em exportação –, acompanhando avanços tecnológicos, ganhos de produtividade e novos desafios ligados à sustentabilidade e à comunicação. O que se consolidou foi a consciência de que produzir bem também exige capacidade de diálogo com a sociedade.
O Nelore no carnaval simbolizou essa maturidade. Um boi que sustenta a pecuária nacional, que responde pela maior parte do rebanho de corte brasileiro e que também ocupa o espaço da cultura. Naquela avenida, ficou claro que o Nelore não é apenas base produtiva. É identidade, história e parte viva do Brasil. E, quando preciso, também samba.
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Acordo Mercosul-UE reacende debate sobre competitividade da indústria brasileira
Tratado amplia acesso a mercado que representa 25% do PIB mundial, mas setor alerta para risco de desindustrialização sem reformas internas.

Após duas décadas de negociações, a assinatura do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia é apresentada ao público como uma conquista histórica. Contudo, para quem vive o cotidiano da indústria de transformação, o sentimento é de um alerta urgente combinado a uma expectativa cautelosa: a integração de um mercado que representa 25% do PIB mundial não é uma oportunidade automática; sem a correção das assimetrias competitivas brasileiras, ela é um risco de desindustrialização, mas, se bem conduzida, pode ser o passaporte para o Brasil se tornar um hub global de tecnologia sustentável.
Historicamente, o Brasil optou por um modelo que pune quem produz. Enquanto o fabricante europeu, especialmente na Alemanha e na

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado e Gpoint Studio/Freepik
Itália, opera em um ambiente de juros civilizados, logística de ponta e desoneração completa de investimentos, o industrial brasileiro carrega o “Custo Brasil” como uma âncora. Assinar um tratado de livre comércio nos obriga a fazer a “lição de casa”, ou seja, melhorar nossa competitividade.
O risco central reside na assimetria estrutural. Se o cronograma de redução tarifária avançar mais rápido do que as reformas internas, assistiremos à substituição da produção nacional por bens importados. Todavia, há um lado positivo que não pode ser ignorado: o acordo impõe uma “agenda de eficiência” obrigatória.
O acesso facilitado a componentes e tecnologias de ponta europeias poderá acelerar a modernização do parque fabril brasileiro, reduzindo custos de produção a médio prazo e elevando o padrão de qualidade da nossa engenharia.
Não se trata de temor à concorrência, mas de necessidade de isonomia. A reforma tributária sobre o consumo é um passo fundamental,

Foto: Divulgação
mas sua eficácia depende de uma implementação que garanta o crédito financeiro pleno e imediato. Com a isonomia garantida, o cenário muda de figura. O Brasil tem uma oportunidade ímpar de se destacar na Neoindustrialização Verde.
A indústria brasileira de máquinas já é uma das mais limpas do mundo e, com o selo do acordo, ganha um canal direto para fornecer soluções em energias renováveis, biocombustíveis e hidrogênio verde para uma Europa ávida por descarbonização.
Além do peso fiscal, a disparidade do custo de capital é alarmante. A modernização para a Manufatura 4.0 exige investimentos. Sem uma política de crédito competitiva, a “janela de oportunidade” do acordo será apenas uma vitrine para produtos estrangeiros. Mas, se o Estado Brasileiro oferecer os instrumentos financeiros adequados, o setor de bens de capital pode dar um salto qualitativo, integrando-se definitivamente às cadeias globais de valor e deixando de ser apenas um fornecedor local para ser um player internacional.

Artigo escrito por José Velloso, engenheiro mecânico, administrador de empresas e presidente executivo da Abimaq – Foto: Divulgação/Abimaq
O potencial de mercado é vasto. Exportamos atualmente apenas US$ 1 bilhão para a Europa, uma cifra irrisória perto da nossa capacidade. O acesso a esse mercado consumidor de alto poder aquisitivo é a grande promessa positiva deste tratado. Ele pode abrir portas para que a criatividade e a resiliência da engenharia brasileira conquistem nichos de alta tecnologia que antes eram inviabilizados por barreiras burocráticas e tarifárias.
O acordo Mercosul-União Europeia impõe ao Brasil um desafio inadiável. Ele pode ser o motor da nossa integração global, transformando a pressão da concorrência em incentivo para a inovação. A abertura comercial é um instrumento de desenvolvimento, mas o seu êxito depende de arrumarmos a nossa própria casa. Se fizermos o dever de casa, o Brasil não apenas sobreviverá à abertura, mas poderá emergir como um dos grandes fornecedores de soluções tecnológicas para os desafios do século XXI.



